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121
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0000000146
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Notas
Obra digitalizada por la Universidad Complutense de Madrid perteneciente a la colección privada de Jaime Jaureguizar
Colección de la edición
Colección de Protociencia-Ficción Mnemosine
Lugar de publicación
Idioma
Español
Europeana Type
TEXT
Europeana Data Provider
Biblioteca de la Universidad Complutense de Madrid
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1
Derechos
Universidad Complutense de Madrid
Licencia de uso
CC BY-NC-ND 4.0
Fecha de creación
1921
Formato
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BIBLIOTECA
NOVELESCO
CIENTÍFICA
por «EL CORONEL IGNOTUS»
PRIMERA ÉPOCA

•_ «

Pesetas.

— Primera etapa de «Viajes Planetarios en el siglo xxn»,
segunda edición ...................................................................................................................
DEL OCEANO A VENUS. —Segunda etapa de la misma obra, segunda ídem.......................
EL MUNDO VENUSIANO. —Tercera y última etapa de la misma obra, segunda ídem ....
LA DESTERRADA DE LA T IE R R A . —Primera parte.—EL MUNDO-LUZ. ................................
EL MUNDO-SOMBRA. -Segundaparte de la anterior....... .......................................................
DE LOS ANDES AL CIELO.

EL AMOR EN EL SIGLO CIEN..............
LA MAYOR CONQUISTA.
POLICÍA TELEGRÁFICA.
LOS MODERNOS PROMETEOS.
LOS NÁUFRAGOS DEL G LACIAR .

4
4
4
4
4

.................................................... .................

4

-Primer episodio: LOS VENGADORES ........... ...................................
—Segundo episodio de la anterior....................................................
—Tercer y último episodio de la anterior............................
—Primera jornada de Tierras Resucitadas......................

4
4

SEGUNDA ÉPOCA
ANA BATTORI.— Segunda jornada de la anterior............................................................. .
EL GUARDIÁN DE LA P A Z .— Ultima ídem id............................................................................
(Seguirán otras muchas a razón de tres a cuatro por año.)

3
3

Otro gran éxito. M O D E R N A S B R U J E R IA S D E LA CIEN C IA. - Charlas vul ares.

6 ptas.

4
4

OTRAS OBRAS DE JOSÉ DE ELOLA
LITERARIAS
Pesetas.
E U G E N IA .—Novela....................................................... 3
L A P R IM A JU A N A .—Novela, dos tom os. ..
3
B O S Q U E JO S .—Cuentos.............................................
3
C O R A ZO N E S B R A V IO S .—C uentos..................
1
C U E N T O S E S T R A F A L A R IO S D E A V E R
Y M A N A N A. —(Agotada.)
R E M E D IO C O N TR A C E G U E R A .-C om edia en dos actos. (Agotada.)
L A N 1E T E C 1L L A .—Idem en Id., id.
IN A R T ÍC U L O M O R T IS .—Idem en un ac­
to, id.
P R E C O C ID A D .—Idem en Id., id.
M A C B B T H .—Versión i>e la tragedia de este
nom bre, de W illian Shakespeare........................ 2
O B R A S D R A M Á T IC A S . —El salvuje, Luz de
belleza........................................................................ 2
E L FIN D fi L A G U E R R A __Con el seudó­
nimo I gnotos ________________________________
3,50
MORALES, SOCIALES Y POLÍTICAS
E L CREDO Y L A RA ZÓ N . -Segunda edi­
ción...............................................................................

3

L A V E R D A D D E LA G U E R R A .—Versión
del inglés. (A golada.)
L A S C A U SA S D E L D E S A S T R E .—Con seu­

Pesetas

dónimo Ignotos. (Agotada.)

L A C A M P A Ñ A D E L R O S E L L Ó N .- (Ago­
tada.)
E L P L E IT O D E L R E G IO N A L IS M O .-C o n
seudónimo Don Ñuño. (Agotada-)
LA E N F E R M E D A D DE L A P E S E T A ........
LO QUE P U E D E E S P A Ñ A ...............................

2
1

CIENTÍFICAS
P L A NI Al E T R I A DE P R E C IS IÓ N .— Premiada por la Escuela de Minas, cuatro volú­
m enes........................... ................................................ 50
L E V A N T A M IE N T O S Y R E C O N O C I ­
M IE N T O S T O P O G R Á F IC O S .—De texto
en varias Escuelas de Ingenieros, tres volú30
m enes..................................................
7
A G EN D A D E L T O PÓ G R A F O .
E S P A Ñ A EN M ARRUECOS.—Mapa de la
3
zona de influenc a española..................................

PIDANSE El l i s US l i l i
B L IO T E C A N O VEL ESC O -C I ENTÍFICA
¥

B IB L IO T E C A

N O V E L E S C O - C IE N T IF IC A

D aooooooooaaoaaoaaD oooaooaaooaooaooaooooaooaooaaooaoaoooaooaoooooaaoaoooooaooooooeaaooaooaooa

DE L O S A N D E S
AL CI ELO



Es propiedad. Prohibida la repro­
ducción, incluso la “ cinematográfica", sin permiso del autor.

W W * W < W W < V V » W « A « « A I V V W V W « S A IW V V V V W W > « ^ V V V V > < V V V W M W W W W W V W W V W W W V V W 1 A IV S W ¥ V W Î

NOVELA DE AVENTURAS
POR

EL CORONEL IGNOTUS
JOSÉ

DE

ELOLA

PRIM ERA ETAPA

DE LOS ANDES AL CIELO

TERCERA EDICION

* A A A A A A A A A A ^ A A ^ ^ A A ^ A A A A A A A A A A A A /W S A A /S > A .< W A A A A A ^ A /S A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A /W S A A A A ^ /^ ^ < ^

í NI D I C E
Paga.

P ágs.

r *

XVI.—El volcán se sosiega y Pedro
I . —El autor comienza a enterar­
olfatea algo.......................
56
se de lo que cuenta en estei
7
XVII.—Una segunda dama que, en
libro........................................
cualquier o t r a historia,
II.
—Un documento curiosísim o... 9
12
habría sido primera.........
57
III.—Un testamento extravagante...
XVIII.—Surgen dificultades.............
60
IV.—Historia breve, o galopante epí­
14
XIX.—Una noche en el palacete de
tome, de 265 años...................
Challao..............................
63
f" V.—María Pepa y el astro que sacó
XX.—De cómo María Pepa des­
de su cabeza..........................
16
enreda una madeja que
VI.—La prometea del siglo XXII y
estaba enredadísima........
68
el rescoldo de un históricoI
XXL—Frente a frente....................
71
odio medioeval......... *...........
19
XXII.—Se acaba la fabricación del
V il.—Ya está aquí María Pepa.......
23
autoplanetoide.................
75
VIII.—¿Tragedias? ¿Dramas? ¿Madri­
XXIII. —Una explosión inconcebible. 80
26
gal?..........................................
XXIV. —Un breve idilio y varios lar­
JIX.—La heroína se desmaya y sei)
gos viajes..........................
84
30
destapa....................................
XXV.—Mister Chess tiende sus re­
g X.—Una explosión de internaciona­
des y se compra unas alas
33
les entusiasmos......................
de milano..........................
87
:¿XI.—María Pepa toma tres ayudan­
tes y se lo s lleva a Amé­
XXVI.—Dime con quién andas y diré
rica..........................................
38
cómo acabas......................
92
XII.—La fabricación de un novi XXVII.—Los perros de la Capitana..
96
42 XXVIII.—Maquinaciones tenebrosas.. 100
mundo.....................................
XIII. —La temeraria María Pepa baja
XXIX.—Mister Chess se disfraza...
104
L
al volcán de Maipo................
XXX.—Sara encuentra lo que busca­
46
XIV. —Los homoquinas y la volcánica
ba en Paramillo...............
107
XXXI.—Las crisis amorosas de Mis'catástrofe de Maipo...............
48
tress Sam-Fairelo.............
109
XV.—Un salvamento heroico, dos!
XXXII.—Ultimos preparativos.........
112
desmayos y v a r i a s c os a s
raras........................................
52 XXXIII.- La partida.............................
115

BIBLIOTECApor «ELNOVELESCO-CIENTÍFICA
CORONEL IGNOTUS*
P R IM E R A ÉP O C A

’ese tas-

DE LOS ANDES AL CIELO. — Prim era etapa de «Viajes Planetarios en el siglo xxn »,
segunda e d ic ió n ......................................... ............. ......................................................................
DEL OCEANO A VENUS.— Segunda etapa de la misma obra, segunda íd em .........................
EL MUNDO VENUSIANO. Tercera última etapa de la m ism a obra, segunda ídem
LA DESTERRADA DE LA TIERRA.— Prim era p arte.— EL MUNDO-LUZ. ...................................
EL MUNDO-SOMBRA.— Segunda parte de la anterior.....................................................................
EL AMOR EN EL SIGLO CIEN.................................................................................................. .. . .
LA MAYOR CONQUISTA.- Prim er episodio: LOS VEN G A D O R ES...........................................
POLICÍA TELEGRÁFICA.— Segundo episodio de la anterior.........................................................
LOS MODERNOS PROMETEOS.—Tercer y último episodio de la anterior.................................



y

....

LOS NÁUFRAGOS DEL GLACIAR.—Prim era jornada de Tierras R esucitadas.........................

4,
4

4
4.
41
41
4
4

4

41

SE G U N D A É P O C A
ANA BATTORI.— Segunda jornada de la anterior................................................ ............... ,
EL GUARDIÁN DE LA PAZ. — Ultima ídem id ...................................................................................

3
3

(Seguirán otras muchas a razón de tres a cuatro por año.)

Otro gran éxito. MODERNAS BRUJERIAS DE LA CIENCIA. - Charlas vulgares. 6 ptas,

OTRAS OBRAS DE JOSÉ DE ELOLA
Pesetas.
LITERARIAS
3
H UGBNIA.—dovela.................
L A PR IM A JU A N A .—Novola, dos tom os.... 3
BOSQUB JO S.—Cuentos...................................... 3
CO RAZONES B R A V IO S .—Cuentos............. 1
CU ENTOS E ST R A FA L A R IO S DE AVER
Y .M AÑANA.-(Agotada.)
R EM ED IO CONTRA CEGUHRA.-Comedia en dos actos. (Agotada.)
LA N IETBCILLA .—Idem o n íd ., ÍÜ.
IN ARTÍCULO M ORTIS.—Idem en un ac­
to, id.
PR COCID AD.—ídem en id., Id.
M A C B E T H .—Versión de la tragedia de este
nombre, de Willian Shakespeare...................... 2
O B RA S D R A M Á T IC A S .—El salvaje, Luzde
belleza.................................................................... 2
E L FIN DE L A G U B R R A .-C on el seudó­
nimo I gnotus.......................................................... 3,50
MORALES, SOCIALES Y POLÍTICAS
E L CREDO Y LA R A ZÓ N .—Segunda edi­
ción............................................................................

3

LA VERD A D DE LA G U E R R A .-V ersión
del inglés. (Agotada.)
L A S CAUSAS DEL D ESA STRE.—Con seu­
dónimo I gnotus. (Agotada.)
LA CA M PA Ñ A DEL R O SEL L Ó N .-(A gotada.)
EL PL E IT O D EL R E G IO N A L ISM O .-C on
seudónimo Don Ñuño. (Agotada.)
LA ENFERM EDAD DE LA P E S E T A ........
LO QUE PU ED E E S P A Ñ A ..............................
CIENTÍFICAS
P L A N IM E T R ÍA DE PRECISIÓN. —Pre­
miada por la Escuela de Minas, cuatro volú­
menes......................................................................... 5
L EV A N TA M IEN T O S Y R E C O N O C I ­
M IEN TO S T O P O G R Á F IC O S .-D e texto
en varias Escuelas de Ingenieros, tres volú­
menes ........................................................................... 3 >
AGENDA DEL TO PÓ G R A FO ........................ 7
E SPA Ñ A EN M A R R U EC O S.-M apa de ia
zona de influencia española................................. 3

EL AUTOR COMIENZA A ENTERARSE DE LO QUE CUENTA
EN ESTE LIBRO

Hace unas semanas publicaron varios pe­
riódicos de Madrid un gran anuncio que
decía:
MA DEMOISELLE THELLIS
admirable tele-psico-futu-vidente, excep­
cional discípula de la célebre y
malograda
MADAME DE THEBES
¡Ni las profundidades del misterioso por­
venir, ni los abismos del insondable espa­
cio, detienen su penetrante mirada; ni hay
csorazón ni mente capaces de velar sus se­
cretos a este prodigioso médium.
Sesiones públicas, consultas privadas,
diiscreción absoluta. Hay horas especiales
y gabinetes reservados para quienes, por
prosapia o posición, recelan confesar su
f<e en las ciencias hipnóticas, la televisión,
La telepatía...
Y otros cuantos más teles que a punto fijo
mo recuerdo, y de los cuales no hice yo nun­
c a mucho caso, pues siempre tuve a esas
TThebes y Thellis por charlatanas que viven
yr medran a expensas de credulidad y su­
perstición ajena.
Seis u ocho meses permaneció en Madrid
lía celebrada escrutadora de lo porvenir y de
hos corazones, no debiendo irle mal, pues el
glasto de su fastuosa instalación, en un prin­
c ip a l de la Gran Vía, el boato de sus salones,
lia pléyade de galoneados lacayos, etc., eto.,
eeran palpable testimonio de que por allí
psasaban, más o menos de incógnito, no pó­
ceos clientes, sobre todo dientas, de repletí'
33imo bolsillo.
Una tarde en que, aburrido, no sabía yo
ecómo matar el tiempo, acerté a pasar por la
ppuerta, en cuya jamba ostentaba una placa
eesta inscripción:

Thellis-Medium Psico-Vidente.
Suba usted.
Pensando que nunca había yo visto aque­
llo, y sobrándome horas de aquella larga
tarde, sentí que el suba usted cosquilleaba
en mi curiosidad, y subí.
No voy a detenerme en descripciones de
aquel templo de la adivinación, ni de su
impresionante aparato externo, bien combi­
nado para embaucar incautos, pues para en­
trar prontamente en materia, no hablo si­
quiera de la persona, no despreciable, de la
iluminada, que en cuanto estuve en su pre­
sencia, dijo sin darme tiempo de dirigirle
una palabra:
—No me interrogue todavía. No me dé
antecedentes de lo que desea. Con los ojos
abiertos no veo nada, pues para ver he de
cerrarlos. Despierta vivo envuelta entre ti­
nieblas; dormida veo claridades radiantes
encenderse en mi mente.
—Esta me cree tonto de capirote—fué el
comentario que, para mi coleto, me sugirió
la alambicada perorata.
Cerró las puertas y reclinándose en có­
moda butaca, prosiguió:
— No soy como otros vulgares médiums
que necesitan hipnotizador intermediario
entre ellos y los clientes. La sensibilidad
exquisita de mi psiquis me hace asequible
a doblegarme a los deseos de cualquiera
—y no se tome esto en mal.sentido—. Usted
mismo, por tanto, caballero, va a hipnoti­
zarme mirándome a los ojos. Clave su pu­
pila en la mía, con voluntad de ensombre­
cerla tras la nubosa opacidad de mis pár­
pados caídos, y pregunte después cuanto
¿aber desee.
—¿Quién podrá ser el literato cursi que
le ha hilvanado el discurso a esta chica?—
pensaba yo.
—Este método tiene la ventaja—agregó

8

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

ella—de que, siendo directa la supernatural
comunicación entre usted y yo, ni el más
leve aleteo telepático se perderá, al pasar
de usted a mí, del misterioso fluido en que
a anegarme van efluvios de sus ojos y anhe­
los de su alma.
—Ni tú repartirás con ayudantes una sola
peseta de las que va a costarme esta con­
sulta— dije para mi sayo.
Renuncio a describir farsas, melindres,
contorsiones de la adivinadora, hasta que,
agitado su cuerpo por tembloroso espasmo,
dijo con suspirante voz:
—Tuya es mi voluntad, ordena. ¿Qué de­
seas saber?
—¿Qué diablos iba a preguntar yo?
E indeciso seguía cuando la pitonisa pro­
siguió:
—Veo luz, mucha luz; pero nada ilumina.
Ciegan mis ojos sus fulgores, por no poder
posarlos en objeto ninguno por ellos alum­
brado. ¿Para qué me has dormido si no quie­
res que vea, si nada me preguntas?

Al cabo, lo mismo que habría podido pre­
guntar otra cosa cualquiera, se me ocurrió
decir:
— Quiero saber cuál será el más sensacio­
nal suceso que ha de ocurrir en el año 2187.
—¿En dónde?... ¿En la Tierra o en los
Cielos?
—Donde alcance tu vista.
■—Mi vista alcanza al universo todo.
—Pues si todo lo ve, en el universo.
— ¡Chist, chist!... Una estrella fugaz; se
acerca, crece, cae... Es un aerolito, un bó­
lido. Pero no como todos: no es un pedrusco de forma irregular, más bien parece un
proyectil.
Confieso mi sorpresa al ver el sesgo as­
trónomo-balístico tomado por las revelacio­
nes de la durmiente y el carácter franca y
extraordinariamente científico del lenguaje
que empleaba. ¡Vaya si era instruida aque­
lla chica! Mucho más de cuanto lógicamente
podía yo esperar. Y confieso que ya iba in­
teresándome adonde iría a parar por tan
inesperado rumbo.
— ... Lo llevan a un gran laboratorio, lo
examinan muchos sabios... No es un frag­
mento de asteroide, sino un artefacto me­
tálico evidentemente salido de una fundi­
ción...
— ... Mas si ha caído de los cielos, han de
haberlo fundido ¡fuera de este mundo!...
¿Será un mensaje planetario? ¿Una carta,
un telegrama, procedente de Marte o Jú­
piter?... Todo sen suposiciones y controver­
sias entre los doctos comentadores del far
nómeno.

Llama a uno de ellos la atención el metal,
desconocido, al parecer, del aerolito, que so­
metido al examen del espectroscopio me­
diante la ignición de una partícula de él en
una llama de gas ictio-benzólico—jamás ha­
bía yo oído hablar de semejante gas—em i­
tió luz que enviada a través del prisma espectroscópico, pintó en una pantalla blanca
la dos brillantes rayas púrpurovioladas ca­
racterísticas de la luz del afrodinio.
—Ya usted sabe—dijo haciendo un parén­
tesis la Thellis—que esto no es cosa nueva,
que la luz producida quemando diversos
cuerpos, y descompuesta luego a través del
vulgar prisma de los gabinetes de óptica,
produce espectros luminosos, incompletos ar­
cos iris, donde aparecen rayas teñidas de
especiales colores, variables con las subs­
tancias ensayadas. Así cada cuerpo tiene lo
que se llaman sus rayas características, por
las cuales se le reconoce en este método de
análisis físicoquímico.
Crecía mi asombro al ver que aquella pi­
tonisa avaloraba sus relatos con científicas
notas, y era más fuerte en química que Carracido y sir Ramsay, que ni noticia tienen
del afrodinio. Ignorancia la de estos sabios
contemporáneos nuestros que me expliqué
en seguida al informarme la durmiente de
que procedimientos espectrofotográficos apli­
cados a la luz de los rayos del planeta Ve­
nus habían revelado la existencia abundan­
te en dicho astro de un metal que en la
tierra no se encuentra, al cual se dió el
nombre de afrodinio; descubrimiento que,
realizado en el año 2103, no podía ser cono­
cido por Carracido en 1918 (1).
Lo estupendamente sensacional de haber
hallado afrodinio real y efectivo en el aero­
lito recogido en los alrededores de Florencia
el año 2187, era—todo según la hipnótica
revelación de mademoiselle Thellis—que no
entrando en la constitución de nuestro mun­
do ni un adarme siquiera de afrodinio, no
existiendo dicho cuerpo en la Tierra, y no
habiendo afrodinio sino en Venus, el aero­
lito tenía que proceder de este planeta: ser
un mensaje a los hombres enviado por los
venusianos, o acaso, y esto sería mucho más
agradable y lisonjero, de las señoras venusianas. Porque los sabios vieron en seguida
que el afrodinio no era sino el sobre dentro
del cual debía suponerse estuviera la carta.
Para sacarla, y por temor de estropearla,
pues se ignoraba en qué substancia vendría
(1)
Este descubrimiento fué análogo al que,
analizando del mismo modo la luz solar descom­
puesta en el prisma, había conducido a Loekyer en
1868 a descubrir la existencia en el Sol del metal
helio, no pocos años antes de que en el mundo en­
contrara la Química tal cuerpo.

DE LOS ANDES AL CIELO

escrita, fue rascada en un torno la metálica
■capa, conservando, cual si fuera oro en pol­
vo, las virutas del preciado y exótico me­
tal: viendo, con sorpresa, los sabios que bajo
el sobre de afrodinio venía otro segundo
sobre de substancia tan conocidísima como
el acero, prueba fehaciente de que en Venus
existen, como aquí, hierro, hulla, mangane­
so, fósforo y otros usuales componentes del
acero.
No era de desdeñar el descubrimiento;
mas la satisfacción de haberlo realizado duró
poquísimo a los sabios: el tiempo nada más
que tardaron en ver grabada en el acero
la siguiente inscripción:
COMPAÑIA ANONIMA DE ACEROS
ARGENTINOS
Panamá,

Santa F e,

Tucumún.— Año

2186.

La perplejidad y la estupefacción de aque­
llas sapientísimas hormigas de la Ciencia
llegó entonces al colm o; y no sin falta de
motivos, pues la envuelta de metal venusiano demostraba que aquel seudoaerolito y
presunto mensaje venía de Venus. Además,
aquella marca de las conocidísimas fundi­
ciones argentinas pregonaba, también sin
dar lugar a dudas, que el proyectil había
salido de la Tierra antes de ser lanzado
a ella desde Venus: ¡Que había hecho un
viaje de ida y vuelta entre los dos plane­
tas! ¡¡Que se había inaugurado un servicio
de comunicación postal entre los hijos de
Adán y las hijas de Venus!!...
¡¡¡Y con todo su saber, ni palabra sabían
los sabios de tan magno suceso!!!
La vergüenza de su ignorancia rayó en
consternación; hasta tal punto, que, gachas
las orejas, clavadas en el suelo las miradas,
no se atrevían a levantarlas, no las orejas,
sino las miradas, por temor de ver propios
bochornos reflejados en los abochornados
rostros de sus compañeros.

9

Al cabo dijo uno, rompiendo aquel abru­
mador silencio:
—Hay que llegar al fin: desgarremos el
sobre.
No fué preciso, pues antes de intentarlo
se advirtió que el proyectil constaba de dos
trozos a rosca atornillados, tapa uno, canuto
otro, viniendo en el seno del último plena
corroboración del prodigioso ir y venir de
aquella carta entre la Tierra y Venus.
Varias hojas del papel corrientemente
usado para cartas en el mundo venían arro­
lladas, y a su vez envueltas en una, a modo
de metálica seda de color lila suave; pero
de una substancia intermedia entre alumi­
nio y celuloide, en la cual aparecía escrito,
con caracteres carmín fuerte, un jeroglífico
indescifrable. A reserva de llamar en su
auxilio a los más hábiles criptógrafos para
que tradujeran, si podían, el curioso impre­
so, desde el primer momento comprendieron
los sabios que aquél había sido redactado
por los habitantes del lucero de la tarde,
primero que se encuentra en el camino de
la Tierra al Sol; pues venía timbrado aquel
papiro de la extraña carta con una viñeta
representativa de la diosa Venus en el ins­
tante de surgir, radiante de belleza, de las
espumas de los mares.
Además de las secas y áridas conclusio­
nes, meramente científicas, anteriormente
deducidas, permitió el artístico sello sentar
otras históricas y aun poéticas. Primera:
que el buzón de origen estaba en Venus; se­
gunda: que en el vecino planeta es tan co­
nocida como aquí la mitología griega; ter­
cera: que allá también tributan culto a la
belleza; cuarta: que el nombre de Venus por
los hombres aplicado a la estrella vesperti­
na obedece a algo más que a humana capri­
chosa fantasía. ¡Quién sabe si a providen­
cial intuición, puesto que por el mismo la
conocen sus propios habitantes!
¡Extraña coincidencia! ¡Misteriosa armo­
nía sidereomitológica!
¡Insondable misterio!

II
UN DOCUMENTO
Las hojas contenidas en el proyectil de­
cían todas lo mismo, aunque en idiomas di­
ferentes; idiomas, por supuesto, de la Tierra.
He aquí su contexto:
“EN EL AUTOPLANETOIDE A-l
28 de diciembre de 2186.
Corremos a abrasarnos en las llamas del
Sol. No puedo precisar la velocidad de nues­

CURIOSÍSIMO
tra caída, porque la aguja del registro de
velocidades ha rebasado el final de la es­
cala, 120 kilómetros por segundo, que ja­
más habíamos alcanzado hasta ahora, y ya
no puede indicarnos nuestra marcha.
Somos víctimas de un accidente cuyos
efectos conocemos, mas cuya causa no lo­
gramos penetrar. La fuerza gravitatoria por
el Sol ejercida sobre el planetoide, contra­
rrestada hasta ahora por los aparatos cuya

10

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

funcionamiento es perfectamente conocido
nusiano: tan maravillosamente bello, tan.
del Instituto de Viajes Planetarios, se ha
sugestivo de presunción vehemente de inteconvertido, por avería de aquéllos, en di­ ?/ ligencia y capacidad, en sus indígenas, co­
recta atracción incontrastable que nos hace
losalmente superiores a las de los habitan­
caer al Sol, como en la Tierra cae al suela
tes de nuestra Tierra, que me hacen esperar
una masa de plomo: no, con fuerza 27 y 1/2
que los venusianos serán tal vez capaces de
adivinar la intención del diseño con que, por
veces mayor, pues es sabido que el kilogra­
suponer no entenderán nuestros idiomas,
mo de plomo de la Tierra pesa 27 corridos
intento hacerles comprender que con pro­
en el Sol.
pósito de que lo reexpidan a la Tierra, les
El accidente nos sorprendió hace veinte
disparo este proyectil, y acaso tengan po­
minutos.
Dejando por estribor al Sol, bogábamos
sibilidad de reexpedirlo, a juzgar por indi­
rectos a Venus con velocidad reducidísima
cios adquiridos en mi reciente estudio de
de 30 kilómetros por segundo— 1.800 al m i­
Venus, los cuales deploro no tener tiempo
nuto— , que íbamos aminorando rápidamen­
de explicar.
te para preparar el aterrizaje. Estábamos
En lacrada botella confía el marino que
absortos en la contemplación del incompa­
zozobra noticia del siniestro a las olas del
rable planeta que, a una cuarta parte de la
Océano; yo entrego aquí mis últimas pala­
distancia que separa a la Tierra de su luna,
bras, a ese ingrávido éter cuyas ondulacio­
se nos aparecía en cuarto creciente, con
nes poderosas son las olas de otro Océano
diámetro casi quince veces— 14,67— mayor
incomparablemente más inmenso; el pié­
que el aparente que la luna muestra a los
lago sin límites donde bogan mundos y
humanos y superficie igual a la de 215 lu­
soles.
nas reunidas. ¡Qué inmensidad de esplen­
La Comandante en jefe del autoplanetoi­
dorosa y nivea luz! ¡Oh, prodigio de belleza
de A l ,
inefable!
M a r ía P epa B u r e b a .
De pronto, el cataclismo inesperado nos
P. S.— La tripulación y pasajeros dan
aleja de Venus. Nuestros esfuerzos para dar
alto ejemplo de levantado espíritu y obe­
con la averia y oponernos a la atracción
diencia abnegada, con la sola excepción de...
solar resultan inútiles. Mi ciencia no me
Muera
conmigo este secreto:' no es la hora
sirve en este trance; serenidad y valor, que
de m orir hora adecuada para infamar a
no me faltan, por algo soy aragonesa, temo
quien conmigo va a morir.
sean impotentes. Solamente un milagro, que
N o t a i m p o r t a n t e . Situación en el espa­
pido a la patrona de mi tierra, la Virgen
cio del autoplanetoide:
del Pilar, puede salvarnos.
Es lo probable que la noticia de esta tra­
gedia sideral quede ignorada en la T ierra;
mas está en mi deber procurar que este
;parte oficial de la catástrofe llegue, si es lo
posible que llegar pudiere, a manos de quie­
nes me revistieron de autoridad de cuyo
empleo debo dar cuenta.
Sólo veo un remotísimo, improbable, mas
no imposible medio de que pueda ser leído
por el dignísimo Consejo de los Viajes Pla­
netarios: confiarlo a un proyectil, que a la
escasa distancia a que estamos de Venus,
tengo certeza llegará allá... Después, la Pro­
videncia, si en sus fines está, hallará modo
de enviarlo a la Tierra.
A despecho de mi razón, que de insensata
califica esta esperanza, tengo presentimien­
to de que allá leerán estos renglones, pro­
bablemente los últimos que escribo, dando
cuenta del naufragio del autoplanetoide: un
horrible naufragio, entre vapores de abra­
sadoras llamas, que miro frente a frente,
pues muero por la gloria de la terrestre
ciencia.
Esa confianza, loca al parecer, fúndase en
lo que he visto del hermosísimo mundo ve-

DIRECCIONES

A
A
A
A

la Tierra ................. .
la estrella P o la r .... ..
S irio ........................... ..
a del Centauro.........

0o
79°
103°
43°

0'
14'
45'
7'

01
27
2'
42'

DISTANCIAS

A la T ie rra .........
A V e n u s .............
A a del Centauro.

53.475.000 kilómetros.
150.000 ídem.
39 mil billones de id. (1 ).

Con errores inferiores al m illar de kiló­
metros.”
*

*

*

El anterior documento, o por mejor decir,
la transcripción de él, manuscrita por ma­
demoiselle Thellis en su sueño, obra en po­
der del autor, o cronista más bien, del viaje
extraordinario narrado en este libro.

(1)
H a de advertirse que ésta es la estrella
más cercana a la Tierra. Su distancia es igual a
1.312 millones de veces la redondez de nuestromundo.

DE LOS ANDES AL CIELO

Con unos desperezos convulsivos, un des­
pertadme, estoy cansada, de la durmiente,
y un despiértese usted de parte mía, term i­
nó la sesión, que había pasado de la media
hora, y en la que de verdad confieso que si
la hipnotizada no me había convencido ple­
nam ente de su sueño ni de la veracidad de
su relato, digo, de la veracidad que en 2187
pueda alcanzar, cuando lo relatado pase de
futuro a presente, a lo menos no me había
aburrido; es más, me había intrigado, y mu­
cho, la incongruencia de que una muchacha,
por muy dormida que estuviera, hablara
con aquel desparpajo de astronom ía, gra­
vitación, espectroscopia y química.
¿Cómo la urdía, con tai soltura y fácil
arte, en el momento, sin tener de antemano
ni rem ota sospecha de cuál pudiera ser la
pregunta que yo hubiera de hacerle?...
Y tanto me acuciaba esta duda, y, ¿por
qué no decirlo?, tanto me interesaba el te­
rrible peligro en que habíamos dejado a la
gallarda M aría Pepa (yo al menos me for­
jaba arrogante y guapísim a a la valiente
aragonesa), que al otro día retorné a casa
de la vidente en busca de noticias de la po­
bre muchacha: tampoco me cabía en la ca­
beza fuera vieja, ni jamona siquiera. ¿Ha­
bría escapado al espantoso fin que presentía,
o estaría ya, por hado infausto, convertida
en churruscado chicharrón?
¡Qué bobada! ¿Podrá nadie creer que el
Sol, el hermoso y benéfico Sol, me pareciera
horrendam ente odioso todo aquel día? Pues
bobada será, pero verdad también.
¿Me habré yo enamorado de M aría Pepa?
—me preguntaba inquieto—. ¡De una María
Pepa que andará por el mundo!... ¡Qué por
el mundo ni qué andar: que volará por esos
cielos dentro de dos centurias y media!
¡Qué atrocidad!
Las anteriores m uestras de mis solilo­
quios de aquella noche y siguiente m añana
dan la medida del alarm ante desequilibrio
de mi ecuanimidad en el momento de pre­
sentarm e por la tarde a mademoiselle Thellis, que ni palabra recordaba de la historia
o el infundio de la tarde anterior. Pero como
esto me lo decía despierta, no había sino
dorm irla para que recordara y viera cuanto
yo deseaba.
—Pues al sillón—le dije; y en cuanto me
afirmó que estaba ya dormida, le pregunté
nervioso:
—¿Dónde está M aría Pepa? Quiero saber
si es alta o baja, rubia o morena, esbelta o
regordeta... ¿Por qué anda correteando de
astro en astro? ¿Por qué la han hecho ca­
pitana?... No; lo primero es saber dónde
anda ahora. ¿Logró salvarse? ¿Sigue cayen­
do en el Sol?... ¿Sa ha chamuscado al fin?...

lf

-—No puedo contestar a tantas cosas.
—Pues bien, lo más urgente es buscarla
a ella y a su auto no sé qué... Deben andar
hacia Venus o Febo; quiero decir entre Ve­
nus y el Sol.
—Entendido, entendido: entre dos fuegos..
¡Ya, ya la veo!...
—¿Viva?
—Viva y en salvo; alegre y brava como'
la jo ta de su tierra.
— ¡Gracias a Dios!...
Más de cuarenta minutos duró aquella se­
gunda hipnótica sesión, en la cual oí cosas
extraordinariam ente interesantes: hechos y
peripecias tan estupendamente novelescocientíficas, que queriendo ap u rar h asta loúltim o la percepción de lo futuro para histo­
ria r aventuras auténticas de tiempos venide­
ros, o aprovechar la inagotable fantasía pintoresco-científica de mademoiselle Thellis
para inventar una novela en que mundos,,
estrellas, soles y cometas, alternan, cual
reales personajes, con hombres y mujeres,,
tarde tra s tarde, y bien provisto de cuar­
tillas y pluma estilográfica, visité a la adi­
vinadora, que, dormida o despierta, eso lo
sabrá ella, charló y charló hasta acabar de
referirm e, de la cruz a la fecha, cuanto el
lector leerá en las siguientes páginas, si coa­
las anteriores no se ha aburrido demasiado.
¿Es esto augurio histórico de lo que pa­
sará de aquí a doscientos sesenta y siete
años? ¿Es invención descabellada?... No se­
ré yo quien falle tan intrincada disyuntiva;
pero si me preguntan mi opinión recóndita,
diré que creo firmemente que en realidad
han sucedido: bueno, entiéndaseme, que de
seguro acaecerán, en siglos venideros, las
aventuras en este libr<* relatadas.
A no ser por tal convencimiento, no ha­
b ría sido tan tonto que en fantasías y em­
bolismos, que solito podía inventarm e yo,
me gastara el riñón que me gasté, pagando
sesiones y sesiones a la discípula de Madame de Thebes, que, viendo mi interés, car­
gó la mano en la cuenta de honorarios.
*

*

*

Ha llegado el momento de comenzar la
narración; pero antes, y para evitar que
algún lector enterado de mi fe de bautism o
caiga en la tentación de hacer chacota de
mi hum ilde persona por aquello del enamo­
ram iento de M aría Pepa, quiero dejar per­
fectam ente sentado que tal debilidad fué no
m ás pesadilla de un día, pues no cabe otra
cosa en mis m aduros años; pero sirva el
ejemplo de escarmiento a los muchachos,
para que alerta y prevenidos de tal riesgolean este libro; pues de antemano les a d -

12

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

la garrida capitana, que no podrá satisfacer
amor que inspire a los que nazcan antes de
fines del siglo x x n .

vierto que la muchacha que en él van a en­
contrarse es endiabladamente seductora. Ahí
queda la advertencia para que los inflama­
bles se acoracen contra las seducciones de

III

UN TESTAMENTO EXTRAVAGANTE
El 31 de diciembre del año de 1918, los
■cónsules de la República Argentina acredi­
tados en diversos países se personaron en
las respectivas Academias de Ciencias de
ellos para informar a los presidentes de las
mismas de comunicaciones que les pasaba
don Pancho Pozas, notario de la ciudad ame­
ricana de Córdoba.
Sin diferencia de coma, punto ni tilde,
-decían tales escritos:
“ Yo, Pancho Pozas, notario de esta ciu­
dad, donde a 22 de octubre último falle­
ció don Remigio Castrejo, natural de Trujillo, Cáceres (España), y vecino de esta
población de Córdoba de América desde 1873,
doy fe de que en el testamento de dicho se­
ñor existe un codicilo que copiado a la le­
tra dice así:
“ Además de las casas, tierras y ganados,
\alorados en los 66.000.000 de pesetas de
que- ya he dispuesto, poseo 31.250.000 en tí­
tulos de deudas extranjeras. El pico de esta
cantidad— el opulentísimo Castrejo llamaba
pico a las 1.125.000 pesetas—se destinará a
gastos de viaje a Córdoba, e indemnización
de molestias, por él causadas, a los señores
Presidentes de las Academias de Ciencias
de Madrid, Buenos Aires, New-York, Lon­
dres, Berlín, París, Roma, Viena y Tokio,
a razón de 125.000 pesetas para cada uno,
entregadas en la siguiente forma: 25.000 a
su embarco, 50.000 al llegar a Córdoba y
50.000 cuando declaren su conformidad con
mi voluntad, sobre el destino e inversión de
los treinta millones restantes, declarada en
pliego lacrado que será abierto ante ellos a
las doce del día en que se cumplan los seis
meses de la apertura de este testamento."
Ni mal les parecieron a los eximios sa­
bios, ni a acíbar les supieron los 25.000 du­
ros por barba que del cielo les caían; y a
Córdoba llegaron cada uno por su lado. Ni
uno faltaba al medio día del 30 de abril de
1919 en el despacho del notario Pozas, que
a dicha hora hacía saltar el lacre del mis­
terioso sobre, y calándose las gafas comen­
zaba la lectura de su extraño contenido, to­
mado taquigráficamente por intérpretes, pa­

ra conocimiento de los convocados que no
conocieran el español.
El documento, disparatado para los aficio­
nados a criticarlo todo, y extravagante cuan­
do menos, comenzaba con una entusiasta
profesión de amor a la Ciencia; tanto más
de estimar cuanto que, en vida, poquísimo
fué el roce que con las ciencias tuvo el opu­
lento indiano que, cincuenta años antes, ha­
bía llegado al Plata calzando botas que al
morir le duraban. Con lo que ya se entien­
de eran su piel y suela del mismísimo pe­
llejo de quien andando el tiempo fué lla­
mado el sudamericano Rey del Cuero, el
Sebo, la Carne y el Tasajo.
Una caída de caballo, seguida de fractu­
ra y amputación de una pierna, cuando ya
había vencido los setenta, le condenó, allá
en el fondo del potrero donde alejado dej
mundo residía, a inacción para él insólita.,
que fué engañando con lecturas. Y a leer se
dió; pero a leer con preferente ensañamien­
to obras de Julio Verne y de Wells, semilla
en su meollo de estragos del jaez que en el
de don Quijote hicieron las de Caballerías.,
pues el buen extremeño creyó cándidamente
que aquéllas eran, no fantasías, sino reali­
dades, o, cuando menos, verosimilitudes y a
en sazón de madurez, de la ciencia omnipo­
tente.
De aquí que, preocupado con el Viaje a leu.
Luna, la Querrá de los Mundos y alguna
otra aventura de este mismo linaje astro­
nómico, se creyera en el caso de ayudar con
su fortuna a la realización de extra-terres­
tres viajes planetarios: no ya a la Luna, que
está, como quien dice, a la puerta de casa;
no al vulgar Marte, cuya geografía conoce­
mos tan de carrerilla que ya hemos puesto
nombres en Sus mapas, sino hasta el obeso
y rutilante Júpiter, hasta Saturno y su poé­
tico y misterioso anillo. ¿Y por qué no, con
tiempo, ciencia y dinero—en esto se revela­
ba el antiguo hombre práctico—franquear
los límites del sistema solar y curiosear en
Sirius y en Arcturus y en otras y otras es­
trellas?...
Pero demos ya tregua a las delirantes di­
vagaciones del difunto Castrejo, y vengamos

DE LOS ANDES AL CIELO

a los conc retos fines de su legado con cuyo
capital y rentas habrían de costearse los
gjstos de estudio y realización de expedicion«s siderales entre Saturno y Venus, cuandi menos. Pero bieíi entendido, que serían
d« ida y vuelta, para informar, al regreso,
a los humanos de cuanto fuera visto y aprenddo en los mundos visitados, donde sería
olligatorio el desembarco y la pesquisa de
mticias indudablemente interesantes para
los inquilinos de este planeta sublunar.
De los treinta millones del legado destinibanse cinco a fundar un INSTITUTO IN­
TERNACIONAL DE VIAJES PLANETA­
RIOS; un millón, y sus rentas acumuladas,
firmarían el premio del inventor del vehícu­
lo adecuado a tales viajes, cuando, andando
lea años, surgiera tal Colón de lejanos pla­
netas; otro millón en lotes de 250.000 pe­
setas, igualmente con acumulación de rentis, constituirían otros cuatro premios, re­
servados a quienes resolvieran problemas
referentes a sistemas respiratorios, alimen­
ticios, de observación extraterrestre, etcé­
tera, etc., esenciales para la vida y la comoddad de los expedicionarios unos, y para
los altos fines de la Ciencia, otros.
Mientras todo esto se inventara, tres mi­
llones constituirían el huevo que, empollado
pir el interés compuesto—personaje muy
importante en este prólogo del viaje— , in­
cubaría los cuantiosos recursos necesarios
para fabricación y equipo del aparato, toda­
vía ignoto, de planetaria locomoción donde
se hubiera de efectuar,el viaje.
Por último, las rentas de los restantes
veinte millones, quedaban aplicadas a los
gastos de dirección y experimentación cien­
tífica del INSTITUTO DE VIAJES PLANE­
TARIOS.
Que, a pesar de su científica guilladura,
no era Castrejo tan ignorante en todo como
en ciencias, lo demuestra el siguiente pinto­
resco párrafo de su testamento:
“Si alguno piensa que dos y tres millones
para premios y viajes son poco en compa­
ranza con los veinticinco que se mama el
Instituto, será porque no vea más allá de
sus narices; pues éstos van a empezar a gas­
tarse mañana mismo, como quien dice, mien­
tras los premios no se pagarán hasta que
vayan saltando sabios que los ganen; y del
coche del viaje no hay que hablar hasta
después que salten todos. Y en esto está el
busilis, porque ahora mismo apuesto a que
por mucha prisa que se den los sabios a
sacarse de la cabeza inventos, todavía más
de prisa va e f 'INTERES COMPUESTO a
sacar plata y oro a montones de esos dos
huevecillos de dos y tres milloncetes.
’’Ciencia de ciencias tengo poca yo; pero

13?

de estos trajines de sacar pesos, y libras es­
terlinas, estrujando pesetas, entiendo un»,
miajita, y si no, que lo digan los 97 millones
de mi testamento, salidos de los doce pesos
de salario mensual, que eran todas mis ren­
tas cuando de mozo entré en este mismo po­
trero. Y porque entiendo digo a los tontos
que van a entusiasmarse con los treinta mi­
llones que a la Ciencia dejo, que son de ca­
pirote si no ven que no es ese mi gran re­
galo a esa señora, y que más debe agrade­
cerme el haberla metido en sociedad con el
muy poderoso don Interés Compuesto. ¿No
lo ven esos tontos?... Ya lo verán sus nie­
tos.”
V.
Los presidentes actuales y futuros de las
nueve Academias convocadas eran institui­
dos ejecutores testamentarios y miembros
del Consejo Técnico Administrativo del que
en el mundo iba a ser pronto celebérrimo
Instituto, que sería erigido, según voluntad
del testador, en terrenos del término de su
pueblo natal.
Finalmente, una cláusula declaraba que,
de aplicarse todo o parte del legado a dis­
tintos fines de los de su institución, rever­
tirían el capital y las rentas ganadas a los
parientes de Castrejo, herederos de la otra
parte de su fortuna. Un Comité por ellos
nombrado debería curiosear cada diez años
si el Consejo y las Academias cumplían las
voluntades del difunto.
Por unos días, eso que todo el mundo lla­
ma Todo el Mundo habló en el mund| todo
del legado. Se hicieron comentarios, chis­
tes, caricaturas. Pusieron unos a Castrejo
en los cuernos de la luna, echóle encima
un periodista cursi, a Castrejo, se entiende,
no a la luna, el mote de Postumo Mecenas
de la Futura Ciencia; pero pasados los pri­
meros hervores de la curiosidad y el entu­
siasmo, únicamente en Academias y Revis­
tas seguían preocupados con el ambicioso y
atrevido proyecto hombres de ciencia, afa­
nosos de ganar los premios, y trujillanos
afanados en erigir la ineludible estatua en
la plaza del pueblo a aquel preclaro hijo de
Trujillo, de quien nadie en Trujillo se acor­
daba días antes, y que ahora se encumbraba
al pináculo de mundial, más aún, ¡ultrate­
rrestre y planetario renombre!
Memoria quedará de la ídem—quiero de­
cir de la memoria—que con el título “Nues­
tro futuro Imperio Planetario” leyó el maes­
tro de la escuela municipal número 2, en la
recién fundada sociedad “Los Trujillanos
Propulsores del Progreso Científico”. Memo­
ria quedará de su vibrante apostrofe cuan­
do, encarándose con los planetas, d ijo :..,
“Queráis o no, un trujillano rasga el velo de*

u

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

-vuestros secretos milenarios, y en los nivo­
sos polos del orgulloso Júpiter y en el prolíflco ecuador de la graciosa Venus, esculpi­
rán los trujillanos los cuarteles de su es­
cudo natal, cual marca de vasallaje impues­
to a los planetas conquistados.”

Y no hay que fundar críticas en lo de la
nieve de Júpiter, ni en lo del cinturón, que
siendo ecuatorial debía ser faja, de Venus,
porque de antaño han sido siempre tolera­
dos ripios como éstos eh tribunicios desaho­
gos.

IV
HISTORIA BREVE, O GALOPANTE EPÍTOME, DE 265 ASOS
Se ha dicho antes que, al cabo de unos
•días, sabios y trujillanos, nada más, habla­
ban de Castrejo. Y no era así, pues igual­
mente se acordaban de,él sus heredados deu­
dos, a quienes sesenta y seis millones per­
cibidos no consolaban de los treinta y uno
escapados. Y también cavilaba en lo mismo
el notario don Pancho y unos cuantos cu­
riales. Hacíasele a aquél agua la boca, y les
•crecían a éstos los dientes, pensando que en­
tre uñas de un leguleyo listo podía la clausulita de la intervención del legado ser la
semilla de donde saliera, andando el tiempo,
ubérrima cosecha de fructíferos litigios.
Pero a don Pancho le ocurrió que no es­
taría demás empujar algo al tiempo; y de
tal modo lo empujaron entre él, el escriba­
no Mañas y el juez Uñas, empujando tam­
bién a los codiciosos herederos, que a los
quince días de otorgada, por los nueve aca­
démicos, conformidad al testamento de Cas­
trejo, nacía a curialesca vida el pleito más
extraordinario que Tribunales vieron, fun­
dado por los demandantes en notoria cho­
chez del testador.
Que ganaran los deudos de Castrejo o ga­
nara la Ciencia, poco importaba a quienes
’lo movieron, porque don Pancho fue nom­
brado administrador judicial de los treinta
y un millones en litigio, que era lo que él
: buscaba, y los curiales ya tenían su pleito,
un hermoso pleito en donde peleaban trein­
ta y un millones contra sesenta y seis.
¡Cuarenta y cinco años duró!
Verdad que se trataba de un inusitado
caso jurídico, donde había que probar cosas
■de muy difícil prueba: los herederos, la im­
becilidad de un muerto que de vivo se pa­
saba de listo; los académicos, el buen seso
de quien daba al morir indicios muy vehe­
mentes de no estar en sus cabales; los de­
mandantes," que el legado era absurdo, y,
per se, nulo en derecho, por destinarse a
empresa prácticamente imposible, alegación
que debía fundarse en concluyente demos­
tración científica, no sencilla de dar, de im­
posibilidad no actual, sino absoluta, en cual­

quier tiempo venidero, de realizar viajes de
ida y vuelta al anillo de Saturno; los sabios
demandados necesitaban, a la inversa, pro­
bar, y tampoco atinaban con la prueba, que
tales viajes podrían llegar a ser científica­
mente posibles.
Y vengan informes, y vayan alegatos, y
salten pedimentos, y recaigan dictámenes.
Y dé usted voz en los debates a la Mecáni­
ca y a la Astronomía, y vela en el entierro
a la Física y a la Electricidad; y hoy decla­
ra la Química, y mañana careo de don Mag­
netismo con doña Espectroscopia.
Un abogado retuerce los dictámenes de
Newton y Laplace; Faraday atestigua lo que
Hertz niega, y Madama Curie no logra en­
tenderse con Lord Kelvin.
Y por si aun fuera poco lío la disconfor­
midad de testigos de tal fuste, en montón
comparece en estrados una caterva de rayos
y rayitos: X, catódicos, alfa, Lenard, ultra­
violeta, qué sé yo cuántos más, hijos de
las ilustres señoritas doña Electricidad y
doña Radiación Moderna, pero sin padres
conocidos. En suma, una porción de rayos
que, en lugar de alumbrar, marean y deslum­
bran a los señores magistrados.
No e» extraño que el pleito durara cua­
renta y cinco años, alcanzando los autos
65.357 folios. Por supuesto, sin llegar a sen­
tencia; pues si el litigio tuvo fin no fué por
virtud de jurídico fallo, sino por transacción
urdida por el procurador Travieso, que vió
una mina en el papel de mediador. Véase
por qué:
Lo que en aquellos cuarenta y cinco años
habían realmente producido los treinta mi­
llones disputados sólo lo saben las manos
puercas de don Pancho, y las puerquísimas
de su señor hijo, que sucesivamente desem­
peñaron la administración; pero lo positivo
era que, a despecho de mermas y rapiñas,
el interés de 6 por 100, pequeño en la Ar­
gentina, que los administradores confesaban
habían rendido el capital y sus acumuladas
rentas, convirtieron en 341 y pico de millo­
nes los 30 del comienzo del pleito.

DE LOS ANDES AL CIELO

15

Postdam. Y los sabios ingleses se royeron
las uñas al ver a un alemán llevarse pese­
tas 3.553.427. No hay que olvidar los eincuenta años de acumulación.
Los jurados repartieron 100.000 pesetas de
dietas por cabeza.
Tercer premio, año 2064, a Mademoiselle
Leblonde— et jolie par dessus le viarché— ,
auxiliar del observatorio de Tarascón (Pro­
venza), por sus aparatos y métodos de ob­
servación astronómica durante el viaje pla­
netario. Esta guapísima astróñoma, que, no
obstante sus méritos científicos y naturales
encantos de PP y doble V, era soltera a los
A la Ciencia..............................................
60
veintiocho años, contrajo a los dos meses
A los deudos de Oastrejo.......................
60
matrimonio, y en dicho plazo rechazó vein­
Para el mediador, abogados, escribanos,
procuradores, etc., etc............................ 221 titrés pretendientes.
Cuarto premio, ¡163.807.000! Concedido en
2094 a un plan de alimentación integral
* * *
verdaderamente notabilísimo por suprimir
En el último afio de gracia de 1964, úl­
—de aquí su nombre de integral—determi­
timo del pleito, se cimentó en las inmedia­
nadas y hasta entonces ineludibles conse­
ciones de Trujillo la primera piedra del
cuencias de todos los conocidos sistemas ali­
INSTITUTO DE VIAJES PLANETARIOS,
menticios, evidentemente desagradables y
en memorable ceremonia internacional, a la
aun nocivas, en espacios herméticamente
cual concurrieron los más selectos sabios del
cerrados, como verosímilmente sería el fu­
mundo entero. En 1968 sentábase la última
turo autoplanetoide. Su autor era el ilustre
teja de dicho Instituto, cuya fábrica, gabi­
Chin-Chu-Fo, director del Hospital de Mani­
netes y laboratorios habían costado diez mi­
la, donde hacía muchos, muchos años, se ha­
llones corridos. Recuérdese que la duración
bían instalado los hijos del Sol Naciente,
del pleito había duplicado la parte del le­
sonriendo con los labios, pero enseñando al
gado de Castrejo que de la transacción sacó
sonreír los dientes a los sobrinos del Tío
la Ciencia.
Sam .
Las rentas de cuarenta millones quedaron
Ya no quedaba por adjudicar sino el gran
asignadas al sostenimiento y gastos de cons­
premio a la forma, trazado, propulsión y pi­
tante experimentación del científico centro,
lotaje de aparato adecuado a la planetaria
que desde aquel punto y hora comenzó a
expedición.
convocar concursos deceno-anuales sobre los
Sucesiva e insistentemente se convocaba
diversos problemas de que el lector se ente­ concurso tras concurso; y, salvo algún que
rará en seguida.
otro accésit concedido, todos se declaraban
No fué breve ni fácil la adjudicación de
desiertos.
los premios, pues los concursos se declara­
¡Noventa años pasaron desde la concesión
ron desiertos en todos los temas hasta que
del cuarto premio al otorgamiento del quin­
en el del año 1994 se otorgó el primero a
to y más interesante de todos, hasta que
los Métodos Respiratorios en el autoplaneen
2184 se presentó satisfactoria solución al
toide y en las atmósferas planetarias, posi­
tema!
blemente venenosas o incandescentes.
Entre tanto, los dos milloncejos, para él
Las 500.000 pesetas del premio inicial ha­
apartados en 1964, habían engordado por
bíanse convertido, en treinta años de interés
acumulación de rentas hasta la cantidad
compuesto, en 1.621.700, que recibió Míster
de 11.178 millonazos, y los jurados repartie­
Haig, farmacéutico de Sandgate— los alema­
ron a 400.000 pesetas.
nes se mesaban los pelos de coraje por ser
Por último, los seis millones que al tran­
el agraciado inglés—, y en seguida traspasó
sigir el pleito se vincularon, con sus intere­
la farmacia.
ses, en la fabricación, cuando llegara el caso,
Hasta 2014 no se volvió a otorgar pre­
del automotor planetario, habían parido hi­
mio ninguno, cupiendo entonces el honor del
jos e hijos, nietos, biznietos y tataranietos,
triunfo en el problema de garantir a los via­
formando dilatada familia compuesta de
jeros temperatura soportable y constante en
33.534 individuos, o séase millones.
el vehículo, todavía ignoto, y en diversos
¿Cómo? ¿33.534 millones? Sí, ni uno me­
planetas cálidos y frígidos, a Herr Kumpf,
nos; pues tal tesoro era lógica matemática
sapientísimo profesor de la Universidad de

¡No puede ser!... Pues quien tal diga,
coja una tabla de logaritmos, aplique la co­
nocida formulita al caso, y se convencerá
de que estas son habas contadas. Y si la
fórmula le estorba, o se marea entre manti­
sas logarítmicas, a su disposición se pone
galantemente el autor para aclararle ese
misterio matemático. Pero no aquí, pues
duda del placer que tal explicación produ­
ciría a los demás lectores.
Por efecto de los convenios de la transac­
ción, los 341 millones se repartieron así:

16

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

y precisa consecuencia de aquel cuatro por
ciento no gastado.
Bien claro se vio entonces la perspicacia
singular con que Castrejo dijo que no eran
los millones, sino el sin igual socio don In­
terés Compuesto que a la Ciencia le daba,
lo que constituía su gran regalo a esta se­
ñora.
¡Y pensar que durante cuarenta y cinco
años discutieron abogados y jueces si estaba
chocho o no quien tan largo cazaba: el
hombre que había vaticinado que en aquel

match científico-económico parirían sus mi­
llones mucho más que la Ciencia!
El lector criticón—especie que no es rara—
de algo ha de murmurar, y bien seguro es­
toy de que ya alguno me moteja de distraí­
do por haberme callado nombre, patria y
noticias del inventor que se llevaba los once
mil y pico de millones.
He acertado, ¿verdad? Pues vuelva la
hoja, y en el capítulo siguiente verá salvada,
la omisión.

V
MARIA PEPA Y EL ASTRO QUE SACÓ DE SU CABEZA
Veinticuatro años, pelo negro, ojos al pelo,
aventajada talla, esbelto porte, gracia en la
boca, luz en la mirada, todo esto que no
suelen reunir muchas mujeres, y no he en­
contrado yo en ninguna sabia, tenía María
Pepa Bureba 'cuando ganó el Gran Premio
de la Aviación Sideral, que esperándola es­
tuvo años y siglos, hasta que, viéndola lle­
gar, se fué tras de ella.
Se explica, ya lo creo: lo mismo haría
cualquiera.
En el propio riñón de la tierra aragonesa,
en el zaragozano Coso, y de una estirpe en
la que no eran novedad valientes hembras,
nació la baturra heroína de esta epopeya
ultramundial, que, además de heroína por
sus arrestos y proezas, era física ilustre,
eminente mecánica, química sapientísima,
sobresaliente, en suma, en cuantas intrin­
cadas y enrevesadas ciencias había de te­
ner en las puntas de los dedos para inven­
tar a los veinticuatro años lo que inventado
ser no pudo en el montón de siglos que su­
maban las edades de cuantos sabios vivie­
ron en el mundo desde 1918 a 2184. ¡Si se­
ría lista la muchacha!
De su talento y ciencia atestiguaba su
revolucionario invento, de otras externas
prendas daban fe innumerables revoluciones
levantadas en masculinos corazones.
Reparando en que de los cinco premios
por el Instituto concedidos habían caído
uno sobre los blondos rizos de la bella Leblond 5 otro sobre las negras crenchas de
la hermosísima María Pepa, pudiera la ma­
licia recelar de la rectitud de los jurados,
achacando ambos triunfos, no a méritos de
las invenciones, sino a los atractivos de las
guapas muchachas; mas con decir que el
jurado de 2064 no conoció a la primera sino
por su letra, y el de 2184 creyó otorgar el

premio a una anciana respetable, según
pronto ha de verse, basta para atajar los
juicios temerarios.
Téngase en cuenta que a fines del si­
glo xx el feminismo había ya impuesto
al mundo la máxima siguiente: LA MUJER
SIRVE PARA CUANTO EL HOMBRE SER­
VIR PUEDA, Y LA RECIPROCA NO ES
CIERTA.
Este aforismo, discutible en su primera
afirmación, pero cuyo segundo inciso es evi­
dente, informaba la vida familiar, social y
política, industrial y científica, y hasta la
militar, en todo lo externo, aun cuando en
el orden afectivo todavía opinaban las mu­
jeres que eran mucho más útiles los hom­
bres, y éstos las tenían a ellas por infinita­
mente más apetecibles. Ca; no daba lo
mismo.
¿Cómo aprendiera María Pepa tantas co­
sas en tan pocos años? ¿Cómo cupieran en
su cabeza seductora montones y montones
de ciencia valiosísima, pero indigesta y seca?
Cómo las arideces de ésta no empañaban la
mirada franca, ni marchitaban la fresca,
alegre y femenil fragancia que de ella tras­
cendía, son interesantísimos problemas a es­
clarecer por concienzudos biógrafos y bió­
logos, pero en los cuales no puede nuestra
historia detenerse, por no importar en ella
el cómo la ilustre aragonesa se hizo sabia
sin dejar de ser guapa, bastando con saber
que ni en sabiduría ni en belleza podía na­
die podía disputarle la palma?
Ha llegado la hora de las científicas ex­
plicaciones. Y no se alarme nadie, que aquí
explicamos los más hondos inventos con po­
quísima ciencia.
Sin arredrarle la faena, se echó al coleto
María Pepa, ipara empezar la suya, cuantos
proyectos de autoplanetoides se habían pr®-

DE LOS ANDES AL CIELO

•sentado en doscientos veinte años al Insti­
tuto Planetario.
Nadie quiera saber la multitud de formas
,alambicadas, extravagantes, caprichosas, ri­
diculas no pocas, que legiones de fracasados
proyectistas habían ideado para el explora­
dor estelar. Las menos absurdas rememora­
ban los trazados del submarino, el proyec­
til, el aeroplano, el zepelín; siendo partes
esenciales, aun cuando más o menos disimu­
ladas en todos los proyectos, la proa o ca­
beza del aparato, {y en casi todos el timón.
— “¿Proa?... ¿Para qué?— decía María Pepa
en el prólogo de la memoria de su inven­
to—. ¿Qué olas tenemos que romper para
abrirnos camino en el vacío? ¿Qué aire ha­
bremos de hender donde no existe aire ni
materia alguna?... Inconcebible parece que
sabios e ingenieros no hayan visto hasta
ahora la inutilidad de una proa que no ha­
llará resistencias que vencer en el viaje a
los planetas a través y en el seno del incor­
póreo, ingrávido y misterioso ETER que
llena la inmensidad del COSMOS.
’’¿Timón? ¿Dónde encontrar, en ese éter,
■en antiguas y bárbaras edades llamado VA­
CIO SIDERAL, agua, aire, ni ningún otro
agente que en el timón actúe, determinan­
do con su empuje la virada?... Pues siendo
así, y que así es no cabe duda, el timón y
la proa son igualmente absurdos para hen­
der el espacio, desde el cual vista no es
esta Tierra un mundo, sino un menudo y ra­
quítico astrejo en la incontable pléyades de
.gigantescos astros.
’’¿Virar?... La virada es amplio y curvo
rodeo, tiempo y espacio malgastados en el
rumbo inicial y en el definitivo: fuerza mal­
baratada. Ni el hombre, ni el caballo, ni el
pez viran, sino que giran o se vuelven para
cambiar la dirección del movimiento. Sola­
mente algunos torpes organismos, zoológicos
o mecánicos, como el gusano, el cocodrilo,
la nave y el aeroplano, viran. Y como mi
autoplanetoide no puede ni debe ser un or.ganismo inferior, ha de surcar el éter sin
proa que desgarre sus augustas entrañas v
ha de volverse sin viradas; y sin timón gro­
sero, sin pérdidas de fuerza ni de tiempo,
variará de rumbo instantáneamente en el
lugar y en el momento en que su coman­
dante se lo ordene: todo mediante sencillí­
simo y racional procedimiento, más adelan­
t e explicado al tratar del agente propulsor
-de mi aparato.”
Descartaba Juego la memoria la forma de
proyectil para vehículo del viaje planetario,
porque ésta, ya utilizada en el que a la Luna
realizaron Miguel Ardan y consortes, y des­
crib ió Julio Verne, no servía sino para via­
je s de ida, por la probable ft.lta en los plaB iblioteca N ovelesco -C ientífica

17

netas de cañones apropiados para los de re­
torno: ya que la vuelta de aquellos célebres
exploradores a la Tierra fué debida a for­
tuito accidente, del que salieron bien por
un milagro. De otra parte, la exploración
a que ahora se aspiraba era más complica­
da y ofrecía mucho mayores dificultades que
una escapadilla a la cercana Luna, verdade­
ro juego si se la comparaba con la circuminterno-planetaria exploración exigida en el
testamento del ínclito Castrejo. Y no podía
olvidarse que la de los julivernianos no pasó
de fracasada tentativa, pues no llegaron a
poner sus pies en nuestro satélite, mientras
que la inventora del autoplanetoide no ad­
mitía que a ella le hab^gra nadie de fracaso.
Era preciso elegir otra forma. Al optar
por la más conveniente para su artefacto,
admirábase la Bureba II (1) de que todos
los sabios, pero frustrados proyectistas, que
la habían precedido, hubiéranse empeñado
en idear nuevas formas— ¡y qué formas se
les ocurrían!— que no había que inventar,
por estar ya inventada la única conveniente,
la cual no sabían ver porque, olvidando su
aspiración de cernerse en los cielos, no mi­
raban sino a los imperfectos ingenios de lo­
comoción, mal pergeñados por la industria
humana, que en la tierra rastrean, que en
el mar bregan con olas y chocan con esco­
llos, que en lo alto de las nubes son briznas
leves entre huracanes zozobrantes.
Acerca de este empeño de buscar nuevos
tipos y formas, decía María Pepa: “Es impo­
sible que ninguno de esos sabios haya jamás
levantado los ojos de la tierra para mirar
al cielo, porque de alzarlos lo habrían visto
poblado de mundos y de soles que en el éter
bogan, y habrían comprendido cuán pueril­
mente absurdo era torturarse la mente para
inventar lo que al crear los astros y lanzar­
los desde la Nada a la Creación, había in­
ventado la Suprema Mente.
’’Porque ¿qué habrá de ser forzosamente
el autoplanetoide desde el instante en que,
venciendo la tendencia a caer en la Tierra,
rompa las amarras de la gravedad y a los
espacios se lance? La respuesta es sencilla y
evidente: un astro, nada más; un astro nue­
vo en las inmensidades estelares. Pequeño,
es cierto; por eso se le llama planetoide; ex­
traño, más todavía, extrañísimo, porque sus
movimientos, discrepantes de los de sus con­
géneres planetas, perennemente encarrila­
dos en órbitas fijas, recorridas a impulsos
de la gravitación solar, no habrán de obe­
decer a tiránicos impulsos exteriores, sino
(1) Es sabido ?ue la Bureba I floréelo en el he­
roico Sitio que Zaragoza sostuvo contra las huestes
de Napoleón I a principios del siglo xix.
D e los A ndes al Cie l o .

2

18

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

a fuerzas y voluntad internas— de aquí el
prefijo auto— , las cuales le darán poder y
libertad de acercarse al rey o a los vasallos
del sistema solar o de alejarse de ellos; ap­
titudes q u e 'le permitirán descender a los
ignotos planetarios orbes, reconocerlos, es­
tudiarlos y levantar de nuevo el vuelo.”
Un planteo claro y sencillo es lo más esen­
cial y más difícil en todo problema. Ella, ya
supondrá el lector de quién hablamos, no
había inventado la forma del autoplanetoiue, por estar ya inventada, y, aunque se­
gún va a verse pronto, era inventora genial
de otra porción de cosas, su mayor mérito
no estaba en tales invenciones, sino en ha­
ber atinado en el planteo de la cuestión fun­
damental del viaje, reduciéndolo a los si­
guientes sencillísimos términos:
“ Estribando el problema en fabricar un
astro, y siendo todos los astros esféricos,
nadie, a no ser insensato, pretenderá en­
mendar la plana al Supremo Artífice que
fabricó los astros: luego forzosamente debe
ser esférico el autoplanetoide. Consecuencia
importante que reduce todas las pondera­
das dificultades de forma y construcción, a
la facilísim a tarea de fabricar una bola:
nada más que una bola.”
— Qué cosa más sensilla!— dijo el secre­
tario del jurado, que en alta voz leía a sus
compañeros el párrafo transcrito— . Con haser una bola está todo resuelto... ¡Párese
m entira que en dar con ello se haya tarda­
do dossientos años!
— Y es evidente— agregó el segundo ju­
rado.
— E l huevo de Colón— corroboró el ter­
cero.
— Voy sospechando que, a ser como esto
To que por leer nos falta, tenemos de esta
hecha viaje planetario.
— Y el proyecto es de una señora. ¿Cómo
se llama?
— Doña María Pepa Bureba.
— Pues es extraño; no me suena ese nom­
bre, que indudablemente ha de ser el de una
insigne matemática y astrónoma ya acredi­
tada por anteriores publicaciones en libros
y revistas.
— Seguramente: esa metódica exposición
y la diafanidad del raciocinio revelan un
caudal de conocimientos y experiencia que
ró’ o pocce una persona encanecida en el eslv. d io .

Como se ve, no sospechaban los jurados:
la sorpresa ni las emociones de que iban a
ser víctimas al conocer a la incógnita dama
encanecida en el estudio.

— Y es indudable: en cuanto tengamos la
bola y la echamos a rodar por esos espacios
de Dios, habremos enriquesido el Universo’
con un nuevo astro.
— ¡Un astro que no será más que una
bola!
— Como todos los astros. De eso no hay
que asombrarse.
— De eso, no; pero sí de que ese astro sea
el nuestro, sí envanesernos de que sea nues­
tra boda.
— Lo que es el no fijarse en las cosas..
Ahora recuerdo que, mirando hace años al
nieto de mi hermana jugar a la pelota, vi
que ésta se le fué al otro lado de la tapia
.del jardín, y que al irla a buscar no la en­
contraron.
— ¿Y a qué viene eso ahora?
— Van ustedes a verlo. La seguí con la
vista hasta que desapareció, y ahora veo
claro que, a ocurrírseme entonces prolon­
gar in viente el movimiento de la pelota
hasta hacerla escapar a la atracción de la
gravedad, habría yo visto el nuevo astro•
antes que esa señora María Pepa, y habría
ganado el premio.
— Con la pelota del nieto— repuso cáusti­
camente otro jurado— . Pues mire usted, yo
se lo habría otorgado a la pelota, o, cuando
más, al chico.
— ¡Caballero!...
— Calma, señores, calma— interrumpió el1
tercero— . Vean que eso no basta para ga­
nar el premio; pues suponiendo ya la pelota
en los espacios siderales, no pasaría de ser
en ellos minúsculo planeta de la primera es­
trella, o diminuto satélite del primer mundo
a cuya esfera de atracción llegara, y en tor­
no de una u otro voltearía esclavizada.
— Es verdad.
«
— Y como doña María Pepa nos ofrece,
no un satélite ni un planeta cualquiera sier­
vo de su órbita sino mucho más: algo ma­
ravilloso, un astro autónomo, un autoastro
dueño de su libre albedrío, la cosa bien me­
rece que, en vez de perder tiempo en pelo­
tearnos con burletas y pullas, continuemos
leyendo para ver si esa dama realiza la p r o
mesa.

