Del océano a Venus. 3ª ed.

Autoría
Lugar de publicación
Madrid

Ver datos completos

Tipo
Impresos
Idioma (código)
spa
Extensión
119
Identificador
0000000147
Miniatura
https://patrimoniodigital.ucm.es/r/thumbnail/782161
Notas
Obra digitalizada por la Universidad Complutense de Madrid perteneciente a la colección privada de Jaime Jaureguizar
Procedencia
Jaureguízar, Agustín
Colección de la edición
Colección de Protociencia-Ficción Mnemosine
Impresor
Biblioteca Novelesco-científica
Lugar de publicación
Madrid
Idioma
Español
Europeana Type
TEXT
Europeana Data Provider
Biblioteca de la Universidad Complutense de Madrid
Imagen para miniatura
1
Derechos
Universidad Complutense de Madrid
Licencia de uso
CC BY-NC-ND 4.0
Fecha de creación
1921
Formato
image/jpeg
application/pdf
extracted text
1

BIBLIOTECA NOVELESCO-CIENTÍFICA
por «EL CORONEL IGNOTUS»

Pesetas.

— Primera etapa de «Viajes Planetarios en el si­
glo xxii* .................................................................................. Tercera edición. 4
II._ DEL OCÉANO A VENUS.— Segunda etapa de la misma obra, tercera ídem........... 4
III.—EL MUNDO VENUSIANO.— Tercera y última etapa de la misma obra, tercera ídem. 4
IV—LA DESTERRADA DE LA TIER R A .— Primera parte.—EL MUNDO-LUZ............. ......... 4
V.—EL MUNDO-SOMBRA. -Segundaparte de la anterior.................................................. 4
VI.—EL AMOR EN EL SIGLO CIEN................................................................................................... . . 4
VII—LA MAYOR CONQUISTA. Primer episodio: LOS VENGADORES... ............................... 4
VIII—POLICÍA TELEGRÁFICA.— Segundo episodio de la anterior......... ............................ 4
IX —LOS MODERNOS PROMETEOS.— Tercer y último episodio de la anterior................ 4
X.—LOS NÁUFRAGOS DEL GLACIAR.— Primera jornada de Tierras Resucitadas......... 4
XI.—ANA BATTORI.— Segunda jornada de la anterior................................................ 3
X II.- EL GUARDIÁN DE LA P A Z.— Ultima ídem id.......................................................... 3
XIII. —LAS PISTAS DEL C RIM EN.— Primer episodio de EL CRIMEN DEL RAPIDO 373..4
XIV. —LA CLAVE DEL C R IM E N — Segundo ídem de ídem (en prensa)...................... 4
(Seguirán otras muchas a razón de tres a cuatro por año.)
I . — DE LOS ANDES AL CIELO.

OTRO GRAN EXITO
MODERNAS BRUJERIAS DE LA CIENCIA. -- Charlas vulgares. 6 ptas.

OTRAS OBRAS DE JOSÉ DE ELOLA
LITERARIAS
Pesetas.
EU G EN IA .—Novela....................................
L A PR IM A JU A N A .—Novela, dos tom os.... 3
BO SQ U EJO S.—Cuentos............................................ 3
CORAZONES B R A V ÍO S. —Cuentos.................. 1
CUENTOS E ST R A FA L A R IO S U E AYER
Y AlAÑANA.-(Agotada.)
REM ED IO CONTRA CEG U ERA .—Come­
dia en dos actos. (Agotada.)
L A N1ETEC1LLA. Idem en id., Id.
IN ARTÍCULO M ORTIS. —Idem en un ac­
to, Id.
PRECO CID A D .—Idem en id., id
M A C BETH .—Versión de la tragedia de este
nombre, de Willian Shakespeare....................... 2
O B RA S D R A M Á T IC A S.—El salvaje, Lúe de
belleza........................................................................ 2
EL FIN DE L A G U E R R A .-C on el seudó­
nimo I gnotos.............................................
MORALES, SOCIALES Y POLÍTICAS
B L CREDO Y L A RAZÓN —Segunda edi­
ción.............................................................................

3

3L A V ERD A D DE LA G U E R R A .—Versión
del inglés. (Agotada.)
L A S CAUSAS DEL D ESA STRE.—Con seu­
dónimo I gnotos. (Agotada.)
L A C A M PA Ñ A DEL R O SEL L Ó N .-(A gotada.)
E L P L E IT O D EL R E G IO N A L ISM O .-C on
seudónimo Don Ñuño. (Agotada.)
LA EN FER M E D A D DE LA P E S E T A ........
LO QUE PU ED E E S P A Ñ A ..............................

Pesetas

2
1

CIENTÍFICAS
P L A N IM E T R ÍA DE P R E C I S I Ó N P r e ­
miada por la Escuela de Minas, cuatro volú­
menes......................................................................... 50
L3,50
EV A N TA M IEN T O S Y R E C O N O C I ­
M IE N T O S TO PO G R Á FIC O S. —De texto
en varias Escuelas de Ingenieros, tres volúmenes......................................................................... 3 >
AGENDA D EL T O PÓ G R A FO ........................ ^
E S P A Ñ A E N M A R R U EC O S.—Mapa de la
zona de influencia española..................................

BIBLIOTECA

NOVELESCO-CIENTIFICA

M il I AD

M M IMI

Q ~7

r

B IB L IO T E C A

DEL
A

N O V E L E S C O -C IE N T IF IC A

OCÉANO
VENUS

□ □ □

Es propiedad. Prohibida la repro­
ducción, incluso la “ cinematográfica” , sin permiso del autor.

_

NOVELAS DE AVENTURAS
POR

EL CORONEL IGNOTUS
JOSÉ

DE

ELOLA

SEG U N D A

DEL OCÉANO

ETAPA

A VENUS

TERCERA EDICION

INDI C E
Págs.

I.—«Plus ultra»................................
II.—El odioso Felipe II y la odio­
sa María Pepa.........................
III. —¿Accidente?... ¿Crimen?.......
IV. —Un consejo sensacional.......
V.—De cómo Sara oye «con sus pro­
pios ojos» cuanto habla Ma­
ría Pepa..................................
VI.—María Pepa se juega el todo por
el todo....................
V II.—Encuentra Sara un plan para
nueva batalla.........................
V III.—Leblonde ventea una pista---IX.—¡Arriba!........................................
X.—El segundo accidente...............
XI.—A la Tierra, a la Tierra, mas no
a tierra....................................
XII.—Celos... y celo«......................
X III. —Oceánicos deportes...............
XIV. —El Sol se descompone y a la
postre se para

P á g s.

7
11
15
19

23
29
35
39
43
47
50
55
61
66

XV.—Los prisioneros.................
70
XVI.—Los caminos de Venus..........
74
X V II—Las pesquisas de Alvaro y las
melancolías de la Capita­
na......................................
77
XVIII.—Las desventuradas n a ric e s
del doctor Chu-Fo..........
80
XIX.—La artillería y el equipaje de
Arístides Leblonde........
86
XX.—Un nuevo y fiambre perso­
naje...................................
90
XXL—Las borrascas del éter sideral.
95
XXII.—Brevísimo, pero sensacional
capítulo............................
98
X X IIL - El coi’reo intorplanetario.. . .
102
XXIV.—Alegrías y dolores combaten
a la pobre María Pepa. . . .
106
XXV.—De Venus a Mercurio y vuel­
ta a Venus........................
110
XXVI.—Venus, traidora..................
114

BIBLIOTECA
NOVELESCO
CIENTÍFICA
por «EL CORONEL IGNOTUS»
Pesetas.

I.—DE LOS ANDES AL CIELO.— Prim era etapa de «Viajes Planetarios en el^siglo xxii» .......................................................................................... Tercera edición. 4
II.—DEL OCÉANO A VENUS.—Segunda etapa de la misma obra, tercera ídem ............. 4
III. —EL MUNDO VENUSUNO.—Tercera y últim a etapa de la m ism a obra, tercera ídem . 4
IV. —LA DESTERRADA DE LA TIERRA.—Prim era p arte.—EL MUNDO-LUZ. ............... 4
V.—EL MUNDO-SOMBRA.—Segundaparte de la anterior........ ...................... ..................... 4
T I.—EL AMOR EN EL SIGLO CIEN......................................................................................... . . 4
V II.—LA MAYOR CONQUISTA.- -Primer episodio: LOS VENGADORES... ............................. 4
V III.—POLICÍA TELEGRÁFICA.—Segundo episodio de la anterior........................................... 4
IX.—LOS MODERNOS PROMETEOS.—Tercer y último episodio de la anterior.................. 4
X.—LOS NÁUFRAGOS DEL GLACIAR.—Prim era jornada de Tierras R esucitadas.. . . . . 4
XI.—ANA BATTORI.—Segunda jornada de Ja anterior...................................................... 3
XII.—EL GUARDIÁN DE LA PAZ.—Ultima ídem id ................................................................ 3
XIII. —LAS PISTAS DEL CRIMEN.—Prim er episodio de EL CRIMEN DEL RAPIDO 373.. 4
XIV. —LA CLAVE DEL CRIMEN.—Segundo ídem de ídem (en prensa)............................ 4
(Seguirán otras muchas a razón de tres a cuatro por año.)

OTRO GRAN EXITO
MODERNAS BRUJERIAS DE LA CIENCIA. -- Charlas vulgares. 6 ptas.

OTRAS OBRAS DE JOSÉ DE ELOLA
LITERARIAS
Pesetas.
E U G E N IA .—N ovela... ............................................... 3
L A P R IM A JU A N A .—Novela, dos to m o s.... 3
B O S Q U E JO S .—Cuentos.............................................
3
C O R A Z O N E S B R A V IO S . —Cuentos..................
1
C U E N T O S E S T R A F A L A R IO S D E A V E R
Y M A Ñ A N A .-(A gotada.)
R E M E D IO C O N TR A C E G U E R A .—Come­
dia en dos actos. (Agotada.)
L A N IE T H C IL L A .-Id e m en id., id.
IN A R T ÍC U L O M O R TIS. —Idem en un ac­
to, Id.
P R HCOCID A D .—Idem en id , id.
M A C B B T H .—Versión <ie la tragedia de este
nom bre, de W illian Shakespeare........................ 2
O B R A S D R A M Á T IC A S .—El salvaje, L inde
belleza...........................................................................
2
E L PIN D E L A G U E R R A .—Con el seudó­
nimo I gnotus ..........................................
3,50
MORALES, SOCIALES Y POLÍTICAS
E L C RED O Y L A R A Z Ó N .—Segunda edi­
ción...............................................................................

3

L A V E R D A D D E L A G U E R R A .—Versión
del inglés. (Agolada.)
L A S C A U SA h D E L D E S A S T R E .—Con seu­
dónimo I gnotus - (A gotada)
L A C A M P A Ñ A D E L R O S E L L Ó N — (Ago­
tada.)
E L P L E IT O D E L R E G IO N A L IS M O .—Con
seudónimo Don Ñuño. (Agotada.)
L A E N F E R M E D A D D E L A P E S E T A ........
L O QUE P U E D E E S P A Ñ A ...............................

Pesetas

2
1

CIENTÍFICAS
P L A N IM E T R ÍA D E P R E C IS IÓ N . — P re ­
miada por la Escuela de Minas, cuatro volú­
m enes............................................................................ 50
L E V A N T A M IE N T O S Y R E C O N O C I ­
M IE N T O S T O P O G R A F IC O S . —De texto
en varias Escuelas de Ingenieros, tres volú­
m enes............................................................................ 3 1
A G E N D A D E L T O P Ó G R A F O ......................... 7
E S P A Ñ A E N M A R R U E C O S .—M apt de la
zona de influencia española................................... 3

i
“PLUS U L T R A ”
L a fausta nueva de que ni el Autoplanetoide ni su Capitana habían perecido en la
caída, que por cierta se dió, sobre las rocas
de Bass, no se supo en el mundo hasta
pasados cuatro días de la divulgación de
la falsa noticia de ella, nacida de torpeza
de un navegante inculto, incapaz de apre­
ciar que el orbimotor estaba, cuando él
dejó de verlo, setenta u ochenta millas
más alejado de su goleta que dichos islo­
tes. Este error en la comparación de las
distancias le hizo tomar por caida lo que
no era sino ocaso: el ocaso del novimundo,
para los tripulantes de aquel mal barquichuelo combatido por el temporal.
Véase ahora cómo en la Tierra se ente­
raron de que no había perecido el aviestelar.
Es sabido que los astrónomos duermen
de día y velan de noche, a no ser cuando
miran al Sol. No es, pues, extraño que
en la del 15 al 16 de septiembre del año
2186 estuvieran despiertos los del Obser­
vatorio de Batavia. Y tanto menos, cuan­
to que en este temíplo de la ciencia se es­
trenaban en tal fecha un telescopio foto­
gráfico, con un magnífico espejo de 1,80
metros de diámetro, y un perfeccionadísimo espectroscopio, expresamente destinado
al estudio de las nebulosas: aparatos que,
por primera vez,. iban a ser asestados aque­
lla noche a la soberbia nebulosa de la
constelación Orion (1 ).
(1) La nebulosa de Orión llena en los cielos un
espacio millones de veces mayor que el ocupado por
nu,estro Sol con el séquito de todos sus planetas
— 8.960 millones de kilómetros es el diámetro me­
dio de la órbita de Neptuno.
La teoría del nacimiento de soles y mundos por
la rotación y condensación de la masa gaseosa de
nebulosas madres, fuó iniciada por Ferguson, Laplace y Hershell en el siglo xvm , y modificada su­
cesivamente en sus detalles por varios astrónomos,
pero mantenida en lo esencial, recorrió etapas su­
cesivas. Sir Norman Lokyer atribuye el origen de

L a perspectiva era por demás tentadora
para que nadie, en el observatorio javanés,
pensara en turnos de servicio; pues hasta
el último aprendicillo astrónomo quería te­
ner su parte en las observaciones, tal vez
descubrimientos, de la citada noche; y
cada uno acotaba su pedazo de nebulosa
para curiosearlo personalmente con los
nuevos aparatos.
Desojábanse todos, y ni una mosca se
oía en el observatorio, cuando de pronto,
bien avanzada la noche, y en el momento
en que uno de los observadores daba des­
canso a su vista fatigada, separándola del
ocular del anteojo para fijarla en lo obscu­
ro del cielo, se oyó un grito de asombro.
“ — '¿Qué es eso?— dijo— . Señores, seño
res; señor director, un astro, un astro nuetales nebulosas al choque de incontables enjambres
de meteóricos bólidos, en cuyas colisiones se en­
gendra calor que los volatiliza, dando origen a la
materia gaseosa incandescente de la nebulosa, que
ha de formar, al condensarse, soles, y que enfriada
dspuós, en el transcurso de millones de siglos crea
mundos y sistemas planetarios.
Los trabajos de Keeler dieron después lugar a la
moderna teoría plenetesitnal, de Chamberlin y Moulton, según la cual los choques, o la exagerada cer­
canía de astros, cuyas órbitas se cruzan y penetran,
les arrebatan trozos, que lanzados al espacio se
deshacen en polvo de materia volatilizada, al calor
de percusión o frotam iento: de donde nacen las
nebulosas espirales. Y se presiente ya que, así
como en la vida orgánica se arruina la materia
inerte para dar nacimiento a cuerpos vivos, que
al morir dejan, en sus materiales restos, elemen­
tos de nuevas vidas que surgirán después, también
acaso la materia cósmica del polvo sideral es por
las nebulosas condensada en astros, y éstos, al pa­
recer, engendran otras nebulosas, de las cuales sal­
drán en millones de siglos nuevas generaciones de
soles y de mundos.
Tres principales estados-tipos de evolución se
advierten en las nebulosas: el de la de Orión, el
de la de Andrómeda y el de la Gran Espiral, cre­
ciendo en ellas el grado de condensación por el
orden en que se han mencionado.
El número de las nebulosas hasta hoy descu­
bierto viene a ser de un millón.

8

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

vo, extraordinario, colosal, monstruoso,
inconcebible. Allí, allí, hacia el Sureste y
cercano al horizonte.
Volviéronse todos les ojos hacia la parte
señalada, y entonces, no una, sino doce
fueron las exclamaciones de asombro; pues
doce eran los astrónomos.
Aquello parecía una estrella grandísim a,
o más bien una luna pequeña que, con ve­
locidad jam ás vista en un astro, subía del
horizonte hacia el cénit creciendo al m is­
mo tiempo con rapidez aterradora.
— ¡Una estrella que se nos cae encima!...
—¿Será un satélite que la T ierra le haya
robado a Marte?
—E sa idea es absurda.
¿No: es un enorme bólido, un ignoto
asteroide descarriado, que al chocar con
nosotros se llevará un pedazo del mundo
por delante.
—O si cae en nuestros mares, lo enri­
quecerá con un nuevo continente.
—Ni estrella, ni satélite, ni bólido—dijo
un astrónom o español que estaba en el Ob­
servatorio de B atavia desempeñando una
comisión de su gobierno—. Eso no puede
ser sino el orbimotor de mi paisana.
— ¡Pero si se despedazó en los arrecifes
del Pacífico!...
—Ya está .visto que no. Porque, ¿qué
puede ser ese astro que tan de prisa corre
sino un autoastro?... Y como no tenemos
noticia de otro autoastro que el Autoplanetoide...
—Tiene razón Carballo—dijo el Direc­
to r—. Y como la nebulosa no se nos ha de
ir de la constelación de Orion, donde luego,
o m añana, la encontrarem os siempre que
queramos, m ientras que, al paso que trae
el orbimotor, se nos escapa, si nos descui­
damos, antes de que queramos recordar, a
él hay que atender ahora. ¡Ea!, sin perder
tiempo, seis a observarlo y seis a calcular.
¡Qué emoción la de aquellos beneméritos
sabios!
A observar, a observar. A m edir con an­
teojos, cronómetros y círculos graduados,
declinación y ascensión recta del avimundo, que son como las longitudes y latitudes
de los astros en el Universo. Y m ientras
unos hacían esto, m edían otros el tamaño
(o diámietro aparente, dicho en térm inos
técnicos) con q u e veían al Autoplanetoide.
A observar, a observar para deducir de
todo ello la dirección en que se hallaba el
mundo de M aría Pepa, y su distancia al
Observatorio, que habían de dar su posi­
ción exacta en los inmensos cielos.
Diez m inutos después se repitieron las
m ism as operaciones, obteniendo nueva po­

sición; a los veinte, a los treinta, tercera y
cuarta serie de observaciones, en todo igua­
les a las precedentes, proporcionaron nue­
vos datos correlativos a los instantes en que
fueron realizadas.
• Y una vez conocidas aquellas cuatro po­
siciones, a calcular los rumbos que había
seguido el Autoplanetoide al traslad arse de
unas a otras, a evaluar las distancias que
las separaban; y, como consecuencia, a de­
ducir la dirección y la velocidad del vuelo:
cálculos complicados para el vulgar mor­
tal, que son un juego para los astrónomos.
El resultado enloqueció de entusiasm o a
observadores y calculistas, pues la distan­
cia entre la prim era y la segunda posición
del orbim otor era 833 kilóm etros con 333
m etros: la m ism a exactam ente que sepa­
raba la segunda de la teicera, idéntica a
su vez a la existente entre la tercera y la
cu arta: lo cual probaba que la Capitana h a­
bía recuperado el dominio sobre el Autopla­
netoide, pues, recto como un dardo, volaba
éste con velocidad 'perfectamente im iform e
de 5.000 kilóm etros por hora: una insigni
ficancia p ara lo que volaría luego, pero bas­
ta n te respetable al com pararla con las usua­
les en el mundo.
Y no era lo veloz de la m archa lo que
mfts entusiasm aba a los astrónomos, sino
que las cuatro posiciones observadas en
aquella m edia hora estaban en línea recta:
exactam ente en línea recta (1).
No había que perder tiempo en dar al
mundo la sensacional noticia, y de ello se
encargó el telégrafo en los siguientes tér­
m inos:
“OBSERVATORIO ASTRONOMICO
DE BATAVIA
”16 septiem bre de 2186, a las tres horas,
cincuenta minutos, trece segundos de la
m adrugada. Observaciones comprobadas de
este Observatorio perm iten afirmar que el
A utoplanetoide A 1, que se creía perdido
en los arrecifes de coral del Océano P a­
cífico, se halla a la vista de Batavia, h a­
biendo recuperado su autonom ía y el do­
minio de su m archa. Cuidadosamente de­
term inadas cuatro posiciones de él,, con
exactos intervalos de diez minutos, resu l­
ta que, con velocidad uniform e de 1.388,88
m etros por segundo, y derrota inflexible­
m ente recta, vuela directo a Zaragoza, adon­
de llegará, de no aco rtar la marcha, dentro
(1) En línea recta no, sino siguiendo un arco
de círculo máximo. Pero muy máximo, pues no era
del tamaño correspondiente a un meridiano por
ser externo a la Tierra, sino mayor aún.