DE LOS ANDES AL CIELO

19

VI
LA PROMETEA DEL SIGLO XXII
Y EL RESCOLDO DE UN HISTÓRICO ODIO MEDIOEVAL
Pensando un día en la velocidad con que
el Sol corre hacia la «strella Vega de la
constelación La Lira (1), se preguntaba Ma­
ría Pepa: ¿Por qué se moverá?
Para el planeta que en torno de él vol­
tea, la cosa es clara: el planeta es la piedra
que, atada al extremo de una cuerda, da
vueltas y más vueltas— en torno de la mano
que sujeta la cuerda—tan pronto recibe di­
cha piedra un impulso adecuado. En los es­
pacios estelares, el Sol hace de mano, la
cuerda es la atracción solar que tira del pla­
neta, y el impulso inicial, engendrador de
las carreras del planeta en su órbita, lo dio
el Creador.
En Mecánica dicen que esto es el resulta­
do de la combinación de una fuerza cen­
trípeta y otra centrífuga. Suprimida la pri­
mera, el planeta correría en línea recta,
Dios sabe adonde, alejándose del Sol, al solo
empuje de la segunda; si ésta faltara, la
primera lo haría caer en el Sol.
Pero éste, que no es piedra, sino mano, o,
expresado menos groseramente, centro de
atracción en el sistema planetario, ¿por qué
se mueve?... ¿Por qué lo hace, al parecer,
en línea recta?... ¿Por qué?... ¿Por qué?...
—se emperraba en preguntarse María Pepa,
que, cual aragonesa, era bastante terca.
¡Vaya una preguntita y vaya unas hon­
duras de Mecánica celeste para una chica
de diez y nueve abriles! No más tenía en­
tonces la futura capitana, a quien doble cu­
riosidad, de mujer y de sabia, aguijoneaba
en sus pesquisas.
— Si yo lo adivinara—se decía— , habría
dado con la fuerza que necesita mi autoplanetoide para ir y venir donde le venga, o
me venga a mí en gana.
Y a adivinar se puso, resultando que en

(1) El Sol, con todos sus planetas, que, claro
está, no pueden quedarse detrás de él, corre con
velocidad de 18 a 20 kilómetros por segundo, no
exactamente hacia la estrella Vega de la Lira, sino
en dirección a punto cercano a ella ; y aun cuando
tal velocidad parezca grande, es, sin embargo, pe­
queñísima en la extensión del Universo, pues tar­
dará con ella el Sol en llegar a las inmediaciones
de la estrella de 4.500 a 5.000 siglos. Suponiendo
que Vega tenga la paciencia de esperarle quieta en
donde está hoy, lo cual es mucho esperar.

cinco años de cavilaciones o intuiciones, al
cabo adivinó, y ya fué adivinar, que el Sol
se mueve lo mismo, y por lo mismo, que
un cohete, en que el cerrado extremo del
canuto de la carga opone resistencia a la ex­
pansión de los gases desarrollados en la ex­
plosión de aquélla, mientras ninguna en­
cuentran tales gases en la parte abierta del
cartucho. De aquí el empuje de la explo­
sión en la cabeza del cohete, que, libre para
moverse, asciende por los aires en virtud de
fenómeno análogo al retroceso de las armas
de fu’ego. Su aplicación, convenientemente
modificada por no haber aire ni rozamientos
que vencer en los espacios estelares, dió la
respuesta a la curiosidad de María Pepa, con
los siguientes inevitables circunloquios.
Conocido de tiempo inmemorial es el her­
moso espectáculo de las auroras polares,
cuya causa, según sabios afirman, es el in­
cendio que en las altas regiones de la atmós­
fera produce la llegada a ellas de millones
de millones de millones de inconcebiblemen­
te diminutas partículas de electricidad ne­
gativa, constituyendo andanadas o ráfagas
de proyectiles con que el Sol bombardea a
la Tierra, y es de creer bombardee a otros
planetas.
Estos proyectiles, disparados con velocida­
des cercanas a 300.000.000 de metros por se­
gundo, no son sino los célebres electrones
de que tanto se habló a principios del si­
glo xx. Su salida del Sol ha de ser resultado
de explosiones, llamémoslas así, cuya fuer­
za de retroceso producirá en tal astro, se­
gún deducción lógica de la sabia aragone­
sa, efecto semejante al que la ignición de
su carga produce en el cohete. El Sol ha de
salir, pues, disparado en opuesto sentido.
Claro es que si el total número de explosio­
nes se repartiera uniforme y regularmente
alrededor de la superficie solar, el empuje
de cada una de ellas se contrarrestaría con
el ejercido por ]a explosión antípoda en sen­
tido contrario; pero la marcha del Sol hacia
La Lira prueba, de incontestable modo, que
en la región de aquél, opuesta a tal cons­
telación, hay un exceso de estallidos y de
lanzamientos de electrones, cuyas fuerzas de
retroceso, no contrariadas por ninguna, son
las disparadoras de ese cohete cósmico, si se

*

20

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

permite tal metáfora, en dirección a la cons­
telación citada (1).
— Esto es verdaderamente genial— dijo Ripoll entusiasmado— . Y a la verdad, me enorgullese que sea mi compatriota esta sapien­
tísima señora que tan alto vuela.
Ripoll era el secretario. Los otros jura­
dos, Haupft y Fognino, nombres que por sí
solos bastan a declarar las respectivas na­
cionalidades.
— Y tan alto, que ya ha llegado al Sol.
-—¿Pero adonde nos lleva por tal rumbo?
— Por mi parte, no tengo el menor inte­
rés en ir, si allá va ella, hasta La Lira; aun­
que italiano, carezco de vocaciones filarmó­
nicas— respondió Fognino, siendo él el úni­
co que rió el chistecito.
— Por los indicios, yo sospecho que la auto­
ra no se contenta ya con que su bola sea un
mísero planeta, y tiene la ambición de fabri­
car nada menos que un sol.
— ¡Un sol!
— Bueno, un solecito. Pero, aun así, me
parece arriesgada la pretensión, y mucho
temo que, con su ciencia, que muy gustoso
reconozco resulte al cabo peligrosa la extra­
ordinaria originalidad de esta dama.
— Pero, amigo Haupft, ¿es que tiene us­
ted algo que oponer a los incontestables fun­
damentos de esa genial teoría del cohete
solar?
— Nada, Ripoll. Reconozco la solidez del
raciocinio, y ni en un ápice discrepo de las
conclusiones astrónomo-explosivas de la se­
ñora Bureba; pero lo que me alarma es su
propósito, que ya voy sospechando, de cap­
turar esas fuerzas solares para mover su
planetoide.
— Y yo les digo a ustedes—interrumpió
Fognino, como buen italiano, aficionado a la
m itología— que si doña María Pepa no tie­
ne para su carruaje otros caballos que los
que desenganche del carro de Febo, va para
largo el viaje planetario.
— Tal lenguaje párese revelar en el señor
jurado una animosa prevensión contra Ja

(1) En novelas, aun siendo de esta índole, no
caben científicas honduras ; mas, sin embargo, en
previsión de pedantescas críticas, quede aquí la
advertencia de que las mencionadas explosiones
solares no son comparables a las groseras luchas
de bestiales choques de materia contra materia,
■características del empuje de los explosivos corrien­
tes, sino a inmateriales, pero efectivas resistencias
que en el éter encuentran etéreas vibraciones en­
gendradas, más que por vulgares explosivos, por
radioactivas ultrapotentes radiaciones. No son fuer­
zas nacidas de presiones de moléculas contra mo­
léculas materiales, sino reacciones entre las in­
corpóreas fuerzas madres que envendan y deshacen
7 nuevamente reconstruyen la materia.

concursante. ¿No le párese, Haupft, que esas
bromitas mitológicas de nuestro colega...?
— No, Ripoll, no; eso es pura broma de
Fognino. En cuanto a mí, no es el principio
científico, sino su aplicación, lo que me in­
quieta.
— Ahí duele, ahí — insistió el Italiano— .
En el problema mecánico es donde aguardo
a esa señora.
— Como que siempre ha sido usted anti­
feminista.
— Calle, calle, Ripoll, y continúe la lectu­
ra— dijo Haupft.
*

*

*

“ Repartiendo convenientemente en la su­
perficie de mi autoplanetoide cargas, no diré
iguales ni análogas, pero sí productoras de
los mismos efectos observados en las del
Sol, es decir, que disparen electrones, y, so­
bre todo, que determinen poderosas sacudi­
das vibratorias que en el éter de los espa­
cios estelares (1) encuentren menor oposi­
ción a propagarse que la casi absoluta a ellas
opuesta por las paredes del vehículo en que
marcho...”
— Anda, anda, ¿no lo dije? Fantasía, fan­
tasía... Ya se está viendo la respetabilísima
señora arreando los caballos del Sol. ¡Ja,
ja, ja!
— ¡Pero, Fognino!... Yo creo que la cosa
no es para tanto reír— dijo Haupft lanzán­
dole desdeñosa y severa mirada.
— Déjele usted que se desahogue. Desde
que vió que sin nesesidad de pelota ni nieto
ha visto esta dama lo que él, teniéndolo de­
lante de las mismas narises, no supo ver
en el astro, digo en la pelota del de su her­
mana, está nervioso con mi ilustrísima, sí,
señor, ilustrísima compatriota.
— ¡Señor Ripoll! Ese tono, esas palabras...
•— Yo soy muy claro, signor Fognino. En
Barselona no nos mordemos la lengua. ¿Y
sabe lo que tengo que desirle? Que lo que
tiene usted es envidia.
— ¡Por Dios, por Dios!...
— ¡Envidia! ¡Envidia!... ¡Y o !... ¡Un hom­
bre a quien la ciencia debe... ¡P er Baco!...
¡Envidia!... ¡No será usted capaz de repe­
tir lo !...
— ¡Volverse atrás un almogávar frente a
un sisiliano! Porque yo soy de rasa de al­
mogávares. ¡Sépalo usted!... Y si ignora, que

(1) Estas sacudidas resultaban de ia acción de
rayos X, gama, pi y omicrón, de los cuales eran
los dos áltimos desconocidos de los físicos del si­
glo xx, si bien pertenecían a la misma familia de
los nacidos en los tubos X y en el radio, que, aun­
que imperfectamente, fueron ya estudiados en la
vigésima centuria.

DE LOS ANDES AL CIELO

puede ser, lo que es un almogávar, vaya y
pregunte a sus paisanos.
—Amigos míos, ¡por Dios! No despierten
ahora al cabo de los siglos esos dormidos
odios nacionales.
—Ya lo creo que lo sé—gritó Fognino— :
unos salvajes, unos opresores, que lo mis­
mo descoronaban reyes que desdoncellaban
princesas... Pero si resucitan, ya sabremos
ciarles unas buenas Vísperas Sicilianas.
—No a traisión como a los pobresitos franseses— rugió Ripoll blandiendo una retorta,
ante cuya actitoid amenguaron los bríos de
Fognino.
Gracias a esto y a la influencia que Haupft
tenía sobre sus compañeros, no acabó en
golpes aquella discusión científica; pero en
el fondo quedaron resquemores y rescoldos,
que quiera Dios no se encandilen nueva­
mente.
Conjurada la explosión, siguió Ripoll le­
yendo la memoria por el siguiente párrafo:
“ La cosa es clara: estalla una carga, y la
vibración de ella corre en el éter, como en el
aire la presión de los gases de la inflamada
pólvora al salir por el extremo abierto del
cohete; y de igual modo que esta presión
empuja al cohete por el opuesto lado, donde
los gases no encontraron salida, la vibración
etérea, que halla su camino cerrado ha­
cia el lado de nuestro planetoide, convierte a
éste en otro cohete, sólo que planetario.”
La exactitud de este razonamiento ente­
nebreció el rostro -de Fognino y entreabrió
con burlona sonrisa los labios de Ripoll.
Pero abreviemos. Dicho queda ya que el
artefacto ideado por la sabia zaragozana era
una bola rodeada de cargas de algo, que por
ahora se calla, y oportunamente se dirá, si­
métricamente colocadas en laf esférica super­
ficie de la bola, de modo tal, que cada una
tenía la correspondiente antípoda. Sabido
esto, saquemos la bola de la Tierra y sus­
pendámosla en el espacio, donde inmediata­
mente experimentará atracciones proceden­
tes de mundos y de estrellas, en virtud de
las cuales el autoplanetoide comenzará a
moverse en la dirección de la resultante de
tales atracciones combinadas, con lo que ya
tenemos el vehículo hendiendo el éter sin
necesidad de proa.
Supongamos ahora que hacia el Sol lo
lleva el erfipuje de aquellas atracciones o
corrientes siderales; y si al Sol quiere irse,
basta dejarlo ir a la deriva en tal corriente.
Pero ¿y si no se quiere que sea el Sol la
meta de su vuelo? El remedio es frenar; mas
¿cóm o?... Poniendo en actividad la carga si­
tuada en la parte del autoplanetoide más
cercana al Sol sobre la trayectoria de su ca­
rrera hacia él. En cuanto surge el fogonazo

21

del primer estallido, su vibración se propaga
en el éter hacia el Sol, y la reacción, o re­
troceso, de sentido contrario a la atracción
solar, lucha con ésta, aminora su fuerza y
disminuye la velocidad de la marcha hacia
aquel astro.
p
Dos, tres, a ser precisas, cien millones de
descargas por segundo, suman su acción a
la de la inicial; y haciéndose cada vez más
lenta la carrera, llega el momento en que,
regulados compás e intensidad de las explo­
siones, el empuje de éstas equilibra la atrac­
ción. El autoplanetoide se detiene, e inmó­
vil permanece en el espacio. ¡Inmóvil, sin
caerse!, porque caer es acercarse al cuerpo,
mundo, orbe que ejerce atracción, y el autoplanetoide se ha substraído a la que lo arras­
traba. Porque es un astro inteligente, con
libre albedrío, el único astro, el solo cuer­
po capaz de estarse quieto, mientras tal le
apetezca, en todo el universo.
—Bien decía yo que quería hacer un sol.
Y aun reconozco que ha hecho más— excla­
mó Haupft, cuya calma habitual cedía el
paso a férvido entusiasmo.
— ¡Chúpese usted esa, amigo!— dijo oron­
do Ripoll—, ¿Qué tiene usted que objetar
ahora?
— Que hasta saber de qué son esas car­
gas,' y si funcionan bien, no hay que cantar
victoria.
— Pues esté usted seguro que no he de
tardar mucho en cantarle a usted el trágala.
Una mirada y una seña del sabio alemán
cortaron oportunamente el amenazador diá­
logo.
Pero el autoplanetoide no se inventaba
para quedarse inmóvil, ni ser remedo del
alma de Garibay, que ni sube ni baja. Te­
nía que dirigirse donde le conviniere, cosa
que, una vez conseguido el equilibrio, veían
facilísima los señores jurados; mas como
acaso no todos los lectores sean tan fuertes
como ellos en mecánica, no sobrará una bre­
ve explicación.
Téngase en cuenta que siendo el peso de
los cuerpos un efecto de la acción sobre ellos
de la gravedad, es decir, de una atracción,
resulta de ello que cuando andando el tiem­
po tengamos en el cielo la bola de María
Pepa, libre, cual se ha explicado, de empu­
jes y tirones, no pesará tal bola ni lo que
un papelillo de fumar, por la razón soncilla
y evidente de que no pesará nada.
Ya flotante en los cielos, en esas condicio­
nes de equilibrio indiferente, el menor im­
pulso la lanzará en la dirección de él con
gran velocidad, de la que aquí en el mundo
no tenemos ni idea. Si se quiere ir a Júpiter,
Mercurio, bastará observar cuál sea la carga
que en la superficie exterior del autoplane-

oo

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

tolde queda directam ente opuesta al pla­
neta de destino y más lejana de él, y dar
fuego a esa carga. Una sola explosión, una
tan solo, determ inará el movimiento hacia
la parte opuesta de la carga, o sea en línea
recta hacia el astro elegido. He aquí la di­
rección del rumbo instantáneam ente obteni­
da sin timón ni virada. He aquí justificadas
todas las adm irables previsiones de M aría
Pepa, que no sólo prescindía de tan grose­
ros y anticuados mecanismos, sino que con
igual elegancia científica movía su autom o­
tor, en la inm ensidad de los cielos, sin re­
mos, ni aletas, ni aspas; sin hélices, ruedas,
velas, ni alas; sin ninguna disposición m a­
terial mecánica, sino obediente a leyes de
novísim a y sublime m ecánica que, prescin­
diendo de torpes m ateriales organismos, di­
rectam ente empleaba alm as de fuerzas.
Nacía una nueva y m aravillosa ciencia, a
la que únicam ente le cuadraba un nombre:
Psico-Etero-Mecánica.
Tan solo con pequeñas explosiones conve­
nientem ente dirigidas, lo conseguía todo
aquella femenil gloria mundial. Una des­
carga daba un impulso y una velocidad que,
en el vacío, bastaban para que el autoplanetoide siguiera eternam ente su carrera sin
acortar la m archa, puesto que en el vacio,
donde no hay rozamiento, nada se opone al
m ovim iento. Otra explosión duplicaba fuer­
za y velocidades: dos, mil, cien m il..., etc.,
m ultiplicaban las de la carrera sin otro lí­
m ite que el que la capitana pusiera al m a­
quinista al ordenarle “m archa a tres, o a
trein ta mil, descargas por segundo.”
Anonada pensar en las posibles velocida­
des del autoplanetoide regido por tan há­
biles y bellísimas manos. ¡Oh, inconcebibles
extra vertiginosos vuelos de m undo a m un­
do a través del sistem a planetario! (1)
¡Y pensar que para descubrir todo esto
le bastó a M aría Pepa ver cómo el Sol co­
rría hacia Vega y m irar a un cohete rem on­
tarse a las nubes!
—E sta señora es un nuevo Prom eteo; el
Prom eteo de la M oderna Ciencia—gritaba

entusiasm ado H errr H aupft, perdida esa
vez por completo su germ ánica calma.
—Perdone; yo no veo hasta ah ora el fle­
go que esa dama haya robado al Sol.
—El fuego, no, pero la fuersa, sí. Entéreie
usted bien, Signor Fognino. ¡Ha captúralo
y puesto al servisio .de la aeronáutica, que­
ro desir, eteronáutica estelar, las colosahs
fuersas explosivas del Sol! Y en ves de qrndarse encadenada a una roca, como su ptisano de usted...
—Señor Ripoll, usted ignora que Prome­
teo no era italiano, sino a lo sumo griego.
—Me da lo mismo, para el caso es ig u a ;
lo interesante es que lo encadenaron, y e¡o
ni usted ni nadie me lo puede negar, mieitras que doña Pepa, ¿es doña Pepa o dofa
María?...
—Creo que las dos cosas—contestó Haupft.
—Y m ientras Prometeo queda atado a :a
peña, mi com patriota, mi gloriosa compitriota, gloriosa hija de aquel glorioso reino
de La Coronilla, gloriosam ente volará per
el glorioso espasio, entre gloriosos soles—
vociferaba m anoteando ébrio de entusias­
mos patrios y científicos el impulsivo vástago de ia raza almogávar.
— Señor Ripoll, yo no niego las glorias de
la dama, ni siquiera la gloria de La Coro­
nilla. Unicam ente digo que cuando, en vez
de hablarnos vagam ente de esas fuerzas so­
lares, vuelva del Sol doña Prom etea, y nos
explique cómo las captura, podré creer en
sus gloriosos vuelos. Tam bién usted debe
entenderm e bien, señor Ripoll; lo que yo
necesito conocer es el AGENTE E FEC TI­
VAMENTE PROPULSOR de la bola o el ca­
charro de la ilustre señora.
— ¡Fognino! Ese lenguaje...
— Déjeme usted en paz, amigo H aupft.
Entonces, sólo entonces podrá volar... Ya
veremos si vuela.
Renuncio a describir este nuevo alterca­
do y cómo term inó. Baste decir que no hubo
sangre, pero la paz que lo siguió duró m uy
poco: sólo lo que se tardó en leer el breve
párrafo siguiente de la m em oria que er.tre
manos traían:

(1) La maniobra, en teoría sencillísima, no re­
quería sino las siguientes operaciones :
1. a Observación constante de la dirección endad de la carga propulsora y oponiendo a la fuerza
que al aparato empujen las atracciones astrales de la velocidad adquirida la acción de la carga dia­
que en cada instante puedan entorpecer la marcha metralmente opuesta, cuyas explosiones sucesivas
en la derrota apetecida.
irán amenguando la velocidad hasta extinguirla.
2. a Disparo continuo y regulado de las cargasEl retroceso en marcha será sencillamente conse­
opuestas, que anulará la acción de tales atraccio­ guido con sólo prolongar estás descargas después
de conseguida la parada.
nes.
3. a Disparo de las cargas antípodas al astro Por último, si en vez de una se disparan dos o
hacia el cual haya de volar, o más bien deslizarse, más cargas, el autoplanetoide no tomará dirección
el autoplanetoide.
opuesta a ninguna de ella®, sino otra intermedia
4. a Prosecución de estas descargas hasta alcan­resultante de la fuerza relativa de los diversos em­
zar la velocidad que en cada caso se desee.
pujones. Dicho esto queda ya comprendida la va­
La parada se logrará interrumpiendo la activi- riación de rumbo en marcha.

DE LOS ANDES AL CIELO
'‘En cuanto a las explicaciones sobre na­
turaleza, composición y material funciona­
miento del agente impulsor del autoplanetoide, que es lo que constituye mi principal
¡secreto, no las daré hasta el momento en
que aquél vaya a zarpar de la Tierra, o cuan­
do menos hasta después que sea un hecho
la concesión a mi favor del premio. No obs­
tante...”
— ¡Qué decía y o !— interrumpió Fognino
levantándose— . Tiene gracia la pretensión
'de la gloriosa dama encanecida en el estudio.
— ¡¡F o g n in o !!... ¡¡F o g n in o !!...
— Calma, Ripoll. Y usted, Fognino, vea que
aún no puede juzgarse; que parte usted de
ligero, pues en el manuscrito hay un “ no
^obstante” , y es preciso seguir leyendo.
— ¿Para qué?... Si está chocha rematada.
— ¡Recongelasión! Que ya no aguanto más,
^¡ue ya me he hartado de oírle a usted inconveniensias.
— Y yo de oír sandeces. ¡Tiene gracia! Que
a ciegas le otorguemos el premio...
— Que hay un no obstante, un no obstante
que no hemos leído— decía con inútil insis­
tencia el pobre Haupft.
— Que le demos los once mil millones por
su linda cara... Tendrá que ver la cara de
1.a vieja ridicula.
— Repórtese, Fognino, no le conozco a us­
te d — decía escandalizado el alemán. Y apro­
vechándose el italiano de que la indignación
-congestionaba el rostro de Ripoll, sin perím itirle hablar, seguía despachándose a su
gjusto.
— No me reporto, Haupft; ni me reporto,
mi me da la gana de aguantar ya más tiem­
po esa memoria ni ese proyecto estúpido.
¡Ja, ja, ja ¡... Para este desenlace no vallía la pena de tanto hablar de gloria y ge­
nio, ni de almogávares ni de La Coronilla.
Yo sí que estoy hasta la coronilla de las ton­
terías cursi-científicas de esa señora y de
las impertinencias del señor Ripoll, su com­
patriota.
Y ya no dijo más, por impedirlo el esta­
llido de una redoma de alcolhol de metileno

23

al reventar en la pared cerca de la cabeza
del sabio napolitano.
Era que con ella estallaba la indignación
del catalán, que, no hallando palabras al ni­
vel de su cólera, acudía a más enérgicos me­
dios de expresión.
Perdidos fueron los esfuerzos del ecuáni­
me químico alemán para enfrenar los secu­
lares odios de catalanes y napolitanos, rever­
decidos y enconados en aquellos sabios que,
entre denuestos, menudeaban porrazos, con­
virtiendo en arrojadizos proyectiles los ins­
trumentos y pertrechos del laboratorio; pro­
fanando con su fiera pelea la paz augusta de
aquel santuario de la Ciencia.
¡Bueno estaña el santuario! A l /Vendetta,
Vendetta! de aquellas nuevas Vísperas Sici­
lianas, lanzado por Fognino, respondían ru­
gidos de Ripoll con el Desperta F erro de
Venganza Catalana.

Convencido ya Haupft, por los chinazos
que en el reparto le tocaban, de la inutili­
dad de sus aislados personales intentos pa­
cificadores, no tuvo más remedio que de­
mandar el auxilio de los porteros y orde­
nanzas del Instituto de Viajes Planetarios,
que sujetando a viva fuerza unos al condotieri y otros al almogávar, pusieron fin a la
contienda.
Cuando pasó la efervescencia de la lucha
y vió Haupft aplacado el hervor del coraje
de los luchadores, dijo severamente:
— ¡Qué vergonzoso escándalo entre dos hi­
jos, más aún, entre dos padres de la Cien­
c ia !...
Merecido reproche que, cual doctrinos,
aguantaron los sabios, bajando avergonza­
dos las cabezas, ricas en ciencia y en chi­
chones.
Y no quieran saber los lectores de qué ta­
maño y qué color tenían un ojo el uno, las
narices el otro.
— Ea, a darse las manos...
Y se las diei’on... ¿De corazón?... Ya lo
veremos.

vn
YA ESTÁ AQUÍ MARIA PEPA
Aquel no obstante en donde se atascó la
lectura de la Memoria, fué la ocasión de la
prim era entrevista de los sabios viejos con
la joven sabia; pues detrás de él venía de­
claración de que si la inventora se reservaiba el secreto químico del agente propulsor,

dispuesta estaba a realizar con él experi­
mentos concluyentes, respecto a su potencia
y manejo: como detener un tren en marcha,
hacer bogar hacia atrás, a babor o estribor,
un dreadgnouth cuyas hélices giraran a toda
máquina.

24

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

Vista la oferta, acordó el Jurado que con
verlo bastaba, y ofició en consecuencia aten­
tamente a doña María Josefa Bureba, Coso,
número 15, Zaragoza.
Decía el oficio que existiendo en el mismo
Instituto de Viajes Planetarios una vía fé­
rrea de comunicación entre sus pabellones,
ésta podía utilizarse en el primer experimen­
to; y una vez éste realizado, sería ocasión
de elegir puerto para llevar a cabo el se­
gundo.
Pero ahora caigo en que, a estas horas,
todavía no he dicho palabra del célebre y so­
berbio Instituto.
Nueve grandes y hermosos edificios de for­
ma esférica, repartidos en enorme extensión,
constituían otros tantos pabellones aislados,
verdaderos templos de la Ciencia.
E l mayor, que ocupaba el centro, conten'a
aparatos de todas clases de observaciones
solares: astronómica, espectroscópica, tér­
m ica; y cuantos datos ha acumulado la
Ciencia acerca del astro central de nuesiio
sistema planetario.
Dicho queda con esto que en la arquitec­
tura, imitativa y simbólica, que había pre­
valecido al edificar el Instituto, correspon­
día a este soberbio y vasto pabellón cen­
tral el principal papel de Sol. Y para que la
semejanza fuera más completa, en él se ha­
llaban, además de las citadas dependencias
científicas, las instalaciones de luz, calor,
fuerza, agua, telegrafía, telefonía, televisión,
de donde todo esto irradiaba a los otros pa­
bellones.
En torno de él, a distancias variables, y
por el siguiente orden, quedaban Mercurio,
Venus, La Tierra, Marte, Júpiter, Saturno,
con su anillo, el nebuloso Urano y Neptuno;
quiero decir, los elipsoides de cemento y hie­
rro que representaban tales planetas, como
el Sol, sostenidos en robustas columnatas.
Pensóse en un principio montar estos edi­
ficios-planetas en robustas plataformas circu­
lantes sobre elípticas vías férreas alrededor
del Sol del Instituto, con lo que la repro­
ducción del sistema planetario se habría ajus­
tado a la verdad astronómica, pero se desis­
tió de ello por demasiado caro; y la misma
onerosa dificultad obligó a prescindir de la
real proporción entre los tamaños y distan­
cias del original y los del retrato, pues de
otro modo habría resultado muy elevado el
coste del solar.
Metódica y útil clasificación había reuni­
do en cada edificio todo lo concerniente a la
observación y el estudio del planeta que re­
presentaba. Así, el forastero llegado al Ins­
tituto para echar una ojeada a los canales
de Marte, o tomarle la temperatura, elevada,
«laro es, a Venus, se iba derecho, sin pre­

guntar a nadie, a Marte o a Venus;. E l sa­
bio que quería ver cuánto tarda Ganiniedes ( 1 ) en dar la vuelta a Júpiter, co>n irs? a
Júpiter hallaba listos telescopio y cronóme­
tro para observar a su satélite; y qiuien le­
seara analizar la luz del anillo saturmiano, a
su disposición encontraba en el edificio res­
pectivo, espectróscopo, prismas y nic oles pa­
ra satisfacer sus dudas.
Los empleados, profesores, ayudantes y
alumnos del Instituto se decían al tomar la
espiral vía férrea de circunvalación:
—¿Dónde va usted?
9
—A Mercurio. A la Tierra.
—Yo salgo ahora del Sol: me llaman deNeptuno por teléfono.
Como si ya fuera verdad el sueño de Castrejo.
De los asteroides, de esa multitud de mundículos que entre Marte y Júpiter pululan
en enjambre, de día en día creciente, gra­
cias a los procedimientos fotográficos de
Míster Wolf, se había prescindido. Unica­
mente el mayor de ellos, Ceres, cuyo diáme­
tro (840 kilómetros) no llega a la distancia,
de Barcelona a la Coruña, estaba allí repre­
sentado en un pabelloncejo que, además de
guardar la escasa ciencia asteroidal que en
la Tierra poseemos, encerraba una depem>
dencia necesaria en todas partes, a la que
se había negado hueco en los planetas de
más fuste. Cosa que, dadas las distancias,
hacía molestas las obligadas idas a Ceres,.
inevitables en frecuentes urgencias (1).
—¿A qué imponernos—decía el personal'
empleado en los seudo-planetas—esas carre­
ras innecesarias en los verdaderos?
Pero dejemos este tema, que no convida a
la insistencia.
Al día siguiente de salir de Trujillo el
oficio a que se ha hecho referencia, llegaba
contestación de Zaragoza, dando instruccio­
nes por telegrafía sin hilos, para los prepara­
tivos del experimento ferroviario, el cual re­
quería tuviese el Jurado preparada una lo­
comotora a gran presión. El telegrama soli­
citaba, además, que se designara día, hora
y preciso lugar de aterrizaje, a ser posible
en el campo mismo de experiencias; pues la
inventora quería regresar rápidamente a.
Zaragoza sin permanecer en Trujillo sino eí
tiempo indispensable para el experimento.

(1) Ganimedes es la mayor de las ocho luna»
del planeta Júpiter. Otras se llaman lo, Europa,
Calixto, y las restantes son conocidas por los nú­
meros 5, 6, 7 y 8. El diámetro de Ganimedes es
vez y media el de nuestra Luna.
(1) Los asteroides hasta poco ha conocidos,
que crecen cual la espuma, pasaban en 1918 de700. Los principales, después de Ceres, son Palas,.
Vesta, Juno y Eros.

DE LOS ANDES AL CIELO

Pocas ho ras después que en Urano—el edi­
ficio, nc el planeta—recibieron los tres pro­
fesores el «citado despacho, una chispa violá­
cea hac'.a «caer la tapa del receptor teleautográfico instalado en el laboratorio de la in­
ventora dejando al descubierto« un block de
finísimas p»elículas de plata albuminóidea, en
la primera de las cuales apareció el siguien­
te mensaje, estenografiado en caracteres púr­
pura brillantes:
IN S T IT U T O

PLANETARIO

PABELLÓN DE URANO
JU R A D O

242 de septiembre 388 (1)
Señora doña María Josefa Bureba:
Martes seis corriente estará presión loco­
motora aguardándola. Aterrizaje platafor­
ma H, entre Mercurio y Venusv Enfílela to­
mando rumbo Marte-Sol. Allí aguardarán ju­
rador.
El Secretario,
Jaume Ripoll.

Deíbajo, y manuscrito de la propia letra,
bastíante mala, de la firma, se leía:
“Lia siensia catalana saluda siensia ilustre
comipatriota. ¡Visca Aragón! ¡Visca Cata­
lunya! y ¡Visca nosa grande Espanya!”
Cornio se ve, en 2184 perduraban en Cata­
luña. naturales y santos regionales amores,
pero« bien hermanados y fundido con noble
y aimplio amor a una patria más grande,
amor que había substituido "Els Segadors”
con el “Himno al Bruch” y la “Canción de
las TMochilas”.
Deespués de leer el grajo y sonreír graciosamtente a la felicitación, arrancó María
Pepaa la película, que guardó en su escritorio
cuall documento interesante.
Ern el blcck quedaba al descubierto otra
en bblanco, conde se imprimiría el primer venideero mensaje.
Peor tratarse de un experimento de inseguroo desenlace, no convocaron los jurados a
nadiie, y úricamente Ripoll, Haupft, Fognino y y la humeante locomotora, aguardaban a
Marida Pepa al pie de la plataforma H.
PCor cima de lejana montaña apareció Colomlba, el ruto-avión de la heroína. Creció,
acarreándose; cernióse sobre el Instituto, y,
pleggando las alas, se dejó caer sobre la pla(1)0 Esta ;ra la fecha que en la cronología de
Uranno correspondía al 17 de mayo de 2184, que en
la Ti-'ierra era la del mensaje, suponiendo igual ori­
gen t a las eras usuales en ambos planetas. La cuen­
ta es s clara y resultante de tener cada mes uránico
dos i mil quinientos cincuenta y siete días terres­
tres, , y el aro allá ochenta y cuatro años y siete
días i de los <ue por aquí usamos.

25*

taforma, pues en el siglo XXII tenían los.
aeroplanos alas plegables en vez de planos
rígidos. En Zaragoza había dado el primer
aletazo a la una y cuarenta y siete, y el úl­
timo la dejaba a las dos y cuenta y nueve en
el sistema planetario de Trujillo.«
María Pepa, con botas altas de color ave­
llana que llegaban al muslo... Pero ¿a qué
voy a describir su traje, naturalmente dis­
cordante con las actuales modas?... Con sa­
ber que tenía algo de amazona, no poco de
ciclista, y que, a despecho de masculino cor. te, dejaba trascender por pliegues y costuras
embriagador perfume femenino, basta para
el objeto de esta historia.
¿Estábamos?... ¡Ah, sí! En que de un ágil
brinco saltó del aeroplano al más alto pel­
daño de la escalera de descenso de la plata­
forma, por donde a recibirla subía el Tribu­
nal que iba a juzgarla.
— ¡Oh, la bellísima fancciula ancora piu
divina que Afrodita!
— ¡Mare de Deu, qué noya!
— ¡Rrretrungen!... ¡Walallischeangestrof’
chaf chis gebirge Isolden und Brunilden
sandalium nain!
Tales fueron las tres exclamaciones, una
por calva, que, deslumbrados, profirieron los
jurados al encararse con la despampanante
criatura. Y como acaso el alemán del si­
glo XXII no sea familiar a todos los lecto­
res, diré que, lihremente traducida y pres­
cindiendo de la primera interjección, que es
malsonante, la última frase significa: “¡Sal­
ve, hija del Walhalla, a quien ni Isolda ni
Brunilda llegan a la suela del zapato!”
Ante la aparición quedáronse los tres sa­
bios estáticos.
Pasó un minuto, y parados seguían en mi­
tad de la escalera; pasó otro, y nada: el Tri­
bunal no recobraba el aplomo en tan so­
lemne caso requerido. Tenían que subir y nodaban un paso; hablar, saludar cortésmen
te a la recién llegada; y embelesados, em­
bobados, no hacían sino mirarla. Aquello era.
incorrecto; y tanto más cuanto que María
Pepa, en lo alto, no bajaba, aguardando que
subieran ellos, y ellos, abajo, no subían por
tenerlos la admiración paralizados. í
La embarazosa situación se prolongaba,
haciéndose ridicula; pero no hay que ex­
trañarlo. Creían que llegaría una ruina de su facha y fecha, o, a lo sumo, una dama
que, aun cuando no provecta, había de ser,
según presunción lógica, breva machucha o
arrugada pasa, porque brevas o pasas, pero
bien talludas, eran todas las sabias que ellos ■
conocían. Y en lugar de esto se veían de im­
proviso ante ¡aquello!, que bien valía la.
pena de asombrarse, y más aún de mirarlo.»
Por eso lo miraban.

-oí;

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

En cuanto María Pepa echó una ojeada a
los rostros de sus alelados jueces, sonrió,
entre benévola y burlona, como quien sabe
a qué atenerse sobre el efecto que produce,
y en seguida pensó: “mío es el premio; y lo
sería, aun siendo disparatado mi proyecto”.
Mas no era ella mujer para jugar con tram­
pas; y fuera por femenil modestia, por cien­
tífico orgullo o rectitud aragonesa, limpio
jugó, cual se verá en seguida, sin abusar de
sus ventajas.
La sonrisa cayó en el Tribunal cuando
* empezaba a reponerse, y puso peor las co­
sas, pues con ella aumentó el embobamien­
to y se prolongó el mutismo de los sabios,
que sabe Dios cuándo hubieran hablado a
no acercaise a ellos María Pepa preguntán­
doles:
— ¿Los señores jurados?
— Servidores — contestó Haupft, primero
que logró sacudir el arrobamiento. Y pareciéndole imposible que aquella chica fuera
sabia ni inventora, agregó:
— Pero... ¿no viene doña María Josefa?...
Esta pregunta le mostró a la muchacha
el camino para ganar en buena lid, y sin
trampas, el premio. Así, pues, contestó:
— Se halla indispuesta; mas, no queriendo
demorar el experimento, me envía a mí para
sustituirla... Soy su ayudante.
Los viejos cruzaron elocuentes miradas,
donde se leía pesar de no haber nunca ha­
llado cosa por el estilo entre sus ayudantes.
— ... Supongo que esta sustitución, que no
ha de influir en lo concluyente de las prue­
bas, les será a ustedes indiferente...
— Eso no; indiferente no puede sernos—
Interrumpió melifluamente Fognino.
— ¿Cómo?— dijo María Pepa sin querer en­
terarse de la intención del italiano—. ¿No
da lo mismo que seamos mi profesora o yo?

— ¡Ca, no, señora! Así es muchíisino aejor...
Y una de las tres calvas berme jee cano
un tomate. Era la del astrónomo barclonés, ruborizado de la ingenuidad <que s< le
escapaba.
Como de esto ya no había más .remdio
que enterarse, hizo la recién llegada na
cortesía de agradecimiento, sin poder redi­
mir otra sonrisa, esta vez picaresca., aunentando con ella la inquietud insólita de los
ancianos y desdichados sabios.
¿Desdichados?... Claro es: habían naedo
demasiadas docenas de años antes que laría Pepa.
— Si les parece a ustedes, empezaremes...
¿Es aquella la locomotora en que L e de ex­
perimentar?
Los jurados no pudieron asentir sino $on
la cabeza, pues aquella soltura de miovimentos, aquella gracia en el decir, la extriña
mezcla de femenina flexibilidad y vigonsa
decisión de la muchacha, los tenía embd&sados. Parecía cual s; fuera la primera nujer que en su vida vieran y de improviso
les turbara, poniendo ante sus ojos un mon­
tón de fenómenos biológicos mucho más nue­
vos e incomparablemente más interesartes
que las manchas del Sol, que las ondas hírtzianas de la telegrafía sin hilos, y aun ^ue
las descomposiciones electroquímicas del ra­
dio y el polonio.'
Ha de advertirse que, amancebados desde
mozos con la Ciencia, siempre habían re­
huido nuestros tres solterones trato con se­
ñoras, buenas no más para perder el tiempo,
y ahora, de sopetón, la Mujer los hacía pri­
sioneros, cuando a los pobres ya no les que­
daba ni tiempo que perder.

V ili
¿TRAGEDIAS? ¿DRAMAS? ¿MADRIGAL?
No era la aragonesa mujer de temple para
estarse inactiva, dejándose admirar en silen­
cio; no eran tampoco los admiradores como
para engreírse con su admiración; así, pues,
comprendiendo que si ella no sacaba del atas­
co a los sabios, sólo Dios sabe cuándo se
desatascarían ellos, se dirigió resuelta a la
locomotora, diciendo:
— Vamos ya— . Y cuando a ella llegó, se
volvió hacia los viejos, agregando: — En
•esta capsulilla.de plomo, no mayor que una
•fiaba, tengo una carga de la substancia que

mi profesora no quiere revelar. Colócola en­
tre estos dos excitadores, semejintes, mas
sólo en apariencia, a los tubos engendradores de los rayos X ; adapto a la testera de la
locomotora la capsulilla, enfocando sobre
ella mis excitadores, cuya acción nvisible es
potentísima, y ya está preparado el ^experi­
mento, para el cual solamente resta que, su­
biéndome a la locomotora, la ponja en m ar­
cha el maquinista, y que cuando ustedes la
vean correr por la vía a la máxma velo ci­
dad que pueda desarrollar, me ivisen me-

DE LOS ANDES AL CIELO

eirr.e una señal <que puedo comenzar el ex­
perimente. Lo d em ás es cuenta mía.
—Pero va u ste d a m ancharse de carbón,
va uted a tiz n a rse toda—dijo Fognino.
M r i a Pepa soltó una carcajada.
—Cuidado, m a q u in ista; un acsidente llega
cua.do menos se piensa.
—Las explosiones de esa cápsula deben
ser terribles. Yo no consentiré que usted se
expnga. <*.
—Ni yo.
*
—Ni yo.
—Si a esta se ñ o rita le susediera una des­
grana... ¡Recongelasión! Sería espantoso.
No lo que es que yo subo con usted, y asi, si
ocu re un acsidente, nadie podrá tacharme.
—¡Este R ipoll!... P ensará usted que yo
voj a quedarm e—le atajó el italiano hacieido infructuosos esfuerzos para levantar
el lie a la altu ra del estribo.
—Perdone usted, Fognino. Yo delante. Soy
el ^residente del Jurado y en nadie he dele­
gado. menos en la hora del peligro, el cum­
plim ento del deber de velar por esta inteire.saite señorita, que nos ha sido confiada por
su ilustre m aestra.
Estas palabras fueron pronunciadas con
solemne ademán por H err Haupft.
H aría Pepa se estaba divirtiendo muchísino con aquellos viejos, a quienes procuró
tranquilizar, diciéndoles que no eran de te­
mer accidentes; que las explosiones de su
cápsula eran inofensivas para quien supiera
manejarlas como ella; que con sólo agua y
jabón se quitan los tiznones; y que de la su­
bida de los sabios a la locomotora no había
que hablar, porque ella necesitaba am plitud
de espacio para sus manipulaciones.
Partió la m áquina por la vía circular;
ganando m archa dió la vuelta, y cuando los
jurados la vieron acercarse de retorno, cal­
cularon que al pasar delante del pabellón de
Venus .levaba velocidad de 123 kilóm etros
por hora, con la cual po r momentos se agran­
daba a sus ojos la locomotora. Cuando ésta
cruzaba per delante de Júp iter—a tres kiló­
m etros de la plataform a H—, dió el Jurado
la seña., y sus dignos individuos fijaron las
ansiosas miradas en lg máquina. Los latidos
de sus corazones se oían cual redoble de
tam borís.
¿E ra ansiedad científica? ¿E ra tem or por
la preciosi carga de la locomotora?...

— Parece que no aum enta de tam año con
la rapiiez que antes.
— Inlucablem ente avanza más despacio.
— Pero muchísimo más. Véanlo ustedes
ah o ra , que nos pasa por delante.
v

27

—No avanza ni siquiera lo que un caballo
al trote.
—Esas leves nubecillas de vaporcillos ver­
dosos deben de ser las explosiones.
La locomotora seguía avanzando, pero pe­
nosa y lentam ente, h asta que, medio kiló­
m etro más allá, se detuvo; y al cabo de bre­
vísimo instante inició retroceso, que por se­
gundos se hacía más veloz; con la p articu ­
laridad extrao rd in aria de que las ruedas gi­
raban en el sentido de m archa avante, co­
rrespondiente a los impulsos de las bielas,
y, sin embargo, la máquina ¡corría h acia
atrás! Es decir, corría al pasar frente a la
plataform a H, porque a poco volaba; y con
tal vuelo, que la vista no podía seguirla.
Una voz exclamó:
— ¡El accidente, el accidente! Si ya lo
dije yo.
O tra exclamaba:
—No es dueña de sus cargas; h a perdido
el dominio sobre las explosiones.
— ¡Povera, poverina!...
— ¡Tan fresca!...
•—¡Tan bonita!...
— ¡Tan g allard a!...
— ¡Qué espantosa desgracia!
— ¡Qué horrenda catástrofe!
Felizm ente p ara los consternados viejos,
duró poquísimo su angustiosa alarm a, pues
poco más de un m inuto después de perder
de vista por la derecha la locomotora, que
seguía su carrera a lo largo, o m ás bien a
lo redondo de la vía circular, reapareció,
aproxim ándose por la izquierda; y, al com­
p letar la vuelta, con m archa velozmente de­
creciente, quedó parada en seco, fren te a
ellos, en el propio lugar de donde había
arrancado.
Allá corrieron, no en alas de interés cien­
tífico, sino aguijados por más hum ano sen­
tim iento; pero tan olvidados de su veje? y
su falta de bríos, que la sofocación y la fa­
tiga no los dejaron, al llegar, articu la r pala­
bras, que quedaban ahogadas entre anhelan­
tes resoplidos.
C ontrastando con las descompuestas caras
y aterrados continentes de m aquinista y fo­
gonero, todavía no muy ciertos de haber li­
brado de la catástrofe, en que cien veces cre­
yeron perecer en aquellos dos m inutos, er­
guíase junto a ellos, tranquila, sonriente,
triunfadora, sin un tiznón siquiera en su ros­
tro de nieve, la incomparable H aría Pepa.
¡Puf, puf, puf! resollaban los cilindros de
la rendida locomotora; ¡huf, huf, huf! ja­
deaban los tres viejo s;,el fogonero suspira­
ba hondam ente con un ¡oh! prolongado, y
el m aquinista lanzó una interjección, que
no es para tran scrita, y después dijo:

28

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

— ¡Rediez con la carrera y rediez con la,
hembra!
La cual, saltando de la locomotora a tie-ra, dijo a los sabios:
— Dos minutos y dos segundos en el total
recorrido de la vía circular, que, vista la
longitud de ésta, dan para marcha retró­
grada de la locomotora velocidad de 222 me­
tros por segundo, o sea 13.320 al minuto.
No se le escapó a Haupft, que con i^ual
agilidad que el suelto cuerpo, zarandeaba
aquella chica minutos, y segundos, y kiló­
metros, con peregrino garbo matemático,
multiplicando y dividiendo con portentosa
rapidez.
— Han de advertir ustedes que tal mar­
cha la he obtenido luchando con la fuerza
viva acumulada por la velocidad, y con la
tensión del vapor; que ha sido esta una ca­
rrera...
—Pelo arriba—interrumpió el maquinis­
ta—. De punta lo tengo todavía.
—¿Quién se acuerda ya de eso?—le con­
testó con franca risa María Pepa. Una risa
tan fresca y cristalina, que los sabios sin­
tieron que algo se remozaba en lo hondo de
sus vetustos cuerpos, dándoles ganas de de­
cir al apagarse sus argentinas notas: “Ría­
se usted otra vez; no deje nunca de reírse” .
Pero no se atrevieron.
—El maquinista—siguió ella—puede in­
formar a ustedes de que el manómetro no
ha dejado de marcar presión correspondien­
te a una marcha adelante de 123 kilómetros
por hora, de la cual han triunfado las ex­
plosiones de mis cargas, digo, las de mi pro­
fesora, reduciendo a la impotencia la má­
quina e imprimiéndole luego velocidad re­
trógrada de 829 kilómetros con 200 metros
a la hora.
— ¡A rrea!...—saltó el fogonero— . Si ya de­
cía yo que la señora estaba haciendo la gran
barbaridad. Y gracias que amos escapao.
—¿Te asusta eso?... Pues comparado con
lo que vamos a correr cuando subamos allá
arriba, lo de hoy no es sino rastrear de. ca­
racoles.
— ¡Anda! Pos pa eso otro, busque fogo­
nero.
—Pues maquinista no tiene que buscarlo,
señorita, que con usted va cualquier hom­
bre bien a todas partes. Y si usted me lo
manda, al infierno me tiro yo detrás de
usted.
—Y yo.
—Y yo.
—Y yo.
Prorrumpieron a una Ripoll, Haupft y
Fognino, recuperando, con el entusiasmo,
aliento y habla.
—Güeuo, pos no busquen tampoco fogone­

ro. To será un espanzurre, pero después de
to, si el desavío le coge a uno a la vera de
tan real moza como usted...
— Señorita, dispénsele: este bruto no sabe
distinguir.
El no distinguirá—se decía María Pepa—
pero todos aquí, brutos y sabios, jóvenes a
viejos, estáis pe'nsando lo que el fogonero.
Diez minutos después, en la terraza del
pabellón de Venus, la gentil inventora y los
tres sabios departían como antiguos amigos,
en torno de un velador sobre el cual tres
refrescos se disputaban los favores de la
forastera: pues cada sabio quiso ofrecer el
suyo.
En el corto trayecto del campo de expe­
riencias al pabellón citado, María Pepa había
tenido tiempo de dar las gracias a Ripoll,
en un aparte que lo subió a las nubes, por
la postdata cariñosa de su teleautográficn
mensaje y de llamarle en alta voz “ mi insig­
ne compatriota”, felicitándole por su admi­
rable obra sobre las estrellas dobles, triples
y multicolores. Túvolo también para aludir
a la teoría magistral de las ecuaciones hipérbolo-cielóidicas de que era autor Fogni­
no, y para declarar que en los libros La
Química vibrante y La materia eterizada del
profesor alemán, había ella recogido datos
Utilísimos para sus investigaciones. Y toda­
vía le sobraron unos cuantos minutos para
hablar de don Jaime el Conquistador y los
Usatges, a Ripoll; de Bruto, Maquiavelo y
Marconi, al signor Fognino; de Federico el
Grande, Wagner y Goethe al respetable
Haupft. Todo suave, naturalmente, sin estu­
dio y sonriendo, sin la menor coquetería;
con lo cual resultaba la más terriblemente
seductora de todas las coquetas.
Mirándola asombrados, como a extraordi­
naria maravilla, sentíanse los ancianos m u ­
cho más jóvenes por dentro, y se veían p o r
fuera muchísimo más viejos. En sus ideas y
sentimientos, en las insólitas turbaciones
que hacía dos horas los traqueteaban, pare­
cíales que aquel sol de juventud alumbraban
en sus almas albores de frustrados amores,,,
que no podían llegar a luz de medio día, pues;
apenas nacientes, se apagaban en los ocasos;
de sus ancianidades... Era muy triste este»
convencimiento, mas, sin embargo, el d o lo r
de él no era agudo pinchazo, sino melanco­
lía suavizada por la esperanza de algo que,
no pudiendo ser amor, supiera a dulce aftecto que lo reemplazara; y entre negruras de­
vejez que obscurecían sus vidas, y frialdades
de sus años postreros, querían presentir ca ­
ricias de fulgores que trocaran la obscuridad
en crepúsculo y la nieve en frescor.
Aunque sabios y viejos, eran hombres, c o n
la agravante, para el presente trance, de mo-

DE LOS ANDES AL CIELO

habir nunca am ado; tenían en las alm as juven u d no soterrada por completo bajo canas
y aihaques; y como am or es fuego que no
tiem día,®hora, ni edad para encenderse en
los íumanos corazones, amor, amor, en toda
la extensión de esta palabra, fue lo prim ero
que en sus pechos sintieron los tres pobres
anéanos: am or grande, noble y hermoso en
sus cándidas alm as de sabios vírgenes de
am<res; am or ridículo, monstruoso, visto a
través de sus caducos cuerpos.
Y como no eran torpes ni insensatos, poco
desjués de dejarse a rra s tra r a algunas ton­
te r ía durante aquella tarde, vieron con toda
claridad cómo era Ella, cómo ellos; y compreidieron, viéndola y m irándola, que sólo
los dementes pelean con imposibles, y que
un imor absurdo no podía ocasionar sino do­
lores.
Pero, después de conocer a aquella criatu ­
ra, lolía tanto renunciar a ella, que parecía­
les imposible tal renuncia... que, aun impo­
sible, era inevitable.
Como en toda la tard e ninguno de ellos
tuve la cabeza para nada de provecho, no
h allaro n cual debieran de una porción de
científicas cosas que era urgente tra ta r con
Mafia Pepa; así que al m ontar ésta en su
autoavión para volverse a Zaragoza, ya de
noche cerrada, les previno que a la m añana
sig iien te volvería a ultim ar todo aquello.
— ¡Pobrecillos!—pensaba al rem ontar el
vuelo—. La verdad es que si no fuera por
eso serían muy simpáticos.
La noche, en la que a solas se había re­
prochado cada uno sus tonterías de la pa­
sada tarde, fué feroz para ellos, según cla­
rísim o vió María Pepa al siguiente día en
sus alicaídas fachas. Los tres sentían una
borrosa aspiración em brionaria, sin atin ar
cuál fuera, ni dar con modo de lograrla,
hasta que una espontaneidad del catalán
hizo b ro tar la luz en sus cerebros.
—¿No nos dijo usted ayer que era huér­
fana?
—Así es, señor Ripoll.
—Entonses... Bueno... Entonses... Usted
perdonará si esto es inconveniensia; pero
como yo soy catalán y vosté es aragonesa, y
los españoles somos muy francos, se me ha
ocurrido preguntarle..., sí... Como no tiene
padres... Pues si quiere ser—iba a decir mi
hija, pero le dió vergüenza y dijo—si quiere
s e r m i nieta.
M aría Pepa, que iba teniendo curiosidad
de v e r dónde paraban tantos circunloquios,
pero que ni por sueños podía sospechar se­
m ejan te salida del almogávar, sintió algo
raro y hondo cosquillearle en el pecho al
en te ra rse de la extraña proposición. Levan­
tó los: ojazos, los clavó en el semblante con-

2S>

movido del anciano, y de una vez lo vió
allí todo, todo: las emociones de la tarde, el
daño por ella causado, la lucha de la noche
en que venció una resolución valiente, y un
rostro donde la lealtad resplandecía.
Pero aún q u iso ' ver más, clavando p ara
ello la m irada en los ojos del viejo, y ahon­
dando, ahondando hasta leerle el corazón;
y cuando estuvo convencida de que allí no
había amor, sino cariño sincero, desintere­
sado, ya no pudo continuar m irando, pues
se le obscureció la vista con lágrim as que al
no correr se la nublaron; y venciendo el
impulso que sentía de ab rir de p ar en p a r
los brazos tendió la mano, y ocultando en­
tre bromas la emoción, contestó:
—Con el alm a y la vida. Y m uchísim as
gracias por la adopción, querido abuelo.
—Y yo, ¿qué voy a ser?...
—Y para mí, ¿qué queda?...
Volvió Pepa la cara, viendo tan apurados,
mustios y cómicamente cariacontecidos a
los otros dos sabios, que su emoción trocóse
en francas carcajadas.
—E ste Ripoll es tan expeditivo, que an­
tes de enterarse uno se lo lleva todo—m u r­
m uraba Fognino.
—E n tre buenos amigos, bien podía usted
habernos comunicado su proyecto—g ru ñ ía
muy resentido H auphf—, porque no exis­
tiendo anterio r conocimiento ni relación en­
tre usted y esta niña, no sé por qué ha de
ser usted precisamente...
—No fué proyecto meditado, sino un chispaso, un rayo de lus que he visto ahora de
improviso.
—Eso podrá disculpar su proceder, m as
reconozca, amigo Ripoll, que no justifica que
habiéndola conocido los tres al mismo
tiempo...
—Usted obtenga ventajas y derechos que
los demás no disfrutam os—saltó Fognino
completando la frase.
—Pero\, señores—dijo la recién adopta­
da—. ¿Es que ustedes tam bién querían ser
abuelos?
—Ya lo creo—dijo el uno.
— ¡No había de q u erer!—repuso el otro,
m ientras Ripoll se erguía pavoneándose de
serlo ya de sem ejante nie+a—. Pero como
ya usted ha aceptado... Como está ocupado
el puesto.
—Calma, señor Fognino, que acaso toda­
vía pueda arreglarse todo; porque aunque
nadie tiene sino un padre, con los abuelos
no es lo mismo.
— ¡Ah!...
—Verdad, verdad... Pero el caso es que
los abuelos son dos, y nosotros tre s—obser­
vó Haupft.
—H asta eso puede ten er arreglo—le oon-

30

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

tostó muerta de risa María Pepa— . Si uno
de ustedes se aviniera a ser abuela...
— ¡Hombre!...
¡¡Y o abuela!!—contestó,
pero titubeando, la dignidad germánica del
eminente químico.
— Pues tanto me da a mí ser abuelo que
abuela.
— Y que en último extremo, amigo Fognino, si ese implícito cambio de sexo le re­
pugna a usted mucho, puede optar a una
de cuatro plazas de bisabuelos que todavía
tengo vacante.
—No, bisabuelo no; eso está ya muy le­
jos. Abuela, abuela— dijo muerto de risa el
italiano, que acaso, y como buen paisano
de Maquiavelo, pensaba interiormente que
entre nietas y abuelas suele existir más con­

fianza y ternura que entre nietas y abuelos.
Véase cómo el planteo de tres desgarra­
doras tragedias, en igual número de viejo»
corazones, bajó en el desarrollo del con­
flicto a triple drama, siendo en su desenlace
un solo madrigal, sin que a desfigurarlo bas­
te cierto sabor epigramático que tal vez
noten quienes lo vean desde afuera, pera
no percibido por actores ni actriz.
—He aquí un capítulo para la Ciencia
inútil— dice un lector mientras vuelve la
hoja.
—Protesto— le contesta el autor— . ¿E s
que la Etica y la Psicología no son acasa
ciencias tan respetables como la Matemáti­
ca y la Astronomía?

IX
LA HEROÍNA SE DESMAYA Y SE DESTAPA
El primer punto a dilucidar en la sesión,
junta o consejo de familia por el jurado ce­
lebrado con su nieta en cuanto se ultimó la
triple adopción de ésta, era el relativo a
elección del puerto donde más conviniera
ampliar el experimento de la locomotora,
realizándolo en un acorazado. La discusión
fue un poco movida, pues deseoso Fognino
de lucirse en su tierra con su nieta, propuso
Spezzia; prefería el alemán Cá/diz, Lisboa
o Huelva, por más cercanos al Instituto
de Trujillo, y el catalán protestaba de que
ni atado lo llevaban a él a puerto que no
fuera Barcelona, perjurando que de grado
o a rastras a Barcelona irían con él los
otros por ser aquél el mejor puerto y la
mejor ciudad aquélla entre todos los puer­
tos y ciudades.
Ni Fognino ni Haupft estaban muy con­
formes; pero en definitiva falló María Pepa
a favor de Barcelona, por estar allí anclado
a la sazón el mayor acorazado que en tiem­
pos tuvo la Marina española, y que aun
siendo un cascajo mandado retirar por no
estilarse ya dreadnougths en los mares, su
enorme arqueo de 65.000 toneladas y los
200.000 caballos de su máquina hacíanlo
especialmente adecuado para que resultara
en él concluyentísimo el experimento.
Mientras Haupft y Fognino transcribían
el acuerdo, unánime esta vez, al libro de
actas—pues el irascible secretario no podía
escribir por haberse lastimado la mano a
puñetazos en la mesa, durante la prece­
dente discusión—, cuchicheaba María Pepa
con el susodicho secretario, diciéndole:

— Papá Ripoll, es demasiado terco, muy
arisco y tiene muy mal genio. Por esta vez,
y por ser la primera, le ha ayudado la nieta
a salirse con la suya. Pero cuidado con to­
marme otra perra.
Rapapolvo, que obligó al reprendido a
prometer que no se emperraría... Pero que
no le hurgasen...

En Colomba, el autoavión de María Pepa,
hicieron los cuatro el viaje a Barcelona. AI
paso por Zaragoza, Haupft propuso detener­
se para saludar a doña María Josefa, con­
testando la auténtica María Pepa, que su
maestra, muy rara y muy huraña, había re­
suelto no darse a vistas en tanto no le fuera
adjudicado el premio.
Para el lector que ha presenciado la carrerita de la locomotora a “ redropelo”, cual
decía el maquinista, resultarían enojosos
análogos detalles sobre las experiencias en
el acorazado, que no solamente bogó en ellas
con popa o bandas adelante, sino que estan­
do mar afuera, a tres millas del puerto, dió
un brinco, que, sacándolo del agua, lo eleva
por los aires; y dejando por bajo de la qui­
lla plazas, calles y casas de La Barceloneta,
vino a acabar, al brinco me refiero, en un
suave descenso que dejó al acorazado flotan­
do nuevamente sobre las mansas aguas de
la dársena: es decir, que, sin práctico, había
tomado el puerto.
Los tripulantes, que al verse por los aires
querían tirar al agua no a María Pepa, sina

DE LOS ANDES AL CIELO
a los sabios, no se acordaron de ellos, sino
de M aría Pepa, cuando, ya en salvo el barco,
la b ajaro n en hom bros al bote, en hom bros
la subieron al m uelle, y en hom bros, y ti­
ran d o a lo alto b a rre tin a s, la p asearo n tr iu n ­
fa lm en te R am bla a rrib a, plaza de C atalu ñ a
y paseo de G racia, e n tre ovaciones d e lira n ­
te s y pintorescos chicoleos, p redom inando
en ellos aquel ¡M are de Deu, qué noya! de
Ripoll, cuando la vió por vez p rim era .
H asta San G ervasio no logró ella ap earse
del hipógrifo de g lo ria p o p u la r en cuyos lo­
m os cabalgaba, ni reu n irse con sus tre s viejecitos, que desde el m uelle v en ían m ald i­
ciendo de la plebe que tem ía n les ro m p iera
su m uñeca.
P a ra descanso de ajetreo s y emociones,
decidieron^ p e rn o ctar en B arcelo n a; pero
a n tes de m eterse en sus cam as to m aro n los
ju ra d o s una im p o rtan te resolución, aco rd an ­
do c o m u n icársela a la n ie ta al d ía sig u ien ­
te cuando se lev an tara.
— No; entonses, no— dijo R ipoll—. T en­
go una idea m olí bonica: m a ñ a n a nos v a ­
m os a a lm o rsa r al T ibidabo. Cosa como esa
no la h an visto en su vida, ni h an comido
to rtilla s como las que allí hasen... A los pos­
tre s le dam os la n o tisia a la nena.
— Yo no veo la necesidad de p e rd e r toda
u n a m añ an a en B arcelona.
— Yo pienso como H a u p ft: m e jo r se rá
a lm o rz a r en Z aragoza; pues a llá hem os de
ir a s a lu d a r a doña M aría Jo sefa y a devol­
v erle su ayudante— agregó F ognino, dando
u n hondo suspiro al p en sar en ta l devolu­
ción.
—Ni devolvem os nada, ni alm o rsam o s m ás
que en el Tibidabo.
—Pero...
— Si a nosotros nos es in difere n te...
— ¡In d iferen te! ¡In d iferen te el T ibidabo!...
No saben lo que disen. G rasias que estoy
yo aquí p a ra desir anem . G ra sia s que vulg u in o no vu lguin, irá n y alm o rsa rá n . '
P ro te sta ro n los otros de ta l tira n ía . G ritó
el cachorro de alm ogávares que a se r p re­
ciso los llev aría por el cogote. E ra o tra
p e rra que tom aba aquel e n fa n t terrib le que,
aco rdándose de pronto de su prom esa a Ma­
ría Pepa, y au n creyendo la p e rra bien ju s ­
tificada, porque, ¿qué m ás h u rg a rle que de­
c irle en su c a ra que el T ibidabo es cosa in ­
d iferente?, decidió, en obsequio a su n ieta,
no sa lirse del todo con la su y a haciendo
concesiones consistentes en s u b s titu ir la escudella con rabiolis, que en el T ibidabo gui­
sab an m ucho m ejor que en G énova; ofre­
cerle choucro'ute al alem án, y a u n p e rm itir­
les que b ebieran S alerno o R h in en vez de
P rio ra to . A sí miso la suya so b re el hito,

3t:

a rra n c a n d o a sus colegas asen tim ie n to a la
m erendola.
A los p o stres del alm uerzo, p rev ia tele­
g ra fía de codazos y m irad as, se lev an tó so­
lem nem ente H a u p ft con la copa en la m ano,
y m iran d o a M aría Pepa, dijo:
— ¡B rindo por la in sig n e doña M aría J o ­
sefa B ureba, a quien, v ista s las p ru eb as di­
rig id as con p e ric ia e x tra o rd in a ria p o r su
in te lig e n tísim a y b iz a rra ay u d an te, le h a
sido otorgado el G ran P rem io de los V iajes
P la n e ta rio s. Compláceme, asim ism o, consig­
n a r que a los ju ra d o s les es, no g rato , g ra ­
tísim o, poder co m u n icar la p rim e ra n o tic ia
de ta n fau sto triu n fo , a n tes que a nadie, a
esa d ig n ísim a ayud an te, con la cual nos
unen lazos... p a ter... abue... b ip atern ales, q u e
h acen p a ra nosotros m ás ag rad ab le el cum ­
plim ien to de este deber.
Como b rin d is resu ltó u n poco la rg o ; pero
teniendo en c u en ta su brevedad en c u an to
discurso, váyase lo uno p o r lo otro.
No estalló la '’explosión de entusiasm o, que
p arecía obligada al final de este b rin d is,
porque la in te n sa palidez de M aría Pepa
asu stó a sus abuelos, que, cariñosos y a la r­
m ados, la rodearon.
* E ra n a tu ra l; pues 'iun siendo b ien fu n ­
dada y conscien te su esp eran za de ob ten er
el prem io, siem pre se rá n m uy d ife re n te s es­
p e ra r y poseer. E ra , adem ás, ta n colosal su
triu n fo , que e ra el m ás colosal p o r sabio o
sabia en el m undo obtenido desde que el
m undo es m undo; y puede se r m uy bien que
h a sta que el m undo acabe; era, no colosal,
sino colosalísim o; y como au n q u e • dotada
de alm a fu e rte y ponderado seso, ta m b ién
te n ía corazón fem enil que, cual v e rá qu ien
la acom pañe h a s ta el fin de e sta h isto ria ,
era, p o r su desgracia, dem asiado sensible,
no es de e x tra ñ a r la h o n d ísim a im p resió n
que le p rodujo la aleg ría.
La cosa no e ra p a ra m enos. E sc a la r a los
v e in tic u a tro años el m ás alto ped estal de
científica fam a, y c o n v e rtirse en la figura
m ás g loriosa del m undo sabio, ra y a b a n en
v e rd a d e ra apoteosis. Ib a a ser, a la p a r que
N ew ton en el lab o rato rio , la academ ia y el
aula, el Colón e s te la r que, rasg an d o el m is­
terio del vacío, lleno de é te r sidéreo, estable­
ciera lazos de h erm a n d a d e n tré la T ie rra y
los P la n e ta s; iba a se r p ie d ra cim ien to de
g rande, noble, am able fra te rn id a d in te rp la ­
n e ta ria ; lazo de unión e n tre m undos que,
p eren n em en te unidos en la v o lu n tad y en la
m ente cread o ras, h a b ía n h a sta entonces ve­
getado en a islam ien to p o r ig n o ra n c ia y ti­
m idez hu m anas.
P o rq u e adem ás de se r ella la in v e n to ra ,
ella se ría la capitana... Y su b iría a llá a rrib a ,,
y desde lo alto de su p ro p ia g ra n d e z a eou~

:$2

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

templaría la Tierra, tan pequeña, tan peque­
ña, que no cabiendo en ella la gloria del in­
vento y la inventora, remontaríanse al cielo
para alumbrar mundos ignotos en un maña­
na ya cercano. Veíase aterrizando con su
orbimotor en los rientes valles de Marte o
Venus, o en los nevados picarachos de sus
ingentes montes; veíase aclamada en las
ciudades por los representantes racionales
-de la variada fauna planetaria que serían...
¿Cómo serían?... ¿Quién puede adivinarlo?...
Pero que de seguro habrían de ser cosa ex­
traordinaria, muy por cima de cuanto for. ja r pueda la humana fantasía.
Y habría que ver su retorno a la Tierra,
"_y habría que sentir la emoción con que al
^desembarcar la aguardarían aquellos pobres
viejecitos; y los abrazos que les daría ella,
que cada día iba queriéndolos, no un poco,
sino mucho más; tanto, que al pensar en
aquellos abrazos del retorno se los amarga­
ron las lágrimas de la despedida con emo' ción que la dejó privada de conocimiento.
Es sorprendente: ¿verdad que es sorpren­
d e n te no encontrar en el reparto de persona­
je s de estos sueños de una mujer de veinti•cuatro años sino mundos, estrellas, ciencias,
borrosos y tal vez espantables extraterres­
tres hombres?... ¿Verdad que todav/i es más
extraordinario que en tales fantasías no es­
tuviera la estirpe de Adán representada, no
muy gallarda ni lucidamente, sino por tres
ancianos entre sesenta y nueve y setehta y
siete años, sin que por parte alguna apare"-■ciera ni un bigote rubio, ni una barba ne­
gra, ni sombra, ni recuerdo, del más insig­
nificante galán joven con su bigote, barba
■o rasurado?
Vaya si lo es, y tanto, que el mismo autor
mo lo creería a no saber que mademoiselle
“Thellis lee como en libro abierto en cora­
zones, almas y cerebros; y a no hacerle
observar aquella pitonisa que el altísimo ni­
vel psicolo-eti-científi-estético de la heroína,
vno podía hallar sino difícilmente hombre
-capaz de impresionarla.
¿De modo que ni un mal novio? ¿Ni si­
quiera el más leve recuerdo amoroso o poé­
tico?... Esto es desagradable para muchos
lectores, y desde luego para todas las lecto­
ras: esto es soso. ;Una novela en que una
ella de tal fuste no tiene un él con qué hacer
juego!... ¡Bah!..
Alto ahí; de que hasta ahora no hayan
asomado a estas páginas sino calvas cabe­
zas masculinas no puede temerariamente
deducirse... ¡Pues no iba ya esta pluma char­
latana a destriparme la novela!... Nada: de
■lo que ha de ocurrir no digo nada; lea quien
■«quiera, y quien no, que lo deje.
Como no mata la felicidad, y como cada

uno de los dos abuelos aplicó, muy solícito,
tres o cuatro remedios, y la abuela, más
práctica en indisposiciones infantiles, no se
quedó a la zaga, a los pocos minutos lucían
de nuevo los colores en el rostro de María
Pepa y la serenidad en su mirada, sin serle
necesario para ello entonarse con el mosca­
tel de Sitges que le ofrecía Ripoll, ni con
la Malvasía aconsejada por Fognino, ni con
el R hin que le brindaba Haupft.
Por si con la emoción no se había entera­
do María Pepa del brindis, de nuevo lo re­
pitió el presidente— repetición que aquí se
omite— , sin poder acabarlo, porque antes
estalló ruidosamente la alegría de todos, que
llegó al colmo al decir María Pe^a:
— Abuelitos, os quiero mucho, mucho...
No; el colmo fué cuando inmediatamente,
poniéndose de pie, echándose a llorar y ten­
diendo los brazos, agregó:
— ... y tengo muchas ganas de abrazaros...
Tampoco; el colmo, el verdadero colmo, se
alcanzó cuando no queriendo ninguno de los
sabios guardar turno, se arrojaron a aque­
llos brazos, en donde no había hueco para
los tres a un tiempo; por lo cual, abrazaba
cada uno a quien podía; y en el montón in­
forme de abrazantes y abrazados no sólo
lloraba María Pepa porque lloraban todos,
que también llora la alegría.
No obstante ser de roca, estaba el Tibidabo conmovido; y al deshacerse el enre­
dijo donde andaban revueltas vejez y ju­
ventud, caducos rostros y radiante belleza,
fué preciso llamar al camarero para que les
trajera cuatro copas de azahar.
Aquella fué la solemne ocasión en que la
nieta apeó el tratamiento a los abuelos, en­
cantados de semejante novedad.
— Y ahora a Zaragoza, a ofrecer, con nues­
tros respetos, el premio a tu eximia maestra.
— Fognino, dile al motorista—ya, feliz­
mente, no decían chaufeur los españoles, y
ya con la emoción también se tuteaban los
tres sabios— , que meta en el Colomba estas
botellitas de Priorato y estas ciruelas de
Lérida. Yo no las dejo aquí. ¡Eh, noy, coge
tú ese tortell!... ¿Habéis visto vosaltres ci­
ruelas como las de Lérida, ni tortells como
los de Barcelona? Como no hayáis visto...
¡Pobrets!...
Partió el avión para Zaragoza. En los la­
bios de María Pepa mariposeaba burlona,
socarrona sonrisa cuando alguno de los via­
jeros nombraba con gran respeto a doña
María Josefa, de quien, naturalmente, se
habló mucho en la travesía; es decir, ha­
blaron Haupft y Fognino, pues la muchacha
no hacía sino mirarlos con el rabo del ojo
y reírse a hurtadillas, y Ripoll lamentarse
de la supresión de la escudella. “ Tenían que

veinticuatro simultáneos besamanos de otras tantas Marías Pepas proyecfocopizadas
en igual número de telones.

DE LOS ANDES AL CIELO
33
vasta
azotea
de
la
casa
de
nuestra
invento­
probarla volviendo cualquier mañana al Tibidabo”. Todo ello con verbosidad extraor­ ra, que hizo bajar a sus acompañantes al
dinaria, que aumentando a compás de las laboratorio; y cuando allí los tuvo di joles
copas de anís del mono que caían, alarmó entre solemne y burlona, irguiéndose ante
a María Pepa, haciéndola tomar la decisión ellos y echando hacia atrás su graciosa ca­
beza:
de embargar la botella.
—Tengo el honor de presentar a ustedes
—No pases pena, Pepeta; no hase daño.
a mi insigne maestra, doña María Josefa
¡Es de Badalona!...
Pero no le valió, porque Pepeta dijo que Bureba... en la propia persona de vuestra
ni que fuera de Tarrasa bebería ya otra nieta...
— ¡Oh!... ¡Ah!...
copa. Porque borracho, no; pero alegrísimo
—No puede ser... ¿Qué?... ¿Cómo?...
sí estaba el respetable astrónomo. Mas cons­
—Que aquí no hay otra María Pepa, ni
te que si bebió más de la cuenta no ha de
achacarse a intemperancia, sino a patriotis­ otra inventora, ni más sabia que yo.
mo y a deseo de acreditar ante extranjeros
las marcas de la industria catalana, y por­
¿Qué pasó allí?... No acierto a contarlo,
que aquello de tutear a María Pepa y lla­
marla Pepeta y que ella le tuteara lo tenía porque la misma conmovedora escena del
trastornado.
Tibidabo palidecía ante aquello.
Quien pueda que se lo figure.
En Zaragoza aterrizó el Coloraba en la

X
UNA EXPLOSION DE INTERNACIONALES ENTUSIASMOS
Un mes después de los sucesos relatados para oír y ver a la conferenciante, pues todo
en el último capítulo, parecía el Instituto aquel que en su casa tuviera un antofonósde Viajes Planetarios, más que un centro copo podía oírla, en bata y zapatillas, sin
científico, un descomunal Palace o Ritz dejar su butaca, y verla con igual comodidad
cualquiera, ocupado por centenares de sa­ en la placa transparente del televiscinógrafo
bios de todas nacionalidades afanosos de oír sin perder ni un ademán ni un gesto de su
las conferencias en que la ilustre inventora oratoria; más todavía, hasta obtener im­
iba a explicar su invento al mundo cientí­ presos los discursos era fácil con sólo ir
fico antes de levantar en su Coloraba el vue­ arrancando taquiestenografiadas películas de
lo para trasladarse a los lugares donde debía los tacos de los taquiteleautógrafos.
dirigir la construcción del autoplanetoide;
Así asistieron virtualmente a sus confe­
pues por razones que pronto serán dadas, ha­ rencias cuantos sabios no pudieron, y los
bíanse elegido para efectuarla las cercanías pocos que no quisieron trasladarse a Tru­
de la ciudad de Mendoza, en la antigua Re­ jillo. Pocos, porque, aparte el interés cien­
pública Argentina, y a la sazón (año 2184), tífico, ¿quién no apetecía ser presentado a
una de las monarquías socialistas de la Gran aquella buena moza, doble prodigio de cien­
Federación Hispano-Americana, que se ex­ cia y hermosura, y departir con ella tète-àtendía desde California al Cabo de Hornos, tète, vis-à-vis, o mano a mano?
y del Océano Pacífico a las Islas Baleares,
Excepto el pabellón de Venus, natural­
aunque, ¡ay!, dejando en medio un claro o mente reservado para la reina de la fiesta,
calva en Portugal, complemento extraño a parecían el sol, y todos los planetas no tem­
tal federación.
plos astronómicos, sino casas de huéspedes
Era lógico el afán de los hombres de cien­ atestadas de viajeros. Tal sabio tenía su
cia por fisgonear el prodigioso invento, y cama entre un telescopio y un péndulo;
natural también no se avinieran a aguardar aquél dormía en un colchón tendido en el
el retorno, acaso problemático, del viaje, no balconcillo de una ecuatorial; como conejo
a Mendoza, sino a los planetas, preñado de en madriguera, metíase otro por la noche
incertidumbres y peligros. Defiriendo, por en el tubo de un anteojo de pasos en mal
tanto, a universales sugestiones, accedió Ma­ uso; uno tosía y otro estornudaba con los
ría Pepa a dar aquellas conferencias.
vapores excitantes del laboratorio, donde te­
Con los medios de instantánea comunica­ nía su alcoba; en las obscuridades de un
ción vulgarizados en el siglo XXII, nadie ne­ gabinete fotográfico negro o rojo, donde a
cesitaba molestarse en acudir a Trujillo fuerza de empeños consiguió alojamiento,
Biblioteca Novelesco-Cíe .vtípica.