DEL

OCEANO

de una hora, cuarenta y siete minutos y
treinta y seis segundos. La altura a que so­
bre el nivel del mar estaba al realizar la
primera observación era de 89 kilómetros;
su diámetro aparente (1), de 24'-13": es de­
cir, poco menor que tres cuartos de luna.
La rapidez de la marcha, con la cual po­
dría el motoplaneta dar la vuelta al mun­
do en ocho horas, se aprecia perfectamente
a simple vista.—El Director, Franz VanKop".
El mundo iba a conmoverse, y Zaragoza
a deshacerse de alegría. Comprendiendo el
digno Director cuyo nombre acaba de darse
que en redactar, comprobar y transmitir el
preinserto telegrama, con la escrupulosidad
exigida por sus interesantes datos numéri­
cos, se tardaría no escaso número de minu­
tos, y apreciando la urgencia de no perder
ni uno en avisar a Zaragoza que la Capita­
na volaba a despedirse de sus baturricos
con tal velocidad que allí la llevaría en po­
co más de siete cuartos de hora, tiempo an­
gustioso para preparar ningún recibimien­
to, dejó al Secretario del Observatorio que
redactara el telegrama y corrió al aparato
de telefonía sin hilos.
—Zaragoza, Zaragoza...
Urgentísimo?..
Universidad. Decano Ciencias... ¡Ah!... ¿Es
usted, Requena?... Sí. Gracias... Dispense,
ahora no hay tiempo de eso. Ayise a todo
Zaragoza que el Autoplanetoide acaba de
pasar por Java; que, recompuesto por su Ca­
pitana, corre con rumbo hacia ahí...
Sí, hombre, sí. Le digo que no es broma;
ahí mismo, a Zaragoza, donde estará... No
recuerdo la hora exacta, pero entre diez y
veinticinco y once menos veintitantos...
No, señor, no: de .esta misma noche...
No tienen ustedes ni dos horas... En tele­
grama oficial doy detalles de observación,
pero he querido adelantar a ustedes...
¡Ah! ¿Que la Bureba es doctora en Cien­
cias por esa Facultad?... Pues doble enho­
rabuena por tal discípula... Adiós... No hay
de qué... Ya me hago cargo de que no pue­
de usted perder ni un minuto.
Diez después, todos los teléfonos, todos
los parlófonos, todos los fonógrafos de Za­
ragoza funcionaban repitiendo la noticia.
En los teatros, que aquella noche abrían sus
puertas después del luto oficial por María
Pepa, suspendían los actores la representa­
ción para informar al público del sensacio­
nal aviso. Transparentes de los peri&Sfe&s,
anunciadoras eléctroimpresoras de las me­
sas de los cafés, que ante la vista del con(1)

Anchura en términos vulgares

A VENUS

9

sumidor escribían los anuncios que se que­
rían hacerle leer; telones de cinematógra­
fos, etc., etc., divulgaban por doquier la.
faustísima nueva. Los clamófonos munici­
pales de la Seo, el Arrabal, Zaporta, To­
rrero y la Aljafería gritaban con estentó­
reas voces: “ ¡Regocijaos,-zaragozanos: Ma­
ría Pepa vive, su mundo vuela!... Zaragoza­
nos, a la calle, a recibir cual se merece a.
nuestra gloriosa paisana, que con su novimundo, y antes de remontar el vuelo al
Cosmos, llegará a despedirse de vosotros,
de diez y cuarto a diez y media. No tenéis
sino poco más de una hora para preparar el
recibimiento. No será buen aragonés quien
esta noche no salude a nuestra sabia y he­
roica paisana.”
Pasados dos minutos volvía a resonar
igual pregón; y dos después; y así siguie­
ron los clamóforos, durante media hora,
atronando Zaragoza con la noticia y la in­
vitación: sin variar la tocata, mientras na
hubo nuevos avisos que transmitir a la ex­
citada multitud.

A las nueve y media salían a las afue­
ras incontables muchedumbres en apiñadas
movedizas masas, como ríos que la aveni­
da hinchara, y cuyas aguas, no cabiendo en
los cauces de calles ni de plazas, subieran y
subieran, desbordadas, a derramarse sobre
tejados, azoteas, torres y campanarios.
A las nueve y cuarenta los clamófonos vo­
cearon: “ Suez avisa tener a la vista el avimundo ¡Viva la Bureba!”
Al poco rato anunciaban: “ Telefonía de
Palermo: “ Según observaciones comunica” das por el Observatorio del Etna, el Auto’’planetoide ha comenzado a frenar, acor” tando la marcha desde su conjunción con
’’Sirio. Ahora pasa rozando con los cuernos
” de Aries, por lo cual llegará a Zaragoza
’’algo después de la hora que comunicó Ba^
"tavia.”
,
Siguió a esto la noticia, dada por Palma
de Mallorca, de que el motoplaneta, mar­
chando cada vez más despacio, ya no avan­
zaba sino con velocidad algo menor que la
de una bala de fusil.
Cada uno de estos avisos provocaba tonante vocerío en aquella enloquecida mul­
titud: Vivas y vítores, científicos conscien­
tes entusiasmos, populares instintivos deli­
rios, patrióticos fervores, pintorescos re(?í:ísfciN?s a ís hermosa paisana, comentarios,
discusiones.
—¿Bajará?
— ¿No bajará?
—¿La veremos?

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
— Ya llega...
—No, todavía no.
— Que aquella es otra estrella, pero no el
novimundo...
— Que al principio tenemos que verlo más
bajo, por allá, hacia el Huerva.
“ En este instante pasa sobre Vinaroz.
.Lo veremos en seguida, en seguida”—chilla­
ron los clamóforos, que ya siguieron, sin in­
terrupción, repitiendo lo mismo, con inútil
«esfuerzo, porque en el aire resonaba una voz
más potente que ahogaba sus pregones: la
voz ele un pueblo entero que gritaba por
ochocientas mil gargantas, con el aliento
de ochocientos mil pulmones, repitiendo en
un solo clamor: “ Por allí, por allí llega.”
Encima de un nubarrón obscuro agarrado
al lejano horizonte, asomó a poco el orbimo­
tor, semejante a una estrella hermosísima,
única, la mayor y más bella de todas, con
el tamaño de una nuez, pero que rápida­
mente fué creciendo, según corría aquél, del
orto al meridiano.
— ;E1 novimundo, el novimundo! ¡María
Pepa! ¡Maria Pepa! Gritos de alegría, ex­
clamaciones de asombro y después estupor
y silencio.
Ochocientas mil miradas contemplaban
cómo, avanzando, o subiendo más bien a
lo alto de los cielos, crecía incesantemente
el orbimotor hasta parecer resplandeciente
naranja de brillantísima plata. De pronto el
silencio fué rasgado por una voz que ento­
naba la siguiente copla con música de la
más clásica de las jotas:
“ De Zaragoza a los cielos
se mos ha escapao una estrella.
Míala allí, no tiene pierde,
que no brilla otra como ella.”
Era un pobre guitarrista callejero y cie­
go, único allí que no veía la estrella, al cual
hicieron coro inmediatamente baturras y
baturros de toda clase y condición: altos y
bajos, obreros y señores, mozas del pueblo
y encopetadas darnás, repitiendo la copla.
Muy alta estaba María Pepa; pero tanto
gritaban, que acaso se enterara del piropo
con que la festejaban sus paisanos.
En aquel momento el Autoplanetoide,
que, ya muy despacio, avanzaba entre las
estrellas de la constelación Hércules, siguió
unos segundos hasta detenerse precisamente
a plomo sobre la basílica de la Virgen del
Pilar. Y allí permaneció inmóvil un minu­
to, dos...
Quien primero advirtió en dónde había
parado el novimundo fué una moza de T o­

rrero, que hizo pública su observación di­
ciendo:
— Míala allí quieta. Es ca venío a ver a
la Pilanca.
Las Palabras de aquella muchacha fue­
ron chispa inicial de la hoguera que encen­
dió el entusiasmo de uno de los pueblos más
virilmente entusiastas del mundo.
— ¡V iva María Pepa!...
— ¡V iva la estrella aragonesa!...
— ¡V iva la Virgen del PilarI
— ¡V iva la Pilarica!...
— ¡Viva..., viva!...
“ La Virgen del P ila r dice
que no quiere ser francesa...”

Cinco minutos después todavía seguía
inmóvil el orbimotor sobre el célebre pilar,
cuando de improviso lo vió la multitud apa­
garse, quedando aterrorizada con la idea
de que había muerto el noviplaneta. Por
dicha duró poco el terror, pues instantánea­
mente lució de nuevo esplendoroso; pero
para volver a apagarse y volver a brillar.
Y así diez, veinte, cien veces...
— ¿Qué será eso, maño?
— ¡Otra! Si paecen guiños...

— Pa mí es que se despide. Como no pue
icirnos adiós con la mano ni con el moquero
porque no la veríamos...
La gente estaba despistada sin saber a
qué atribuir aquel que apago, que enciendo,
que obscuro ahora, que luego iluminado.
Era altamente impresionante para los as­
trónomos, por absolutamente nuevo, el fenó­
meno insólito de un astro que a voluntad
luce y se apaga. Ventajas de ser autoastro,
porque aquello no lo podía hacer ninguna
estrella, ni la Luna, ni siquiera el Sol con
ser quien es: aquello no podía (hacerlo
mundo ni sol alguno, en todo el Universo,
sino aquel mundisol de María Pepa.
Pero para alarde— y por tal lo tomaban
los sabios— , ya bastaba, y como despedida
— según lo interpretaba el vulgo— se iba
haciendo pesada. Porque el ahora brillo,
ahora me apago no llevaba trazas de aca­
bar. ¿Qué sería aquello?
;
Gracias a hallarse entre la gente un te­
legrafista listo pudo averiguarse. Acostum­
brado aquel muchacho, por razón de su
práctica, al tic y al taac de los chasquidos
de la palanquilla de su aparato al recibir
despachos, le pareció advertir que los des­
tellos, rapidísimos unos, no tan veloces
otros, por el Autoplanetoide despedidos, al
encenderse y apagarse alternativamente,

DEL

OCEANO

A VENUS

il

tes por las linternas de los aparatos Mangin,
bien conocidas en todos los ejércitos.
He aquí su contexto:
“...argas ecuatoriales, análogas a las que
en vuestro mundo pudierais colocar entre
los trópicos de Cáncer y Capricornio. Esa
ha sido la causa del accidente cuya com­
postura nos ha detenido allí estos días.
Dentro de unos instantes partimos para
Venus, primera etapa de nuestro viaje. El
pasaje, la tripulación y su Capitana salu­
dan a la Tierra por conducto de Zaragoza.
María Pepa envía muchos abrazos a sus
paisanas y paisanos.—La Comandante en
Jefe, María Pepa Bureba.—Postdata: Se
suplica encarguen al mayordomo de mi
easa del Coso que día y noche, hasta mi re­
greso, mantenga encendido un cirio ante
mi Pilarica.”

pasaban por sus ojos con la velocidad, unos,
con que su oído solía percibir la del chas­
quido del tic del receptor telegráfico, cuan­
do en la cinta marca un punto, mientras que
los más largos de aquellos resplandores pa­
recíanle durar el mismo tiempo que el taac
correspondiente a la impresión en dicha
cinta de una raya.
— ¡Está telegrafiando!—gritó. Sacó car­
tera y lápiz; y dando una y otro a un com­
pañero que tenía al lado, le dijo: “Anota tú,
mientras recibo yo” . Y comenzó a dictar:
—Punto, punto; raya.; pausa. Raya, pun­
to, pausa. Tres rayas, punto, etc.
Era verdad. La Capitana estaba telegra­
fiando.
Por desgracia, el telegrama estaba incom­
pleto, faltando en él la explicación de dónde
había estado y qué había hecho en los días
■que perdida la creyeron; pues María Pepa
supuso que entre tantos sabios como la con­
templaban, no uno, sino muchos caerían
desde luego en la cuenta de que su tejema­
neje de sombra y luz era sencillamente te­
legrafía óptica, semejante a la del vulgarí­
simo heliógrafo' cuando desde la estación
transmisora lanza a la receptora reflejos
breves y largos de la luz solar para formar
con ellos las letras del alfabeto telegráfico
Morse. Y en tal lógico supuesto, y después
de unos cuantos puntos y rayas destinados
a llamar la atención, envió su despacho sin
cuidarse de repetirlo, una vez terminado,
por no pensar habérselas con sabios torpes.
De aquí que el oficioso telegrafista no pu­
diera recoger sino el final del fotograma:
en todo igual, salvo las proporciones del
foco luminoso, a los transmitidos siglos añ­

Por un memento, relativamente largo,
permaneció apagado e invisible el Autoplanetoide, para los zaragozanos, que en el lu­
gar donde aquél ocupaba vieron a modo de
una nubecilla iluminada levemente con res­
plandor comparable al de una nebulosa, o a
uno de los trozos más marcados de la Vía
Láctea. Eran los efluvios engendrados por
las tremendas descargas de la parte inferior
del avimundo, que la Capitana forzaba, lle­
vando al máximo la excitación de las cápsu­
las para elevarse: con objeto de salir de los
últimos confines de la atmósfera terrestre,
más allá de los cuales estaba aquel “ PLUS
ULTRA” donde entraría en cuanto consiguiera substraer su motoastro a la atrac­
ción de la gravedad, cada vez más pequeña.

II
EL ODIOSO FELIPE II Y LA ODIOSA MARIA PEPA
Para saber qué había ocurrido en el Autoplanetoide, y por dónde había andado desde
su partida de Paramillo hasta que los zara­
gozanos lo vieron tomar el camino de Ve­
nus, no hay sino un medio: subir a él; me­
terse dentro.
Vamos a ello.
La Tierra quedaba allá abajo, imprecisa y
confusa, para quienes, remontándose en el
orbimotor, la contemplaban tenuamente
alumbrada por los argentinos rayos de la

Luna de aquel 10 de septiembre en que as­
cendió a los aires, y en ellos quedó preso,
el orbimotor.
A los primeros momentos de emoción in­
tensísima y silencio temeroso del pasaje,
sobrecogido por la majestuosa lentitud del
arranque inicial, sucedió explosión de en­
tusiasmo, provocada por el rápido crecer
de la velocidad ascensional, y delatada por
vertiginoso hundimiento en tenebrosa le­
janía de los pocos y más salientes pinitos

12

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

de referencia que la débil luz de la Luna
permitía ver en el mundo que se abando­
naba.
Para que a dicha luz pudieran los via­
jeros contemplar la Tierra, no se había en­
cendido el alumbrado público de la ciudad
movimundiana,-brillando únicamente en el
interior del Autoplanetoide las escasas lám­
paras que en el puente, dentro de las cabi-.
ñas y en la central eléctrica de excitación
de cargas propulsoras, eran indispensables
para la maniobra, emitiendo destellos flue,
perdidos en la inmensa oquedad de los se­
tenta y dos millones de metros cúbicos del
motoestelar, sólo habrían servido para ha­
cer ver la obscuridad de la descomunal es­
fera, a no hallarse alumbrada interiormen­
te por la plateada luz lunar. Penetraba ésta
libremente a través de las cristalinas pare­
des, dando a los edificios, columnas, escalas,
ascensores, máquinas, telescopios y anteojos,
aspecto fantásticamente melancólico, bien
avenido con el estado de ánimo de quienes
al separarse de la Madre Tierra pensaban
que ya no eran habitantes de ella, sino de
un insignificante y frágil micromundo cuya
vida no duraría acaso sino lo que tardara
en encontrar un asteroide en su carrera:
menos aún, un bólido, a cuyo choque no tu­
viera tiempo o le faltara velocidad para subs­
traerse. Porque ni mundos planetarios, ni
grandes asteroides, eran temibles para el
autosidéreo, que, viéndolos dje lejos, podría
maniobrar rehuyendo colisiones; mientras
que los pequeños bólidos, apenas vistos has­
ta tenerlos casi al lado, eran terribles bajos
y peligrosísimos escollos de la navegación
etérea: bajos y escollos donde no encallaría
el mótoplaneta, sino contra los cuales se
haría añicos, o por los que sería perforado
de tropezar con ellos. Lo uno significaba
para sus habitantes morir por aplastamien­
to; lo otro, perecer por asfixia.
¡Y en el océano inmenso del insondable
Cosmos vuelan constantemente con veloci­
dad aterradora millones y millones de esos
errantes escollos!
Cuando ya no se veían desde el novimundo sino alguno que otro de los faros
más potentes de la chilena costa del Pací­
fico, y las neblinas luminosas que sobre
Mendoza, Santiago y Valparaíso hacía flo­
tar el alumbrado público de dichas ciuda­
des, se ocultó la Luna detrás de un denso
nubarrón. Una noche, negra sobre todo en­
comio, envolvió al planetoide; las tinieblas
de ella, entretejidas con opacidades del me­
droso silencio reinante a cien kilómetros
de altura, se infiltraron en el novimundo,
y ojos y oídos de sus habitantes naufraga­

ron en callada negrura: más muda y negra
de cuanto humanos ojos y oídos pudieran
presentir: tan pavorosa y honda, que los
valientes corazones de los audaces, más to­
davía, temerarios exploradores, sintiéronse
sobrecogidos de instintivo terror.
De él los sacó la iluminación roja y ama­
rilla de la bandera española, encendida con
luces de litio y sodio para saludar a Amé­
rica, que una vez extinguidas fueron reem­
plazadas por la iluminación normal de la
central eléctrica, que, aun dejando en som­
bras la mayor parte del orbimotor, alumbra­
ba intensamente la recién nacida ciudad de
Noviópolis y las dependencias fabriles alo­
jadas en ella.
^
.
Adecuada ocasión sería esta, de no haber
cosa más urgente a que atender, para des­
cribir el interior del novimundo; pero ade­
más de estimar preferible mostrárselo al
lector a plena luz del día, bien alumbrado
por los rayos solares, es más interesante,,
de momento, decir cuál fué la causa de que,
suspendido en la atmósfera, privado de
gobierno, y convertido en boya aérea za­
randeada por los vientos, permaneciera du­
rante cinco días el motoestelar.
Un día entero pasado en pie, las encon­
tradas emociones hondísimas de las despe­
didas de los seres queridos, el interés por
llegar a los planetas, el de la ascensión y el
alejamiento de la Tierra, eran motivos más
que suficientes a justificar la tensión ner­
viosa de los viajeros, tras de la cual sobre­
vino relajamiento que los dejó quebranta­
dos, rendidos física y moralmente. De otra
parte, como la Luna seguía oculta, y era
grandísima la lejanía del suelo; como nada
se divisaba en aquellas tinieblas, ni en la
contemplación de la invisible Tierra ha­
llaban los expedicionarios estímulo ni inte­
rés capaces de sobreponerse a su cansancio,
inútil fué que algunos intentaran comentar
la partida y trabar conversaciones; porque
sus sentimientos, demasiado intensos y por
demás insólitos para expresados con pala­
bras, rehusaban mostrarse a los demás. Y
aun cuando cada uno se esforzaba en pare­
cer más fuerte y más tranquilo de lo que en
realidad estaba, todos apetecían substraerse
a miradas extrañas para disimular lo que
creían debilidad de espíritu: así que en bre­
ve, uno ahora, otro después, fueron todos
desfilando a sus alojamientos, alegando ne­
cesidad, no fingida por cierto, de descansar:
con tanto más motivo cuanto que al día
siguiente habrían de madrugar para ver la
Tierra iluminada con la luz del alba.
A las once, únicamente quedaban levan­
tados María Pepa, sus sabios y Valdivia,