De los Andes al Cielo .

3

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
tro pezaba con todo un profesor corto de v is­
ta, y se llenaba la cabeza de chichones; esto­
tro u tilizab a como m esa de noche una m á­
q u in a neum ática.
E sto en el In s titu to , donde no se dió acce­
so sino a v erd ad ero s príncipes de la C ien­
c ia ; que fu era de él se estaba mucho peor;
pues quienes, m enos linajudos en la grey
científica, no te n ía n tan to s cuarteles en sus
escudos de sap ien cia y los plebeyos del sa­
ber, h ubieron de buscárselas en T rujillo,
donde por m edia cam a, a com partir con otro
m edia noche, y un tab u rete p ara la o tra
m edia, se pagaban 100 pesetas; con lo que,
a cu atro huéspedes por lecho, producía cada
uno a su feliz a rre n d a d o r cuatro cien tas pe­
se ta s cotidianas.
Veinte conferencias dió M aría Pepa, en
o tro s tan to s días, a tre s horas cada u n a;
pues hubo de ex p licar no uno, sino m uchos
inventos con m atem ático rigor de que p res­
cindirem os cuando, no de un tiró n cual ella,
sino pian pianino, las extractem os p a ra uso
de lectores no sabios, sino por el estilo de
los que se alojaban en el pueblo.
Pero antes, y cual m u estra de lo que era,
digo será, aquel m undo de 2184, conviene
d ecir algo del ingenioso procedim iento em­
pleado p a ra que la conferenciante fu era v is­
ta, no ya en propio tam año, sino m uchísim o
m ás grajide, desde todos los ám bitos del In s­
titu to y sus alrededores.
L a in stalaro n en lo alto del Sol, m etién­
dola en una enorm e ja u la cilindrica, de cuyo
contorno, y a modo de aspas de una ru ed a
de la cual fu e ra la ja u la cubo, p a rtía n dos
docenas de canutos, que siendo iguales que­
d an todos descritos en describiendo uno. El
extrem o de él, que se soldaba a la jaula,' o
dicho de otro modo, que 'miraba a M aría
Pepa, term in ab a en u n a lente por su destino
an álo g a a las g ran d es de los gemelos de te a ­
tro . H acia la p a rte opuesta, en vez de quedar
cerrad o el tubo, como dichos gemelos, por
u n a pequeña lontezuela ocular, tenía una
p a n ta lla de c rista l cuajado, sem ejante a la
de u n a cám ara fotográfica, donde quien se
m ete debajo del paño negro del fotógrafo
ve la persona y objetos situados delante de
la m áquina. Del m ism o modo, quien m ira ra
la p a n talla de c rista l del tubo podía ver una
M aría Pepa viva, anim ada, en m ovimiento,
con todos los colores de su tez y su traje,
pero c h iq u irritín a ,^ d im in u ta , como si con
gem elos usados al revés se la contem plara.
H a sta ah o ra n ad a tiene de p a rtic u la r el
p r o y e c f o c o p i o ; ta l
es el nombre de este
a p a ra to inventado en 2045; pues lo e x trao r­
d in ario p ara nosotros, pobres ig norantes de
1019, viene ahora. Sobre cada uno de los tu ­

bos d escritos va m ontada (1) u n a lin te rn a
pro d u cto ra de p o ten tísim a luz, p e ro n e g ra :
quiere decirse que aun encendida en la obs­
curidad no alum bra. P a ra e x p licar este a p a ­
rente incom prensible despropósito, b a s ta rá n
dos palabras, dichas las cuales, esa luz, que
los ojos no ven, será v ista por las in te lig e n ­
cias; la lá m p a ra del proyecfocopio em ite
LUZ ULTRAVIOLETA.

Y eso ¿qué es?... ¿U n color nuevo?... Se­
gún lo que entendam os por color. Y p a ra
ver si lo entendem os, h ay que d e ja r p o r u n
rato el proyecfocopio, in stru m e n to de m a­
ñana, y a g a rra rse al espectroscopio y a la
m áquina fotográfica; cosas de hoy, sin la s
cuales no es fácil explicar, porque a u n c u an ­
do no luzca, es luz la luz u ltra v io le ta .
No asu stad se, va a se r m uy sencillo. To­
dos sabem os lo que es el arco iris que vem os
en el cielo, en los bordes de p isap ap eles y en
las a rista s de espejos biselados oblicuam en­
te heridos p o r el Sol: u n a cadena de colores
grad u alm en te diluidos en los in m ed iato s, y
que la v ista h a dividido en siete p rin c ip a ­
les. Todos ellos son luces p ro ced en tes del
Sol, m as no la luz del Sol, blan ca, o m ás
bien incolora, al trav és del c rista l, el aire,
y el ag u a en estrechos espesores, pues cu an ­
do dichos cuerpos están en g ra n d e s m asas
la tiñen del azul de la a tm ó sfera o del v e r­
de del m ar.
P ín ten se de d istin to s colores los ray o s de
una rueda, hág asela g ir a r ráp id am en te, y el
m ovim iento, m ezclando los colores de los
rayos de ella, nos h a rá v e r la ru e d a e n te ra
de uno que se rá d iferen te de cada uno de
aquéllos. P ues bien: cuando la s h e b ra s da
luz del iris tra b a n y en re d a n sus p olicro­
mías, fúndense sus colores en la m ad eja de
la luz blanca, o incolora, que com ú n m en te
nos alum bra. P ero cuando esa m ad eja llega
a un objeto al chocar con el cual q u ed an
cortadas las h eb ras am arilla s, verdes, etc.,
todas m enos las rojas, entonces vem os rojo
dicho objeto; las h o jas dé los árboles quie­
bran todas las hebras m enos las verd es; p o r
eso, envuelto e n tre h e b ras verdes de la luz
que lo h iere, es verde el árbol. E n la s m ieses
de agosto m ueren todos los h ilos m enos los
am arillos que doran las espigas.
Sea a h o ra la luz blanca, no m adeja, sin o
haz de ag u jillas m icroscópicas, rojas, am a­
rillas, azules, etc., y entonces van u n a s a

(1) Adviertan los lectores que en esta obra es
difícil el riguroso empleo de los tiempos gramati­
cales de los verbos ; y tengan la bondad de no ha­
cer alto en menudencias, considerando que si esta
narración de sucesos que habrán de suceder puede
aquí relatarse, es por haberlos visto ya o estarlos
viendo la pitonisa que nos los comunica.

DE LOS ANDES AL CIELO

35

-penetrar en lo interior de los objetos, y a
es una luz que está, pero que no se ve, en el
quedar otras clavadas en sus superficies.
iris, porque no alumbra; es una octava he­
Tengo una flor que, por estar a obscuras,
bra, una octava flecha, pero invisible.
no sé cuál es. Pero hago llegar a ella los ha­
¡Luz que no alumbra!... No alumbra nues­
ces de agujillas de un rayo del Sol, y de las
tros ojos, pero si con ayuda de ella, y so­
siete de cada haz penetran seis tan hondo
lamente así, pudieran nuestros ojos darse
y tan adentro, que escondidas se quedan a
cuenta de la existencia de un objeto sumido
la flor: no puedo verlas. Una en cada haz,
en la obscuridad. ¿No podría deciráe que
la misma en todos, no lleva fuerza sino para
también ella alumbra, aun cuando sea de
hincarse en lo externo de las hojas. A llí
diferente modo?... Veamos.
las veo, son de color violeta; pues la flor es
En una habitación iluminada está un
una violeta.
amigo mío frente a la máquina fotográfica,
Los labios de una niña bermejean con los
y en el cristal deslustrado de ésta lo veo re­
pinchazos de las agujas rojas. Las demás no
producido. Con poner una placa obtendría
se ven por haber escondido sus colores bajo
su retrato.
la epidermis.
Pero mientras yo estoy mirando aquella
¿Por qué penetran unas en lo hondo y
imagen de mi amigo en el cristal, llega al­
otras se quedan fuera?... ¿Por qué se escon­
guien, cierra las ventanas y dejo de verlo.
de el agua en una esponja y en la plata no
Pongo en la máquina la placa para el re­
entra?... ¿Por qué la misma luz resplandece
trato... ¡Qué tontería! ¡Si no hay lu z!...
en el oro y se trueca en tinieblas al tocar el
Verdad; al revelarla veo que allí no hay
carbón? A preguntas de esta índole nunca
nada, por faltar luz que descomponga la pe­
responde la Naturaleza, que muestra hechos
lícula. Ni la placa ni yo hemos visto nada...
y se calla las causas.
Pero la óptica y la fotografía tienen vidrios
El contacto de la luz con los cuerpos co­
coloreados, y otras substancias, que inter­
loreados es, pues, un medio de desenredar
ceptan todas las luces de visibles colores,
la madeja o el haz de rayos de colores de
ella; pero un medio muy caro, pues de cada
siete hebras o agujas deja perdidas seis en
— Violeta.
■ ■ «■ B B a B n H m B a K B iiB m Añil.
el seno de los cuerpos. Si no son éstos ne­
mu — i
Azul.
gros, donde, escondidas todas, no queda una
---- .
Verde.
que alumbre.
----------------------------------------------- Am arillo.
En cambio, los cuerpos transparentes de­
----------.
..........— Anaranjado.
....................... ............... .................. Rojo.
jan ver a través de sus entrañas la luz blan­
ca sin modificarla. A menos que la luz los
¡Qué b rillo! ¡Qué pureza de colores! Bueno, no
atraviese oblicuamente, y en condiciones es­
hay tiempo que perder, pues lo necesitamos para
peciales, como atraviesa las gotas de agua
substituir la pantalla por una placa fotográfica
que, en cuanto reciba la luz y sea en el laborato­
del arco iris, los biseles del espejo o el pris­
rio revelada, va a mostrarnos, en la parte de ella
ma de cristal de los gabinetes de física, que
descompuesta al contacto de la luz, una mancha
al ser herido por un rayo de luz separa sua­
negra de la anchura del iris de rayas recién visto,
vemente cada hebra sin romper ninguna, o
y de altura igual para quien no se fije a la total
de él desde el principio de la banda roja hasta <1
desvía cada aguja un poco más abajo o más
final de la violeta.
arriba de su inmediata compañera, lanzán­
Pero los sabios, que son gente que se fija, han
dolas, cual siete divergentes varillas de aba­
medido la altura de la zona irisada del cristal es­
nicos a un papel o pantalla donde se cla­
merilado, y la de la mancha de la placa, hallando
para aquélla siete centímetros, y once— no hay que
van, no en montón y fundidas en luz blanca,
fijarse en la cuantía, sino en la diferencia entre
sino ostentando cada cual su color, y alinea­
estos números— pongo por caso, para la de la
das en este orden: roja, amarilla, anaranja­
parte ennegrecida del cliché. Es decir, que por ci­
da, verde, azul, añil y violeta.
ma del lugar que en tal cliché corresponde a la
altura de la raya violeta de la pantalla, se prolon­
Pero ¿y la luz ultravioleta?... (1) Pues esa

U ) Coloquemos el prisma dentro de una má­
quina fotográfica, entre la abertura de ésta, que
solamente deja pasar una rayita muy fina de luz,
y el cristal esmerilado de ella, en donde vamos a
curiosear, tapándonos, naturalmente, la cabeza con
el trapo negro.
¿Qué se ve...? Siete rayas— las llamaremos ra­
yas para simplificar, aunque son bandas— de dife­
rentes colores, que en la pantalla se presentarán
a s í:

ga la negrura.
Pero ¿qué es lo que ennegrece la película sensi­
ble de la placa? La luz, naturalmente. Pues si por
encima de la parte tocada por el último rayo de
luz violeta, está la película ennegrecida, descom­
puesta, es que por cima de esos rayos han llegado
a ella otros, para la placa de igual naturaleza
que ellos, pues al tocarla la ennegrecen de igual
modo. He aquí esa octava hebra o aguja de
luz ultravioleta, que los cj'os no ven en los objetos
coloreados, pero que ve la placa, y no sólo la ve,
sino que más arriba del negro con que el violeta
la tizna a ella, nos enseña el tiznón prolongado por
el ultravioleta.

36

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

sin detener la luz ultravioleta (1 ); con lo
cual, si en vez de cerrar la ventana la tapo
con dichas pantallas, a mi amigo y a mí y
a la imagen del vidrio deslustrado, nos ocu­
rre lo de antes, quedaremos a obscuras, com­
pletamente a obscuras; de ello estoy bien
seguro, porque no veo. Y, sin embargo, han
variado las cosas de como estaban cuando
cerraron la ventana.
¿Meto la placa fotográfica en la máquina?
¿A qué, si antes ya vimos?... Psch, como
nada perdemos, ni siquiera la placa, que
no va a impresionarse... Y aquí de la sor­
presa: después de revelada veo en ella, al
sacarla a luz clara, el monigotillo que no
veía en el vidrio deslustrado, y que en él
debía estar cuando de allí lo trae la placa.
He retratado, pues, a mi amigo ¡sin luz!...
Alto ahí: a obscuras, sí; sin luz, no: cosas
que ya se ve no son lo mismo. He hecho el
retrato con luz ultravioleta, que, incapaz de
atravesar los postigos de madera, se filtra
a través de las pantallas, Luego esa luz ha
alumbrado la cara de mi amigo para mos­
trársela al cliché, que a su vez me la mues­
tra; y si la veo yo ahora en el retrato es,
en definitiva, porque antes la ha alumbra­
do, en mi obsequio, la luz ultravioleta.
Hay en el mundo quienes, padeciendo la
enfermedad llamada daltonismo, son ciegos
para el rojo, el azul u otro color cualquiera,
y no por ello pueden decir que no existen
el azul ni el rojo; pues bien, la especie hu­
mana padece daltonismo ultravioleta, color
que ven casi seguramente otras especies
animales: por ejemplo, los gatos, que, cual
la máquina fotográfica, habrían visto a mi
amigo cuando yo no lo veía, y no pocos bicharracos que viven y se mueven en lo que
el hombre llama obscuridad; obscuridad
para él.
Para volver a nuestro proyecfocopio, de­
mos otro pasito, declarando que la luz no
es sino propagación de movimientos de algo
que mientras está quieto no sienten los sen­
tidos humanos, pero que sí perciben de di­
versos modos cuando se pone en movimien­
to. Ese algo es el intangible éter , que se­
gún vibre u oscile, de una u otra manera,
a tal o cual velocidad, lleva de un lugar a
otro el mensaje de la telegrafía sin alam­
bres, o transporta calor, o enciende luz, o
descompone la película fotográfica, o engen­
dra los rayos X, que atraviesan piedras y
metales, y a través de la carne del cuerpo
nos enseñan el esqueleto.
No doy ahora detalles que alargarían de(1) Por ejemplo, las pantallas de cuarzo, las
formadas por tres cristales superpuestos de colo­
res, rojo, amarillo y azul, o con otros dos conve­
nientemente elegidos.

masiado la presente toma científica. Más
adelante, cuando el autoplanetoide bogue
donde no hay más que éter, serán más opor­
tunas nuevas dosis; y si aun entonces re­
sultaran pesadas, no faltarán otras novelas
donde diluirlas en mucha fantasía para noacarrear indigestiones.
Pero, aun saltando menudencias, convie­
ne ahora saber que al vibrar el éter conte­
nido en los cuerpos a razón de 450 millones
de veces por segundo— y esto, nadie se asom­
bre, no es para el éter un movimiento rá­
pido— , se incendia el cuerpo con luz roja y
vemos color rojo; que vibrando más y más;
de prisa, engendra sucesivamente los pro­
gresivos colores del iris, llegando su veloci­
dad en un rayo violeta a 750 millones de­
millones de sacudidas por segundo. Vibran­
do más de prisa ya no lo vemos, y entonces;
es luz ultravioleta.
Todo esto lo saben los físicos de 1919;.
pero lo que ignoran es cómo se aplicó, an­
dando los años, a la invención del proyec­
focopio, que no era en realidad sino un an­
teojo, o más bien, medio anteojo, combinadocon una linterna mágica donde los monos o
paisajes, pintados en cristales, que con ella
se suelen proyectar, estaban substituidospor una María Pepa, de colores, muy chirriquitita.
Una linterna ordinaria habría podido pro­
yectarla, siempre que la operación se reali­
zara en la obscuridad, porque a través deésta habrían viajado, sin obstáculo, los ra­
yos de todos los colores, encargados de pin­
tar otra más grande en el telón, cosa impo­
sible en pleno día, porque estos rayos seconfunden, se deshacen, se embeben en la
luz ambiente del aire iluminado. Y aquí de
la ultragenial aplicación de la luz ultravio­
lada de la lámpara del proyecfocopio, que,,
llegando por detrás del cristal, donde gesticu­
laba la figurilla, y atravesándolo, se inter­
ponía entre los rayos de diversos coloresemitidos por ésta, envolviéndolos en cónicocanuto de luz ultravioleta completamente
impermeable a la del día; con lo cual ésta,
sin mezclarse con ellos, les permitía viajar
en línea recta, hasta el telón o pantalla, en>
donde la simpática inventora surgía cual si
estuviera viva, pero agigantada por la dis­
tancia del telón (1).
(1) Como los sabios de hoy serían verdaderos
ignorantes en el siglo de María Pepa, no faltará
quien entre ellos repute absurda e imposible esta
solución del túnel de luz ultravioleta, que, con
cuatro palabras, quedará, explicada con tal vulga­
ridad, que ha de ser evidente para los menos sa­
bios.
Tómese un molinillo de chocolate—creo que
nada más vulgar— , métase en la chocolatera y
hágasele girar rápidamente, en la usual forma

DE LOS ANDES AL CIELO

37

Como había veinticuatro tubos en el proyecfocopio y otros tantos telones, los asis­
tentes a las conferencias podían contemplar
dos docenas de Marías Pepas, de la estatu­
ra de catedrales: de frente, de perfil, de
tres cuartos, por la espalda, sin perder ni
un movimiento, ni un gesto de ella. Por úl­
timo, las disformes bocinas de veinticuatro
■clcnnófonos reforzaban su voz, lanzándola a
veinte kilómetros en todas las direcciones
*de la rosa de los vientos.
La sencillez de este último aparato, excu­
sa descripción; pues para comprenderlo so­
bra saber que resultaba de combinar un re­
ceptor telefónico con una caja de resonan­
cia, un vulgarísimo fonógrafo y un megáfo­
no o bocina marina.
Digno remate de aquellas conferencias fué
el solemnísimo besamanos— poco besar en
opinión de muchos— en que millares y mi­
llares y millares de ósculos fueron respetuoisa y afectuosamente depositados sobre la ni­
vea mano de María Pepa por aquellas mu­
chedumbres. Pero ha de advertirse que, asus­
tada ella del número de besantes, y siendo
patente Ja imposibilidad de tener a la pobre
'Criatura días y días, tal vez semanas, con
la mano estirada, se organizaron, no uno,
;Sino veinticuatro simultáneos besamanos,
repartiendo el homenaje de ellos entre las
veinticuatro Marías Pepas proyecfocopizadas en igual número de telones.
Y todavía, y a despecho de tan ingeniosa

simplificación, cual princesa encerrada en
encantada torre, pasó en su jaula siete ho­
ras que, aun abreviado, duró el desfile de la.
multitud por los telones.
Después... Después el delirio, porque
aquellas conferencias fueron un éxito colo­
sal, digo, dos: uno para la sabia, grande,
grandísimo, y otro infinitamente mayor, in­
comparablemente más inmenso para la bue­
na moza: un verdadero triunfo internacio­
nal de la belleza, prólogo solamente de otros
no ya internacionales, ni mundiales, sino
universales.
La multitud vibraba de entusiasmo con
la chica, como hemos visto vibra el éter en
la luz: los calmosos ingleses se agitaban al
compás de los 450 billones de pulsaciones
del rojo; los alemanes llegaban a los 550 del
amarillo; estremecíanse italianos y france­
ses con los 700 billones de sacudidas del
añil; el vertiginoso latir de los rayos viole­
ta incendiaba la sangre de los españoles, y
entre éstos parecía inminente la explosión
de los baturros con el vibrar inconcebible
del ultra, y quién sabe si del extravioleta.
Por cierto que ocurrió entonces un fenó­
meno, ya entrevisto, más aún, producido en
el siglo xx por el eminente electricista De
Forest: la transfiguración de la luz en so­
nido, pero en escala muchísimo más vasta;
pues mientras aquel sabio americano sola­
mente había conseguido reemplazar violines, trompas, flautas... por bombillas eléc-

•empleada para batir el chocolate, con lo cual sabe
la m&s ignorante cocinera que el chocolate bajará
alrededor del molinillo, ascenderá por las paredes
■de la chocolatera y ahuecará en el centro de ésta
-un hoyo vacío de chocolate a lo largo del mango,
rabo o vástago del molinillo.
Explicación mecánica del fenómeno culinario:
■que la velocidad de la rotación no permite que
ni una partícula de chocolate quede donde su ac­
ción alcanza; y nadie negará que esto es un túnel,
aun cuando sea de hirviente chocolate: un túnel
líquido-centrífugo.
.Cójase ahora un fuelle— tampoco este aparato
tiene nada de complicado ni científico— , sóplese
con él dentro de una habitación y es sabido que
el viento, o sea aire en movimiento que de allí
sale, rechaza las partículas de aire tranquilo de
dicha habitación, y a través de ésta avanza la
■corriente, lanzada por el fuelle, de aire que viaja
-en el seno del aire, sin mezclarse con é l ; un tú­
nel gaseoso en el aire sereno recorrido por aire en
movimiento.
Pues supóngase ahora un enorme molinillo agu­
jereado en su base como una espumadera, y que
por cada agujerillo sople un fuelle. Lo esencial es
que haya muchísimos agujeros y muchísimos fue­
lles. Soplen éstos y gire el molinillo, y enton­
ces está claro que los túneles de aire por aqué­
llos lanzados ya no van a ser rectos, sino que
cada soplo avanzará girando en forma de tira­
buzón ciclónico, análogo al ciclón de chocolate,
y que no dejará en su camino ni una sola par­
tíc u la de aire tranquilo, por doquier rechazado

al exterior del túnel grande formado por la re­
unión de todos estos pequeños y retorcidos tú­
neles.
Con hacer que los fuelles soplen empujando el
viento que vomiten con velocidad de 300 millo­
nes de metros por segundo— la de la luz— y que
dé el molinillo 800 o más millones de millones
de vueltas por segundo, que es como vibra la luz
ultravioleta, tendríamos un verdadero túnel de
esta invisible luz dentro del cual no quedaría ni
un destello de la difusa luz del aire.
El molinillo, con sus innumerables fuelles, lo
tenemos personificado en el proyecfocopio por la
lámpara ultravioleta que hace avanzar la vibra­
ción a lo largo de los tirabuzones. Si más no hu­
biera, nada veríamos en los telones al llegar a
ellos los rayos de esta luz que no alumbra ; pero
de la figurilla de María Pepa, que tenemos en
el foco del aparato, salen otra infinidad de tira­
buzones repartidos en muchísimos molinillos de
rayos de colores; unos parten de los labios y
llevan luz roja, otros salen del terciopelo verde
de su chaquetilla y la llevan verde, etc., etc.
Todos estos colores que al separarse o combi­
narse de diversos modos trazan formas y pintan
tonalidades, viajan en vertiginosos torbellinos
dentro del túnel de la luz violada, sin deshacerse
en el aire del que ésta los separa, y al llegar a
los telones allí dibujan y coloran la graciosa
figura de la conferenciante.
Creo que más claro... A ver qué dicen ahora
ios atrasados sabios de estos tiempos.— N ota d«
mademoiselle Thellis.

VIAJES. PLANETARIOS EN EL SIGLO X X II

38

tricas de diversas formas y tamaños (1).
las muchedumbres congregadas dentro y en
torno del Instituto Planetario hicieron ma­
cho más, cuando vibrantes con entusiasmo,
Que por su acelerado ritmo sólo cabe lla­
mar lumínico, rompieron de improviso en
diversas canciones. Feliz suceso, pues esta
filarmónica expansión vino a ser válvula
que evitó la catástrofe de convertir a aque­
lla gente en polvo o en cisco, pues es sabido
que las vibraciones musicales son incompa­
rablemente más lentas que las de la luz. De
aquí vino el alivio.
Los hijos de Inglaterra y de Germania
cantaban sus himnos nacionales, pero mo­
dificando sus letras originales en estas for­
mas:

“ God save miss Bureba.”
“ María Pepa uber alie.”
Desgañifándose, entonaban los españoles
una jota valiente, cuya letra empezaba:
“ El Ebro es ya salado como los mares...”
Y pueden ustedes suponer cómo seguía, y
cuál fuera la causa de este químico cambio
de las aguas del río.
Y los franceses, contoneándose a compás
de una música boulevardiére y retozona,
cantaban unos couplets cuyo comienzo era:
“ II n’y a pas d’autre c’est la plus belle”,
y el estribillo, “ Viens, viens ma belle Pepette” .

XI
MARIA

P E P A T O MA TRES A Y U D A N T E S
Y SE LOS LLEVA A AMERICA

oe ha dicho en el capítulo anterior que
María Pepa proyectaba trasladarse a la A r­
gentina para fabricar en la provincia de
Mendoza, al pie de la cordillera de los An­
des, su avioestelar. Dos razones había para
tal elección: una de orden moral, puede de­
cirse que de agradecimiento, ya que el ori­
gen de los treinta y tres mil y pico de mi­
llones actuales que permitían realizar el via­
je planetario procedían de aquellas hermo­
sas tierras de La Plata, y otra científico-in­
dustrial, y hasta económica, que aconsejaba
montar la multitud de fábricas, talleres y
astilleros necesarios para la complicada cons­
trucción cuan cerca se pudiera de los luga­
res donde más abundantemente brindara la
Naturaleza las principales materias primas
requeridas por ella.
Mendoza, capital de 1a. provincia, era un
soberbio emporio de actividad minera y me­
talúrgica. Destruida en 1861 por un tremen­
do terremoto, probablemente ocasionado por
internas convulsiones de la cercana región
volcánica de Maipo—perteneciente al majes­
tuoso macizo montañoso del Aconcagua— ,
renació de sus escombras; y desde que a
fines del siglo xx se perfeccionaron en el
(1) Antes que De Forest, ya Dudle y Pouljsen habían hecho cantar al arco eléctrico; pero
no se les había ocurrido, como a aquél, construir
pianos y orquestas reemplazando las cuerdas y
los instrumentos con bombillas (audiones), lo
cual preocupaba y ocupaba al primero de los ci­
tados sabios en el siglo xx.

mundo los métodos de exploración geológi­
ca y explotación minera, a ella afluían en
montones o raudales oro y plata de Uspallata y San Rafael, hullas, petróleo, asfalto
de Tupungato, Huco e Inca, y los produc­
tos de abundantes solfataras de comarcas
cercanas, levantando la antigua ciudad a
emporio de exuberante riqueza, que, inteli­
gentemente explotado, había hecho de la
provincia una de las regiones más ricas del
orbe y elevado a 2.500.000 habitantes la po­
blación de su capital.
Pero, con ser importante todo esto, la
causa principal de la elección era que diez
o doce años antes de ganar María Pepa el
Gran Premio Castrejo, se había realizado,
en el interior del único cráter completa­
mente extinto de los volcanes de Maipo, el
descubrimiento de un metal nuevo, el taliuro (1), que resultó ser el más denso de los
conocidos, pues pesaba 37 veces más que el
agua, es decir, unas tres veces y media lo
que el plomo, el doble poco más o menos
que el oro, y mucho más que el célebre ura­
nio de Joachimstall, de donde allá por los
años de 1900 sacó Madame Curie, por la pri­
mera vez, aquel sensacional radio, cuyas
maravillosas aplicaciones, generalizadas y
extendidas en el siglo xxi y x x i i , habían
transformado por completo el mundo; y
(1) No confundirlo con el teluro conocido de
la Química de nuestros tiempos, pues nada tieneel teluro que ver con el taliuro.

DE LOS ANDES AL CIELO
tam bién más pesado que la carnotita norte­
am ericana, de donde tam bién se extrae el
mismo radio.
E sta ex traordinaria pesantez del taliuro
era para M aría Pepa una cualidad inesti­
mable, pues gracias a ella iba a poder ase­
g u ra r la estabilidad de cosas y personas en
el autoplanetoide, creando en su interior
una fuerza de gravedad propia, sin la cual
no puede un mundo, aun cuando sea dim i­
nuto, hacer buen papel en el concierto de
los mundos. Y que, aun siendo pequeña, re­
su lta ría extrem adam ente útil, más todavía,
indispensabe a los viajeros que en su seno
llevará de astro a astro.
Y no paraba en esto la utilidad del taliu ­
ro, pues aunque el mundo químico lo cono­
c ía ya en 2184, no conocía el CINETORIO,
que M aría Pepa había extraído de los pedruscos de Maipo, ni sabía, por tanto, que
el cinetorio tenía propiedades radioactivas de
nueve a doce veces superiores a las del ra­
dio, ni menos que cinetorio contenían las
cápsulas que detuvieron la locomotora, e hi­
cieron brincar al acorazado por cima de la
Barceloneta.
N ada de esto sabía ningún sabio, como no
fueran Ripoll, H aupft y Fognino, a quienes
en secreto se lo había revelado su nieta. Y
sabían tam bién otro, el de los m isteriosos
excitadores de las cargas de las capsulillas,
y tam bién lo callaban.
Los demás habitants del mundo, del automundo de María Pepa, no tendrán noticias
de nada de esto, sino cuando en amigables
paliques, que entretendrán ocios del viaje,
se lo cuente ella misma. Entonces se ente­
ra rá n tam bién de ello los lectores, sin tener
que aguardar, como los demás terrestres no
participantes en la prim era exploración pla­
netaria, a que a ila T ierra vuelvan los expe­
dicionarios, únicos que, además del autor,
podrán contarlo.
He aquí por qué se había elegido aquella
rem ota provincia del lejano P lata para la
fabricación y la partida del autoplanetoide.
Bien que lo de rem ota y lejana sean cali­
ficativos solamente admisibles en la atrasa­
da vigésim a centuria, en la que apenas al­
boreaban las navegaciones subm arina y a t­
mosférica, m ientras en el adelantado si­
glo xxxi la travesía subatlántica de Cádiz
a Buenos Aires no requería sino cincuenta
y cinco o cincuenta y seis horas, y eso rea­
lizada en condiciones de seguridad hoy des­
conocidas en los viajes náuticos; pues sobre
ser sabido que no son de tem er borrascas, ni
ciclones, ni nieblas bajo el agua, el descu­
brim iento de un barniz fosforescente al con­
tacto de las sales m arinas, había descarta­
do el riesgo de abordajes y choques; pues

39

pintados con él los suboceánicos buques,
avanzaban envueltos en resplandecientes
aureolas luminosas, no sólo desgarrando
con sus proas el seno de las aguas, sino las
sombras de ellas con sus halos de luz: vi­
sibles (y eso por la escasa transparencia de
aquéllas en grandes masas) hasta cuatro o
cinco millas: alcance que en el aire habría
excedido de cincuenta o sesenta.
Así se navegaba en rutas poco frecuenta­
das, pues en las de gran tránsito, cual, por
ejemplo, las de D akar (punta occidental de
Africa) a Río Janeiro y La Plata, existían
verdaderas carreteras submarinas, o más
bien tubos de luz semejantes a los metropo­
litanos de las grandes poblaciones, con una
pista para los transublánticos de ida y o tra
para los de vuelta: inm ateriales vías esta­
blecidas y entretenidas por procedimientos
físico-químicos que no es difícil sean, cual­
quier día, dados a conocer en otra novela
futu-histórica de aventuras submarinas.
De trasatlánticos nadie hacía ya memo­
ria, y aun en los submarinos no se viaja­
ba como no fuera por recreo o por investi­
gación científica, siendo su verdadera apli­
cación el transporte de grandes cargas p ara
las cuales faltaba fuerza y cabida en los di­
rigibles y aeroplanos trasatm osféricos, pre­
feridos por quienes en los medios de comu­
nicación buscan principalm ente rapidez: as­
pecto en que era la vía aérea muy superior
a la subm arina; pues las sesenta horas exi­
gidas en ésta para el viaje de Cádiz a Bue­
nos Aires, se reducían a menos de cuarenta
en los aéreo expresos que, de hora en hora,
salían de ambas poblaciones. Y de Lisboa a
New-York se iba en veintitrés.
Tal facilidad y frecuencia de comunicacio­
nes había facilitado la intim idad entre es­
pañoles e hispano-americanos, que haciéndo­
los conocerse y estimarse, cual no se cono­
cían ni estimaban en el siglo xx, fué impor­
tantísim o factor que, aunado a la necesidad
de defenderse de la sajona absorción, deter­
minó la unión de todas las individuales in­
dependencias de las naciones de cepa hispá­
nica en la herm andad de la Gran Federa­
ción anteriorm ente mencionada.
Cuando los abuelos de M aría Pepa se en­
teraron de que esta brava moza, no satisfe­
cha con sus laureles científicos, pretendía,
no, imponía como precisa condición para la
realización del viaje planetario, que a nom­
bre suyo se expidiera el Real Despacho de
Comandante en Jefe del Autoplanetoide, que­
daron consternados.
E ra una expedición peligrosísima, de la
que acaso no so volvería. E ra un capricho
intolerable de niña mal criada. Debía ten er
en cuenta que ya no era una chica que pu-

40

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO X XII

sona— . ¡Pensar que ese día te coja entre
■diera ni debiera andar suelta por el mundo,
esos hombres que vas a encontrarte en Mar­
y todavía menos por los mundos, cual moro
te y en Saturno! ¿Hombres?... o lo que
sin señor; que si no tenía padres, no el
sean. Debe haber cada camastrón en Júpi­
moro, ella, tenía abuelos que no consenti­
ter y cada pez en Neptuno...
rían locuras ni temoserías.
— Pero, abuelita, ¡por D ios!...
Y nada, todo inútil: María Pepa, erre que
— Déjame acabar. No está bien, ¡qué ha
erre en sus trece, terne en la idea que se le
de estar!, que una niña como tú se vaya por
había metido en su cabeza aragonesa.
esos mundos, y jamás se ha dicho esto con
Mucho respeto, ¡cómo no!, para los abue­
más verdad, a corretear con desconocidos:
los; mucho 'cariño, mucha suavidad, sonri­
que hoy los de Urano, que mañana los de
sas y hasta mimos, t.an pronto al uno como
Mercurio... que luego... ¡Ave María Pu rí­
al otro viejo; pero de aquello no la apeaba
sim a!...
nadie. Y que además ya era mayor de edad:
María Pepa daba evidentes señales de que
tenía ¡veinticuatro años!
se le acababa la paciencia.
— ¡Mocosa!— le contestó Ripoll.
— Eso es muy delicado; tu reputación...
Buscando otro registro, cedieron los abue­
Jamás hubiera dicho tal. A poder, habrialos la palabra a los sabios, y la Ciencia dijo
se Fognino tragado sus palabras apenas pro­
que quien en tan temprana edad como ella
nunciadas, porque al oírlas levantóse María *
había realizado los portentosos descubri­
Pepa, majestuosa; y, olvidando en su indig­
mientos y los inventos transcendentalísimos
nación que Fognino estaba habilitado como
que enaltecían su nombre, haciendo de él,
abuela, y ya no era señor, sino señora, le
no una esperanza, sino resplandeciente rea­
cortó la frase con la siguiente réplica alta­
lidad, se debía a la ciencia de la Tierra. A
nera:
ella la reclamaban la civilización y el pro­
greso de los humanos, los humanos de la
— Señor de Fognino, para cuidar de su
Tierra, en quienes era deber suyo pensar
reputación y su buen nombre no necesita
antes que en los extraños. Quien tal era y
una Bureba de postizos abuelos, pues bás­
valía, no tenía derecho a abandonar el ga­
tale el recuerdo y el orgullo de los propios.
binete de estudio ni el laboratorio para lan­
É l pobre geómetra de Nápoles se quedó
zarse a aventuras donde, no sólo peligraba
aterrado. El no había querido decir... ¿Có­
su preciosa vida, sino que la distraerían de
mo podía su querida niña suponer...? ¡Y en
estudios e investigaciones que...
qué tono le hablaba!... Acostumbrado ya a
oírse llamar mamá, Ñiño o abuelita, aquel
— Pierden el tiempo, porque he dicho que
voy, y soy de Zaragoza.
señor de Fognino le había hecho mucjio
daño.
Ripoll, sabedor, por estrecho parentesco
étnico con los aragoneses, de cuanto se en­
— Vea, vea cómo son las hembras de mi
cerraba en aquel tranquilo pero firme “soy
tierra — dijo Ripoll a Haupft— . Como que
de Zaragoza”, movió la cabeza cual quien
ni en Aragón ni en Cataluña, ni siquiera en
desiste de luchar con lo imposible. Solos si­
Castilla, hemos tenido nunca Mesalinas, ni
guieron, por lo tanto, en la brecha Haupft
Fornarinas, ni Lauras, ni Semiramises, como
y el otro, no tan enterados de lo que son ba­
en la tierra de ese pobre Fognino.
turros y baturras cuando dicen “por ahí
Por eso— continuó— , por no saber cómo
tengo de meter la cabeza”.
son nuestras nayas de España, ha metido la
Fognino, muy a tono con su femenino pa­
pata el pobre Ñiño.
pel de abuelita, o sea cada vez más impru­
— Y usted también, amigo Ripoll, también
dente, temerario y chillón, decía enfadadíla ha metido un poquito.
simo, digo enfadadísima:
— ¡Y o !...
— Y todo ¿para qué?... Cualquiera puede
— Sí: Semíramis no ha sido nunca paisa­
substituirte, con sólo que le enseñes a ma­
na de Fognino, sino ninivita.
nejar las cápsulas. Es una locura: ¡expa­
— Lo mismo da.
triarte de la Tierra, que es tu tierra, donde
apenas se te acerque con buen fin cualquier
— Quiero desir, que en cuanto a mi me
sabio, que a docenas los tienes, de memoria
sacan de las siensias, de las verdaderas siensabremos si te conviene o no, si cojea y de
sias, para meterme en siensias de poesía...
qué pie, si no cojea...
Porque yo podré confundir a Perseo con An- .
— Pero si en lo que menos pienso yo...
drómeda en la mitología; pero en el sielo,
Eso decís todas, hasta que el día menos
a buen seguro que ni una estrella, por me­
pensado... Y eso, eso es lo que me pone ner­
nuda que sea, le quito ni le pongo a esas
vioso en ese viaje— a lo que todavía no ha­
constelasiones... ni a ninguna...
bía llegado Fognino era a emplear el género
En tanto se esforzaba Fognino en desen­
femenino cuando hablaba en primera per­
fadar a María Pepa, y casi lo tenía conse-

4t

DE LOS ANDES AL CIELO
guido, cuando la intervención de los otros
dos sabios acabó de lograrlo por completo.
— Qué no, que no estoy enfadada, pues
comprendo que todo ha sido hijo del cariño.
De esto ya no hay que hablar, y tan ami­
gos como antes... Pertf, yo voy.
— Sí, sí, Pepeta; ya hemos oído que eres
•de Saragosa.
María Pepa soltó la carcajada, amenazan­
do con el dedo a Ripoll, que continuó:
— Claro que vas...
> Y volviéndose a sus dos compañeros, como
dando por cierta su aquiescencia, agregó:
— Y nosotros contigo.
Y de que estaba bien fundada su certeza
dió prueba plena el entusiasmo con que sus
dos colegas corearon la resolución.
¿Y los peligros, y los científicos deberes
<jué en la tierra retenían a los sabios?— de­
cía María Pepa— . — Ta, ta, ta— respondían
ellos.
— ¿Y el observatorio de Barcelona, y las
tortillas del Tibidabo? ¿Y las clases de Fí­
sica-Matemática de la Universidad de Nápoles? ¿Y el laboratorio de Brema y los cul­
tivos de la fauna microscópica?...
— Todo eso— decían ellos— puede reanudar­
s e a la vuelta.
| — Si volvéis— pensaba tristemente María
Pepa— . Yo no puedo acceder— se decía para
s í — ; son demasiado viejos; pero mirándo­
los pensó que, aun siendo aquello locura, in­
sensatez, acaso fuera la última y única feli­
cidad que en la vida pudieran ya gozar, y
sin valor para negársela, les dijo:
— Convenido, abuelitos; precisamente ne­
cesitaba tres ayudantes: químico, astróno­
m o y físico; conque si no pedís muy caro...
— Un abrazo a cada uno — contestó
H au p ft— ; no podemos contratarnos por
menos.
— Pues trato hechQ. Y ahora a hacer lo«
•equipajes, que mañana salimos para Amé­
rica.
— Pero, Pepeta, vengan antes los abrasos
de h oy...
— Tienes razón; y en prueba de que el
ajuste no me parece caro, os voy a dar ahora
■de propina un beso a cada uno.
Y siguiendo la acción a la palabra, tres
Lesos en tres frentes arrugadas reverdecie­
ron frescores de niñez en tres viejos cora­
zones.

Cuando subían al piso alto, donde tenían
sus alojamientos, decía Ripoll:
— Cuando yo era n oy, me gustaban mucho
los niños, y más que todos, una neneta de
tres años, hija de mi hermana: una perla

de nena que me tiraba de los pelos, saltaba
en mis rodillas, y que gritando arre, y subi­
da en mi espalda, me hasía correr a cuatro
pies. Nos queríamos mucho, bien me acuer­
do: en cuanto me veía, corría a mí, y con
un poco que brincaba ella, y un mucho que
me agachaba yo, me echaba al cuello unos
brasitos frescos y gordesuelos, y me comía
a besos. Entonses sentía yo una cosa muy
tierna, y muy suave, y muy fresca aquí en
el pecho, que ya no sentí luego cuando cresió la nena. Palabra, que no he vuelto a sen­
tirlo hasta este beso de Pepeta...
— Ya sé, ya sé qué es eso— dijo Fognino— ; sólo que el mío, en lugar de neneta,
era un b a m b in o: el de la pelota.
— Ustedes, que han disfrutado esto otras
veces, han tenido más suerte que yo, que
hasta ahora mismo no lo había sentido...
¡A h ! De conocerlo a tiempo, pueden estar
seguros que tal vez Haupft no habría lle­
gado a ser tan sabio, pero habría tenido nenetas y bambinos suyos que lo abrazaran y
besaran.
Por su parte, quedábase también muy
conmovida María Pepa... Tenía mucho cora­
zón la gentil sabia aragonesa: demasiado
tal vez, porque todo iría bien mientras en
él sólo anidara el afecto a sus viejos; pero
¿quién sabe lo que podría ocurrir si andan­
do el tiempo se entrara allí?...
Porque no sé; pero se me figura que con
su frialdad aparente, y con su indiferencia,
real hasta entonces, por el otro sexo, no te­
nía María Pepa facha ni vocación de monja.
*

*

*

Al otro día, según plan prefijado, ella y
ellos tomaban E l Colom ba junto a la plata­
forma H, que de cierto no ha olvidado el
lector, y levantaban vuelo con rumbo a Amé­
rica, sin llevar consigo sino sus personales
equipajes; pues el voluminoso material cien­
tífico, que allá en Mendoza habían de nece­
sitar, fué enviado a Cádiz al cuidado de So­
ledad, la doncella sevillana de María Pepa,
que en calidad de jefe de la expedición, lle­
vaba a sus órdenes al maquinista y al fogo­
nero del Instituto de Trujillo. que, hacien­
do honor a aquello de “con usted puede un
hombre ir a todas partes”, habían solicitado
alistamiento en la expedición.
Soledad, ellos y la impedimenta físicoquímica-astronómica que •custodiaban em­
barcaron en Cádiz en un submarino que
había de llevarlos a Buenos Aires, de don­
de seguirían a reunirse con los otros en el
magnífico palacio que en Mendoza, calle de
la Alameda, número 457, había comprado
el Instituto Planetario para instalar en él

42

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

las oficinas centrales de la construcción del
autoplanetoide, a delineantes, calculistas,
ensayadores, etc., etc., y servir a la par de
alojam iento a M aría Pepa y sus abuelos.
Cinco días después de llegar ellos, se les
incorporaron Soledad, sus subordinados y el
m aterial científico, que llegaba sin la menor
novedad. Pero no así el m aquinista, pues
aunque hay gentes que sostienen que el
tra to de cam aradas usual y corriente en­
tre mozos y mozas en el siglo X XII no pa­
saba de ahí, lo cierto es que Santiago, ta l
era el nombre del m aquinista, llegaba a
Mendoza preocupado con la idea de que
tam bién la sevillana era m ujer para ir con
ella, si no como con su ama, a todas partes,
por lo menos adonde se pudiera.
Y Soledad estaba segura de que aun sa­
biendo el galleguito mucho, todavía sabía
m ás ella para llevarlo por las narices don­
de se la antojara.
E n cuanto al fogonero, tenía de la anda­
luza ideas muy sem ejantes a las de su in­
mediato jefe; pero era muy bruto y no con­
taba.
Rápidam ente se ha despachado el viaje
transatlántico, que parecía merecer, aun
cuando más no fuera, un breve aterrizaje
en Buenos Aires; pero, ¿cómo, quien piensa
en la soberbia poesía de majestuosos in ter­
planetarios vuelos de centenares de millo­
nes de kilómetros va a perder prosa y tiem­

po en despreciables viajecillos de 8.000 o
9.000 en vulgares atm ósferas o mares?
De o tra parte, en Buenos Aires no pudo
aterrizarse por la sencillísim a razón de que
el Colombo, no pasó por allí, pues en T ru ­
jillo arrum bó recto a las bocas del Amazo­
nas, y de allí a Tucum án, haciendo casi en
línea recta la trav esía a Mendoza.
A los bonaerenses no les hizo gracia el
itin erario ; pero se conform aron con las ex­
plicaciones que, fundadas en prem ura de
llegar a Mendoza, les telefoneó M aría Pepa,
consolándolos con la promesa de darse una
vueltecita por Buenos Aires cuando su autoplanetoide zarpara de la T ierra.
E n realidad, no había tal prem ura, sino
que la pobre veía en lontananza la terrible
ovación, el abrum ante besamanos y quería
descansar por una tem porada de popula­
res entusiasmos. Cosa que el autor agrade­
ce, porque con una heroína como ésta, que
llega a la plataform a H, y ¡zas!, adm iración
y em belesam iento; que llega a Barcelona, y
¡zas!, apoteosis; que se mete en la jaula del
proyecfocopio, y en cuanto surge en los te­
lones, ¡zas!, veinticuatro apoteosis, no hay
almacén de ditiram bos, ni repuesto de su­
perlativos, por copiosos que sean, capaces
de dar abasto a ta n ta apoteosis.
Y con ingenuidad declara que ya no te­
nía cuerda para m ás entusiasmos ni ova­
ciones.
¡Dios se lo pague a M aría P e p a ! ...

XII
LA FABRICACION DE UN NOVIMUNDO
E n tres meses de vertiginosa actividad se
m ontaron numerosas fábricas para cons­
tr u ir el variadísim o equipo y m aterial que
el autoplanetoide necesitaba, no sólo para
su propulsión y pilotaje, en cuanto artefac­
to de loco u orbimoción, sino para hacer de
él m orada de la hum anidad que poblaría
su interior, y ponerlo a la a ltu ra y al nivel
exigidos por su carácter de centro de m úl­
tiples observaciones científicas y de expe­
rim entación en muy diversas ram as del
saber.
Tenía que haber en él m áquinas térm i­
cas y refrigeradoras, ventiladores, tuberías
de calefacción y de distribución de agua,
dínamos productoras de luz para cuando el
auto viajara hundido en los conos de som­
b ra de este o aquel planeta: es decir: cuan­
do para él se eclipsara el Sol; eventualidad

que p ara este extraño autoastro había de
ser frecuente; alternadores creadores de
energía, motores eléctricos para m últiples
servicios urbanos y domésticos, y para m a­
niobras de aterrizaje y leva en los planetas;
ascensores, gabinetes científicos, laborato­
rios de igual clase, y entre éstos el in tere­
santísim o de la nutrición, que no ha de con­
fundirse con n u estra vulgar cocina, pues
era cosa muy diferente; reguladores respi­
ratorios, y la m ultitud de ingeniosos ap ara­
tos exigidos por la vida animal, científica,
emotiva y de comunicación social de los 200
habitantes que el mundo que se iba a fab ri­
car llevaría a través de los espacios.
Porque eso iba a ser el autoplanetoide:
un verdadero mundo, ya que el tam año es
indiferente en tal calificación; pues tan
mundos son la T ierra y Mercurio como Jú -

DE LOS ANDES AL CIELO
p ite r, no o b stan te n e c e sitarse ju n ta r 1.279
T ie rra s o 24.481 M ercurios p a ra h acer un
m undo del tam añ o de Jú p ite r.
Un m undo, pues, s e r ía el autoplanetoide,
pero con u n a d iferen cia fu n d a m e n ta l res­
pecto a todos los conocidos, p ru e b a eviden­
te de la e x tra o rd in a ria o rig in a lid a d de Ma­
r ía Pepa, a quien, doncella y todo, puede
lla m arse M adre de M undos. T al diferen cia
era, que su s m oradores no h a b ita ría n al exle rio r ni a n d a ría n sobre la superficie del
n o v ip lan eta por fa lta de u n a a tm ó sfera ex­
te rn a en la que no h a b ría sido difícil envol­
v erlo (1), pero que, en su m ay o r p arte, h a­
b ría escapado en seg u id a a los espacios, p o r
la escasa a tracció n que la pequeña m asa del
au to p lan eto id e e je rc e ría sobre ella.
Los v ia je ro s iban a se r, por tanto, subte­
rrá n e o s m oradores de u n m undo hueco, pero
no obscuro, negro, sólido en su in te rio r,
como el que h a b ita n topos y ra ta s, sino cons­
titu id o p o r u n a oquedad tra n sp a re n te , lu­
m inosa, h en ch id a con el a ire de u n a atm ós­
fe ra en todo igual, no, q u ím icam en te m ejo­
ra d a , a la de la T ie rra . S e ría n tro g lo d itas
de un novim undo d iáfan o : troglodism o m u­
cho m ás ag rad ab le que el que aquí designa­
m os con ta l nom bre.
L íbrem e D ios de d e sc rib ir detallad am en te
fá b ricas, talleres, ni m áquinas, p a ra lo cual
se ría n precisos tom os y tom os, sino que,
yendo a lo prin cip al, sólo tr a ta r é a h o ra de
la corteza, la arm azón, el esqueleto y la piel
del au to astro . Los órg an o s in tern o s, el mo­
b laje y equipo irá n siendo oonocidos poco a
poco cuando allá en trem o s p a ra v iv ir en
co m pañía de los expedicionarios.
E n los tre s prim ero s m eses, y en lo que
sólo pueden calificarse de p re p a ra tiv o s p a ra
la construcción, se h a b ía n g astad o 9.700 m i­
llones. E l oro corría, no a esp u ertas, sino a
v agonetas, p o r M endoza y su com arca, don­
de se fab ricab an todos los accesorios y me­
nu d en cias del au to p lan eto id e bajo la direc­
ción de ocho o diez in g en iero s que, por a g ru ­
paciones de especialidades, recib ían órde­
nes de Ripoll, H au p ft o F ognino, a su vez
som etidos a la a lta inspección de M aría
P epa, que u n a vez dad as in stru ccio n es, se
dedicaba a em presas de m ay o r em peño en
los volcanes de Maipo, en P a ram illo o en
U sp a llata; es decir, en los alto s valles de la
m ajestu o sa co rd illera a n d in a y p a rte de ella
fr o n te ra a M endoza, teniendo p o r inm ed iato
su bordinado, en lo relativ o a la co n stru c­
ción p ropiam ente dicha del autoplanetoide,
(1) Para ello habría bastado electrizarlo po­
sitivamente a la par que, negativamente, se car­
gará su atmósfera circundante o a la inversa.
Pero esto habría ocasionado complicaciones que
no se creyó oportuno afrontar.—Nota de Ripoll.

4S

a un in g en iero llam ado V aldivia, n a tu r a l de
la a rg e n tin a ciudad de S a n ta F e, p e ritísim o
en la fab ricació n del vidrio.
P o rq u e el nov ip lan eta h ab ía de ser, n o
p re cisam en te de v idrio de vasos, pero sí de
u n a su b sta n c ia c rista lin a por la tr a n s p a re n ­
cia, sem ejan te por su e lasticid ad a caucho
o celuloide, y por su ligereza, al corcho. L a
com posición quím ica de ella era uno de los
m uchos secretos de M aría Pepa, del cual
sólo en lín eas generales pudo a v e rig u a r madem oiselle T hellis que la elasticid ad se ob­
te n ía m ezclando con los com ponentes del vi­
drio usual, asfalto y betu n es decolorados, a
todo lo cual le e ra dada lig ereza in y ectan d o
un gaseoso in g red ien te del que sólo se sabe
que e ra ex traíd o de las cercan as s o lfa ta r e s
de Maipo.
L a colosal v id rie ría obtenía c o rrie n te p a r a
en cen d er sus cin cu e n ta hornos, de 500 tone­
la d a s de cabida, y la fu e rz a p a ra to d as su s
n ecesidades de u n a a ltís im a c a ta rta , p o r
donde el río C achapual se despeña de la a l­
tu r a de los Andes.
A unos cu a tro kiló m etro s de ella fu n cio ­
n ab a la explotación m in e ra de M aipo, e sta ­
blecida p a ra e x tra e r el preciado ta liu ro de
aquel al p arecer ex tin to c rá te r que com en­
zaba a d a r indicios de no e sta r ta n e x tin to
como se aseguraba.
Todo allí dependía d irec ta m e n te de M aría
P epa, que no q u ería d iera el o lor de esto s
tra b a jo s a la g en te científica; y p o r ello
tom ó p o r a u x ilia r a un a n tig u o y p rá c tic o
c o n tra m a e stre de m inas brasileñ o , llam ad o
F ouciño.
Ya se sabe que el au to p lan eto id e debía s e r
esférico, y en cuanto sea ta m b ié n sabido
que iba a te n e r 600 m etro s de d iám etro ,
c u a lq u ie ra puede a v e rig u a r in m e d ia ta m e n ­
te que su contorno, o ecuador, o m erid ian o ,
según q u ie ra llam ársele, a lc a n z a ría 1.849
m etro s y 54 cen tím e tro s; su superficie,
1.130.972,82 m etro s cuadrados, y su v olu­
m en, 128.806.625 m etros cúbicos.
Si u n a vez co n stru id o se le lle n a ra de
agua, p e sa ría igual n úm ero de to n e la d a s,
que si m uy poco p a ra un m undo, es ya p a r a
u n a bola cosa respetable (1) y h a sta em ba­
razo sa p a ra quien h u b ie ra de in flarla.
Se h a dicho inflar, porque ese es el voca­
blo adecuado; pues m iran d o a la solidez del
planeto id e, no q u e ría en él c o stu ra s ni re(1) El volumen de la Tierra es de kilómetros
cúbicos 1.082.841.000.000, y su peso en kilogra­
mos de 5.414.000.000.000.000.000.000. No se ma­
reen ustedes con los ceros.
Era el novimundo perfectamente esférico, y
seguiría siéndolo, porque, no habiendo de tener
movimien/o de rotación como la Tierra, no sele acatarían los polos, como a ésta, ni se lecnsancharía el ecuador.

~

~

44

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----- -----------

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

maches su inventora, cuya atrevida mente
•concibió la idea de hacerlo de una p ie z a : de
una pieza como las cebollas, constituidas por
sucesivas concéntricas capas, que en este
•caso llamaremos cristalinas películas; pero
no meramente yuxtapuestas, sino autógena­
mente soldadas a las contiguas.
El sistema de fabricación para ello adop­
tado fué, en su esencia, el empleado de tiem­
po inmemorial en las fábricas de vidrio
para hacer botellas y redomas: soplar en el
vidrio caliente y blando para que, hinchán­
dose, hinchándose, alcanzara el volumen de­
bido con el consiguiente adelgazamiento de
paredes. Lo mismo que hacen los niños
cuando, soplando en el extremo de un canu­
to, inflan en la otra punta pompas de jabón.
Bien decía Fognino en sus olvidadas pe­
loteras con Ripoll, que para la Ciencia no
hay hecho insignificante. Contemplando los
tornasolados resplandores con que el sol
matiza las pompas jabonosas, se halló en
el siglo X IX una de las soluciones del pro­
blema de la fotografía en colores. Reflexio­
nando sobre la manera de henchir las mis­
mas pompas, resolvió María Pepa el proble­
ma industrial de la fabricación que ¡a pre­
ocupaba.
La diferencia, no de método, mas sí de
proporción, estaba en que sus pompas no se
inflaban, una con otra, o grandes con pe­
queñas, con menos de 112 y pico de millo­
nes de metros cúbicos de aire. ¿Y quién so­
plaba?. ..
Pues una enorme batería de turbinas de
absorción, tomando de la atmósfera el aire,
girando a razón de 50 vueltas por segundo,
y lanzando verdaderos huracanes en las en­
trañas del vidrio fundido. Cañerías adecua­
das llevaban éste de un modo paulatino des­
de los hornos al extremo del canuto, donde
las pompas se mecían, para caer después (la
primera solamente, de las demás se hablará
luego) sobre tres pilares cimentados en el
fondo del valle, en cuyas cumbres descan­
saba el canuto. Tal valle era uno de los de
Paramillo.
Dichos pilares hacían de grada en aquel
•colosal astillero, donde se iría formando el
autoplanetoide, y desde el cual sería lanza­
do al sidéreo océano en donde ondula el in­
visible E TE R U N IV E R SA L.
Una vez semienfriada la primera burbuja
destinada a formar la película externa del
mundo en formación, la cual marcaba una
etapa geológica, un estrato en su vida pre­
histórica, se abrió en ella una puerta circu­
lar de tres metros de diámetro, vaciada al­
rededor de la parte en contacto con el ca­
nuto inflador. Por ella, andando el tiempo,
■entrarían el menaje e inquilinos del explo­

rador planetario, y saldrían los últimos a
visitar los mundos recorridos. Inmediata­
mente se procedió a henchir, dentro de la
primera pompa, la segunda película esféri­
ca, hasta que, llegando al contacto con aqué­
lla, la alta temperatura de su fundido v i­
drio la soldó autógenamente, ya se ha dicho,
a la primera. Y ya las dos películas no fue­
ron sino una de doble grueso.
Apertura de puerta en la segunda, toma
de fundido vidrio, nuevos soplidos en él re­
forzaron con la tercera pompa las dos ante­
riores, y así sucesivamente, hasta que la pa­
red de la hueca esfera alcanzó doce metros
de espesor. Como el de cada película era un
centímetro, 1.200 pompas fueron necesarias
para obtener tal resultado en cincuenta días
de trabajo ni un minuto interrumpido. Pro­
medio, 24 pompas y 2.800 millones bien co­
rridos de metros cúbicos de aire soplados
por día.
Terminada esta bola, se metió en ella Ma­
ría Pepa, quedándose asombrados quienes
desde fuera la miraban al verla del tamaño
de un guisante, y no grande. Ella fué la úni­
ca que no se sorprendió de tal fenómeno,
mas no dió explicaciones, que a su tiempo
vendrán, pues ahora corre prisa fabricar la
otra bola.
¡Otra!... ¿Dos autoplanetoides? ¿Dos as­
tros gemelos, cual algunas estrellas bien co­
nocidas en los observatorios? (1) No, por­
que la segunda bola de diez metros de gro­
sor de paredes, pero más pequeña— 536 me­
tros de diámetro externo— que la ya fabri­
cada, había de alojarse dentro de ésta, que­
dando entre ambas un espacio, hueco por
ahora, de 20 metros de espesor.
Veinticuatro columnas de esos mismos 20
metros de longitud, entre sí convergentes, y
de tres y medio metros de diámetro, traba­
ban la esfera exterior, de la cual arranca(1) Las estrellas dobles se cuentan por mi­
llares en el firmamento. Son parejas de soles,
muchas veces de distintos colores, que giran uno
en torno de otro. L a más vulgarmente conocida
es Sirio, la más resplandeciente de los cielos
Cástor en la constelación zodiacal de Géminis, la
hermosa Proción, el rojo Antares de Escorpio. En
algunas como Mizar, de la Osa mayor, y Alcor,
pueden verse, con buenos gemelos, y a veces a
simple vista, los dos astros de que se componen.
¡Qué espectáculo el de los hombres que vivan
en los planetas volteantes en torno de esos do­
bles soles, diversamente coloreados! Reconstitu­
yéndolo Huggins para un sistema con un sol
anaranjado y otro azul, dice: hoy brillarán am ­
bos en el cielo a la par para el planeta, que
tendrá un doble d í a ; el de mañana tendrá luz
anaranjada, el de pasado azul, otros serán días
azules por la mañana y anaranjados por la tarde...
Y todo esto, que parece fantasía, no llega a
la realidad ; pues no sólo existen sistemas de so­
les dobles, sino triples, más todavía: formados
por racim os de soles.



DE LOS ANDES AL CIELO
han todas con dirección al centro de ésta
con la interior que había de quedar com­
prendida entre ellas; cosa que se logró so­
plando la primera película exterior de la
esfera interna dentro de la primeramente
inflada, hasta que su progresivo crecimiento
llegó a apoyarla en los veinticuatro extre­
mos de dichas columnas, donde quedó sol­
dada.
Tenía, pues, el planetoide una cáscara ex­
terior de 12 metros, un vano de 20 y cás­
cara interna de 10. La cabida del vano,
entre ambas, que una vez terminada la fa­
bricación se rellenaría de oxígeno, era poco
menos de 27 millones de metros cúhicos. En
la esfera interior, destinada a residencia o
mundo habitado por los expedicionarios, po­
dían llevarse muy cerca de 74 millones de
metros cúbicos de aire natural; provisión
amplísima que procedimientos purificadores
regenerarían durante el viaje, aun siendo
éste muy largo, y que aún podía reponerse
en caso necesario: uno y otro por procedi­
mientos que serán conocidos cuando veamos
cómo» respiraban dentro de su mundo los
viajeros.
Lo más extraordinario era que, armadas
y ligadas por las columnas convergentes,
aquellas dos huecas esferas de tan recias
paredes sólo pesaba el vidrio de ellas unos
12 millones escasos de toneladas; es decir,
algo, muy poco, más que si fueran de ma­
dera de aliso (1). Debíase esto a que al
enfriarse y solidificarse las pompas suce­
sivas lo hacían formando incontable núme­
ro de lentejillas o diminutas bóvedas dis­
puestas en capas concéntricamente parale­
las en el interior de la película de cada pom­
pa, y con huecos vacíos entre las lentejillas.
Así, sin detrimento de su gran fortaleza, te­
nía aquel material estructura esponjosa, pero
matemáticamente uniforme, con regularidad
no existente ni en forma ni en tamaño en
las celdillas de la esponja.
Era uno de los muchos prodigiosos inven­
tos de María Pepa; pues las ventajas de
este corcho cristalizado no se reducían a las
mecánicas, derivadas de la reducción de su
peso a poco menos de la mitad que el del
agua y a menos de un quinto de el del vi­
drio ordinario, sino que además tenía otras
notabilísimas en cuanto transparente mate­
rial utilizable en aplicaciones ópticas; exce­
lencias desconocidas en el crown, en el flint
y en todos los glasses hasta entonces em­
pleados en la fabricación de lentes, anteojos
y telescopios.
(1) La densidad del aliso es de 0,51, mientras
que la del vidrio acorchado, o corcho-vitreo del
auto-estelar, era 0 ,5 1 9 .— Xota de Fognino.

45»

¡El autoplanetoide entero era todo él an­
teojo! ¡Y qué anteojo!... Un anteojo sim
tubo, en que sólo con dirigir los ojos desde
el interior del cristalino globo a los astrosveríaselos, a través de sus transparentes pa­
redes, con tamaños cinco o seis veces mayo­
res de como los mostraban los más potentes
aparatos de los mejores observatorios astro­
nómicos en el año 2185, que, naturalmente,
eran incomparablemente superiores a los
de 1918 (1).
Ripoll se entusiasmaba pensando en el ple­
tòrico surtido de descubrimientos que trae­
ría de su viaje.
— Esto es tener—decía— el universo en éh
bolsillo; porque si en vez de mirar a simple
vista miro con un anteojo, no va a quedarrincón de estrella en donde yo no fisgue ni
repliegue en ninguna para mí escondido.
Y tan grande era su entusiasmo, que n o ­
ie dejó ver ciertos inconvenientes del siste­
ma para observaciones de conjunto en el cie­
lo. Mas, felizmente, los veía María Pepa y
les ponía remedio.
*

*

*

En montar las convergentes columnas ra­
diales de sostenimiento de la esfera inte­
rior se invirtieron cerca de cuatro meses, y
en la inflación de dicha esfera poco más o
menos, con lo cual finalizaba el año 2185»
cuando el automundo quedó en estado de­
recibir en su interior los edificios destina­
dos a alojamientos de expedicionarios y a
instalaciones de maquinarias, bibliotecas,
gabinetes, laboratorios, etc., etc.; en suma„
cuanto en Mendoza fabricaban los tres an­
cianos ayudantes de la que ya podemos lla­
mar Capitana; pues por entonces se publicó»
oficialmente su nombramiento para aquel
alto cargo; tan alto, que no faltó quien pro­
pusiera substituirlo por el de Gran Almi­
rante de las Escuadras del Océano Etéreo,,
pues el mundo (éste, el antiguo) daba pordescontado que el aviplaneta en construc­
ción no era sino el primero de los que an­
dando el tiempo constituirían tales armadas..
Por ello se le designó con el nombre de
autoplanetoide A-I; en el cual, la A indica-

(1)
Indicos de refracción, convergencias, dis­
persiones de lentes, son zarandajas de Optica ma­
temática que podrían explicar el invento; pero¿a qué?, si para que el lector forme concepto desu alcance bástale recordar que metida María
I'epa en su mundo se la veía desde fuera del ta­
maño de un guisante, y saber, pues ahora se le?
dice, que cuando, estando fuera, se la miraba d e s ne dentfo, subía su estatura a la de las más a l­
tas catedrales del mundo.

^46

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

t)a el tipo, y el 1, el número de fabricación
tlentro del tipo. Porque, ¿quién podía dudar
--que andando el tiempo surgirían nuevos mo­

delos: B, C, V, Z, dentro de los cuales el
guarismo adhérente indicaría el número de
las futuras transetéreas naves?...

XIII
LA TEMERARIA MARIA PEPA BAJA AL VOLCAN DE MAIPO
Mientras Valdivia, con sus argentinos, in'Raba en Paramillo el Nuevo Mundo, o más
Lien, para no confundirlo con América, el
Novísimo Mundo, María Pepa no parecía
por allá sino una vez al día, dándose por el
astillero una vuelta breve cuando no le era
preciso detenerse a orillar entorpecimientos
o resolver dificultades; pues dedicábase,
principal y más asiduamente en el volcán de
Maipo, a la extracción del preciado taliuro,
que en sus entrañas apresaba, en apretado
abrazo químico, el cinetorio que en grandí­
simas cantidades (1), acaso superiores al
kilogramo, necesitaba la Capitana para sus
cargas; sin contar otros valiosísimos servi­
cios mecanogravitatorios y quimifisiolohigiénicos que el taliuro mismo la prestaría.
Porque es cualidad característica del ge­
nio, y María Pepa era un genio como se ven
pocos, el apreciar con profunda mirada, y a
primera vista, la multiplicidad de capacida­
des de los cuerpos y fuerzas de la Natura­
leza.
¡Cuánto camino no ha tenido que reco­
rrer la Ciencia y cuánto trabajo que reali­
zar desde las épocas en que carbón y algo­
dón sólo servían, respectivamente, para que
el hombre se calentara con fuego, o envol­
viéndose en mantas no se enfriara! ¡Cuán­
tos estudios, y esfuerzos, hasta aprender que
del carbón podían salir gas, alquitrán, amo­
níaco, cok, tintes, anilinas, creosota, ¡qué
sé yo cuántas cosas más; que era capaz de
arrastrar trenes y barcos, de mover dína­
mos engendradoras de corriente eléctrica!
¡Cuántos ensayos y tropiezos hasta sacar
del algodón ropas, celuloide y terribles ex­
plosivos! ¡Qué malgasto de fuerzas para ha­
llar todo esto que de una vez habría sido
visto en el carbón y el algodón por un ge­
nio como el de María Pepa, que en cuanto
conoció el taliuro vió sus múltiples apli­
caciones Utilísimas, de que hablaremos tan
pronto demos noticia de un accidente que
puso en grave riesgo la existencia de nues(1)
lia de tenerse en cuenta que en una to­
nelada de taliuro no se podían beneficiar sino
-escasos miligramos de cinetorio. Lo mismo ocu­
rre con el radio y la blenda de uranio Me Joa.-ehimstall, de la cual se extrae aquél.

tra heroína, y del que salió salva por el ca­
sual auxilio de un personaje no secundario
en esta historia, pero desconocido todavía!
A poco de descubrir su ilustre esposa el
radio, y de enterarse él de los peligros fisio­
lógicos inherentes a la manipulación de di­
cho metal, decía Monsieur Curie, que por
todo el oro del mundo no permanecería ni
un breve rato en una habitación donde hu­
biera un kilogramo de radio. No era enton­
ces, por supuesto, hacedera la peligrosa
aventura, que habría instantáneamente ce­
gado al experimentador y abrasado su
cuerpo entero con llagas corrosivas y* mor­
tíferas; porque la total cantidad de radio
que hasta 1910 se había conseguido extraer
en todo el mundo de los minerales de ura­
nio que lo contenían, no pasaba de veinte
gramos. Además, de haber sido posible re­
unir en aquel tiempo el kilogramo de radio
requerido para el experimento, habría cos­
tado más de 500 millones de pesetas.
¡Taday, probeza!, podría decirle el radio
al oro, cuyo valor era de unas 30.700 pese­
tas por kilogramo, lo cual quiere decir que
mientras un miligramo de oro valía poco
más de tres céntimos, igual peso de radio
se pagaba en 500 pesetas.
Monsieur Curie no se atrevía a ponerse al
alcance de un kilogramo de radio, y María
Pepa— ¿a qué no se atreven las mujeres?—
desafió las radiaciones de quince o veinte
de cinetorio, nueve a doce veces más ac­
tivo y terrible que el radio. Esos veinte k i­
logramos, multiplicados por doce, atesti­
guan que María Pepa era 240 veces más va­
liente que Curie.
La hazaña y el terrible accidente a que
dió origen, merecen referirse.
El primer cuidado de nuestra heroína, en
cuanto se encampanó a lo alto de los Andes,
fué reconocer los volcanes de Maipo, so­
bre cuyos blanquísimos turbantes de per­
petuas nieves ondulaban leves airones de
humo, reveladores de actividad en ellos, que
aun dormitante centenares de años, no por
ello dejába de ser interna actividad.
Con disgusto observó que, contra sus no­
ticias, no existía allí entonces ningún crá­
ter totalmente apagado, y que, por tanto,

DE LOS ANDES AL CIELO
n o podía sab er en cuál se h a b ía n d escu b ier­
to los y acim ien to s de ta liu ro . L a -c o n trarie­
dad era te rrib le , pues sin ta liu ro no h a b ía
cinetorio, ni carg as explosivas, ni autoplanetoide, n i v iaje p lan etario .
Los 33.000 m illones v o lverían a los h e ­
red eros de los hered ero s de los h ere d e ro s de
C astrejo : como quien dice m a rg a rita s a
puercos, porque h a b ía que v e r cu án b ru ta s
e ig n o ra n te s era n aquellas gentes.
No resig n án d o se a ello, decidió la b ra v a
arag o n esa h a c e r personales exploraciones,
descendiendo, h a sta donde p u d ie ra , a su ­
cesivos c rá te re s ; que, aun no a rro ja n d o la ­
vas ni llam as, despedían m e fític a s c a lig i­
nosas h u m ared as, donde los m ás atre v id o s
h a b ría n considerado te m e ra rio su m irse. P ero
l a p alab ra im posible carecía de sentido p a ra
el valor, la ciencia y la tozudez de M aría
P ep a.
E n uno de aquellos cu atro c rá te re s es­
ta b a el ta liu ro ; pues a v e r en cuál, que des­
pués ya sa b ría ella a rra n cárse lo .
L a a n tiq u ísim a y v u lg a r e sc a fa n d ra de
buzos, con depósito y re g e n e ra d o r de a ire,
la p o n d ría a salvo de irre sp ira b le s g ases;
u n tra je de to rtísim o am ianto-lona, su m a ­
m en te holgado p a ra que el espacio so b ra n te
e n tre la te la y el cuerpo p u d ie ra re lle n a rse
de agua fresca, se ría re frig e ra n te líq u id a
coraza de v ario s cen tím etro s de espesor,
que la p ro te g e ría de la ab ra sa d o ra te m p e ra ­
tu ra de los vapores en que iba a su m erg irse.
Como, adem ás, el agua de este baño, en re a ­
lid a d tal era, se ren o v a ría c o n sta n te m e n te
p o r dos tubos com unicantes con u n a bom ­
ba de inyección, m an ejad a en lo alto del
c rá te r por sus ayudantes, y a podían envol­
v e rla ígneas tem p eratu ras.
H a de a d v e rtirse que, au n ten ien d o la
cabeza rodeada de agua, no p o d ría a h o g a r­
se, porque, en v irtu d de la p ro p ia p resió n
de aquélla sobre la bocina del tubo com u­
n ic a n te con el depósito de aire, dicha b o cin a
o b tu ra ría h erm éticam en te boca y n aric e s,
c o n stitu y en d o protección an álo g a a la de
las c a i t a s co n tra gases asfixiantes. Los
oídos lcS cerra b a n los au d itiv o s del teléfono
de com unicación con sus au x ilia re s.
L as precauciones estaban bien to m ad as,
p e ro a veces fallan todas la s precauciones.
P o r eso no sirv en sabios, si son m a n d ria s,
p a ra tales em presas.
P a ra e fectu ar la m an io b ra de su descolga­
m iento (su sp en d id a al extrem o de un c a ­
ble de acero arro lla d o a un to rn o ) llevó a
S a n tiag o , el m aq u in ista, en cuyo h o n o r debe
d e c irse que con todo em peño p re te n d ió se r
él, y no la señ o rita, el descolgado, sin d e sis­
t i r del generoso em peño, sino al p re g u n ta r-

47

le ella cómo iba a conocer, cuando abajo es­
tu v iera, si allí h ab ía o no h a b ía ta liu ro ...
M ustio, m as convencido, bajó e! m u c h a ­
cho la cabeza, consolándose u n poco al o ír la
d ecir:
— De todos modos, m u ch as gracias, S a n ­
tiag o ; no o lv id aré que ya no sólo vas con­
migo, sino que p o r m í vas a to d as p a rte s,
a u n cuando yo no vaya.
E l teléfono de com unicación con M a ría
P ep a c o rría a cargo de Soledad, y los a la m ­
b res de él b ajab an por el in te rio r de los
tu b o s conductores del ag u a de la bom ba al
tr a je hidrológico. L a doncella v ig ila b a al
fogonero que daba a la bom ba re frig e ra n te ,
y a él y a S an tiag o les tr a n s m itía las ó rd e­
nes que su am a daba desde abajo.
— L a rg a cable despacio — o rdenó M aría
P epa, su sp end id a al borde de la ch im en ea
del c rá te r S. S. E. del grupo de volcanes de
Maipo.
— L arg a—re p itió Soledad a S an tiag o , e n ­
carg án d o le al otro que d iera despacio a la
bomba.
L a boca de la h o rre n d a sim a ex h a la b a
a b u n d an te s y espesos v ap o res g risáceo s a
te m p e ra tu ra de 55 a 60 grados.
C uando p o r com pleto p e rd ie ro n de v is ta
el enorm e saco de flexible lona, en donde se
escondía el cuerpo au n m ás flexible y la fi­
g u ra esbelta, de la te m e ra ria e x p lo ra d o ra
bu cean te en el fuego, p alid eciero n todos.
— Soledad, si o cu rre u n a desg racia, yo
no vuelvo a M endoza: los v iejo s nos m a ta ­
ban p rim ero y se m o rían después. H em os
hecho m al en no av isarlo s de esto.
— ¡A v isarlo s!... ¡D esobedecer a la seño­
r ita ! ... No sabes lo que d ices... T o d av ía no
h a nacidiP el guapo que cuando m an d a ella
no obedezca.
— P o r eso he obedecido. P e ro si sale m a l...
Los abuelos no h a b ría n consentido esta b a r­
b a rid ad : y eso se h a b ría ganado.
— No seas p á ja ro de m al agüero. Y no
h ab lar, que nos distraem os. C ada uno a lo
suyo.
— Como no suba, m e tiro yo p o r ella—p ensaba el fogonero con el in s tin to de u n
leal terran o v a.