PEL

OCEANO

A VENUS

13

en 10 alto del puente, y allá abajo, en la mí reprimidos, eran robados a mi Sara, a la
plaza, un hombre de aventajada talla que
compañera de mi vida, a la que desde niña
recostado en una columna del Casino Inter­ lo llena por completo. Con efusiva y cor­
nacional no apartaba los ojos de la gentil
dial frase se me brindaron agradecimiento
figura de María Pepa, esbeltamente erguida
y amistad, que en la mirada luminosa bri­
sobre el puente de mando.
llaban con resplandores de lealtad, con luz
— ¡Qué orgullosa estará!— pensaba— . Y
dulcificada por la nube de lágrimas que sin
con motivo, pues ella es la inventora de esta
llegar a caer empañaban aquellos incom­
maravillosa creación, y ella la ha construido
parables ojos.
libre de las cadenas de la gravedad terres­
¡Mísera vanidad, míseros celos científi­
tre que acaba de romper, y ella rige y go­ cos, tal vez femenina envidia en quien, por
bierna este autoplaneta, y ella lo llevará de su belleza y por su ciencia, no debiera tener
mundo en mundo: hazaña de la ciencia y
celos ni envidia de miujer alguna, bastaron
del valor humanos que, a no verla, reputa- para trocar en odio el agradecimiento y la
ríase imposible.
amistad!
¡Qué lástima que tan inteligente criatura
Mentira eran la amistad y el reconocimien­
sea falsa y cruel, que en su cuerpo hermo- to; mentira, la emoción; mentira, el vibrar
sísinto se albergue un monstruo de maldad
de la voz y el temblar la mano, y mentidas
e hipocresía! ¿Qué le habíamos hecho Sara también, miradas, lealtad y lágrimas. Todo,
y yo para que ni el recuerdo de que en todo mentido en ella, todo falso menos su
Maipo la salvé la detuviera al preparar
inteligencia y su belleza soberanas.
contra nosotros el atentado de Challao?...
¿Qué le había hecho Sara?... Nada...
Sí: Sara era la encargada de aplicar el in­
La odiaba, sí, la odiaba. Tenía derecho' a
vento de Haig; y tal aspiración a cooperar,
odiarla por su infame conducta con él y con
aun cuando en parte mínima, al triunfo de la inocente Sara. La odiaba y debía odiarla
esta empresa, parecía, sin duda, delito im­ con tanto m<ás motivo cuanto que, por su
perdonable al orgullo satánico de quien no culpa, ya tenía él un rincón en su pecho ce­
se resigna a que ni en lo grande ni en lo
rrado a las miradas de su esposa, y oculto
pequeño triunfe nadie sino ella. Es el mis­ en él el recuerdo de algo, que aun reprimido
mo frío orgullo de aquel Felipe II, sojuz­ antes de llegar a deseo, le dolía como culpa:
gador artero de mi patria, para quien era imprecisa, involuntaria, pero culpa al cabo
un crimen que pueblos u hombres levan­ contra su amante Sara. Y todo por aquella
taran en su presencia la cabeza. Es el orgu­ mujer dominante y soberbia que desde la
llo español que a la par que amo en Améri­ cumbre de su propia grandeza despreciaba
ca y en Argel, quiso ser déspota en Flandes,
la pequeñez de cuantos en su viaje la acom­
Alemania, Italia y Portugal. Es el espíritu
pañaban, como mjeros comparsas, destina­
del aborrecido tirano reencarnado en el dos, según frase de Sara, a realzar su triun­
cuerpo de una bellísima mujer, de aspecto
fo, sin que los nombres más ilustres del
franco, de ojos leales y dulcísima sonrisa,
mundo científico, ni las glorias más legíti­
que hacen más tremendo el contraste. La
mas de la ciencia humana alcanzaran sino
misma fría voluntad de aquel desnaturali­ el triste papel de humildes satélites de la
zado padre...
orgullosa Capitana.
Como se ve, había estudiado Alvaro la"
En esta depresiva condición estaban ellos,
Historia en los textos escritos en naciones
Sara y Alvaro, que a disponer de pocos me­
que no omitieron medio ni repararon en ca­ ses más de estudio seguramente habrían
lumnia para arruinar a España, y denigrar­ triunfado como triunfaba la española, re­
la luego, o en los libros de algunos miopes solviendo el problema de la navegación
historiadores españoles, que no buscaron
etérea; pues a despecho de la reserva y de
para sus historias sino esas mismas adulte­ las precauciones adoptadas para guardar
radas fuentes de información: adulteradas
el secreto del orbimotor, y a fuerza de estu­
por sus enemigos.
dio y deducción, había sabido descubrir su
¿Quién que en Maipo la viera, conmo­ Sara, si no todo, lo más interesante del in­
vida y sonriente, darme gracias por la vida
vento: cosa que, según ella, casi era tanto
que me debe podría creer en tal falsía ni como realizarlo.
en semejante pago? Me ofreció amistad y
Por eso centelleaba el odio en las miradas
agradecimiento con acariciadora voz, vi­ de Alvaro a María Pepa, o 'más bien, en la
brante de emoción; con temblor de su mano mirada: una sola, pero larga, larguísima;
en la mía, que hizo temblar también mi pues los ojos del portugués, sumido en la
propio corazón con latidos, que, aun ñor sombra de la columnata del Casino, no se

14

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

apartaron ni un instante, durante más de
una hora, de la airosa silueta alumbrada por
los focos del puente. Pero en aquella mirada
inacabable había tanta admiración, cuando
míenos, como aborrecimiento; porque era su
enemiga, sí; pero enemiga que, por él con­
templada en aquellos momentos en que re­
gía la marcha de su novimundo, llevándo­
lo a los cielos, en lucha contra leyes y fuer­
zas hasta entonces creídas invencibles de la
Naturaleza, le abrumaba con dominadora ma­
jestad soberana, a la cual se rendía el por­
tugués.

En pos de la instintiva admiración del
pensamiento de aquel hombre, surgió en su
corazón irreflexiva, mas potente protesta,
calificando de irracional y monstruoso im ­
posible que maldad y falsía pudieran alber­
garse en la sublimidad de tal grandeza. Pero
el juicio y los hechos acusaban a María
Pepa con pruebas como la de Challao, ante
las cuales enmudecía el corazón de Alvaro,
reconociendo que de absurdos monstruosos
están llenos el mundo y la humanidad.
Tres o cuatro veces intentó Fairelo arran­
carse a su contemplación y a sus medita­
ciones para irse al pabellón de la calle A,
número 15, donde Sara continuaba indis­
puesta, y otras tantas volvió a una y otras,
hasta que, rayana ya la media noche, apro­
vechó para alejarse un momento en que
la Capitana entró precipitadamente en la
cabina comandante, desapareciendo de su
vista.
Fuese de pr> m, muy de p rra , casi como
escapado, llevando a intento baja la cabeza
para no volver a mirar hacia allá arriba,
y repitiendo con insistencia que quería gra­
bar tales palabras en su mente:
— Es mala, mala; falsa, ingrata, hipócri­
ta y soberbia; un verdadero monstruo de
fealdad moral...
¿Y qué me importa a mí? ¿Por qué me
preocupa sea buena o mala, agradecida o
ingrata?... Sí, eso es: por el contraste de su
inteligencia y de su forma externa con sus
lacras morales; por lo extraño y absurdo del
fenómeno biológico que esa mujer encierra.
Sí, lo extraño, lo inusitado, lo absurdo,
atraen lógicamente la atención de quien lo
encuentra en su camino: los fenómenos anó­
malos despiertan siempre la curiosidad.
¿Quedó Alvaro completamente satisfecho
con esta explicación de sus cavilaciones?...
No es posible saberlo, cuando ni él mismo lo
sabía, siendo las únicas consecuencias po­
sitivas de su soliloquio formación de pro­
pósito de procurar ver cuanto menos pudie­

ra a aquella odiosa criatura, cuya presencia
se le hacía intolerable; y resolución de no
mirarla cuando se la encontrara. A
Por dicha, habitualmente andarían, ella
muy atareada con múltiples obligaciones;
él ocupado en sus estudios y experiencias,
y, por tanto, fácil y naturalmente lograríase
ventajoso alejamiento que atenuara los in ­
convenientes de tener por compañera de
viaje a persona tan antipática y aborrecible.
En un trasatlántico, estrecho, raquítico, con
los obligados paseos y tertulias en la in­
evitable toldilla, con las comidas en común
realizadas, habrían sido frecuentes los en­
cuentros e insoportable tal compañía; pero
en el transetéreo, que tenía cabida superior
a la de trescientos trasatlánticos, fácil sería
eludir encuentros desagradables.
s*e

$

A l volver Alvaro la esquina de la calle
radial que de la plaza conducía al bulevar A,
donde se hallaban los hotelitos de las co­
misiones internacionales, y el suyo entre
ellos, sintió de pronto que el piso de la calle
huía bajo sus pies, experimentando sensa­
ción en todo igual a la percibida en un as­
censor cuando éste inicia la bajada.
— ¿Qué es esto?... ¿Descendemos?... ¿Cae­
mos?...
Sí... ¡A h !... Ahora cesa la bajada...
Ahora volvemos a subir... Sin duda han
querido probar en qué medida, a la altura
en que estamos, ha disminuido la atracción
de la Tierra sobre el novimundo. Y, sin em­
bargo, no pueden ignorar que tal disminu­
ción ha de ser imperceptible todavía.
Fundábanse estos lógicos razonamientos
en que, de haberse hallado el Autoplanetoide a distancia de la Tierra a la cual fuera
ya inapreciable la atracción de ésta, ni la
subida ni la bajada habrían sido sentidas
por Fairelo, pues no teniendo ya su cuerpo,
supuesto en .tales condiciones, peso terres­
tre (que se recordará no es sino resultado
de la atracción de la T ierra ), y no siendo
atraído sino por el novimundo hacia su
centro de gravedad, cualquier movimiento
de dicho novimundo en los espacios habría
de pasar tan inadvertido a los novimundianos como ignorados resultan para los ha­
bitantes de la Tierra los de ésta en los es­
pacios. Es más, si... Pero no ahondemos
más, porque, a dejarnos ir por tal camino,
va a complicarse esto demasiado.
Quede ello aquí y Alvaro en su casa, don­
de Sara lo aguardaba presa del ataque de
bilis que la asaltó al ver triunfar a María
Pepa, y vámonos al puente, en donde ocu­
rren interesantes novedades.

DEL

OCEANO

A VENUS

15-

III
¿ACCIDENTE?...

¿CRIMEN?...

Apoyada en la barandilla del puente, con­
versaba María Pepa con sus tres abuelos y
con Arístides, cuando de improviso se acor­
dó de la visita que tenía prom/etida a los
bonaerenses para despedirse, desde las nu­
bes, de ellos al emprender el viaje planeta­
rio. A tal recuerdo obedeció su entrada en
la cabina comandante, con objeto de con­
sultar el aparato que muy en breve se des­
cribirá. Examinado éste, comunicó por telé­
fono a Valdivia, que se hallaba de cuarto en
la cabina de derrota, la siguiente orden:
“Excitación lentamente progresiva de las
cargas 0, y de las 1, 2 y 3 australes de los
meridianos V II, V III y IX . Retírese a la par
paulatinamente, excitación carga polo sur y
de las del paralelo 9 austral, inmediatas a
ésta” (1).
Si no se ha olvidado lo dicho en la prime­
ra parte, al dar noticia de la memoria y teo­
rías mecánicas de María Pepa, se recordará
que, empleando una sola carga, imprimía
ésta al orbimotor dirección de marcha en
el sentido de la antípoda: y quien se fije
en esto verá patente la utilidad del sencillo
método de clasificación de cargas adopta­
do por la Capitana, base a su vez de senci­
llez de mando: pues observando a través

de las transparentes paredes del novimundo
(o en el mapa celeste) el astro al cual qui­
siera dirigirse la marcha, y mirando qué'
carga era la situada en la dirección de él, no
había sino ordenar la excitación de la opues­
ta para que el mot'oestelar fuera impulsado
en el rumbo elegido.
Esto en el caso más sencillo de impelerlo,,
con una sola carga, a partir del estado de
quietud, puramente hipotético, pues cuan­
do, en el caso real de hallarse en marcha,
con dirección y velocidad previamente ad­
quiridas, se deseara variar de rumbo, o cuan­
do se empleara no una, sino varias cargas,
los problemas a resolver eran más comple­
jos; y aquí de la pericia de la Capitana y
de sus oficiales de'derrota en la aplicación
de cálculos y gráficos de composición de
fuerzas y velocidades, empleando procedi­
mientos que a los técnicos se les alcanzan
fácilmente, y que a quien no lo sea le pre­
ocuparán muy poco.
Por tener que marchar lateralmente en
la dirección del meridiano X V III, en la cual
quedaba Buenos Aires, ordenó María Pepa
poner en actividad las cargas del V III, di­
rectamente opuestas a aquél, las cuales em ­
pujaban el motoplaneta hacia la capital pla-

(1) Para que el lector se dé cuenta de la ma­
niobra ordenada, conviénele saber que se llamaban
meridianos a las veinte filas de cargas equidistantemente espaciadas entre polo y polo, en cada una
de las filas de ellas que dividían en otros veinte
segmentos iguales la superficie esférica del Autoplanetoide. Así, suponiendo trazados en dicha su­
perficie un ecuador y diez y ocho paralelos equi­
distantes, anfilogos a los imaginarios que en la
Tierra se han ideado y se usan para contar las
latitudes, resultaba que en el ecuador y en cada
paralelo quedaban veinte cargas regularmente re­
partidas y numeradas, llamándose cargas cero a las
veinte del ecuador, y cargas 1, 2, 3., 9, respecti­
vamente, a las veinte de cada uno de los paralelos
primero, segundo..., noveno, a partir de dicho ecua­
dor, agregando a estos números los apelativos aus­
tral o boreal, según se tratara de paralelos co­
rrespondientes al hemisferio donde se hallaban el
lastre de taliuro y la gran poterna principal de
salida— al cual se había convenido en llamar aus­
tral-—o pertenecientes al opuesto, donde se alza­
ba el puente de maniobra y la poternilla opuesta
a aquella, considerado como boreal. La ciudad te­
nía su piso en el plano del ecuador. Las filas me­
ridianas, cada una de 18 cargas (sin contar las
polares), se designaban por números romanos, I,
II, III, IV..., IX, X ..., XI X, XX.
Así las cargas del ecuador se llamaban O-I, O-II,

O-III... O-XIX y O-XX, según el meridiano a quecorrespondían ; las de los paralelos uno, dos, tres,
nueve 1-1, l-II... 1-X IX ; 1 -X X ; 2-1, 2-II, 2 III. .
2- X X ..., 5-1, 5-II... 5-XX y 9-1, 9 II... 9-XX,
respectivamente, con la designación de boreal oaustral según el hemisferio donde se hallaran : In­
dicando el número, arábigo correspondiente a cada
carga el grado de alejamiento de ella del ecua­
d or y el romano, el meridiano a que pertenecía.
Consecuencia de este sencillo método era que auto­
máticamente se sabía cuál era la carga directa­
mente opuesta a otra cualquiera, o dicho en otrostérminos, la antípoda de ella. Así, en las ecuato­
riales quedaba la 0-1 enfrente de la O-XI, la O-II
frente a la 0-XII, la 0-VII y la 0-IX fronteras a
las O-XVII y O-XIX, es decir, que dada una, nohabía sino auínentar o disminuir diez unidades al
número romano de ella para saber cuál era la
opuesta.
Análogamente, para saber cuál era la antípoda
de otra cualquiera no ecuatoria’ bastaba tomar la
designada por igual número arábigo indicador del
paralelo, aumentar o disminuir en diez el romanocorrespondiente al meridiano> y cambiar la deno­
minación austral por la boreal o viceversa; así, la.
carga opuesta a la 7-VI boreal era la 7-XVI aus­
tral ; la antípoda de la 3-XVIII austral, era 1&
3- VIII boreal.

16

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

teña; por haber de vencer la resistencia
del aire empleó cuatro cargas de dicho me­
ridiano, y otras tantas de los dos inmedia­
tos, en vez de una sola, que en el vacío,
donde no hay resistencias, habría bastado.
P or tener que luchar contra la gravedad no
¡utilizó sino-cargas australes situadas en el
hemisferio más cercano a la Tierra; y su
propósito de mostrarse sobre Buenos Aires,
al amanecer de aquella noche, tan sólo a 25
kilómetros de altura, obligábala a descen­
der paulatinamente, en la travesía, 75 de
los 100 a que entonces estaba remontada,
para lograr lo cual ordenó retirar la exci­
tación de veitiún cargas inferiores, las más
activas en la lucha contra la gravedad de
las 121 hasta entonces opuestas a tal fuerza
para elevar contra ella el novimundo.
Las diversas intensidades de excitación,
según necesidades de la maniobra, se desig­
naban en las órdenes de mando con las vo­
ces inicial, leve, normal, fuerte, forzada y
■máxima, correspondientes a impulsos capa­
ces de imprimir en cada instante al autoestelar, en el vacío, aceleraciones de marcha
de veinte, cien metros, uno, dos, cuatro y
cinco kilómetros al segundo; con lo cual en
pocos alcanzábanse velocidades que, tenien­
do en cuenta la acumulación de aceleracio­
nes, resultaban muy superiores a las de los
más rápidos planetas. En el aire, y luchan­
do con la gravedad, eran muchísimo más
reducidas, y variables con la altura y con
el estado de la atmósfera. Pero no ha de ol­
vidarse que las navegaciones atmosféricas
serían lo excepcional para el motomundo,
constituyendo breves etapas de sus trave­
sías, semejantes a las de entrada y salida
en puerto de los trasatlánticos, donde para
él estaban los mayores peligros; mas con
la diferencia de que ni María Pepa podía
pedir práctico, ni habrían de dárselo aun
■cuando lo pidiera, para las maniobras en
las atmósferas planetarias, en las cuales te­
nía que contrastar el reflujo poderoso de
las atracciones de las gravedades propias de
cada mundo visitado.
Inmediatamente que fué comunicada a
Valdivia la orden anterior, comenzaron, la
Capitana y sus acompañantes, a observar
atentamente una esfera de 80 centímetros
de diámetro, reproducción en miniatura del
exterior del Autoplanetoide, sobre la super­
ficie de la cual estaban encastradas, y nu­
meradas del mismo modo que las cargas
propulsoras de aquél, 382 cristalinas este­
rillas, de dos centímetros de diámetro, y
llenas de vapor o más bien emanacione.» de

amalgama de mercurio y estaño (1) extre­
madamente enrarecidas. Estas esterillas se
hallaban en comunicación radioeléctrica con
los tubos excitadores de las cápsulas de cinetorio de aquellas cargas propulsoras, rea­
lizándose la comunicación de modo tal que
mientras una carga no sufría excitación, ni
comenzaban, por tantS, sus disparos, incolo­
ra permanecía la correspondiente esferita
del aparato a que nos referimos; pero en
cuanto aquélla era excitada, iluminábase el
interior de ésta con las vistosas luces de los
tubos de Geisler; y al aumentar la excita­
ción, tomaba los colores y estratificaciones
luminosas do los rayos catódicos de las am­
pollas de Crookes (2 ); llegando, con el má­
ximo de la vibración excitadora, a emitir
rayos análogos a los X, que hacían fosfore­
cer unas pantallitas de sulfuro de cinc in­
mediatas a cada esterilla.
Por último, en cuanto se iniciaban los
disparos de las cápsulas de cinetorio, las
esterillas se encendían y extinguían alter­
nativamente con velocidades medidas por
cinefotómetros de selenio (3). Estas velo(1) La adición de estaño al mercurio da a éste
propiedades análogas, aunque menos intensas> a
las del radio. (Experiencia de Le Bon.)
(2) Autor de los tubos de su nombre, en los
que enrareciendo el aire mucho más que en las
antiguas y conocidísimas ampollas luminosas de
Geisler, cuya única utilidad era producir vistosos
efectos, se observaron luminiscencias de un carác­
ter nuevo, que condujeron a la producción de ra­
yos catódicos, de electrones, anódicos de iones po­
sitivos y al descubrimiento de los rayos Roent­
gen o X.
(3)
El silencio, cuerpo simple, descubierto en
1817 por el eminente químico sueco Berzelius, es
un metal cuya propiedad más curiosa, que comen­
zó a explotarse a finales del siglo xix y principios
del xx, es la inconstancia de su conductibilidad
eléctrica, según esté el selenio más o menos alum­
brado o a obscuras.
De ello resulta que cortando el flexible de una
Instalación de luz eléctrica— o de fuerza, o elec­
trolítica— y empalmando los dos cabos de aquél a
los extremos de pedazo de selenio lucen mucho las
lámparas cuando el so^ por ejemplo, ilumina di­
rectamente el trozo— o cápsula— del extraño me­
tal ; menos si éste recibe luz difusa o artificial, y
nada si se lo mantiene en la obscuridad.
¿E s decir, que la instalación luce cuando, por
haber luz, no es necesaria, y se apaga en la obscu­
ridad, que es cuando hace más fa lta ? ... ¡Pues vaya
una utilidad la del selenio !
Y, sin embargo, como los señores electricistas
son un poco brujos, han sabido arreglárselas de
modo que en lugar de transmitirse directamente al
alumbrado las veleidades eléctricas del selenio, sea
la corriente auxiliar de una pila o un acumulador
la que las experimente. Así, cuando el selenio ilu­
minado la permite circular levanta esta corriente
secundaria un interruptor o llave de la instalación
de alumbrado, cortando la corriente de éste, es de­
cir, ap agan do las lám paras; y cuando el selenio
obscuro interrumpe la corriente secundaria, la llave
de dichas lámparas que ya no es retenida por ella,

DEL

OCEANO

cidades de oscilación lumínica de las boli­
tas de cristal, lentas o rápidas en corres­
pondencia con la intensidad y frecuencia de
las descargas, medían, pues, los diversos
grados de actividad de las cápsulas propul­
soras, y, en consecuencia, las velocidades
impresas al Autoplanetoide.
Como, de otra parte, la dirección y senti­
do de la marcha estaban determinados en
«1 universo por la situación de las cargas
excitadas, el ingenioso aparatito daba cuan­
tos datos era preciso conocer para el man­
do y gobierno del noviplaneta, respondiendo
perfectamente' al expresivo nombre de Es­
pejo de maniobra que le había puesto la
Capitana.
La idea madre de él era de María Pepa;
pero planos, cálculos y vencimiento de las
dificultades de ejecución habían sido obra
del concienzudo Haupft.
El novimamdo llevaba seis espejos de ma­
niobra: cuatro instalados, respectivamente,
■establece la corriente principal y se encienden las
bombillas. Con lo cual, el resultado, inverso del que
primero se ha explicado, es que cuando el selenio
recibe luz no luce el alumbrado, que se enciende
< n cuanto aquél se queda a obscuras.
A fines del siglo xx apenas había una ciudad en
P s países civilizados cuyo ayuntamiento no hubie­
ra suprimido los faroleros del alumbrado ptiblico,
i>a cuyos circuitos estaban instaladas cápsulas de
helenio, que mientras duraba el día mantenían ce­
rradas los llaves de los focos eléctricos, y al ano­
checer las abrían haciendo lucir éstos, cerrándolas
<’ e nuevo, para apagarlos, a los albores del ama­
necer. Y sin cobrar jornales, entre el sol y el se­
lenio, hacían todo el servicio de los faroleros.
Mucho antes de esta mejora municipal, allá por
el año 1910 , ya se empleaba también el mismo me■tal en las boyas luminosas situadas lejos de los
puertos, para encenderlas de noche y apagarlas de
tlía ; y se ensayaba igual procedimiento para abrir
y cerrar las ventanas de las casas a la mañana y
■a la tarde: y se aplicaba en los ferrocarriles para
evitar accidentes nocturnos, avisando a los maqui­
nistas de cercanos riesgos : y se iniciaban otra por­
ción de aplicaciones curiosas, útiles y cómodas.
El único defecto del selenio en ios primeros
tiempos de sus aplicaciones fotoeléctricas era ser
•demasiado calmoso y exigir tiempo relativamente
largo para pasar del estado de actividad al de iner­
cia eléctrica. I’ero en el ano 2186 había sido com­
pletamente corregido tal defecto; y los cinefotómetros del esférico espejo de maniobras funciona­
ban de modo que el selenio establecía y cortaba
instantáneamente las corrientes eléctricas en las
•cuales estaban intercalados, produciendo mayor o
menor número de chispas por segundo, y siendo
•este número el que medía el grado de excitación
•de las cargas.
Fotografiadas estas chispas en una película arro­
llada a un cilindro velozmente giratorio dentro de
-nna máquina fotográfica, loda chispa marcaba una
manchita en la película^ quedando un espacio ne­
gro entre cada dos manchas contiguas. Y como
la película, movida por un aparato cronométrico,
•corría con velocidad conocida, la distancia en ella
•existente entre las manchas daba la frecuencia por
•.segundo de la excitación.

A

VENUS

17

en la cabina Capitana, en la del oficial de
derrota, en el despacho que en la Coman,
dancia General tenía María Pepa y en la
misma alcoba donde ésta dormía. Los dos
restantes quedaban de reserva en almace­
nes, para echar mano de ellos en caso de
avería de los instalados.
Por último, en cuanto se iniciaba la ex­
citación de una carga anteriormente inerte,
saltaba entre las dos brillantes bolas pola­
res de un detonador Hertz (1) un chispo­
rroteo característico y ruidoso, cesando sus
crepitaciones a los veinte segundos. A la in­
versa, si era interrumpida la excitación de
cualquier carga en actividad, la cesación de
ésta se delataba por el chasquido estridente
que un resorte metálico producía al des­
prenderse de improviso de un imán cuya
atracción lo mantenía encorvado.
El objeto de este mecanismo era avisar
a María Pepa, aun estando dormida, de
cualquier variación de fuerza o rumbo, oca­
sionada por inadvertencia del oficial de
cuarto, o por accidente.
A poco de transmitida a Valdivia la or­
den anteriormente transcrita, la Capitana
y sus acompañantes oyeron el chisporroteo,
y vieren encenderse las esferillas de las cáp­
sulas que habían de entrar en actividad
para que el novimundo comenzara a mo­
verse lateralmente, en la atmósfera, en di­
rección a Buenos Aires. Al mismo tiempo se
apagaban las pantallas fosforescentes de las
cargas inferiores cuya excitación se había
mandado retirar paulatinamente; y a me­
dida que la iluminación de las esferillas
tropicales (llámaselas así para abreviar pa­
labras) se hacía cada vez más intensa, pali­
decían las australes hasta apagarse. Llegado
tal instante crepitaron los chasquidos de
extinción; y a quienes en el puente admi­
raban el espejo de maniobra les pareció que
aquél se hundía bajo sus pies, experimen­
tando la misma sensación de caída que en
el propio momento alarmaba a Fairelo.
—¿Qué es esto?—gritó la Capitana—. No
debíamos caer vertí cálmente, sino descen­
der con insensible lentitud en la inclinada
dirección de la marcha... Y, sin embargo,
caemos.
E instantáneamente, con la presencia de
ánimo de quien en trances graves sólo se
preocupa con lo más apremiante, dejando
para luego averiguar las causas de lo que
( 1) Aparato productor de chispas engendradoras de las etéreas vibraciones conocidas con el
nombre de ondas hertzianas, cuyo descubrimiento
por el eminente electricista alemán fué inicial
paso para el descubrimiento de la telegrafía y la
telefonía sin hilos.

18

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

rio, aun cuando siempre raro, pues todas
admite espera; con la tranquilidad del que
fueron probadas cuidadosamente antes de
conoce bien lo que entre manos trae, cogió
montarlas en el Autoplanetoide...
el teléfono, y con serena y reposada voz
— De eso respondo.
mandó:
— Una por una, y prolijamente— dijeron,
__Valdivia, reponga, sin pérdida de tiem ­
a la par, Haupft y Fognino, que eran quie­
po, la excitación recién suprimida en las
nes habían realizado tales pruebas.
cápsulas sur y en las veinte australes nú­
— Pero lo inconcebible— continuó María
mero 9. Ya he visto lo que quería ver— Te­
Pepa— es que de doce cápsulas inmediatas,
miendo que no todos jtuvieran nervios tan
y situadas en la misma región, no funcione'
fuertes cual los suyos, no consideraba opor­
ninguna. No es que sea grave, ni deba alar­
tuno María Pepa enterar a Valdivia de la
marle, amigo Leblonde...
anormalidad por ella observada, mientras
— No, no, yo no me alarmo; cuando entré
no fueran conocidas sus causas y remedia­
aquí vine resuelto a todo... Además, tengo
dos, si posible fuera, los efectos de ellas .
en usted plena confianza.
Y mantenga las excitaciones ecuatoriales
— No es que sea grave, digo, mas sí des­
que acabo de ordenar.
agradable; y, sobre todo, inconcebiblemente
Cumplida la orden ascendió de huevo fel
extraño.
orbimotor; y en cuanto la Capitana estuvo
- - L o más preciso ahora es probar inme­
segura de haber cesado el peligro de caída,
diatamente todas las cápsulas todavía no
se acercó a la parte del esférico espejo de
usadas— insinuó Haupft, leyendo claro en el
maniobra donde brillaban doce ampollitas
en su región central y dijo a sus acompa­ pensamiento de María Pepa.
Y ésta, ya con la mano en la bocina tele­
ñantes:
fónica, repuso:
— Vamos a ver qué pasa aquí; pues aquí
— Esa es la orden que ya iba a dar... “ Val­
debe estar la explicación de lo ocurrido.
divia: excitación de todas las cargas del
— Ya está visto, Pepeta: estas cargas no
ecuador y de los paralelos 1, 2 y 3 inmedia­
funsionan; nos falta su fuersa lateral, que
to » a él por encima y por debajo. Fíjese en
en parte se opondría a la caída; y en cuanto
que, siendo los impulsos de esas 140 cargas
disminuiste las australes que nos empujan
concurrentes hacia el interior del Autopla­
hasia arriba, comensamos a caer.
netoide, éste soportará la fuerza de todas
— Es verdad; eso es— dijo Fognino.
las descargas; y que, por tanto, no dene
Aunque María Pepa y Hauft habían ya
usted pasar, no obstante la solidez de nues­
visto lo mismo que Ripoll y Fognino, nada
tro mundo, de la excitación inicial, ni en
decían, pues más que con las deficiencias de
ésta del primer grado.”
funcionamiento estaban preocupados con el
A los pocos segundos toda la zona central
por qué de ellas. El entrecejo de la Capitana
de la esfera de maniobra apareció rodeada
comenzaba a fruncirse.
per siete cinturones de luces, cada uno com­
Aristides, que no entendía jota de aque­
puesto por la luminosa irradiación de los ra ­
llas cosas, dijo:
yos Geisler de sus veinte esferillas, siendo
— ¿Será que, por algún defecto de aisla­
esto prueba de que la corriente eléctrica lle­
miento de los conductores, no llegue la co­
gaba a todos los excitadores y de que éste»
rriente a las cargas?
funcionaban. Aun cuando no lo hubiera re­
— No, no es eso; la corriente llega, y los
velado el aparato consultado, habríalo dicho
exsitadores funsionan, puesto que están enel tenue pero visible resplandor verdoso, que
sendidas las esferitas; pero las cargas no se
quien mirara a las transparentes paredes
exsitan, ni disparan.
del Autoplanetoide podía ver, envolviéndolo.
— ¿Y en qué conoce usted todo eso?
Todos aguardaban ansiosos el momento— Pero, ¡hombre de Dios! ¿No eslá usted
en que las esferitas cesaran de brillar con
viendo claro que las australes, las de abajo,
luz constante para cambiarla en intermi­
se ensienden y se apagan, rápida e insesantente centelleo, que debía revelar el momen­
temente, a cada disparo, mientras estas otras
to en que la excitación eléctrica se trans­
lusen sin interrupsión?
mitiera a las cápsulas y que se disparaban
— Sí, es verdad; pero...
éstas. Pero pasaban los segundos, largos, lar­
— Pues en eso lo conosco. L a cosa es bien
guísimos: diez, once... veinte... medio mi­
sensilla.
nuto que pareció media hora, y nada: los
— Bien. ¿Y eso es grave?
siete cinturones lucían serenos, sin el más
María Pepa, cuyo ceño se ensombrecía
leve parpadeo en ninguna de sus ciento cua­
más y más, contestó entonces:
renta luces.
— Que por un accidente imprevisto no
— Es inútil aguardar más— dijo sombría
funcionara una carga no sería extraordina­

DEL

OCEANO

y hosca M aría Pepa—. Interrum pa .la exci­
tación recién ordenada, manteniendo la aus­
tra l—ordenó por teléfono; y volviéndose ha­
cia sus amigos, prosiguió:—Ya está ahora
claro que esto no es un accidente, sino un
crim en que m alograría nuestro viaje en sus
comienzos, si quien lo ha preparado no tu ­
viera que habérselas con M aría Pepa Bureba.
—¿Pero quién, quién?
—Eso es lo que hay que averiguar sin
perder momento.
—Se averiguará, o poco he de poder, pero
m ás adelante; pues lo aprem iante ahora es
acudir sin perder tiempo a rem ediar el daño.
—¿Pero tiene usted medios de reparar la'n
grave acidente?
—Si, amigo A ristides. Lo tengo: gracias,
en no pequeña parte, aJ previsor afecto de
ustedes cuatro que me aconsejaron aum en­
ta r las reservas de los repuestos de propul­
sión.
— ¡Ah! Sí. Cuando nos llegaron esos sim ­
páticos compañeros de viaje con que nos ha
obsequiado la ciencia yanqui. Apostaría a
que algo tienen ellos que ver.
—Tiene razón Leblonde—dijo Fognino.
-—Veo muy difícil que ellos hayan teni­
do posibilidad de estropear ciento cuarenta
cápsulas, no estando en Param illo cuando
se fabricaron, ni al montarlas...
Además, es imposible... Sería infame y ab­
surdo que el mismo que me salvó la vida...
No, no...
Pero ya he dicho que de eso tratarem os
cuando no haya cosa más im portante a qué
atender. Vamos, vamos abajo; es preciso
celebrar consejo en sitio donde estemos se­
guros de que nadie ha de oírnos. Vengan a
mi despacho de la Comandancia. Venga tam ­
bién, Leblonde, pues, aun no entendiendo

A VENUS

î9

de ciencia, nos ha probado usted que entien­
de de otras cosas, y para usted no tenemos
secretos.
¡Ah!, abuelito, y tú, Fognino, id lo primero
a buscar las notas de las cápsulas de re­
puesto, que cargadas y listas para inm e­
diato uso tengamos en almacén, así como
do las descargadas y de las existencias de
cinetorio. M ientras tanto, papá Ripoll, vas
a hacer unas cuantas observaciones sobre
Mendoza, Valparaíso y los faros del Pací­
fico, para saber exactamente dónde estamos;
pues si sopla viento es probable que con él
hayamos derivado, y necesito conocer nues­
tr a exacta situación.
Cada uno se fué a cum plir su cometido,
acompañando A ristides a Ripoll en el suyo,
pues al francés se le iban desarrollando
aficiones astronóm icas, y porque hacían los
dos m uy buenas migas, por aquello de que,
según frase del sabio barcelonés, de provenzal a catalán apenas si va nada.
E n cuanto a M aría Pepa, antes de bajar
a la Com andancia entró en la cabina de
derrota, para dar a Valdivia las buenas no­
ches antes de acostarse, encargándole que
a! llegar la hora del relevo diera orden al
piloto entrante de m antener en igual grado
la excitación de las mismas cargas, sin va­
riación ninguna, hasta que ella subiera de
m añana.
—A sus órdenes, mi Capitana. Y mil en­
horabuenas por el hermoso triunfo de hoy.
—Muchas gracias, Valdivia. E n ese triu n ­
fo tienen no pequeña parte, y en mi agra­
decimiento otra muy grande, cuantos me
han ayudado ustedes a alcanzarlo.
—M il gracias.
-—Buenas noches.

IV
UN

CONSEJO SENSACIONAL

Un cuarto de hora después los tres sabids
y el provenzal llegaban al despacho donde,
hojeando planos y cálculos, los aguardaba
M aría Pepa.
Además de los datos por ella pedidos, ha­
bíase empeñado Fognino en que H aupft
llevara los partes de trabajo del taller de
carga y prueba de cápsulas, y la relación del
•personal obrero que las había m ontado; pues
consultando dichas notas podía saberse, cáp­
sula por cápsula, quiénes habían sido los

operarios por cuyas manos habían pasado,
y quiénes los montadores que las instalaron
en la superficie del orbimotor
Obedecía el empeño de Fognino a la idea
de que habiendo embarcado en el motoestelar tres de los doce obreros del taller de
m anipulaciones radioactivas y m ontaje de
cápsulas, tal vez estuviera entre ei.os algu­
no de los que en el novimundo colocaron las
cargas averiadas o defectuosamente insta­
ladas, y en tal caso por él podrían obtener-

20

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

se indicios útilísimos sobre el primero y
más interesante de los problemas que ur­
gía resolver: el porqué las radiaciones de
los excitadores no producían descargas en
las cápsulas.
Este fué el primer punto puesto a discu­
sión en el Consejo.
En avería fortuita no pensó nadie desde
el momento en que no se trataba de una ni
de pocas, sino de grandísimo número de
cargas. Además, patente estaba que la in­
utilización de éstas había sido realizada
con arreglo a plan sistemático e inteligente,
más todavía, metódicamente científico, para
idear el cual no bastaban la habilidad ni
los conocimientos de un simple obrero, aun
suponiéndole aventajadísimo. No: para pla­
near aquella inutilización, que perseguía re­
sultados por su autor bien previstos, hacía
falta más: era precisa ciencia, y hasta cono­
cimiento de cómo y porqué se movía el Autoplanetoide, cosa que al no haber sido reve­
lada a nadie, exigía en quien la hubiera de­
ducido de lo poco visto desde fuera amplias
y hondas competencias en Física, Mecánica
y Radiactividad; hábitos de estudio y de
cálculos en tales disciplinas, e inteligencia
no común. En suma, que aquello era forzosomente obra de un sabio.
Porque el autor de la hazaña sabía bien
lo que había hecho al preparar una averia
que, no pudiendo ser advertida antes de
zarpar de Paramillo, donde fácilmente ha­
bría sido reparada, privara al Autoplane­
toide, después de remontado, de posibili­
dad de tomar rumbos en direcciones late­
rales, a no ser combinando gran número de
cargas muy alejadas del ecuador, con pér­
didas de fuerza, y consumos de cinetorio
muchísimo mayores de los requeridos en
normales circunstancias, y haciendo sopor­
tar al novimundo encontradas presiones
excesivas que fatigarían su armazón, con
riesgo de quebrantarla al cabo en peligro­
sos términos (1).
El resultado, en suma, de la inactividad
de las cargas substraídas o inutilizadas era
que el orbimotor podía subir y bajar, pero
nc moverse a los lados, ni dirigirse a parte
alguna, ni resistir el viento; y en tal situa­
ción (bien prevista por el hábil autor del
(1)
Tales presiones serían las procedentes de
las fuerzas concurrentes no dirigidas en el rumbo
definitivo.
Cierto que esto mismo ocurría en el actual mo­
mento, en que para sobrepujar la acción de la gra­
vedad se empleaban, no una, sino muchas cargas ;
pero esto, admisible, por inevitable, y de un modo
rápidamente transitorio, al entrar y salir en los
mundos, no podía constituir régimen normal de
maniobra en los espacios siderales para toda la
duración del viaje.