P asa ro n diez m in u to s de to r tu ra n te a n ­
g u stia, h a sta que, cuando ib an ya la rg a d o s
c u a re n ta m etro s de cable, oyó S oledad: A lto
el torno.
Poco después subió la voz de nuevo, o r­
denando: Más de p risa a la bom ba, h ace y a
dem asiado calor. Y en seg u id a: No ta n to ,
no ta n to ; va a co n stip arm e ese b o rric o ; v ie ­
ne el ag u a m uy fr ía ... Así va b ie n ...
C uando la C ap itan a dió la o rd en de n o

48

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

la rga r más cable, fué por haber llegado a un
resalto de la pared del cráter, que, suspen­
dido, como una plataforma, sobre la obscuri­
dad de sus entrañas, formaba un rellano de
diez metros de ancho por treinta de largo,
comparable a un descansillo en el tubo de
un enorme ascensor.
— Tengo suerte— exclamó—audaces fortu ­
na juvat— hasta latín sabía María Pepa— ,
pues mucho me equivoco si aquellos cantos
no son de taliuro. Creo que ya no tengo que
visitar más cráteres.
— ¡Uf, qué calor hace aquí!... Más agua
fresca, Soledad; más, todavía más... Así va
bien; estoy casi lo mismo que en Zaragoza
en la bañera.
En lo cual había un poquito de jactan­
cia para tranquilizar a su doncella, pues si
mucho sudaba dando a la bomba el fogo­
nero, más todavía sudaba María Pepa cir­
cundada de agua a 39 grados, lo cual ya no
es, precisamente, un baño de placer. Pero
se soportaba; y ya era conseguir, porque el
aire, o mejor dicho, los vapores ponzoñosos
que la rodeaban, habían subido conforme
ella bajaba hasta 71 grados.
No fué poca dicha hallar allí las muestras
de taliuro; pues a tener que bajar más, es
muy probable que al subirla después, sus
fieles auxiliares, hubieran encontrado, en el
talego, María Pepa cocida al baño de María.
Pero allí estaba el codiciado metal; no
solamente en cantos sueltos, sino en vetas
perfectamente visibles en la pared del ígneo
pozo.
Eminente geóloga, le bastó una mirada
para apreciar la riqueza del yacimiento, y
un breve rato de atento examen de las ve­
tas para enterarse de su orientación, de­
duciendo de ella por dónde convendría ata­
car exteriormente la ladera del monte, para
llegar con subterránea galería a la otra par­

te del filón, que tenía delante; pues la tem­
peratura que su baño iba tomando le decía,
bien claro que en aquel sitio en dpnde es­
taba podía permanecer los minutos indis­
pensables para un reconocimiento, pero que­
sería insensatez llevar allí mineros, ni aun
envueltos en nieve, para arrancar el mi­
neral.
*
— Más agua, más. Arriba, arriba...
Ya era tiempo, pues al llegar a lo alto to­
davía no estaba completa la cocción de la.
atrevida hija de la ciencia, pero faltaba,
poco.
*

*

*

— ¿No dijo usted antes que esa señorita,
había sufrido un accidente?— pregunté yo a.
mademoiselle Thellis— . ¿Es que está usted!
inventando una paparrucha y se trabuca?
— De ningún modo, caballero. Todo estoes positivo; y en este mismo instante en­
tro— usted no puede entrar— en la barraca,
al borde del cráter instalada para hacer ofi­
cios de circunstancial tocador de María.
Pepa, quien ahora mismo, ayudada por So­
ledad, se está mudando de traje. Y puedo
asegurar a usted que no parece la misma
criatura de alabastrino cutis que todos co­
nocemos, sino langosta recién sacada de hirviente olla; sólo que ésta está viva.
— Pero usted había anunciado un grave
accidente, un salvador, y ahora resulta todoreducido a que la víctima se nos ha puestoun poco colorada de más.
— Yo no tengo la culpa de que usted haya,
dado por hecho que el accidente tenía for­
zosamente que ocurrir en el chapuzón vol­
cánico, cuando no sobrev.no sino más ade­
lante; pues esta chica no escapa de un peli­
gro sino para zamparse en otro. Pero hoy nopuedo ya seguir: estoy cansada y deseo des­
pertarme. Tenga paciencia hasta mañana.

XIV
LOS HOMOQUINAS Y LA VOLCANICA CATASTROFE DE MAÍPO
Tras de lo dicho, coser y cantar fué arran­
carle al volcán el taliuro que defendía con
abrasadores resoplidos; pues en vez de ata­
carlo de frente, por donde resollaba, supo
buscarle bien las vueltas María Pepa, gra­
cias a una brujulilla minera, con la que
cuando estuvo abajo determinó el rumbo
del filón en lo interior de la montaña. Una
vez fuera, averiguó con nivel y taquímetro,
hacia qué lado convenía abrir, en la ladera,
boca a la galería o túnel que había de con­

ducir hasta la veta mineral, para atacarla,
en parte, que, por lejana del cráter, no estu­
viera a temperatura que opusiera invenci­
bles obstáculos a la extracción.
%
Una barrena de puntas de diamantes, por
el estilo de las empleadas en la perforación,
de túneles, pero más perfeccionada y más.
pequeña, porque bastaba dar a la galería dos
metros de alto por otros tantos de ancho,,
comenzaba pocos días después a abrir ca­
mino soterrado de la ladera al cráter, o me-

Pero allí eslaba el codiciado metal.

49
dura desprovista de articulaciones. Por ello,
cada traje iba montado sobre un carrito
automóvil movido por acumuladores, que
adonde fuera menester lo llevaba y traía,
y con él & quien dentro del mismo se me­
tiera; pues no había que pensar en que el
peso del traje consintiera a su dueño dar ni
un solo paso.
Una manivela a la altura de la mano iz­
quierda permitía, con pequeñísimo movi­
miento de ésta, lanzar la corriente de los
acumuladores al motor del carrito. El mo­
vimiento hacia arriba de la manivela servía,
para emprender la marcha; bajándola, ce­
saba ésta; desviaciones del manubrio a de­
recha e izquierda, hacían que el carro vol­
viera 4 dichos lados.
Suele oírse comúnmente que Fulano lleva
un traje de alpaca, o Zutano un gabán de
pieles; pero en la mina de Maipo no cabía
decir que María Pepa ni sus mineros lleva­
ran trajes de plomo, porque los trajes los
llevaban a ellos.
Mas no pudiendo los obreros andar ni le­
vantar sino unos centímetros, y eso penosa­
mente, brazo o mano, ¿cómo pretendía Ma­
ría Pepa que manejaran el pico ni la pala,
ni que empujaran vagonetas?... Porque en
toda dificultad y en todo atasco encontraba
salida el inagotable y fresco ingenio de
aquella sin igual inventora, que montando
una rueda en el costado derecho del traje,
y articulando en el contorno de ella un ber­
biquí de diamantina punta, un pico, unas
tenazas y una pala, todo a la altura de la
mano del minero, dió medios a los suyos de
emplear, sucesiva y discrecionalmente, tales
herramientas para romper el mineral, arran­
carlo y depositarlo en un cajón o vagonetilla
del mismo carrito, que con no tener sino
tres decímetros en sus tres dimensiones, car­
gaba, por el grandísimo peso del taliuro, una
tonelada en cada viaje.
Todo, todo esto, tan difícil de idear, y tan
sencillo una vez ideado, lo había discurrido
María Pepa en un momento. Los detalles de
fabricación los vigiló Fognino, que dirigió
la de los trajes, carrillos y herramientas que,
reunidos, formaban un solo y único aparato,
al cual se dió el nombre de auto-moto-mv
ñero.
La manivela de la mano izquierda regu­
laba la marcha; la de la derecha enviaba
fuerza eléctrica al berbiquí, el pico, la pala,
etcétera. Y el trabajo y el acarreo hacíanlos
los obreros sin gastar las propias fuerzas,
descansados y ociosos en sus trajes, con sólo
abrir, cerrar o conmutar las llaves de una
corriente eléctrica. Estos, éstos sí que eran
verdaderos homo-múquinas: esto era econo­
mía de humanas fuerzas.

DE LOS ANDES AL CIELO

jor dicho, a sus inmediaciones, pues antes
de llegar a él tropezaríase con el filón bus­
cado.
La barrena roía y desgranaba la durísima
piedra en el caparazón del volcánico cono;
las cuadrillas de mineros acarreaban al ex­
terior los pedazos de roca en vagonetas que
corrían hacia la boca del recién abierto tú­
nel; María Pepa examinaba los pedruscos en
acecho del primero que mostrara vestigios
de taliuro, el cual llegó a los sesenta y cin­
co días de trabajo, cuando la galería alcan­
zaba 200 metros de longitud. Según cálcu­
los de la ingeniera, indicaba esto que entre
el final de la galería y la chimenea del
volcán sólo quedaban 17 de roca.
Tratábase, pues, de un yacimiento geoló­
gicamente insignificante, pero capaz de su­
ministrar quince o veinte veces más mine­
ral del que María Pepa necesitaba para su
autoplanetoide.
Pero como en aquel momento comenzaban
los verdaderos peligros de la extracción,
procedentes de las terribles radiaciones del
metal que estaba ya a la vista, se tomaron
precauciones, siendo las primeras detener el
funcionamiento de la perforadora, sacarla
afuera, retirar todo el personal de la gale­
ría, y no consentir que en adelante entra­
ran nunca en ella los obreros, sino bien en­
fundados en trajes especiales, hechos en
Mendoza, con arreglo a diseño de María Pe­
pa, y subidos a Maipo días antes, en espera
de ocasión de emplearlos.
Porque no ha de olvidarse que en cuanto
los mineros comenzaran a rascar en el filón
de taliuro, ellos y su ingeniera iban a ha­
llarse, no enfrente del kilogramo de radio,
que aun siendo sólo hipótesis, aterrorizaba
al sabio profesor Curie, sino envueltos, su­
midos en las radiaciones y emanaciones
—doce veces más intensas que las de aquel
metal—de muchos kilogramos de cinetorio
contenidos en el taliuro. Era preciso, pues,
acorazarse, y para ello servían los trajes
precitados hechos de hojas relativamente
delgadas de plomo: material elegido a causa
de la ^ran resistencia que tal metal ofrece
a la penetración de las sutilísimas radia­
ciones radioactivas.
Ya se supone que la tela de estos trajes
no sería flexible ni ligera; sin embargo, la
blanda maleabilidad del plomo y la delga­
dez de sus hojas, no más gruesas que diez
de las usadas para envolver chocolate, per­
mitían los escasos e insignificantes movi­
mientos que los obreros tenían que hacer y
podían realizar, sobrecargados con el peso
de aquellos vestidos, dentro de los cuales
quedaban condenados a inmovilidad casi ab­
soluta, cual caballeros medioevales en arma­
B iblioteca N ovelesco -Científica

D e los Andes al Cielo .

4

50

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

Por ser demasiado largo el nombre de
auto-moto-obreros, sobre él prevaleció el re­
cién indicado, pero con simplificación que
lo redujo al de homóquinas.
Las precauciones adoptadas para preser­
var a los minero» de los terribles, aunque
invisibles bombardeos de la radiación cinetórica, que los envolvía en cuanto llegaban
a la rotonda de extracción, eran tan extra­
ordinarias cual requería lo tremendo del pe­
ligro; agregándose a ellas formal prohibi­
ción de que nadie permaneciera, ni aun aco­
razado, más de diez minutos en la citada ca­
verna, ni volviera a ella sino después de
otros tantos de oreo, al exterior, de las per­
sonas, y de esterilización de los trajes en
una enorme máquina descinetorizadora, que
los limpiaba de las partículas de la peligrosa
emanación, que, aun sin penetrar todavía
en la entraña del plomo, se adhería a su su­
perficie durante las etapas del trabajo.
Por supuesto que no era preciso vigilar
el cumplimiento de estas órdenes, pues, sin
necesidad de que nadie los echara, salíanse
los obreros, antes a veces de los diez minu­
tos, para escapar al intolerable calor.
Este calor es perfectamente explicable,
por ser sabido que el radio tiene siem­
pre temperatura superior en grado y medio,
dos, o aun tres y cuatro grados (1) a la de
cuanto lo envuelve o lo rodea, sea ésta baja
o alta; pues sumergido en agua a cero gra­
dos, sube el radio a dos o cuatro grados, a
veintisiete o veintinueve en una habitación
donde el termómetro marque veinticinco, y
a 102° ó 104° en agua hirviente a 100°.
Recuérdese ahora que el cinetorio era—
según muestras—de nueve a doce veces más
activo que el radio, con lo que su exceso de
temperatura oscilaba entre 18 y 48 grados.
Agréguese a ello que siendo grandes las
cantidades de él que en Maipo había y muy
pequeña la cámara de extracción, aquel
constante y elevado desprendimiento de ca­
lor tenía que hacer subir extraordinariamen­
te la temperatura en el fondo de la gale­
ría; sin que a nadie pueda extrañar llega­
ra allí a los 40 grados, siempre agobiantes,
pero más dentro de los trajes de plomo. Y
gracias a que, estando la boca de la mina
a siete mil metros de altitud, bien adentro
en la región de las nieves perpetuas, la tem­
peratura exterior era de 20 a 30 grados
bajo cero, muy adecuada para establecer re­
frigerante ventilación, galería arriba, que
evitaba subiera el termómetro en el fondo
de ella por encima de aquellos 40 grados.

En Mendoza no hubiera sido posible la ex­
tracción del taliuro, a menos de haber com­
binado, en un mismo figurín, la armadura
de los homóquinas y la bata hidrológica por
María Pepa usada en el volcán de Maipo.
Una interesantísima novela, la novela del
radio, en el caso presente la del cinetorio,
podría escribirse, y aun puede asegurarse
que se escribirá, narrando impresionantes
aventuras e interesantes peripecias del tra­
tamiento químico - eléctrico empleado para
extraer el radio, o el cinetorio, de los mine­
rales de uranio o de taliuro, operación to­
davía más peligrosa que el arranque de la
mina. Mas como tal novela no cabe dentro
de la presente, atengámonos a ésta, dicien­
do solamente que en una magnífica fábricalaboratorio, cercana a la boca de la galería,
y bajo la dirección de Haupft y de Fognino,
se aplicaba dicho tratamiento al mineral ex­
traído de Maipo.
Dicho ya esto, entremos en la fábrica,
donde nos lleva deseo de enterarnos...
¿Qué es eso?... Parece un estampido reso­
nante hacia el volcán de Maipo... Ya no se
oye nada... ¡Bah! Un barreno, cualquier
cosa. Vamos adentro.
Pero apenas entregadas nuestras tarjetas
al portero, con encargo de pasárselas al se­
ñor Haupft, un gran vocerío nos hace salu­
de nuevo afuera, y vemos... Pero para decir
qué ha pasado, necesitamos dar antecedentes.
Pareciéndole a María Pepa que, aun rien­
do los diez y siete metros de roca viva que
separaban la cámara de extracción del ta­
liuro de la chimenea del volcán espesor su­
ficiente, en circunstancias ordinarias, para
tranquilizar al más timorato ingeniero, no
eran bastantes para quitar toda aprensión
sobre la vecindad de dicha chimenea a quien,
como ella, iba ya advirtiendo síntomas de
renaciente actividad, aun cuando lenta, del
volcán, quiso tomar precauciones para que
no se debilitara aquella única barrera con­
tra el aliento abrasador del inmenso horno
que en las entrañas de la Tierra arde. Al
efecto, previno terminantemente a Fouciño,
el contramaestre brasileño, que solamente
de las paredes laterales de la caverna per­
mitiera arrancar mineral, pero nunca de la
del fondo, donde, precisamente, era más fá­
cil el arranque, por la disposición de los es­
tratos o vetas del taliuro, según hizo notar
Fouciño al recibir aquella orden; ganándose
un buen réspice, por suponer que cosa de
tal monta podía escaparse a la ingeniera.
Aunque, por practicón y vanidoso, era el
contramaestre terco; aunque pensaba que(1) Datos resultaDtes de las últimas observa­ un volcán dormido hacía trescientos años
ciones de diversos experimentadores en diferen­ no habría de despertarse por golpe de pico
tes circunstancias : Rutherford, Thomson, Le Bon. más o menos, se sometió. Pero pasados unos

DE LOS ANDES AL CIELO
días fué reprendido por María Pepa, a cau­
sa del escaso rendimiento del trabajo; y al
siguiente comenzó, a espaldas de ella, a ha­
cer que sus mineros arrancaran taliuro en
el sitio prohibido, donde cundía más la ex­
tracción: resultando que a la tercera jor­
nada, después de dada esta orden, vióse
obligado a rebajar la máxima permanencia
de los liomóquinas en la caverna, porque el
calor, que, aun siendo siempre fuerte, se ha­
bía mantenido hasta entonces constante, au­
mentaba. excesivamente.
Al otro día, hallándose María Pepa en la
boca de la mina, la sorprendió que las cua­
drillas se relevaran cada siete minutos, y
•ver salir el mineral humeando ?n las vago­
netas.
— Fouciño, ¿por qué son ahora más fre­
cuentes los relevos?
—Porque hace allá dentro un calor de los
mismísimos demonios. Vea usted cómo sale
el mineral.
— ¿Más que antes?
— 31, señora.
— ¿Y qué razón puede haber para ello?
Lsta pregunta no se dirigía al contra­
maestre, sino al volcán, o más bien al pe­
nacho de vapores oscilante en lo alto de su
cráter. Pero Fouciño, que empezaba a sos­
pechar pudiera ser suya la culpa de la in­
sólita elevación de temperatura, se dió por
aludido; y, poniéndose la venda antes de
ser descalabrado, e intentando cargar el
muerto a quien pensaba no podría defender­
se, respondió:'
— Pregúntelo al volcán. Se conoce que hoy
está más caliente.
— Ya, ya se lo pregunto— repuso María
Pepa sin agregar palabra, pues su atención
se concentraba fijamente en unas vedijas
blancas, ondulantes en la humareda de gri­
sáceos y negruzcos vapores que del cráterr
subían. Pasó un minuto; el entrecejo de la
ingeniera jefe se fruncía, delatando hondo
trabajo mental, hasta que al cabo repitió:
— Ya se lo pregunto, señor Fouciño. ¿Y
sabe usted qué contesta el volcán?
— No es fácil. No entiendo su lenguaje.
— Yo sí... Y me dice que hoy está más frío
que los días anteriores.
— Puede ser, pero yo a las pruebas me
atengo... Y si no, que lo digan los piconeros
que allá adentro no aguantan.
— No hace falta, lo dice el volcán mismo...
¿Sabe usted qué son aquellas nubecillas
blancas?
— Claro que lo sé: vapor de agua que sale
con los otros vapores.
— ¿Y sabe usted también por qué suben
esos a lo alto, mientras las nubecillas blan-

51

cas de vapor de agua desaparecen antes de
llegar a igual altura?
— Naturalmente: porque con el frío que
hace, se vuelve el vapor nieve y cae al
suelo.
— Eso es; pero lo que usted ignora es que
las otras tardes- llegaban las nubecillas blan­
cas veinte o treinta metros más altas que
hoy, es decir, que tardaban más tiempo en
convertirse en nieve. Y una de dos, o el aire
está más frío hoy, o ellas no salen del vol­
cán tan calientes... ¿Verdad?... Pues m ire
usted el termómetro, y verá que hoy hace
menos frío que los días pasados... Por lo
tanto, ese vapor de agua, y en consecuencia
la montaña que lo arroja, están menos ca­
lientes que los días anteriores.
El contramaestre estaba confundido con
la penetración de su inmediato jefe, y em­
pezaba a creer que, aquella vez, le fallaba
su práctica.
— Y sepa usted además, señor Fouciño,
que la respuesta del volcán, a la pregunta
que usted me dijo hiciera, es para mí vehe­
mente indicio de que la culpa de lo que pasa
ahí dentro es la ignorancia vanidosa de
quien ha desobedecido a quien sabe más
que él.
— Señora. Juro a usted...
— No jure; no hace falta, porque vamos
a verlo. Póngase usted inmediatamente el
traje de faena... Soledad, Soledad, trae mi
armadura, y ayúdame a vestir.
Minutos después María Pepa y Fouciño
entraban en la rotonda de extracción. El
calor era asfixiante.
La ingeniera iba pertrechada de instru­
mentos para comprobar si la profundidad
de la caverna había aumentado por la de­
gradación de su pared frontera, pero no ne­
cesitó emplearlos, pues al entrar vió a doce
liomóquinas arrancando mineral de ella.
La membrana telefónica transmisora, del
casco de María Pepa, vibró diciendo:
— ¿Lo ve usted, señor Fouciño? Me ha
desobedecido usted, comprometiendo el éxi­
to de la explotación y la vida de sus obre­
ros. Ya arreglaremos esa cuenta en cuanto
enmiende, si es que puedo, su torpeza.
Por telefonía sin alambres, habitual me­
dio de comunicación entre aquellas gentes
encerradas en sus fundas de plomo, sin po­
sibilidad de oírse ni hablarse directamente,
llegaron las anteriores palabras a la mem­
brana auditiva del casco de Fouciño, que
nada contestó.
— Todo el mundo afuera: ahora mismo,
ahora mismo, que aquí hay mucho peligro.
No, no, usted, no, Fouciño. Nosotros nos
quedamos; tenemos que reconocer esto.
Y que quieras que no, allí se quedó el

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

52

contramaestre, sujeto por el zapapico del
traje-máquina de María Pepa, que metió su
punta entre los rayos de la rueda de herra­
mientas del brasileño, impidiéndole seguir
a los demás obreros. Estos no se hicieron
repetir la orden para echar a correr, o a
rodar, mejor dicho, galería abajo..
Comenzó el reconocimiento...
— Esto no tiene remedio— decía la capi­
tana— . A lo sumo nueve metros de espesor...
Pero, además, al otro lado ocurre algo anor­
mal... Esta roca retiembla... Ese ronquido
que se oye ahí dentro... Parece como si el
volcán jadeara... ¿Una erupción?... ¿Un
atasco de la chimenea?... ¡Afuera, Fouciño,
afuera!...
Dieron vuelta, ella y él, a las manivelas,
giraron los carrillos, y, enfilando la galería,
comenzaron a rodar velozmente.
Ya era hora. De haber perdido unos se­
gundos más, no habría podido María Pepa
poner su máquina en movimiento; pues ape­
nas la corriente de los acumuladores im­

pulsó los carrillos, perdió, la infeliz, el sen­
tido, medio asfixiada por el calor ardiente
de su traje de plomo; no cayéndose al suelo,
como suele caerse todo el que se desmaya,,
porque la rigidez de su metálico atavío la
mantenía colgada, como de dos muletas, de
las abrazaderas del sobaco. Y de pie, y des­
mayada, corría, corría.
Pero no tan de prisa como los abrasantes
volcánicos vapores de la explosión, que, de­
rribando el inseguro muro, salían cual ven­
daval huracanado por la galería. No sien­
do poca suerte que solamente la alcanzaran
cuando llegaba ya a la boca de la mina; pues
si no, la habría asado el volcán, que no pudo
cocerla. Pero al llegar a ella, la encajonada
ráfaga empujó por la espalda su armadura
metálica, aumentando la velocidad de la ca­
rrera que la sacaba a la plazoleta (sobre la
cual abría la mina) en recta dirección al
precipicio que caía de la explanada al ven­
tisquero.

XV
UN

SALVAMENTO HEROICO, DOS DESM AYOS
Y VARIAS COSAS RARAS

A no salir María Pepa desmayada habría
cortado, como Fouciño lo hizo, la corriente
que movía el carrillo, quedando todo en un
susto, de poca monta para quien no pecaba
de asustadiza. A no ir cubierta por la ar­
madura, liabríanse enterado los mineros de
su apurada situación, y corrido a salvarla
del peligro que corría corriendo desmayada.
Es decir, entonces no habría corrido... Sí,
correr, sí; habría corrida... peligro, pero no
habría corrido a la carrera; y como la ha­
brían visto desvanecida... Tampoco, porque
sin la armadura que la sostuvo, al desmayar­
se, se habría caído antes de salir de la ga­
lería; y no saliendo, mal podían verla...
Bueno, dejémonos de suposiciones dema­
siado enredosas, por lo extraño del caso, so­
bre lo que podría haber pasado, y veamos
qué pasó.
El traje armado, que fué la salvación de
María Pepa dentro de la mina, la llevaba a
la muerte; pues cuando los obreros la vie­
ron aparecer en la boca de aquélla la cre­
yeron en salvo, suponiendo que si iba tan
de prisa sería porque la urgiera llegar a al­
guna parte. Además, lo que salía detrás de
ella de la mina— de esto ya se hablará—bas­
taba a distraer y alarmar a los mineros, de
modo que la detención de la disparada ca­

pitana, posible a su salida del volcánico an­
tro, no lo era ya a los pocos segundos, cuan­
do, pasando como un rayo entre los grupos,
se distanció de ellos de tal modo que no ha­
bía ya quien pudiera alcanzarla. Y esto sin
contar que detener aquel armatoste de plo­
mo lanzado a gran velocidad ,y erizado de
zapapico, berbiquí y demás herramientas,
punzantes unas, contundentes otras, era proe­
za para intimidar al más valiente.
Un grito de Soledad, primera que se diocuenta del peligro de su ama, se lo hizo ver
a todos.
— Se ha disparado el motor.
— No, es que no ha bajado la manivela.
— ¡Va derecha al ventisquero!...
Y a despecho de convencimiento de la
imposibilidad de alcanzarla y de prestarle'
auxilio, todos corrieron en pos de ella, g ri­
tando cada lino lo que se le ocurría, pero
ninguno cosa de provecho.
Con la velocidad de un corzo, y hacién­
dose engañosas ilusiones de llegar a tiem­
po, iba Santiago a la cabeza de los persegui­
dores de la obscura y extravagante silueta
del metálico artefacto, que avanzaba trági­
co, fatalmente siniestro, hacia el despeiiadero.
De pronto un desconocido, un hombre, no-

DE LOS ANDES AL CIELO
de plomo, sino de carne, hueso, nervios y
de esforzado corazón, surgió de detrás de
un peñasco, al borde mismo de la sim a;
avanzó a interponerse en el cam ino de Ma­
ría Pepa, se detuvo y dió fren te al dispa­
rado artefacto, decidido a a fro n ta r el en­
contronazo de su plom iza masa, con tal de
detenerlo.
¡Qué locura! ¡D etener con el cuerpo un
autom óvil!
T rescien tos pasos, m enos de un minuto,
les separaban solam ente; mas la actitud del
tem erario forastero no era la del atleta que
se apresta a agu an tar, a fuerza de jarretes,
rudo choque, sino la de ágil lidiador de to­
ros bravos que, capote al brazo, espía el
instante de co rtar el v ia je de la res, que­
brantando su im pulso, al hacerla cam biar,
con un quiebro del cuerpo, la dirección de
la carrera.
Lo solem ne del tran ce detuvo la del tro­
pel de corredores, enm udecidos de im pro­
viso por el asombro y la emoción.
Doscientos pasos... cien ...
— ¡Cuidado con ,el encontronazo!— gritó
S an tiago — . B aje la m anivela, que va alza­
da, y parará.
— ¡A l cuarteo, al cuarteo, por la izquier­
d a !— chilló Soledad, que, haciéndose cargo
perspicazm ente de la urgencia de in dicar a
qué lado estaba la m anivela, decía claro, a
quien de toros entendiera, que nada para
él sería tan expresivo como un consejo tau ­
rom áquico; y de toros sabía mucho la sevi:
llan ita.
De entenderlo dió pruebas en seguida el
fo ra stero ; pues cuarteó efectivam ente, y con
toda lim pieza, hurtando el cuerpo al golpetazo, al propio tiem po que su mano caía so­
bre la enhiesta m anivela. Al b ajarla arrancó
clam ores de entusiasm o a la conm ovida m ul­
titu d , e hizo decir a Soledad, tran qu ila ya
por su am a: ¡V aya un cuarteo lim pio! ¡Bien
se ve que no es éste el prim ero!
Pero, instantáneam ente, lo que nació cla­
m or de regocijo, trocóse en alarido de te­
rror. Porque la m an ivela había bajado, sí,
pero en seguida las encontradas fuerzas de
la mano que la sujetaba y de la velocidad
adquirida en la ca rrera por la m áquina
— 'fuerza viv a que dicen los m ecánicos—
im prim ieron un giro a la m anija, que, vo l­
vien do a la izquierda el timón del ca rrillo y
dando m edia vu elta com pleta al arm atoste,
lo revolvieron contra el desconocido, sobre
cu y a espalda cayó el zapapico, antes situa­
do a la derecha, derribándolo en tierra.
— ¡Jesús! ¡Lo em pitonó!— g ritó Soledad
horrorizada.
— ¡Lo empitonó, lo em pitonó!— chillaron
todos.

53

M ar¡a Pepa continuaba corriendo, desm a­
yada todavía, pero ahora en círculo, a cau­
sa de la perm anente inclinación en que la
torcida m an ivela m antenía el tim ón del apa­
rato. G racias a esto pudo ser fácilm en te de­
tenida.
L e quitaron el casco... ¿E staba m u e rta 7
No, solam ente desm ayada. Y como no er«,
fácil sacarla en tal estado de su rígido tra ­
je, dentro de él resolvieron con ducirla al
laboratorio para tra ta r a llí de rean im arla.
— ¡Y aquel pobre hombre, tendido allí, es­
tará desangrándose!— exclam ó Soledad, en
cuanto vió quieta a su am a— . Yo he tenido
la culpa, por no g rita rle que los homóquinaa
no cornean m ás que por la derecha; pero n i
me acordé ni me dió tiempo. Vam os, vam os
corriendo.
Ella, S a n tia go y unos cuantos m ineror
llegaron donde yacía inerte el héroe, que,
a Dios gracias, no se desangraba, pues el za­
papico no lo hirió de punta, sino que, go l­
peándolo de plano, con violencia, en la es­
palda, lo derribó al suelo, donde al caer se
abrió una brecha en la cabeza, que tam poco
sangraba, pues la sangre se coalugó, al sa lir,
entre el cabello.
No p arecía la herida cosa grav e; pero et
herido no m ovía pie ni mano, porque, cu al
M aría Pepa, estaba sin sentido.
¡Salvad or y salvada desm ayados los dos!...
¿C asualidad fo rtu ita? ¿Coincidencia p ro vi­
dencial de sinos?... ¿Psíquicas arm onías?...
H uelga decir, pues el tufillo del estilo lo
revela a la legua, que esas peliagudas pre­
gu ntas las hace m adem oiselle T h ellis a gita ­
da en su hipnótico sueño por curiosid ades
prem aturas.
Después de un p rolijo reconocim iento
p racticado por Soledad, teniendo en su re­
gazo la cabeza del herido, declaró la m ucha­
cha que la descalabradura no era de cuida­
do, ni lo otro tampoco, por no tra ta rse de
cornada, sino de un m ero varetazo.
D iagn óstico que una vez oído por S an tia­
go produjo un rifirrafe entre gallego y se­
v illa n a ; pues tan pronto se enteró él de que
no había riesgo de m uerte, gruñó m uy en­
fadado, que eso y a lo sabía desde que v ió
a la en ferm era m irar y rem irar m ucho m ás
a la cara del descalabrado que a la descala­
bradura, y que tanto tard a r y tantos mimos
no eran para el herido, sino para el buen
mozo.
L a verdad es que lo era en toda la exten­
sión de la palabra; y estoy seguro que,
tenerlo delante, serían las lectoras de !a opi­
nión de Soledad...

54

V IA J E S P L A N E T A R IO S

—¿Y cómo era?—pregunta una curiosa.
No habiéndolo yo visto, ni esperando ver­
lo, pues no pienso llegar al año 2185, sólo
sé que igualmente les gusta a la andaluza y
a la pitonisa francesita que nos cuenta todo
esto. Con ellas atestiguo. En cuanto a las
lectoras, pínteselo cada una como más le
plazca.
El ruido que, empujando a María Pepa,
dentro de su armadura y conduciendo a su
salvador en una camilla, hacían los obreros
fué el que nos impidió enterarnos de la pre­
paración del cinetorio cuando a la fábrica
llegábamos.
En cuanto Haupft y Fognino se percata­
ron del doble accidente, acudieron alarmadísimos; y ha de reconocerse, en honor de
la verdad, que se preocuparon poco con el
salvador por atender a la que aún no sabían
si ya estaba salvada. Felizmente, este aban­
dono fué remediado por Soledad; pues ocu­
pado por los viejos el puesto de ella junto
a su ama, a nadie, sino a Santiago, podía
causarle extrañeza que dedicara al foraste­
ro sus cuidados, en breve coronados por éxi­
to que no obtenían los sabios con su nieta;
pues cuando el enfermo asistido por la don­
cella recobraba el conocimiento, desmayada
seguía María Pepa. Verdad que su postura,
con todo el peso del cuerpo pendiendo iner­
te sobre las duras sisas del metálico traje,
que le oprimían las axilas, no era la más
adecuada para normalizar circulatorias per­
turbaciones, que seguramente no habrían
llegado a normalidad por obra de los aton­
tados abuelos, a no echarlos de allí aquella
pimienta de Triana (1), asumiendo la di­
rección de todo.
Lo primero era librar al “ arma mía” de
apreturas, sacándola “ der mardesío estuche
que me ajoga mi perla” . Y como la paciente
no podía ayudar a la extracción, no había
sino romper el susodicho estuche, lo cual
quedó hecho en diez minutos con la ayuda
de una tijera de cortar chapa metálica, que
la dispuesta moza hizo traer de los talle­
res de calderería. No se ahogaba en poca
agua: la misma decisión y rapidez de jui­
cio de su ama, para salir de científicos atas­
cos, demostraba ella en los vulgares, pero
apretados, trances de la vida.
Gracias a su despacho y serenidad volvió
en sí María Pepa, a los pocos minutos de
descansar tendida en un sofá, de untarle las
sienes con no sé qué, y de hacerle oler cosas
de que tampoco me he enterado. Además,
como el pasado desvanecimiento no obede(1) Barrio de Sevilla habitado por gente artcsana, pero que se distingue por su despierto in­
genio.

EN

EL

S IG L O

XXH

ció sino a exceso de calor, ya no sentido, en
seguida se halló perfectamente despejada y
sin otra molestia que el molimiento de cuer­
po y los dolorcillos consiguientes a la incó­
moda suspensión en que había estado. Pero
¿qué valían tales pequeñeces para muchacha
de su temple? Nada.
María Pepa no era como las vulgares he­
roínas de novela, que cuando recuperan el
sentido preguntan siempre ¿dónde estoy?,
con temblorosa voz y languidísima mirada.
¡Ca!... Si eso lo vió en seguida, ¿a qué iba a
preguntarlo?... Lo que saltando del sofá al
suelo preguntó inmediatamente fué:
—¿Ha habido desgracias?... ¿Ha sido una
erupción?...
Rápidamente la informaron de que ni ha­
bía desgracias ni el volcán presentaba, tras
el pasado desahogo, síntomas inquietantes.
—¿Y en qué estado ha quedado la mina?
¿Podrá reanudarse la extracción?... Vamos
a verlo...
Ya llegaba a-la puerta cuando, acordán­
dose Haupft de que allí estaba un heroico
salvador a .quien, nadie había dado todavía
gracias por el salvamento, la detuvo para
enterarla de lo ocurrido durante su desma­
yo; relato en que al llegar a la escena cul­
minante— aparición del salvador, sereno he­
roísmo de él, herida recibida—le quitó la
palabra Soledad para poner en la pintura
vividos colores que faltaban en la paleta del
anciano.
—¿Y dónde está ese caballero? Quiero dar­
le las gracias.
—Aquí, aquí—contestó la doncella, que ya
avanzaba para ser ella quien efectuara la
presentación del todavía incógnito persona­
je, sin reparar aún, de Soledad se habla,
que la visible insistencia y el placer eviden­
te con que el forastero la había estado m i­
rando desde que recobró el sentido tenían
ahora diferente objeto; pues María Pepa, y
sólo María Pepa, era ya quien tiraba de sus
ojos, aun cuando a veces pareciera esforzar­
se en apartarlos, cual si aquella belleza He
asustara; pues, fuera timidez o diferentte
causa, lo cierto era que si bien la mirada dle
aquel hombre se posaba con frecuencia en
ella, hacíalo furtiva, fugitivamente, porqu<e
en seguida isu voluntad la desviaba con du­
reza, o acaso con remordimiento o con cora­
je. Entonces la varonil expresión franca y
cordial de su hermoso rostro obscurecíase,
tornándose hosca y recelosa.
-—Caballero, me ha salvado usted la vid;a
con riesgo de la suya... Como a expresar m.i
gratitud no bastan las palabras, espero seam
más elocuentes el temblor de mi voz, que
jamás ha temblado con temores; la hume­
dad de mis ojos, a los que el dolor física)

DE LOS ANDES AL CIELO

no sabe arrancar lágrimas, y este apretón de
manos, que para siempre ofrece gratitud que
no elvida y amistad a toda prueba.
—Con la cual colma usted... Quiero decir,
pagi, en más que merece, lo poco que yo he
hecho.
Y queriendo agregar: “lo que habría hecho
por cualquiera”, no atinó a decirlo.
Til fue la respuesta a la cordial expan­
sión de María Pepa. Perfectamente correcta
por lo que contenía, pero que, sin embargo,
la cejó perpleja; pues comenzada con voz
vibnnte de emoción y mirada que acaricia­
ba culcemente los humedecidos ojos de ella,
terminó en el indiferente tono de mera cor­
tesía Y la mirada se desvió hacia el suelo,
arrastrada por ceremoniosa reverencia.
E i aquel breve- instante parecióle a ella
•que ante sí había tenido dos hombres dife­
rentes, aunque igualmente hermosos: cor­
dial y expansivo, uno; ceremonioso, seco,
huriño, el otro. El primero se había desva­
necido; el segundo era el que urbano y co­
rreero, pero frío, casi hostil, tenía delante
de ella.
Til vez fue esta la primera vez que err-su
vida se sintió vacilante y confusa la resuel­
ta muchacha, turbada por insólitos temores
de quedarse por bajo o de excederse en ac­
titud y palabras de los requerimientos de la
situación; pero los titubeos duraron menos
que los transportes de agradecimiento con
que Fognino y Haupft abrumaban al desco­
nocido, participándole, muy orondos, que la
salvada era su nieta, callándose que sólo de
adopción; que era, además, sabia, prodigio
enciclopédico, ¡Gran Premio Castrejo!, bi­
zarra capitana y ángel dulcísimo, todo en
una pieza.
El abrumado sonreía a los viejos; lo que
advertido por María Pepa, la hizo creer que
el gesto duro y la mirada huraña fueron
aprensión de ella; pero sólo un instante le
duró tal creencia, pues al cruzarse nueva­
mente las miradas de ambos ya no le cupo
duda de que las afabilidades se otorga­
ban a los abuelos, pero no a la nieta, como
no fuera entremezcladas de esquiveces.
Pero aun cuando así sea—se dijo— ese
hombre me ha salvado la vida, le acabo de
ofrecer agradecimiento y amistad, y ni si­
quiera le he preguntado aún cómo se llama.
Y ya repuesta de su leve turbación, que en
cuanto rompió a hablar pasó al desconocido,
dijo con la gracia y soltura en ella ingé­
nitas:
— A todo esto, caballero, todavía ignoro a
quién debo la vida.
-—Alvaro Fairelo Carvoeiro de Mouriño
d’Abrantes, ingeniero electrónico de la Es­
cuela de Beira, doctor en Química radiante

55

de la Universidad de Santarem, capitán de
la Cuarta Flota de Aviones Ligeros de la
Armada Atmosférica Norteamericana y co­
mendador de la Sajona Aguila Bifronte del
Atlántico.
El señor de Fairelo comenzó a hablar un
poquillo temblón, cosa que le ocurría siem­
pre que iniciaba comunicación visual u oral
con María Pepa; mas según ensartaba ho­
nores, iba recuperando su perdido aplomo.
— ¡Ali! ¿No es usted español?...
-—No, señora; soy portugués por nacimien­
to y sangre; mas conservando mi naciona­
lidad lusitana, tengo el honor de prestar ser­
vicio en la gloriosa Aéreo-Armada YancoBri tánica.
— Por lo primero, casi, casi paisanos... Eso
a lo menos dice el afecto que a Portugal te­
nemos en España.
— Gracias— respondió secamente Fairelo
hallando en la añeja desconfianza lusitana
de cuanto es español apoyo en que afirmar
su sequedad con María Pepa. Y en seguida,
con prisa de poner fin a la entrevista, con­
tinuó:
— Y habiendo ya tenido el honor de salu­
dar a ustedes y ponerme a sus órdenes, es­
pero su licencia para retirarme.
— ¡Cómo! ¿No quiere usted quedarse a co­
mer con nosotros?— dijo Fognino.
— Mil gracias. Me aguardan en Mendoza.
A quien fuera buen observador, no se le
habría escapado cierto temblor medroso en
la voz de Fairelo al decir que en Mendoza
lo aguardaban.
Se despidieron todos de él, con despedidas
que inútilmente pretendieron caldear con
efusiones, y salió de la fábrica.
Cuando iba a subir al ciclo-avión que lo
había traído, y tenía en un rellano, detrás
del peñasco de donde saliera para salvar a
María Pepa, Soledad, que habría jurado que
aquel hombre no podía ser sino banderillero,
no pudo contenerse y preguntó:
— Pero si usted es aviador yanki y se ha
criado en aquellas tierras, ¿dónde demonios
ha aprendido a pqner banderillas?
— Yo no he banderilleado nunca.
— No puede ser: ¡aquel cuarteo!...
— Pero en mi país he parcheado muchas
reses bravas.
i
— ¿Parchear?...
— Es un deporte portugués.
Y sin decir ya más; sin dirigir ni una mi­
rada a la sandunguera sevillana, ni acordar­
se siquiera de darle gracias por sus cuida­
dos y asistencia; con la prisa del que esca­
pa a un peligro, tendió el vuelo en dirección
al llano de Mendoza.
Poco después llegaba el aparato a la azo­
tea de un elegante palacio de Challao en

5(5

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

las afueras de la capital, y el aviador ate­
rrizaba en los brazos de una rubia—pero
¡qué rubia!-*-que esperándole estaba.
Eso es aterriza r con suerte, dirán los avia­
dores que esto lean. Y no lo saben bien, pues
no conocen a la rubia; que si la conocieran
dirían tam bién: ¡¡¡Qué rubia!!! Pareciéndoles pocas las tres admiraciones.
—A la francesa, amigo—gritó picada So­
ledad, que cuando el forastero volvió en sí
se había hecho ciertas ilusiones con aquellas
insistentes e insinuantes miradas, que ella
no había soñado; pues le sobraba práctica
para apreciar la realidad en semejantes
lances.

Y al dar la vuelta iba pensando que aquel
mozo sabía poner, no solamente banderillas,
sino varas.
—Y lo peor no es eso, sino que yo se las
tomaba... ¡Pobre Santiago! S'erá preciso con­
solarlo...

—Pero, ¿cómo es ese hombre?... ¿Afable,
adusto?... ¿Franco, desconfiado?... ¿Amigo o
enemigo?...
¡Su enemigo quien la había salvado!....
¡Qué disparateí Estas preguntas se hacía a
sí misma una muchacha que no atinaba a
contestarlas; mas no se preguntaba si aquel
viviente enigma era feo o guapo.

XVI
EL VOLCAN SE SOSIEGA, Y PEDRO OLFATEA ALGO
Enfrascados hasta ahora en los problemas
de la preparación del viaje planetario y en
las hazañas y peligros de la capitana, nos
hemos descuidado en dar noticias de difi­
cultades e incidentes, no científicos, que en
los últim os meses del año largo que en
A m érica llevaba M aría Pepa habían llegado
a rém oras o a obstáculos, complicando la lu­
cha por ella sostenida con materiales fuer­
zas de la N aturaleza, ecuaciones y fórm ulas;
pues a todo ello se agregaba la ingerencia
entre estos incorpóreos personajes de la pre­
sente historia de otros de carne y hueso,
movidos por celos, codicia, vanidad herida;
por toda suerte, en suma, de miserias y pa­
siones.
Ha llegado ocasión de conocer a los nue­
vos actores humanos que dieron a esta his­
to ria carácter de pasional drama donde odio,
amor, envidia, abnegación, traiciones y leal­
tades lucharon en contra o a favor del éxito
científico y de la felicidad de M aría Pepa;
pero antes de trab ar conocimiento con tales
personajes, nos es preciso atar un cabo que
suelto se quedó en el último capítulo.
Un atasco, el atasco en que pensaba la in­
geniera instantes antes de desvanecerse, fué
la causa de todo. Un pequeño derrum ba­
m iento en la parte alta del cráter, accidente
frecuente en las tierras de los volcanes, tr a ­
bajadas por disgregantes acciones químicas
de los vapores corrosivos que por sus chi­
meneas se desprenden, había obstruido par­
cialm ente la del de Maipo. Con la obstruc­
ción parcial del cráter aumentó la presión
in te rio r de los gases, que rompieron la pa-

red de la galería, adelgazada por la im pru­
dencia del contram aestre brasileño, a no ser
por la cual, seguram ente h ab ría resistido
los escasos segundos que, según demostró
inspección posterior, tardó en desmoronar­
se y caer la pasajera obstrucción, dejan­
do nuevamente libre paso a los vapores com­
primidos.
He aquí cómo y por qué orden se sucedie­
ron los fenómenos físicos a que dió lugar el
accidente: primero, ro tu ra del m uro y lan­
zamiento de sus pedazos, galería adelante,
detrás de M aría Pepa, em pujada por la masa
de aire que los gases im pelían; segundo, vio­
lento desahogo de los vapores del volcán en
abrasante ráfaga por la boca de la m ina;
tercero, disminución, consecutiva a tal des­
ahogo, de la presión en la chimenea, que
aceleró la caída del tapón, desatascando el
cráter; cuarto, fuerte corriente que, en sen­
tido contrario al pasajero resoplido de aquél,
llevaba galería arriba el fresco aire de la
explanada a la chimenea del volcán, con
sibilante rumor, equiparable al producido
por una estufa al encenderse.
Después continuó Maipo en su cansino
resollar; p,ero nadie pudo volver a la ga­
lería; pues el que tem erariam ente lo hu­
biera pretendido, habría sido arrastrad o
por el tiro, ya perm anente en ella, como
una pluma es arrebatada, cañón arriba, en
una chimenea.
Por suerte, el accidente, que pudo ser
grave contratiempo, em barazando o imposi­
bilitando la extracción del taliuro necesa­
rio para el aviplaneta, resultó ventajoso;.

DE L 03 ANDES AL CIELO
pues los pedazos de roca, arrojados por la
explosión, quedaron esparcidos a las inmediacior.es de la boca de la mina, proporcio­
nando diez o doce veces más m ineral del
necesario, sin otro trabajo que el de reco­
gerlo.
Quísj explotar Fouciño en su provecho
dicha circunstancia, para eludir el castigo
de su tem eraria conducta, pero no le valió;
pues la serena firmeza de la Bureba no
cedía en casos graves, y ante las formadas
cuadrillas de m ineros lo despidió pública­
mente, por desobediencia contumaz, que ha­
bía puesto en riesgo un centenar de vidas;
notificándole, además, prohibición term i­
nante de volver a ejercer su profesión.
—Tengo m ujer e hijos. Necesito ganar
mi sustento y el de ellos.
—Están dadas las órdenes al Banco de
Mattogrosso, donde reside su fam ilia, de
pagar mensualmente, de mi particular pe­
culio, no a usted, sino a su esposa e hijos,
cantidad igual al sueldo que disfrutaba us­
ted aquí... Ellos acogerán a usted, ellos lo
m antendrán, si no encuentra otro medio de
ganarse la vida. Porque contram aestre no
volverá usted a ser en ninguna mina. De

57 ‘

eso estoy bien segura, pues he tomado pre­
cauciones para no ser desobedecida.
Ahí tiene usted un cheque para que pue­
da trasladarse a Mattogrosso. Puede usted
retirarse.
Al verlo ir, camino de Mendoza, díJo San­
tiago, el m aquinista, a Pedro el fogonero:
—No me gusta ese hombre.
—Ni a mí. Ha mirado de un modo a la
señorita, cuando ella le volvió la espalda.
¿Sabe lo que se me ocurre, don Santiago?
—¿Cómo lo he de saber?
—Pues echar detrás de él y, de un zu­
rrío, tirarlo a que se estrelle en el ba­
rranco.
—No seas bruto. ¡M atar un hombre sólo
por figuraciones!...
—Como usted mande. Pero...
Poco después, cuando Santiago contaba
a Soledad la brutal ocurrencia de Pedro,
contestaba ella:
—Como bruto lo es, no cabe duda; pero»'
esta vez se me figura que su olfato de p erra
valía más que nuestra inteligencia.

XVII
UNA SEGUNDA DAMA QUE, EN CUALQUIER OTRA HISTORIA,
HABRIA SIDO PRIMERA
Atados en el anterior capítulo los cabos
sueltos de los precedentes, van a e n tra r en
escena los nuevos personajes anunciados.
Prim ero y principal. ¿Quién era la rubia
que en la azotea abrazaba a Alvaro, apre­
tando bastante, si bien no tanto como solía
apretar bajo techado?
Pues una com pañera de arm as del ca­
pitán Fairelo, o m ejor dicho, jefe, pues te­
nía grado de com andante de Ingenieros en
la Cuarta Aérea División Ligera, en don­
de aquél servía... Dicho esto, a nadie ex­
tra ñ a rá que, al regreso de un viaje, abra­
zara a su amigo y compañero.
¿Que el amigo era am iga y además gua­
pa?... Mejor para él; mas no por eso dejan
compañerismo y am istad de ser satisfac­
to ria explicación de los abrazos de la azo­
tea. Los que no pueden ya explicarse por
iguales sentim ientos son los otros, los de
abajo, a que antes se ha aludido. Y, sin
embargo, eran muy explicables.
En nuestro sigio XX sorprendería la no­
ticia de que un distinguido Capitán de Avia­
dores había contraído m atrim onio con un

brillante Comandante de Ingenieros, au n
cuando fuera de ingenieros aéreos. Pero en
el siglo X XII la cosa era usual, corriente,
naturalísim a, porque el progreso realizado
por las hem bras al invadir todas las carre­
ras no había de interrum pir las agradables
relaciones entre sexos opuestos, ni ser obs­
táculo a la función procreadora de la es­
pecie humana. Así nadie, en Chicago, sintió
extrañeza al recibir, tres años antes, la si­
guiente esquela:
MISS SARA SAM-BULL
Comandante de la Ingeniería Aérea. Numeraria •
de la Academia de Ciencias de Boston,
Y

MISTER ALVARO FAIRELO
CARVOEIRO
Capitán Aviador de la Jt.a División Ligera, Doctorpor Boira y Santarem y Harreará,

Participan a autoridades y amigos haberse
unido en laico enlace. Y se despiden para
Nueva Zelanda.
Eran, pues, m arido y mujer, lo cual ex-

58

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

iplica todos los abrazos que les apeteciera
darse a la intemperie o abrigados: eran
marido y mujer, y no hay motivo para es­
candalizarse.
Pero eran marido y mujer laicos, califi­
cativo revelador de otro progreso, de una
institución mucho más cómoda que el anti­
cuado ^natrimonio meramente civil, donde
ya en el siglo X X se entraba de rondón sin
afrontar el riesgo de indisolubilidad, pen­
cando, al contraerlo, más que en la entra­
da, en la salida; pero que para conducir a
su natural término, -»el divordio, todavía
■obligaba a realizar una porción de inútiles
•diligencias, formalidades, gastos y moles­
tias, con las cuales acabaron en un peri­
quete los prácticos legisladores yanquis, in­
ventando el sencillo matrimonio laico: tan
fácil de anudar por un “ me place" cual de
desenlazar con un “ me da la gana” ; y no
de ambos, sino de cualquiera de los con­
trayentes, sin exigirle a éste fuera contan­
do historias, ni alegando pruebas a jueces
¡ni a jurados.
“ Ya no me gusta ésta” , “ya me aburro
con éste” . ¿Qué mayores ni más claros mo­
tivos para decir a ésta o a éste: “ Puedes
irte a paseo”, o “ ahí te quedas, que ahora
me gusta aquél o aquélla?”
Pero eso estaba ya inventado desde que
■el mundo es mundo, podrá decir cualquiera.
Sí, pero se llamaba barraganía, amance­
bamiento, lío, una porción de nombres feos
que asustaban a la gente; y lo que no esta­
ba inventado era darle oficial y respetado
estado en las legislaciones y en las socie­
dades, poniéndole presentable nombre de
matrimonio laico, que tenía la virtud de
convertir en decente señora a toda barra­
gana. Era la rehabilitación de millares y
millares de mujeres frágiles, que con sólo
dar parte de su fragilidad, quedaban lim ­
pias de reparo y maca. Así, únicamente las
contumaces que caían en secreto y no le­
gitimaban la caída con el laico parte, eran
rechazadas del trato y consideración de las
personas bien.
No eran pequeñas ciertamente las ven­
tajas anteriores; pero a ellas se agregaba
la de sencillez, verdaderamente práctica,
yanqui; pues las preliminares ceremonias y
formalidades necesarias para que el nuevo
estado produjera legales y civiles efectos
se reducían a la impresión de unas esque­
las cual la que antes se ha visto, y al envío
de ellas al alcalde, al juez, a los amigos;
menos aún, pues, en último „extremo, bas­
taba su inserción en tres periódicos.
A la inversa, esquela análoga, en que uno
■de los cónyuges participara a autoridades,
■conocidos y a la ex cara o ex caro mitad,

que se había descasado, sin dar explicacio­
nes que a nadie interesaban, dejaba a cada
quisque soltero y libre como el aire...
¿Los hijos?... * Estos matrimonios no so­
lían preocuparse con los hijos, pues la ci­
vilización había implantado l£.s cooperati ­
vas de lactancia y educación , que sin v i­
ciar con paternales mimos a los educandos,
y sin ñoñeces de familia, formaban hom­
bres serenos, fríos, aptos para desenvolver­
se en la vida práctica, y mujeres aun más
desenvueltas que los hombres.
Posible es que en 1918 todavía piensen
gentes rancias que "Sara y Alvaro estaban
lisa y llanamente amancebados; pero como
en 2186 decían ellos, y casi nadie los con­
tradecía, que se hallaban casados, cual ma­
rido y mujer se ha de hablar de ellos al
relatar sucesos de tal tiempo.
Sara tenía, según ya queda dicho, supe­
rior graduación que su marido, lo cual pu­
diera parecer atentatorio al prestigio del
que hoy llamamos cabeza de fam ilia; mas
sobre ser antigualla del mundo viejo la
masculinidad de tal cabeza, ha de adver­
tirse que hombres y mujeres usaban pan­
talones, aunque de diferente corte, en el
siglo X X II; y, sabido esto, nada más lógi­
co que cabeza fuera, en cada matrimonio,
quien los tuviera mejor puestos.
Era Sara de carácter más firme que A l­
varo; de más años: treinta y dos contra
treinta; muy rica y pobre él; guapa al ex­
tremo de haber ganado seis premios de be­
lleza en Yankilandia, que es la primera tie­
rra en cuanto a criar despampanantes ru­
bias, con el garbo, la gracia y el trapío de
las morenas retrecheras de Cádiz o de Má­
laga. Además, estando, no honda, pero sí
febrilmente enamorada de Alvaro, y sa­
biendo embriagarle con transportes de pa­
sional amor, nadie se asombrará de que
aun siendo él guapo, inteligente y hasta
heroico, cual se ha visto, se arrojara gozoso
en la prisión de aquellos brazos: cárcel
donde la luz entraba en la mirada de los
incomparables ojos de una carcelera que
entre sus labios ofrecía el alimento de su
pasión al preso, sin que él se enterara de
que los dulces lazos encubrían fuerte cade­
na remachada a su vida por una voluntad
de mejor temple que la suya.
Porque Sara, que para sí no toleraba se­
ñor ni dueño; que nunca habría de ser de
nadie sino de sí misma, creía muy lógico,
muy justo, más aún, indispensable, que A l ­
varo fuera de ella, ciega y humildemente
suyo; que no obrara, pensara ni sintiera
sino lo que dictaran la voluntad, el cerebro
y el corazón de ella.
Tiempo vendrá en que a la explicación

DE LOS ANDES AL CIELO

de las prendas de Sara, ya citadas, se agre­ cuanto m ás sabia, tanto más indigesta pa­
guen otras explicaciones de cómo, desde la reció a la archiguapa y sapientísim a m isniñez de ella y Alvaro, juzgó el esclavo tress Sam Bull.
tan natural su esclavitud, tan fatalm ente
E n los m atrim onios laicos no era cos­
natural, cual que la L una ruede en torno tum bre usara la señora el apellido del m a­
de la T ierra, sentenciada por siem pre a ser rido, a causa de la precaria instabilidad de
satélité sin llegar a planeta. Ya habrá lu­ las funciones m aritales.
gar de explicar este som etim iento del por­
Júntense, de una parte, em ulación de
tugués a la bellísim a anglo-yanqui, porque buena moza, que a despecho de sus seis
ahora urge decir por oué estaba en M endo­ premios de belleza, jam ás había tenido
za el m atrim onio.
apoteosis comparable a la del God Save
No solam ente eran m ilitares ambos cón­ .1/arícz Pepa y del Viens, viens Pepette, y
yuges, sino sabios, que juntos trabajaban de otra resquem ores científicos contra aque­
en diversos estudios e investigaciones sa­ lla m ujer que se llevaba el premio por Sara
pientísim as, llevando tam bién Sara en ellas codiciado, y tendrá idea del rabioso coraje
la batuta, aun cuando los descubrim ientos de la yanqui sólo quien sea capaz de sen­
fueran algunas veces de Alvaro.
tirlo sem ejante.
De otra parte, la fatalidad quiso—ya se
Como en las conferencias de T rujillo noverá después por qué se.echa la culpa a ese fué revelado el secreto de las célebres cáp­
incorpóreo personaje—que entre los ascen­ sulas, seguía insistiendo Sara, después de
dientes de Sara, por la línea m aterna, es­ oír aquéllas, en que tras el secreto se es­
tuviera aquel m íster Haig, que después de condía la farsa, y en que la aragonesa era
ganar en 1994 el prim er prem io concedido una intrigante.
por el Instituto de Viajes Planetarios a sus
Y aquí del derrochar dinero a m anos lle­
métodos respiratorios en el planetoide y en nas, sobornando a criados, calculistas, me­
los planetas, traspasó la farm acia de Sand- canógrafos: prim ero, en el sistem a plane­
gate y fuése a N orteam érica, donde el m i­ tario de Trujillo, y en .Mendoza, después;
llón y medio largo del premio creció y cre­ pues allá fueron detrás de M aría Pepa, Sara
ció, siendo la base de la gran fortuna que y Alvaro: siem pre en persecución de sub­
dos siglos después disfrutó Sara.
repticias copias de -informes, m em orias,
Aquel prem io había sido tim bre de glo­ cálculos y de cuanto pudiera ponerlos en la
ria, en lo pasado, para la fam ilia, y después pista del invento.
cebo para que en cuanto cualquier vástago
Cándidam ente creyó el m arido, en los
de ella revelaba buenas disposiciones para prim eros momentos de estas sigilosas pes­
la no fácil carrera de la sabiduría, a sabio quisas, que no era el móvil de ellas sino
o sabia se lo sentenciara; pero a sabio des­ interés científico y emulación, al cabo dis­
de la cuna especializado en los estudios culpable, de su esposa; pues todavía creía
conducentes a ganar nueva gloria y m ás entonces él cuanto Sara quería. Y eso que­
m illones resolviendo el principal problem a ría ella que creyera; pues adem ás de mu­
de la propulsión del futuro orbim otor.
cho orgullo para confesar a nadie, y a su
P ara dedicarse de lleno a esos estudios, m arido menos, que hubiera otra m ujer de
auxiliada por Alvaro, pidió Sara el reem ­ quien ella sintiera envidia o celos, tenía
plazo al uncir a su esposo al laico yugo especial cuidado en no enterarle de sus pro­
— ¡cuánto m ejor suena esto que el grosero yectos, sino en aquello que la convenía.
ajuntarse de 1918—, e hizo que tam bién lo Así, pues, aun cuando Alvaro andaba aje­
pidiera su consorte, eligiendo un lugar re­ treado en busca de confidentes sobornables
tirado en Nueva Zelanda, donde los sor­ entre los auxiliares subalternos de M aría
prendió desagradablem ente el notición de Pepa, sin embargo, ignoraba que las gestio­
haberse adjudicado el Gran Prem io Castre- nes y las m aquinaciones de m ayor interés
jo a la señorita de Bureba.
las realizaba Sara por su lado, sin decirle
Mal le habría sabido a Sara que un hom ­ a él palabra.
bre fuera el agraciado; pero que fuera una
B asta con lo an terior para pensar quem ujer, una m ujer como ella, era ya dem a­ sobre M aría Pepa y sus proyectos comen­
siado, y hasta absurdo: porque como ella zaba a condensarse peligrosa nube. Y nono podía haber m ujer ninguna.
paraba en esto, pues una im prudencia, ge­
á o necesito conocer detalles de ese in ­ nerosa, es verdad, pero im prudencia a l
vento, que bien pudiera resultar una de cabo, del Consejo de Gerencia de los Viajes
tan tas fracasadas tentativas. Y a T rujillo Planetarios, que tam bién había trasladadose fueron ella y Alvaro, para asistir a las sus reales a Mendoza, promovió graves con­
célebres conferencias de la inventora, que flictos, que am enazaban entorpecer o im ­
cuanto más guapa, tanto más antipática, y posibilitar la realización del viaje.

4)0

VIAJES PLANETARIOS EN EL- SIGLO XXII

XVIII
SURGEN

DIFICULTADES

M ientras en Maipo y Param illo se dedi­
caba la Capitana a lo que ya sabemos, y sus
abuelos la secundaban, el Consejo, en Men­
doza, preparaba el program a detallado de
los estudios que debían realizarse en di­
versos planetas y en las travesías de unos
a otros, eligiendo los nombres más ilustres
entre los muy conspicuos del plantel de sa­
bios que se disputaban el honor de form ar
parte del Comité de Estudios que había de
representar al célebre Institu to de Viajes
Planetarios en el planetoide y en las aca­
demias y científicos centros, que verosím il­
mente encontrarían, si no en todos, en casi
todos los planetas. Honor aderezado con
dos millones de honorarios, más otras
500.000 pesetas para el ayudante que cada
uno de los elegidos propusiera para auxi­
liarle en sus trabajos e investigaciones.
De pasada diré, pues ahora es la ocasión,
que la ciencia terrestre estaría representa­
da en el viaje, no solamente por el Comité
o Delegación del Instituto, sino por los sa­
bios y sabias de las Comisiones que todas
las naciones civilizadas serían invitadas a
'designar como representantes científicos de
ellas.
Pero no contentos los Consejeros con di­
cho trabajo, y queriendo rendir homenaje,
al parecer justísim o, a la m em oria de aque­
llos cuatro sabios que en dos centurias, y a
muy largos intervalos, habían ganado en
los concursos los cuatro premios ordinarios
Castrejo, concedidos con anterioridad al ex­
traordinario que se llevó la aragonesa, de­
cidieron, y esta fué la im prudencia, sin
contar con ella, publicar en los principales
periódicos del mundo un anuncio declaran­
do que el Consejo consideraba con derecho
nato a pasaje en el orbim otor a los here­
deros, si algunos existían, de los señores
Haig, Kumpf, Cliu-Fo y de mademoiselle
Leblonde, titulares, según recordará el lec­
tor, de aquellos premios. Más aún: que en
caso de tener alguno de ellos los conoci­
mientos necesarios para dirigir la aplica­
ción, que en el viaje se hiciera, de los in­
ventos de sus antecesores, y deseo de en­
cargarse de dicha dirección, a ellos les sería
-encomendada. En el prim er caso recibiría
cada uno rem uneración extraordinaria de
n n millón, y de cinco millones en el se­
gundo.