atentado), la alternativa en que verosímil­
mente se propuso poner a la Capitana era
clara y lógica: o descender en seguida a la
Tierra, o mantenerse en la atmósfera du­
rante la reparación de una avería que por
quien ignorara—y lo ignoraba todo el mun­
do menos María Pepa y sus abuelos— el si­
giloso embarque de grandes reservas de ci­
netorio, debía reputarse irreparable. >
Lo primero era fracasar ruidosamente,
pues unos darían crédito a la realidad de
lo ocurrido y otros atribuirían el descenso
a deficiencias en la construcción o en el go­
bierno del Autoplanetoide, con desprestigio
inevitable de su inventora y piloto, y tal vez
resistencia del pasaje a volver a embarcar­
se después de descender, o a mantenerse en
la atmósfera durante la reparación. Ade­
más este último partido parecía punto me­
nos que inadmisible, por obligar a prolon­
gar días y días la lucha contra la gravedad;
con derroche tremendo de cinetorio, que
acaso no bastaran a afrontar las reservas,
y con probable riesgo de que el fin de la
aventura fuera una horrible caída del no­
vimundo que contra el suelo del mundo vie­
jo lo estrellara.
Efectivamente, cuatro o seis horas de as­
censión, a velocidades comprendidas entre j
diez y veinte kilómetros por segundo, le
habrían bastado a María Pepa para llegar
a punto donde pudiera el novimundo des­
preciar la gravedad. Más aún: en esas pocas
horas las fuerzas en el ascenso consumidas
irían siendo, por momentos, menores, pues
conforme ganara el Autoplanetoide altura
menos pesaría, menos tiraría de él la Tie- j
rra; y, a la inversa, con mayor energía se- I
ría, de segundo en segundo, atraído, en di­
rección opuesta a la gravedad terrestre, por I
las acciones gravitatorias del Sol y de la
Luna, hacia uno de los cuales, o hacia am- I
bos, se iría acercando en la subida: hallan- J
do en tales atracciones fuerzas que se su- I
maran a la propia del orbimotor para con- I
trarrestar la gravedad terrestre.
Pero en lugar de escasas horas de fácil I
lucha con sucesivos decrecientes pesos del i
noviplaneta, había éste, ahora, de perder j
días y días suspendido a pequeña altura de j
pocos centenares de kilómetros, sostenien- I
do, a fuerza de potentísimas descargas de |¡
cinetorio, no los veinte millones de tonela- I
das de su peso en la superficie de la Tierra, j
pero sí los diez y seis millones de ellas que j
pesaría al llegar entre trescientos y cuatro­
cientos kilómetros de elevación; y aun así
reducido, no era tal peso para despreciado.
En cuanto a remontarse para ganar altura
donde, con la disminución de la pesantez,

DEL

OCEANO

fuera menor el esfuerzo del sostenimiento,
parecía temerario; pues, si al cabo no po­
dían repararse los desperfectos, era pru­
dente reservar provisiones de cinetorio ca­
paces de atenuar la fuerza de la final caída,
para que no degenerara de descenso en ca­
tástrofe: tanto más temible cuanto mlás
exagerada e inconsideradamente se aumen­
tara la altura desde la cual pudiera reali­
zarse.
' •
Todo esto se discutió en primer término
en el Consejo, llegando los sabios al acuerdo
de que aun siendo el gasto de cinetorio mu­
cho mayor a escasa altura, no convenía, sin
embargo, pasar de la actual para llegar a la
de 300 kilómetros, y pronunciáronse decidi­
damente por el statu quo: no bajar más, pe­
ro subir tampoco: emprender la reparación,
si era posible, manteniéndose a la altura
en que estaban.
María Pepa, que en cuanto se dió cuenta
de la avería reconoció que a no haber au­
mentado secretamente por consejo de ellos
la reserva de cápsulas, la única salida del
conflicto habría sido inmediato descenso,
callaba y oía atentamente a uno y a otro,
tomaba notas, y nerviosa golpeaba el suelo
con el pie cada vez que la hablaban de ba­
jada o caída.
Convinieron los tres sabios en que si,
gracias a aquellas reservas supletorias, no
llegaba la situación a desesperada, era in­
dudablemente dificilísimo e inseguro el
reemplazo por nuevas cargas de las 140 in­
útiles, dado que más no hubiera; que era la
empresa larga y sumamiente peligrosa; pues
si con las facilidades de que en Paramillo,
y con el Autoplanetoide fijo, se disponía
para el trabajo, y con una docena de hábi­
les operarios, se había tardado cinco días
en montar 382 cápsulas, ¿qué no tardarían
en montar las 140 los tres únicos obreros
que de aquellos doce habían embarcado, ha­
biendo de trabajar colgados de una esfera
oscilante en los aires a 100 kilómetros de
altura?... Por corto, y suponiendo voluntad
en los tres de arrostrar los arriesgados im­
previstos azares de tan extraordinaria fae­
na, que no era poco suponer, de diez a doce
días.
— Imposible—exclamó la Capitana al oír a
Haupft formular tal conclusión—. De la
nota de existencias que me habéis traído
resulta que el enorme gasto de cinetorio en
ese plazo nos dejaría a merced de cualquier
leve accidente, e imposibilitados desde lue­
go para ir y volver al más cercano planeta.
— Además — observó Fognino — hay un
punto interesante del que aun no hemos ha­
blado.

A VENUS

21

—¿Cuál?
—Ei de si los obreros que tenemos a bor­
do son utilizables.
— Desde luego— contestó Haupft— , son
los más hábiles de los talleres de carga y
montaje.
— Eso ya lo sé: así se hacen pagar el via­
je; pero no hablo de su competencia ni de
su destreza.
— Pues entonces, ¿de qué?
—Muy sencillo: es probable, casi seguro,
que la substracción o inutilización de las
cargas no habrá podido hacerse sino en
connivencia con uno o varios de los obreros
que lr*s montaron; y si entre ellos estaba
alguno de esos tres, de que ahora dispone­
mos, sería imprudente emplearlos en la re­
paración.
— Claro.
—Naturalmente.
—Pues en tal caso tendríamos menos ope­
rarios aprovechables y aumentaría el tiem­
po preciso para la compostura.
—Verdad, verdad.
— Tiene razón Fognino.
— ¡Sapristi, está cla ro!; en tal caso no se
padría contar con esos hombres.
María Pepa oía, reflexionaba y seguía si­
lenciosa.
—Por eso he traído los partes de traba­
jo. Tú, Haupft, mira en seguida quiénes
mtontaron esas cargas tórridas que resul­
tan heladas. No sé por qué sospecho que
ahí ha de andar la mano de Dick el mudo.
—No lo creo. Debes recordar que, siendo
las cápsulas australes las más delicadas, a
causa de las forzadas cargas de que hubo
que proveerlas, como destinadas a trabajar
contra las gravedades de todos los plane­
tas, en el montaje de ellas hemos emplea­
do siempre a Dick, con preferencia a los
demás obreros por ser el más inteligente de
los nuestros. Y como las cápsulas estropea­
das no son esas, sino las ecuatoriales...
—Sí, muy inteligente. Ya lo he advertido.
Acaso demasiado. Tanto, que quién sabe
si el operario no es disfraz en que se es­
conde un ingeniero.
—¿Fundas en algo esa sospecha?—pre­
guntó vivamente la Capitana.
—En antipatía, en él añeja — contestó
Haupft— , ni justificada ni suficiente para
acusar a nuestro más útil auxiliar. Estoy
casi seguro de que no ha tocado ninguna
de las cargas averiadas.
— Estás equivocado, Haupft; ni acuso ni
me dejo llevar de irreflexivas prevenciones.
Pero acabamos de reconocer que para ar­
marnos esta jugarreta no basta la inteligen­
cia, aun suponiéndola grande, de un mera

22

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO X X lí

obrero; y como entre los que han colocado
las cápsulas tenemos uno excepcionalmiente
hábil, extraordinariamente competente, aca­
so demasiado para su educación y clase, veo
y séllalo la coincidencia: nada más. Si estás
efectivamente seguro de que Diclc no ha to­
cado las cargas estropeadas, retiro mis des­
confianzas; pero, en caso contrario, vale la
pena de ponerlo en claro.
—Tengo certeza de que normalmente es­
tuvo dedicado Dick a las cargas australes;
mas por si acaso trabajó por excepción al­
gún día en otra zona, sin que yo lo recuer­
de, voy a mirar los partes... Nada: ni un día,
ni una hora. No ha tocado esas cápsulas.
— Pues no he dicho nada... Y eso que to­
davía no, mientras no veamos si no inter­
vino antes del montaje en la confección de
esas cargas.
—A eso puedo responder categóricamen­
te, y tú también, Fognino; pues sabes que,
por las mismas causas antes expuestas, no
se cargaron en el taller de Dick sino las
cápsulas que habían de cebarse con carga
reforzada.
—Es verdad, es verdad. Tiene razón
Haupft. No hablemos más de esto.
—Bien— dijo María Pepa— . Pero ¿y los
otros dos obreros que tenemos a bordo?...
Haz el favor de consultar los partes, abuelito.
—Leonardo: ... día tres, cuatro...; parale­
los seis y siete... Nada, tampoco está. Ma­
tías... ¡Ah! Paralelos 2 y 3.
—Ese, ese—dijo Ripoll— . Nos hemos fas­
tidiado: ya no podemos disponer más que
de dos operarios.
—No, papá Ripoll: no lo preguntaba por
eso; pues, culpable o inocente, no podemos
pasarnos sin sus servicios en la presente
urgencia.
—¿Cómo? ¿Se atreverá usted a emplear
en tan delicada empresa a un hombre en
quien no tenga confianza; que ya una vez...?
— Sí, amigo Leblonde, porque si fué real­
mente culpable, esa vez trabajaba para obli­
garme a volver a la Tierra contra mi volun­
tad, sin correr él peligro; probablemente
sobornado con dinero que ya tiene en el bol­
sillo y no ha de perder por ayudarme hoy;
mientras que ahora trabajará persuadido de
que no vuelve vivo al mundo sino cuando
yo quiera, y con plena certeza de que si pre­
tende engañarme él será el primer castiga­
do, porque forzosamente habrá de estrellarse
conmigo.
— ¡Ah!
—Y no creo sea para él suficiente consuelo
pensar que de igual modo volveríamos to­
dos. No, no es eso lo q m me preocupa: ami­

go o enemigo, nadie aquí tiene libertad para
faltar a su deber ni desobedecerme, y todos
me obedecerán; pero, inocente o culpable, eso
Matías ha montado algunas de las cápsulas
averiadas, las ha manejado y es posible que
interrogándole demos con indicios de la
causa de la avería; quién sabe si con medio
más rápido, o menos peligroso, de reme­
diarla que el de cambiar las 140 cargas.
Y tocando un timbre agregó:
— Es preciso llamarlo sin perder momen*
to. Soledad— dijo al acudir a su llamada la
doncella, elegantísima con su uniforme de
Teniente de la Escolta—, ve tú misma al alo­
jamiento de los operarios, haz que despier­
ten a Matías, y tráelo acá inmediatamente.
Pero con suavidad; sin hacer ruido ni em­
plear la fuerza sino en último extremo.
Un cuarto de hora después comparecía el
obrero ante el Consejo.
El interrogatorio no merece transcripción
detallada, pues de él no se sacó fruto de
provecho. En cuanto a la impresión que en
todos produjo el obrero fué la de ser un
buen hombre; mas no bastando esta apa­
riencia a dar certeza de que no hubiera sido,
por alguien, sobornado, se resolvió vigilarlo
en adelante. De lo que no quedaba duda era
de que ni sus conocimientos ni sus capaci­
dades sobrepujaban las * corrientes en un
buen mecánico; y que de tener parte en la
fechoría, sería como instrumento, pero no
en modo alguno como inventor de ella.
— Y en esa duda, ¿te atreverás a valerte
de él?— preguntó Fognino.
— Lo mismo que de sus compañeros; no
voy a prescindir de uno cuando tres no me
bastan.
— Pues, Pepeta, si tú misma dises que to­
dos no te bastan, me párese perdido gastar
tiempo en calentarnos la cabesa.
— No me bastan, no me bastan...— repli­
có impaciente María Pepa—. Por ahora no
me bastan, pero...
— ¿Por ahora?... Pues como no haga un
milagro la Madona, cuantas más horas pa­
sen y más fuerza gastemos menos te bas­
tarán.
— Mira, hija mía, yo creo que lo más cuer­
do es tomar las resoluciones antes que el
tiempo las imponga, y para mi no hay otra
que volver a Paramillo.
— ¿Volver a Paramillo?—saltó María Pepa
cual si sintiera la picadura de una víbora.
— Unicamente allí tenemos los recursos
necesarios para componer el Autoplanetoide— insistió el sesudo alemán.
— ¡Volver a Paramillo!... ¿Antes de haber
pisado otros planetas?... Puede que sí, pero
para eso tendrán primero que sublevarse el

DEL

OCEANO

pasaje y la guarnición, atarme después, y...
Y no les va a ser fácil.
—Pero ¿no lias dicho que no puedes?
__No puedo hoy, pero podré mañana; es
imposible que no pueda.
—Pero hija mia...
— Mon amie.

— ¿Sabes siquiera cómo vas a...?
— Sé que quiero; que quien sabe querer
debe poder. Sé que mi orbimotor no ha na­
cido para globo cautivo; que ni es un mí­
sero aeroplano ni ha levantado el vuelo paia
volver a la Tierra después de un paseíllo
por los aires, sino para subir por cima de
la atmósfera. Sé que habiendo salido de los
Andes para los planetas, a ellos llegará co­
mo Dios no se oponga... Y lo que nos ocu­
rre no es obra de Dios, sino de miserables
criaturas.
—Pero...
— Atiende.
—Pierden el tiempo, amigo Leblonde; ni
usted ni ellos la conosen todavía. Ha dicho
que va a los planetas, y va. Esté usted se­
guro. ¿No sabe usted que es de Saragosa?
— ¡Pero supongo que tendrás un plan! •
dijo Haupft— , porque si no, ese tesón no
sería energía, sino...
— ¿Obstinación, verdad?
—Tú lo has dicho.
— Pues bien; puedes estar tranquilo. Creo
entrever un plan con el cual pienso solven­
tarlo todo en tres o cuatro días
—¿Cuál?
—¿De qué modo?
—No he dicho que lo tenga, sino que
creo tenerlo; pero necesito madurarlo ru­
miando unas cuanfas ideas que me trotan
en la cabeza; me es preciso reflexionar hon­
damente, meditar ese plan y, de ser viable,
ultimar sqs detalles. He de pensar qué le
diré al pasaje cuando a la luz del Sol vea
al Autoplanetoide convertido en una pobre
boya. Y como para todo esto no me sobra

A VENUS

23

un minuto de las cuatro horas que hasta el
amanecer me quedan, se ha acabado el con­
sejo; y mañana a las seis volved aquí los
cuatro.
Y dando un beso a cada abuelo y un apre­
tón de manos a Leblonde, puso a todos, con
mucha suavidad, pero con gran firmeza, a
la puerta del despacho.
— jParbleu!— salía diciendo Arístides—.
Cette filie est le plus brave homme que j ’ai
connu.
En cuanto María Pepa se quedó sola, exa­
minó el espejo de maniobra instalado en el
despacho; y una vez cerciorada de no ocu­
rrir en ella variación ninguna, se sentó a la
mesa, y, cogiendo las notas de almacenes,
comenzó a trabajar.
A las cinco y media de la madrugada, ter­
minada su faena, llamó a Soledad—que dor­
mía profundamente en una butaca de la in­
mediata habitación, y aun diré que roncaba
si los lectores le guardan el secreto— encar­
gándole que enviara con urgencia a buscar
a Santiago el maquinista y a Pedro el fogo­
nero, con quienes quería hablar al salir del
baño, donde iba a meterse; que igualmente
avisara a Valdivia y a todos los pilotos, me­
nos al de cuarto, convocándolos para las seis
en la Comandancia.
Mientras sus órdenes eran ejecutadas, to­
mó un baño progresivamente fresco, con cu­
ya acción tonificante quedó tan descansada,
ágil y ecuánime cual si en su cama y dur­
miendo tranquila hubiera pasado aquella lar­
ga noche de preocupaciones, inquietudes e
intensísimo trabajo, en el que habían cola­
borado la ciencia de la sabia, el valor de la
capitana y la política prudencia de la gober­
nante. Y a despecho de fatigas, insomnio y
cavilaciones, estaba tan guapa como siem­
pre: no, más guapa que nunca, según ase­
guraron cuantos tuvieron la fortuna de ad­
mirarla en aquel memorable día que comen­
zaba a alborear.

V
DE

CÓMO SARA OYE “ CON SUS PROPIOS
CUANTO HABLA MARIA PEPA

Aun prescindiendo de las dificultades téc­
nicas del problema planteado por la inutili­
zación de las cargas, complicábanse en el
conflicto que la Capitana debía resolver con
otras de diverso orden, y de posible surgi­
miento en una ciudad, como Noviópolis, for­

OJOS”

mada de allegadizas gentes de todas razas
y nacionalidades, juntas no más desde la
víspera, sin lazos de fraternidad, ni amor,
todavía no nacido, a aquella nueva patria,
suya no más desde pocas horas antes.
¿Qué actitud tomarían tripulantes, obre-

24

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

ros, guarnición, y h asta las m ism as a risto ­
crá tica s representaciones de la ciencia te ­
rrestre, al enterarse de que en el crítico mo­
m ento de em prender un v ia je peligroso cual
ninguno sobrevenía un accidente grave?
L os terrores que el pasaje había sentido
al cerrar la tenebrosa noche, los desperta­
dos en los más pusilánim es con el alejam ien ­
to de la T ierra , solam ente encubiertos por
la confianza de que el Autoplanetoide obede­
cía perfectam ente a la voluntad de su C ap i­
tan a, ¿no estallarían peligrosam ente al en­
terarse del contratiem po?... ¿ Y sería el pres­
tig io de M aría Pepa suficiente a afrontar, a
la vez que el problem a técnico, las conse­
cuencias de un posible pánico cuando el pa­
saje se enterara de una avería llegada antes
de haber tenido ella tiem po de dem ostrar
su p ericia en unos cuantos días de n avega­
ción tranquila?
T odas estas preguntas se había hecho
n u estra heroína tan pronto tuvo planeado el
modo de componer el daño hecho en las ca r­
gas; y como las respuestas que a ellas daba
la lógica no eran, por cierto, tranqu ilizado­
ras, preocupóse en buscar, para cada uno
de los presuntos riesgos, remedio, p aliativo
o prevención. Si al cabo de aquellas cuatro
horas de intenso d iscu rrir tenía, cual pen­
saba, solución para todo, no las había p er­
dido; y no era leve la labor hecha en ellas.
T od avía andaba dando vu eltas en su m a­
gín a los detalles de sus planes, cuando en­
tró Soledad, avisándola que afu era a gu a r­
daban y a Santiago y Pedro.
— ¿Se ha enterado alguien de su venida?
— No, señora. Han entrado por la puerta
tra sera; y los pocos pasajeros que por las
calles andan y a no los han visto ; pues, an­
siosos de contem plar la T ierra , están todos
en el balconcillo del bulevar exterior, a gu a r­
dando a que el Sol recién salido disipe la
n eblin a que la oculta.
— Bien. Cuando se vayan , que procuren
hacerlo sin ser tampoco vistos. A hora llé ­
valo s a tus habitaciones, y aguardadm e allá.
V o y en seguida.
Salió la Jefe de la E scolta. E n poco más
de dos m inutos acabó su tocado la C apitan a;
pasó al despacho, tomó de una panoplia un
dim inuto pero terrib le revó lver quím ico, se
lo echó en el bolsillo de su calzón holgado, y
por un pasillo com unicante con el cuarto de
su doncella— pues el ingreso de Soledad en
la ca rrera m ilita r no fué óbice para que
co n servara el íntim o cargo que junto a M a­
ría Pepa desempeñaba— se d irig ió a la h a ­
bitación donde sus tres fieles servidores la
aguardaban, y les habló en los siguientes
térm inos:

— Contestadm e cla ra y brevem ente, pues
tengo m ucha prisa. No os pregunto por vues­
tro va lo r y lealtad, y a los conozco; pero tú,
Santiago, ¿tien es absoluta confianza en to­
dos los soldados, oficiales y clases de tos
com pañía?
— Creo conocerlos bien a todos..., es decir,
a casi todos.
— No me gu sta ese ca si; pues tal vez.
pronto sea preciso ponerlos a prueba, y no
quiero som eter a ella a los va cila n tes e a
bríos o adhesión.
. — Los cin cuenta son gente escogida, y to­
dos españoles o hispan oam erican os; pcro>
entre m uchos siem pre tiene que haber a l­
gunos más flojos que o tro s... Unos seis a.
siete...
— A parta los doce m ás dudosos, y ponién­
dolos a las órdenes del alférez o sarge n ta
más torpe y de m enor confianza, em pléalos
h a sta nueva orden en el cuartel, ponderán­
doles reservadam ente la prueba de confian­
za que con ello les das, por ser quienes, en­
tre todos, te la inspiran m ayor para g u a rd a r
el alm acén de m uniciones.
— ¡Los m ás flojos gu ard ar las municione si
— S í; no te asustes, y oye: esas m un icio­
nes no serán las que ahora tienes; porque
éstas se las vas a e n v iar a Soledad en cuan ­
to llegues al cuartel, haciendo que las t r a i­
gan Pedro y los tres soldados más fieles.
Debes tener seis cajones, y como se ha ad­
vertido que los cartuchos están estropeados...
— No, señora; respondo de que están en
buen estado; a yer m ism o...
— No sabes lo que dices. E stán en buen
estado para ti y la gen té de confianza, p ero
no para los dudosos.
— Soledad cam biará esos cajones por o tre s
seis, con los que vo lverá Pedro al cu a rtel; y
en cuanto los recibas, respartes a tu com pa­
ñía las m uniciones del que va y a m arcado
con el núm ero uno. Pero, fíja te bien: dis­
trib u irás las dos prim eras tongadas de c a r­
tuchos a la gente sospechosa encargada decustodiar el cuartel y los cinco restan tes
cajones de m uniciones. E l resto de las del
p rim er cajón, es decir, la tercera y sig u ie n ­
tes capas de cartuchos, se las darás a lo s
soldados de confianza.
M ientras Pedro va al cuartel y de allá,
vu elve con los cajones, tú, Soledad, con dos
m uchachas seguras y poco charlatan as, sa­
carás del alm acén de la Com andancia seis
cajas de cartuch os vacíos, que re ca rg arás
con todo esmero.
— Sí, entendido— contestó la sevillan a— .
Con agua los cinco cajones y las dos prim e­
ras capas de 1 cajón núm ero uno, y con cío-

25
DEL OCE ANO A V E N U S
bajos
de
la
Comandancia,
como
reserva
para
rom orfiraquina las de debajo, que han de
acudir donde sea necesario y disponga el se­
entregarse a los más leales.
ñor Ripoll, a quien te presentarás. ¿Quedas
— ¡A h!— dijo Santiago.
— ¡Oh!—exclamó Pedro, poniendo gran bien enterado?
— Sí, mi Capitana.
adm iración, uno y otro, en el ¡ah! y en el
—Ten en cuenta que como la faena y las
¡oh!, y contemplando, ambos embobados, al
precauciones durarán varios días, debes o r­
am a y a la criada.
—Veo que sigues comprendiéndome antes ganizar un turno de servicio y dos de des­
canso, para que la tropa esté siempre fresca,
de que hable—dijo sonriente M aría Pepa.
—Ya entiendo, ya entiendo, señorita—dijo y disponible. Además, por si fuera preciso
exigirle gran derroche de energías, irás con
Santiago.
—No m uy de prisa—le contestó burlona este vale a pedir al señor Chu-Fo unas cajas
de comprimidos de cafeína y fósforo que, de
Soledad.
M aría Pepa, sin poder contener la risa, postre, y después de la cápsula de la com ida
de mediodía, darás a tus hom bres; con lo
agregó:
—La única consigna do esa tropa escogi­ cual valdrá por dos cada uno. ¿Listos, ver­
dam ente m ala es defender el cuartel y las dad?
— Sí, señora.
m uniciones inofensivas, que no harán daño
—Pues a la faena. A las nueve ha de estar
a nadie, con las inútiles de sus fusiles. Los
trein ta y ocho hom bres restantes, provistos ejecutado cuanto he dicho.
—E stará.
de arm as eficaces, los dividirás del siguiente
Salieron Santiago y Pedro, y, volviéndose
modo: cuatro, a las órdenes de Pedro—éste
era sargento—, custodiarán la entrada del a Soledad, dijo M aría Pepa:
—Tu novio es un buen chico y todo un
alm acén de cinetorio y taller de recarga de
cápsulas. Tú, Pedro, cuando llegues allá, de­ hombre.
—Mi novio, mi novio...
jarás a la puerta la fuerza, entrando tú para
—¿Cómo? ¡Otra vez torcidos!... Eso es el
ponerte a las órdenes del señor Fognino.
Una vez dentro, no perderás de vista a los cuento de nunca acabar... Pero no hay tiem ­
tres obreros que allí trabajan; al prim er po ahora para ocuparse de eso... Oye, ¿tienes
movim iento sospechoso de ellos contra el se­ absoluta confianza en todas las chicas de la
ñor Fognino, llam arás a tu tropa; y si ni escolta?
—Como en mí misma. Yo he sabido esco­
aun de esto te dieran tiempo, dispararás al
aire esta pistola. No te asustes, porque cae­ ger m ejor que ese inocente de Santiago.
—¿O tra pulla? Mal andáis por lo visto...
réis dormidos cuantos estéis en la habita­
ción; pero como produce, al disparar, un Pero ¿en todas?
—E n todas. Mis veinte m uchachas n a
violento silbido que se oirá en todo el Autoplanetoide, en seguida acudirem os en auxi­ tienen para un bocado con sus cincuenta
lio vuestro para sacaros al aire libre. Pero hombres.
—Bueno, no hagáis la prueba por ahora—
no se te ocurra dispararla sino en caso de
que tú y el señor Fognino os veáis perdidos. dijo M aría Pepa soltando la carcajada—.
Como él tendrá demasiado que hacer para Pero si a tal punto confías en ellas, podrás
ocuparse de su seguridad personal, tú me responderm e tam bién de que nadie, fuera
respondes de que nada malo ha de ocurrirle. de los pilotos, de mis abuelos y el Sr. Le
blonde pisará el puente ni los ascensores
—Descuide la señorita.
—En ti confío. Tú, Santiago, enviarás que a él conducen, ni en trará en la Coman­
ocho hom bres a la central eléctrica para dancia sin expresa autorización mía.
—Claro que respondo.
que allá se pongan a la disposición del in­
—B ien; pues entonces... Pero ya deben
geniero jefe de ella y no perm itan acercarse
al edificio a quien no sea operario d-e la cen­ estar ahí Valdivia y sus oficiales... Hazles
tral. Otros seis constituirán una guardia de en trar en el despacho, y diles que allá voy.
prevención en el cuartelillo de los obreros, ¡Ah! Me olvidaba. Como en el piso bajo va
sin consentirles juntas, discursos ni sofla­ a alojarse una sección de Santiago, con la
m as. Como no tienen arm as y no pasan de que tus m uchachas no tendrán para medio
veinte, seis soldados arm ados sobran para bocado, bueno será que no se acuerden de
m eterlos en cintura si es preciso. Pero elige que esos chicos están ahí ni les dé idea de
p ara m andarlos quien, siendo listo y enér­ hacer boca con ellos m ientras encuentran
gico, no sea violento, pues no quiero apelar cosa de nuás jugo. No les tolerarás, por ta n ­
a la fuerza sino en caso absolutam ente in ­ to, la m enor comunicación, cercana ni le­
evitable. El resto de la compañía, a tus in­ jana. No quiero que la gente se distraiga d&
m ediatas órdenes, la alojarás aquí, en los su deber en los p re s e n ta momentos.

26

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

— No comunicarán. Puede usted estar
tranquila.
■x
— AJiora despacha, lo primero, la carga
de cartuchos para cuando llegue Pedro. En
seguida monta centinelas en el puente, la
subida a él y la Comandancia; y cuando eso
esté hecho preséntate al señor Haupft, que
estará en mi despacho, y a quien en cual­
quier urgencia de momento pedirás instruc­
ciones, obedeciéndole como a mí misma.
— Pero ¿y usted?
¡
* — Yo tengo que hacer en otra parte.
—¿En otra parte?
,
— Sí; dentro de un rato tendré que salir
de la Comandancia.
— ¡A h !... ¿Ya usted a los talleres?
— Sí... Justo, a los talleres. Anda, anda;
di que pasen los pilotos... Creo que oigo la
voz de mi almogávar y la de Haupft. Que
entren con los otros.
Efectivamente, en aquel momento llega­
ban al antedespacho los abuelos de María
Pepa y el amigo Aristides.
— Pasen, pasen ustedes todos— dijo ella
.saliendo a su encuentro— . Siéntense, ami­
gos míos— . Y en un aparte preguntó a V al­
divia— : ¿Quién queda de cuarto?
— Ramírez, el segundo oficial.
—¿De toda confianza?
— Absoluta.
—Bien; mas de todos modos, mientras
yo hable, no pierda usted de vista el espejo
de maniobras.
Todos se sentaron, quedando reunidos
"Valdivia y sus cuatro subordinados, a quie­
nes se dirigieron la mirada y el ademán de
la Capitana al comenzar a hablar.
— Convoco a ustedes para informarlos de
un asunto grave que estos otros señores ya
conocen. Todos ustedes son hombres de firme
corazón, bien demostrado al ponerse a mis
órdenes en el presente viaje. A esa firmeza
de ánimo, a la prueba de confianza que me
han dado al embarcarse, y a la leal discre­
ción de ustedes, me dirijo para decirles lo
que tendré cuidado de ocultar al pasaje. Es­
tamos en peligro.
Para tomar el pulso, con la mirada que en
sus rostros clavó, al temple de aquellos hom­
bres que eran sus inmediatos auxiliares, hizo
a intento María Pepa una pausa después de
dispararles a boca de jarro el escopetazo de
la noticia; y cuando vió que, pasada la pri­
mera inevitable contracción producido en
sus semblantes por la sorpresa de ella, per­
manecían impasibles, prosigu’ó:
— Del peligro, que no he de recatar a
hombres avezados a desafiarlo, tengo certeza
de salir bien con la ayuda de ustedes. Más
•cuando leo en sus rostros, al informarlos

de él, que son capaces de afrontarlo con
ánimo sereno y de vencerlo con libertad de
espíritu. Creo que no me equivoco al con­
tar con ustedes para todo...
Para todo, para todo— respondieron re­
sueltamente los interrogados.
■ Pues bien, señores, tenemos una avería
perfectamente remediable, ocasionada, no sé
aún por quién, con criminal propósito— con­
tinuó M aría Pepa, que seguidamente enteró
a su oficialidad, aunque disimulando un poco
la importancia del percance, de cuanto el
lector sabe. Y terminó su breve narración
con las siguientes palabras:
— Si después de conocer la situación tie­
nen ustedes la plena confianza que yo tengo
en mi pericia para el gobierno del aparató
que he creado; si me obedecen sin el menor
recelo en el éxito final de mis disposiciones;
si me secundan ciegamente, con entusiasmo
y fe, respondo de todo; mas les advierto
que exigiendo el remedio del daño que nos
han causado, no horas, sino cuatro o cinco
dias, no han de sentir ustedes durante ellos
dudas ni temores; pues la vacilación de uno
puede significar muerte de cuantos a mí y
a ustedes, que me ayudan, han confiado sus
vidas.
Varias veces, durante esta parrafada, v i­
brante, con valiente confianza, estuvo( a
punto de manifestarse en calurosas protes­
tas la que inspiraba a la oficialidad su Ca­
pitana y otras tantas la contuvo María
Pepa, imponiendo silencio con majestuoso y
sereno ademán autoritario de brazo y mano,
hasta que al cabo estalló el entusiasmo en
repetidos vivas a “ nuestra Capitana” y en
efusivas ofertas de absoluta obediencia y
ciega lealtad: sin distingos ni plazos. Todo
ello con voces que acalló la aclamada indi­
cando a sus subordinados que, agradeciendo
entrañablemente su adhesión y levantado
espíritu, les suplicaba no los manifestaran
tan ruidosamente; pues el percance debía
mantenerse secreto al pasaje, mientras lle­
gaba oportuna sazón de informarlo de él,
en la parte que la prudencia permitiera re­
velar sin riesgo de terrores, que actualmen­
te podrían ser de incalculables consecuen­
cias. Y advirtióles, por último, que no bas­
taba fueran valientes y serenos, si, a la par,
no eran discretos y reservados; pues por
algo se dice vulgarmente que las paredes
oyen.
Después de esto les reiteró las gracias,
despidiéndolos con efusivos apretones de
manos, y encargándoles subieran a la cabina
de cuarto, adonde en breve iría Valdivia a
comunicarles instrucciones sobre el modo

DEL

OCEANO

de m ontar el servicio en las anorm ales cir­
cunstancias del momento.
JEn cuanto se quedó sola con Leblonde,
Valdivia y sus abuelos, les explicó el plan
que laabía formado durante aquella m adru­
gada, aquí omitido porque en breve lo ve­
remos puesto en acción, y porque ahora nos
urge trasladarnos al alojam iento del m a tri­
monio SarmFairelo, en donde ocurren cosas
interesantísim as.


*

*

*

Al ray ar el día levantóse Alvaro de la
cama, e invitó a Sara a acompañarle al bal­
concillo que circundaba la ciudad para ver
la salida del Sol y contem plar la T ierra des­
de aquellas alturas, contestándole ella que
por durarle todavía la indisposición de la
víspera no la apetecía levantarse tan tem ­
prano.
Galantemente, quiso él prescindir del in ­
teresante espectáculo, quedándose junto a
ella, que rechazó la oferta con insistencia,
donde Alvaro no vió sino deseo de no p ri­
varle de placer tan atractivo como nuevo;
pues no tenía motivo para sospechar tornera
Sara positivo empeño de quedarse sola, como
lo consiguió, convenciendo a su m arido de
que para dorm ir otra hora o dos, que era lo
que más deseaba, no le era necesaria com­
pañía.
Salió al fin Alvaro, y tan pronto la yan­
qui estuvo bien segura de que no volvería,
saltó descalza de la cama, corrió a un espe­
jo, rem atado en la parte inferior por ancha
cornisa de m adera tallada, e, introduciendo
en un hueco de ésta una navecilla, hizo g irar
la moldura alrededor de bisagras ocultas en
1a talla, dejando al descubierto un cajón, en
el muro vaciado, de medio metro de largo
por veinte centím etros de alto y cuarenta de
profundidad.
Dentro de él estaba un extraño y singular
aparato receptor de telefonía, cuyo electro­
imán, en vez de atra er y repeler la placa
vibrante del auditivo del teléfono ordinario,
que con sus sacudidas reproduce la voz que
.actúa sobre la placa transm isora de 1a. bo­
cina donde se habla, hacía v ariar la inten­
sidad de la corriente que un acum ulador
lanzaba por un alambre comprendido entre
los polos de otro electroimán. L as v aria­
ciones que así sufría la corriente dependían
en cuantía y duración de las inflexiones de
la voz o del ruido que en la estación de ori­
gen determ inaba la vibración telefónica lle­
gada al receptor.
Pero esta corriente, variable por tal cau­
sa, alim entaba una pequeña bombilla eléc­

A VENUS

27

trica, del tipo en el siglo XX conocida con
el nombre de Válvifla Flem ing (1), con lo
que las inflexiones de la voz, trocadas en
ondulaciones eléctricas a lo largo del alam ­
bre conductor, convertíanse a la postre en
oscilaciones rápidas, y más o menos amplias,
más o menos ricas en diversificadas tonali­
dades, de los colores elementales, existentes
en la luz compuesta de la lámipara. Mediante
(•ales cambios de intensidad y color, hablaba
la luz: en silencio, claro es, mas no en se, creto, pues en la superficie de una película,
sensible a todos los colores y autofijativa,
situada frente a la bombilla quedaba regis­
trado fotográficamente aquel lenguaje lum í­
nico con variados signos, diversamente co­
loreados, que en la película trazaban una
m ulticolor escritura, tan incomprensible
para quienes antes de 2186 lean esta obra co­
mo para el autor de ella, pero que de co­
rrido interp retarán en los tiempos del viaje
planetario todas las personas verdaderam en­
te cultas, por hallarse incluida su enseñanza
en los program as de universidades y escue­
las superiores, con los nombres, in d istin ta­
m ente aplicados, de fototaquifónía y Jumisolfeo (2).
Tenia, pues, Sara en el aparato montado
detrás de la m oldura del espejo un registro
fotoautofónico de cuanto se hablaba en...
Ya lo sabremos luego.
Al ab rir la sabia yanqui el secreto cajoncillo estaba apagada la luz. Cortó aquélla el
trozo de película impresionado, sacándolo
del cilindro; empalmó a éste el extremo de
la parte no escrita, para dejar el aparato en
disposición de reg istrar nuevos mensajes;
y con el rollito impreso se volvió a la cama,
monologando interiorm ente que por ser su
Alvaro un ridículo Quixote (así lo pronun­
ciaba), con cuya ayuda no podía contar en
(1) Faltan al autor datos positivos para ase­
gurar que, efectivamente, fuera una bombilla Fle­
ming, o válvula de vacío, y no un odión (audion )
De Forest, primo hermano de ella, entre los cuales
se produjeron en el siglo xx graves desavenencias
de familia, que los llevaron a dirimirlas en los
Tribunales.
(2) El invento era una combinación feliz de la
telefonía vulgar con la fotografía polícroma ; pues
la película del aparatito de Sara no era sino un
perfeccionamiento de los papeles para fotografías
en colores de los hermanos Lumiére, d«l llamado
“U to”,''del doctor Smith, y de los métodos de Ives
Sheperd, Lucius y Bruning. Con la ventaja de
que, sin necesidad de baños ni fijativos, queda­
ban reproducidos los objetos con sus propias co­
loraciones.
Después de fotografiadas en las películas del
aparato de mistress Sara las palabras que el le­
jano tranmisor telefónico enviaba, arrollábanse
aquéllas en un cilindro contenido en la misma cá­
mara obscura donde la oscilante luz de la lamparlta Fleming las había impresionado.