Ya demasiado tard e lo supo M aría Pepa,
al recibir la cortés v isita de autopresentación de m onsieur A ristides Leblonde, des­
cendiente de la d ifu n ta y laureada astrónoma tarasconense, el cual acudía al olorci11o, no del honor, ni del manipuleo de ob­
servaciones ni aparatos de que no entendía
jota, sino del milloncete, y principalm ente
por el atractivo, seductor para él, de toda
aventura extraordinaria.
Aquel francés, tam bién de Tarascón, tan
cetrino como rubio era su apellido, tan feo,
tan feo como guapa p in ta la fam a a su as­
cendiente, m as ta n alegre, franco y bon
garçon como horroroso, fuéle a la visitada,
sumamente sim pático; pero el pAmer de la
entrevista y de la am ena charla no pudie­
ron prevalecer sobre el disgusto de ente­
rarse de la to n tería del Consejo.
Por lo pronto, no le ocurrió sino suplicar
a1 visitante que, a cambio de la form al pro­
mesa que le empeñaba ella de que en el
movimundo em barcaría con su millón en el
bolsillo, prom etiera a su vez ocultar en
Mendoza su preclaro nombre y no decir pa­
labra a nadie de la causa de su llegada has­
ta que no viera ella inconveniente en di­
vulgarla.
Cerrado el trato, fuése el hombre ta ra­
reando entre dientes el estribillo de la can­
ción Viens, viens, m a belle P epette: no tan
bajo que no hiciera sonreír a la aludida
con sonrisa que estalló en carcajada cuan­
do, desde la puerta, volvióse él, y haciendo
una profunda reverencia, dijo: illa foi, c'est
vraie! Il n’y a pas d’a u tre: c’est la plus
belle... Dió media vuelta y se alejó cantan­
do: Autant, autant que je suis laid.
—Es saladísim o este hombre—decía Ma­
ría Pepa m uerta de risa; pero en seguida
le pasó el buen humor, y sin perder m inu­
to convocó a sus tres viejos para inform ar­
los del conflicto que se avecinaba; pues
ellos no sabían, como sabía ella, que los sa­
bios premiados en aquellos concursos (muy
respetables y muy sabios en remotos tiem ­
pos) habían tenido la desgracia de amonto­
n ar en sus memorias, teorías y soluciones,
planes y proyectos, que, bellísimos e incon­
trovertibles para la ciencia de pasados siglos,
no eran sino sueños, errores, deleznables
hipótesis ante la ciencia del siglo X X II; en

DE LOS ANDES AL CIELO

G1

suma, tonterías inaplicables en el autopla- tiempo que he menester para acabar el
planetoide, será que ustedes lo hagan. En
netoide.
Caritativo respeto a la memoria de aque­ el estante M, tabla quinta, están esos ridícu­
llas buenas gentes, habíala retraído de ha­ los proyectos, aun más ridiculamente pre­
cerlo público; pero si ahora, por impruden­ miados; y de mi puño y letra impugnación
cia del Consejo, llegaban los herederos con de tódos sus errores. Repartíoslos y estu­
pretensiones de hacer prevalecer sobre los diadlos antes de suscitar la cuestión a los
procedimientos que ella tenía para todos señores Consejeros.
aquellos problemas...
Aquello fué una triple bomba que dejó
—Entonses — la interrumpió Ripoll—-tú turulato al Consejo entre el convencimiento
has ganado todos los premios, y es presiso de la imposibilidad de mantener su acuerdo
que esos dessendientes te devuelvan, con los y la de anularlo sin divulgar, no uno, sino
intereses de dos siglos, los millones que te tres garrafales lapsus de otros Consejos, con
robaron sus- abuelos.
desprestigio de la Ciencia de pasadas edades
—No se trata ahora de eso, sino de evi­ y resonante pérdida de crédito científico
tar que gentes ignorantes, apoyadas en de­ para el Instituto. Siendo lo más amargo de
cisiones del Consejo, pretendan implantar aquel trago que el descrédito no recaería úni­
en ftuestro novimundo' invenciones ridicu­ camente en los consejeros de pasados tiem­
las, y hasta peligrosas, comprometiendo el pos, sino sobre los actuales, que con su re­
éxito del viaje. Lo indispensable es no per­ ciente e impremeditado acuerdo—por me­
der minuto en plantearle al Consejo la cues­ terse a faroleros, como Ripoll les dijo—,
tión en estos términos:
eran ya solidariamente responsables de los
Primero. Que yo dejaré en libertad a las erróneos fallos óe los jurados miopes que
comisiones científicas para los estudios ac­ habían calificado de científicos aciertos las
cesorios del viaje; que no me meto en que tres desatinadas memorias.
el Consejo regale los millones que quiera a
Como era natural en tal aprieto, buscába­
esos herederos de los frustrados inventores; se con ahinco medio de detener aquella es­
pero que en lo relativo al mando y direc­ pada de Damocles que, en forma de públi­
ción del avimundo, en cuanto vehículo trans. ca y universal rechifla, veían los atolondra­
etéreo, a su temperatura y a la respiración dos sabios suspendida sobre sus cabezas, pe­
de él: en suma, en cuanto importe a la vida
no se encontraba.
e higiene del nasa je y la guarnición, no ad­ ro Cuando
ya Haupft creyó que estaban lo
mito otros colaboradores que vosotros tres bastante asustados,
les ofreció su auxilio,
y ei personal que yo contrate.
mas
recalcando
bien
solamente le mo­
Segundo. Que en el momento mismo de vía deseo de sacar a losquedesaconsejados
zarpar el autoplanetoide de la Tierra han sejeros del apurado trance; puesto que nicon­
de quedar suspendidas en él las garantías ni sus dos compañeros de ponencia habíanél
constitucionales, encargándome yo, como su. de perder con el escándalo, sino antes ganar
perior autoridad militar, de las riendas* del crédito por no haber dscubierto errores de
gobierno.
Tercero y último. Que en las cornisones otros.
de darles este varapalo, hizo ale­
científicas admitiré sin cortapisas represen­ tearDespués
en sus almas, manifestán­
tantes de todas razas y países; pero en la doles esperanzas
que no siendo probable que los des­
fuerza armada que guarnezca el novimundo cendientes
de los señores Haig. Kumpef y
no admito sino españoles e hispanoameri­ Leblonde tuvieran
en despeñar a
canos, y claro es que españolas e hispano­ sus antepasados de lointerés
alto de su fama mun­
americanas.
del ridículo, no le
;Ah! Con la urgencia olvidaba que no dial a lasa élprofundidads
difícil llegar con ellos a indi­
todos los proyectos premiados en pasados parecía
siglos son disparates, pues uno de ellos, el viduales y sigilosas transacciones que, evi­
de la alimentación, del ilustre Chin-Chu-Fo, tando conflictos al Consejo, permitiera a los
es digno de aplicarse, y pienso que se apli­ otros seguir pavoneándose con mal ganadas
que. si no en absoluto, normalmente en el glorias de sus apellidos. Si el Consejo dora­
viaje; y si algún descendiente del autor ba la secreta propuesta con avenencia a com­
desea encargarse de la dirección de tal sis­ prar su silencio en el millón que cual die­
tema, previa la prueba de su personal com­ tas de viajes les había ofrecido, sería difí­
petencia, no veo motivo para no acceder cil que ninguno rehusara. Además, posible
era que no existieran ya en el mundo des­
a tal deseo.
Mejor que plantear yo misma la cuestión cendientes de los mal laureados inventores:
al Consejo, perdiendo aquí en Mendoza hipótesis no muy inverosímil, porque nin-

62

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

guno había dado, hasta entonces, señales
de vida.
Los jurados ignoraban la existencia de
un Arístides Leblonde, que estaba ya en
Mendoza; pues el francés feo y simpático,
que algunas tardes subía a Maipo a piro­
pear inocentemente a la capitana, sin la me­
nor subterránea intención, ni ulteriores pro­
pósitos, cumplía como un hombre su pa­
labra, guardando riguroso incógnito.
Sara, descendiente en línea más o menos
sinuosa y más o menos laica, de Míster Haig,
tampoco había comparecido; pues enferma
en los días de la inserción en los periódicos
de Mendoza de la convocatoria del Consejo,
no tuvo conocimiento de ella hasta encon.
trársela en |Cl^ Boletín de la Academia de
Boston, no llegando a sus manos hasta la
mañana misma de la sesión en que los abue­
los de María Pepa informaban al Consejo
de la plancha del de ella.
De los descendientes de Chu-Fo, hada ha­
bía que temer, pues el ilustre japonés era
el único que entre los premiados no resultó
sabio de pega. Y en cuanto a los vástagos
de Herr Kumpf, era seguro que no compa­
recerían, según sabía de buena tinta su
compatriota Haupft, callándose que podía
aseverarlo por no existir otro heredero del
ganador del premio de la conservación de
viable temperatura que el propio y mismo
Haupft, que estimó lo más cuerdo no confiar
a nadie este secreto de familia.
En vista de esto, el Consejo se iba tran­
quilizando.
Discutiéronse en seguida las dictatoriales
facultades que reclamaba María Pepa, y aquí
ya no hubo igual unanimidad, pues sonaba
el debate, no a discusión, sino a disputa,
donde sobresalían los duros tonos de la
voz de Ripoll, el almogávar, ahora aliado
con los sicilianos de Fognino y con los lans­
quenetes del pacífico Haupft, guerrero por
un día. Tal acumulación de fuerzas alcan­
zó al cabo la victoria de proclamar a María
Pepa dictadora del automundo que había
creado.
Cuando creyendo ya desvanecida la ame­
naza del bochornoso escándalo que los pre­
ocupaba, se disponían los consejeros a mar­
charse a almorzar entró un uiier con una
tarjeta perfumada, donde se leía:
SARA SAM BULL '
Be la Academia de Boston,
Desea hacer una comunicación urgente al
Consejo reunido.
En pos de la tarjeta, sin aguardar a ser
introducida, se presentaba ella, como quien
está cierta de caer bien en todas partes:

por cierto, gallardísima con su elegante uni­
forme de Comandante de Ingenieros Aéreos;
y a los pocos minutos, se enteraba, con te­
rror, el Consejo de que tenía delante a la
heredera de Míster Haig, reivindicando sus
derechos de manipuladora en jefe de la res­
piración en el autoplanetoide, cuyos pasa­
jeros tendrían obligación ineludible de res­
pirar aquellas cosas que su abuelo había
ideado, y de respirarlas en la forma y mane­
ra por él establecidas, y revalidadas por el
Instituto de Viajes Planetarios, al otorgar­
le el premio y convocar, más tarde, a la.
compareciente, para que las administrara.
Deseando que la tierra los tragara, ni oxte
ni moxte contestaban los consternados sabios.
Al leer el anuncio del Boletín de Boston
habíase regocijado Sara con la idea de ob­
tener libre acceso al autoplanetoide duran­
te su construcción, lisonjeándola la posibili­
dad de estropearlo disimulada y hábilmente,
de modo que en las pruebas fracasara la in­
ventora y, en su opinión, ladrona del premio
planetario, que en pocos años habría obteni­
do ella, de no birlárselo la otra. Llegaba, por
tanto, pensando que, una vez personada ante
el Consejo, coser y cantar sería todo; así.
que cuando vió el espanto reflejado en aque­
llas caras, ella, no acostumbrada a que de la
suya se espantara nadie, pidió altaneramente
explicaciones, y revolvióse airada contra ellasen cuanto se las dieron.
Lo peor fué que el escándalo científico noquedó allí encerrado, pues reclamó pública
discusión, para que el mundo se enterara de­
que los ignorantes eran quienes motejaban
de iluso a su glorioso ascendiente, y de tor­
pes a todos los Consejos anteriores del Ins­
tituto Planetario. Y se armó el gran zipiza­
pe en los periódicos.
Técnicamente, era indudable que no tenía
razón Sara, y pronto lo vió ella— pues de
tonta no tenía ni un pelo— en cuanto para
prepararse a la polémica con Ripoll entabla­
da, tuvo que leerse el disparatado proyecto
de su señor abuelo; pero siendo su posición
fovtísima para el escándalo, con chacota sa­
lía de los científicos aprietos en que los ar­
tículos de Ripoll la ponían, asaeteando a bur­
las al conclave de sabios.
Detrás de la polémica llegó otra complica­
ción mucho más grave; pues la comisión ins­
pectora de los herederos de Castrejo, encar­
gada de meter cada diez años las narices en
la gestión del Instituto, encontró un nueva
Uñas y otro Mañas que en cuatro días zur­
cieron un escrito alegando que con el otor­
gamiento, en los años tales y cuales, de tres

DE LOS ANDES AL CIELO
premios a otros tantos proyectos, d eclarad os
p o r el actu a l C o n sejo del I n stitu to de V ia jes
P la n eta rio s, in ú tiles para los fin e s del lega­
do, estábase en el previsto caso de reversión
de él a los deudos; y en consecuencia, recla­
maban del Juzgado, como primeras providen­
cias, la suspensión de las obras del novimun.
do, el embargo de la Caja Planetaria y el de
las diez y siete fábricas de Mendoza, Parami­
llo, Maipo, Uspallata, etc.
Tal situación,, provocada por impremedita,
ción del Consejo de Gerencia, ya parecía gra­
vísima desde fuera vista; mas desde dentro
pareceríalo más a quien supiera que a altas
horas de la noche, y procurando recatarse,
visitaban Uñas y Mañas el elegante palacete
de Challao, en donde vimos aterrizar a Alva.
ro, sin que dichas visitas preocuparan a éste,
por no andar, para nada, amor a Sara en
ellas.
En tal estado estaban las cosas cuando Ma­
ría Pepa fué heroicamente salvada por el
portugués. De ello dedúcese la explicación de
las sequedades y asperezas de él con la mujer
a quien tenía por sabia falsificada— Sara le
había convencido de que el invento era ca­
mama— y por desaprensiva criatura, que en
seniles amores de débiles jurados fundaba
una usurpada reputación científica; Sara se
lo había dicho: Sara, que no tenía noticias
de la triple adopción; y que aun teniéndola
se la habría callado.

G3

Veía Alvaro en María Pepa (según frase
textual de la señora comandante yanqui, bien
enterada de ser para todo portugués artículo
de fe la doblez española) a la usurpadora que
con sus malas artes secuestraba el premio y
con él la gloria, y con la gloria, los millones,
que en unos cuantos meses de trabajo habría
alcanzado el laico matrimonio; a la artera
intrigante, que para Sara era casi, casi una
científica ladrona, y para él... para é l... ¿Qué
podía ser sino la enemiga de la esposa, que
años y años le tenía hechizado y envuelto en.
tre las llamas de enervante pasión abrasa­
dora?
Todo esto explica el ceño adusto, la mira­
da dura, la prisa en alejarse de aquella odio,
sa mujer, tanto más temible cuanto más hermosa.
Bueno; pero ¿y lo otro? La mirada acari­
ciadora a los hermosos ojos de María Pepa,
humedecidos por reconocimiento al salvador,
la fuerza que hacia ellos tiraba de los de Al­
varo, adormeciendo, cuando él se descuidaba,
los recelos del apuesto portugués... Todo lo
que él había visto en ella, ¿cómo se expli­
caba?...
La respuesta no es fácil; pero si no rotun­
da explicación satisfactoria, tal vez hallemos
de ella indicios bajando de la azotea a las
habitaciones interiores del hotelito de Cha­
llao, y oyendo la conversación que allí tuvie­
ron Sara y Alvaro.

XIX
TJNA NOCHE EN EL PALACETE DE CHALLAO
Apenas terminadas las primeras expansio­
nes cariñosas de Sara, que, en su deseo de
entrar pronto en la materia que principal­
mente la preocupaba, hizo más breves de lo
acostumbrado, preguntó a su marido:
— ¿Traes la muestra del mineral?
— Traigo algo mejor: esta capsulilla, que
en cuanto aterricé en Maipo encontré en la
grieta del peñasco, donde sin duda la había
dejado Krenk.
Krenk era un médico servio, gran químico
y grandísimo perdido, cosas perfectamente
compatibles, a quien Sara, que de antiguo lo
conocía, había hecho presentarse en la fábri­
ca donde, en Maipo, se preparaba el cinetorio, y en la cual fué admitido como ayudante
químico.
Iba Alvaro a continuar, cuando gritando
entró en la habitación, como una tromba, el
propio Krenk:

— Me han descubierto. Ese maldito italia­
no, más malicioso que una vieja ladina, ha
echado de menos la cápsula que dejé en el
peñasco. Y eso que no contiene sino pocos
centigramos de ese endiablado metal. En
cuanto notó la falta, sin vacilar, se me ■wno
flechado y me puso a la puerta de la fábrica.
Yo no comprendo cómo ha podido sospechar
de mí... Pero, después de todo, me alegro.
— Yo no: me era usted allí necesario.
— No lo crea, doña Sara; más de lo averi­
guado no he de averiguar ya; porque los apa­
ratos empleados para utilizar la substancia
que está debajo del fanalillo de cristal de esa
lentejilla de plomo, los fabrican en otra par.
te. No sé en dónde.
,
— Pues se ha lucido usted. No le creía tan
torpe.
— No tanto, no tanto, porque usted ignora
la importancia de lo que he averiguado y

64

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

desconoce la terrible fuerza de esa casi mi­ do, espíritu de radio, una nueva preparación,
un ultra-radio— dijo Alvaro.
croscópica partícula roja encerrada en la
—Ellos lo llaman cinetorio. Han escapado
cápsula; porque no sabe que en cuanto hu­
ustedes de buena. Y ya ve, doña Sara, que no
bieran ustedes intentado analizarla por los
he perdido el tiempo.
métodos corrientes, el laboratorio, ustedes y
—Es verdad, Krenk, todo esto es altamente
el hotel habrían volado convertidos en im­
interesante. Quedará usted contento de la re.
palpable polvo. Eso habría pasado si no me
muneración de sus servicios. Ahora baje, y
hubieran despedido.
diga al mayordomo que le dé cena y habita­
—¿Pero...?
ción; pues mientras yo no avise a usted, no
—¿Por qué?
puede salir ni a la puerta de la calle. Es pre­
—Porque después que anoche dejé en la
grieta del peñasco la cápsula, con la nota in­ ciso evitar que nadie lo vea a usted aquí.
Solos ya Sara y Alvaro, tuvo que contar él
dicando que su contenido es el producto que
su heroicidad de aquella tarde, que gustoso
allá extraen del taliuro, supe esta mañana,
habría callado, no despertando en Sara igua.
antes del accidente del volcán...
les entusiasmos que entre la gente de allá
—¿Qué accidente? ¿Ha habido una explo­
arriba.
sión?—preguntó Sara.
—¿De modo que esa mujer, mi ene... nues­
—Ya te lo contaré— respondió Alvaro en­
tra enemiga, esa española solapada y domi­
rojeciendo levemente. Ahora es más intere­
nante, iba a matarse por permisión divina;
sante oír a Krenk.
su muerte era tal vez castigo impuesto por la
— Pues bien, esta mañana hicieron los vie­
Providencia, y tú te interpones y estorbas
jos una prueba, metiendo en un socavón de
que se cumpla la justicia de Dios?— dijo
la ladera del volcán apagado de Overo, unos
Sara, adoptando el tono y la actitud místi­
cuantos kilómetros al norte de los de Maipo,
camente feroces de aquellos inflexibles puri.
una capsulilla como esa, comprendida entre
taños que en 1620 fundaron en América del
dos tubos parecidos a los X o de Roentgen.
Norte la colonia de Masachussets, donde, si­
Yo iba con ellos, y con ellos volví a Maipo,
glos después, nacía este importante persona­
donde con un excitador de chispas lanzaron
je femenino del viaje planetario, en cuyas
la aérea, o mejor dicho, etérea ondulación
venas quedaban todavía algunas gotas de
eléctrica, cual si quisiesen transmitir por te.
sangre puritana.
legrafía sin hilos un marconigrama al recep­
—Fuó la fatalidad—le contestó azorado
tor, ligado a los tubos X que habían quedado
Alvaro— . Yo creía que se trataba de un infe.
en Overo. Y en el mismo instante se alzó,
liz minero.
desde el monte a las nubes, colosal polva­
— Pero no puede ser. Tú la conoces; juntos
reda.
la hemos visto muchas veces en Trujillo.
Media hora tardó la atmósfera en despe­
—Es que era imposible reconocerla en su
jarse, y entonces vimos que el bocado de la
traje de homóquina.
cápsula había arrancado a la montaña un
No decía Alvaro que el homóquina de Ma­
pedazo de cráter que por lo menos pesaría
ría Pepa tenía, cual era lógico, signos ex­
diez mil, veinte mil, puede que cuarenta mil
ternos por los que los mineros reconocían en
o más toneladas, lanzadas qué sé yo a cuán­
tos kilómetros de altura.
él a su ingeniera jefe, callándose también
que desde lo alto de su cicloavíón, y antes de
Inmediatamente comprendí que aquello era
aterrizar junto al peñasco, la había visto me.
debido a la instantánea desintegración de los
terse en la armadura, cuando entró con Fouátomos de la partícula del metal de la capsu­
cifío en la galería.
lilla. Y entonces oí a los viejos que esa subs­
tancia es tan peligrosa que no puede anali­
Gracias a estar la habitación iluminada
por luz verde, y Alvaro de espaldas a ella, no
zarse sino por ensayos espectroscópicos de la
luz emitida por su fosforencia en la obscuri­
advirtió Sara que estaba colorado como un
dad. Además, vea usted, don Alvaro, ¿qué
pimiento cuando decía ignorar quién iba
marca aquel termómetro de al lado de la
dentro del homóquina. Y, sin embargo, algo
puerta?
inquietante presentía en la relación y en las
vacilaciones de su marido.
—Veintiún grados— contestó el aludido.
—Pues tráigalo aquí, y acérquelo al crista,
— ¡Qué quieres! No pude dominarme: creí
lito de la cápsula... Vea, vea cómo sube...
que era un desdichado padre de familia,
—Veinticinco... treinta... treinta y dos...
sentí un impulso generoso que...
— ¡Qué atrocidad!... ¡Ha llegado a treinta
— Alvaro, de la generosidad y el heroísmo
y ocho!... ¡Estalla el tubo!—exclamó Sara
te digo lo que de otros resabios ibéricos de
atónita.
que aún no te ha curado tu educación en
—Eso no puede ser sino radio concentra­ pueblos verdaderamente moderaos, ilustra-

......................

I

. . . z ] picpio tiempo que su mano caía sobre la enhiesta manivela.



-----------------------------------------------------.---------------------------

1-











65-

DE LOS ANDES AL CIELO

dos y prácticos: son sensiblerías de caducas
sociedades, y cuando no aprovechan, ton­
terías'.
—Pero, m ujer, es que es muy fuerte eso
de ver tranquilo cómo un hombre se estrella,
cuando puede uno...
—Y a ti, ¿qué te importaba?—y hábilm ente
añadió, al ver el gesto de Alvaro—. ¿Qué te
im portaba, cuando sólo debías acordarte de
tu Sara, a quien locamente exponías a per­
der a su Alvaro? ¿Qué vale la vida de un
minero, de cien mineros, de cien reyes, del
mundo todo, si por salvarlas puede correr
peligro mi Alvaro?
Y abrazos, besos, lágrim as. Y más abrazos,
m ás besos y más lágrim as cuando al cogerle
la cabeza entre las manos tocó el aglutinante
que tapaba la descalabradura, situada en la
p arte posterior de la cabeza; llegando a tal
extrem o los transportes de dolor y cariño, el
susto y la congoja por un mísero chichón desi.
pellejado, que Alvaro, que sabía no era asus.
tadiza, se conmovió hondamente, correspon­
diéndola con protestas y extremos que si de
algo pecaron fué de exageración, como toca­
dos de arrepentim iento, y cual si de algo tu­
viera que acusarse ante aquella m ujer tan
am ante, tan bella. Y eso buscaba Sara, al ex.
c ita r su sensibilidad: turbarle para, en su
turbación, leer si algo la ocultaba.
¿Preguntas?... Ni una sola: caricias, lá­
grim as, y entre llanto y caricias no perderlo
de vista, escudriñando en su alm a a través
del semblante, para ver si seguía siendo com­
pletam ente suyo o si en su corazón había
caído germen, por pequeño que fuera, de ve.
nideros desamor o rebeldía.
A esto llegábamos cuando despertándose
mademoiselle Thellis de su séptim a siesta,
la pregunté:
Pero oiga, am iga mía, ¿será que Alvaro
se haya enamorado de María Pepa?
—No lo cree él así, porque las últim as pa­
labras que le oí cuando Sara le dejó solo
p ara ir a ver cómo tratab a el mayordomo a
Krenk, fueron: “ ¡Es un ángel, un ángel!" Y
al decirlas se refería a Sara.
Pero como en su sueño ha dicho usted
que Alvaro ten ía remordimientos, tengo im ­
paciencia de que me diga qué le pasa a ese
chico.
— ¡Yo! ¿Cómo he de saberlo cuando él
mismo lo ignora?... Pero lo que, como m ujer
que conoce bien a las mujeres, puedo asegu­
rar, por no haber perdido de vista ni un mo­
mento a Sara, es que si todavía no tiene ce­
los de la aragonesa, ya va teniendo miedo de
tenerlos. Y si es así, vea M aría Pepa cómo se
defiende, porque la vanidad herida de S arita
no es peligro que pueda despreciarse.
B iblioteca N oveleskio -C ien t ífica .

—Crea usted, Iflgenia—este es el nombre
de mademoiselle Thellis—, que se n tiría de
veras que a nuestra heroína le sucediera na.
da malo.
—Claro, como se chifló usted... ¿No se di»e
así en español?
—¿Ya usted a burlarse ahora de mí por lo
que sabe bien no fué sino...?
—Como no se nos haya usted enamorado
ahora de la rubia yanki, con la cual le ase­
guro que tampoco iba mal.
E Ifigenia, con quien tampoco le iría mal
a nadie, acentuaba estas bromas con sonri­
sitas y m iradas donde bajo poéticas langui­
deces, muy a tono con su papel de ilum inada
hipnótica, retozaba la traviesa picardía de la
muchacha parisién, que antes que pitonisa
había sido m idinette, y aun creo que cuple­
tista.
—Vaya, hoy se despierta usted con ganas
de bromitas... Amiga mía, bien sabe usted
que ni me preocupan Pepas ni Saras del si­
glo X X II, ni es posible que piense en belle­
zas venideras quien tiene presente...
—¿Volvemos a eso, como ayer? Yo creía
que no venía usted aquí sino por lo futuro.
—El presente es la vida. Y no h ay m ejor
preservativo contra delirantes am ores futu­
ristas...
— ¡Ah!, si se tra ta de preservar a un buen
amigo como usted...

Pero al lector le tienen sin cuidado los pa­
liques que, después de las siestas de m ade­
moiselle Thellis, armamos la vidente y yo,
y, por lo tanto, vámonos a oír lo que la Co­
m andante de Ingenieros platicaba con K renk.
Dábale éste detalladas noticias de la fábri­
ca, el m ineral y las gentes de allá arrib a; de
lo que había oído, y no era mucho, pues allí
todo eran m isterios, sobre la rapidez con que
avanzaba la construcción del m otoestelar,
cuyo astillero estaba en Param illo. Después
averiguó ella, con habilidad, que la arm adu­
ra de M aría Pepa no era igual a las de los
demás homóquinas, dándole un vuelco el co­
razón al escucharlo, y tornándose claro su
borroso propósito de em plear medios heroi­
cos para trocar en odio el germen, fuere el
que quisiere, y aun cuando todavía fuera mi.
croscópico, que acaso había caído aquella
tarde en el corazón de su marido.
Y no puede negarse que era m ujer de suer­
te Sara, pues antes de que K renk acabara de
hablar ya había ella encontrado el heroico
remedio en otra capsulita, que el servio la
enseñó, al parecer igual a la que arrib a es­
taba; pene que en vez del microscópico gráANd e s al Ci e i o .

5

66

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

nulo de cinetorio contenía una gotezuela de
anilina roja.
H abíala preparado de antem ano K renk pa,
ra dejarla, entre las de cinetorio, en el arcón rodeado de triple blindaje de plomo, de
donde substrajo la que Alvaro había traído;
pues después de efectuado el robo pensó que
si los viejos hacían algún recuento, adverti­
rían la falta. Pero como la descubrieron an­
tes de hallar él coyuntura de m eter en el
arca la falsificada cápsula se la había traído
en el bolsillo.

f

■J

—Dígame, K renk, ¿y no conoce usted otro
medio que el de los excitadores, cuyo secreto
ignora, para hacer estallar estas cápsulas?
—Absoluta certeza, no; m as tengo presun­
ción casi evidente de que haciendo pasar por
la cápsula una corriente eléctrica con ten­
sión superior a 50.000 voltios, se la h a ría es.
tallar. Pero pobre del que abriera la llave. A
menos...
—¿A menos qué?...
—A menos que em pleara una crono-llave.
—Y eso ¿qué es?
—Una llave eléctrica, que no se ha fabri­
cado por no haber sido h asta ahora necesa­
ria, fundada en el antiquísim o principio de
j las espoletas de tiempos, que en instantes de
antem ano prefijados a voluntad hacían esta­
llar las cargas interiores de algunos proyec­
tiles de la a rtillería del siglo XIX.
— i Ah!... Es usted hombre ingenioso, am l.
go K renk.
—Mil gracias, doña Sara.
—¿Y sería usted capaz de fabricar una de
esas espoletas, digo, llaves de tiempo?
—En cuanto por ella me ofrecieran 25.000
dollars.
—El precio no es barato, pero por cosa
tan curiosa no es probable que nadie en tra­
ra en regateos.
—No es esto todo, porque como solamente
yo podría usarla sin peligro, y no quiero tam ­
poco en terar a nadie, sino a usted de m is en.
tretenim ientos artilleros, pediría además,
por disparar la cápsula donde se me dijera,
otros 25.000 dollars.
■—Lo pensaremos. No, digo mal. lo pensai fé yo sola. Pero deseo saber otra cosa. La ca­
nalización de la distribución eléctrica a do­
micilio en Mendoza y su comarca viene a 400
voltios. ¿No es así?
—P recisam ente, pero transform ada de la
corriente alterna, de la central del salto del
río Atuel, de donde a 90.000 voltios llega, por
los cables m aestros a los convertidores, que
en cada casa o fábrica la rebajan a aque­
llos 400.

Sara meditó unos segundos, y al cato de
ellos dijo:
f>
—Como por ser un progreso industrial de­
seo ver esa llave de tiempos, y aun cuando,
claro está, que no hemos de emplearla, en
usos peligrosos, usted ten d rá los 25.00C, di­
go, los 50.000 dollars, y nadie sino yo sabrá
absolutam ente nada... ¿Entendido?...
—Entendido; perfectam ente entendido—
contestó K renk con la palabra, a la vez que
sus ojos respondían a la intensa m irada que
Sara clavaba en ellos.
—Pues ahora, como me da un miedo atroz
tener esas cápsulas en casa, voy a hacer que.
sin perder momento, las arro jé mi marido
muy lejos, donde no puedan d añ ar a nadie.
— ¿Las dos?...
—Verdad... B asta con tir a r una: la carga­
da, que se ha quedado arriba.
Y al decirlo cogió la descargada, que
K renk había dejado encim a de una mesa.
Cinco m inutos después, p ara tran q u ilizar
a Sara, que no hab ría conseguido dorm ir te­
niendo en casa aquel trem endo explosivo, que
acaso podría estallar, por espontánea des­
composición, cuando menos se pensara, su­
bía Alvaro en el aeroplano, llevando, c on ex­
trem adas precauciones para no provocar una
explosión, la lentejilla con la gota de anili­
na, que veinte m inutos después dejaba caer
en las aguas de la laguna Diam ante de la
Cordillera Andina, tom ando la precaución
de efectuarlo desde gran altu ra, no m u y se­
guro de que el golpe contra el agua n o pro­
dujera una catástrofe, pues ignorando él la
existencia de tal cápsula de anilina, estaba
convencido de que cinetorio encerraba lia que
acababa de a rro jar a la laguna. V einte mi­
nutos más tard e retornaba a los amiantes
brazos de su am orosa esposa.
E sta, entre tanto, había llamado a K ren k
para decirle que distraídam ente se habiía su­
bido la cápsula falsificada, pero que, como
falsa y todo, le asustaba verla, se la lleva­
ra él.
Con interés se enteró K renk, para quiedar
tranquilo, de cuál se había llevado el ¡señor
Fairelo, por la im portancia de que no h u b ie ­
ra trueque, y ya seguro de ello, recogrió la
lentejilla diciendo que no vendrían mal unos
kilos de plomo para envolverla, por si lia se­
ñora las hubiera cambiado.
—Yo jam ás me equivoco en cosas dee im ­
portancia; pero sí, sí, hace usted biem en
tom ar precauciones. E n el laboratorio hay
plomo. Coja el que necesite.
¿Qué se proponía S ara? De cierto, ¡nada
bueno; pero con m ujer de tal clas¿>, vno es

*17

DE LOS ANDES AL CIELO

fácil adivinarlo. Además, no eran sus solas
armas el explosivo de Krenk, la torpeza del
Consejo y las curialescas habilidades de Uñas
y Mañas; pues aún buscaba otras, como ha­
bría podido ver quien al día siguiente de su
conversación con Krenk se hubiera dado una
vuelta por la calle de San Nicolás, de Men­
doza, y parádose a la puerta del Banco' Arauco-Plateño.
En él tenía María Pepa su cuenta corrien­
te particular, y allí iría Fouciño a cobrar el
cheque, que generosamente le regaló la ara­
gonesa para que se trasladara a Mattogrosso, todo lo cual supo por Krenk la yanki; y
allí, en un automóvil, frente al Banco para­
do, estaban ambos, recatando el servio la
cara bajo las anchas alas de un sombrero fle­
xible, para no ser por nadie reconocido.
La diligencia que allí llevaba a S|.ra era
de las que no solía confiar a nadie, y menos
a Alvaro, y todavía meno%.en la ocasión pre­
sente, pues de todo ello no debía saber el ino­
cente portugués ni una palabra.
A los diez minutos de espera, dijo Krenk:
-— Aquel gordo de la barba espesa y roja.
— Pues vuélvase usted a escape a encerrar­
se en casa. Llévese el automóvil. Yo tomaré
otro en aquella parada.
*

*

*

Poco después de salir Fouciño del Banco
era alcanzado por un automóvil en una calle
extraviada. Bajó de él Sara, dijo unas cuan­
tas palabras al brasileño, tornó a subir, se
akejó, y a la media hora ella y Fouciño cele­
braban una conD-rencia en un gabinete re­
servado de un fonducho de las afueras.
De su conversación, que no fue breve, sólo
interesan por ahora las últimas frases:
— Ya me ha oído que lo necesito flaco...
¿(Cuánto pesa usted?...
-—Ciento dos kilos.
— Pues no tolero arriba de setenta y cinco.
— En quince días es mucho enflaquecer.
— Tómese veinte, y póngase a pan y agua:
rmucha agua y poco pan. Pago, sobre lo otro,
ciien dollars por kilogramo perdido.

— Me pondré a pan y agua.
— Pues ahora, sin perder momento, a Mattogroso... En cuanto llegue, arréglese para
que en Maipo sepan su llegada; y la víspera
de la vuelta, hágales llegar noticia de que
allá sigue usted.
— Las tendrán, no la víspera, sino después
de salir yo de Mattogrosso.
— Mejor. Entonces hasta dentro de veinte
días.
— Seré exacto.
— ¡Ah! ¿Está usted plenamente seguro de
su competencia en el manejo del radio como
explosivo?
—Ocho años lo he manejado en la Com­
pañía del Cardiff Argentino. Allí estaba, en
la mina Eloísa de San Rafael, que lleva tres­
cientos años de vomitar carbón, cuando, pro­
metiéndome el oro y el moro, me sacó de
ella esa...
— Con todo, como para el trabajo en que
emplearé a usted es indispensable gran com.
petencia, procure en esos veinte días que tie­
ne por delante refrescar sus conocimientos
con dos libros que le enviaré. Y no se fíe
demasiado de la práctica, que a su cos\a ha
aprendido quiebra a veces.
*

*

*

i

Sola en el automóvil, camino de Challao,
iba pensando Sara que por lo oído a Krenk
y a Fouciño tenia María Pepa energía y va­
lor por diez hombres, pero también un pun­
to vulnerable en su coraza, los ibéricos re­
sabios de sensiblería, que no la habían de­
jado ver que a hombres como Fouciño no
se los puede castigar a medias. Cara le iba
a costar la equivocación, porque el brasileño
sabría cobrarse.
Estos, estos son los buenos auxiliares, pen­
saba Sara mientras volvía a su casa, los que
trabajan más que por interés, por la propia
venganza. Era una adquisición el tal Fouci­
ño, sobre todo desde que pudo meterle en su
terca cabeza que las puñaladas son pequeñas
y estúpidas venganzas.

XX
DE COMO MARIA PEPA DESENREDA UNA MADEJA
ENREDADISIMA
De día en día iban tomando peor cariz las
cosas para que el viaje planetario pasara de
proyecto a realidad. De una parte los rifirra­
fes científico-burlescos, en la Prensa, de Sara
y Ripoll: científicos, claro es, de parte de
éste y burlescos en los artículos de la aérea
comandante, cuya fama de hermosa y su
gracejo al escribir la ayudaban mucho con
el público; mientras los alegatos del astró­
nomo barcelonés, atiborrados de profunda
ciencia, eran tan aburridos que apenas los
leían unos cuantos pedantes: con lo cual,
no enterándose la opinión indícta sino de lo
que escribía Sara, fallaba a favor de ella.
Y la opinión indocta es la que casi siem­
pre prevalece en el mundo.
De otra parte, y ésta era la más negra, los
herederos de Castrejo, a quienes su ilustre
antecesor habría maldecido a serle dado al­
zarse de su tumba, pero que como no se alza­
ba se reían de maldiciones, no cejaban en su
propósito, casi, casi parricida, de reventar el
viaje que inventó el abuelo.
Lo grave era que, habiendo gastado, efec­
tivamente muchos millones en premiar tres
proyectos inútiles para el viaje a los plane­
tas, había realmente incurrido el Consejo
del Instituto en la penalidad de reversión
del legado a los parientes en caso de impro­
cedente aplicación de fondos. L a cosa era
tan clara, que los herederos se frotaban las
manos hablando del embargo del Sistema
Planetario de Trujillo. Uno decía, me insta­
laré en Júpiter, otro prefería Mercurio,
mientras las herederas creían pintiparado
para ellas el pabellón de .Venus. Y aunque
estas discusiones, y las de mejoras de cale­
facción en Saturno y reforma del anticuado
plano de Marte fueran prematuras, lo que
parecía ya inminente era la suspensión de
las obras del autoplanetoide.
Y a se sabe que, aun preparada para pos­
teriores batallas, disponíase Sara a librar
la primera apoyada en las fuertes posicio­
nes de reivindicación de sus derechos de des­
cendiente del difunto Haig, y, sobre todo,
en el punto capital de la anulación del le7ado, con lo cual no habría viaje ni triunfo
de la odiosa rival.
¿Que la española había sacado su novir.r’ ndo de las opacas brumas de las cosas

ignotas por nadie sospechadas?... ¿ Y qué?
E l mundo no vive de romanticismos, y ella,
la sajona, haría que jirón tras jirón se le
fuera cayendo a la española su novimundo
de las manos; ella, la yanki, le arrancaría
a la postre el último pedazo. Para algo sus
sesudos ascendientes el Tío Sam y Jhon Bull
le habían legado un práctico concepto de la
vida.
Cual lo esperaba, ganó Sara la primera
batalla, pues mediando febrero de 2186, la
Audiencia de Me»doza decretó la suspen­
sión de las obras y el embargo provisional
de minas, edificios, saltos de agua, fábricas
y astilleros del Instituto de Viajes Planeta­
rios.
E n Paramillo recibió la noticia M aría
Pepa, traída por su gran amigóte Arlstides,
que en una cometa ligera de alquiler, donde
sólo cabían el cometero y él, se subió allá
sin querer aguardar el aéreo-ómnibus Mendoza-Valparaíso, que de seis en seis horas
salía de la plataforma-estación de In fern i­
llo; pues pensaba que urgía ganar tiempo, y
se le había metido en la cabeza que aquello
no lo arreglaba nadie sino la Capitana, >que
estaba haciendo ya mucha falta en Mendoza.
— Créame usted— decía— , baje allá, vea., o,
mejor dicho, hágase ver del Presidente de la
Audiencia, y si de su despacho no sale us­
ted con las órdenes de encarcelamiento de
toda esa piara de Castrejos y de deportaciióm
del avispero de los Uñas y Mañas, me resrígno a volverme más feo todavía.
No estaba María Pepa para risas, y sin
embargo, se rió.
i
— No lo tome usted a broma, estoy seguiro.
A ser yo el Presidente, todas esas providen­
cias serían cosa de coser y cantar. ElVes
marcJieront sur des roulettes, fueron sius
textuales palabras; que viene a ser lo mismio.
María Pepa ya no se reía, pues pensalna
que efectivamente las cosas exigían y a ara
personal intervención; y tan pronto pensadlo
como hecho, preguntó a Leblonde sí le c a m ­
biaba su medio trapecio de la cometa por <el
puesto en la mesa, y la ración entera de lia
proponente en el almuerzo para el cual lia
estarían ya esperando Haupft y Fognino.
— ¿Pero se va usted sin almorzar? De es<o
no se prescinde nunca

DE LOS ANDES AL CIELO
— Almorzaré en Mendoza. Aquí no habría
bastante para los dos: usted tiene buen dien­
te, y aun cuando el mío no le llegue, tam­
poco es malo.
— Pues trato hecho. ¡Qué suerte tiene el
come tero!
Dos minutos después entraba Arístides en
el laboratorio, diciendo:
— Abuelito Fu, mamá Ñiño, a almorzar.
Traigo apetito y me voy a comer la ración
de la nieta, cuando menos.
Mientras, balanceándose en el trapecio de
la cometa, volaba, o más bien caía a Mendo­
za, iba María Pepa trazando su plan de ope­
raciones. Nada de torcer conciencias, .nada
de arrumacos a jueces; su rectitud aragone­
sa, o atávicos resabios, que diría Sara, no
entendían de tortuosos caminos, pero ya
hallaría otros.
L o primero que hizo al entrar, como una
centella, en el despacho de su primer abue­
lo de adopción, fue plantarle un sonoro beso
en medio de la calva diciéndole:
— Este beso a cambio de un almuerzo, por
si acaso no me convidas gratis. Llama en
seguida al parlofonista.
Llegado éste, le ordenó que se enterara
inmediatamente de los domicilios de los cin­
co «Castrejos, a Mendoza venidos para acti­
var el pleito, y les parlofoneara que doña
M aría Josefa Bureba tenía interesantísimas
cosas que comunicarles, para lo que, a to­
dos reunidos, los aguardaba a las cuatro
en punto de aquella tarde en casa de su
abvuelo, don Jaime Ripoll. Recalque bien
— 1® dijo— que de los quebrantos que pudie­
ra acarrearles su falta de asistencia me de­
clamo irresponsable.
— Ahora, papá— María Pepa llamaba siem­
p re papá a Ripoll, abuelito Fu a Haupft y
Ñimo al italiano, vas a ponerte de tiros lar­
gos e irte al Consejo.
— Poro Pepeta. ¿Estás enterada del con­
flicto? ¿Sabes lo que se nos viene ensima?
— T,ues, ¿por qué estoy yo aquí?
— Tüntonses, mira, lo primero es ir a casa
dell abogado a que nos aconseje.
— Mañana, pasado; no corre prisa.
— ¡Recongelasión! con la calma. Dises que
no> corre prisa, y entre ta’nto mañana llegará.n los alguasiles y los escribanos y lo em­
bargarán todo.
— Oye, papá, ¿soy yo tonta?
— ¡Tonta tú!...
-—Pues entonces, cuando me ves tranquilai, es que no pierdo tiempo; precisamente
Piara ahorrarlo no te explico nada de lo que
p<or tus ojos vas a ver. Con que no te preocu­
pes, 5ues no habrá embargo y habrá viaje, y

69

muy pronto. ¡Como que van a poder ellos
más que esta aragonesa!...
— ¡Visca la Coronilla!... ¡Visca!...
— Visca todo lo que tú quieras, querido
almogávar; pero ahora no visques más y
vístete, pues para visitar a los señores del
Consejo no estás presentable con tanta man­
cha.
— Pero, ¿a qué voy allá?
— A decirles que pongan un oficio atentí­
simo a ese femenino retoño de Mister Haig,
que tan en solfa los está poniendo, partici­
pándola que revisadas por el Consejo las me­
morias de su señor abuelo, se ha disipado
toda duda sobre el mérito de los respirato­
rios inventos...
— Pero, Pepeta, si no hay duda ninguna,
si no se ha disipado nada, si todo es un puro
disparate... ¿O es que tú crees ahora?...
— Lo mismo que tú, pero no interrumpas;
que el Consejo la nombra Directora de la
Respiración, y que en el viaje respiraremos
todo lo que le dé la gana...
/ — Pepeta, ¡que nos envenena!
— No pases cuidado... Deben además agre­
gar...
— ¿Pero hablas de veras? ¿No es broma?
— ¡Qué ha de ser!...
— I Recongelasión!... ¡Contracongelasión!
Eso si que no. Después que en mis artículos
me has hecho demostrarle... Pepeta, eso es
haser que el Consejo me desautorise, poner­
me en ridículo...
— Lo siento mucho, pero es indispensable.
— ¡Pues no, y no, y no! ¡Ea!... Que no
paso por eso... ¡Que no, que no!...
— Papá, me prometiste no tomar perras.
— Pero también me prometiste tú que na­
die me hurgaría. Y me parece que ahora...
— Soy yo quien te hurga...
— Y tanto. Te has acostumbrado a abusar
cada día más, y lo de hoy ya pasa de lo to­
lerable.
— Bueno; de modo que tú crees que tu
Pepeta no te quiere.
— ¿Quién ha dicho eso?
— Tú: ál suponer que quiero ponerte en ri­
dículo...
— Digo...
— Y si yo te aseguro, por ese poquito que
te quiero, que no quedarás en ridículo, ¿ha­
rás lo que te pido?...
— Si tú aseguras eso... Bueno; haré todo
lo que se te antoje... Pero no me hagas tram­
pas; y antes explícame cómo puede ser que
no quede en ridículo.
— Entonces ya no tendrá gracia que obe­
dezcas. Cuando las mujeres queremos que
quienes nos quieren hagan lo que queremos,
nunca explicamos nada. Y que, además, no

70

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

puedo perder tiempo. Fíjate bien: al ünal
los herederos, se vió en el caso de suplicar
del olicio han de decir que debiendo ella y
a los dignos curiales la dispensaran aquel
yo proceder de acuerdo en el arreglo de los
día de prolongar conversación que otro cual­
detalles de su cooperación al viaje, 'es pre­ quiera sería muy agradable.
ciso que nos avistemos; para lo cual, y a ñn
Hubo sus dificultades, y se trató de con­
de realizar con la debida solemnidad la pre­ vencerla de la gran utilidad de los servicios
sentación de dos fan ilustres damas científi­ de personas letradas, pero inútilmente; has­
cas, mañana, a las seis de la tarde, celebrará
ta que, al cabo, levantándose, dijo que re­
sesión el Consejo, a la cual nos invita.
nunciaba a la entrevista, pero que de las
—¿Pero adonde vas a parar?
consecuencias no se quejaran luego los Cas­
—Al final, si tú no me interrumpes. En­ trejos.
cárgales que vuelquen el tintero en alaban­
Como aquella mujer hacía de todo el mun­
zas a esa señora. ¡Ah! El oficio que no se lo
do cuanto le venía en gana, e insinuó uno
lleven esta tarde, sino mañana a medio día.
de los convocados que por oír nada se per­
—¿Y si el Consejo opina que desir ahora
día, y acaso se arriesgara mucho con no
blanco cuando ayer desía negro?... ¿Y si no
oír, decidieron los otros suplicar a los seño­
quieren?...
res asesores, tan atentamente como lo había
Les contestas que no hablas solamente en hecho María Pepa, que tomaran la puerta;
tu nombre y en el mío, sino en el del abuecosa que, al cabo, hicieron, rezongando, de
lito y en el de mamá.
malísima gana, y encareciendo mucho a sus
— ¡Ah! Haupft y Fognino saben ya...
clientes que a nada se comprometieran sin
-—Ni jota, pero es igual.
consultarlos a ellos.
— Sí, como yo: los tres iguales. ¡Esta Pe— ¡Vaya un modo de plantear claras las
peta!... ¡Esta Pepeta!...
cuestiones y de irse recta al fondo el de la
— Si se resisten, hazles ver cómo han
aragonesa!
puesto ellos las cosas por no contar conmigo.
— Señores—comenzó— . No he querido ha­
Diles que tomando yo el timón respondo de
blar delante de abogados y escribanos, por­
sacarlos del atasco, pero que para deshacer
que todo lo embrollan, en su interés de ha­
el enredijo que ellos han armado, necesito
cer durar los pleitos. Lean ustedes la tran­
que ni pregunten ni discutan, sino que me
sacción que acabó el sostenido por sus as­
obedezcan. Si les conviene asi, denlo ya todo
cendientes contra el Instituto, y verán que
por arreglado; si no, ahí queda eso, y me
entre ambos litigantes percibieron ciento
vuelvo a Zaragoza. Y puede que también yo
veinte millones, mientras curiales y compo­
les ponga pleito... Si aun así se hacen de
nedores se embolsaban doscientos veintiuno.
pencas, te permito que, por esta vez, les ar­
Cuarenta y cinco años duró aquel litigio.
mes la gran perra y te acuerdes de tu san­ ¿Se atreverán ustedes a predecir cuánto du­
gre catalana y de las barras y de los Roger.
rará éste?... Si acaso, lo ganarán los nietos
Y ahora, vete ya y procura volver para cuan­
de las personas aquí presentes.
do lleguen los Castrejos. Yo voy a meditar
Reflexionando en lo pasado y en lo presen­
mi plan un poco, pues hasta ahora sólo en
te, y suponiendo no será grata a ustedes tal
conjunto lo he hilvanado.
espera, pues, aunque miren por sus nietos,
Allá se fué Ripoll a librar la batalla, de la
también han de mirar por sus propias per­
que, aun siendo brava, regresó triunfante.
sonas, he pensado que acaso pudieran uste­
Al volver él ya llegaba a la puerta el pri­
des preferir gorrión en mano, hoy, a gallina
mer Castrejo seguido a poco de sus demás
volando dentro de medio siglo. Mas cuando
parientes.
vean que los gorriones que yo ofrezco están
Cuando estuvieron todos reunidos, se pre­
en buenas carnes, cual lo demuestro brin­
sentó María Pepa en el salón donde aguar­
dando la siguiente transacción:
daban, sorprendiéndose de encontrar veinte
Antes de salir de esta sala me firman to­
en vez de cinco herederos: multiplicación
dos los presentes un documento, desistiendo,
que se explicaba por venir cada uno asistido
para hoy y para lo venidero, de toda recla­
de notario, abogado y procurador.
mación sobre el legado y retirando la enta­
Congratulada mostróse María Pepa de ha­
blada contra el Instituto Planetario; y en
ber dado ocasión a que le fueran presenta­
cuanto lo hayan hecho, también yo firmo a
cada uno un cheque de cincuenta millones.
dos aquellos dignos representantes del foro
y de la curia, quedando agradecida a sus
—Es a ustedes notorio que soy propieta­
visitas, que aprovechó para ofrecerles su
ria de los once mil y pico del premio que
amistad y su casa; pero para venideras oca­
gané, aparte mi anterior y más modesta for­
siones, pues no teniendo nada que decirles
tuna. A disposición de quien quiera consul­
por entonces, y deseando hablar a solas con
tarlo, está, sobre esa mesa, el saldo legaliVIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

DE LOS ANDES AL CIELO

71

¡A h!, me olvidaba; pásate luego a dejar tar­
jeta en las casas de esos señores
— ¿De los Castrejos? ¿Para qué?...
—No; esos tienen bastante con sus che­
ques. Me refiero a los abogados y los pro­
curadores. Han venido a tu casa..., y los he­
mos echado... Ya que por mí se tiren de los
pelos, no hay por qué hacerles encima gro­
serías.
y
— Bueno, Pepeta. Iré... ¡Ah! De esos dos­
cientos cincuenta millones haremos una facturita y se la pasaremos al Consejo.
— Papá Ripoll. Isabel la Católica no lo
pasó factura a nadie.
— Porque los castellanos no entienden de
negosios; así les lusió el pelo...
— ¡Bah!... ¿Qué son doscientos cincuenta
millones para quien tiene once mil con un
pico todavía mayor que el que se llevan esas
gentes? Nada, papá, no hagas factura, y, en
el balance, cárgalos a alfileres de la propie­
taria.
Ha de advertirse que Ripoll era el tenedor
de libros de su nieta, pero sin cobrar sueldo-

zado de mi cuenta corriente en el Crédito
Arauco-Plateño de esta plaza, ascendente hoy
a mil doscientos veintisiete millones y unos
cuantos millares de pesetas, que mi memoria
no recuerda, y que aseguran la firmeza y el
crédito de mis cheques. Y nada más tengo
que decir sino darles las gracias por la aten­
ción que me han prestado.
La propuesta produjo sensación. Tratóse
de discutir, contestando María Pepa que te­
nía prisa, y que allí no cabía sino tomar o
dejar. Ante lo cual optaron por renunciar al
pleito y aceptar los millones.
Ripoll, que había estado contemplando em­
belesado a su nieta, dijo cuando «atuvieron
solos:
— Pepeta, m’acordabas de Isabel la Cató­
lica cuando daba sus joyas para descubrir
el Nuevo Mundo... Ya, tú, habías antes des­
cubierto el tuyo; y, sin embargo, las has
dado...

— Y ya has visto, papá, que no hay em­
bargo. Pues ya verás mañana en el Consejo...

XXI
FRENTE
A la mañana siguiente pasó Sara un mal
rato, cuando Mañas y Uñas, pisándose uno a
otro los talones, le trajeron la noticia de que
ganada ya la primera batalla, se trocaba la
victoria en derrota por la impensada reac­
ción ofensiva de la decidida Capitana, que
de los Andes bajó a luchar en las mismas
guerrillas. Mañas y Uñas, que para nada
servían ya a Misstress Sam, fueron despedi­
dos del hotel de Challao con cajas destem­
pladas.
— Estúpidos— decía Mañas refiriéndose a
los Castrejos— . Por doscientos cincuenta mi­
llones perder treinta y tres mil.
— Lo malo, amigo—respondió Uñas— , es
que no a ellos, sino a nosotros nos los han
birfado.
Quedóse Sara meditando que no pudiendo
y a la curia frustrar el viaje, había llegado
el caso de poner ella en juego sus propias
baterías y reservas: bien para hacer que el
autoplanetoide fracasara en las pruebas,
biien, cuando no, para evitar la clcjcrr, “
em tierra cuando echara a volar: que una
* v ez dentro de él, malo sería no Ideara algo
que diera que sentir a la inventora.
El camino que, por lo pronto, tenía más
a mano, era apretar de firme en su polémica

A

FRENTE
con el Consejo; crucificarlo vivo a envene­
nadas zumbas, para que asustado del ridícu­
lo se aviniera a hacer paces. Cedería ella
en no hablar más del invento de su abuelo,,
y en resignarse a dejar a los expedicionarios
libertad respiratoria; mas sólo a cambio de
pasaje en el orbimotor para ella y Alvaro,
y, en concepto de dietas del viaje, aquellos
cinco millones que ella les habría regalado
al renunciar al nombramiento de directora
de la respiración.
Y estando ya semicelosa de María Pepa,
¿iba a meter a su Alvaro en el bombo con
ella?...
Este, precisamente, era el mayor maquia­
velismo del plan de Sara, porque su Alvaro
entraría allí, odiando, mejor aún, despre­
ciando a María Pepa, para ser auxiliar, más
ciego y entusiasta que nunca, de las maqui­
naciones de su querida y laica esposa.
Pues, aun sin contar con lo imprevisto,
para todo esto serviría aquella llave eléctrics. de tiempos, a la que Krenk estaba dan­
do ya la última mano.
En esto, la llegada del oficio del presiden­
te del Instituto acabó de quitarle el mal hu­
mor que le habían excitado Uñas y Mañas;
porque ya no hacía falta negociación ni com-

72

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

ponenda con el Consejo que, asustado sin y la morena, tan pronto tenía ganas de mi­
duda, se adelantaba a concederlo todo sin rar a la rubia como a la morena.
pedir nada en cambio. Iría en el novimunTal vez pensaba que el matrimonio laico
do, si antes no reventaba el novimundo en necesitaba todavía perfeccionamientos capa­
mil pedazos, que bien podría ser, pues en el ces de satisfacer plenamente complicadas as­
universo no es cosa insólita que los astros piraciones del corazón humano, y dar ame­
estallen. Y esto era, tal vez, lo que ella re­ na simultánea variedad a la expansión de
los dulces afectos matrimoniales. Acaso me­
servaba a lo imprevisto un rato antes.
Por lo pronto, iba a encontrarse frente a ditaba que todavía era susceptible la insti­
frente con su odiada enemiga. Y se alegraba. tución laica de mayor amplitud, ya qt e nada
Y llevaría a Alvaro; pues quería aclarar podía pedírsele en cuanto a libertad. Y em­
ciertas dudas que le iban escociendo, ciertos brionariamente veía surgir de otro progreso
recelos del mañana, que si, cuando ella lo jurídico social la institución de un nuevo
observara, al carearlo con la otra, se confir­ matrimonio que podría llamarse mormonomaban, le indicarían claro el medio de ex­ laico, o laico-sultánico. Pero como aun no
tirpar de cuajo lo que menester fuera. Por­ había llegado el caso, estaba en un aprieto,
que a su Alvaro, que era un inocentón, le pues teniendo gran gana de mirar a las dos,
leía ella los pensamientos antes de enterar­ no se atrevía a mirar a ninguna.
Lo peor del trance fué cuando, acabados
se él de ellos.
La solemnísima sesión de aquella tarde, los discursos, y la sesión con ellos, llegó la
de la que acaso espera el lector violento hora de la conversación general entre Sara,
choque o pullas cáusticas entre dos bravas María Pepa, los abuelos de ésta y el marido
hembras como la comandanta y la capita­ de aquélla, que al ser como tal presentado
na, fué de lo más digno y científicamente estuvo todavía más hosco y más huraño que
correcto que imaginarse pueda. Pues las dos en Maipo con la bellísima morena, porque
adversarias eran damas distinguidas, y se tenía un miedo horrible a la preciosa rubia.
tenían toda la antipatía necesaria para di­ Y gracias que de su azoramiento y cortedad
simularla bien; a lo menos, mientras las co­ le sacó Ripoll estrujándole a abrazos en
se enteró de que aquel guapo mozo
sas no llegaran a lo que sabe Dios si llega­ cuanto
era el que había salvado a su Pepeta.
rán más adelante.
Sara, que no quitaba ojo a Alvaro, sabía
En su discurso se deshizo María Pepa en
a qué atenerse. Hasta hoy no hay nada
elogios de Mister Haig y de su invento y en ya
—se
pero podría haber mucho si yo
piropos a la extraordinaria competencia, no lodecía—,
Y se quedó tranquila por
para ponerlo en práctica, de su sapientísima tener laimpidiera.
de impedirlo.
heredera. Ella, María Pepa, tendría verda­ María certeza
pensaba entonces que no el
dero placer en respirar todos los gases que ser ambosPepa
de la Cuarta División Ligera era
quisiera ofrecerle la doctísima académica de la
causa de que vinieran juntos; y no di­
Boston y bizarra jefe de la Aéreo-Armada gamos
que se alegró, ni mucho menos, pues
Yanqui.
quien
se
alegra no suspira; pero en cuanto
No se quedó ésta corta en su respuesta, se dijo está
casado, ella también quedó tan
que terminó expresando la esperanza de que tranquila. Tranquilidad
que acaso no habría
aquel viaje extraordinario, que juntas iban sido tan serena a saber que
unión era por
a realizar, fuera cimiento de la más pura y lo laico; pues a pesar de susutalento,
no en­
fraternal amistad entre quienes desvie aquel tendía
ella
tales
bodas.
Mas
como
por
enton­
día podían llamarse compañeras de armas ces los creía tan casados cual si el propio
y hermanas en la Ciencia.
San Pedro hubiera bendecido la boda, no
Las dos estuvieron finísimas, casi cordia­ pensó más en ello.
les; y si no se besaron fué porque en el si­ Una vez que, como era de rúbrica, habla­
glo XXII no besaban las damas sino a los ron un poquito de la salvación de María
caballeros.
Pepa, se pasó a concretar los términos en
Y con esto acabó la sesión pública, duran­ que Sara prestaría su cooperación al viaje,
te la cual se preguntaba María Pepa por qué diciendo ésta que necesitaba, en primer tér­
vendría Don Alvaro Fairelo acompañando a mino, hacer una visitita al interior del no­
Mistress Sam. Será—pensaba—, porque los vimundo en construcción para planear el
dos son de la Cuarta División Ligera. Y pue­ trazado del laboratorio y decidir la instala­
de ser, esto es figuración del relatante, que ción de sus aparatos, teniendo en cuenta el
María Pepa hubiera preferido que sirvieran lugar que hubieran de ocupar y el espacio
en diferentes divisiones.
disponible.
En cuanto al pobre Alvaro, entre la rubia
Perfectamente le parecía el propósito a

DE LOS ANDES AL CIELO

Alaría Pepa, mas preciso sería demorarlo
unos días; no solamente por lo atrasado de
las obras del autoplanetoide, sino porque
antes de proceder a la fabricación del uten­
silio respiratorio había que llenar la formajidad, meramente de trámite, de poner a
prueba el invento: una pequeñez, dada la
confianza que inspiraban los ingredientes y
mótodos respiratorios Haig, pero ineludible
por ser de carácter general. Así se había he.
cho con todos los modestos inventos y apli­
caciones de que ella era autora; así se haría
con el mismo autoplanetoide, antes que en
él embarcara el pasaje.
—Perfectamente: es justísimo. Prepararé
unos aparatos reducidos, meramente experi­
mentales, que en uno o dos días de perma­
nencia allá puedo instalar provisionalmente
para las pruebas.
—¿Allá?... ¿Dónde?... No entiendo.
—En el autoplanetoide... Yo creo que don­
de las cosas han de usarse es donde más
conviene ensayarlas.
-—En tesis general, cree usted divinamen­
te; pero en este caso tropezamos con el in­
conveniente de que todos los accesorios se
han ensayado fuera de él, para evitar que
accidentes impensados, pero frecuentísimos
en primeras pruebas, pudieran estropear
nuestro novimundo.
—Yo respondo de que no habrá accidente.
—Yo también, no diré que respondía, mas
s! que confiaba en que no habría de haberlo,
y no lo ha habido, en las pruebas que yo
personalmente, y sólo yo, he realizado, no
arriesgando otra vida que la mía... Y, sin
embargo, y no obstante mi confianza, nin­
guna de esas pruebas ha sido hecha dentro
del autoplanetoide. Desearía poder hacer en
honor de usted una excepción, pero no está
en mi mano, por ser acuerdo del Consejo.
Sara rugía, aunque en secreto, de coraje,
al ver que María Pepa le había calado las
intenciones, frustrándole el proyecto de pa­
sar varias horas en el bombo, así lo llama­
ba ella, aprovechándolas, si podía, en inuti­
lizarlo para las pruebas, o, en último extre­
mo... Pero comprendiendo que debía disimu.
lar, y que seria inútil insistir, continuó en
el mismo afable tono por ambas interlocutoras empleado:
—Me hago cargo perfectamente de esas
dificultades, y no insisto; pero entonces las
pruebas...
—Pueden realizarse en un salón de este
mismo edificio, que calafatearemos para evi­
tar escapes de gases. Traeremos aquí los
aparatos, preparará usted la atmósfera
Haig, y en cuanto esté corriente. <¡untas nos

encerramos, usted y yo, en el salón, por
veinticuatro horas.
—¿Nosotras?...
—Qué, ¿le sorprende mi deseo de acom­
pañarla?... ¿Quería usted entrar sola?... Nolo consentiré... Aun cuando sea usted la di­
rectora de ese importante servicio, yo soy
la capitana de la expedición, y es mi deber
cerciorarme personalmente de todo. No es
desconfianza, esté segura; si la tuviera no
entraría. ¡Qué ha de ser, si he estudiado
atentamente la luminosa memoria del ilus­
tre abuelo de usted!...
Sara hacía esfuerzos para no estallar;,
pues estallar sería confesarse vencida; pero
decíase interiormente que oficio, sesión,,
nombramiento de directora, no eran sino
lazos donde torpemente se había dejado co­
ger por aquella moza, que no contenta con
haberle ganado la primera partida, se esta­
ba burlando de ella en su misma cara con
lo de la luminosa memoria, que las dos sa­
lían no era sino tejido de sandeces; con
las veinticuatro horas en téte-á-téte respi­
ratorio para aspirar las porquerías de su es­
túpido abuelo. Bien, bien sabía la taimada
española que ella no habría de entrar; por
eso se brindaba a acompañarla; por eso in­
sistía, para ponerla en el trance de renun­
ciar a las pruebas, confesando que el inven­
to era una paparrucha, y Haig un majadero,
y una farsante ella. El odio, el despecho y el
coraje le subían a la cara, cambiándole el
precioso rosa de las aterciopeladas mejillas
en palidez amarillenta, delatora de rabiosa
cólera, que gritaba, ¡chilla, araña, muer­
de!...
Gracias a que Alvaro no vió entonces su
rostro, pues continuaba huido de la gentil
pareja, y de espaldas a ella conversaba con
Fognino; gracias a que Sara tenía suficientetalento y se hizo cargo de que arañar y mor­
der, cual le pedía el cuerpo, a quien tan de­
ferente se mostraba con ella, sería exabrup­
to que en contra suya se volviera; gracias
a todo esto no acabó en arañazos y mordis­
cos la cortés conferencia; porque a todo seimpuso su bien templada voluntad.
¡Pruebas!... ¡Qué había de hacerlas ella!
Pero eludirlas era aprieto del que con cal­
ma pensaría cómo zafarse; pues lo que por
lo pronto urgía era salir gallardamente det
atolladero del momento: no con la otra, queya sabía a qué atenerse, pero siquiera con
el público, y, scbre todo, con Alvaro.
Para ello no había sino decir amén a todo,,
hablar de la preparación de las pruebas, ver
el salón, dar gracias a María Pepa por sn
agradable y encantadora compañía duran-

74

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

te las veinticuatro horas de duración de
para humillarnos con ofensivas desconfian­
aquéllas; y hasta fijar para ocho días des­ zas exteriorizadas en la negativa a que tú y
yo entremos en el autoplanetoide. Es un me­
pués la fecha del experimento.
Cuando se despidieron iba bramando in­ dio de obligar a nuestra dignidad ajada a
que renuncie a pruebas hechas en condicio­
teriormente Mistress Sam-Bull.
—Ha sido un lazo, un lazo en que he caí­ nes deprimentes. Ese es su agradecimiento
do estúpidamente. No sólo es sabia y es va­ a quien acaba de salvarle la vida.
De pronto, una idea cruzó su mente, un
liente, sino que hoy ha sido más lista que
plan se formó en ella, y en consecuencia
yo. Y se queda pensándolo y burlándose,
pues tiene la certeza de que no haré las
dijo:
— Y temo que también sea un ardid para
pruebas, y de ponerme en evidencia. Pero
no sabe ella todavía con quién tiene que ha­ adormecernos en ciega confianza.
—Pero, ¿con qué objeto?...
bérselas.
— No sé, no sé..., es instintivo, pero tengo
— Parece que estás enferma, vas muy pá­
lida—dijo Alvaro cuando estuvieron en la miedo; miedo de ella. ¿Por qué? No sé, pero
todo lo temo, me siento amenazada.
cometa propia que los llevaba a su hotel.
—Lo que estoy es indignada del lazo vil
* *
*
que se nos ha tendido.
A partir de aquella tarde y de la conver­
Siempre que con su marido hablaba mal
sación recién transcripta, no conocía Alva­
de María Pepa, empleaba Sara la primera
ro a su valiente esposa en la débil criatura
persona del plural.
que al menor ruido sentíase sacudida por
— ¡Un lazo!...
temores neuróticos de ignorados peligros.
—Qué, ¿no lo has conocido?... Claro; toda
la tarde parecías un palomino atontado, hu­ Aquella mujer no parecía una aguerrida co­
mandante de la Cuarta División Ligera. Sus
yendo de mí...
—Como estabas con esa, y me es tan anti­ compañeros la habrían desconocido. Gracias
que sólo la veía su esposo, que no divulga­
pática...
Sara no dijo nada, pero clavó en su mari­ ría tales flaquezas, y acudía a cuantos me­
do una mirada larga, intensa y no muy ca­ dios se le alcanzaban para vencerla disipan­
do tan irreflexivos terrores.
riñosa, que lo puso colorado hasta lo blanco
Al día siguiente del torneo femenino ha
de los ojos. El prosiguió vacilante:
poco relatado, conversaban María Pepa y
—Pues yo creía que estabas satisfecha,
mamá Fognino.
porque como quedasteis acordes en lo de las
— ¡Qué lástima!—decía éste, que cual to­
pruebas; como elogió calurosamente el in­
das las madres se preocupaba mucho con
vento de tu antepasado, y de ti misma dijo
las proporciones que pudiera ofrecérsele a
no más que tú mereces, pero...
su niña—que un muchacho tan agradable
Sara sentía que la cólera hasta entonces
contenida se desbordaba, hasta rebosarle
esté casado con esa señora, que, aunque
por la boca en un “ imbécil”, que se le esca­ muy guapa, no me pasa de los dientes.
pó; pero inmediatamente, y no queriendo
— Sí, como guapa puede apostárselas con
nunca mostrarle a Alvaro al desnudo su
cualquiera—contestó María Pepa, tal vez no
violencia, se dominó, suavizando el alcance
muy satisfecha de tener que confesarlo— ,
de su desahogo.
pero con ella me pasa lo que a ti, que no
me pasa.
— ¡Imbécil!..., te creería algunas veces
quien no conociera tu talento...
—Me alegro. Pues creo que debes andar­
te con cuidado. Cuando estabais hablando
—Pero si han confesado que tenías razón;
si hoy ha coronado el triunfo tu científica
he visto en ella algo, no me preguntes qué,
polémica con Itipoll; y con el reconocimien­
pero algo que me hace estar seguro de que
to de todos tus derechos has alcanzado esa
te aborrece.
^honrosísima dirección respiratoria, que,
— ¡Qué tontería!... A lo sumo, rivalidad
además, nos asegura la asistencia al hermo­
cienífica, celillos del oficio.
so viaje que tanto apeteces realizar...
— No, María Pepa, no; es algo más. Te
—Alvaro mío, como bueno, eres inocente.
lo dice quien tiene un corazón muy leal y
Todas esas confesiones, reconocimientos y
una nariz muy larga. Cuidado con ella. Yo
'honores, no son sino un lazo, una añagaza
no la perderé de vista...

T*

DE LOS ANDES AL CIELO

XXII
SE

ACABA

LA

FABRICACION

Las dos victorias sucesivamente alcan­
zadas por María Pepa en el pleito Castrejo y en el pleito Haig-Sara habían dejado
franco el camino para activar con toda ra­
pidez la fabricación del autoplanetoide.
Terminada su doble, o, m ejor dicho, su
triple cáscara, pues en ciertos aspectos tan
coraza era la de oxígeno como las dos de
vidrio córcbeo, majestuosa se elevaba sobre
las gradas del astillero del alto valle de Pa­
ramillo la enorme mole de la brillante y
transparente esfera de 600 metros de diá­
metro, donde el Sol refulgía con deslum­
brantes resplandores.
Para darse cuenta del tamaño de la gran­
diosa bola de cristal-corcho no estorbará,
echar mano de unas cuantas comparacio­
nes.
La altura de ella, de polo a polo, resul­
tó ser unas diecisiete veces mayor que el
Viaducto de la calle de Segovia, de Madrid;
quince la del célebre puente de Brooklin, de
New-York; seis más que el Capitolio de
Wàshington y la Giralda de Sevilla; cuá­
druple que la Gran Pirám ide de Oheops y
que la Catedral de Colonia y doble que la
Torre Eiffel.
%
En otro aspecto, la superficie del círculo
ecuatorial, comprendido dentro de la esfera
interior, en el cual se había de edificar
la ciudad de Noviópolis, tenía superficie
que haría la de esta población igual a cua­
tro plazas de España, de Madrid, o al Par­
que de Barcelona, bastante mayor que el
parque Cristóbal Colón, de Buenos Aires;
que el Campo de Marte, de Berlín, y que
Scuthwork, de Londres; como tres veces
la Alameda de Méjico y como seis Madisson Square, de New-York.
Por último, si en lugar de tener que alo­
jarse en su interior hubieran podido los
habitantes que pronto van a poblarlo andar
por cima de él, habrían tardado cerca de
media hora, a paso regular, en dar la vuel­
ta a su contorno, y dar paseos sobre su su­
perficie muchísimo mayores que en el Re­
tiro, de Madrid. •
Puesto que buenamente viene al caso la
cuestión de cómo iban a andar los habitan­
tes de la cristalina esfera, conviene apro­
vecharla para recordar la vulgarísim a y co­
nocida explicación de que si andan los hom-

DEL

AUTOPLANETOIDE

bres sin caerse sobre el contorno del mun­
do, que es una bola, es porque a ella los
sujetan las atracciones que la masa de la
Tierra ejerce sobre todo otro cuerpo mate­
rial, y éste a su vez sobre ella; estas atrac­
ciones, sumadas, se llaman gravedad terres­
tre, o de otro modo, peso de los cuerpos;
hacen caer al suelo a todos los que están
per cima de éste, sin hallarse sostenidos por
algo, y retienen en contacto con la Tierra
a cuantos se apoyan en ésta, impidiendo
que se caigan al cielo (1).
¿Caerse al cielo?... Será elevarse... No,
bien está cual se ha dicho; porque si cual­
quier cosa se alejara del suelo hasta salir
de la Tierra, se elevaría sobre ésta, se ele­
varía en los aires, que aun cuando no sean
tierra polvo, son Tierra-Mundo; pero como
al separarse del terrestre globo se iría
acercando al cielo, cuando a él llegara ha­
bría caído en el cielo.
Sin entrar en prolija explicación, que no
es del caso, sólo diremos ahora que lo* he­
chos por que el peso se rige en el universo
son que, trasladado un kilogramo terrestre
(1) Cuando el planetoide se substraiga a la
atracción terrestre, cuando sin otra gravedad que
la suya, propia e interna de él, se mueva en el
espacio ilimitado, y cuando de él comiencen a
tirar las gravedades de Sol, Luna y Planetas,
cada uno de los cuales tiene, como nuestro glo­
bo, la suya propia, que a ellos hace caer cuanto
a su alcance queda, sobrarán ocasiones de en­
tretenernos con curiosísimos problemas, y hasta
con chuscas peripecias provocadas por esos cam­
bios de Intensidad y dirección de las gravedades
en el automundo y en sus sorprendidos habitan­
tes : peripecias y cambios que quienes somos vul­
go en ciencia no creeríamos posible, a no verlos,
perqué para nosotros la gravedad terrestre no
varía de fuerza en términos ¿iue nuestros senti­
dos puedan apreciarlos.
Pensando, pues, que con ejemplos se ven mejor
las cosas, y sobre todo las científicas, con los
ejemplos que el autoplanetoide y sus moradores
nos ofrezcan en el viaje, entraremos fácil y sua­
vemente en honduras, que nos asustarían ahora,
relatando curiosos y sorprendentes fenómenos, de­
bidos a la inconstancia y a la combinación de
diversas gravedades en la planetaria expedición,
limitándonos ahora, por la necesidad de hablar
de una de las aplicaciones del taliuro de Maipo,
a hacer constar, sin entrar en detalles ni demos­
traciones, que la fuerza de la gravedad, que a
los mundos sujeta los cuerpos pertenecientes a
ellos, es tanto mayor cuanto mayor la cantidad
total de la materia de esos mundos, o su masa,
como dicen los físico s; cosa que se parece mu­
cho al peso, Dero r e no es lo misma.

76

MAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

a otros astros, no pesa sino 439 gramos en
Mercurio y 174 en la Luna, mientras en el
enorme Júpiter pesa dos kilogramos con
261 gramos, y en el Sol, 27 con 600 gra­
mos (1).
Dicho esto, entra uno en gana de pregun­
tar: ¿qué pesará un kilogramo en el mi­
núsculo autoastro de María Pepa?... Ha de
ser poca cosa.
Distingamos: mientras aquel mundejo es­
tuvo en su astillero de Paramillo, para que
en él metieran los numerosos edificios, apa­
ratos, máquinas, etc., etc., que constituían
su equipo, el esfuerzo correspondiente a los
kilogramos del peso terrestre de cada pie­
za, y a la distancia y altura a que debía ser
transportada, fué eJ exigido por la insta­
lación de cada una. Pero esto era porque el
autoplanetoide y sus piezas estaban todavía
en la Tierra, y el peso en ésta de ellas era
el que había de vencerse. Cuando aquél se
remonte, los gravímetros en él instalados, e
inventados por Haupft, nos irán diciendo
cómo la gravedad terrestre vaya menguan­
do en fuerza en el autoplanetoide y reba­
jando el peso de los kilogramos eñ él a
(1) Un objeto que en la Tierra pesa un kilo­
gramo es aquel en que todos y cada uno de sus
átomos, o sea la total materia que lo forma, son
atraídos por la masa total de la Tierra, o sea
por todos y cada uno de los átomos de ella, con
tal fuerza que cuando nada lo sostiene lo hace
caer al suelo con la misma velocidad con que
cae una pesa de un kilogramo, o dicho de otro
m odo: aquel que exige para ser levantado del
suelo fuerza igual a la necesaria para elevar la
misma pesa.
Es natural que si ese mismo cuerpo estuviera
en otro mundo que tuviere la mitad o la cuarta
parte de materia que el nuestro, la atracción so­
bre él, o sea la gravedad a que estaría sujeto,
sería la mitad, la cuarta parte, de la que lo atrae
1^ T ie rra ; y el cuerpo no pesaría en esaá otras
tiévras sino 500 ó 250 gramos, a pesar de ser el
mismo y de tener !a misma masa, por ser meno­
res las masas de los mundos que en cada uno de
estos casos lo atrajera.
La explicación es facilísima : entre la pesa de
un kilogramo y cada uno de los kilogramos de
tierras, rocas, mares que componen la total ma­
sa de la Tierra, se ejerce una fuerza atrac­
tiva, siendo la suma de estas atracciones de
todos esos kilogramostierra lo que constituye la
fuerza de gravedad que tira de la pesa hacia el
centro de nuestro Globo. Cuantos más kilogramos
tenga un mundo, más sumandos tendrá la suma
de atracciones que mide la intensidad de la gra­
vedad, y, por tanto, mayor será el peso, que es,
en cierto modo, vulgar medida de la gravedad.
Ha de advertirse que en lo dicho no se toma
en cuenta la resistencia que el aire opone a la
caída de los cuerpos, ni la acción de la gravedad
sobre ellos en estado gaseoso, que complica su
actuación con lo que llaman los mecánicos teoría
cinética de los gases, debido a la repulsión en­
tre las moléculas de ellos, ni tampoco se intenta
considerar casos y circunstancias dependientes de
la diversidad de densidades de cuerpos que entre
sí se penetran.

medida que v a y a alejándose de la Tierra.
Y llegará un momento, y a eso queríamos
llegar también nosotros, en que dichos gra­
vímetros terrestres marcarán cero, porque
a la enorme distancia a que de la remotí­
sima Tierra se hallará entonces el avimundo, la acción atractiva de la gravedad de
ella no será ya apreciable ni sobre los ki­
logramos de su armazón ni sobre los dé
las personas y aparatos transportados en
él. N ada pesará nada mientras no se llegue
a la cercanía de otro astro que en dichos
cuerpos despierte los dormidos pesos; pero
tirando de ellos, no ya hacia la Tierra, si­
no hacia el mundo o sol al que entonces
estén más inmediatos o haga sentir con
mayor fuerza su atracción.
¿De modo que el cuerpo de María Pepa
— el mejor del planetoide, cuyo peso en
Maipo, no obstante su esbeltez, alcanzaba
73 kilogramos— no pesará nada en cuanto
llegue a un punto del espacio en que con
igual fuerza se peleen por llevárselo (1) la
Tierra o Venus?...
Si, algo pesará; pero no ya por la atrac­
ción, que se habrá sacudido, de nuestro vie­
jo mundo, que a lo lejos habrá dejado, y
que entonces verá, no como tierra, sino co­
mo estrella, en la cual nos quedamos mi
pitonisa y yo; no por la que aun no senti­
rá del planeta Venus, sino por la atracción
que ejercerá sobre la Capitana el automundo en que realice su navegación sidérea;
o, dicho de otro modo, en virtud de la gra­
vedad propia que como individuo cósmico,
como astro independiente en el universo,
desarrolle el novimundo para sujetar a sí
las cosas y personas que a su bordo efec­
túen el planetario viaje.
Tal gravedad, y por lo tanto, el peso en
el autoplanetoide de personas y cosas de­
penderá, como en todos los mundos. de su
tamaño y de la materia que en total entre
en su composición; de donde se deduce que
ya en los cielos María Pepa, y puesta en
pie sobre la coronilla de su mundo, pesará
lo que le dé la gana; mejor dicho, la gana
que le dió al fijar el tamaño y el peso del
mundo que iba a fabricar.
Pero, en plata, ¿qué era lo que a nuestra
heroína le había dado la gana de pesar en
las citadas circunstancias? La cuenta es
sencilla: un gramo y unos centigramos. No
(1) En realidad, cuando de Venus diste 28 ó
29 centésimas de la distancia a que se halle de
la Tierra, lo cual resulta de que los 73 kilogra­
mos de María Pepa se reducirían a unos 59 es­
casos en Venus, ya que las gravedades disminu­
yen en razón inversa de los cuadrados de las dis­
tancias a los mundos que los determinan.