‘J8

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

lo m ás im p o rta n te de su s planes, te n ía ella
que a n d a r con aquellos tap u jo s. A chaques
de hab erse casado con el p o rtu g u és: m uy
guapo, m uy in telig en te, ducho en ciencias
e inventos, pero lego en em peños de a s tu ­
cia y disim ulo, in ú til p a ra c u a n to no fu e ra n
las que llam aba él nobles em p resas, y a
quien no hab ía m a n e ra de h a cer c o lab o rar
en c ie rta s tra m a s sino o cultándole su v e r­
dadero fin y m ás im p o rta n te s m edios: en ­
gañándolo cual lo h a b ía engañado en el
asu n to de Challao, o, m ejor dicho, como e n ­
gañado lo llevaba desde que e ra chicuelo.
G racias que en la ocasión p re se n te te n ía ella
quien h iciera todas aquellas cosas, que, a
conocerlas, h a b ría A lvaro calificado cam p a­
n udam ente de in d ig n as felonías. ¡P obreci11o!... Si no fu e ra ta n guapo, ya h a ría tie m ­
po que le h a b ría dado laico sucesor.
O tra vez en el lecho, com enzó S a ra la lec­
tu r a de la película, exclam ando a poco de
em pezarla:
— ¡Ah! Ya se h a n e n terad o de lo de la s
carg as—y continuó devorando, con c re c ie n ­
te afán, la reproducción, que eso e ra lo es­
crito en el rollito, de cuanto M aría P ep a y
su s am igos hab ían hablado en el consejo ce­
lebrado la noche a n te rio r en la C om an d an ­
cia.
R edobló el in te ré s de la lecto ra, tom ando
visos de inquietu d , al e n te ra rse de las so s­
pechas que D ick in sp ira b a a F o g n in o ; tr a n ­
quilizóse al v erlas desvanecidas, casi en a b ­
soluto, por las h áb iles precau ció n es con que
ella h ab ía sabido d isim u la r su s proezas de
P aram illo ; y al lleg ar al final del fonolum igram a, donde las ú ltim a s p a la b ra s r e g is tr a ­
das era n las de la orden d ad a p o r M aría
Pepa a Soledad, p a ra que a v is a ra a S a n tia ­
go, P ed ro y los pilotos, pensó:
—¿C onque no q u ieres e n tre g a rte to d a ­
vía?... ¿No te re sig n as a b ajar?... P u es b a ­
ja rá s, qu ieras o no. Tu o rb im o to r no es y a
sino m ísera boya que no puedes re g ir; tú y
él e stáis en m is m anos. ¡L a C ap itan a!... ¡Ja,
ja, ja!... P ro n to v e rás quién es aquí la v e r­
dad era C apitana... P ero a e sta s h o ra s debe
e sta r ya toda esa gen te en el despacho. S í;
son las seis y diez.
Saltó de la cam a, sin lla m a r a su doncella
K etty, pues te n ía buenas razones p a ra no
q u e re r testigos de v is ta ; se hizo u n su m a rísim o tocado, y volvió a le v a n ta r la m o ld u ­
ra, viendo, al hacerlo, o sc ila r la lucecilla, y
oyendo c ru jir los e n g ra n a je s del a p a ra to de
relojería. Y como al modo <iue los te le g ra ­
fistas prácticos del siglo XX recib ían al oído,
sin p reocuparse de m ira r la c in ta im p resa,
te n ía S a ra h áb ito de leer los m en sajes en la
lám p ara del fonofotógrafo (a n te s que en la

p e lícu la se im p rim ie ra n ), por su s propio»
ojos, oyó en la bom billa los vivas a la C api­
ta n a que en aquel in s ta n te lan za b an sus en­
tu sia sm a d o s oficiales en la sala de consejos
de la C om andancia.
Y ta l fué la im p resió n de re a lid a d que
aquellos p a ra ella d esag rad ab les v íto re s la
p ro d u jero n , que, dando u n a p a ta d a en el
suelo, exclam ó: “ ¡E stú p id o s!”
P ero en seguida, an sio sa de sa b e r lo que
allá a r r ib a ‘decían, clavó la m ira d a en la in ­
q u ie ta lucecilla, no p erd ien d o ni u n a sola
p a la b ra del p lan de rep a ra c ió n de las ave­
ría s, que a su s abuelos y a V ald iv ia expli­
caba M aría P epa en aquel in s ta n te ; bien
a je n a de cuán verdad e ra su fra se de un
rato a n tes, al d ecir a los pilotos que las pa­
redes oyen.
¡Y ta n t o ! : al mism¡o tiem po que a sus m ás
ín tim o s a u x ilia re s y consejeros d e scu b ría la
C ap itan a a su enem iga el plan que ya u n a
vez callam os al lector, y callam os de nuevo;
pues de c o n tarlo ah o ra, q u e d a ría p riv ad o
del in te ré s que en él p u siero n las p erip ecias
y d ificultades de su ejecución n a rra d a s en
ven id ero s capítulos.
P e ro ¿cómo h a b ía conseguido S a ra e sta ­
blecer aquel ingenioso siste m a de fo to fo n ía
teleg ráfica e n tre su alcoba y el despacho de
M aría P epa? ¿Cómo, si nos co n sta que a n te s
de la p a rtid a no h a b ía ella e n tra d o en su s
h ab itacio n es, sino en co m p añ ía de A lvaro,
y v ig ila d a por Soledad y S antiago, la ta rd e
de la p resen tació n a la C ap itan a de los n om ­
b ram ien to s que a su m arid o y a ella los
a c re d ita b a n como re p re se n ta n te s científicos
in te rn a c io n a le s en el v iaje?

P o rq u e ni ella fué qu ien p e rso n alm e n te
estableció aquella com unicación, ni tuvo q u e
a g u a rd a r le fu e ra fran q u ead o acceso al nov im undo p a ra m o n tarla, pues al e n tr a r p o r
la p rim e ra vez en su pabellón de la a v e n i­
da A, ya estab a te rm in a d o desde m uchos
días a n te s el a rtilu g io de los co n d u cto res
eléctricos p a ra el objeto n ecesario : g ra c ia s
a los buenos oficios del e le c tric ista in te rm e ­
d iario e n tre ella y D ick, que nos es conocido
desde la p rim e ra p a rte de e sta h isto ria ,
quien, adem ás de los p ostales servicios q u e
en aquélla le vim os desem peñar, '¿»restó a
S a ra el de m e te r en un cable m aestro de la
d istrib u c ió n elé c tric a in te rio r- del p la n e to i­
de, v e in tisé is en lu g a r de v e in tic u a tro a la m ­
b res aislados, in tro d u cien d o m uy d isim u la ­
d am en te los extrem os de los a u m en tad o s
c la n d e stin a m e n te en el pabellón y escon­
diendo las opuestas p u n ta s de ellos «en m a ­
d u ra s del techo del despacho de M aría P epa,
p a ra enfilarlas luego d isim u lad am en te en la
g a rg a n ta de u n a c a riá tid e de la o rn a m e n ta -

DEL

OCEANO

ción y conectarlas al cabo a la membrana
Vibrante de un transmisor telefónico oculto
tras los dientes de la monstruosa boca del
endriago escultórico. Además de esto, metió
en otro cable catorce en vez de doce flexi­
bles, estableciendo comunicación del mismo
pabellón que habría de ocupar la ingeniosa
yanqui con el taller destinado en el orbimotor a manipulaciones cinetóricas, en donde
prestaría Dick sus servicios.
Con estas y otras cuantas habilidades
eléctricas, que por sencillas no merecen de­
tallarse, lo arregló todo el avispado monta­
dor de modo que al llegar Sara a su aloja­
miento, allí se encontró a punte la corrien­
te necesaria para la valvulilla Fleming del
lumifonógrafo, derivada, sin dejar huella de
su paso, del contador del pabellón, ni exigir
más trabajo que empalmar en los aparatos
que ella traía en su equipaje los sueltos
cabos de los flexibles, que aguardándola es­
taban.
Y conste que esta defraudación de flúído
no la hacía Sara porque la preocuparan las
facturas de la Central Novipolitana, que
gratis suministraba a sus clientes luz, calor
y fuerza, sino para evitarse enterar a otros
de cosas que sólo a ella interesaban.
El mismo obrero se encargó de llevar un
ebanista que en el pabellón de Norteaméri­
ca preparó y disimuló debajo del espejo el
escondrijo de la alcoba de Sara.

A VENUS

29

\a está, pues, explicado el cómo pudo es­
tablecerse la subrepticia comunicación tele­
fónica o, mejor dicho, semicomunicación,
pues María Pepa hablaba y no oía nunca y
Sara oía y callaba.
No era esto la realización exacta del pri­
mitivo proyecto de la sapientísima Coman­
dante de Ingenieros Aéreos, que perseguía
el mismo resultado con procedimiento mu­
cho más elegantemente científico, echando
mano de la inalámbrica telefonía aérea; pero
la imposibilidad de hallar en Mendoza, con
la premura necesaria, transmisores silencio­
sos tan pequeños como los requería la apli­
cación secreta a que estaban destinados, la
hizo recurrir a la antigualla del teléfono
con alambres conductores. Mas la contra­
riedad que la produjo esto fué pasajera,
pues quedaba alcanzado el primordial ob­
jeto de espiar a la Capitana; y porque cosas
de más monta, y emociones más hondas ha­
bían de distraerla o, mejor dicho, preocu­
parla pronto en la terrible lucha que iba a
entablar: lucha en que María Pepa llevaría
la desventaja de ignorar quién era, dónde
estaba y qué tramaba su enemiga, bien in­
formada, en cambio, de cuanto pensara y
decidiera la brava aragonesa, en el instante
mismo de discutir planes o de comunicar
órdenes, por estar en constante comunica­
ción con el despacho de ella.

VI
MARIA PEPA SE JUEGA EL TODO POR EL TODO
Quienes, desde las cumbres que dominan
el valle y el astillero de Paramillo, habían
podido asestar sus gemelos al Autoplanetoide, antes de levantar éste su vuelo, obser­
varon, entre otras de sus particularidades,
que en el punto más alto, o polo norte según
convencional designación de María Pepa,
sobresalía de la convexa superficie externa
del orbimotor una segunda esfera diminuta,
minúscula. Su apariencia era la de una
brillante cuentecilla de vidrio, allá en lo
alto incrustada, y constituyendo para la
mayoría de los mirones remate ornamental,
de donde irradiaban las veinte escalas cir­
culares que, siguiendo otros tantos meridia­
nos, descendían al polo sur del artefacto
inventado y construido por la Capitana;
pero Sara, que, con el anteojo establecido
en su casa de Aldea Vacas se había pasado

muchas horas mirando y remirando aquel
remate, tenía otra opinión, pensando de él
que era algo más que un inútil adorno.
Muchos secretos había ella sorprendido en
sus campañas de espionaje, directo o indi­
recto; no eran pocos los que, sobre la base
por aquellos traidores medios adquirida, ha­
bían esclarecido su talento y su ciencia;
pero sabía perfectamente que aun no era
dueña de todos los relativos a trazado y
detalles del motoestelar, presintiendo que
entre los ignorados no debía scí-de los me­
nos interesantes el de aquella bolita reful*
gente, que sobre el novimundo no parecía
mayor que parece un guisante en lo alto
de grandísima sandía: presentimiento que
subió a convicción al observar que a pocos
metros por encima de la cuenta de vidrio
avanzaba el pescante de una cabria, de don-

30

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

de, aunque ella no lo viera a tal distancia,
colegía colgaría un cable' o un alambre, con­
juntamente destinado con la cabria a sacar
de su álveo, y levantar, cuando preciso fue­
ra, la misteriosa esterilla.
Aquello parecía un obturador automática,
un tapón: ¡el tapón del novimundo!
Pero, ¿para qué había menester tapón el
micromundo aquel? ¿Ni qué ventaja, ni
qué finalidad pudiera perseguirse destapán­
dolo?...
Decíase Sara en sus cavilaciones que la
Capitana sabía de sobra que la vida de los
tripulantes del motoestelar dependía de que
jamás se destapara, para evitar que a los
espacios siderales, donde no hay aire, se es­
capara su atmósfera interior: era evidente
que destapamiento del novimundo y muerte
por asfixia de los novimundianos serían ca­
tástrofes casi simultáneas; y, sin embargo,
y a despecho del juicio, que fallaba que na­
die abre boca ni pone tapón a recipiente que
nunca piensa destapar, porfiaba su intuitiva
perspicacia: “Es un tapón. Estoy segura de
ello.”
Y acertaba la perspicaz aviadora, pues ta­
pón era aquello que parecía bolita, siendo
bolaza, de cuatro metros de diámetro, e im­
portantísimo aparato por María Pepa ideado
en previsión de eventual, aunque improbable,
necesidad de efectuar reparaciones o reco­
nocimientos en el exterior del aviplaneta,
cuando bogara en el vacío, o tan elevado en
las atmósferas planetarias que respiración
y vida humanas se hicieran imposibles fue­
ra de él.
Estando circundado el orbimotor, entre
sus polos sur y norte, por veinte férreas es­
calas, pensará quien de ligero juzgue que
para componer cualquier avería en viaje
bastaría salir por la poterna sur o por la
poternilla norte, y trepar luego, o descen­
der, por dichas escalas hasta llegar frente
a las cargas necesitadas de reparaciones.
Pero esto, hacedero cuando, en medio de un
aire respirable, y con suficiente presión at­
mosférica, colocaron los operarios las cáp­
sulas propulsoras alrededor del orbimotor,
varado en su grada de Paramillo, era im­
posible de realizar en él después de remon­
tarse a gran altura.
Opondríanse a ello, no sólo la carencia de
aire, sino el frío exterior y la falta de pre­
sión atmosférica necesaria a la vida; pues
la temperatura externa al novimundo sería
en el vacío la del cero absoluto, es decir,
273 grados bajo el cero del termómetro cen­
tígrado, y entre 100 y 200 kilómetros de
altura una no muy distante de ella.
En cuanto a la presión, decrecería hasta

el extremo de provocar en el insensato que
arrostrara dicho decrecimiento hemorragias,
no sólo por boca, nariz y oídos, sino por
todos los poros de su piel; hemorragias con
las cuales comparadas son insignificantes
las que célebres aeronautas padecieron en
memorables ascensiones aerostáticas con
sólo remontarse unos cuantos kilómetros;
hemorragias que con toda la sangre se lle­
varían la vida de quien a ellas se expusiera,
y cuya causa, bien notoria, sería faUa, so­
bre la piel, de presión atmosférica exterior
contrarrestante de las interiores desarrolla­
das por la sangre en venas, visceras y epi­
dermis.
La carencia de aire externo podía obviar­
se empleando en los reconocimientos o re­
paraciones extranovimundianas las escafan­
dras, con depósitos de él, usadas por los bu­
zos; mas contra el frío inconcebible, contra
la falta de presión, no bastaban ni escafan­
dras, ni aun trajes por el estilo, de los in­
ventados por María Pepa para desafiar las
emanaciones del volcán o las radiaciones
del cinetorio; pues la presión interna del
aire en ellos contenido, los haría estallar
por falta de suficiente solidez en ellos: En
cuanto al frío, congelaría a quienes los
visitieran para pasearse sobre la cáscara del
novimundo.
Por saber todo esto, había ideado la Ca­
pitana aquella bola cristalina de lo alto del
aviplaneta. Pues aunque las precauciones
adoptadas en la fabricación y montaje de
las cápsulas alejaban toda verosimilitud de
que durante el viaje pudieran estropearse,
r.o quiso, sin embargo, pecar de impreviso­
ra, prescindiendo de arbitrar medios de re­
parar accidentes.
Dos esféricas paredes de vidrio entre sí
concéntricas, y de treinta centímetros de
espesor, quedaban separadas por un vano de
veinticinco, relleno de colodión, constituyen­
do un poderoso aislante o verdadero escudo,
casi impermeable al horrible frío externo,
combatido además, dentro de la esfera, por
la incandescencia, a voluntad regulada por
el tripulante, de un enrejado metálico. Re­
cibía éste la energía eléctrica que lo calen­
taba de repetidas y frecuentes descargas de
ondas etéreas engendradas en la central
eléctrica del Autoplanetoide y transmitidas
sin alambre como la ondulación de igual
naturaleza es impulsada en la telegrafía,
sin conductores, de Marconi.
El aire, viciado por la respiración del
ocupante, restaurábase con tomas automáti­
cas y palatinas de un depósito de oxígeno,
a través de una válvula. El ácido carbónico
exhalado por aquél se precipitaba sobre una

DEL

OCEANO

A V.E N U S

3r

provisión de cal, que, convenientemente do­
tada de extraordinaria avidez por dicho de­
letéreo gas, se apoderaba de él formando
carbonato de cal.
La presión del aire en el interior de la
esfera era la normal de una atmósfera, o
sea 760 milímetros del barómetro mercurial.
Así, el obrero que en el aparato se encerra­
ra, podía reírse en su escondrijo del vacío
y del frío.
Una barra metálica muy robusta atra­
vesaba la esfera por su centro y servía de
eje a dos ruedas que a sus extremos roda­
ban, presa cada una entre un par de carri­
les, que desde lejos vistos parecían las ba­
randillas altas de las escalas exteriores del
Autoplanetoide.
Cuando surgía necesidad de componer
una carga, no había sino elevar, con la grúa,
la esfera, sacando ésta del agujero donde
normalmente descansaba en el orbimotor;
maniobrar eléctricamente la grúa para que
engranara las ruedas de la bola entre los
carriles bajo los cuales estuviera la cápsula
averiada, y largar cable de alambre que
permitiera a este original vagón esférico
bajar rodando por la doble vía férrea, has­
ta la cápsula frente a la que era detenido
parando el torno que largaba el cable, del
cual pendían la esfera y el obrero.
Todas estas maniobras de grúa y torno
se efectuaban por el vulgar procedimiento
—vulgar en 2186—de transmisión aérea de
fuerzas motrices, que no era, en suma, aun­
que industrialmente perfeccionado, sino el
aplicado siglos antes por Tesla, Torres Quevedo, Branly, para el gobierno e impulsión
a distancia de una canoa, un torpedo, una
vagoneta, etc.
El tamaño de la esfera y el camino por
ella recorrido, entre cada dos cargas con­
tiguas—matemáticamente igual para cada
par de ellas—, habíalos calculado María
Pepa de modo que al enfrentar la esfera
toda carga, el zócalo cilindrico donde ésta
se montaba enchufábase dentro de un golle­
te, tubo o cuello, corto y ancho, que salía
de aquélla (1).
Y ahora llegamos a lo más interesante
para la comprensión del segundo accidente,
que, mientras María Pepa atendía al pri­

mero, sobrevino de improviso, privándola,
de sus más importante medios de acción.
Cuando la esfera destinada a las repara­
ciones descansaba en su alvéolo, ahuecadoen el polo norte, hacíalo enhebrando su cue­
llo en un tubo vertical horadado en el fondode aquel alvéolo. Este tubo desembocaba
interiormente en el techo de una reducida
habitación que María Pepa llamaba cámarade vacío, excavada en el espesor del corchovidrio de la pared externa del novimundo.
Por último, en el piso de esta cámara se
abría, como boca de alcantarilla, la superior
de la poternilla norte de comunicación con
el interior del Autoplanetoide: establecida o
interrumpida por apertura o cierre de dos
tortísimas puertas análogas a las ya des­
critas de la poterna sur.
Por la poternilla, la cámara y el gollete
de la esfera, entraba en ésta, con las debi­
das precauciones para evitar pérdidas del
aire de la atmósfera interior del novimun­
do, quien en dicha esfera hubiera de reco­
rrer la superficie del autosidéreo.
Nadie sino la Capitana y sus pegadizosabuelos sabían cuál era el objeto de aque­
lla esfera; por eso, con propósito de infor­
mar detalladamente a Valdivia de la ma­
niobra necesaria para arrancarla de su al­
véolo, y retornarla a él, terminada una ex­
ploración, habíale hecho María Pepa que­
darse cuando salieron los demás pilotos del
despacho de la Comandancia; pues Valdi­
via iba a ser la persona encargada de eje­
cutar aquella no difícil, mas sí comprome­
tida maniobra en el primero y ya inmediato
reconocimiento; maniobra que, interesantí­
sima siempre, lo sería entonces doblemente,,
porque el obrero que iba a meterse en la
rodante bola, no era un vulgar operario,
sino la misma María Pepa, que en el impor­
tante reconocimiento de las averías no que­
ría fiarse de mercenarias referencias, ni ex­
poner a los riesgos de la empresa a sus an­
cianos abuelos.
No les dijo a ellos lo del riesgo cuando a
porfía insistió cada uno en meterse en la.
bola, sino que hizo hincapié en razones di­
ferentes. Con Fognino, en la necesidad de
que personalmente dirigiera en el taller de
cinetorio los ensayos de las cápsulas que
habían de sustituir a las estropeadas, y vl-

(1)
Dicho gollete, interiormente tapizado de
gruesa goma elástica, se inflaba por presión de
aire, inyectado en su interior por el obrero que
en la esfera viajaba quedando así fortísimamente
adherido al cilindro del zócalo de las cargas y per­
mitiendo que, sin perder su aire respirable, abrie­
ra el operario una compuerta del interior del gollte, a través de la cual podía manejar las ade­

cuadas herramientas que para la reparación hu­
biera menester.
Lista ya ésta, cerraba la compuerta, retiraba,
la presión de la zona contra el zócalo de la carga,
y daba aviso telefónico para que, cobrando cable,
fuera izada la bolaj rodando cuesta arriba entre
carriles, hasta volver de nuevo a descansar en eL
rebajo circular de lo alto del orbimotor.