DE LOS ANDES AL CIELO

se copia la cuenta por ser preciso manejar
en ella cantidades con números de cifras
un tanto embarazosos, pero cualquiera pue- '
de hacerla sabiendo que el autoplanetoids
pesaba, cuando quedó completamente listo,
unos 20 millones de toneladas, y la Tierra,
5.414 trillones de ellas; que el radio medio
de nuestro mundo mide 6.367.067 metros,
y el del moto-estelar, 300.
Ha de advertirse que si la Capitana lo­
gró alcanzar tal peso fué sólo a fuerza de
lastrar su mundo con seis millones de to­
neladas de taliuro que metió dentro para
aumentar la masa, y con ella la fuerza de
la gravedad por ésta desarrollada; pues
■cuando acabó de inflarse el planetoide no
era la suya, según antes se ha dicho, sino
de unos catorce millones de toneladas.
Con esto no habría llegado María Pepa al
gramo, lo cual le pareció muy poco para
su estatura aventajada de un metro y seis­
cientos noventa milímetros.
Para eso quería ella el taliuro, aparte,
claro está, la principal aplicación de él co­
mo fuente de donde manaba el cinetorio:
es decir, la fuerza, la velocidad y el go­
bierno de su orbimotor, según queda expli­
cado en anteriores páginas.
Para eso, y para otras cosas, también
relacionadas con la gravedad, que el viaje
nos dirá, y en las cuales no podemos aho­
ra detenernos por tener prisa ya de levan­
tar el vuelo.
'V
En la segunda mitad de febrero de 2186
quedó terminado el embarque en el orbi­
motor del lastre de taliuro, casi' en total
privado de su cinetorio. Fué estibado en la
parte inferior del vano entre las dos con­
céntricas envueltas cristalinas que consti­
tuían la doble pared del estelar vehículo,
perforando en el centro de esta masa de ta­
liuro un gran orificio cilindrico de diez me­
tros de diámetro, por el cual pudiera, des­
de dentro, aprovecharse la transparencia de
las paredes para mirar al exterior, a tra­
vés de la zona ocupada por el mineral. Este,
con su gran densidad de 37 toneladas por
metro cúbico, era un contrapeso útilísimo
al autoplanetoide, por prestarle el mismo
servicio que a ciertos monigotes amputa­
dos de ambas piernas, y conocidísimos de
todos los chiquillos que con ellos juegan,
les presta el plomo encerrado en sus enor­
mes barrigas. Consite tal servicio, y hablo
ele los muñecos, en que por mucho que se
los incline vuelven con toda rapidez a po­
nerse derechos por sí solos; y arrojados a
lo alto, nunca corren peligro de romperse
la cabeza por caer siempre, no digamos de

77

pies, pues no los tienen, pero sí de panza.
En cuanto al novimundo, asegurábale su
lastre del riesgo grave de caer en los pla­
netas, cuando en ellos cayera, de cabeza.
E¡_tá mal dicho, porque él, aun faltándole
el lOtre, siempre caería de panza, como los
muñecos, pues todo él era panza; mas los
■viajeros en su seno alojados caerían, gra­
cias al taliuro, de pie, que todo el mundo
sabe es la mejor manera de caer en cual­
quier parte. El servicio no es flojo, y con
él ya conoce el lector la segunda aplica­
ción en que empleaba María Pepa el cita­
do metal.
Van dos: fuerza propulsora obtenida del
cinetorio y equilibrio estable del artefacto
y de las cosas y personas transportadas en
él. Van dos, y quedan otras que a su tiem­
po saldrán.
Además del orificio o ventana doblemen­
te acristalada con cristales de diez metros
de grueso, practicada en el lastre del ta­
liuro, todavía se perforó otro agujero más
estrecho, de tres metros de diámetro, a tra­
vés de los veinte de longitud del lastre. Los
extremos de aquel hondísimo agujero co­
rrespondían a las puertas de igual diáme­
tro que se recordará fueron vaciadas en las
concéntricas esferas de cristal que forma­
ban las paredes del nuevo astro. Un tubo
metálico, de recio espesor de paredes, se
enchufó entre ambas puertas, sirviendo de
cilindrico pasillo de una a otra, empotrán­
dolo en las esferas de vidrio y en el lastre
entre ambas alojado. Dicho tubo era el za­
guán de entrada y salida en el novimundo.
y se le dió el adecuado nombre de poterna,
pues sumando doce metros del espesor del
marco de la puerta boquete de la esfera ex­
terna, otros diez del de la interna y veinte
del vano que las separaba, se obtienen cua­
renta y dos metros de longitucf para el tubo,
que bien podemos llamar túnel, por don­
de, al llegar a los planetas, saldrían a ellos
los autoplanetianos (algún nombre hay que
dar a los habitantes del planetoide), y aca­
so entrarán en el aviplaneta, para venir a
visitar la Tierra, marcianos, venusios y
juníperos, nombre este último que me pa­
rece más eufónico y suave que el Ue jupiternianos.
<
Era, pues, una verdadera poterna cerra­
da en sus dos extremos por tapones tortí­
simos, de hermética obturación doblemente
mecánica, por obtenerse de una parte con
cerraduras y cerrojos, y de otra con tapo­
nes a rosca atornillados en ambos extremos
del túnel. Pero por ser esencialísima la
firmeza de estas puertas, ya que de abrirse

78

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

en marcha se quedarían los viajeros sin
aire respirable, porque la atmósfera inte­
rio r del novimundo escaparía inmediata­
mente a los espacios, no se dió ifor satis­
fecha María Pepa con aquel fortísimo cie­
rre dúplex-mecánico, agregando un tercero,
de presión neumática, y un cuarto, eléctri­
co, cargando los marcos y las hojas de las
puertas con electricidades positiva y nega­
tiva, respectivamente, que, como es sabido,
se atraen de un modo extraordinario. Y
por si acaso fuera poco, entre las dos puer­
tas extremas se montaron tres intermedias.
Nadie podrá negar que aquello fuera una
poterna, y barreada cual ninguna.
¡Cualquiera entraba ni salía allí como no
quisiera María Pepa! ¡Qué cualquiera! N i
un átomo de aire podría escapar sin su
permiso! N i un átomo de aire, pero sí salir
muchos de ácido carbónico, mediante inge­
niosísima combinación que se explicará en
marcha, pues de una vez no puede decirse
todo.
Además de esta poterna, que hacía de
puerta principal, había otras cinco poternillas de menor anchura: una, vertical, de
salida al polo norte, interesantísima por
su utilización en las reparaciones exterio­
res del orbimotor en marcha, y cuatro ho­
rizontales, que desembocaban en galerías
fortísimamente acristaladas, o más bien
casamatas que, aisladas, sobresalían sobre
la redondez del novimundo. Dentro de ellas
se montó la artillería, sin la cual habría
sido imprudente aventurarse en mundos
ignotos sin conocer las disposiciones de
sus -habitantes, que bien pudieran ser hos­
tiles y aun feroces para los forasteros.
Los sistemas de cierre de todas las po­
ternas eran análogos al que ya se ha des­
crito.
Además de las poternas atravesaban el
lastre de taliuro unas cuantas de las co­
lumnas de unión de las dos esferas, exter­
na e interna, que formaban la doble pared
del autoplanetoide; con lo cual, túneles y
columnas (1) hacían el efecto de pasado­
res remachados a ambas esferas, impidien­
do al lastre todo movimiento; es decir, que
aseguraban la estiba de él, dándole perfec­
ta estabilidad.
(1) La propiedad de fundirse el taliuro a
193°, mientras el punto de fusión del vidrio-cor­
cho es de 315°, permitió inyectar el lastre en el
vano donde había de alojarse, no en estado só­
lido, sino líquido, con la ventaja de que, al en­
friarse, en lugar de lastre en pedazos, suscepti­
ble de rodarse, se solidificó todo ól en una sola
masa de seis millones de toneladas, que, atrave­
sada por los remaches, no podía moverse.— Noto
de Haupft.

No, no había cuidado que bailase el cen­
tro de gravedad del autoastro, lo cual ha­
bría sido perturbador, incomodísimo y has­
ta peligroso para sus habitantes.
Y'vam os ahora a la colocación de las car­
gas propulsoras de cinetorio en la super­
ficie exterior del mundo que habían de mo­
ver.
E L AUTOR: Cejamos una naranja y pe­
lémosla— así dijo Ifigenia. bueno, Mademoiselle Thellis, a quien hice observar que
no tienen pelo las naranjas— , y una vez
sin la cáscara... No la parta el lector, pero
repare que la naranja tiene gajos.
UN LECTOR: Vaya un descubrimiento...
¿A qué vendrán ahora esas tonterías?
AUTOR: No sea usted impaciente, que
a algo vienen. Supongamos que son veinte
los gajos.
LECTOR: No he visto ninguna con tan­
tos. Esa es una suposición absurda.
AUTOR: Pues que lo sea. María Pepa ne­
cesita los veinte, ni uno menos, para sus
cargas. Ya que no por mí, haga usted un
galante esfuerzo por complacerla a ella; y
figúrese que ya tiene en la mano la supues­
ta naranja con sus hipotéticos veinte ga­
jos.
LECTOR: Vaya por la galantería.
AUTOR: Pase usted ahora un lápiz azul
a lo largo de las líneas que marcan las se­
paraciones o comisuras entre gajo y gajo...
No soy yo, sino María Pepa quien se lo su­
plica.
LECTOR: Ya está.
AUTOR: ; Gracias. Resulta que tiene us­
ted veinte líneas curvas, azules, formando
ctras tantas semicircunferencias, que de
arriba abajo, desde donde comienzan hasta
donde acaban los gajos, o como si dijéra­
mos, entre los polos norte y sur de la na­
ranja, surcan la superficie de la mondada
fruta.
LECTOR: ¿No podría usted abreviar?
AUTOR: Ahora acabo. Haga usted sobre
cada una de esas líneas veinte redondelitosazules, a igual distancia unos de otros.
LECTOR: ¿Pero usted sabe qué son cua­
trocientos redondeles?
AUTOR: Anda usted mal de matemáti­
cas; son trescientos sesenta y dos.
LECTOR: Cuatrocientos.
AUTOR: Trescientos sesenta y dos.
LECTOR: Cuatrocientos; digo, vein te
por veinte...
AUTOR: Pues dice usted mal; diez ?
ocho por veinte, más uno en cada polo, son
trescientos sesenta y dos.
LECTOR: Bueno; pe^o de todos modos

DE LOS ANDES AL CIELO
tengo que tomar muchísimas medidas... Y
que ya me parece que pasa esto de broma
a burla... En fin, por María Pepa.
AU TO R : Ya sé que por mí no lo haría
usted... Ahora dele a ella la naranja. ¿No
ve que se la pide?
1 ECTOR: Pero si está incomible; hecha
una porquería con tanto manoseo.
AU TO R: No pase usted cuidado; no es
para comérsela, sino para inflarla para lo
que la pide.
LECTOR: Esto ya es demasiado. ¿Es a
estas tonterías a lo que llama usted expli­
cación científica?... Primero, las sandeces
de la naranja; ahora, prestidigitacióñ... En
lugar de explicarnos la instalación de las
cargas, que es lo que había usted prome­
tido...
AU TO R : Y lo cumplo, a mi modo, que
por todas partes se va a Roma. Más tiem­
po que en todo lo que ha hecho usted coñ
la naranja le habría llevado leerse las dos­
cientas páginas que al asunto dedica la me­
m oria de la Capitana. Y puede ser que no
las hubiera usted entendido; mientras que
ahora, en un momento, lo va a ver todo
claro con sólo presenciar y m irar eso que
llama prestidigitacióñ... ¿Prefiere usted
leerse la memoria?... Pues no hablemos ya
más. Mire usted y calle.

En manos de la inventora comenzó la na­
ranja a crecer y crecer, hasta alcanzar los
seiscientos metros de diámetro del autoplanetoide. A la par que crecía realizábase una
curiosa transformación en las rayas azules
trazadas entre gajo y gajo, por virtud de
la cual quedó cada una, al cabo, converti­
da en una escala de peldaños metálicos, en
todo semejante a las que al exterior de los
edificios rascacielos de las grandes ciuda­
des se montan, en sus fachadas, como me­
dio auxiliar de salvamento para casos de
incendio.
Veinte escaleras conducían, pues, de un
polo a otro de la naranja, trocada en nóvimundo, contorneando la superficie exterior

79

de éste. Los trescientos sesenta y dos pun­
tos azules de las diez y ocho rayas se ha­
bían convertido en otras tantas cápsulas de
cineterio, situadas bajo las veinte escalas,
estando cada cápsula comprendida entre
dos tubos excitadores y rodeada además de
quince polos nortes de igual número de
imanes, que formaban las coronas magné­
ticas que circundaban las cargas. Tubos e
imanes son por ahora misteriosos; pero
hora llegará en que sean aclarados.
Cada cápsula, con sus aditamentos, for-*
maba un elemento propulsivo del aviestelar, remachado sólidamente a la superficie
exterior del mismo; en total, trescientos
sesenta y dos elementos que, usados indi­
vidualmente, representaban otras tantas
posibles direcciones de marcha en el uni­
verso que a su disposición tenía la Capi­
tana. Empleándolos por pares le proporcio­
narían posibilidad de navegar en otras
72.771 direcciones; disparados tres a tres,
aumentarían los rumbos disponibles a
8.241.917, y combinados por andanadas, en
las cuales actuaran mayores números de
disparos, darían números tan desmesura­
dos para las correspondientes direcciones
en total utilizables, que no los consigno
para evitar ser acusado de prurito de abru­
mar a la gente con millones (1).
Queda probado, pues, que el autoplaneteide ofrecía medios a su piloto para lle­
varlo a cualquier lugar del universo. T vea
ahora el lector impaciente que me zaheria
cómo, sin leerse la memoria ni atracarse
de indigestos cálculos, sólo con la naranja,
se ha enterado de cómo se montaron las
cargas en el orbimotor y de la sencillez con
que, gracias a ellas, podría María Pepa bu­
cear en el éter, con su autogravitante, en
cuantas direcciones la pluguiere.
(1)
Conste que no es mía la culpa de que las
cantidades consignadas, y las que me callo, sean
matemáticas y positivas verdades deducidas de
las sencillas fórmulas madres y abuelas del vul­
garísimo Binomio de Newton. el cual no insertó
por ser tan conocido que quien deplore la omi­
sión puede salvarla preguntando a cualquier cbicuelo de los que estudian la modestísima Algebra
de los Institutos.

*0

; VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

' XXIII ‘
¡ UNA

EXPLOSION INCONCEBIBLE

E n vista de esto, se le ocurrió, tam bién
Se trab a de tal modo en esta historia lo
solito, a Alvaro traslad arse con su m ujer y
científico con lo episódico y lo pasional,
con la servidum bre al más alegre y concu­
* psíquico, que diría Ifigenia, que en cuanto
rrido hotel de Mendoza.
se atiende a lo uno, quédase, en lo otro,
Algunos inconvenientes puso S ara al pro­
rezagado el relato. Así, aun habiendo pres­
yecto, pues tenía que p rep arar las consabi­
cindido de los detalles de la estiba del tadas pruebas, a lo que se opuso Alvaro, brin­
liuro, de los andam iajes y faenas del mon­
dándose a su b stitu irla en el laboratorio,
ta je de cargas y de escalas para el servicio
para lo cual vendría todos los días desde
de ellas—operaciones que duraron cinco
meses, y quedan despachadas en pocas pá­ Mendoza a trab ajar un rato en Challao, lle­
vándose, al efecto, las llaves del palacete,
ginas— ; aun a pesar de correr tanto, se
pues K renk no las necesitaba ya a causa
nos ha quedado a trá s un resonantísim o su­
ceso acaecido cuatro días después que Ma­ de su inmediato embarco para E uropa en
el siguiente día.
ría Pepa y S ara convinieron en efectuar
Agradecida, .accedió a todo ella, infor­
ju n ta s las pruebas respiratorias, que am­
mando a su marido del cajón del estante
bas sabían no se realizarían.
del laboratorio, donde guardaba la célebre
Se recordará que hablando a Alvaro de
presentidos peligros vagos, aparentaba Sa­ memoria del abuelo Haig, en que se deta­
llaba la m anera de p rep arar los aparatos
ra terrores tan perfectam ente simulados,
y los gases de la respiración científica.
que le alarm aron, haciéndole pensar en
Aquella m ism a tarde, a la caída de ella,
consultar un médico. Como ella se oponía
salieron de Challao todos menos el servio,
tenazm ente a la consulta, alegando repug­
que en cuanto acabara de arreg la r su equi­
nancia a publicar tales flaquezas y nervio­
paje cerraría la puerta y llevaría las llaves
sidades, vergonzosas en una m ilitara, ocurriósele a él, o, m ejor dicho, supo arreglar­ al American World Hotel, donde iba a ins­
talarse el m atrim onio y donde él mismo
se S ara para que se le ocurriera que te­
pasaría su últim a noche de América.
niendo en casa a K renk, médico distinguido
En un momento en que Alvaro subió al
y m uy afecto al m atrim onio, no había ries­
piso principal preguntó Sara a K renk:
go de que se divulgaran las debilidades de
—¿A qué hora será eso?
>
la comandante.
—Son las seis—respondió—. A las siete
Previam ente aleccionado por Sara, y co­
estaré yo en el American, y en cuanto us­
mo si quisiera tranquilizarla, diagnosticó
ted me vea, cuente que no han de pasar
el servio, en presencia de ella y Alvaro,
más de diez m inutos sin que oiga algo.
que todo aquello no eran sino pequeñeces;
—¿Se oirá allí?
pero buscando luego al portugués a solas,
—Y más lejos. El American no está de
le asustó cuanto pudo, hablando de tras­
aquí sino a ocho kilóm etros.
tornos cerebrales, no inminentes, pero sí
Al ver bajar a Alvaro se callaron los dos.
am enazantes^ si con urgencia no eran ata­
* * *
jados aquellos infundados terrores.
Tan pronto K renk se quedó solo, cogió
P ara combatirlos creía lo mejor distraer
a la enferma, cambio de lugares, hacerla
dos robustos cables de cobre rodeados de
perder de vista los paisajes y objetos con­
una envuelta perfectam ente aisladora; se
tem plando los cuales la habían asaltado
calzó botas de caucho y guantes igualm en­
aquellas ideas que de negro teíiían cuanto
te aisladores y se vistió calzones y blusa de
la rodeaba. Debía, además, ver gente, mu­ seda'gutapercha; cubrióse la cabeza de un
casquete de la misma substancia, y con los
cha gente; tener la imaginación a todas
horas distraída; rom per la cárcel del so­ cables, la consabida cápsula de cinetorio,
litario hotel; no pisar el laboratorio; des­
que desde que Sara se la dió unas cuantas
preocuparse de las obsesionantes pruebas,
noches antes tenía bien envuelta en hojue­
p ara las cuales no tenía entonces ni cabe­
las de plomo, y la llave de tiempos, bajó
ra ni nervios, y eran su preocupación a to­
al transform ador, que en el sótano estaba,
da hora.
donde los 90.000 voltios de la canalización

,

DE LOS ANDES AL CIELO

m aestra se convertían en los 400 de la
distribución urbana.
E n cuanto estuvo allí desconectó los con­
ductores de esta últim a de la línea de alta
tensión, a la cual empalmó, por separado,
un extrem o de cada uno de los dos cables
que llevaba, teniendo gran dudado de m an­
ten er distantes los otros extremos sueltos.
Después de esto se dispuso a enlazar uno
de ellos con la llave de tiempos.
E ra ésta un sencillo aparato de relojería
con u na varilla, que, enlazada a una rue­
da g iratoria, giraba como una m anecilla de
reloj, h asta ponerse horizontal, tardando
en ello media hora. A la varilla había de
sujetarse la cápsula, que cuando aquélla
llegara a la horizontalidad tropezaría con
un grueso pedazo de cobre, sobre el cual
descansaba el extremo libre del otro cable.
En tal momento la corriente de alta ten­
sión lanzaría sus 90.000 voltios a la v ari­
lla y a la cápsula, haciendo estallar ésta.
T rein ta m inutos eran tiempo sobrado pa­
ra que antes que sobreviniera la explosión
pudiera K renk subir, cerrar la puerta,
m ontar en su moto y llegar al American.
Ya preparado todo, y dada cuerda al apa­
rato, sacó el servio la capsulilla del plo­
mizo envoltorio, y con extrem adas precau­
ciones, mucha calma y gran tranquilidad y
confianza, fué a su je ta rla a la varilla; pero
en el momento de acercar una a otra, se
produjo un extraordinario fenómeno, pues
sin saltar chispa ninguna, sin que estallara
descarga eléctrica entre los cables conduc­
tores, sin corriente entre ellos, sobrevino
una explosión de violencia inenarrable que
en polvo hizo volar hasta las nubes el
palacete de Challao.

Acababan de llegar Sara y Alvaro al ho­
tel, y comenzaban a instalarse en sus ha­
bitaciones, cuando oyeron un horrendo es­
tampido. Con sacudida que parecía venir
del fondo de la tierra, retem blaron los m u­
ros h asta sus cimientos, y se hicieron añicos
todas las vidrieras de Mendoza, cuyos ha­
bitantes, espantados con el recuerdo, por
tradición conservado de la catástrofe de
pasados siglos, se echaron a la calle g rita n ­
do: ¡Terremoto, terrem oto!...
Pero al ver en los aires, a trem enda al­
tu ra, una densa polvareda grisácea, varió
la gente de opinión, diciendo: “Son cenizas,
son cenizas: es la erupción de un volcán
nuevo”. Pero, ¿dónde, dónde?...
Palideciendo intensam ente al oír el es­
B iblioteca N ovelesco -Científica .

81

tampido, Sara fué la única que supo a qué
atenerse, mas no dijo palabra. La idea de
que ocurriendo la explosión antes de la
hora fijada, no podía el adelanto atrib u irse
sino a accidente, la hizo pensar en K renk,
y dando por segura la m uerte del servio,
tal emoción sintió a la idea de su res­
ponsabilidad en ella, que, sobrecogida de
lástim a y terro r, esta vez no fingidos, per­
dió el conocimiento.
Pronto corrió por Mendoza la noticia de
lo realm ente ocurrido. E ra que había vo­
lado el hotel de Challao y un buen pedazo
del terreno que lo rodeaba. E n el lugar en
donde estuvo quedaba un hoyo de 300 me­
tros de ancho, y más de sesenta de hondo.
M ilagrosamente, no había personales des­
gracias, por estar el hotel bastante aislado,
y porque casualm ente eran los dueños dos
m ilitares yanquis, marido y mujer, que se
habían ido al American media hora antes.
Cuando S ara volvió en sí, Alvaro, que ya
lo sabía todo, nada dijo, para evitarle im­
presiones; y por no abandonarla, estando
enferiiia, no fué a Challao cual deseaba.
Ella, aterrad a con el recuerdo de K renk,
comprendiendo que si hablaba no podría di­
sim ular, disfrazaba de enferm edad su es­
panto.
Pero una noche entera, aunque fuera ma­
lísima, le era muy suficiente para rehacer­
se a una m ujer del temple de Sara. E lla no
tenía la culpa de la m uerte de K renk, que
estaba bien seguro de su célebre llave: él
era el solo responsable por haberse equivo­
cado. Ella no había querido sino volar u na
casa inhabitada; y deplorando, claro está,
la desgracia, la absolvía su concierfcia, sin
que influyera en ello el ahorro de los 50.000
dólares del talón que había dado al servio,
y que éste no se p resentaría a cobrar en
Londres, donde habían de pagarlo. Y como
lo de K renk, que era un pillastre, no ten ía
ya remedio, y como para algo había ella
volado el hotel, lo urgente era sacar de lo
hecho el partido previsto.
A la m añana, tranquila ya. mas cual si
despertara de un sopor, pidióle a Alvaro
explicación de lo ocurrido; y éste, que re­
gresaba de Challao, la inform ó de todo.,
ponderando los terribles estragos de la ex­
plosión, agregando que no conocía explosi­
vo capaz de producir tan horribles destro­
zos. Tanto que a no haber tirado él mismo
la capsulilla de cinetorio a la laguna...
—¿Tendría—dijo—el pobre K renk alguna
otra cápsula?
—De ningún modo—contestó S ara—. ¿No
viste su te rro r al instarnos a que no nos
D e los Andes al Cielo .

6

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXH
82
quedáramos con aquélla en casa? ¿Qué pien­ voltios. Y como en cada uno de los extre­
sas, Alvaro?... ¿Qué sospechas?... ¿De quién? mos separados de los conductores empal­
—Yo no sé, no me atrevo; pero no hay mados al cable maestro se acumulaban
electricidades de opuestos nombres con vol­
otro explosivo capaz...
—Verdad, verdad... Y .ése, el único que taje aun mayor, de aquí que en el mo­
puede producir tan grandes daños, no lo mento de ponerse la cápsula en contacto
posee en el mundo sino una sola persona... con cualquiera de ellos, y electrizarse en
Tienes razón; has visto claro: es ella... igual grado, forzosamente había de surgir
Nuestra muerte no aprovecha sino a ella. la catástrofe, ocasionada por la violentísi­
Aun no había visto Alvaro cuanto decía ma separación, o más científicamente desin­
Sara, pero dudando de si inconscientemen­ tegración, de los átomos efe! cinetorio, que
de una vez, y en un instante, dejaban en
te lo habría descubierto, exclamó:
— ¡Qué horror!.. ¡Ella!.. Pero, ¿por qué?.. libertad las inmensas fuerzas naturales que
—Porque nos odia, por haberla obligado entre sí traban los elementos que compo­
a reconocer que se equivocó al juzgar la nen la materia. Un fenómeno análogo a la
memoria de mi antecesor; porque no nos violenta distensión de un resorte fuerte­
perdona haberla puesto en evidencia: ¡a mente comprimido, al quedar en libertad:!
olla!, ¡al genio de las ciencias! Porque así, el resorte que sujeta en el átomo los elec­
destruyendo el magnífico estudio de mi trones de que se compone, en la molécula
abuelo, no podremos hacer pruebas; ni po­ los átomos de ella, en los cuerpos las mo­
dremos tú y yo aplicar esos métodos trai­ léculas que los constituyen.
Ya en 1919 se sabía que en los milla­
doramente destruidos; porque así, nos im­
pide ser directores de la respiración y nos res de años en que por paulatina descom­
posición se reduce a la nada, un gramo de
priva de hacer ese soberbio viaje.
Y ante nada ha retrocedido: porque ella radio, desapareciendo, por desintegración,
nos creía a ti y a mí en nuestra casa; pues que viene a ser como invisible volatilización
no podía presumir que ocurriera el mila­ de sus elementos constitutivos, desarrolla
gro que nos ha salvado, gracias al pobre cuatro diferentes actividades (1), una sola
de las cuales engendra fuerzas que indirec­
Krenk, inocente víctima de esa fiera.
Mira, mira, si eran o no fundados mis ta, pero cuidadosamente medidas, equiva­
terrores. Lo presentía, lo sabía, lo sabía des­ len a más de 4.600 millones de caballos de
de la tarde que leí en sus ojos doblez y odio. vapor, cuyo trabajo se distribuye en mon­
— ¡Infame, infame!... ¡A mí, que la salvé tones de siglos.
la vida!...
La anterior evaluación es de Mr. Curie;
Las ventajas que buscaba y obtuvo Sara pero Le Bon, considerando, no una, sino
como resultados de la catástrofe de Cha- la totalidad de la energía de esas cuatro
llao, eran: desaparición de la memoria de fuerzas, de la radioactividad de la materia,
Haig, y con ella plena justificación de su ha calculado, como resultado de sus experenuncia a realizar pruebas que ya no' ha­
(1) Estas cuatro actividades son : desprendi­
bía medio de preparar; evitar que leyéndo­ miento
o, mejor dicho, lanzamiento de partículas
la Alvaro se enterara de que era un dispa­ materiales
electrizadas positivamente—rayos al­
rate, y de la mala fe con que en ella fun­ fa—, lanzamiento
de electronos negativos— rayos
beta—,
o
sea
cantidades de electricidad
daba su mujer imposibles derechos e in­ existentes libresmínimas
de mateTia ; impulsión de vibra­
ventados agravios; y, sobre todo, y muy ciones en cl éter—rayos
pama—, y emanaciones.
principalmente, lograr que él formara de La evaluación a que el texto
se refiere es la co­
la Capitana la opinión y el concepto que rrespondiente a la actividad de los rayos alfa,
análogos, si no iguales, a los anódicos o positivos
ella le había inspirado.
de los tubos de Crookes. L^; rayos beta se asi­

milan a los catódicos o negativos y los gama a
los X o Rœntgen, que los últimos provocan, y
que salen al exterior de aquellos tubos, penetran­
do cuerpos opacos, permitiendo ver los huesos del
humano a travós de las carnes y foto­
¿Y vamos a quedarnos sin saber la esqueletoobjetos
a través de un bloque de granito.
causa del accidente en que perdió la vida grafiar
Por último, aun tiene el radio otra actividad : la
Ivrenk?...—pregunté a mi pitonisa, a lo cual emanación,
muchísimo más sutil que el más in­
contestó que como el servio no conocía sino coercible de los gases y a cuyo contacto adquieren
transitoriamente
propiedades radioactivas otros
imperfectamente el cinetorio, ignoraba que cuerpos inertes. Estas
radiaciones pro­
para estallar no había menester ser atra­ ducen en el curso de constantes
los siglos la descomposi­
vesado por aquella corriente poderosa, pues ción, el aniquilamiento absoluto y total del radio,
al universo los elementos que f-rle bastaba electrizarse, positiva o negativa­ que devuelve
los átonos de que se compone y las enor­
mente, alcanzando tensión superior a 30.000 maron
mes fuerzas que, unidos, los mantienen.
^

* * *

DE LOS ANDES AL CIELO

rimentos, que las energías contenidas en
un gramo de materia alcanzan a 6.734 mi­
llones de caballos de vapor, siendo esta una
«le las evaluaciones más modestas, puds
.Max Abraham da la cantidad de 80.000 mi­
llones üe ellos.
Sabíase, y pensábase también, en 1919,
«iue el día en que los físicos encontraran
un medio de conseguir que el gramo de
radio se deshiciera no en tan largos plazos,
sino en un instante, la fuerza de la “explo.sión, incomparablemente mayor que la de
la nitroglicerina, estaría expresada por esos
6.734 millones de caballos de vapor, en un
instante puestos en actividad, y acumulan­
do en él toda su fuerza. Y adviértase que
tomamos la evaluación más pequeña de las
«los expresadas.
Sabido esto, resulta que si de radio hu­
biera sido el centigramo de la cápsula de
Krenk, y si apreciáramos en una milésima
«le segundo (intervalo demasiado largo) el
tiempo en que la explosión se realizó, ha­
bría tenido esta fuerza capaz de levantar
.500.000 toneladas a más de 1.000 kilómetros
de altura en una centésima de segundo.
En el cinetorio que María Pepa descu­
brió, se multiplicaban por diez estas fuer­
zas, y basta esto para dar idea de qué se­
ría la horrenda explosión de Challao.
*

*

*

Indicando que lo hacía por hallarse su
esposa enferma, ofició Alvaro al Consejo de
los Viajes Planetarios, diciendo que la ca­
tástrofe, acaso provocada por mano aleve—
inciso en que por entonces nadie hizo al­
to—, de la que por milagro habla escapado
•el matrimonio, había producido el irrepa­
rable daño de destruir la memoria de míster Haig, con los planos y recetas de los
aparatos e ingredientes respiratorios, que,
al faltar, imposibilitaban a su henderá,
mistress Sam Bull, de aplicar los métodos
de su ascendiente; que no podían, por tan­
to, realizarse las proyectadas pruebas, la
omisión de Jas cuales no podía invalidar,
por no ser imputable a la citada dama, su
derecho, fundado en terminante declara­
ción del Consejo, a realizar el viaje en el
autoplanetoide, acompañada de un ayudan­
te técnico, que sería D. Alvaro Fairelo Carvueiro, etc., etc., Capitán de la Armada,
etcétera, etc., comendador, etc., etc.
La explosión de Challao, seguida de este
oficio, y unida al incidente, que por Fognino conocía, de la substracción en la fá­
brica de Maipo de la cápsula de cinetorio,
hizo cavilar mucho a María Pepa.

83

Pensando en Sara, en quien ya presentía,
aun sin dar con la causa, una enemiga,
ocurrióle la idea de que para inutilizarla
definitivamente bastaría contestar el oficio
diciendo que, teniendo el Consejo, no co­
pia, como Sara, de la memoria de Haig,
sino el original, podían hacerse las prue­
bas, lo cual obligaría a aquélla a ponefse
en ridículo, y a acreditarse de farsante,
confesando que ni el abuelo ni ella enten­
dían jota de respiración, y que no era po­
sible realizar los ensayos, so pena de ma­
tar a los tontos que se prestaran a oficiar
de ánima vili en ellos.
Pero ya estaba María Pepa cansada de
discusiones, y queriendo perder para siem­
pre de vista al matrimonio, aun cuando,
recordando melancólicamente que a él le
debía la vida, desistió del propósito, ha­
ciendo se redactara la respuesta manifes­
tando que, en vista de no haber respira­
ción Haig, no podía haber directora ni ayu­
dante de ella; que habiendo, además, de­
cidido el Consejo no admitir en el aviestelar a personas que no tuvieran funciones
definidas en él, únicamente su tripulación
y las científicas comisiones oficiales podrían
concurrir al viaje. Y que no estando com­
prendidos en tales categorías la señora Sam
Bull ni su ayudante, etc., etc.
— ¿Lo ves?— dijo Sara a Alvaro— . Aquí
tienes explicada la trama y la explosión.
Humillarnos, humillarnos; sólo de eso se
trata... Pero iremos, Iremos.
Y reclamación y escándalo; enzarzando
otra vez en la disputa a la Prensa de chan­
chullo y chantage, y vertiendo malévolas
y transparentes insinuaciones sobre la ex­
plosión de Challao. Pero todo esto duró po­
co, pues la taimada mamá Fognino, en esta
ocasión ninfa Egeria de María Pepa, se
presentó una mañanita en casa de Sara
para hacerle saber, con grandísima finura,
que por dicha conservaba el Instituto el
ejemplar original de Ja copia perdida de lo
memoria de míster Haig, que el Consejo
había hecho buscar en los archivos. Por lo
tanto, si su heredera seguía deseando via­
jar en el orbimotor, sería invitada pública­
mente a efectuar las pruebas, utilizando la
citada memoria, pues solamente con el ca­
rácter de directora de la respiración, po­
dría ella realizar su deseo, que era también
el del Consejo.
El golpe era, cual de Fognino, maquia­
vélico. Sara no tuvo más remedio que reco­
nocer interiormente que por segunda vez
quedaba vencida; pero ni ella era capaz de
confesarse derrotada, ni su serenidad sajo­
na la dejaba atollada ni aun en grandes

84

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

atascos. Así, pues, a reserva de volver a
la carga, y aun comprendiendo que no te­
nía otro recurso que la huida, todavía su­
po vestirla de prudente y voluntaria reti­
rada, contestando:
— Señor mío, para basar mis pruebas, no
me inspira confianza esa memoria, pues
aunque ello no envuelva ofensiva sospecha
del Consejo, es lo cierto que dicho documen­
to ha pasado por muchas manos, y me consta
no ha estado siempre en el Archivo del Ins­
tituto. Como además han ocurrido gravísi­
mos sucesos, que me obligan a ponerme en
guardia, a nadie extrañará que yo recele de
la autenticidad de esa memoria. ¿Qué opinas,
Alvaro? A tu fallo me atengo. ¿Crees que po­
demos fundar en tal base nuestras pruebas?
— De ningún modo: como tú, pienso que
no tratamos con personas de quienes deba­
mos fiarnos.
— Ya oye usted, caballero—dijo Sara a
Fognino— , lo que resuelve mi marido. Re­
nunciamos a la lucha por no saber luchar
con ciertas armas.
Fognino no dio importancia a estos des­
ahogos, pues él iba a lo suyo, y con la suya
se salía.
Cuando Sara y Alvaro se quedaron solos,
dijo ella:

— A costa de humillaciones, no; pero alta,
la frente entraremos en el orbimotor. No, no
lo dudes, Alvaro.
Tres días después salía el matrimonio pa­
ra la América del Norte.
— Gracias a Dios— dijo Fognino— , que al
fin nos vemos libres de ella.
No sabía que la víspera, mientras Alvaro
daba su ordinario paseo matinal, al cual no
concurrió Sara por tener jaqueca, había ésta,
celebrado en el American una importantísi­
ma conferencia con un mulato alto, flaco y
tuerto, al cual entregó varios certificados ex­
pedidos por diversas empresas de Chicago,
Nueva York y otras varias poblaciones yankis, atestiguando la habilidad de Dick Shaft,
natural de la Luisiana, en la manipulación
de substancias radioactivas. Además, por
parlófono recomendó Sara muy calurosa­
mente a una amiga y compatriota suya que
se interesara en buscar trabajo al mulato,
que en persona se presentaría a ella.
— Esta amiga, esposa del primer secre­
tario de la Embajada de Austria en Bue­
nos Aires, contestó que recomendaría muy
eficazmente el obrero, no a su marido, sino
al ministro argentino del Trabajo, que ha­
bría de servirla mucho más de cabeza que
el susodicho esposo y secretario.

X X iV
UN BREVE IDILIO Y VARIOS LARGOS VIAJES
Pocos días antes de la partida para Yankilandia del matrimonio Sam-Fairelo, el
Consejo de los Viajes Planetarios publicó
en varios periódicos un anuncio diciendo
que en los astilleros de Paramillo hacían
falta operarios inteligentes y prácticos en
las industrias radiológicas, los cuales serían
espléndidamente pagados, siempre que, con
certificaciones de confianza, acreditaran
competencia profesional, y se obligaran a
no salir para nada de Paramillo en tanto
no levara anclas el autoplanetoide, pres­
cindiendo, además, en dicho tiempo, de re­
laciones y correspondencia con personas
residentes fuera de los astilleros.
Entre los que acudieron, en solicitud de
trabajo, estaba el mulato, citado en el úl­
timo capítulo, tuerto mudo, a consecuencia
de un accidente ocurrido en una explotación
radioelectrónica de Lousville, el cual pre­
rentó certificados honrosísimos, y, sobre
todo uno del Ministerio del Trabajo de Bue­
nos Aires, que ponía en los cuernos de la

Luna la inteligencia, habilidad y conducta
del Sr. Dick Shaft.
—¡Oye, Ifigenia — dije a mademoíselle
Thellis...— ¿He dicho oye?... No, no es eso:
Es que el cajista se ha equivocado, ponien­
do oye en lugar de “oiga usted, amiga
mía", que es lo que digo.
—Oiga usted, amiga mía; creo que ha
dicho usted que ese obrero inteligente se
llama Dick Shaft. ¿No era ese el nombre
c'el que fué recomendado por la secretaría
de la embajada, amiga de mistress Sara,
al ministro del Trabajo?
— Creo recordar que sí... Tienes razón.—
¡Por vida del cajista! “Tiene usted razón”
es lo que hay que poner— . Sí, sí, Dick; así
se llamaba.
— Pero aquél no era más que tuerto, no
tuerto-mudo.
—Le sobrevendría la parálisis de la len­
gua después de hablar con Sara.
Bueno, sea como quiera, lo cierto es que
mudo estaba cuando fué incluido entre los;

DE LOS ANDES AL CIELO

aspirantes adm itidos al examen de sufi­
ciencia a que el abuelo H aupft los sometía.
Y tan bien se explicó, que del examen sa­
lió nombrado jefe de la cuadrilla dedicada
al montaje de cápsulas entre los excitadores.
No le sorprenda a nadie que se explicara
bien un mudo, ni pensando se tra ta ra de
ejercicios escritos, lo atribuya a metáfora,
pues realm ente se habla de un examen oral
en el que H aupft oyó la voz del exam inan­
do: la voz que no tenía, pero que poseía,
por haberla comprado al adquirir el m u d o f o x o , con el cual se explicaba.
Este aparato no era una novedad, ni mu­
cho menos, en 2186, pues hacía ya dos si­
glos que se había dado con la solución del
problema de que al pisar la a, la b, la m,
la z de un teclado alfabético, lanzaran es­
tas teclas corrientes eléctricas a bombillas
dim inutas, que, respectivamente, pronun­
ciaban a, b, m.... z, con sonidos que oían
cuantas personas conversaban con el mudo.
Estas bombillas no eran sino una apli­
cación de la válvula Flem ing o del odión,
De Forest, que ya en 1916 cantaban, y no
sólo cantaban, sino se peleaban ante los
tribunales en un célebre pleito científico
sostenido por cuestión de patentes entre dos
poderosas empresas de telegrafía sin hilos,
regidas por cada uno de ambos sabios.
Otro notable aparato, complementario de
éste, y tam bién inventado en el siglo xx,
era el parlógrafo o transform ador de las
palabras pronunciadas frente a una bocina,
reproduciéndolas en escritura luminosa,
que en una pantalla de celuloide leía el sor­
do a quien quería hablarse. Dicho invento
fué consecuencia de los trabajos fotoelectrolum ínicos de m íster Flowers.
Ni de uno ni de otro se dan más amplias
explicaciones, porque el autor de la prer
sente historia, que, en este año de 1919
acaba de inventar los mencionados apara­
tos, no suelta prenda hasta que le conce­
dan la patente que ya ha solicitado. E n­
tonces saldrá la descripción en cualquier
o tra historia.
Los veinte días que transcurrieron entre
la p artid a del m atrim onio yanquiluso y la
entrada de Dick en Param illo, fueron por
S ara bien aprovechados, según dem uestra
la siguiente distribución de ellos: Dos en
el viaje a Nueva York; tres, en in iciar allá
gestiones para obtener el nombram iento de
com isionada de la Ciencia yanqui en el
viaje planetario; una sem ana íntegram ente
dedicada a un delicioso idilio que saboreó
con Alvaro, y había m enester p ara que su
recuerdo fuera lenitivo al dolor de la au­
sencia que en pos de aquél la am enazaba;

85-*

dos en llorar am argam ente la p artid a del
amado, y los seis restantes en m uchas co­
sas, para enterarse de las cuales se pece­
sita tiempo y leer unas cuantas páginas.
En los catorce días cuyo empleo se ha
indicado aún supo hallar ratos perdidos
para enterarse de dos o tres cartas que el
correo aéreo trajo de Mendoza, y en cuyos
sobres se leía: “Miss K etty B rand”—la don­
cella de Sara—“Villa Sara, Harlem, N ueva
Y ork”, y en una esquina: “P ara en treg ar
a Mr. W illiams Chess”.
Aquella villa de las afueras de Nueva
York era el escenario donde se desarrolla­
ba el idilio citado.
Las cartas para M íster Chess las abrió, las
leyó, y contestó S ara escribiendo en los
sobres de las respuestas a ellas: “Señor
Dick Shaft, Hotel Ju an ita.—Mendoza”.
Por último, la ausencia de Alvaro fué
m otivada por deseo de Sara de no tenerlo
por testigo de ciertas maquinaciones cuya
ejecución la preocupaba, deseo que satis­
fizo enviándolo a Portugal, para que mien­
tra s ella gestionaba para sí, en Nueva York,
la representación de la ciencia yanqui, rea­
lizara él igual labor, en su p atria nativa,
para ser elegido representante de la lusi­
tana.
No dejó Alvaro de ap untar tem ores de
que su borrosa nacionalidad y su carácter
de oficial norteam ericano fueran dificulta­
des insuperables para conseguirlo; pero sa­
biendo que por ciencia, abolengo y rique­
zas era su laica esposa casi om nipotente
con la diplom acia de W àshington, y tan a r­
chipotente ésta en Portugal, o más tal vez
que en tiempos lo había sido la británica
en el mismo país, partió al fin confiado en
que una carta, que en el bolsillo llevaba,
del m inistro de Negocios E xtranjeros deW áshington al residente yanqui en Lisboa,
lo arreg laría todo pronto y bien, cual S ara
aseguraba.
La carta era, en efecto sum am ente ex­
presiva. pues ordenaba se significara al m i­
nistro de Estado portugués, que A m érica—
los yanquis seguían pensando que A m éri­
ca eran ellos—consideraba a Alvaro como
el más digno candidato para rep resen tar
en los planetas a los sabios lusitanos, y el
más apto, por su híbrida nacionalidad, para
que allá se percataran de la estrecha h er­
m andad que aquí trababa a los sobrinos del
Tío Sam y los nietos de Viriato, y agrega­
ba que sería lamentable, así, bien recal­
cado, que aquella iniciativa yanqui fuera
desairada en Lisboa.
No ignoraba Fairelo que no faltaban en­
tre sus com patriotas quie»<&s m iraran , ncr

-tí6

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

como hermana, sino como m adrastra, a la ‘ de la propulsión del orbimotor. Pero para
evitar, m ientras llegara él, los posibles pe­
.gran república autocràtica (que en esto
ligros de o tra hazaña como la de Challao,
habían convertido los plutócratas de Wall
haría el viaje disfrazada y viviría allí de
-Street y la Quinta Avenida la democracia
riguroso incógnito.
-de Lincoln y de F ranklin) ; pero también
No consta si al marido, no consultado,
sabía que, m adrastra o hermana, era en
sino m eram ente notificado de tal resolu­
Lisboa obedecida cual en siglos pasados" *o
ción, le pareció discreta o no; no consta
había sido la tutora, también sajona, de
ni interesa, pues ya se ha dicho que en el
la orilla del Támesis.
m atrim onio Sam Bull-Fairelo decidía y
No le ocurrió relacionar la dependencia
secular de su país, por arrim arse a pode­ mandaba la señora.
Yiéneseme a los puntos de la plum a na­
rosos, con su personal situación, respecto
a Sara, con la cual tenía grandes analo­ rración del histórico proceso y las tradi­
cionales causas que, unidas a más moder­
gías, pues le cegaba la afición a su esposa,
y porque ni sospecha tuvo de que en la va­ nas fuerzas, habían hecho necesidad fatal,
en dicho m atrim onio, la preem inencia de
lija diplom ática del mismo transatniosféella, ejercitada, justo es reconocerlo, sua­
rico en que hacía él su viaje, iba un ofi­
ve, hábil y h asta mimosamente, sin hacer­
c i o reservado ordenando al Residente en
Lisboa que, aun atendiendo la recomenda­ la pesada a su marido, quien no diremos
que en absoluto la ignorara ni dejara de
ción de la carta que le entregaría Mr. Fairelo, era preciso le suscitara, no verdade­ sentirla, mas sí que, al no oprim irle la ca­
dena, no pensaba en sacudirla. Pero como
ros, pero sí dilatorios obstáculos, que en
P ortugal lo detuvieran hasta que Wàshing­ ahora solicitan nuestra atención im por­
tantes hechos, vamos a ellos, dejando lo
ton telegrafiara: “Hágase nombramiento”.
otro para ocasión más oportuna.
Así, lo que Alvaro esperaba fuera rápida
Un jueves recibió Ketty, en Harlem, un
estancia, de diez a doce días, convirtióse
telegram a p ara Mr. Chess, que decía: “Re­
•en pesada peregrinación de universidad en
servado pasaje en trasatm osfénco para
universidad, y de ateneo en aeaderaia: de
miércoles próximo”, lo que, según conve­
Evora a Lisboa; ya en Oporto, ya en Beinio previo entre Sara y Fouciño, o sea
ra o en Coimbra, captando voluntades y
Dick Shatf, quería decir: “Estoy adm itido
removiendo obstáculos, de los que se que­
jab a a Sara, al hablarla a diario por tele­ en Paramillo, donde entraré el miércoles
venidero”.
fonía sin hilos.
El telegram a llegó a las diez de la ma­
M ostrábase ella asombradísima, en los
trasoceánicos paliques, de aquellas inespe­ ñana. Una hora después celebraba Sara su
diaria conferencia telefotrasatlántica con
radas dificultades; aconsejábale paciencia,
pues todo sería hijo de la clásica indo­ Alvaro, comunicándole su inm ediata sali­
do para Mendoza; y teniéndolo todo de an­
lencia latina; y aun lamentando su am ante
temano dispuesto para el viaje, en espera
corazón la ausencia del adorado esposo,
encarecíale no hiciera el disparate de vol­ del aviso de Dick, el viernes lo em pren­
día por vía aérea.
verse sin el nombramiento, pues fiarse en
Llegó a Mendoza, en su aeroyacht pro­
promesas sería prepararse un desengaño.
pio, disfrazada de hombre, sin otra com­
A los dos días de hallarse el capitán Fairelo en Lisboa, le comunicó su esposa y co­ pañía que la de su doncella K etty y la de
unas cuantas cajas con varios aparatos,
m andante que la designación de ella para
científico representante de Yankilandia ha­ cuya utilidad iremos viendo progresiva­
b ía sido votada casi por unanimidad, ani­ mente. H abíala precedido un fonogram a di­
mándole a activar sus gestiones para ob­ rigido al m ulato ordenándole tom ara habita,
ciones para M íster Chess y su- esposa en el
te n e r el mismo resultado; y agregó que,
aburriéndose horriblem ente sola, y tenien­ Hotel Ju an ita—el de cuarto orden antes in­
do grandísim a curiosidad de ver lo que pu­ dicado—, donde él aguardaría a los viajeros
de diez a once de la noche.
diera de los progresos del autoplanetoide,
Como en aquel modesto hotel no solían
e interés no menor de enterarse, en lo po­
sible, de algunos particulares de su cons­ hospedarse propietarios de aeroplanos no te­
nía azotea de aterrizaje, por lo cual hubo
trucción, trotábale en la cabeza la idea de
Sara de desembarcar en uno de los a te rri­
trasladarse a Mendoza, donde a la par que
-entretuviera la impaciencia que la atorm en­ zadores municipales, junto a cuyas platafor.
ta ría hasta el regreso de él, podría com­ mas estaban las pajareras: pintoresco nom­
bre, en lenguaje popular, de los garages aé­
p robar el fundam ento de unas cuantas
ideas,, en las cuales creía estaba el secreto
reos, donde por un tanto diario se custodia-

DE LOS ANDES AL CIELO
han bs aviones particulares mientras sus
ílueñcs no los utilizaban. A llí quedó, a dis­
posición de Sara, el pájaro que de New
York la había traído.
Dos autos de alquiler, uno para ella, per­
fectamente caracterizada de ganadero aus­
traliano, y para Ketty, y otro para el volu­
minoso equipaje, condujo viajeras e impedi­
menta, al Hotel Juanita, en donde aguarda­
ba Dick Shaft, que no conoció a Míster
Chess hasta que éste se le descubrió en un
aparte; sin lo cual jamás habría sospechado
que ajuel exótico personaje fuera la hermo­
sísima mujer de él conocida.
Cuando ésta y K etty estuvieron instala­
das y Dick fué a hablar, impúsole silencio
el fingido australiano con una expresiva miTada.
— No, hoy no quiero hablar de nada; es­
to y cansadísimo. Mañana aguárdeme a las

87

ocho de la mañana en el aterrizador muni­
cipal del Nordeste.
Salió Dick, quitóse Míster Chess una pe­
luca que servía en una pieza de cabellera,
barba y bigote, todo negro, bajo la cual es­
taban recogidos los incomparables cabellos
rubios fuego de la hermosísima americana,
que al sentirlos caer, ondulantes y libres,
en torno del esbelto cuerpo, sobre el cual
resbalaban, dió un suspiro de satisfacción,
exclamando:
-— ¡Uf, qué calor da esto!
Y pensó para sí, al verse en un espejo:
¡qué soberanamente bella soy!...
Poco después dormía y soñaba... ¿Con su
Alvaro?... No, con María Pepa y el orbim o
tor; con las cápsulas que le había hecho co­
nocer aquel pobre Krenk, que quiso jugar
con el rayo sin saber manejarlo.

XXV
MISTER CHESS TIENDE SUS REDES Y SE COMPRA UNAS ALAS
DE MILANO
A la mañana siguiente, después de una
hora de vuelo, llegaban Míster Chess y
Dick a un chalet, días antes alquilado por
éste en la aldea Vacas Nuevas, a medio ki­
lómetro del lugarejo y asentado en lo alto
de una loma que a 23 kilómetros del asti­
llero de Paramillo atalayaba éste y la enor­
me y refulgente esfera cristalina del novimundo en construcción. Una vez dentro, y
sin echar sino una mirada indiferente al
modesto moblaje, se sentó Sara, y reanu­
dó la conversación comenzada durante la
breve excursión aérea, diciendo a Dick, que
respetuoso la escuchaba en pie:
— ¿De modo que en cuanto entre usted
allá no hay medio de comunicarnos direc­
tamente?
— Ninguno.
— ¿Ni siquiera por radiotelegrafía? Yo po­
dría montar aquí una antena espiral, afi­
nada con otra idéntica, que, a hora con­
venida de la noche, colgara usted al exte­
rior de la ventana de su cuarto... (1)

— No, señora. Cuando usted me escribió
sobre ese asunto hablé de él al electricista
que usted sabe, y me dijo que para produ­
cir la descarga oscilante transmisora ha­
bría que tomar la corriente de los conduc­
tores de la calefacción de mi alojamiento,
por imposibilidad de montar clandestina­
mente máquina ninguna, y que la deriva­
ción sería en seguida descubierta por el
chasquido de las chispas cantantes del trans­
misor en el silencio de la noche.
— Es cierto. ¡Qué contrariedad!... Y no es
por la dificultad de hoy por lo que más
siento no haber traído sino excitadores de
chispas. Lo que me preocupa más es lo
otro...
— ¿Lo otro?...
•—No, nada; no hace ahora al caso... En­
tonces, no pudiendo tampoco recurrir a la
telegrafía óptica, por demasiado escandalo­
sa, habrá que contentarse, en este siglo de
comunicaciones ultrarrápidas, con tardar
varias horas en enterarnos de lo que ten­

(1)
Del mismo modo que cuando en un alm a­
cén de pianos se hiere una tecla de uno, hace el
sonido de la cuerda vibrar en todos los demás
la que en ellos corresponde a la nota dada en
el primero, o sea la que produce igual número
de vibraciones por segundo; del propio modo que
todas las primas de los colgados violines de una
orquesta en silencio cantan en cuanto cerca de
■ellos canta la prima de otro violín, así la vibra­

ción eléctrica del transmisor de una estación de
telegrafía sin hilos sacude el éter del espacio de
modo que, a la vibración, responden los recepto­
res de todas las estaciones afinadas para oscilar
con aquella frecuencia; esta afinación llámase sin­
to n iza ció n , en radiotelegrafía.
Si en un piano o un violín se da una nota, mi,
por ejemplo, de una octava, ni el do, ni el re,
etcétera, de dicha escala, ni ninguna otra notfc

88

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

gamos que decirnos, empleando a ese elec­
tricista por intermediario... Siempre que
él pueda sin despertar sospechas...
— Sí señora. En electricidad ordinaria no
guardan la reserva que en electricidad rariante y con las cápsulas, y los obreros ba­
jan todas las tardes, en las vagonetas, a
dormir a Mendoza, subiendo, de mañana, a
la hora del trabajo.
— Gracias que aun queda ese resquicio.
Pero como no quiero que lo vean aquí, yo
bajaré a Mendoza en el avión, aterrizando
en el hipódromo, donde él me esperará, to­
das las noches a las once, junto al despacho
do billetes. Pero cuidado que para él ni soy,
ni he de ser nunca, sino el excéntrico aus­
traliano, cuyo único interés en este asunto
es ganar una apuesta. ¿Es hombre de con­
fianza?...
— En dándole cuanto le pida la mujer por
quien está loco, que no tiene para un boca­
do con los ocho pesos de jornal que él gana
en Paramillo, y a todas horas le amenaza
con largarse con quien no sea un pobretón...
— Se le dará cuanto ella pida. Y si usted
la conoce, procure pida largo en estos días.
— Sabrá que ocasión como ésta no la pes­
ca en su vida.
Como se ve, la Sam-Bull era maestra, hon.
rando su ascendencia, en el arte de apro­
vechar apetitos, debilidades y rencores hu­
manos, haciendo a otros trabajar, arriesgar­
se y luchar por cuenta de ella.
de escalas más altas ni más bajas, son por ella
influidas. Si lina estación lanza un telegrama
transmitido con una onda eléctrica de 20.000 vi­
braciones por segundo, no será recibido en esta­
ciones cuyos receptores sean capaces de vibrar
con frecuencia de 8.000, 9.000, 100.000 ó 500.000
veces en igual tiem po; pero de poder vibrar a
20.000, capturarán el mensaje, que por los aires,
o mejor dicho, por el éter, vuela.
Pero como la diversidad de vibraciones de
las notas, más baja y más aguda, de la gama
musical, queda comprendida entre 32 ondulacio­
nes para la primera y 16.256 para la segunda,
mientras que los extremos de la vibración tele­
gráfica oscilan, en níimeros redondos, entre 50.000
— mínima Marconi— y centenares de millares de
sacudidas al segundo— ondas Feddersen— , y más
a veces, resulta de ello que la sintonización tele­
gráfica es cosa mucho más complicada e insegura
que la afinación musical.
El sentido vulgar, que quien no esté versado
en estos asuntos debe atribuir a lo que se ha
llamado frecuencia de vibración, es que, en un
segundo, va y viene la electricidad de la descar­
ga o chispa eléctrica en opuestos sentidos, desde
uno a otro de los puntos, entre los cuales salta el
número de veces que la frecuencia marca. Y si
se sale de los actuales límites de la radiotelegra­
fía a los de la ondulación eléctrica en general,
se alcanzan movimientos de electrones y sacudi­
das de éter con rapidez que llegan, a 50 millones
el segundo— ondas Righi.

-—En cuanto usted esté encerrado allí!
arriba me escribirá a diario, informándome
detalladamente de régimen y horas de tra­
bajo, organización de talleres, medios que
puedan ocurrírsele de entrar allí a escon­
didas, peligros del intento y precauciones
precisas para realizarlo... ¿Sabe portuguésese electricista
)
— No.
— Entonces escríbame en portugués. Dia­
riamente dejará usted su carta en sitio con­
venido con ese hombre, que a la noche me
la entregará, y a la mañana depositará, en
el mismo escondrijo, mis instrucciones y
preguntas. Pero, cuidado, que en cuanto esté
usted allí, ni por casualidad han de hablar
uno con otro, ni siquiera saludarse. Si algo
necesitan comunicarse háganlo por escrito,
dejando sus notas en el lugar convenido.
— Naturalmente.
— Pase lo que pase.
— No tenga usted cuidado. Además, a las
horas que él ha de estar allí no me verá
sino con mi traje y mi casco de malla de
plomo anticinetórico, con el que jG£os los
obreros somos iguales...
' — ¿Iguales?— dijo Sara vivamente, sintien­
do fulgurar una idea en su cerebro.
— Completamente iguales.
c:
— ¿Y la estatura?
— Esa es la única diferencia; pero las gor­
dísimas suelas de los zapatones, y sobre to­
do, el casco, holgado y alto, disminuyen las
diferencias; de modo que...
— ¿No tienen los cascos agujeros acristalados frente a los ojos?— preguntó Sara con
gran interés.
— N o; tienen una ventana oval cerrada,
con cristal grueso y bastante ancha; por­
que como los ojos quedan muy retrasados de
ella, de no ser así, no podría el obrero ver
sino de frente, pero no hacia arriba ni ha­
cia abajo.
— Ya... ¿Y se ven bien unos a otros?...
¿Se conocen?...
— Por los tarjetones que cada uno lleva
en pecho y espalda.
— ¡Un tarjetón! ¿Para qué?...
—Porque entre la obscuridad interior del
casco, que convierte el cristal en un espejo,
y el reflejo de la luz en la exterior convexi­
dad bombeada de él resulta que, deslumbra­
do quien lo mira, no ve las caras de los
obreros con detalles, sino como manchas cla­
ras... Es decir, clara la del que la tiene
blanca, porque la mía, mulata, ha de verse ’
muy poco.
— Y la gorguera del casco ¿es ceñida u hol­
gada?...



DE LOS ANDES AL CIELO
i • — No me he fijado en ello.
— Pues fíjese; mida la anchura del hue­
co para el cuello y comuníquemelo por el
electricista. Además, procure elegir para us­
ted uno de los más bajos, de modo que su
parte alta le toque en la cabeza o poco me; nos.
Y obedeciendo a uii cambio rápido de
; ideas, dijo de pronto:
— Venga usted acá.
— ¿Adonde?...
—Aquí—agregó Sara cogiendo de un bra­
zo a Dick, llevándolo frente a un espejo y
comparando sus respectivas estaturas...
— Como está usted tan flaco, lo creía más
alto que un señor Fonciño, a quien yo co­
nocí y que pesaba 1.400 dólares menos, digo,
28 kilos más que usted; pero ahora veo que
entre las estaturas de uno y otro no hay di­
ferencia alguna y apenas un centímetro en­
tre las de ellos y la mía. Verdad que yo
paso por alta en mi país, en donde abun­
dan las buenas mozas.
Y muy alegre, como quien vió resuelto de
improviso un difícil problema, continuó:
—No se preocupe usted con medidas de
traje ni de casco; tome los que mejor le
Tengan.
—¿Pero entonces?... ¿Es que...? No puede
ser...
—No quiera adivinar lo que yo misma
ignoro todavía... Lo que ahora me urge más
es recibir un plano del edificio donde a us­
ted lo alojen, puntualizando bien las habi­
taciones que en él ocupe, y, sobre todo, otro,
detalladísimo, de los talleres, con indica­
ciones manuscritas del departamento donde
lo destinen y sitio en que ordinariamente
trabaje.
A la entrada, a la salida, mientras tra­
baje, puede, sin que nadie se entere, tomar,
a pasos, medidas que luego en casa le per­
mitan dibujar el plano, o, mejor dicho, el
croquis, pues con esto basta.
— Descuide; la cosa no puede ser más
fácil.
— El plano lo necesito a los tres días de
«star usted en Paramillo.
— Tendrá usted el del astillero entero.

—Ese lo tomaré fotográficamente desde
mi avión. Unicamente necesito que en un
ejemplar de él, que enviaré por el electri­
cista, anote usted los nombres de los diver­
sos edificios, devolviéndomelo luego. Y co­
mo no puedo dar más instrucciones mien­
tras no tenga puntuales noticias de las cos­
tumbres de allá arriba, lo que más me inte­
resa por ahora es saber si se ha estudiado
usted las notas que exprofeso redacté y en-

8)

vié a Mattogrosso pensando en las funcio­
nes que va a desempeñar en Paramillo.
—Ya dije a usted que en la mina Eloísa
tenía yo reputación de práctico en mani­
pulaciones radioactivas; ahora, mi odio a
esa mujer me ha hecho estudiar, sin levan­
tar cabeza treinta días; tanto, que estoy
seguro que sólo cuatro o cinco de los 28
kilos que he perdido se los habrá llevado
el régimen por usted prescrito, y los demás,
el estudio y las noches en vela. — Con verlo basta; a verlo vamos.
Y comenzó un examen, que lio obstante
la mala impresión que a Sara producía la
grosera figura, la frente deprimida y el re­
pulsivo y poco inteligente aspecto del exa­
minando, no dejó descontenta a la exami­
nadora.
A la tarde fué Dick a Mendoza a recoger
los equipajes y a Ketty, y aquella misma
noche quedaron definitivamente instalados
Míster Chess y su esposa en Aldea Vacas.
* S: *

El prefijado miércoles entraba Dick en
Paramillo. El jueves, cuando al trabajo iba,
paróse a contemplar durante un rato, cierto
aeroplano de él muy conocido, que después
de cernerse sobre los astilleros se alejaba
y desaparecía entre las nubes con raudo
vuelo planeado. La madrugada del domingo
le halló atareadísimo sobre un plano, tra­
zado en arrollable papel tela, como de vein­
te centímetros en cuadro, sobre el cuál es­
cribía unos letreros que cuidadosamente
examinaba Míster Chess, en su chalet de
Aldea Vacas, en la noche del siguiente mar­
tes, mientras que el electricista, que de oí­
das conocemos, corría en Mendoza, con su
amiga y otras cuatro amigas, acompañadas
de otros tantos amigos, la más rumbosa
juerga de su juerguista vida, donde corrió
el champagne como jamás lo habían visto
correr aquellas gentes.
Durante la primera semana que pasó Dick
en Paramillo no salió Sara, o, mejor dicho,
Míster Chess de su chalet sino de noche
para ir al hipódromo a echar sus cartas al
correo que había improvisado y a recibir
las que éste le traía.
El electricista que Dick había encontra­
do desempeñaba, además de este postal ser­
vicio, otros, siendo los más salientes pro­
porcionar a Sara, cada día más aficionada
a estudios topográficos, un plano de Noviópolis (1), otros más detallados del interior
(1) Tal nombre recibió Ta población
on el interior del autoplanetoide.

edificada

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
de la Comandancia y del pabellón reservado mino: hay que jugarse el todo por el todo..para el comisionado yanqui, el cual era con­ Y, si me mato en la aventura, ya no mesiderado por aquélla como su venidero " A l o ­ preocuparán las preguntas de Alvaro. Pero
jamiento durante el viaje planetario, pues­ si de ella salgo bien, ¿cómo explicarle la.
to que en el bolsillo tenía ya su nombra­ desaparición del aeroplano?... Debo conser­
miento para la honrosa comisión. Además varlo... Además, con él tendría cien probabi­
de todo esto realizaba el obrero, con arreglo lidades de estrellarme contra una de salir
a instrucciones escritas que en el hipódro­ bien, porque para este empeño necesito otra
mo le diera Míster Chess, variadas manipu­ cosa: un dirigible pequeño y ágil, un zeplaciones de clandestinos montajes eléctri­ pelincillo de regatas de poca eslora y motor
cos en el citado pabellón y en otros lugares poderoso, que vire en corto espacio y me
del autoplanetoide, cuya finalidad es un se­ permita aguantarme quieta contra el vien­
creto que no podremos penetrar hasta que to, si lo hace. Eso es, eso es; así reduzco
se conviertan en hechos los misteriosos pro­ el riesgo a jugarme la vida a cara o cruz,
probabilidad contra probabilidad, pero no
yectos a que se destinaba tal labor.
Todas estas cosas hizo el electricista por ciento contra una.
Cuando aquella noche subió al avión para
Míster Chess. Bueno, por el dinero, que no
regateaba el generoso australiano; con lo dirigirse al hipódromo previno a Ketty que
cual quedaron contentísimos el australiano, como acaso no volviera en semanas, debía
el electricista y, todavía más. la amiga del en Aldea Vacas aguardar su retorno; y que
si los vaqueños preguntaran por Míster
electricista.
Debajo de la peluca y dentro de los calzo­ Chess les dijera que había ido a negocios a
nes que Míster Chess se ponía al saltar de Lima, a Bogotá o... al Congo.
Llegada al hipódromo, entregó al electri­
la cama, sin despojarse del disfraz hasta
meterse por la noche en ella, dedicó Sara cista la carta escrita para Dick aquella tar­
aquella semana a estudiarse a conciencia los de advirtiéndole que durante unos días que­
planos, completando su estudio con la Fre­ daban suspendidas las citas, cuya reanuda­
cuente contemplación de los edificios de Pa­ ción le sería avisada en nota que hallaría
ramillo, realizada con un soberbio anteojo en el escondrijo de costumbre. Y al ver que
instalado en el interior del despacho, fren­ el hombre, no habituado a marcharse con
te a una ventana. Además, se aprendió da las manos vacías, torció el gesto al pensa­
memoria las noticias que sobre régimen de miento de que la breva se acababa, le dió
talleres y marcha de los trabajos le comu­ un billete de banco, diciéndole:
nicaba Dick a diario.
—Esto para que la impaciencia de verme
Al acabar una tarde la lectura de la últi­ no le haga a usted olvidar la discreción. Y
ma carta de éste se dijo que, conociendo ya esto otro—y le enseñó un revólver—le alcan­
Paramillo cual si su propia casa fuera, ha­ zará si habla, escóndase donde se esconda y
bía llegado la hora de poner por obra el vaya donde vaya.
proyecto que hacía tiempo la tenía preocu­
pada; pues aunque lo comunicado por su
agente la hacía ya vislumbrar los ésericiátés
Aquella' noche durmió Míster Chess en
fundamentos del secreto del autoestelar, ni el Hotel Juanita. A las ocho de la siguiente
ella se contentaba con vislumbres ni el mu­ mañana estaba en pie, y pocos minutos más
lato podía averiguar ya más de lo averigua­ tarde se apeaba de un automóvil de alquiler
do, que en verdad no era poco para hom­ a la puerta de los soberbios talleres de la.
bre de su clase.
Hispano-Plateña de Aeronavegación, donde
La empresa a que esta vez iba a lanzarse un grosero conserje, mal impresionado por
la sajona, no utilizando maniquíes ni hur­ aquel gabanote que bajaba de un auto-al­
tando el cuerpo, sino arrojándose personal­ quilón, cerró el paso a quien creyó un po­
mente a temerarias aventuras, era de lo brete con un “qué se le ofrecé” que parecía
más arduo que proyectar pudiera una mente un bufido; en seguida trocado en reveren­
traviesa y lo más temerario que un cora­ cias, en “dispense, señor”, “pase, pase en
zón osado se atreviera a afrontar. No es, seguida”, al oír esta breve respuesta: “Com.
' <->
pues, extraño que vacilara unos momentos, prar al contado un dirigible”.
hasta que resolviéndose de pronto, tomó plu­
Sólo había listos para venta tres o cua­
ma y papel, escribió una carta, y levantán­ tro, grandes o medianos, de los cuales re­
dose cuando la hubo cerrado, exclamó en quería el que menos cuatro tripulantes.
alta voz:
—No es eso: quiero un aeroesquife de re­
—Caro le va a costar a mi bolsillo, y tal gatas no mayor de seis metros, pero de mo­
vez más a mi pellejo; pero no tengo otro ca­ tor ultrapotente.

93

911
DE LOS ANDES AL CIELO
—El precio no podremos fijarlo hasta en­
' —Tenemos dos en construcción.
—¿Cuándo estará listo el más adelantado? tonces... Pero en tales condiciones de pre­
mura tendrá que ser un poco caro...
—Dentro de una semana.
— ¡Un poco! No tendré esa suerte; pero-—Es mucho. Lo necesito hoy... A más
y?, lo sabía. Hasta las tres y media. ¡Ah!
tardar, mañana...
Lo probaré yo mismo, que de eso entiendo
—Imposible.
Dió Míster Chess una patada de impa­ más que ustedes.
Y dando media vuelta, fuése Míster Chess,_
ciencia, y no resignándose a desistir de su
dejando a aquellos señores un poquito ofen­
empeño, replicó:
—Pero Mendoza es un centro de deportes didos, pero muy satisfechos con el negociaaéreos, de matclis atmosféricos, donde segu­ zo que tan de mañanita se les había colado
por las puertas.
ram ente podrá encontrarse lo que pido.
A las tres y cuarto pasaba y repasaba el
—Sí, señor; aun cuando muchos aparatos
de los que aquí regatean vienen desde muy falso australiano por delante de proa, popa
lejos, hay en Mendoza seis o siete como el y flancos del diminuto dirigible, anclado en
la explanada de maniobras de la Hispanoque usted desea.
—Entonces, como no necesito mas que Plateña. Era un verdadero milano de ca­
rrera, como decían los vendedores, cuyas es­
uno...
—Pero son de propiedad particular; nc beltas líneas agradaron al comprador, qued­
antes de subir al sillón, pendiente de la par­
están de venta.
Todo se vende; la cuestión es el precio... te central, dijo:
—Por si se me antojare marcharme sin.
Necesito para esta tarde un dirigible, cuan­
to más pequeño mejor, para una sola plaza bajar, aquí tienen ustedes el precio.
Y contó uno por uno 137 cóndores—192.500y capaz de luchar contra un viento de 1.200
metros por minuto. Búsquenlo en la ciu­ pesetas—, en los cuales trece eran ganan­
dad. Diríjanse ahora mismo, por teléfono; cia de los intermediarios, que en cuanto vie­
a sus clientes; no regateen; y por sus mo­ ron, a los pocos minutos, maniobrar al ae­
lestias de una mañana ofrezco a ustedes ronauta, conocieron no haberlos engañado
al ponderar su competencia, pues apenas re­
cinco por ciento de corretaje.
— ¡Ah! Si habla usted así podría ser... montado, dejándose arrastrar en el ascen­
so por la fuerza del brisote duro, mientras
Pero el cinco es poco.
—¿Poco sobre el precio que ustedes me desarrollaba fuerza el motor, dió con hábil
pondrán, subiendo a su placer el que les virada cara al viento, para marchar contra
cueste?... Bueno; pongan el diez. En cuanto él ,a moderada marcha, regulada de modo
lo tengan parlofonéenme al Hotel Juanita. que la aeronave no sufriera excesivas pre­
— ¡Al Hotel Juanita!—contestó el inter­ siones. Cuando tal marcha le llevó nueva­
locutor de Míster Chess, dejando entrever mente sobre el lugar ocupado por los miro­
su asombro por la modestia del alojamiento. nes de la explanada, detuvo el zeppelín, rea­
—Sí, calle 35—contestó el comprador. Y lizando con pericia notable la difícil hazaña
dándose cuenta de la sospecha de los de la de mantenerse cerca de un minuto casi in­
Hispano-Plateña, sacó una cartera rebosante móvil en lo -alto de los aires proa al viento,,
en billetes, y poniendo cinco sobre la mesa, equilibrando con el impulso del motor el
agregó— : He aquí diez cóndores de señal. empuje de aquél. Aun no contento con loEl cóndor, moneda argentina imaginaria, hecho, realizó Míster Chess el nuevo alar­
junto a la cual parecía miserable la orgu- de, la proeza todavía más extraordinaria de­
llosa libra esterlina, equivalía a 2.500 pese­ ascender verticalmente, como el humo en un
día de calma, y descender después en igual*
tas. Cinco mil duros importaba la señal.
—¿A qué hora hará hoy más viento?— forma, como si el aparato fuera una bala de
preguntó Míster Chess, que en las miradas plomo, hasta llegar al propio sitio de donde
dirigidas a su cartera conoció que podía había partido.
Lo que en aquellos siete u ocho minutoscontar con el zeppelín—. Deseo probarlo con
viento fuerte.
había hecho, cual si para él y el dirigibleno soplara el viento, no eran capaces de­
—De tres y media a cinco de la tarde.
—Entonces, cuando tengan el dirigible, realizarlo sino uno, entre mil pilotos aéreo?.
El alto personal de la Compañía de Aero­
avísenme al Juanita—dijo Míster Chess re­
navegación, los obreros de los talleres y
calcando el Juanita con sorna.
—No es necesario, caballero. Sin aviso, unos cuantos inteligentes admiradores no
puede usted, desde luego, venir. A esa hora pudieron contener su entusiasmo, que esta­
lló en aplausos nutridos y resonantes víto­
estará el aparato a su disposición.
res al saltar a tierra el comprador.
, —Ya ven ustedes como todo se vende.

m

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

— ¡Qué verdad es—dijo un motorista—que
bajo una mala capa está a veces el mejor
bebedor!...
Lo de la mala capa lo decía por lo es­
trambótico de la facha y el atavío del fin. gido australiano, sin sospechar que bajo las
guedejas y las barbas del pelucón se ocul­
taba un hermoso rostro de mujer, y que en
el gabanote se envolvía el cuerpo de la más
gentil aviadora de la Aéreo-Arraada del
Aguila Bifronte.
— Caro lo pago; mas reconozco que el apa­
rato es fino y manejable como una pluma, y
el motor, de primera— dijo muy satisfecha
Sara al tomar tierra.

—Estábamos seguros de dejar a usted sa­
tisfecho; pero creíamos—agrego el jefe de
la casa—que pensaba marcharse sin bajar;
¡como pagó al subir!...
Y enrojeció ligeramente.
—Yo, no; eran ustedes quienes lo pensa­
ban. Partiré para Quito, donde debo llegar
en fecha y hora fijas, de una a dos de esta
noche. Dispongan que a esa hora rile aguar­
de el personal necesario para la maniobra
de salida. Y ahí queda eso para gratificarlo.
Al decir esto echó en la mesa unas mone­
das de oro y se salió a la calle.

XXVI
DIME CON QUIEN ANDAS Y DIRE COMO ACABAS
A la prefijada hora de la noche, y segui­
do de un mozo portador de un paquete cilin­
drico, que en la obscuridad no se distinguía
bien qué fuera, entraba Míster Chess en el
hangar, extrañando a quienes lo aguarda­
ban que haciendo mucho más frío que por
la tarde, no viniera abrigado, coriio antes,
con aquel típico balandrán de amplios fal­
dones, sino a cuerpo. La razón era que aque­
lla noche no quería Sara estorbos en las
piernas.
Como quien tenía prisa de partir, saltó a
la butaca y apoyó los pies en los pedales del
timón, que hizo jugar a un lado y a otro;
maniobró la palanca de la válvula del es­
cape de gas, soltándola al oír el silbido que
revelaba normalidad de funcionamiento; se
cercioró del buen estado del botón que a
cada empuje soltaba dos kilogramos de are­
na del cajón del lastre, y palpó la manivela
de enlace de la hélice al motor y la regula­
dora de las velocidades. Extendió después
hacia delante los brazos, cerciorándose de
que tenía al alcance de las manos un fuer­
te travesaño horizontal de hierro, situado,
a la altura del pecho, entre las varillas ver­
ticales del armazón que unía la cámara de
hidrógeno a la butaca, al timón y al motor,
y de la cual pendían dichos artefactos.
Seguidamente pidió al mozo que la ha­
bía acompañado el lío cilindrico, de cuyos
extremos y centro colgaban tres alambres
fuertes, mas no gruesos, rematados en ro­
bustos garfios, por los cuales enganchó el
envoltorio al mencionado travesaño, cerran­
do por completo las bocas de los ganchos
con unos alicates. Ensayó si funcionaba bien

el nudo corredizo de una cuerda arrollada
a dicho paquete, e hizo que dos hombres se
colgaran de otra, de él pendiente, para ase­
gurarse de la resistencia de los alambres y
los ganchos: operación que puso en gran
curiosidad a los obreros.
Una vez terminados los anteriores y cui­
dadosos preparativos, se ciñó el cinturón de
seguridad de sujeción a la butaca, y pre­
guntó con voz que, sin temblar, vibraba de
emoción:
—¿Preparados?

— Sí, señor.
Embragando el motor en la hélice, apo­
yó los dos pies con igual fuerza en los pe­
dales del timón, y gritó:
— ¡Ya estoy lista; largad!...
Esta fué la única vez que en todo el tiem­
po que vivió bajo la peluca del australiano
se olvidó Sara de que era Míster Chess.
¿Lo advirtieron los obreros?... No se sabe.
Tan de prisa subía el aeroesquife, que Mademoiselle Tellis, por irse en pos de él, na­
turalmente en pensamiento, no se cuidó ya
más de los que allá quedaban.
Al sentir el impulso de la arrancada, pen­
só Sara:
— ¡Pobre Alvaro!... Qué ajeno está de que
tal vez dentro de una hora... La verdad es
que podía'habérseme ocurrido hacer testa­
mento... ¡Bah!...Para comer no ha de fal­
tarle con su carrera...
¿Filosofamos un poco sobre el extraño
temple y el extraño cariño de esta extraña
mujer? Esta es pregunta del autor.
— Déjese usted de filosofías, que la yan­
qui se escapa muy de prisa, y si nos des-

DE LOS ANDES AL CIELO
-cuidamos no podremos alcanzarla. ¡Hase
visto m ajadero!... ¡Pues vaya una ocasión
que elige para filosofías!...
— Nada, señores, no se alboroten; no era
sino pregunta; y puesto que no quieren, no
filosofaremos.
* * *

Tan pronto la aeronave se elevó sobre
•el nimbo luminoso que, encima de Mendo­
za, producía el resplandor del alumbrado
público, regocijóse Sara de encontrarse su­
mida en lina obscuridad tan negra como
beca de lobo, o como ala de cuervo, pues
•cuanto más densas fueran las tinieblas, me­
nos dificultades hallaría en su azarosa em­
presa.
Tal era la negrura donde bogaba el di­
rigible que, a no servir de guías y referen­
cias las luces de tres o cuatro pueblaehos,
escalonados en la ladera de los Andes, en­
tre Mendoza y Paramillo, no habría podi­
do, la piloto, dirigirlo. Más tarde, cuando
ya estuvo cercana al astillero, la guiaron
los resplandecientes acristalados ventana­
les de su central eléctrica, en plena acti­
vidad a todas horas.
Unos cuantos acanaladores habrían bas­
tado para el alumbrado interior de las vi­
viendas, de aquella vastísima factoría in­
dustrial, y para el escasísimo que al aire
libre era allí mantenido, por no trabajar
ni circular la gente sino de día, pues lo
glacial de las noches en aquellas alturas
retraía a todos de salir a la calle durante
•ellas. Pero como esta misma causa obliga­
ba a mantener a todas horas fortísim a ca­
lefacción, que en los edificios contrarres­
tara las bajísimas temperaturas inverna­
les (1) de Paramillo, situado en la región
de las nieves perpetuas; de aquí que la
central no interrumpiera su labor a ningu­
na hora.'
Harto notaba Sara, por el frío, la altu­
ra; y aunque para ella fuera— en cuanto
causa de la absoluta soledad de las expla­
nadas, muelles y plazoletas del astillero—
aliado tan estimable como la misma obs­
curidad, ya comenzaba a preocuparla viva­
mente, pues, conforme ascendía, a la par
•que avanzaba hacia Paramillo, y aun yendo,
como iba, bien provista de interior abrigo,
la falta de un capuchón de pieles o de un
pasamontañas. hacíale dar diente con dien­
te, al extremo de alarmarla; más que por
el sufrimiento físico, que no era leve, por
■el recelo de que pies y manos se le entu(1) Esto ocurría a finales de julio, corazón del
invierno en la Argentina.

93

mecieran hasta imposibilitarla de regir su
dirigible, acabando en total congelación.
Con tanto más motivo cuanto que hasta
entonces había avanzado a favor del vien­
to; pero cuando llegara a rebasar el as­
tillero, habría de virar en^ redondo y dar­
le cara, lo cual acentuarías de un modo pe­
ligroso la impresión y el efecto de la es­
pantosa temperatura que la atormentaba.
Tal crecieron sus temores de que aca­
bara aquello en muerte, y no venida por
los riesgos', contra los que se había preve-*
nido, que a punto estuvo de volverse a
Mendoza a pertrecharse de abrigo conve­
niente, de un potente calorífero eléctrico,
y de una botella de coñac o brandy para
luchar con aquel terrible frío. Todo ello
era retrasar la ejecución de sus proyectos
los dos o tres días necesarios para enviar
nuevas instrucciones a Dick.
Convencida de ser esto lo mejor, ya echa­
ba mano a la válvula de compresión del
gas para iniciar el descenso, cuando, de
pronto, recordó haber dicho la víspera al
electricista que hasta la recepción de aviso
de ella no volviera al hipódromo. Faltába­
le, por tanto, medio de comunicar órdenes
a Dick para otra noche, porque ella igno­
raba dónde vivía, en Mendoza, su emisa­
rio; y el descenso y la vuelta implicaban
no aplazamiento de sus planes, sino renun­
cia a ellos.
— Eso no, eso no; adelante, adelante.—
Y con nervioso impulso de la mano acele­
ró la marcha del motor. — Si a lo menos
tuviera unos sorbos de brandy o whisky,
ellos me prestarían energía y calor para
los cinco o seis minutos que me faltan...
¡Brandy!... ¡Brandy!... ¡Qué no daría yo
por unos cuantos sorbos!...

Paramillo estaba ya muy cerca, pero Sa­
ra sentía que aún más cerca la rondaba la
muerte, o cuando menos la privación de
sensibilidad que a ella precede en quienes
mueren por congelación. Las heladas y agu­
dísimas agujas que antes clavaba el frío
en todo su cuerpo, iban pinchando menos;
de momento en momento sentía agarrotár­
sele los músculos con dura rigidez; los la­
bios no formulaban ya palabras, pero la
mente repetía: ¡Brandy, Brandy!...
Galvanizada por el instinto de conservar
la vida y por la temeraria decisión de dar
cima a su empresa, hizo la voluntad un
esfuerzo sobrehumano, y al espolazo de
ella despertó en el cerebro esta pregunta:
— ¿Será el motor de bencina o de alco­
hol?...

$4

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

E inmediatamente el albor de una espe­
ranza dió a Sara fuerza para bajar la ma­
no izquierda, buscando bajo el brazo de la
butaca de la arqueta los bidoncillos de re­
puesto. Allí estaban. Destornilló la caperu­
za de uno, introdujo un dedo en el gollete,
y llevándolo a la boca gritó: ¡Alcohol!...
¡A lcoh ol!...
Desnaturalizado, pero alcohol; es decir,
vida y fuerza para llegar a Paramillo.
Bebió con ansia el infame brebaje, que,
repugnando al paladar, abrasábale el pe­
cho; con avidez tragó la lumbre de aquel
alcohol fortísimo, que ansiosa apetecía por
deshacerse entre su fuego la nieve que la
helaba las entrañas, por ser calor que en
sus venas fluía, fuerza vigorizante para
sus ateridos miembros.
El astillero estaba allí, y era llegada la
ocasión de ejecutar la aterradora mani­
obra proyectada, cuya parte menos peligro­
sa había ensayado cuando sobre los han­
gares de la Compañía Hispano-Plateña
se aguantó quieta contra el viento.
Al pasar sobre el astillero, miró hacia
una plazoleta escondida detrás del pabellón
donde se alojaban los obreros del taller de
Dick. Volvió a mirar, y no vió nada.
—¿No estará ahí?... ¿Será que el entor­
pecimiento de los párpados no me deje a
mí verlo?... Y bebió nuevamente un largo
trago del ardiente veneno, porque el frío
volvía otra vez a entumecerla.
—No; no está.
Comprimiendo el hidrógeno del aerósta­
to, para disminuir la elevación del vuelo,
tornó a pasar y repasar, cada vez a me­
nor altura, hasta que a la tercera vió un
punto brillante, producido por una linter­
na eléctrica de bolsillo, que se apagó en
seguida. Era la señal convenida que de
minuto en minuto hacía el mulato para in­
dicar que estaba en el lugar fijado en sus
instrucciones. Poco después la linterna emi­
tió tres sucesivos y rápidos destellos: era
el aviso de que entre la negrura de la no­
che había ya visto Dick la negrura, algo
menos intensa, del dirigible.
— Ha llegado el momento—pensó Sara,
dejándose arrastrar como medio kilómetro
al impulso de lo que ya iba siendo venda­
val para hacer luego la virada que, dando
frente a éste, había de traerla de nuevo
sobre la plazoleta donde su cómplice aguar­
daba. Pero la idea del frío horrible que iba
a experimentar cuando el viento le azota­
ra la cara, la aterró; y para hacerse su­
perior al miedo, volvió a abrasarse con otro
trago de alcohol: largo, muy largo; com­

placiéndose en el dolor de ardiente que­
madura que en el pecho sentía.
Bien hizo; a no ser por tal brasa habría
acabado de postrarla el trallazo de hielo
que se enrolló a su cuerpo al afrontar el
duro viento.
Forzó el motor; avanzó los brazos, ten­
tando la lazada corrediza del lío amarrado
al travesaño; dió un tirón de la cuerda y
aquél desenvolvióse en una escala de seda
lastrada en el extremo, que al caer rápida­
mente quedó colgando y oscilante en los
aires.
El dirigible avanzaba, descendiendo ha­
cia Paramillo, con rumbo rectamente en­
filado a la plazoleta, donde volvió a brillar
la luz de la linterna. Sobre ésta se detuvoel aeroesquife, aguantándose al pairo con­
tra el viento, como a cien metros de altura
sobre el suelo. Desabrochóse Sara el cin­
turón de seguridad, que la sujetaba al si­
llón, y al fijar la palanca del motor en la
muesca que aseguraba la permanencia de
rapidez de rotación de la hélice, que enton­
ces contrabalanceaba exactamente el empu­
je del viento, no pudo menos de pensar que
de aumentar o disminuir éste de fuerza, y
por poco que fuera, en los veinte segundos
que ella necesitaba para la bajada, se estre­
llaría irremisiblemente.
Púsose en pie agarrada al travesaño con
las manos, y al sentir, con terror, flaquear­
le las piernas, aferróse a la barra. Los oídos
le zumbaban, perdía la cabeza, pero aún
conservaba lucidez suficiente para com­
prender que helada por fuera y abrasada
por dentro, estaba ebria; hallando en el
espanto que esta idea la produjo la fortale­
za necesaria para luchar unos segundos
con aquella embriaguez.
Tiró de la cuerda de la válvula, consi­
guiendo descender verticalmente, hasta que
el extremo de la escala, treinta metros más
abajo, rastreó por el sueldo; soltó la vál­
vula y continuó el descenso, pero más len­
tamente.
Dick, al ver el extremo de la escala, lo
sujetó, produciendo en el globo sacudida
que, despertando en la mente de Sara el
último destello de razón, la hizo darse cuen­
ta de que su salvación dependía del esfuer­
zo de brevísimos segundos, encontrando en
tal idea energías para poner el pie en la
escala y bajar rápidamente... hasta que
cuando le faltaban solamente tres o cuatro
peldaños para llegar a tierra, perdió el co­
nocimiento, aflojó las manos y soltó la es­
cala, cayendo de espaldas sobre las de Dick
que, inclinado, sujetaba el extremo de
aquélla.

DE LOS ANDES AL CIELO

Ambos rodaron por el suelo, y el tirón
del globo, aligerado del peso de Sara, obli­
gó al m ulato a soltar la eccala, con lo que,
dando aquél un brusco salto ascensional,
fie perdió en las nocturnas sombras de la
altura.
Cuando el m ulato se repuso del atonta­
m iento del batacazo se levantó tentándose;
y, ya seguro de no ten er avería de impor­
tancia, se acercó a Sara, alarm ándose al
v erla boca arrib a e inmóvil y advertir que
la fren te y las mejillas, únicas partes de la
cara no cubiertas por los pelos y las barbas
de la peluca de m íster Chess, que palparle
pudo, no parecían carne humana, sino
hielo.

95

dido y resollante, en un sillón. E ran las
tres de la madrugada.
Cuando recobró aliento se levantó, bebió
un trago de ron, y tomando de nuevo el
pulso a Sara, comenzó a tranquilizarse al
ver que progresivam ente crecía en intensi­
dad y frecuencia. Además, ya esta vez pudo
hacerlo con mayor comodidad, pues habien­
do cedido la rigidez de los músculos, logró
quitarle el guante de la mano, que le asom­
bró por lo pequeña, blanca y suave.
La alta tem peratura que junto al radia*
dor y bajo el montón de ropas rodeaba el
cuerpo de la enferm a iba ya provocando,
aun cuando lentam ente, reacción, que se
iniciaba con leves contracciones del sem­
blante y penosos suspiros. Mas pareciéndo¿ E sta rá helada?... ¿Se habrá desnuca­
le a Dick que tardaba demasiado, dióle la
d o ?...¿P or qué demonios no habrá bajado
fatal ocurrencia de ayudarla con un cho­
esta m u jer en un paracaídas, con el que no
rro de ron, que le echó en la boca abierta.
c o rría peligro de estrellarse?... Sí, pero
L a intención no era m ala; el remedio,
m añ an a lo habrían hallado aquí, y puede
adecuado para casos normales; pero cayen­
que tu v ieran curiosidad de saber a quién
do entonces sobre los copiosos tragos del
h ab ía traído.
alcohol del motor, que el miedo a perecer
In ten tó quitarle el guante de una mano,
helada hizo beber a Sara, y entrando en
y siéndole imposible por tenerla agarrota­
cuerpo que era ya presa de la embriaguez,
da, rem angó el puño de él buscando el
daba nuevo empuje a las fuerzas que deter­
pulso... No, no estaba m uerta todavía; pero
m inaban la reacción, que podía resu ltar
en aquellas venas ya no la tía sino levísimo
más peligrosa que el colapso.
y decreciente hálito de vida.
Efectivam ente, apenas ingerido el ron, se
—Vive aún, pero con este frío no ta rd a rá
agitó S ara convulsivamente, rechazó la ro­
en m o rirse como me descuide... Y viene sin
pa que la sofocaba, e incorporándose con
abrigo—dijo, pensando que, a despecho de
violencia en el lecho, abrió los ojos, en
su capotón de pieles de oso andino, los 23
donde una m irada delirante pugnaba por
grados bajo cero de aquella crudísim a no­ rasg ar opacidades de inconsciencia.
che le hacían a él castañetear los dientes.
—Agua, agua. Me abraso—gritó con ron­
Y com prendiendo que no podía dejar pasar
ca voz desabrochándose de un tirón el cha­
ni siq u iera m inutos sin substraer a la recién
leco y desgarrando el cuello de la cami­
llegada a ta l tem peratura, se arrodilló, pasó
sa—. ¡Agua, agua!...
los brazos por debajo del inerte cuerpo,
Pronunciando incoherentes desatinadas
enderezóse con un gran esfuerzo, y con
frases, se llevó las manos a la cabeza, que
otro aun m ayor se puso en pie con ella a
sentía estallar con horribles dolores, y
cuestas.
queriendo arrancársela, se arrancó la pelu­
ca con los crispados dedos.
G racias a las grandes fuerzas de Dick,
E n lugar de la enm arañada pelambre de
a q u e sólo distaba veinte pasos de la puer­
lanudos cabellos e incultas barbas de Mís­
ta del pabellón que a la salida había cui­
te r Chess, vió de improviso Dick, quedando
dado de dejar entornada, y a que el corre­
deslumbrado, el rostro hermosísimo de Sa­
dor <üue conducía a su alojam iento no era
ra, aureolado con los rubios reflejos de
largo, pudo llegar a éste con su carga, muy
su opulenta cabellera.
sigilosam ente, para no despertar a los tres
Quedóse atónito el mulato, contem plán­
obreros que con él com partían ei edificio.
dola extático, bebiendo ansioso, por los ojos,
E n cuanto estuvo dentro tendió a Sara
fulgores de belleza prodigiosa; y así siguió
en el lecho, que acercó al radiador de la
h asta que, pasados los primeros momentos
calefacción, abriendo su registro para que
de estupor, cerró y abrió los ojos, se pasó
ir ra d ia ra el máximo calor que podía emi­
las
manos por la frente y paseó en torno
tir ; 1.a abrigó con m antas previam ente ca­
suyo recelosa m irada, que a poder verla,
lentadlas arrollándolas al irradiador, y qui­ habría espantado a Sara.
tán d o se su enorme poncho de pieles, lo echó
E sta, con los ojos abiertos y vidriosos,
encim a de ella. Hecho esto, dejóse caer, ren­
seguía disparatando; él la m iraba asusta-

96

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

do, pensando que aquello debía ser el de­
lirio de un ataque cerebral. Mas poco a po­
co fué cediendo la excitación de la embria­
guez, se entornaron los párpados, cedió el
cuerpo, y al caer en la almohada, la cabe­
za hacia atrás, quedó la cara entre madejas
de oro.
Presa a la vez de admiración y espanto,
pues temía que Sara hubiera muerto, acer­
có Dick su amulatada tez al blanquísimo
rostro de ella, y envolviéndole entonces su
0
aliento, envenenado por el alcohol, le pa­
reció la tufarada demasiado fuerte para te­
ner por sola causa aquel chorro de ron con
que él había acabado de sumirla en em­
briaguez parecida a la muerte, y exclamó:
— Lo que está esta mujer es borracha per­
dida.
Levantóle la cabeza, le alzó los brazos,
y una y otros cayeron como plomo sobre el
lecho.
— Tiene sueño para diez o doce horas. Y
trabajo le mando a quien antes quisiera
despertarla...
Quedóse Dick en pie embelesado ante la
bellísima criatura, prisionera de aquel so­
por terrible, y cuando a costa de ímprobos
esfuerzos conseguía separar los ojos de ella,
a ella tornaban inmediatamente.
— ¡Qué hermosa!... ¡Qué hermosa!... ¡Qué
hermosísima es!...
Y cuanto más lo repetía más se acentua­
ba el temblor epiléptico que sacudía el cuer­
po del mulato.
Volvió a mirar con hosco y receloso ce­

ño en tomo suyo; tuvo un último instante
de vacilación, y al cabo, ocurrió allí algo
horrible que Sara no pudo prever cuando
trazó los criminales planes que a Parami­
llo la llevaban, y de los cuales resultaba
ella primera víctima inconsciente; planes
de los que al primer paso nacía ya un cri­
men, que aun oculto para ella entre las
sombras del fatal letargo, manchábala con
repugnante realidad.
Entraban en la habitación los primeros
destellos de la aurora cuando, turbado, fe­
bril, ahogándose en la estrechura de aquel
recinto, echóse Dick encima el capote de
pieles y salió ansioso de aire libre, sabién­
dole a caricia en la ardorosa frente la he­
lada brisa de la glacial mañana.
Al salir a la plazoleta tropezaron sus pies
con un objeto, advirtiendo, al bajarse, que
era la correa y el estuche que en bandolera
traía Sara, que al cargársela a cuestas el
mulato se habían deshebiliado.
— Si no llego a salir ahora, dentro de un
rato se encontrarían esto aquí, y el hallaz­
go pondría a la maldita aragonesa sobre la
pista de la que le vamos a armar— dijo
Dick al recoger el estuche— . La verdad es
que no ha tenido poca suerte Mistress Sa­
ra de haber caído en mis manos.
Y prorrumpió en soez risotada que, pre­
tendiendo ser cínicamente alegre, le asus­
tó, hasta cortarle la carcajada en seco; tal
impresión le hizo el escucharla.

X X V II1
LOS

PERROS

DE

A principios de agosto se comenzaron a
instalar en torno del autoplañetoide las
veinte escalas exteriores bajo las cuales ha­
bían de colocarse las cargas propulsoras;
pero esta última operación se demoraba
hasta los días inmediatamente anteriores
a la partida.
En el interior avanzaba la edificación de
la ciudad de Noviópolis, y se henchían de
hidrógeno las amplias cámaras donde, en
lo alto de la esfera interior, se almacenaba
abundante provisión de dicho gas compri­
mido a diez atmósferas, que en el viaje ha­
bía de utilizarse en importantísimas apli- (
caciones. Llenos estaban ya los tanques de
nitronafticolodina , destinada a los moto­
res de explosión, que moverían las dinamos
y los alternadores donde se engendraría la

LA

CAPITANA

electricidad que habría de proporcionar luz,
calefacción, refrigeración y fuerza mecáni­
ca para todas las necesidades del novimundo y sus pobladores.
A la par que todo esto, avanzaba, también
rápidamente, el montaje de máquinas y la
instalación de laboratorios, central eléctri­
ca, ascensores, escaleras, teléfonos y los ex­
traordinarios grafointerpretófonos estable­
cidos en el Casino Internacional y en to­
dos los lugares de concurrencia de autoplanetianos nacidos en diversos países, que
a falta de un idioma común en el aviplaneta, necesitaban medio que les permitiera co­
municarse, aun cuando cuatro o cinco per­
sonas conversaran, empleando cada una su
lengua nativa. Realmente eran, no uno, sino
dos los aparatos: el grafointerpretófono y

DE LOS ANDES AL CIELO
el fm ointerpretófono. Ya los veremos funcionir oportunamente.
L í plaza central quedaba encuadrada por
los ídificios oficiales y lugares de general
concarrencia; a espaldas de éstos, y sepa­
rados por cuatro calles de diez metros de
anclura, se alzaban, .en. pabellones indepencientes, los alojamientos de las comi­
sionas científicas y de la oficialidad del orbimttor; es decir, los pilotos de derrota a
las inmediatas órdenes de María Pepa, ins­
talada, como sus abuelos, en el edificio
prinñpal de la plaza. De la azotea de éste,
destnada a Comandancia General del novimundo, se elevaban dos torres de acero, con
quince metros de altura, que a distancia
entrs sí de veinticinco, sustentaban el puen­
te d-i mando y maniobra con las cabinas de
derríta del piloto de cuarto y de la Capi­
tana; ambas con multitud de instrumentos
astrmómicos eterológicos y eteronáuticos.
Lts pabellones de los comisionados, la ofi­
cialidad y los ingenieros, tenían por sus
f&chidas posteriores vista directa al cielo,
a tn vés de la corteza transparente del autopknetoide.
En otro piso, diez metros más abajo, es­
taba el cuartel de la guarnición y cuerpo
arma-do para eventuales desembarcos en los
planetas, que se componía de cincuenta sol­
dadles a las órdenes de Santiago el maqui­
nista; y frontero al cuartel, quedaba el cuar­
telillo de obreros y obreras. La escolta per­
sonal de María Pepa, a las órdenes de un
alférez, Soledad, era una tropa exclusiva­
mente femenina y escogida, que se alojaba
en la Comandancia General, constando de
tres docenas de muchachas.
Fábricas, maquinaria, cámaras de oxíge­
no, depósitos de calcio, polvorín de cinetorio, arboledas y cultivos regeneradores del
aire respiratorio, almacenes y locales di­
versos se distribuían en diferentes y sepa­
rados pisos. Todos los del novimundo se
comunicaban por multitud de ascensores.
En la parte más baja estaban los tanques
de ácido carbónico, importantísimos por el
automatismo químico que regulaba las res­
piraciones animal y vegetal en el plane­
toide.
Por -último, empotradas en la parte infe­
rior de la superficie externa del orbimotor
y a opuestos lados de la boca, de la gran
poterna sur, había dos misteriosas cámaras
rielálicas, en donde se guardaba algo que
l.asta ahora es un secreto.
Con la somera descripción anterior tiene
el lector vaga e imperfecta idea que ya irá
completando, de lo que por dentro era el
uo’. ¡mundo de María Pepa, que según veía

97

acercarse el momento de subirse a los cie­
los, estaba cada día más guapa; y demos­
trando que su garrido y esbelto cuerpo era
de acero, iba, venía, subía, bajaba, ordena­
ba, vigilaba, resolvía, siempre sonriente,
siempre afable, y sin embargo siempre enér­
gica.
En todo la ayudaban sus abuelos; mas
no teniendo su juventud, su agilidad ni su
soltura, habíanse repartido entre los tres
la vigilancia y dirección de la totalidad de
los trabajos. Así, en cuanto llegaba María^
Pepa a inspeccionar cualquiera, siempre lle­
vaba un viejo detrás de ella con la lengua
de fuera.
El año anterior, los cultos empleados del
Instituto de Trujillo habían puesto a aque­
lla trinidad de sabios que calentaban sus
vejeces a los rayos de un sol de juventud,
el mote, naturalmente científico, de la In­
ventora y sus Planetas; pero allá en Para­
millo, la gente americana, ocurrente, dono­
sa y pintoresca para endilgar apodos, los
llamaban la Capitana y sus tres perros.
Y, sin embargo, el mote no era exacto
en cuanto al número, porque además tenía
la Capitana otro: un can pegadizo, uno de
esos chuchos vagabundos que en la calle, y
sin saber por qué, se le arriman a uno; un
galgo flaco, flaco, y feo, feo, pero incansa­
ble, como ella, que a todas horas y sin guar­
dar turno cual los otros, la seguía a todas
partes: Arístides Leblonde, en suma, que
no teniendo ocupación alguna, detrás de
María Pepa, metía sus larguísimas narices
en todos los rincones del autoplanetoide.
Así, aun sin saber palabra de las ciencias
en que se fundaba todo aquello, en algo no
le aventajaba nadie: en saberse al dedillo
hasta los menores .escondrijos del compli­
cado novimundo.
Estando un día con la Capitana en la sala-válcula de comunicación con la envuelta
del oxígeno almacenado entre las concén­
tricas esferas de cristal, cuyo destino prin­
cipal era mantener en el viaje la pureza de
la atmósfera intraplanetaria, d i j o
de
pronto:
— ¿Sabe usted, amiga mía, que estoy
aquí humillado?
— Usted dirá por qué...
— Porque en este preciosísimo mundo por
usted inventado voy a ser yo el único ha­
bitante sin título en que fundar el honro­
so nombre de autoplanetiano. o novimundiano, u orbimotoriano. Unos por sabios,
otros por pilotos o soldados, todos entran
aquí por algo. Yo soy el único que usted
ha admitido por su linda cara: motivo que
es seguro no cree nadie.
De los A ndes al Cielo .

BiliLiOTEOA Novelesco-Científica .

___

7

98

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

-— ¡Ah, nuestro jefe de cocina! Emanta— ¿Adonde va usted a parar?...
do de saludar a usted. Seremos buenos ami­
— A que desearía un título más creíble.
gos; yo simpatizo siempre con los jefes de
— Pues rompa usted su incógnito, se lo
cocina... Por supuesto, si guisan bien.
perimito, y descúbrase como descendiente
— Yo no guiso.,
ele la ilustre Mademoiselle Leblonde, inven­
— Claro, dirige; es natural. Yo tengo buen
tora premiada...
diente y hasta dicen algunos que soy 7our— Por unos aparatos astronómicos que no
vianá; mas no por ello dejo de ser goumet.
sirven de nada. Hágame usted el favor de
Ya daré a usted algunas recetas pa’a la
no burlarse de mi antecesora... No me
conviene esa solución... Prefiero otra fun­ caza, la anguila a la marsellesa, los ;allos
a la moda de Caen, que apuesto no coiocen
dada en propios merecimientos, y creo que
ustedes en el Japón.
♦ la tengo.
— La caza es porquería.
— A ver, a ver.
— ¡Hombre, porquería!...
— Anoche me acordé de que soy médico.
— La anguila, porquería; y fritos, salsas
Hace veinte años que lo tenía olvidado;
y asados, todo, todo son porquerías.
pero ayer, de sopetón, lo recordé.
— Pero entonces, ¿qué come usted, des­
— ¡Que sea enhorabuena, señor doctor!...
— Déme usted la plaza de médico prime­ graciado?
— Yo no como: me nutro.
ro de la expedición, que está vacante.
— ¿Pero con qué?
— ¿Para que nos mate usted a todos?...
No lo sueñe...
Conteniendo la risa a duras penas, dijo
María Pepa:
— No tenga usted cuidado. ¿No hay un
— Amigo Arístides, este caballero 10 es
segundo y un tercero?... Ellos serán los que
cocinero, sino un ilustre químico, descen­
a diario maten, y por excepción curen;
pues yo prometo no ocuparme de los enfer­ diente del sapientísimo Chin-Chu-Fo, autor
mos, limitándome a inspeccionar a mis in­ de los sistemas alimenticios premiadóT por
feriores... ¡Calla!... ¡Qué idea! Esto es me­ el Instituto de Viajes Planetarias, y nene
jor: nómbreme usted Inspector Superior de
a dirigir nuestra alimentación duran:e el
Sanidad e Higiene.
viaje.
— Está muy bien. Pero con esas sapientí­
— ¡No pica usted poco alto!... ¡Para quien
hasta ayer no se ha acordado de la Medi­ simas ideas que tiene usted sobre los co­
mestibles. ¿qué va usted a darnos di co­
cina!... Pero lo pensaré.
mer? Esto es lo interesante.
— O si no, cree la plaza de médico de su
escolta.
— Muy sencillo: lo que les haga falta,; lo
— ...de mi escolta de buenas mozas?
que vil y suciamente distfrazado ingieren
ustedes al comer, todo eso que persisto én
•— A las cuales prometo asistir con todo
esmero.
llamar porquerías. Por ello no comerán us­
— No, no; no me conviene; me atengo a
tedes nada, sino que los nutriré con car­
lo otro; le haré a usted inspector, puesto
bono, nitrógeno, fósforo, glucosas, albumique a toda costa quiere que le haga algo.
noides, etc., etc.; a cada uno en las propor­
Al día siguiente tenía Arístides su nom­ ciones que le sea más conveniente.
bramiento en el bolsillo.
— Pero todo eso debe saber a demonios,
Poco a poco iban llegando comisiones de
señor Chin.
sabias y sabios, representantes en el noví­
— Está usted equivocado; son pildorillas,
simo mundo de las diferentes ramas del hu­ cápsulas líquidas o gaseosas. Ni se mascan
mano saber y de casi todas las naciones de
ni saben a nada.
la Tierra. En las tertulias, discusiones, y
— ¡Vaya unas ventajas!...
puede que peleas, que seguramente arma­
— En otros casos empleo inyecciones.
rán durante la travesía, o por los descu­
•—¿De modo que en vez de vamos a al­
brimientos que realicen, iremos conocien­ morzar o a comer, habremos de decir va­
do a los más conspicuos; pero entre éstos
mos a que nos pinche, o a que nos chinche
había uno que por lo rancio e ilustre de su
el señor Chin-Chu-Fo?...
abolengo científico y por su papel importan­
— Pueden pincharse ustedes por sí mis­
tísimo en el viaje', del cual nos va a infor­ mos.
mar la misma Capitana, es preciso presen­
— Pínchese usted si le conviene...
tar sin demora a los lectores. JT
María Pepa creyó oportuno cortar una
El señor Arístides Leblonde, nuestro
discusión que tomaba mal sesgo. Despidió­
Inspector Superior de Sanidad e Higiene.
se el japonés, y Arístides preguntó:
El señor Chu-Fo, Director de la Alimenta­
— ¿Pero es serio todo eso?...
ción en el autoplanetoide.
— Completamente serio.

DE LOS ANDES AL CIELO

—Pues ahora mismo anuncio a usted una
memoria en que, como inspector de Sani­
dad, protestaré, en nombre de la Higiene,
contra la alimentación y los pinchazos de
ese tío, más feo que yo: más, ya lo creo.
Sólo eso me consuela de tenerlo jde com­
pañero de viaje. Como no soy orgulloso, nun­
ca he aspirado a los primeros puestos, y
me alegro que me lo haya quitado el japo­
nés.
— Eso es mucho decir, amigo Leblonde;
puede que en el Japón sea el señor Chu-Fo
todo un real mozo.
— Allí, tal vez; pero aquí, no. ¡Porque­
ría la caza!... Y hablando de otra cosa: ¡có­
mo la miraba a usted!... No es que me ex­
trañe, no; pero se la comía con unos ojos
ansiosos que no cuadran en quien despre­
cia a los glotones.
Pocos días después echó de ver la gente
que desde hacía ya varios le faltaba un
perro a la Capitana: el más flaco y más
feo, que a la mañana siguiente de ocurrida
la anterior escena no llegó, cual solía, a
menear la cola en pos de María Pepa, al sa­
lir ésta de su alojamiento en demanda del
diario ajetreo. Pero llegó un volante con
este membrete: “Inspector jefe de Sanidad
e Higiene del Autoplanetoide A -l” , y deba­
jo los siguientes renglones:
“ Querida amiga y respetada Capitana:
Me voy a Mendoza, donde urgentemente ne­
cesito adquirir material de oficina y de labciratorio para la Inspección de que soy
jef e por graciosa* designación de la plus
bel’,le y más graciosa de las capitanas; gestíóin en la que, no a la jefe, sino a la ami­
ga,. confieso haberme descuidado demasia­
do.. Pero aun hay tiempo, y en los pocos
díais que faltan para comenzar la colocacióin de las cargas lo tendré todo listo, llevámdolo con tiempo de poder embarcarlo
anites de que sea comenzada dicha operacióín. Su ferviente amigo y respetuoso su­
bordinado, Arístides.—P. D. Como además
he de equiparme, y ando mal de cuartos,
esttimaré de usted dé orden teLeautógrafa a
Meendoza para que al presentarme hoy en
la Caja del Instituto me entreguen, a cuen­
ta del milloncete que me corresponde por
el disparatado invento de Mademoiselle LeblcondfV mi ilustre tía, 50 oóndores.”
— ¿Pero habrá tomado en serio el cargo?
Neo me explico qué material sea ese ni qué
eqiuipo pensará comprarse para necesitar
-ve?inticinco mil duros.

Pero, aun sin explicárselo, dió la orden.
Y no volvió a acordarse del material, pe­
ro sí de Arístides, cuyas chirigotas y gra­
cejos echaba de menós, hasta que al cabo
de cinco días se presentó el ausente con
un equipaje aterradoraimente monstruoso,
compuesto de siete vagones herméticamen­
te cerrados, dos o tres docenas de cajas y
cajones precintados, de variadísimas for­
mas y desmesurados tamaños, y todo rotu­
lado: “Inspección general de Sanidad e Hi­
giene” , y debajo, variados jeroglíficos:
A-3, B-5, H-7, etc., cuya clave estaba en un
libro de memorias que en su bolsillo guar­
daba el inspector Monsieur Leblonde, y que
ni aunque lo asparan enseñaba a nadie; ni
aun a la misma María Pepa.
Por último, en un vagón se leía: “Pre­
sérvese del calor” ; en otro: “Guárdese en
sitio seco” ; en tal caja: “No invertirla” ;
en otra...
Esta colosal impedimenta llegaba colga­
da del cable aéreo establecido entre Men­
doza y Paramillo para hacer oficios de mon­
tacargas. Del mismo modo hablan llegado
todos los equipajes. Pero aquél valía por
veinte.
Precisamente estaba la Capitana en el
muelle de descarga cuando llegó Arístides
con su mudanza.
— ¿Pero adónde va usted con todo eso?
¡Qué atrocidad! ¿Qué trae usted ahí?...
— Esterilizadores, pulverizadores, ozoni­
zadores, insufladores, ventiladoras, aspira­
doras, atemperantes, refrigerantes, tonifi­
cantes, desinfectantes, oxigenantes...
¡Pero hombre de Dios! Si de todo eso te­
nemos ya provisión abundante en el autoplanetoide...
— No sobrará, no sobrará, amiga mía. El
viaje puede ser muy largo. Por previsión
nunca se peca... Y en último extremo, as­
piraremos, nos pulverizaremos, nos des­
infectaremos y nos oxigenaremos con ma­
yor frecuencia, a dobles o a triples dosis.
María Pepa soltó la carcajada, y después
¿qué iba a hacer?... Autorizó al inspector a
meter todo aquello en el novimundo, a con­
dición de que él solito lo acomodara, sin
venirla con preguntas ni consultas, y de
que él asumiera la responsabilidad de los
envenenamientos qu# ^pudieran ocasionar
aquellas drogas. Tal vez fué una imprudecia y una debilidad de la Capitana; pues
de las competencias médicas, química e hi­
giénica de Arístides habría mucho que ha­
blar, y poco bueno.

100

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

' XXVIII
1 MAQUINACIONES

TENEBROSAS

Hasta las seis de la tarde del día en cu­ recta o torcida, y la conciencia, conciencia,
de bandido o de hombre honrado, pero que,
en que fué víctima inconsciente de espan­ fueran cual quisieran, valían más que rugi­
tosa tragedia, no comenzó a mostrar indi­ dos de fiera, se dejaron oír; y también qui­
cios de despertar de aquel sueño letárgico. so el corazón ser escuchado.
Las angustias de su tremenda lucha con
Entre el frío que sintió al salir a la pla­
el frío horrible de la noche pasada; el co­ zoleta y la impresión que le produjo la car­
lapso consiguiente a la semicongelación; el cajada de su cinismo al festejar la cobarde
esfuerzo titánico con que el espíritu triun­ hazaña, ahuyentaron la fiera que del pabe­
fó del frío y la embriaguez, a expensas de llón había salido; y ya al volver a él era el
tensión casi sobrehumana impuesta a los mulato un hombre: odioso, miserable, trai­
nervios de una débil mujer, por su acera­ dor, pero hombre, que al contemplar de nue­
da voluntad templada en odio a otra, eran va la belleza de Sara y recordar cuanto
causas que, aunadas a la conmoción de la había pasado, la miró con orgullo de envi­
caída, habrían sobrado en organismos mu­ lecido siervo que ve a sus pies al que hasta
cho más robustos para que ánimo, carne y entonces fué su amo. Y esto ya era un pro­
nervios se rindieran. Por si era poco esto, greso, pues la perversidad, aun cuando abo­
agregábase a ello el fulminante efecto de rrecible, no es sensación de bestia, sino hu
espantosa embriaguez.
mano sentimiento.
No es, pues, extraño que durmiera Sara
¡Ayer tan alta ella, tan bajo él, y hoy!...
quince horas, tan insensible a todo como
Mirándola, mirándola; viéndola quieta,
un tronco, sin que antes fueran parte a inerme, punto menos que muerta, sintió en
despertarla las sacudidas con que, asusta­ su vanidad el arañazo de una idea que ca­
do de tan largo dormir, procuró varias ve­ llando le decía que ni bajó a buscarle ella
ces despertarla Dick, hasta caer en la cuen­ ni había sabido él subir, sino arrastrarla al
ta de que era preferible no interrumpir la fango; vió claramente que en lo ocurrido
acción sedante de aquel sueño.
no había triunfo que pudiera envanecerle,
A intento había Sara elegido para su lle­ pues donde no hubo impulso del corazóm, ni
gada un día de fiesta en que Dick no asis­ seducción de los sentidos, ni aun vencimien­
tiera a los talleres, para tener tiempo de to en brutal lucha, no había victoria. De­
discutir con calma los detalles del plan que, cíase que cuando despertara Sara seguiría
en líneas generales, llevaba ella trazado. mirándolo desde arriba, como antes, sin
Gracias a esto pudo el mulato no apartarse sospechar que aquel gusano había llegjado
de la enferma, ni aun para comer, conten­ a besar a la flor.
tándose con pizcar unos cuantos y frugales
Y el gusano seguiría rastreando por el
bocados en las provisiones acopiadas para suelo, y ella, allá, arriba.
atender a la manutención de un huésped
Al llegar a este punto de sus cavilaciones
que no podría salir a comer fuera, pues el se rebeló el mulato contra tal idea, y le­
recuerdo de la pasada noche, que tan pron­ vantándose impetuoso, gritó.
to era tenaza que lo atormentaba como ca­
—Lo sabrá, lo sabrá; yo le diré que? al
ricia embriagadora, le había quitado el ape­ gusano le han nacido alas.
tito.
Pero inmediatamente representósele el
En el contramaestre brasileño, externa­ horror y el desprecio de Sara si llegabia a
mente transformado en el mulato Dick, se saber... No, no; después de lo ocurrido, ¡aca­
realizaba transformación interna muchísi­ so él no la viera tan alta; mas, de segiuro,
mo más honda: aquella mañana había sido ella lo vería a él muchísimo más bajeo y
la bestia repugnante e impulsiva, a la que más ruin que antes, porque lo hecho era
sólo mueven apetitos y sensaciones; la fie­ la más cobarde de las cobardías y la imás
ra que a dentelladas y zarpazos toma lo que vil de las traiciones...
le piden voracidades de la sangre y los ner­
¿Se arrepentía?... No, arrepentirse no, jporvios desmandados. 'Mas satisfecho el deli­ que al mirarla tan hermosa como en aqiuel
rante afán, la bestia se aplacó, y la razón, instante la veía, le era imposible el airreya madrugada llegó Sara a Paramillo, y

DE LOS ANDES AL CIELO
pentiminto; pero confesarlo, decirle aquello,
tampoco: jamás tendría valor.
Pero entonces, ¿qué fruto había sacado
de su bestialidad pasada?... ¿Seguiría sien­
do Sara para él una estrella en la altura
que jamás volvería a alcanzar con sus bra­
zos?

¡Qué locura! ¡Que ideas tan insensatas! —
El nunca había pensado en aquella mujer
de tal manera; nunca soñó con aquellas? des­
cabelladas aspiraciones torturants. Pero aho­
ra, pensando en lo ocurrido como en hecho
imborrable, y aun teniéndola allí, inerme y
tentadora, como antes, considerábase inca­
paz de repetir la horrenda hazaña; porque
como cosecha de su felonía, no le quedaba
ya sino evidencia amarga de que aquella
mujer no le había dado nada; porque la
embriaguez de unos instantes habíase tro­
cado en pasión incapaz de aplacarse con di­
cha arrebatada a voluntad inconsciente,
pasión que no podía satisfacerse sino con
pasión correspondida.
— ¿Correspondida?... Nunca: esa mujer
es de otro; quiere a otro; no será nunca
mía: ni lo es ni lo ha sido. Y al despertar
lo ignorará todo. Sí, sí; más vale que lo
Ignore.
,

Pasaron horas y horas. El obrero no
ap>artaba los ojos de los cerrados párpados
de Sara, y encontradas ideas, propósitos
opmestos, reñían en su cabeza ruda lucha:
a las desesperanzas sucedían insensatas ilushones de que fuera posible en el mañana
el absurdo de hoy; porque, ¿quién, unas
cuiantas horas antes, habría podido prever
lo sucedido? ¿Qué mayor absurdo que .lo
quie ya era un hecho?...
Por esto andaba de sus vacilaciones cuaq¡
da) comenzó ella a agitarse. Y entonces le
esipantó el recelo de que, una vez despier­
ta., quedara en un rincón de su memoria algúin recuerdo.
Gracias a que después de abrir los ojos
todavía tardó Sara ocho o diez minutos en
saicudir la pesadez opresora del cerebro y
em recobrar plena lucidez de espíritu. Solavmente por esto pudo pasarle inadvertido
el azoramiento de aquel hombre, que únicaxmente desechó los terrores de ver su crimien descubierto cuando las primeras fra­
ses» incoherentes de ella y sus múltiples
pireguntas en cuanto pudo coordinar ideas
revelaron a Dick que de nada, de nada se

101

acordaba su víctima a partir del momento
en que, ya ebria, detuvo el aeroesquífe so­
bre la plazoleta y abrió la válvula, que lo
hizo descender: la bajada por la escala, la
caída, el golpe, la reacción frenética en que
se había arrancado la peluca, la infame vi­
llanía de su cómplice, no eran sino sucesos
encerrados en un paréntesis en que ideas y
razón y memoria quedaron suspendidas.
Todo, todo menos aquello, tuvo que contár­
selo Dick, mientras ella bebía con sed an­
siosa tazas y más tazas de té. Pero, ¡mis­
terios del corazón humano!, él mismo no
sabía qué era mayor, si su alegría al noverse descubierto o la pena de no poderse
descubrir.
*

*

#

Era la norteamericana tan sólida de cuer­
po y tan firme de nervios como arriscada de
ánimo, pues de la terrible borrachera de la
pasada noche, sobrada a producir en otra
mujer grave enfermedad, o a lo menos in­
disposición de varios días, no le quedaban
a ella, a las dos horas de recobrar el cono­
cimiento, sino pesadez de cabeza, laxitud
de miembros y ligero molimiento de cuer­
po. Nada, en suma, para hembra de su
temple, según demostró cuando, repuestas
ya sus fuerzas con un parco refrigerio, y
después de ordenar a Dick que le pusiera
al lado la tetera llena de té frío, pues la
sed continuaba atormentándola, dijo, como
si ya no recordara sustos ni riesgos:
— ¡Ea! Dejemos eso y hablemos de nego­
cios. Siéntese, hombre, que la conversación
va a ser un poco larga. ¿Estaremos segu­
ros de que nadie ha de oírnos?
— Sí señora. No tengo más vecino que eí
de al lado, el que usted sabe, que por ser
hoy día de fiesta, estará en la taberna. El
tabique medianero es el de sai alcoba, y en­
tre ella y esta habitación queda la antesala
de entrada. Además, todas las puertas es­
tán cerradas.
— Bueno, ¿y ese hombre, está en el otro
taller de cápsulas?
— Sí.
• — ¿Y es maestro en él, como usted en el
suyo?
— No señora; oficial; menos aún: apren­
diz aventajado. Pero ya escribí a usted que
a él o a otro cualquiera les faltaría tiempo
en cuanto les hablara para irse allá arriba
con el chisme. Por eso cuando usted me es­
cribió que necesitaba un obrero de confian­
za en el otro taller...
— Como no me ha podido usted informar
sino del suyo...
— Es que lo que aquí hace la mano dere-

102

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

contar sino con usted, he venido, porju®
ch a no lo sabe la izquierda... Por eso al
convencerm e de que no podría usted contar
usted y yo somos dos.
—Yo creía que usted pensaba en tra r en
sino conmigo, le escribí que era inútil vi­
el taller en lugar mío, con mi traje y mi
niera. Más valiera que me hubiera hecho
caso.
mudógrafo, quedándome yo agazapado ajuí.
Sorprendida del tono patéticamente ro­ El plan, aunque atrevido, era posible; )ero
m ántico de aquel “más valiera”, que desde­ en en trar los dos no sueñe usted, pues illa
saben bien cuántos obreros tienen, y no
cía de las entonaciones duras, habituales en
l a voz de su cómplice, lo miró Sara, y equi­ hay m anera de m eter otro de m atu te Y
que si usted lleva mi traje, ¿cuál me pongo
vocándose sobre la causa de su aspecto-al?»yo?... Y si yo me lo pongo, ¿cuál lleva us­
tido, replicó:
ted?...
—¿Salimos ahora con que tiene usted
miedo?...
—¿Y el del vecino?...
—¿Quién?... ¿Qué?...
— ¡Miedo yo!... No sabe usted lo que se
—El del aprendiz de al lado. Si le viene
-dice—contestó Dick con tono en que la có­
a usted estrecho buscaremos otro; pero pre­
le ra puso las inflexiones ásperas a que ella
estaba acostum brada.
feriría a ese muchacho, por tenerlo cerci.
— ¡Ahí Ya caigo: lo mato, y...
—Entonces ¿por qué lam enta usted mi
venida?
—No hombre, no; no sea usted atroz;
no hay que m atar a nadie: tengo medios
—Porque ha estado usted a dos dedos de
más suaves.
m atarse prim ero y de m orirse luego...
—Son inútiles: no sacaremos n ada de
—No habiéndome matado no vale ya la
pena de hablar de ello.
él por las buenas. Lo m ejor es lo que yo
—... y porque ahora no sé cómo nos va­ digo.
mos a arreg la r para sacarla a usted de
—En estas discusiones estamos perdien­
aquí.
do tiempo que me hace falta. Contest? y
A m edida que Dick hablaba acentuábase
no interrum pa ni pida explicaciones. ¿Me
más la brusquedad de su actitud, pues la
servirá el tra je de trabajo del vecino?
altan ería de aquella m ujer, ante la cual
—Servirá: es del mismo número que el
iba temiendo no poder contenerse, hacía
mío. Pero sospecho que ha de ser Tríenos
que su deseo m ás vehemente fuera hacerla
impermeable al cinetorio. Hay dos mode­
sa lir pronto de Param illo, perderla
vis­ las.
ta, aun sabiendo que en cuanto esto ocu­
— ¡Ah!... ¿Sí?... Entonces eso parece in­
rrie ra habrían de atorm entarlo nuevas an­ dicar que la diferencia entre los dos talle­
sias de verla.
res... ¿Y a qué hora suele ese hom bre re­
— ¡Irm e de aquí!... ¿Pero usted cree que
tirarse a casa?
he afrontado los riesgos de mi azaroso via­
—De nueve a diez.
je por el solo placer de dar un paseo noc­
—¿Cierra por dentro la puerta p ara dor­
tu rn o , a no sé cuántos grados bajo cero, y
m ir?
echar un párrafo con usted?... Y usted ¿ha
—No lo sé.
olvidado su venganza?... ¿No puedo ya con­
—Vaya y vea si está cerrada con llave.
ta r con sus servicios?
—=Es inútil. Sé que de día la cierra con
¡Que no puede usted contar conmigo! — el pestillo eléctrico. Así que con ap re tar en
Mándeme asesinar a quien le dé la gana;
el botón exterior, que yo sé dónde está di­
m ándem e echarm e al fuego... Por usted soy
simulado... Como aquí no en tra nadie sino
yo capaz de todo; sépalo para siempre.
los que aquí vivimos, casi ninguno se acuer­
' Que raro está este hombre—pensó Sa­ da de la llave, a no ser quien tenga, como
ra, sorprendida de tan férvido entusiasmo
yo, algo que ocultar a los curiosos. Del ve­
y de la decisión de su m irada centelleante.
cino sé que cuando va al taller deja la lla­
Pero siendo imposible que hasta la altura
ve colgada dentro. Si p ara dorm ir se cierra
desde donde ella lo m iraba subiera la sos­ o no, ya no puedo decirlo.
pecha de la real causa de abnegación tan
—Vaya en seguida a ver si efectivamen­
absoluta, y no siendo m ujer que m algasta­ te tiene ahí la llave.
ra en ajenos cuidados tiempo que había me­
—¿Y si está?
nester para los propios, contestó fríam ente
—T ráigala; pero cuide de no ser sor­
a aquellas calurosas protestas para en trar
prendido si alguien abre la puerta exterior
rectam ente en m ateria:
del pabellón.
—Más vale así, pues pronto va usted a
Antes que pasara un minuto, ya estaba
poder probarm e esa adhesión. Precisam en­ Dick de vuelta con la llave, que entregó a
te por necesitar dos obreros y no poder
Sara. Sacó ella del estuche que aquél ha-

DE LOS ANDES AL CIELO

?)ía recogido en la explanada un frasquito
con un líquido verdoso, una jeringa de
unos 50 gramos de cabida y dos trozos
cuadrados de algodón en rama con cintas
en los ángulos, colocándolo todo sobre la
mesa; y recogiendo luego de detrás de la
cama la peluca de Mr. Chess, se la encas­
quetó con gran tristeza de Dick, que al ver
de nuevo al barbudo australiano en lugar de
la hermosa yanqui, preguntó con voz que
traslucía dolorosa contrariedad:
— ¿Para qué se vuelve usted a poner esa
peluca?...
Porque, aun pensando no dejarme co­
ger, es preciso, si al cabo me descubren,
que sea Mr. Chess el australiano, y no mistress Sam-Bull quien caiga en el garlito.
— Es verdad.
Y ahora, manos a la obra. Coja usted
la barrena que le avisé tuviera preparada,
y vamos a la habitación medianera con la
alcoba de ese hombre. Antes, deme el cor­
cho de aquella botella.
Pasaron a la habitación indicada, y si­
guiendo las instrucciones de Sara, hizo
Dick. un agujero en la pared de la alcoba
del aprendiz hasta calar al otro lado. Que­
dándose él en acecho de la llegada del ve­
cin o, volvióse ella al cuarto donde estuvie­
ron antes, cargó la jeringa con el líquido
d e l frasco, y sentóse en espera del aviso
d e Dick, meditando entre tanto en sus pro­
vectos para días venideros, pues la tarea
qiue acababa de preparar dábala ya por
cosa terminada.
A la media hora llegó el obrero, que ni
sñquiera se enteró de la falta de la llave,
piues sobre no tener costumbre de encerrar­
s e por dentro, no venía sino para tumbar­
se, pues da mucho de sí toda una tarde
d(e un domingo en la taberna. Bien claro
lo) decían la pesadez del paso y la verbosiidad exuberante del soliloquio, que a retaizos escuchó Dick después de oírle entrrar y ver un hilillo de luz a través del
ajgujero. Descalzo, según le había ordena­
d a Sara, corrió a avisar a ésta, que, des­
calzándose también, volvió con él a la otra
habitación.
Bueno viene— dijo al oír los despropó­
s ito s y tumbos de la presunta anima v ili
die sus experimentos, e introduciendo la
jesringa en el agujero luminoso, vació en
lai alcoba del vecino todo el contenido de
ellla, que salía, no líquido, sino vaporizado.
O bturó luego el agujero con el corcho que

103

tenía en la otra mano, y agarrando la de
Dick, que al sentir el contaoto tembló en
la suya, lo arrastró a la otra habitación.
Lo primero que Sara hizo al llegar a lu­
gar alumbrado fué clavar una mirada pe­
netrante y recelosa en el rostro del mu­
lato, pues la había alarmado el temblor de
su mano.
Felizmente para él, mirando a Mr. Chess
podía Dick dominarse mucho m ejor que
mirar a la hermosa yanqui, por lo cual,
en dudoso recelo, casi en inverosím il apren­
sión, quedaron las alarmas que comenzaba
a sentir ella.
La substancia inyectada con la jeringa
se había trocado, al contacto con el aire,
en gas cloroforidio, que hizo caer dormido
al pobre obrero. En tanto, en el gabinete
de Dick, se amarraban éste y Sara delan­
te de boca y narices las mascarillas de algo­
dón impregnadas en una composición quí­
mica que, absorbiendo los compuestos nar­
cóticos del clorofidio, sólo dejaba pasar el
oxígeno de él, pudiendo, quien así se pre­
servara, permanecer algunos minutos ro­
deado de aquel gas, sin experimentar sus
efectos.
Ya pertrechados con las mascarillas, sa­
lieron al pasillo, levantaron el picaporte
de la puerta del dormido obrero, y entra­
ron en la alcoba, abrieron el balcón de par
en par, y, con las ropas de la cama, aven­
taron el gas tóxico afuera.
Después que el pobre hombre que en el
suelo yacía fué encerrado por Dick en un
cuartucho, Sara, que se había traído la car­
tera de viaje, la llave y el revólver, mon­
tó éste cual si lo hiciera distraída, pero
de modo que el otro se enterara bien de
ello, y, colocándolo a la cabecera de la ca­
ma, dijo que allí se quedaba, no a dormir,
pues bastante llevaba ya dormido, pero a
pasar la noche, dejando libre a Dick su
alojamiento, y encargándole que a la ma­
ñana le avisará una hora antes de la en­
trada en los talleres, dando unos golpes en
el tabique medianero.
Cuando ya afuera oyó él el chasquido de
la llave, quedóse pensativo al lado de la
puerta. Pasado un rato, alejóse despacio
y entró en su habitación, donde, sentado
en una silla y sin haber pegado ni un ins­
tante los ojos, le halló el siguiente ama­
necer.
Era la segunda noche que pasaba en
vela.

104

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

X X ÍX
MISTER CHESS SE DISFRAZA
E n cuanto S ara estuvo sola en el cuar­
to del dormido aprendiz, se dijo:
—Es imposible; son aprensiones m ías...
Mas por si acaso...
E n seguida se dirigió hacia el traje de
m alla de plomo-seda refractocinetórica, que
estaba en un rincón, y después de exami­
narlo atentam ente, se lo probó, poniéndo­
selo encima, pues así se usaban, de la ro­
p a que vestía. Después hizo lo mismo con
el casco, observando que ni uno ni otro
resultaban tan embarazosos como ella ha­
bía temido, pues dichos trajes no eran co­
razas ni arm aduras abrum antes y rígidas
como las de los homóquinas de Maipo;
porque no teniendo que preservar sino de
radiaciones mucho más débiles que las del
filón del volcán, bastaba fuera su tejido
de doble y cruzada malla, relativam ente
flgxible y no demasiado pesada.
Las manos se cubrían con guantes de
gam uza bañada en una sal de plomo y fo­
rrados de seda. El casco, con aletas pen­
dientes sobre espalda, hombros y pecho,
era de caucho algodonado interiorm ente y
recubierto el exterior con escamas de
plomo.
Ya satisfecha de que podía ponerse el
tra je y valérselas con él, se lo quitó. Sacó
en seguida del estuche de viaje una am­
polla de inyecciones hipodérmicas, pasó a
la habitación donde estaba tendido el nar­
cotizado, le tomó el pulso, y diciendo “ya
es hora, dentro de diez minutos estaría
despierto”, le remangó la manga de la ca­
misa, y le puso en el brazo una inyección,
en la cual se mezclaba a un narcótico, cu­
ya acción d u raría veinticuatro horas, un
poderoso extracto nutritivo, pues ignoran­
do aún cuantos días le sería preciso man­
tenerlo dormido m ediante cotidianas in­
yecciones, y no queriendo m atarlo, tenía
que n utrirlo.
De vuelta a la otra habitación, sintió de
nuevo el m olim iento de cuerpo y el dolor
de cabeza, olvidados m ientras los comba­
tió el interés de aquellas m aniobras; se
tendió en la cam a usurpada al durm iente,
sin quitarse las ropas ni los pelos de míste r Chess, que casi, casi, iba considerando
cual personales capilares pertenencias, y

aunque parezca extraño, dormía a los cin
co minutos con la mayor tranquilidad.
Al otro día suplantó Sara en el taller al
obrero narcotizado, cuyos principales ofi­
cios, en el almacén de cápsulas descarga­
das, consistían en ato rn illar éstas en los
zócalos-bases de los elementos propulsores,
en llevar los elementos así armados al ta ­
ller de carga, donde obreros más hábiles
cebaban las cápsulas con cinetorio para h a­
cer las pruebas de los excitadores, y en
traslad ar a un salón los aparatos ya car­
gados, colocándolos en estantes instalados
en él.
Todos los elementos procedentes del ta­
ller en donde S ara trabajaba eran deposi­
tados en un mismo estante, rotulado car­
gas paralelos 4 a 9 norte. Otros tenían eti­
quetas que decían: Cargas ecuador y pa­
ralelos 1 a 3, .norte y su r; Cargas 4 a 6,
su r; Cargas 7- 3/ 8 sur, y Cargas 9 sur y
polo sur.
Letreros y clasificaciones hicieron cavi­
lar mucho al falso aprendiz, queriendo
adivinar a qué diferencias entre las car­
gas aparentem ente iguales responderían ta ­
les subdivisiones; hasta que aprovechó
ocasión de no haber nadie en el depósito
para curiosear en los otros estantes, vien­
do que las m anchitas rojas del fondo de
las cápsulas—bien conocidas de ella desde
la aventura de K renk—, eran muy peque­
ñas en las destinadas a los paralelos norte
y progresivam ente mayores en las cargas
destinadas a paralelos situados más al sur,
alcanzando el tam año de una lenteja en
las veintiuna del últim o estante.
V arias veces oyó Sara la palabra cinetorio, desconocida para ella, enterándose
de que aquel era el nombre del novísimo
radioexplosivo. y ió que en los tubos exci­
ta d o re s—«aparentemente análogos, según
queda ya dicho, a los,-,engendradores de
rayos X, en cuyo interior no hay sino aire
tan enrarecido, que casi, casi, equivale al
vacío—se inyectaban prim ero, enrarecién­
dolas después, em anaciones de cinetorio.
tan sutilísim as, que sería grosero nombre
para ellas el de gas: emanaciones semejan­
tes a las del radio, m isteriosas y extraor-

... aflojó las manos y soltó la escala, cayendo de espaldas sobre las de Dick.

DE LOS ANDES AL CIELO
d iñ a r ía s p a ra la ciencia del siglo xx, v u l­
g a res p a ra la del x x i i .

Pasando y repasando por donde H aupft
y Fognino hablaban en alemán, por cons­
tarles que ningún obrero lo entendía, ave­
riguó S ara que los rayos por aquellos tu ­
bos em itidos se llamaban, no X, sino SUPEREQUIS, y que regulando su acción so­
bre las cápsulas, se modificaba la intensi­
dad de las descargas. Que cuando éstas se
producían instantáneam ente originaban ex­
plosiones de violencia inconcebible, sabía­
lo ella desde la voladura de Challao.
Aun sin esta personal experiencia, como
salvo en cuantía eran los fenómenos prdducidos por el cinetorio muy sem ejantes a
los entonces conocidísimos de la radioac­
tividad; como además de muy versada en
éstos, era S ara listísim a, le bastó con lo
visto y oído para entrever lo más esencial
del invento de la Capitana. Y entonces se
acordó de haber sido Alvaro quien perci­
bió el p rim er rayo de luz en este punto,
cuando dijo a K renk que la m anchita roja
ae las cápsulas habría de ser forzosam ente
u n a especie de ultrarradio (1).
Al térm ino de la jornada comprendió
S a ra que, constreñida a su papel de obre­
ro subalterno, no podía ver ya más de lo
visto. P or cierto, sin el m enor tropiezo, ni
desp ertar la más leve sospecha, pues no
viéndosele la cara en lo hondo del casco,
sin o como un contraste de colores entre la
m ancha clara de la frente y las mejillas
y el pelo postizo de cabeza y barba; ahue­
cadas las voces de los obreros en la oque­
dad de los cascos, y desfiguradas por las
bocinas de los teléfonos, iguales parecían
las de todos, por lo que nadie pudo rece­
la r que dentro de aquel traje no estuviera
el mismo’vtfhombre cuyo apellido rezaban
(1) Pero ¿por qué tales diferencias entre las
cantidades de cinetorio con que las cápsulas se
cebaban? ¿A qué respondían aquellas designacio­
nes de paralelos y los apelativos norte y sur va­
cíos de sentido en un autoplaneta para el cual
no veía ella claro que norte y sur hubieran do
ser siempre direcciones fijas en el universo, en
cuanto se moviera en el espacio con variables
rumbos y, probablemente, con frecuentes inver­
siones de posición de su eje?
No acabaríamos si pretendiéramos dar cuenra
de las múltiples preguntas que cada uno de sus
traidores descubrimientos sugería a la atrevida
intrusa. Por ello dejamos al lector, versado en
ciencias físicas, mecánicas y químicas, que se
las figure; y de seguro caerá en seguida en que
siendo mero convencionalismo lo del norte y el
sur del autoplanetoide, mal podía la sabia yan­
qui adivinarlo, sobre todo ignorando la forma
cómo había sido lastrado con taliuro el novimundo, en virtud de la cual, siempre la parte infe­
rior de él sería la más cercana al astro que so­
bre él ejercida a f racción oredominante.

105

los tarjetones colgantes en su pecho y es­
palda.
De o tra parte, como S ara llevaba u n a
sem ana de estudiarse el plano de Páram i11o, fotográficamente tomado desde su ae­
roplano, y el del in terio r de los talleres,,
no es extraño que por todas partes se mo­
viera con soltura, sin dudas ni vacilacio­
nes; m as convencida de la inutilidad de
volver a los talleres, como no fuera p ara
desem peñar en ellos oficio de m aestro, úni­
co modo de sorprender secretos más hon­
dos que los que de aprendiz había descu­
bierto, decidió despertar al durm iente y
devolverle su personalidad, tra je y funcio­
nes; pero sin que él tuviera la menor sos­
pecha de la trastada que le habían jugado:
problem a para salir del cual era precisa
toda la ingeniosa trav esu ra de quien osa­
ba plantearlo.
Ya resuelto en principio lo anterior, díjose S ara que sus venideras exploraciones
le serían poco provechosas si antes de reali­
zarlas no consolidaba su conocimiento de
los trabajos y funciones de Dick—que sólo
conocía por sus notas—, m ediante detenidas
conferencias con él, pues no tratándose ya
de su b stitu ir a un aprendiz, parecíale in ­
dispensable la inform ara de cuanto fuera
necesario p ara ev itar inadvertencias que
descubrieran la superchería.
A la vuelta de aquel prjm er día de pes­
quisas se despojó la yanqui del traje del
narcotizado, y ordenó a Dick que lo tr a ­
jera y lo echara en Ja cama. Fuése ella en
tanto a la despensa del m ulato en busca
de una botella con un poco de ron, del
cual vertió unas chorreadas sobre la cama,
del obrero y en la pechera de su camisa,
dejando la botella vacía y un vaso, que
sacó de la alacena del obrero, en el espa­
cio, como de medio metro, que entre la
cama y la pared quedaba.
Hecho esto, tomó el pulso al dormido, le
remangó los párpados, y term inado el de­
tenido examen, previno a Dick que pron­
to se despertaría, siendo preciso, cuando
esto sucediera, hacerle creer que había es­
tado m uy malo durante veinticuatro horas,
a causa de la enorme borrachera que, so­
bre la que ya traía, le había producido la
bestialidad de beberse una botella, o poco
menos de ron, que al acostarse destapó;
“pues allí, clavado en el corcho de ella,
estaba sobre la mesilla de noche un tira ­
buzón, perteneciente al obrero, que Dick
sacó de la alacena de éste”.
El había vuelto a medios pelos; el saca­
corchos, la botella, el vaso, la peste a ron
de las ropas, el estado en que sald ría del

106

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

letargo bastarían a convencerle de lo que
se quisiera, y si todo ello no bastara, reforzaríalo Dick con su propio testimonio.
—Por experiencia sé— agregó Sara, sin
advertir el estremecimiento que sus pala­
bras producían al mulato— , que hay bo­
rracheras donde naufragan por completo
la memoria y la conciencia.
Cuando estuvo segura de que Dick sabia
bien su papel, fuése a sus cálculos, deján­
dolo con el narcotizado, que, al despertar­
se una hora más tarde sorprendióse mu­
chísimo de que fuera de noche; y hacien­
do gran esfuerzo, pues tenía los sentidos
embotados, recordó vagamente haber vuel­
to la víspera un poquillo calamocano. Mas
después de esto nada recordaba.
— ¡Cómo te has de acordar, si has pes­
cado la mayor pítima que he visto en mi
vida!...
— Sí que ha sido de ordago la tajá, por­
que yo ya he cogido otras, pero como ésta,
ninguna; mismamente parece que he bebi­
do veneno.
— Pues claro, hombre, y lo es; esos pro­
gresos de la industria van a matar a me­
dia humanidad... Malo era el alcohol de
patatas que hacían antes, pero ahora es
peor, porque lo hacen con huesos de dia­
béticos, que tienen mucho azúcar.
— Sí que yo he oído algo de eso... Y diga,
Sr. Shaft, ¿habré bebido esa porquería?
— Chico, mucho lo temo, porque creia que
las liabas... Como que a las dos de la no­
che ya iba a salir a despertar al médico.
— ¿Y lo avisó usted?... ¿Lo han sabido
allá abajo?—preguntó muy alarmado el in­
feliz.
—No, hombre, no te asustes. Cuando v!
que con paños de agua fría te aliviabas,
me las compuse solo hasta la hora de en­
trar en el taller.
k)
— ¡El taller!... ¡Es verdad!... Entonces,
ayer u hoy—yo no sé cómo tengo la ca­
beza—, he faltado... Y se habrán entera­
do, y perderé la plaza mejor que he te­
nido en mi vida, y la gratificación que pa­
ra el fin nos han prometido.
— En poco ha estado... Gracias a que
pude taparte.
—¿Taparme?... No entiendo, señor Shaft.

-—Sí, porque a pesar de haber pasado
el día durmiendo, no has faltado al taller.
— ¡Que he estado dormido y no he fal­
tado al taller!... Maestro, o soy idiota,
o se burla usted de mí.
— No, hombre, no. La fiesta de ayer,
que aprovechaste tú para emborracharte,
tuve yo que emplearla en hacer con ur­
gencia los planos de unas piezas de la
máquina nueva del Sr. Haupft, y como el
trabajo era largo, había que acabarlo ayer
mismo, y el alemán sabía que en Mendo­
za tengo un amigo que es un gran deli­
neante, dijo que subiera a ayudarme. Nos
pasamps el día trabajando; durmió ano­
che en mi cama, mientras yo te cuidaba,
y al llegar la hora del trabajo pensé que
si no ibas te cazaría el médico en esa
cama, que apesta a ron casi tanto como
tu camisa. Me diste lástima, y propuse a
mtf. amigo que se pusiera tu traje, y se
viniera allá conmigo. Precisamente él te­
nía curiosidad de ver los talleres...
— ¿Cómo?... ¿Qué?... ¿Entonces?...
— Nadie ha echado de ver tu falta.
— ¿Y no lo han conocido?... ¡Pero ese
hombre no sabría hacer mi obligación!...
— Mira, hijo, como tu obligación no tie­
ne mucha ciencia, y yo se la expliqué, y
el mozo es listo...
— Señor Dick, entre usted y ese hom­
bre me han salvado. Sr. Dick, mándeme
usted que ruede... Pero ahora, ¿qué voy
a hacer mañana? ¿Qué digo en el taller?
-— ¡Pero, anim al!... ¿Qué has de de­
cir?... Ni una palabra. El de hoy ha sido
un día como todos, ni más ni menos.
— Ya, ya creo que entiendo; pero to­
davía estoy un poco miareado.
— Piensa que si hablas, no solamente
té despiden a ti, sino a mí... Y no sería
buen pago del compromiso en que me has
metido.

—No, señor Shaft, ¿cómo va usted a
creer eso de mí?...
Quiso después el agradecido obrero dar
las gracias al andigo de Dick. Pero no pu­
do ser, porque el tal amigo se había vuel­
to a Mendoza en la vagoneta suspendida
de ls siete y media.

DE L05 ANDES AL CIELO

107

XXX
SARA ENCUENTRA LO QUE BUSCABA EN PARAMILLO
Hasta su salida de Paramillo, una se­
mana después del día en que por prime­
ra vez entró Sara en los talleres, no vol­
vió a verla Dick en su verdadera forma,
y aunque su pasión violenta seguía ator­
mentándolo alternativamente con desespe­
ranzas positivas de momento, e insensatas
ilusiones para un borroso porvenir; como
no la veía sino desfigurada con la peluca
y con el gabanote amplio que ocultaba la
esbeltez de su cuerpo, la tentación no obra­
ba en él con la violencia ciega que antes
tuvo. Gracias a esto, se adormecieron las
sospechas vagas que Sara concibiera del
enamoramiento del mulato. Aparte no ser
ella mujer que renunciara a sus proyectos
por miedo al trance de meter en cintura
a cualquier hombre que se atreviera a des­
mandársele.
Además, en la semana citada, pasaron
poco tiempo juntos, pues ella aprovechaba
para dormir las horas que él permanecía
en el taller.
A la caída de la tarde recibía las leccio­
nes que necesitaba para ocupar el puesto
del mulato; terminadas aquéllas, acostá­
base él en la habitación de la derecha del
recibimiento, quedándose ella en Ir*- «te la
izquierda trabajando, completamente a obs­
curas, en sus cálculos y problemas.
— ¡Escribir a obscuras!... Sí; la explica­
ción no puede ser más sencilla. En el es­
tuche, que conocemos ya, había un segun­
do frasco con tapón portador de una brochita sumergida en una preparación, con
la cual barnizaba Sara las hojas de papel
blanco donde se proponía escribir en cuan­
to apagara el alumbrado, para evitar que
por resquicios o rendijas se filtraran rayos
de luz que delataran su presencia.
'No hay que decir que las hojas se vol­
vían negras, como cuanto en la habitación
había, al quedar ésta a obscuras; pero en­
tonces sacaba Sara un pedacito de cinetorio substraído por Dick en los talleres, y
reflejados los invisibles rayos químicos de
él en un espejo, formado por una hojuela
parabólica, caían sobre el papel, que se ilu­
minaba con suave luz, semejante a la emi­
tida por el fósforo (1) en la obscuridad.
(1)

Cual

fuera la

composición

química

del

Escribía Sara sobre la tenue luz de las
fosforescentes hojas con una pluma estilo­
gráfica llena de un líquido, cuya receta,
invención suya, es aún desconocida de la
química del siglo xx, siendo lo único por
Mlle. Thellis averiguado, que descomponía
el barniz del papel en donde lo tocaba, ma­
tando su luminiscencia y trazando una es­
critura negra en la obscuridad sobre el
papel fosforescente, que, expuesto luego a
la claridad, mostraba sobre el gris claro
del barniz lo escrito en color verde obscuro.
Quienes en los comienzos de esta histo­
ria vieron la posibilidad de retratar sin
luz, no se sorprenderán viendo escribir a
Sara en las tinieblas, y pensarán que co­
sas mucho más difíciles podrán hacer los
sabios del siglo x x n .
Al cabo de dos días del explicado régi­
men de vida, sorprendió a Dick, en la ma­
ñana del tercero, la novedad de haberse
vuelto Mr. Chess mulato.
Era que Sara iba a ocupar el puesto de
su cómplice, vistiéndose su traje, y colgán­
dose al cuello su mudógrafo: nuevo disfraz
de la proteica americana, bajo el cual tra­
bajó cinco días a las órdenes de Fognino
y de Haupft, uno y otro a mil leguas de
sospechar quién era el maestro del taller
de cargas reforzadas.
Así se enteró Sara de interesantes par­
ticulares sobre la propulsión del orbiraotor y del papel de las diversas cargas, se­
gún se destinaran a determinar empujes
laterales del autoplanetoide o a luchar con
las gravedades de tierra, sol y estrellas.
Los dos viejos estaban cada día más sa­
tisfechos de la habilidad y puntual cum­
plimiento del operario, tanto que el se­
gundo día de andar entre ellos oyó la as­
tuta espía decir a Haupft:
— Es inteligentísimo; a veces hasta pare­
ce que le adivina a uno deseos y propósitos.
Aquella tarde la taimada Sara cometió,
a intento, una torpeza, no 3e gran monta.
líquido de la redomilla, no es cosa averiguada;
mas no andax-ía muy lejos de ser alguna {lisolueión de un preparado análogo al platinocianuro
de bario, al sulfuro de cinc, substancias que an­
tes ya de 11)00 eran conocidas, por los efecto*
de fosforescencia en ellas provocadas por las ra­
diaciones alfa de los tubos Roentgen o las del
radio.

108

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

pero evidente; y en sucesivos días procu­
ró mostrarse menos perspicaz, haciéndose
repetir de Fognino, que era a quien más
temía, una orden que no estaba seguro de
haber entendido bien, lo cual hizo pensar
al italiano que, aunque listo, no lo era tan­
to el mudo cual ponderaba Haupft. Esto
precisamente se proponía el fingido maes­
tro.
*
Al salir el segundo día del taller, y aun
cuando no viera todavía claros todos los
detalles del invento de María Pepa, sabía
ya su enemiga que si al autoestelar se le
privara de las cápsulas correspondientes
al ecuador y a los tres paralelos a él in­
mediatos por encima y debajo, quedaría,
si no imposibilitado de todo movimiento
lateral en cortas extensiones, incapaz, por
lo menos, de realizar los enormes recorri­
dos de su proyectado viaje sideral... Y no
era saber poco, pues si ello no bastaba pa­
ra hacer andar el orbimotor, cosa que no
preocupaba a Sara, pues no era la encar­
gada de llevarlo a los planetas, sobraba
para estropearlo, provocando el fracaso de
María Pepa.
Substraer las cápsulas de aquellos 140
elementos propulsores era sencillísimo, pues
diez minutos bastarían para destornillar­
las; pero tan inútil como fácil y rápido;
porque al montar en el autogravitante los
elmentos notarían la substracción. Cavila
que cavila, dió con la solución, que llegó
envuelta en el recuerdo de Challao, de
Krenk, y de aquella falsificada capsulilla.
en la que el cinetorio estaba substituido por
una gota de anilina. Con acudir a las con­
sabidas gotezuelas, habría logrado sus pro­
pósitos. Pero ni tal substitución era tarea
tan breve corrto la de destornillar las cáp­
sulas, ni el cinetorio podía manejarse sin
las precauciones ni los aparatos empleados
en Paramillo. ¿Cómo arreglarse?... Además
no tenía anilina.
No durmió Sara aquella noche; pero a la
mañana siguiente ya tenía una idea. Para
ponerla en práctica despertó a Dick dos ho­
ras antes de la de entrada en el taller, en­
cargándole que saliera inmediatamente a
buscar unas gotas o granos de goma, cola
o engrudo, que necesitaba a toda costa antes
de ir al trabajo. Cuando él volvió con un
frasco de goma, untó Sara con ella dos tiras
de papel de unos tres dedos de anchas, que
después de secas guardó bajo el teclado de
su mudógrafo, es decir, del mudógrafo de
Dick, con el que en el taller hablaba ella.
Cuando, terminada la jornada de aquel día
tuvo seguridad, al salir de los talleres, de
que nadie iría ya al W. C., retrocedió el fal­

so Shaft desde la puerta exterior, encami­
nándose a dicha habitación; y encerrándoseen ella, y sacando del mudógrafo las dos ti­
ras de papel, las humedeció y pegó sobre la
rendija que quedaba entre los marcos d®
madera de la vidriera y del hueco en el
que ésta encajaba. Aguardó un rato mien­
tras la goma se secaba, y descebando después
la falleba, dejó la ventana cerrada única­
mente por la tensión de los papeles y en
disposición de ser abierta desde fuera con
pequeño empujón, suficiente a desgarrarlos.
A las dos de la siguiente madrugada daba
el empujón Sara, subida en los hombros de
Dick, y ambos entraban por la ventana en
los talleres, dirigiéndose al almacén de cáp­
sulas descargadas, de donde substrajeron 180
de éstas, que Sara se llevó a su alojamiento,
mientras corría Dick al escondrijo en que
depositaba los avisos para el electricista, de­
jando allá uno con la orden de que a las.
cuatro de la tarde llevara a casa del mula­
to una blusa de trabajo y una gorra de­
obrero.
El primer cuidado de Sara'cuando entró
en el taller por la mañana fué visitar el
W. C., arrancar los restos de las tiras de
papel y cebar la falleba. Después de la co­
mida del medio día devolvió a Dick su traje
y personalidad para que fuera al trabajo.
*

*

*

Grande fué la sorpresa del electricista
cuando, a la tarde, hallóse cara a cara, en
el cuarto de Dick, con Míster Chess, un
poco más moreno de lo usual, por las vis­
lumbres de la tizne con que en aquellos
días se embadurnó la cara, las cuales tar­
darían otros cuantos en desaparecer por
completo.
Bien se alegró el electricista de encon­
trar al señor de las propinas. Este, después
de darle una, díjole que era preciso perdie­
ra aquella tarde la última vagoneta de re­
torno a Mendoza, en la cual se marchaban
los obreros que no dormían en Paramillo.

Media noche sería cuando Sara terminaba
de comunicar a Dick sus últimas instruc­
ciones. Ella le enviaría un frasquito con
cuentagotas para que vertiera una en cada
cápsula de las que habían escondido bajo
el entarimado del pavimentó. Cuando todas
estuvieran listas, las llevaría a los talleres
por el camino que sabía; destornillaría las
cargadas en los elementos del primer es­
tante y pondría en lugar de éstas las que
él llevara.

DE LOS ANDES AL CIELO
109
Las cargadas no debía dejarlas en el al­
Sara se alegró muchísimo de que en aquel
macén, sino arrojarlas al barranco a cuyo momento entrara el electricista.
borde se alzaban los talleres.
—Pero mucho cuidado, señor Dick, pues
harto sabe cuán peligrosas son, y sentiría
—¿No voy yo con usted?... Querría des­
le ocurriera una desgracia.
pedirla.
—¿De veras?... ¿De veras?...—preguntó
—De ningún modo; nadie ha de vernos
él con emoción tan evidente y honda, que juntos. Dick Shaft y Míster Chess no se
en Sara despertó instintivo impulso de dar­ conocen.
le la altanera respuesta que su orgullo dic­
—A estas horas no hay nadie por las ca­
taba. Pero reflexionando que entonces más lles; nadie nos verá.
que nunca necesitaba de aquel hombre, se
—Por si acaso... ¡Ah!... Me olvidaba. Pro­
reprimió, contestando tranquila:
cure usted que lo contraten para el viaje.
—Naturalmente, agradezco los riesgos que Con su reputación de hábil, que estos días
por mí corre usted, y procuro amenguarlos. le he aumentado, no le será difícil.
La impresión producida por aquellas pa­
—¿Irá usted?...
labras, que aun fríamente pronunciadas pa­
—Sí.
recían afectuosas, hizo al mulato contes­
—Entonces también voy yo.
tarlas con vibrante entusiasmo.
Púsose Sara sobre el traje y la peluca de
— ¡Riesgos, riesgos!... La vida daría yo Míster Chess la blusa y la gorra de obrero
por conseguir que usted pensara que mi vida que el electricista le había traído, y segui­
da de aquél salió a la calle.
vale algo.

XXXI
LAS CRISIS AMOROSAS DE MISTRESS SAM-FAIRELO
El electricista y Míster Chess desperta­
ron al mecánico del cable colgante, diciéndole el primero, perfectamente conocido de
él, que a causa de un trabajo úrgentísiimT
del señor Ripoll habían perdido la última
vagoneta de bajada a Mendoza, y que por
eso venían tan tarde.
—¿Y no os han dado pase para bajar fue­
ra de hora?
—Cuando iba a dármelo don Jaime lo lla­
mó la Capitana. Al acabar la obra hemos
ido a pedírselo; pero está ya acostado, y su
criado dice que aunque lo maten no se atre­
ve a despertarlo. Pero, mira, aunque no trai­
go pase, tengo aquí un vale para que en el
almacén de Mendoza me den unos aisladores
que para mañana necesita don Jaime a pri­
mera hora.
—Sí, ya lo veo; pero un vale no es un
pase.
—Claro que no; pero si los aisladores no
están aquí mañana, tuya será la culpa. Y
ya sabes que el catalán no tiene buenas pul­
gas...
<*
El mecánico se rascó la cabeza, como si
le picaran ya las terribles pulgas, conocidí­
simas en Paramillo, del astrónomo barce­
lonés.
—Y si no—agregó el electricista—, vente
con nosotros a casa del señor Ripoll, y le

preguntaremos, es decir, le preguntarás tú,
si nos bajas o no.
— ¡Que lo despierte yo!... No, gracias...
A ver el vale.
—Aquí está. Míralo: “Urgentísimo*.
Después de convencerse el mecánico de
que efectivamente así decía, por haberlo es­
crito Sara, se decidió, diciendo:
—Pues anda; por esta vez os bajo; pera
lo que es otra...
—Si es como ésta, por cosas del servicio,
nos bajarás lo mismo.
Al apearse en Mendoza de la vagoneta
suspendida, dió Sara un hondísimo suspiro.
Salía sana y salva de Paramillo. No era
poco.
Citándolo para el hipódromo, donde a la
noche le llevaría una botellita que él debía
subir a Dick, despidió al electricista Míster
Chess, que, cuando al poco rato, ya en el
Hotel Juanita, se quitaba, para acostarse,
la peluca, pensaba:
—Ese hombre es otro... Pero no, no pue­
de ser; porque si ese burdo minero, si esa
bestia cerril, con quien días y días he esta­
do haciendo vida en común, sintiera tal pa­
sión, le habría sido imposible dominar sus
instintos montaraces, excitados por mi cons­
tante cercanía; y un feroz impulsivo como
él habría intentado...

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
110
a la pasión para manifestarse en las tregua.-*
No pudo el pensamiento completar la idea,
pues más rápido que él, un estremecimien­ de sus otras pasiones.
Y, claro está, no pudiendo adorarlo sino
to de nauseabunda *repulsión agitó de los
a ratos o temporadas, resurgía el amor, a
pies a la cabeza el cuerpo de la hermosa
la hora de adorarlo, en crisis de pasión de­
mujer, y su rostro contrájose .con gesto casi
lirante, cual la que sufría Sara, en el hotel,
doloroso de horror y asco.
la noche que salió de Paramillo. Con la agra­
— No, no... Imposible: son fantasmas na­
vante entonces de que llegando dicha crisis
cidos de la tensión nerviosa en que he es­
cuando calmarla no podía el ausente, evoca­
tado estos días; absurdos que yo misma for­
do con desesperaciones de impotencia, era
jo... Sus efusiones sólo prueban que el que
terrible: tanto, que gemidos, espasmos y
creí chacal no es sino perro necesitado de
congojas redujeron a la brava mujer, cuyo
amo, y que en definitiva soy yo quien gana
temple de acero acreditaban sus recientes
esa perruna lealtad inesperada.
empresas, al miserable estado de una chlPor uno de esos inopinados giros o brus­
cuela histérica.
cos saltos, propios del pensamiento feme­
¿Cómo dudar, al ver aquel dolor, que el
nil, que sin ideas ni discursos que sirvan de corazón de Sara fuera entero de Alvaro? Ni
eslabones salva vertiginosamente las distan­ ¿quién podrá extrañar que ella misma vi­
cias entre impresiones antitéticas, la hosca
viera plenamente persuadida de que en el
y grosera imagen de Dick borróse en un
mundo no existía amor tan grande comoinstante de la mente de Sara ante la evo­ aquel que la estaba torturando?
cación de la apuesta figura de su Alvaro.
Y es que, como muchísimas mujeres que
De su Alvaro, a quien no veía, a quien no
con profunda convicción han adorado suce­
abrazaba, cuyos hermosos ojos no la mira­ sivamente a varios hombres, creyendo ayer
ban, cuyas caricias no disfrutaba hacía una
que morirían si les faltara Pedro, pensando
eternidad. Tal parecían a la amante esposa
suicidarse hoy si perdían a Juan, y mañana
en aquel psíquico o fisiológico momento las
asombrándose de haber creído amar a Pedro
tres semanas en que su propia voluntad tu­ y Juan, por ser sólo Francisco digno de hen­
vo alejado de ella, con embustes y enredos,
chir su corazón, del mismo modo estaba
al esposo adorado. •
Sara convencida de que no había mujer ca­
paz de amar a hombre como ella idolatraba
Y no había fingimiento en la violencia del
afán con que de pronto suspiraba por el au­ a Alvaro.
Y era muy natural, porque ¿qué sabía de
sente Alvaro, a quien no echó de menos
mientras en Paramillo absorbieron su vida,
sentires de mujeres que con el alma aman
quien sentía el amor como seudorromanticis­
y dieron sensación de plenitud al corazón,
mo, no del espíritu, sino de los nervios, que
odios que no dejaban huecos para afectos.
engendrado en semiinorbosa excitación de
No: ni fingimiento externo había, ¿a qué,
si estaba sola?, en aquel impaciente reto­ sensaciones toma de éstas el fuego en que
ñar de su dormido amor; ni siquiera ilu­ se incendia? ¿Qué saben ciertas criaturas de
sión autoexcitada con que ella misma se en­ frío corazón y sangre ardiente del amor
§uave que caldea el alma con tiernos senti­
gañara; pues sentía realmente el dolor (le
la ausencia con tan vehemente desconsuelo,
mientos?
que años de vida "diera si dándolos lograra
tener entonces junto a sí a su Alvaro.
Después de llorar mucho, la postró el ren­
¿Cómo compaginar t a n grande amor
— amor lo llamaremos— con la conducta de
dimiento en intranquilo sueño, donde amor
Sara al alejar de sí a su marido?... ¿Cóm\
a Alvaro y odio a María Pepa la atormen­
pueden tan inconciliables sentimientos jun­ taron alternativamnte. Del mulato, que en
aquellos instantes tenía el pensamiento fijo
tos vivir en la misma criatura?...
en ella, ni el más leve recuerdo, ni la me­
No: por muy opuestos que parezcan, no
nor sospecha ni recelo.
hay sentimientos que por turno no quepan,
El primer cuidado de la doliente esposa
y si me apuran a la vez, en la complejidad
al levantarse, fué pedir una urgente confe­
de algunos corazones. Por ejemplo: en el
rencia con Lisboa, pues la vida era amarga
caso de Sara era una positiva realidad que
mientras no oyera la voz de Alvaro, con
jugaba con Alvaro como con un muñeco; que
lo apartaba de su lado cuando los fríos pro­ quien hacía nueve días no había hablado. Y
no quieran ustedes saber las ternezas y em­
yectos de su envidia o su odio anulaban en
bustes que le dijo en aquella conferencia
ella la sensibilidad afectiva; mas no era
menos cierto que adoraba a su marido siem­ trasatlántica, que por lo urgente y largo la
pre que orgullos o rencores dejaban hueco costó un sentido: las ternezas para calmar

DE LOS ANDES AL CIELO
su lacerado corazón, los embustes explican­
do el silencio de aquellos nueve días.
Terminado el idilio telefónico, que salva­
ba la atmósfera por cima de los mares entre
dos continentes, todavía quedóse Sara tan
absorta y olvidada de Mister Chess, que al
alzar la cabeza y encontrárselo en el espejo
que estaba enfrente de ella, se quedó sor­
prendida.
Entonces se acordó de que necesitaba
comprar anilina y ordenar las notas de lo
curioseado en Paramillo, para fraguar so­
bre ellas un simulacro de investigación per­
sonal y sorprendentes deducciones científi­
cas que, simulando conducir a los resultados
por ella arteramente sorprendidos, dieran a
éstos apariencia, no de robados secretos, sino
de personales éxitos de su saber e ingenio,
lo cual requeriría tres días de trabajo in­
tenso.
Bien lo deploraba, porque este plazo dila­
taba el ansiado momento de estrechar en
sus brazos a su marido; pero era indispen­
sable, pues además de estar en tal estudio
la coartada con Alvaro de los días de su es­
tancia en Param illo y el disfraz científico
de sus traidoras faenas, serviría, además,
para aumentar la admiración que a su ta­
lento rendía él.
Para no perder tiempo, salió inmediata­
mente a comprar la anilina, y después de
almorzar montó, en la pajarera, en su aero­
plano, que al poco rato la dejaba en Aldea
Vacas, donde K etty la recibió cual si vol­
viera de un paseo de una hora.
Inmediatamente se puso a trabajar en la
memoria, y a la hora de costumbre bajó al
hipódromo para enviar allá arriba la ani­
lina. Dos noches después, teniendo ya casi
terminada la redacción de su maravillosa y
embustera lucubración científica, bajó al hi­
pódromo y recibió de manos del electricista
una carta que decía: “ Espero que mañana
estará todo hecho.”
Conferenció seguidamente con Lisboa; tor.
nó a la aldea; dió los últimos toques a su
obra; y, nerviosa como nunca, sorprendióla
el amanecer sin haber podido pegar los ojos.
P o r la mañana telegrafió urgentemente a
W àshington y Nueva York, encargando que
en igual form a se comunicara a la Embaja­
da en Portugal orden para que cesaran las
dilaciones al otorgamiento de la científica
representación de Portugal a Fairelo. Por la
tarde cargó en el aeroplano su equipaje per­
sonal, dejando la impedimenta científica en
el Hotel Juanita, al cuidado de K etty; se
despojó del traje de Mr. Chess, que hizo que.
m ar a su doncella; se miró al espejo, que­
dando satisfecha de haber ya desaparecido

111

de su tez alabastrina los últimos vestigios
de la tizne con que la embadurnó allá arri­
ba, y vistióse su traje m ujeril— todo lo fe­
menino, y no era mucho, que en 2186 eran
los femeniles atavíos—, conservando tan
sólo la peluca y el balandrán del imagina­
rio australiano en cuya piel había vivido.
Recatándose con aquellas dos prendas, su.
ficientes a encubrirla en su última y breví­
sima cita con el electricista, bajó al hipó­
dromo, a las once, y, temblando, rasgó el
sobre del esperado aviso, que decía solamen,
te: “ Hecho” .
El recuerdo de los infames medios pues­
tos en juego para alcanzar aquel resultado
que le garantizaba para lo porvenir el triun­
fo sobre María Pepa, no amenguó el gozo
de su envanecimiento ni la alegría con que,
en alta voz, dijo al subir al aeroplano: “Aho.
ra puedo volar a los brazos de mi A lvaro”,
sin acordarse de que la oía el mensajero,
que al verla remontarse se quedó pensando:
¿Será su hijo?” .
El impaciente afán que la acuciaba no
consintió que ni un segundo demorara la
partida, y sola en su aeroyacht lanzóse a tra.
vés de la noche con rumbo a Pernambuco,
pidiéndole al motor la más vertiginosa de
sus velocidades, sin otra idea en la mente,
ni otra palabra en los labios que Alvaro,
Alvaro.
Dejando atrás América salió al Atlántico,
al cual cayeron el balandrán y la peluca de
Mr. Chess, y queriendo sorprender a su ma­
rido aterrizó en Dakar, donde bajo el nom­
bre de un querido compañero de la infan­
cia, a quien aquél quería como a hermano,
y residente desde remota fecha en las islas
Sandwich, telegrafió a Alvaro, avisándole la
llegada del amigo a Lisboa para el siguien­
te día, a las siete de la tarde, y previnién­
dole lo esperara en la plataforma Das Ne­
cesidades, donde se proponía aterrizar.
Y llegado el momento, '¡cuál gozó Sara
con la sorpresa de él, cuando, sin esperarlo,
se halló entre los brazos de ella, que tem­
blaban al ceñirse su cuerpo!
Supongo que al lector no le interesan los
detalles de las muy explicables expansiones
subsiguientes. Pasándolas por alto, haré cons­
tar tan sólo que ellas convencieron a Alvaro
de que Sara lo amaba más que nunca, de
que por nada volvería a separarse de su lado.
Y agregaré que al día siguiente, al enterar­
se de la científica memoria, y de que su es­
posa había descubierto casi todo el invento
de la aragonesa, la admiración y el envane­
cimiento de verse dueño del amor de tal
prodigio hincháronle de orgullo y remacha­
ron su cadena.

112

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

Pocos días después obtenía Fairelo el co­
diciado nombramiento, y salía el matrimo­
nio para Mendoza, provisto de un magnífico

equipaje científico destinado a fructíferas
investigaciones de sabio y sabia en el viaje
interplanetario.

XXXII
ULTIMOS

PREPARATIVOS

Wocaban a su fin los trabajos preparato­
rios de la partida. Para ultimar la instala­
ción de sus personales efectos en los pa'Séllones a cada uno asignados, entrabáñ y sa^
lían los expedicionarios en el autoplanetoi­
de, con los usuales incidentes de reclama­
ciones, traslados y todas las chinchorrerías
que el capitán de un barco a punto de zar­
par tiene que sufrir de su pasaje, con mo­
tivo de la distribución de camarotes: aun
cuando en este caso no se tratara de redu­
cidos e incómodos zaquizamíes como los de
los antiguos trasatlánticos, sino de espacio­
sísimos departamentos, con salones, despa­
chos, alcobas, baños, calefacción, refrigera­
ción, etc., pues lo que sobraba en el novimundo eran espacio, aire y agua: claro
que esta última fresquísima cual fabricada
a diario, lo cual es sencillísimo teniendo a
mano oxígeno e hidrógeno.
Una semana faltaba para la expiración
del plazo concedido a los expedicionarios pa­
ra arreglarse sus respectivas casas y del
señalado para terminar las instalaciones de
maquinaria y el almacenaje de acopios ofi­
ciales. Al término de ella, todos los viajeros
bajarían a Mendoza, mientras se colocaran
las cargas en el avimundo, operación a la
que sólo asistirían María Pepa, sus abuelos,
los pilotos y el personal del taller de mani­
pulaciones radioactivas, donde se estaba ter­
minando la fabricación de elementos propul­
sores y cápsulas, en número de 1.000, muy
superior al de elementos, para llevar pru­
dencial y abundante reserva de fuerza.
Cuatro días no más quedaban por pasar
de la semana aquella cuando, seguidos de
un equipaje no tan desmesurado como el de
Arístides, pero muy respetable, se presenta­
ron en Paramillo Sara y Alvaro, portadores
de sendos oficios del Comité de Investigacio­
nes Científicas, de Wàshington, y do Minis­
terio da Sabiduría, de Lisboa, nombrando
representantes, en el novimundo, de la cien­
cia yanqui a mistress Sara, y de la portu­
guesa a o Sr. Fairelo.
Hubo que ver el aire, socarronamente
triunfal, con que después de saludar muy

efusivamente a María Pepa, le presentó Sa­
ra su oficio.
Desagradablemente sorprendida, pero fría
y correcta, contestó la capitana:
—Está muy bien. Resolverá el Consejo.
—Claro: si bien en este asunto no cabe
otra resolución que recibir con la mayor
cordialidad a los representantes que la cien,
cia internacional ha elegido libremente por
creerlos dignos...
—Aun cuando no sean gratos—interrum­
pió Fairelo.
— ¡Alvaro!—exclamó Sara en tono que so­
naba a reconvención.
—¿No sean gratos?... No soy tan frágil
de memoria que haya olvidado el agradeci­
miento a quien debo la vida—replicó María
Pepa.
— ¡Por Dios, amiga mía! Ni mi marido
piensa en eso, ni aludía en nada a usted.
¿Verdad, Alvaro?...
—Sí... Yo no quería...
—Eso en cuanto a él, que en lo que a mí
respecta, no olvidaré jamás la cordial es­
pontaneidad con que usted se brindó a acom­
pañarme en aquellas desdichadas pruebas,
que no se realizaron por culpa de esas per­
sonas a quienes somos poco gratas, y no
hay por qué nombrar. A ellas se refería mi
marido, no a usted. ¿Verdad, Alvaro?... Pe­
ro pasadas diferencias, no con usted, que­
rida amiga, sino con el Consejo, de las que
ni por pienso hago a usted responsable, es­
cuecen, por lo visto, a mi marido todavía.
Y sin duda, pensando en ellas, suponía que
no seríamos gratos a alguien qiíe pudiera
sentir temores de que...
— ¡Temores!—exclamó María Pepa viva­
mente—. ¿Temores de qué? ¿A quién?...
—De nosotros, de nuestro resentimiento.
—Están ustedes completamente equivoca­
dos, y en prueba de ello, yo, que conozco
perfectamente el criterio del Consejo, quie­
ro demostrar a ustedes cuán sin razón ha­
blan de temores qué nadie siente aquí; y an­
ticipándome a la resolución de aquél, de par
en par franqueo a ustedes las puertas de mi
autoplanetoide. En el número 15 de la calle

DE LOS ANDES AL CIELO

hallarán preparado el pabellón que corres,
.ponde a la comisión de Norteamérica.
—Mil gracias, amiga mía... Pero si esa
amabilidad de usted puede ocasionarle...
—No la preocupe eso. Además, como muy
bien supone usted, la resolución no puede
ser sino la que adelanto, y esto lo aprecia­
rá el Consejo. Y pensará también que no
es posible deje a ustedes creer ni un solo
instante en esos miedos de que hablaban an­
tes. ¡Ja, ja, ja!... Pase, pase, amiga mía...
¡Soledad!, ¡Santiago!; conduzcan a estos
.señores a la calle A, número 15. Y mien­
tras estén dentro, pónganse en todo a la
disposición de ellos. Hasta luego, amiga mía.
—Mi marido y yo damos a usted un mi­
llón de gracias. ¿Verdad, Alvaro?
—Sí, sí, señora, muy agradecidos.— Y
luego, al separarse de María Pepa, dijo Al­
varo a su esposa: Creo que se burlaba de
nosotros. Se me iba acabando la paciencia.
—Ella se habrá burlado, pero está claro
que bien contra su gusto estamos dentro.
Mira., Alvarito, las violencias lo estropean
todo cuando son innecesarias. Es preciso
que Yayas aprendiendo a reprimirte, porque
lia d>e hacerte falta. Y cuidado, que llevamos
.centi nelas de vista.
Cuando los recién llegados se acercaban
a la entrada de la poterna del orbimotor
llamió de nuevo María Pepa a Soledad, diciéndola:
—No los perdáis de vista hasta que sal­
gan. Ni toleréis que vean nada, ni que va­
yan a parte alguna sino a su alojamiento...
¡Ab! Y buscadme, Santiago y tú, él en su
tropa y tú en la tuya, dos mozos listos y
dos muchachas muy despiertas que hábleninglés para que, relevándose, no me pier­
dan de vista a esos señores en todo el via­
je. Cubrid sus bajas con otros; y ellos y
ellas que se quiten en seguida el uniforme,
para que no se sepa que pertenecen a la
guarnición.
-A

*

* *

Aq¡uella misma noche, mientras tomaban
el caifé, ya en la azotea de la Comandancia
Gene:ral del autoplanetoide, reconvenían Fog.
ni no y Aristides a María Pepa por haber ac­
cedido a que el matrimonio Sam-Fairelo
fuera admitido en la planetaria expedición.
—Ya sabes, lo que te tengo dicho de esa
señora, y también sabes que no tengo mal
olfat o.
—Sí, mamá, y creo que no te engañas esta
vez.
—En cuestión de olfato no cedo a nadie,
si por tamaño de la nariz se juzga, la prio­
ridad. Y en este caso coincidimos, pues tam­
B iblioteca Novelesco-Científica.

113

poco me gusta a mí la yanqui: digo, gus­
tarme, vaya si me gusta, pues a guapa no
conozco más que una que la gane; pero quie­
ro decir que me parece una mala persona,
y para usted la peor compañera de viaje.
—Mira, hija mía, yo creo que todavía po­
drías anular la autorización.
De ningún modo. Mi palabra es palabra.
Para que creyera...
—Pero si a usted misma la desagrada esa
señora, si comenzó usted poniendo dificul­
tades a su admisión, y si pensaba suplicar
al Consejo que buscara una excusa para re­
chazarla, ¿por qué cedió usted al cabo?
—Porque pensaba ella que yo la tenía
miedo. Ya lo verá si llega el caso.
—Justo, como los chicos: A que no te ti­
ras. A que sí. A que no: y de cabeza, y se
la pompen—dijo Aristides—; pero siquiera
tome usted precauciones.
—En eso estoy, y ya he tomado algunas.
Entonces refirió María Pepa lo que habla
ordenado a Soledad. Lo aprobó Aristides, lo
aprobó Fognino; pero no pareciéndoles bas­
tante fueron llamados a junta Ripoll y
Haupft, y los cinco celebraron sesión don­
de se habló de cápsulas, excitadores, alma­
cenes de explosivos; de secretos embarques
en el auto planetoide a altas horas de la
noche, a los cuales no convenía cooperaran
sino los cinco presentes, Soledad, Santiago
y Pedro el fogonero, que en las noches si­
guientes los realizaron.
En la fecha prefijada se marcharon todos
los expedicionarios forasteros a Mendoza,
para permanecer allá durante los cuatro o
cinco días que habría de consumir la colo­
cación de las cargas, operación dada a pe­
ligros que no debía afrontar sino el perso­
nal del taller cinetóricoj por ser ese su ofi­
cio, los altos directores de la operación, y
las tropas del motoplaneta, que, a dos kiló­
metros de él, formaron un cordón de vigi­
lancia para impedir la entrada a los extra­
ños en los astilleros.
Era lo único que faltaba para que el o*bimotor pudiera remontar su vuelo; y aun­
que pesadas y delicadísimas las operaciones
del montaje de cargas, marcharon sin obs­
táculo ni entorpecimiento dignó de mención,
en lo cual no tuvo poca parte la desfreza
de Dick, que* había llegado a ser el obrero
predilecto de Haupft y de María ?epa. A
tal extremo, que ésta, aun habiendo ella
mismo exigido del Consejo que ni en la tri­
pulación ni en las fuerzas armadas del avimundo se admitieran sino españoles e his­
panoamericanos, comenzaba a pensar que
aquel hombre podía ser útilísimo en el viaje.
Ella tenía sobrado que hacer, con el alto
D e los Axdes al Cielo .

8

114

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

gobiefno de su etérea nave, para descender
a detalles de reposición de cargas, repara­
ción de excitadores, etc., etc., a los abuelos,
no era cosa de imponerles tales faenas casi
subalternas, y Valdivia, el ingeniero de la
Vidriería de Paramillo, que había sido sus
pies y sus monos en la inflación del aviplaneta, y a quien acababa de nombrar su
segundo de a bordo, imponiéndole en los
secretos de las cargas de los excitadores y
magnetos ue ellas, conocía bien todo esto
en teoría, pero le faltaba práctica en el ma­
nejo de tan sutiles y peligrosísimos ele­
mentos.
La idea de contratar a Dick para el via­
je le trotaba ya en la cabeza a María Pepa
cuando se comenzaron a instalar las cargas
en el exterior del orbimotor, y tal fué la
pericia por el mulato demostrada en la ope­
ración, tal la firmeza de su pie y su cabeza
al subir y bajar por las inacabables esca­
las de 935 metros y 4.672 peldaños de polo
a polo cada una, donde asaltaba el vértigo
a los más serenos, que esto la decidió a in­
fringir su criterio general de no encontrar
sino españoles e hispanoamericanos, encar­
gando al abuelito Fu que le preguntara si
quería ajustarse para el viaje.
Como Dick no deseaba otra cosa, no fué
difícil convencerle, aun cuando aparentó va­
cilaciones para no despertar sospechas, y lo­
grar, cual obtuvo, una espléndida remune­
ración.
Ha de advertirse que como los obreros
del' taller de carga andaban casi siempre con
sus trajes de plomo, muy poca gente cono­
cía al mulato, que no llevaba la cara al des­
cubierto, sino de noche, al retirarse a casa,
y de mañana, muy tempranóT al ir a su tra­
bajo.
Cuando ya fuera del taller, no estuvo en­
vuelto por todas partes en las terribles ra­
diaciones, pues al exterior no tenía que ma­
nejar en el montaje de las cápsulas en el
avimundo sino las pequeñas cargas de ellas,
casi por todas partes rodeadas de plomo pro.
tector, ya no tuvo necesidad del traje que
en cuanto aquél se remontara volvería a
revestirse, durante sus ordinarias funciones
en el almacén de explosivos que a su cargo
iba a tener.
Al saltar una tarde a tierra, desde la es­
cala por donde bajabí de colocar la última
de las cargas, lo hizo a la inmediación de
Soledad y Santiago, extasiados con el so­
berbio espectáculo que, iluminada de tra­
vés por el sol poniente, ofrecía la inmensa
y doble esfera cristalina del novimundo, a
trechos diáfana, a partes teñida de luz doTada. roja, verde, y más allá irisada a la

vez con múltiples colores en determinadaspartes de su contorno.
Al lado de ellos, Pedro, el fogonero, me­
nos asequible a tales belleias, se entretenía
hacia rato en mirar cómo Dick Shaft ba­
jaba por la escala.
Lo había visto al principio arriba, arriba,
en lo que allí llamaban, aun sin razón para
ello, polo septentrional del autoastro, pareciéndole entonces pequeñc, diminuto, del
tamaño de un soldadito de plomo. Después,
cuando empezó a bajar de aquellos 600 me­
tros de altura, tendiéndose para ello bocaabajo sobre la escala, casi horizontal en la
parte superior de la esfera, con los pies
apoyados en los peldaños y las manos afe­
rradas a ellos, hízole la impresión, de lejos
visto, de una oruga o una lagartija que ras­
treando hiciera su camino. Más tarde, al lle­
gar a los trozos donde la escala, contornean,
do la esfera, se aproximaba a la vertical,
viole ya mover brazos y pterhas, haciéndo­
le el efecto de un cuadrumano, que de per­
fil, vivamente iluminado por el sol poniente,
que a la espalda de Pedro caía en el hori­
zonte, se destacaba, con la escala por donde
descendía, sobre el azul del cielo.
Pedro miraba y remiraba, muy entrete­
nido, los' movimientos de aquella que pare­
cía alimaña rampante, hasta que descen­
diendo y acercándose ésta al fogonero, fué
tomando apariencia humana y creciendo,
creciendo.
Era muy divertido aquello.
Faltaríanle a Dick como unos cien pel­
daños para llegar a tierra, cuando paró pa­
ra tomar aliento, dejándose colgar de la
cuerda de seguridad, que, arrollada a su cin.
tura por un extremo, se sujetaba por el otro,
con un gancho, a la escala. Quedó colgado
verticalmente, giró sobre la cuerda, varias
veces, a derecha e izquierda, quedando al
fin frente a frente de Pedro, que por vez
primera veía el rostro del mulato, viva, pe­
ro oblicuamente iluminado por el sol.
No lo conoció; pero la mirada de aquel
ojo tuerto despertó en su memoria una re­
miniscencia, en seguida trocada en impre­
sión vivísima, cual si de pronto se encen­
diera en su mente un rayo de luz. Y co­
giendo a Santiago por el brazo, dijo:
—Mire, mire a ese hombre, D. Santiago;
mírelo bien. ¿Quién es?
—Ya lo veo. Pero no lo conozco.
—Yo sí...: digo, no..., sí...
—Es el mulato tuerto, el capataz de losque andan con las cargas—dijo Soledad—
No puedes conocerlo, Pedro: es forastero.
—No; a él, no; pero sus ojos, sí.
—Eso quisiera: no tiene más que uno.

DE LOS ANDES AL CIELO

—Pues yo he visto otra vez ese mirar y
diría que es el mesmo de uno que yo quería
tirar al ventisquero.
—¡Cómo!, ¿Fouciño?
—El mesmo.
—No puede ser: está en Mattogrosso, le­
dísimos de aquí. Juan el minero ha recibi­
do cartas de él; la señorita otra de su mu­
jer, dándole gracias, y con una postdata del
mismo Fouciño.
—Güeno, pos a pesar de to, vamos a acer­
carnos pa verlo bien de cerca en cuanto
brinque al suelo. Y mírenlo mu bien.
Dick, después de descansar un rato, y co­
mo mosca que por los techos anduviera, rea­
nudaba el descenso por la parte inferior del
planetoide, pendiente, casi boca arriba, de
los peldaños de la escala por cuatro garfios
que en manos y pies se había calzado mien­
tras estuvo colgado de la cuerda.
Saltó a tierra, pasó despacio junto al gru­
po de los que lo espiaban, y echándoles una
mirada indiferente, se alejó.
—Ni por pienso: el otro era tres veces
más gordo.
Además, éste es mulato y tuerto.
—Aquel tenía el pelo colorado.
—Tienen ustedes razón; no es. Fué una
feguración; pero si ahora poco mubieran

115*

tomao juramento, por éstas, que son cruces,
l’ubía jurao.
Pero no acabó aquí, pues al día siguiente,
que era el de la partida del orbimotor, y
cuando, a punto ya de abandonar éste la.
Tierra, ayudaban Pedro ’y Santiago a la
maniobra de cerrar la quinta puerta de la
poterna sur, después de salir por ella el úl­
timo curioso de los que en el mundo se que­
daban, llegó junto a ellos el mudo, con un.
recado de María Pepa para el maquinista,
a quien se lo comunicó, valiéndose, claro es,
de su mudofonógrafo, que, como siempre,
llevaba en un estuche colgado en bandolera.
Después de transmitir la orden, se mar­
chó, y cuando Pedro vió que estaba lejos,
preguntó a Santiago:
—¿Por qué habla ese tío con ese chisme?
—Porque es mudo.
—Quiá. Es pa que no le oigamos; pa que
no le conozcan por la voz.
— ¡Bah!... Tú estás guillao.
—Puede; pero ahora sí que siento no ha­
ber tirao al otro al ventisquero.
—Yaya, a ti hay que dejarte.
—Güeno, güeno, déjeme usted; pero yo sé
lo que me digo, y si es el que me pienso,
que tenga mucho ojo, porque yo soy mu
bruto.

XXXIII

LA P A R T I D A
El 10 de septiembre de 2186 fué el día,
el grandioso día, en que el autoplanetoide
rompió las amarras de la gravedad terres­
tre.
La gravedad, ésta era el ancla que tenía
sujeto el novimundo a aquella majestuosa
cordillera andina en cuyos valles se había
fabricado, cuyos cráteres habían dado la
fuerza que a los aires, primero, y a los es­
pacios siderales luego, elevaría un nuevo
astro, que iba a servir de mensajero entre
los astros del sistema planetario.
iCuán grandes ellos, cuán menudo él!;
pero, ¡cuán torpes, cuán esclavos unos de
la gravitación que los condena al aislamien­
to, y cuán libre, cuán ágil, cuán dueño de
sí miismo aquel micromundículo que en sí
llevaba fuerza para recorrer el universo!...
Debe confesar el autor que el anterior pá­
rrafo no es suyo, sino copiado de la cróni­
ca quie al “Novimundo de Trujillo” telegra­
fió, el consabido 10 de septiembre, el redac­
tor a la Argentina enviado por aquel pe­

riódico para asistir al coronamiento de la
obra en Trujillo doblemente comenzada; por
ubicar allí (también lo de ubicar es del co­
rresponsal) el celebérrimo Instituto y por
ser naturales de Trujillo padre y madre del
ínclito Castrejo, que también en Trujillo vió
la luz.
Pero vamos a lo que ahora interesal
¿Han visto ustedes zarpar un trasatlán­
tico que lleve tropas de la patria a comba­
tir en luengas tierras?... ¿Se figuran uste­
des qué sería la partida de Nansen al mar­
char en demanda del Polo Norte?... ¿Se ima­
ginan la grandeza del instante en que las
velas de las naves de Cristóbal Colón se
hinchaban en el puerto de Palos, con el pri­
mer soplo del viento que había de llevar­
las a un nuevo mundo, al cual las empuja­
ban el genio y el valor con fuerza que no
tenían los vientos?
Pues todo eso, visto, supuesto, imaginado,
multipliqúese por 100, 1.000, 100.000, y aun
no bastará para dar idea de la concurren-

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
116
cía, el entusiasmo y la emoción de las in­ de aquel día ya no puedo encontrar para
contables muchedumbres, que desde el Acón, su odio más calificativo que epiléptico.
cagua al Tupungato, de Overo a Maipo, del
* * *
Gachapual hasta el Zanjón, se apiñaban en
-cumbres, laderas y collados, para asistir al
Queriendo que la partida del autosidéreo
mayor acontecimiento que el mundo había
¿visto realizar a los hombres.
fuera realzada por uñ efecto de sol y un
Comisiones científicas, representaciones efecto de luna, hermo'sísimos ambos, en su
internacionales, gentes de todas clases y tersa y vitrea superficie, se habla fijado la
-condiciones, vitorearon al autoplanetoide en hora de zarpar en las- siete de la tarde.
Pero antes de que zarpe, o méjor, antes
cuanto, cobijadas por la bandera roja y
amarilla de la Nación Madre, enhiesta allá de que tienda sus invisibles alas, impóneen el polo, flamearon las banderas de las se un paréntesis, aun cuando sea muy bre­
naciones de la Federación Hispanoameri­ ve, para explicar la maniobra.
Claro es que si las cápsulas del planetoi­
cana, pendientes de todas las escalas. Tras
los vítores surgió un clamor pidiendo que de funcionaran descomponiéndose instantá­
la capitana se mostrara donde pudieran to­ neamente, cual se desintegró la que pro­
dos verla... ¿Dónde?... De pie en lo alto de dujo la voladura de Challao, de habría suce­
SU MUNDO: gentil, arrogante, majestuosa, dido al autoplanetoide lo que al palacete.
■sideralmente bella: con su uniforme, que Pero las cargas no funcionaban de tal mo­
pueden ustedes figurarse, aunque aquí no se do, sino del siguiente: los excitadores pro­
pinte: con la emoción que supondrán us­ ducían el efecto de apresurar la marcha
de la paulatina descomposición normal del
tedes, sin que yo la pondere.
¡Qué apoteosis!... No la detallo, pues ya cinetorio, reduciendo el plazo de dicha des­
hemos saboreado bastantes apoteosis, pero composición, de millares de años, a cente­
dos hechos que en ella culminaron dan la nares, a docenas de ellos, a meses, a días
medida de su grandeza: uno que, para ver u horas, si preciso fuera, y esto último so­
■a la gallarda capitana, se sacudió las nu­ lamente en el vacío. Con dicha reducción
bes que envolvían su nevada cabeza el co­ de tiempo se multiplicaban por mil, cíen
losal lejano Chimborazo, lo cual produjo mil millones de veces, las fuerzas que en
celos al remoto Himalaya que, por mucho su estado natural desarrollan las radiacio­
que quiso no consiguió empinarse lo pre­ nes de dicho metal; pero dejando un am­
ciso para verla por cima de la inmensa re­ plísimo margen antes de llegar a la ex­
dondez del Grande Océano; otro que, en plosión instantánea: sólo posible y nunca
cuanto se inició la ovación, corrió mistress necesaria de emplear cual fuerza propul­
Sam Bull a encerrarse en su casa, calle A, sora en el vacío, donde el novimundo no
núm. 15 ; y pretextando dolor de oídos, se encontraría ninguna resistencia material
rellenó los suyos con pelotas de algodón. que vencer.
Los excitadores producían, según se los
No había previsto ella esto, que a pen­
sarlo, y a costa de evitarse la rabieta, pro­ graduara, estos diversos aumentos de ac­
bablemente habría renunciado al viaje, y tividad radiante, regulados a voluntad del
a la satisfacción que en lontananza Ta es­ piloto del motoestelar.
Por último, la marcha de éste en el va­
peraba al llegar el fracaso qüe había pre­
parado a la capitana. Porque ¡válganos Dios! cío que, según se verá cuando en el vacío
¡cuánta bilis tragó!; sobre todo, cuando a bogue, apenas originaba consumo de cinedespecho de los algodones, y filtrada por torio, exigía enorme gasto de él en la lu­
ellos, oyó la petición de que subiera Ma­ cha titánica que, contra la gravedad de
ría Pepa al Polo Norte. Y todavía más la Tierra, o de otros planetas, habría de
cuando, alzando la cabeza, la vió, a través sostener, para vencerlas, al salir de los
de la cristalina esfera, en lo alto, apues­ mundos, o para contrarrestar su acción so­
ta y triunfadora; arriba, arriba, encima de bre el planetoide, al aterrizar en los pla­
ella, pareciéndole que aquel pié diminuto netas, si había de evitarse que dichos ate­
rrizajes no degeneraran en mortíferas caí­
le taladraba la cabeza.
Consecuencia: un derrame bilioso que la das.
postró en cama. Mucho odiaba ya antes a
De aquí que, habiendo de elevar en la
María Pepa; pero desde aquel día en que partida el enorme peso del novimundo con­
no pudo negar que había estado debajo de tra la fuerza de la gravedad, fuera pre­
la capitana; desde que le dijeron que el ciso emplear (en vez de las descargas del
Ghimborazo había saludado a la aragóñésa cortísimo número de cápsulas exigido por
•quitándose su sombrero de brumas... Des- la navegación etérea, baratísim a de com-

DE LOS ANDES AL CIELO

hustible) nada menos que las de las 121
del hemisferio austral más cercanas al po­
lo de igual nombre. Claro es también que
era imposible iniciar tales descargas con
fuertes excitaciones de las cápsulas, sino
con paulatinos crecimientos de ellas, pues
a fin de evitar peligrosas sacudidas en el
arranque, debía procurarse que la veloci­
dad aumentara lentísimamente en los pri­
meros momentos.
Eran las siete menos un minuto cuan­
do Santiago dió parte a María Pepa de es­
tar cerrada la poterna.
— ¿Listos?...— resonó la bocina de man­
do; y al dar las siete:— “ Leva” .
Tenuísimas nubecillas levemente verdo­
sas comenzaron a desprenderse de las 121
cargas inferiores... Pasaron unos segundos,
y al ver la multitud que no ocurría más,
y que inmóvil seguía la enorme esfera,
empezó a impacientarse.
Las nubecillas de las descargas hacíanse
más densas, más abundantes, de color más
acentuado.
— Fuerzan la máquina— decía uno.
— Con tal que pueda con la carga— con­
testaba otro, que, esperando saliera el novimundo disparado como un cohete, ya co­
menzaba a desconfiar del éxito.
Las nubecillas tomaban tinte más inten­
so, y nada. Dentro del orbimotor también
sentían desconfianzas cuantos no estaban
en el secreto; es decir, casi todos los via­
jeros. Sara creyó que se le iba pasando el
ataque de bilis y hasta que se ponía com­
pletamente buena, sobre todo cuando des­
pués de transcurrido un minuto desde la
orden de zarpar, oyó a la canallesca tur­
bamulta prorrumpir en denuestos y silbi­
dos, insultando al ídolo que ha poco había
aclamado.
—Así eres, pueblo: esa es la plebe—
dijo con amarguísima sonrisa la capitana,
que desde el puente oía los insultos, y mi­
raba, con supremo desdén, brazos en lo
alto de los cuales se agitaban amenazan­
tes puños— ¡Ciencia, saber, desvelos, años
y años de estudio y de trabajo! ¿Qué vale
eso para incultas muchedumbres que fa­
llan por impresión de unos segundos? ¿Qué
me valdrían si ahora, en el momento crí­
tico, se rompiera un insignificante tornillo
o fallara un menudo accesorio?... ¡Pueblo,
pueblo, siempre serás el eterno ignorante
que nunca alcanza a ver sino el éxito
ciego!...
— ¡Ha fracasado, ha fracasado!— excla­
mó Sara.
Pero en el mismo instante sintió la sua­
vísima sacudida con que se estremecía el

117

motomundo al separarse de la Madre Tie­
rra, y su oído dejó de oír el insultante
vocerío de alaridos soeces, a los que su­
cedió hondísimo silencio.

— Se mueve.
— Sube.
— Muy despacio, sí, pero sube— decían
las gentes, en voz baja, bajísima, por te­
mor de turbar con ruido alguno el majes­
tuoso y sublime espectáculo de aquel re­
posado ascender, mil veces más impresio­
nante que habría sido una rápida ascen­
sión, porque la lentitud de la subida su­
gería convencimiento de regulada fuerza
poderosa; y agobiadas acaso de vergüenza
por la ignominia que sobre ellas echaba la
reciente silba.
Subía, era indudable, muy despacio al
principio, menos despacio luego. Sobreco­
gido el público, callaba, anonadado, por la
jamás soñada solemnidad de la ascensión
maravillosa a los espacios insondables de
200 criaturas humanas, que sólo Dios sa­
bía si tornarían a la Tierra.
Pero cuando llegando el avimundo a la
altura de veinte metros se vió subir a ver­
de obscuro el matiz de las descargas, y que
éstas lo impulsaban a las nubes con velo­
cidades rápidamente crecientes, estalló el
entusiasmo, frenético cual nunca.
— ¡Imbéciles!— exclamó María Pepa— .
Vitoread, silbad, rugid, ya da lo mismo;
vuestra malevolencia ha hecho amargo, en
mi alma, el que debiera ser placer dulcí­
simo del triunfo... ¡Mundo! ¡Ah, qué tris­
teza daría tu miseria a no saber que ere3
grano de polvo en ese Algo más grande a
que mi espíritu me eleva!... ¡Hombres!...
¡Cómo os despreciaría a no existir un Re­
dentor que manda amar, un Padre que creó
la materia y las fuerzas, sin las cuales no
podrían triunfar saber ni genio, un Crea­
dor omnipotente a cuyos pies ofrendo esta
victoria de la inteligencia que El encendió
en mi mente, en cuyas manos pongo mi
vida y las de cuantos se atreven a se­
guirme!
Y al decir esto, cayó de hinojos María
Pepa sobre el puente del autoplanetoide,
que, como su alma, subía, subía...
Cuando allá, en lo alto del puente, la
vieron arrodillada cuantos la habían con­
fiado sus vidas, también se arrodillaron,
casi sin darse cuenta de su acción. El nue­
vo astro entraba en los espacios insonda­
bles, prosternado ante El ETERNO que de
la nada había sacado la materia y la fuer­
za de que aquel mundo se formaba. El as-

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
118
elevaciones de 20, 40, 200 kilómetros, fué
tro por el hombre formado viviría poco o
el automundo mostrándose progresivamen­
mucho, minutos o millones de centurias;
te a los hombres, que en la Tierra lo mi­
pero moriría al cabo; mas su materia y
raban, con tamaños de que puede juzgar­
su fuerza no morirían jamás, sino que,
se con saber que eran los mismos que nos
transformadas, seguirían viviendo en el
muestra la manzana de marras vista a dis­
universo como creadas por Aquél, cuyas
tancia de 5, 10, 25 pasos, o, usando com­
obras no acaban.
paración más adecuada, fué presentándo­
se a sus ojos a los cinco kilómetros de
elevación con anchura de 14 lunas; a los
El autoplanetoide subía, subía. La mul­
33, con la de dos; a los 66 con la de una;
titud, estática, vueltas al cielo las miradas,
lo contemplaba remontarse. El sol se ha­ a los 100 con la de dos tercios, y a los
200 como un tercio de aquélla, y semejan­
bía ocultado, el viento había caído.
te a inmensa estrella de magnificencia, con
Al principio era un inmenso globo, cuya
la cual no podían remotamente comparar­
enorme mole, flotante en la altura, abru­
maba las inteligencias, y cuyos resplando­ se las de las más hermosas del firmamen­
to: pálidas, miserables ante su opulencia.
res deslumbraban los ojos. Porque la diá­
Al arriar la bandera, apagando sus lu­
fana esfera refulgía reflejando los rayos
del sol que, ya oculto, para la muchedum­ ces, que habían sido producidas quemando
en las llamas de poderosos mecheros Bunbre, bajo el horizonte, no alumbraba si­
sen sales de litio y sodio, engendradoras,
quiera las cumbres de los nevados picachos
de las altas montañas, pero seguía encen­ respectivamente, de llamas roja y amari­
lla, quedó brillando en las alturas con el
diendo fulgores en el novimundo, que des­
brillo argentado producido por su central
de arriba las miraba.
eléctrica. Desde abajo lo veían cual si fue­
El imponente silencio de centenares de
ra la luna pequeñita de que se ha hablado
miles de criaturas que lo contemplaban era
antes.
el homenaje respetuoso de la Humanidad
Una luna no solamente contemplada por
al augusto alumbramiento de la Madre Tie­
rra, que daba un nuevo mundo al uni­ las multitudes, que no acertaban a alejar­
se de Paramillo, sino a la cual se dirigie­
verso.
ron durante toda aquella noche los anteo­
Subía recto, como sube el humo en la
jos de todos los observatorios astronómi­
atmósfera en calma, porque ni el más le­
cos, a los que no se la ocultaba la redon­
ve aleteo de la más tenue brisa quería
dez de la Tierra.
turbar la ascensión majestuosa.
Pero desde las siete y veintidós, hora
Llegado a ocho kilómetros de altura,
en que por-el tamaño de él, que los as­
parecía sobre los Andes del tamaño de una
trónomos midieron, se comprobó que no
gruesa manzana vista a distancia de dos
solamente no subía el autoplanetoide más
pasos. Así se le veía en el momento en que
dejaba el sol de iluminarlo; mas de pron­ arriba de los 200 kilómetros, sino que no
avanzaba hacia el Norte, ni hacia el Sur,
to resplandeció por sí, al encenderse con
ni a Oriente, ni a Occidente, ya comenza­
luz propia: mejor dicho, con luces, pues,
ron a inquietarse los observadores.
como si estuviera realmente dividido en
Sin viento que en la atmósfera lo em­
los gajos de aquella hipotética naranja que
pujara, era arrastrado como el aire de ella,
nos sirvió para explicar la disposición de
en el que estaba envuelto, por el continuo
cargas y de escalas, se iluminó en los vein­
te sectores en que lo dividían éstas, con voltear del mundo: como son arrastradas
resplandores de alternados tonos, mostran­ aguas de ríos y mares, como era arrastra­
da la cordillera de donde había zarpado,
do un gajo rojo, otro amarillo, rojo el si­
sobre la cual seguía inmóvil, alarmante­
guiente, amarillo el inmediato. Era que
María Pepa se acordaba de su patria y sa­
mente inmóvil.
ludaba al mundo con la bandera española.
Llegaron las doce de la noche, e inmóvil
continuaba, y así seguía cuando al ama­
Y América acogió con estentóreos vivas
la aparición sobre su cielo de la enseña
necer quedó su luz disuelta entre oleadas
que en los tiempos remotos había llegado
de poderosa luz solar. Desde la Tierra ya
por los mares para sacar una América vir­
no lo veían.
gen, viva, fuerte, del ignorado mundo por
El mundo sabio estaba alarmadísimo,
océanos defendido; para fundar una fami­ presintiendo que algo muy grave debía
lia de naciones nuevas de razas escondidas
ocurrir en el autoplanetoide. Los observa­
en la noche de brumosos siglos.
torios de casi todo el Plata, de Chuquisaca y Oruro en el Perú, Asunción del PaA medida que fué alcanzando sucesivas

DE LOS ANDES AL CIELO
raguay, Montevideo y todo Chile, que no
habían dejado de observar aquella quie­
tud inexplicable, esparcieron por doquier
■con sus telegramas el temor de un acci­
dente.
No se habló sino de esto, en la Tierra,
todo el día, siendo general el anhelo de
que, con la noche, llegara posibilidad de
registrar el cielo buscando en é l . el orbimotor. ¿Lo verían? ¿Se habría alejado
ya?...
Cuando la noche cayó por fin sobre Men­
doza y su comarca, allá arriba, poco más
o menos en el cénit de Paramillo (que po­
co más o menos para el caso eran 40 ó 50
kilómetros), y casi en el mismo sitio don­
de lo había encontrado el anterior amane­
cer, estaba el autoplanetoide, que no sólo
no parecía orbimotor, ni aviplaneta, ni
autoastro, sino que ni a satélite llegaba;
menos aún, pues ni siquiera merecía nom­
bre de aeroplano o zeppelín, por haberse
quedado reducido a la condición mísera de
globo cautivo, propio divertimiento para
ferias.
Allí estaba, soberbiamente hermoso, sien­
do primero entre los astros por su brillo
y tamaño, después de la Luna del cielo
del terráqueo globo; pero, ¿qué valía esto?
si no volaba, si se estaba inmóvil. No caía,
es verdad; pero permanecía quieto, como
si un hilo largo, largo, de 200 kilómetros,
pero cadena al fin, lo retuviera anclado
a aquellos Andes donde había nacido.
No caía, pero al cabo caería, cuando el
consumo enorme de fuerza cinetórica que
a aquella escasa altura— escasa para un
astro— derrochaba en su lucha con la
atracción de la gravedad terrestre, le ago­
tara las existencias del ultrarradioactivo
metal. Cuestión de algunos días.
Para los astrónomos, que no perdían de
vista al avimundo, la cosa estaba clara.
No llegaba a satélite siquiera, pues no gi­
raba, cual la Luna, en torno de la Tierra;
no gravitaba, estaba groseramente atado
por la gravedad; la contrarrestaba, sí, la
equilibraba, pero no la vencía, y arrastra­
do por la Tierra en el diurno giro de ésta,
aparecía inmóvil a los hombres. Y eso por
no haber viento, que de haberlo, juguete
sería de él el autoastro.
¿Autoastro?... ¡ Q u e presuntuosamente
vano y qué ridículo parecía ahora el pre­
fijo auto!
Aquello era el fracaso que llegaba al al­
canzar el triunfo. ¡Ah, qué contenta debía
estar Sara allá arriba, al recoger el fruto
de las traidoras hazañas que llevó a cabo

119

en Paramillo! ¡Pobre avimundo, reducido
a la triste condición de pájaro sin cola,
que con sus alas sube y con su peso baja;
pero sin posibilidad de dirigirse a parte
alguna!...
Sólo Sara sabía que la causa de aquello
era la substracción de las cargas centrales,
en las cuales radicaban las fuerzas capa­
ces de mover lateralmente el orbimotor.
Privado de ellas, ya se colige que lo que
la yanqui se proponía era que María Pepa
se rindiera, descendiendo a tierra antes de
consumir todo el cinetorio de las cargas
australes, gastado el cual ya no podía pen­
sarse en bajada voluntaria, porque sobre­
vendría una caída desastrosa.
Ya bajaría la capitana por las buenas;
ya se resignaría a volver a la Tierra fra­
casada: o si, en último extremo se resis­
tiera a ello, ya sabría Sara enterar al pa­
saje de la inminencia de la catástrofe que
lo amenazaba, y erigiéndose en salvadora
de doscientas vidas, y quitando el mando
a María Pepa, ella sería quien llevara el
orbimotor salvo a la Tierra.
Para cuantos en ésta dirigían los ante­
ojos a él, ya no cabía duaa de que había
fracasado el viaje planetario, porque la
noche entera permaneció el motoestelar
tan quieto como la anterior. Y el dilema
era claro para todos: o bajaría antes de
consumir su fuerza interna o perecería en
horrible caída. La emoción era inmensa;
todas las estaciones telegráficas del globo
resultaban insuficientes para dar curso a
las peticiones de noticias a los observato­
rios americanos, y para comunicar las res­
puestas.
Cuando segunda vez amaneció después
de la partida, encontró el sol al autoplane­
toide en el mismo lugar donde dos días le
había anochecido. Pero esta vez no tuvie­
ron los impacientes astrónomos que aguar­
dar que anocheciera para tener nuevas
noticias de él, porque a la una de la tar­
de, varias estaciones de la costa chilena
recibieron el siguiente radiograma: “Seis
millas al sur de nuestro rumbo, y a unas
cuarenta de altura, hemos visto cruzar la
atmósfera, en dirección al oeste, y descen­
diendo, un gran globo cristalino, que al
principio creimos fuera un bólido, pero
que no lo es, pues aun corriendo con ra­
pidez vertiginosa, no llegaba la suya, ni
con mucho, a la de tal clase de meteoros.
” En este instante desaparece su mole
colosal en dirección a Australia, adonde
llegará probablemente, si antes no cae al
mar, en la tarde de hoy” .

120

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

sibilidad de una equivocación del patrón
— ¡El autoplanetoide! ¡El autoplanetoide la goleta, a quien su preocupación con
d e !— dijeron todos los sabios al saber la
el temporal que iba corriendo acaso le tur­
noticia.
El autoplanetoide que corría a destro­ bara la vista, que además trabajaba a tra­
vés de los anteojos de pacotilla usados en
zarse en la caída en aquel continente, o
los barquichuelos de la clase del que él pa­
que, aun cayendo al mar, se haría trizas
al brutal golpetazo contra el agua, consi­ troneaba.
Agregando todo esto a la escasa pericia
guiente a una caída de 200 kilómetros de
de quien los manejaba, pudo muy bien ser
altura.
causa de que dejara de ser visible para él
El telegrama procedía de un trasatlán­
el autoplanetoide, no por caer sobre las ro­
tico que navegaba a mitad de camino en­
cas de Bass, sino por desaparecer a sus mi­
tre Arica y Auckland.
radas al ocultarse detrás de ellas; porque
Media hora después, la isla Rapa, situa­
también él sol poniente parece caer en los
da en pleno Océano Pacífico, al sur del ar­
lugares tras de los que se esconde, y sin
chipiélago Toubouai, radiotelefoneaba que
embargo, no cae en ellos.
cercano a ella había pasado el novimundo;
¿Sería esto?... ¿Sería otra cosa?... ¿Se­
y a las nueve de la noche volvía a telefo­
near diciendo que una goleta que, huyen­ guía María Pepa mandando en el orbimo­
tor?... ¿Habría Sara realizado su pirático
do al temporal, entraba de arribada, decía
propósito de apoderarse del motoestelar?...
habe visto la caída en el mar de una bola
¿Qué pasaba en el novimundo?... ¿Quién
cristalina del tamaño de una sandía muy
lo llevaba a Australia, en el supuesto de
gorda, según la frase por él patrón usada.
que efectivamente fuera a Australia?..,
Preguntado éste por el lugar de la caída,
¿Dónde estaba?...
dijo que podía precisarlo por haber ocu­
Y por último, ¿se salvó María Pepa y
rrido precisamente sobre los islotes y arre­
consiguió salvar a su pasaje de caer en el
cifes de Bass, que él tenía entonces en el
Sol, o en él murieron el novimundo y los
mismo horizonte. Al romperse la bola con­
novimundianos?
tra sus coralinas rocas habían dejado de
Cosas son todas interesantísimas que los
verla los de la goleta.
lectores tienen indudable derecho a saber.
— ¡Infelices!— dijo el mundo; comentó,
Y las sabrán, se lo fía el editor, que es
un día, el triste fin de la hermosa expedi­
quien ahora les habla, pidiéndoles un poco
ción frustrada, y a pensar, aJl siguiente, en
de paciencia, un poquito no más; pues la
ora cosa. Tres de general luto por la insig­
demora que va a sufrir la narración de todo
ne María Pepa decretó en Zaragoza el
aquello débese a fuerza tan mayor cual ma­
Ayuntamiento de la capital aragonesa.
nifiesta la siguiente y muy breve explica­
* # *
ción:
Sabía yo, por habérmelo confiado el au­
¿Se había, en realidad, hecho añicos el
tor, que después de referirle Mademoiselle
orbimotor contra las rocas del Grande Océa­
Thellis cuanto va relatado, llevaba cuatro
no ... ¿Lloraban con razón a María Pepa
tardes en que no había modo de dormirla
en Zaragoza?...
por andar desvelada con... No estoy seguro
En él mundo, ya se ha dicho, daban el
de si eran pieles o esmeraldas, pero sí de
desastre por cierto: con tanto más motivo
que, fueran uno u otro, le parecían muy
cuanto que en el transcurso de sucesivas
caras al autor. El caso es que, interrumpi­
noches no volvió a verse en el cielo el nodas por tal causa las hipnóticas sesiones,
vimundo, ni fué de día señalado por los
hace unos días recibí la urgente carta que
navegantes del Pacífico. Y ni en Australia,
a continuación transcribo:
ni en Nueva Zelanda, ni en ninguno de los
archipiélagos del Océano daban noticia al­
“Querido amigo: Ifigenia me ha hecho la
guna de él.
gran perrada. Al llegar a su casa me en­
Pero si perecieron María Pepa y su mun­
cuentro hoy que el pájaro ha volado. Diga
do, y los habitanes de su mundo, el 12 de
usted a los lectores... No, no les diga nada,
septiembre de 2186 en los arrecifes de Bass,
pues los asuntos de Ifigenia y míos les tie­
¿cómo se explica que estuvieran el 28 del
nen sin cuidado a usted y a ellos. Y aun­
siguiente diciembre en la terrible situación
que les importaran, no siendo ella ni yo
descrita en el mensaje, ya conocido desde
héroes
de la novela, nadie tiene derecho a
el principio de esta historia, que por vía
meterse en nuestras cosas. Crea, amigo mío,
Venus envió a la Tierra la Capitana?
que si no fuera por el compromiso que con
De una sola manera: pensando en la po­

DE LOS ANDES AL CIELO
usted y con el público tengo, ni del nombre
de la ta»l Ifigenia volvía yo a acordarme;
pero soy hombre de palabra y no rehuyo
mi obligación de contar hasta el fin las his­
torias del autoplanetoide, de María Pepa,
de Sara, etc.
En la indecente carta que la fugitiva pi­
tonisa me ha dejado no dice para dónde
levanta eQ vuelo; pero el portero, con es­
pontaneidad que deja traslucir por lo me­
nos influencias hipnóticas, ha sido indis­
creto descubriéndomelo todo. En consecuen­
cia, tomé el rápido de..., no necesita usted
saberlo..., desde el cual escribo esta carta
para asegurar a usted que, cueste lo que
cueste, no me vuelvo sin el fin de la novela.
Su muy afectísimo, etc.”
No me dejaba muy tranquilo la carta
cuando al pie de la hoja vi: “P. D., a la
vuelta”, y doblándola, leí: "Hágame el
favor de pagar una factura que le presen­
tará la joyería La Cloche. Este asunto lo
arreglaremos a mi vueflta. Se hará usted

IIN

12R

cargo de que necesito armas para la ba­
talla.”
No eran pieles.

Tres días pasé inquieto hasta recibir el
siguiente despacho telegráfico:
"París, 7...
’’Reconciliación cordialísima. Ifigenia, en­
cantadora, duerme cuanto yo quiero, y fia
visto cosas portentosas que escribo a la ca­
rrera. Suplico olvide temerarios juicios
míos, pobre niña. Correo mañana original
imprenta continuar novela. Gire 10.000 fran­
cos. Esto es muy caro.”
—Lo caro es ésa— dije— , pero envié el
dinero.
Conste, pues, que la segunda etapa del
viaje planetario no tardará en aparecer sino
el tiempo preciso de imprimirla, pues a la.
imprenta envié ayer el original de París
recibido. Su título es DEL OCEANO A.
VENUS.

DE LOS ANDES AL C IE LO '

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