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

aragonesa, que, tendiendo la mano a A ris­
gilara estrecham ente a los operarios, puesto
que recelaban hubiera entre ellos un tr a i­ tides, contestó conmovida:
—Gracias, gracias, amigo mío. Pero no
dor. P ara tal cometido científico-policíaco
puede ser: la provisión de oxígeno de la es­
nadie tan indicado como el astuto italiano.
fera no da abasto sino para una persona.
A H aupft lé->dijo que era irreem plazable
para ocupar los puestos que, por unas ho­ Además, que no es usted tan inútil como
cree; pues paseándose allá afuera en el bal­
ras, iban Valdivia y ella a dejar vacantes en
el gobierno y pilotaje del orbim otor; y a concillo, bromeando en el Casino In tern a­
cional, bullendo y metiéndose en todas p ar­
papá Ripoll le comunicó el reciente nom­
tes, alegre, distraído y charlatán, usted, de
bram iento con que le había agraciado de
quien nadie desconfía, va a prestarm e el
General en Jefe d e.los Ejércitos Novipoligran servicio de abrir, de p ar en par, ojos
tanos; pues, previendo posibles disturbios
y oídos, en acecho de un rostro, una pala­
populares cuando se divulgara la noticia de
bra, seña o gesto sospechoso, que puedan
las averías, precisaba poner al frente de las
ser indicio utilizable para ponernos en la
tropas hombre del temple del catalán, que
pista del traidor que está jugando con las
fuera garantía de que ningún amotinado,
vidas de doscientas criaturas, y que pronto
dado el supuesto de que m otín se alzara,
veremos si sabe y puede g anar la m ía en la
lograría e n tra r en la Comandancia, ni en
p artida que vamos a empeñar.
los talleres, ni en la central eléctrica.
—Es verdad—exclamó aterrado Valdivia.
—Pues sigue tú gobernando el motopla—Sí, sí—agregó A ristides—. Si ese tr a i­
neta—contestó H aupft.
—Pues m anda tú las tropas y déjame re­ dor conoce el funcionam iento de la esfera
de reparaciones...
conocer las cargas—gruñó Ripoll.
—Si lo conoce, amigo mío, es lo probable
—Usted es aquí la Capitana del orbimo­
tor—agregó taim adam ente Leblonde—, y, que sea ésta la últim a vez que nos veamos.
—No vaya usted—dijo Leblonde.
por tanto, la últim a que debe abandonarlo.
—No se exponga a ese riesgo—dijo Val­
—Es que no lo abandono por estar enci­
divia. m a en vez de estarm e dentro. Es que por
Miró a ambos fijamente María Pepa con
Capitana debo dar ejemplo, realizando esta
empresa, que ahora probablemente asusta­ gran serenidad, diciéndoles:
—Por ser débiles viejos, nada de esto he
ría a los obreros que habrán de reparar el
dicho a esos pobres ancianos, que me m iran
accidente, y a que se prestarán sin miedo
como a hija; pero ustedes, por jóvenes, de­
cuando sana y salva me vean volver de ella.
Es que soy yo quien debe levantar el espí­ ben ser fuertes y valientes, y d iscu rrir con
ritu de mis subordinados, ganar su confian­ frialdad, pensando que si ese enemigo puede
cebarse en mí, con ello quedará salvo el pa­
za con mi comportamiento. Es que quien
sobre sí tiene el mando y sus responsabili­ saje, y libre ya de riesgos el orbimotor, que
dades necesita!' ser obedecido y no puede
mis abuelos sabrán conducir otra vez a la
perder, en estas discusiones, tiempo que ha
T ierra y repararlo en ella para que vuelva
m enester para m ejor empleo; pues palabras
a rem ontarse y vuele a los planetas.
baldías y m inutes perdidos son ahora cine—¿A los planetas?... ¡Sin usted!...
—Bueno, sin mí; pero por m i impulsado.
torio y fuerza malgastados.
Nadie replicó ya, resignándose todos con
Si ese enemigo conoce el secreto de las re­
los papeles que se les señalaban, dándoles
paraciones, éstas son imposibles; si lo igno­
ra, yo respondo de ser quien lleve a ustedes
■claras instrucciones para su desempeño.
Salió Fognino para el taller de cinetorífc;
a otros mundos. A eso se reduce el dilema;
fuése Ripoll a conferenciar con sus tenien­ y como yo no sirvo para vivir con dudas,
tes Soledad y Santiago; subióse H aupft al
por eso tomo el único camino de aclararlas.
puente a vigilar a los pilotos y el espejo de
La Capitana es un gran cebo para que su
m aniobra; y cuando ya los tres habían sa­
enemigo haga contra ella cuanto sepa y
lido, saltó Leblonde, disimulando su emo­ pueda: lo que haga o lo que no haga me
ción con bromas:
dará la medida del poder que aquí tiene. Y
—Pues quien no sirve para cosa de mayor
ése es el solo medio de saberlo sin compro­
provecho, reclam a un rinconcill© en el fon­ m eter las vidas del pasaje y la existencia
do de esa redoma condenada en la que va
de este Autoplanetoide que es mi obra...
usted a embotellarse... Siendo yo ahora el
Valdivia, si en esa expedición que a em­
único perro disponible de aquellos cuatro
prender voy me ocurre un accidente, en tre­
que a tedas horas solían seguir a usted, ése
gará usted a m is abuelos este papel que
■es mi puesto y nadie puede disputármelo.
contiene mi últim a orden y mi últim a vo­
Llenáronsele de agua los ojos a la brava
luntad: mandato de bajar a Tierra, rep arar

34

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

las cargas y volar nuevamente a los plane­
tas. Ya ven ustedes que, viva o muerta, el
avimundo y yo vamos al cielo: juntos, o
cada uno por un lado, pero al cielo los dos
coii la ayuda de Dios. ¡Ea, esta es la hora
de la fortaleza de los hombres! No se hable
ya más de esto. Usted, Eeblonde, a ver y
oír por todas partes. Usted, Valdivia, es­
cucho.
C
Cuando la bola de reparaciones descan­
sa, como ahora, en la concavidad vaciada
en lo alto del orbimotor, no está sujeta a
éste solamente por su peso, sino por la
atracción que potentísimos electroimanes
incrustados en dicha cavidad ejercen sobre
unas bandas de hierro dulce remachadas a
la parte inferior de la bola.
La cámara situada bajo ésta, en la que
deseniboca el túnel vertical donde enchufa
el gollete de la esfera, se halla normalmente
desprovista de aire, y, por tanto, en dichas
condiciones basta el peso de la esfera a
mantenerla sobre el orbimotor. Pero como
para pasar del interior de éste a la esfera
y volver de ella a aquél es necesario abrir
la poternilla que en la cámara acaba, si esto
se hiciera sin tomar precauciones, la vio­
lenta presión súbitamente ejercida sobre la
parte de abajo de la bola por nuestra at­
mósfera interior, a la cual no se opone otra
igual fuera, lanzaría aquélla a los espacios,
p pesar de cables e imanes. De aquí nece­
sidad de no abrir la poterna sino después
de inyectar previamente aire en la cámara,
con una bomba neumática.
— Pero entonces el aire así inyectado ex­
pulsará también la bola.
—No, amigo Arístides, pues tal presión
no crece brusca y violentamente en un ins­
tante desde cero a una atmósfera, cual cre­
cería con la apertura prematura de la po­
terna, sino que entrando el aire poco a poco
en la cámara, su gradual crecimiento per­
mite que la atracción de los imanes retenga
la esfera en su alojamiento.
Una vez llena de aire la cámara, abrire­
mos la poternilla, entraré yo en aquélla y
pasaré por el gollete al interior de la esfera
exploradora. Cuando el amigo Valdivia vea
que ya me encuentro bien instalada en ella,
cerrará la poterna, dará a la bomba movi­
miento inverso, para extraer el aire de la
cámara; y cuando el manómetro indique
estar conseguido esto, detendrá la dínamo
excitadora de los electroimanes, que ya des­
imanados, permitirán a la grúa elevar la
bola, haciéndola girar hasta encarrilar sus
ruedas en los rieles del meridiano XII, cu­
yas cargas me propongo reconocer para en­
terarme de la causa de la averia.

Arriba, sobre el cuadrante de maniobra,
le explicaré prácticamente el modo de hacer
todas esas operaciones, moviendo las mani­
velas de escaso número de conmutadores, y
la manera de irme bajando de carga en car­
ga, según las indicaciones telefónicas que
enviaré a usted desde la esfera, y la de
izarme cuando, del mismo modo, dé tal
orden.
Lsfc maniobras de los electroimanes y
la bomba, son sencillísimas y se hacen a
distancia con un transmisor de telegrafía
sin hilos que emite ondas de distintas fre­
cuencias, con las cuales están sintonizados
—lo cual quiere decir afinados, amigo Leblonde— los receptores que abren o cierran
las corrientes motoras de aquellas máqui­
nas, y que son insensibles—hablo de los re­
ceptores—a la multitud de ondas de dife­
rentes y variadas frecuencias que la cen­
tral eléctrica lanza para poner en movimien­
to los ascensores, grandes anteojos, calorí­
feros, aparatos de telegrafía y tanta máqui­
na como funciona en nuestro mundo.
Para no fiar cosa tan importante a la me­
moria— agregó María Pepa dirigiéndose a
Valdivia—, anote en un papel.
—Y yo también anoto— dijo Leblonde—
por si a él se le perdiera el apunte.
Pero ninguno de los tres oyeron otra voz,
femenina, por cierto, que cogiendo precipi­
tadamente lápiz y papel, decía en un pabe­
llón de la Avenida A:
—Pues yo no he de ser menos.
Y aun cuando María Pepa no vió escri­
bir sino a dos personas, tres anotaron según
dictaba ella:
— “Frecuencia en la transmisión para in­
yectar aire en la cámara de vacío, 1.500.000
vibraciones de onda por segundo; para ex­
traerlo de ella, 2.300.000; para poner en ac­
tividad los electroimanes, 1.000.000; para
desimanarlos, 700.000.”
—Y ahora, vamos allá arriba, amigo Val­
divia; y usted, señor Jefe de Policía, a su
oficio en la calle. Vea, vea por esta ventana
cuánta gente está ya asomada al balconci­
llo, requiriendo anteojos para observar la
Tierra, en cuanto el sol acabe de disipar las
nubes que abajo tenemos. Vamos, Valdivia,
vamos, que pronto van a dar las siete.
No, Leblonde, no: nada de despedidas.
Hasta la vuelta... Sí, hombre, hasta la vuel­
ta, que en este trance no ha de abandonar­
me la patrona de mi tierra.
Al decir esto sacóse María Pepa del seno
una medalla de la Virgen del Pilar que
cuando niña le colgó su madre al cuello, y
la besó, saliéndose de prisa, seguida del pi­
loto, al pasillo por donde se llegaba al as-

DEL

OCEANO

censor de la poternilla norte: mientras A ris­
tides, cabizbajo, cejijunto y pensativo, ba­
jaba la escalera de la Comandancia, salía a
la plaza y se encaminaba al balconcillo del
Bulevar de Ronda, donde acudían ya todos
los novipolitanos a quienes sus deberes no
retenían en otra parte.
— Que charle y que bromee; que observe
y aceche...— iba pensando el simpático fran­
cés— . Bueno estoy yo para todo eso, cuan­

A

VENUS

35

do no pienso sino en el peligro que va a
correr esa muchacha... Y he de disimular,
no hay más remedio; porque sabiendo aquí
todos que yo soy de los íntimos de la Capi­
tana, mi preocupación alarmaría a la gente.
Y es preciso espiar por todas partes, y a
todo el mundo; pues nada es ahora tan in­
dispensable como descubrir a ese maldito
y desconocido enemigo y averiguar de qué
medios se vale.

Vil
ENCUENTRA SARA UN PLAN PARA NUEVA BATALLA
mientras en el uespacho de la Coman­
dancia explicaba María Pepa a sus amigos
y auxiliares cuanto se ha dicho en el último
capítulo, Sara, en su alojamiento, no apar­
taba la vista del fotofonógrafo, ni perdía
palabra de las que centelleaban en la lucecita. Aparte lo narrado, oyó a la Capitana
que tan pronto conociera las causas del des­
arreglo de las cargas, organizaría los traba­
jos de reparación en seis turnos de cuatro
horas en las veinticuatro del día, en los
cuales los tres obreros disponibles efectua­
rían la sustitución de las cápsulas inútiles
por otras recién probadas por Fognino en
el laboratorio, ocupando aquéllos sucesiva y
alternativamente la esfera de reparaciones,
en cuanto ella la dejara libre, al regresar
del reconocimiento.
Por ignorar mistress Sam Bull el sigiloso
embarque de las supletorias reservas de cinetorio, no había alcanzado pleno éxito su
bién urdida trama, que a no ser por tal
causa, habría obligado a la Capitana a vol­
ver fracasada a la Tierra. Mas todavía no
había ganado ésta la batalla, pues el cono­
cimiento de sus planes y proyectos para re­
poner las cargas substraídas, leídos por Sara,
palabra por palabra y frase a frase, en los
parpadeos y cambiantes colores de la lucecilla Fleming, eran, en manos de tal mujer,
armas sobradas para proseguir la lucha. Y
aun se lisonjeaba con la idea de que el des­
cubrimiento del secreto de aquella bola, que
bien decía ella ser tapón, y, sobre todo, las
notas al oído tomadas, debían hacerla due­
ña absoluta de los acontecimientos; pues
conociendo la frecuencia de las diversas
transmisiones radioeléctricas empleadas en
el manejo de la esfera de reparaciones, malo
sería no pudiera ella poner mano en tal

maniobra desde su mismo dormitorio, para
modificarla a su placer sin que nadie pu­
diera prevenirlo.
Eran estas frecuencias de transmisión in­
termedias entre las que en el siglo xx pro­
ducían los aparatos Feddersen, muy emplea­
dos en las estaciones de potencia media de
telegrafía sin conductores, y las engendra­
das en los excitadores Hertz de uso co­
rriente en el mismo siglo en los gabinetes
de experimentación eléctrica. En el x x i i
se aplicaban tales clases de ondas a trans­
misiones a distancias cortas de unos cuan­
tos centenares de metros. Estas eran las
mayores que en el novimundo podían en­
contrarse, y de tipos adecuados para produ­
cir dichas clases de ondas los aparatos que
ya se dijo anteriormente trajo consigo Sara
de Norteamérica para establecer la clandes­
tina comunicación fotofonográfica con la
Comandancia, y que no pudo utilizar su
cómplice el electricista, por la necesidad de
acudir para montarla secretamente al r i­
dículo y vetusto sistema del teléfono con
conductores de alambre.
A llí, en un armario, tenía ella aquellos
excitadores que corrió a buscar en cuanto
la bombilla fonográmica lució con luz tran­
quila, indicando que María Pepa, Leblonde
y Valdivia habían salido de la Comandancia.
Tres eran los aparatos que a su disposi­
ción tenía, y sucesivamente examinó, dando
un grito de júbilo cuando en la base del ter­
cero vió grabada la siguiente inscripción:
- “ 600.000 a 1.200.000” : dato de fábrica indi­
cador de la capacidad del aparatito para
engendrar ondulaciones etero-eléctricas, cu­
yas vibraciones por segundo podrían variar,
a voluntad del operador, entre aquellos nú­
meros, al ver los cuales pensó inmediata-

36

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXi.

mente la ingeniosa yanqui que, empleando misores montados en el orbim otor pueda
producir tales ondas.
como antena los alam bres del toldo de su
Pero donde de fijo h ab rá uno, a lq menos,
azotea, aislados previam ente con empalmes
de repuesto, es en el alm acén de m aterial
de cordones de seda a sus extremos, podría
lanzar por ellos al espacio ondas sintoniza­ eléctrico. ¿Cómo hacerm e con él? ¡Dick,
das con el receptor de la dínamo que ex­ Dick!... Eso es... A estas horas no habrá sa­
citaba o interrum pía la imanación y des­ lido todavía de su casa, porque la entrada
en el taller no es h asta las ocho.
imanación de los electros de la esfera de
Al pensar esto volvió S ara a acercarse al
reparaciones.
—Bien hace esa m ujer—se decía satisfe­ cajoncillo de debajo del espejo, y oprim ien­
cha—en sospechar que t^ngo ya su vida en­ do un pulsador eléctrico, aguardó no más
de medio minuto, h asta v er encenderse en
tre mis manos; porque eti cuanto ella esté
lo
hondo del cajón secreto una pequeñísima
en la esfera, y antes de que Valdivia tenga
espiral m etálica: mudo aviso de que, ente­
tiempo de extraer el aire de la cámara,
rado Dick de la señal, esperaba sus órdenes.
puedo, desimanando los imanes, lanzarla a
Tomó la bocina del teléfono de com unica­
ella y su bola a las alturas, de donde baja­
ción con el falso mulato, y dijo:
rían a aplastarse en la T ierra. P a ra ello
_Necesito im prescindiblem ente un ca rre­
amablemente me prestaría el piloto la fuer­
te excitador m arcado entre uno y dos m i­
za de la presión del aire que estará ahora
llones... Los hay seguram ente en almacén...
inyectando en la cámara.
Arréglese como pueda, porque lo necesito
No basta, no, señora Capitana, inventar
^aparatos ingeniosos y secretas transm isio­ urgentemente... No, hombre, no: son muy
pequeños, y pueden esconderse en la fiam­
nes a quien no sabe defender sus secretos.
brera del lunch de las once, que lleva usted
¡M atarla!... ¡Qué inocente!... ¿Que yo
al taller... ¿Qué?... Se puede lo que se quie­
m ism a convierta en heroína a la sabia?...
re... ¡Cómo!... ¿Qué dice usted?...
No, no m orirá en el reconocimiento, porque
Al recibir respuesta a esta pregunta, dió
ambiciono algo que ha de dolerle más. E s­
una patada en el suelo, pues decíale Dick
tas m eridionales no saben nada de odios;
que quien no p restara servicio en el almasólo comprenden el bestial aborrecim iento
ciego que rugiendo mata, no el verdadero y * cén o en la central eléctrica no podría en­
tr a r en uno ni en otra, porque cinco m in u ­
más terrible odio frío, tranquilo, refinado,
tos antes acababan de m ontar guardias a
que m edita y razona.
¿Matarla?... ¡Ca!... D ejarla prisionera en su las puertas de dichos edificios para im pedir
la entrada a quien no llevara pase de la Ca­
bola, sin posibilidad de volver al planetoide;
pitana o del señor Ripoll.
colgarla ahí fuera como testigo vivo de su
Cogióle aquello de sorpresa a Sara, pues
propia im potencia; obligar, m ientras tanto,
como su fotofonógrafo no oía lo que se h a ­
a esos vejetes a que para salvarla y evitar
blaba en el cuarto de Soledad, donde M aría
una general catástrofe, vuelvan el motoestePepa dictó sus disposiciones m ilitares, ni
la r a la T ierra, adonde llegará con la ilustre
inventora ridiculam ente recluida en su ja u ­ idea tenía de ellas; pero, una vez repuesta
de la contrariedad del prim er momento, or­
la: totalm ente fracasada por no saber regir
denó a Dick que nada hiciera, por ser lo
su orbimotor, por no saber ni aun gobernar
más interesante no despertar sospechas. Y
la ratonera en que ahora va a meterse, por
term inó su conferencia telefónica encar­
no poder ni ascender, ni bajar, ni salir...
gándole que a la salida del taller no dejara
¡Bonito desenlace del sueño de rem ontarse
de inform arla de cuanto en él se hiciera du­
a las estrellas!
ran te el día, sin cuidarse de si ella contesta­
Y si este divertido proyecto no pudiera
ba a su llam ada; pues pondria en lu g ar del
realizarse, aun quedan medios—se decía 1?
auditivo una película fotofonográmica don­
avispada Comandante yanqui — de fru stra r
de impresa quedara la comunicación de él.
sus planes; pero para aplicarlos necesito
La noticia de las prevenciones m ilitares
otro oscilador que me dé las frecuencias,
de la Capitana la preocupó un rato, y h as­
que éstos no proporcionan, utilizadas en el
ta le sugirió la idea de posibilidad de com­
manejo de la bomba: un excitador de uno
b atir a M aría Pepa con algaradas y suble­
a dos millones de ondas por segundo.
vaciones del pasaje, caso de no bastarle
¿H abrá alguno en el gabinete eléctrico
científicos recursos; pero en seguida volvió
destinado a experiencias de estudio de los
a la dom inante urgencia del momento: la de
comisionados científicos? ¿Podria yo subs­
proporcionarse transm isor capaz de poner
traerlo por m edia hora?... ¡Qué tontería!...
en movimiento, cuando a ella le pluguiere,
Yo m ism a acabo de oírle que h a tomado
la lejana bomba neum ática que Inyectaba o
la precaución de que ninguno de los trans-

DEL OCEANO A VE NUS

extraía el aire bajo la esfera de reparacio­
nes. Y después de dejar caer la moldura del
espejo, y de echar la llave al escondrijo, des­
corrió el pestillo de la puerta de entrada y
se sentó a reflexionar, mascullando entre
dientes terminachos de tecnología eléctrica.
De pronto, dándose una palmada en la
frente, exclamó:
—Sí, tal vez sea posible que al cabo de
unas cuantas probaturas con mis aparatos
consiga producir la clase de ondas que
necesito, pero para todos estos tanteos,
que no serán breves, necesito estar sola en
casa (1).
A tener la soltura de Alvaro en esta clase
de problemas radiotelegráficos, o a tener
aquí, cuando menos, la agenda con las fór­
mulas que perdí en la borrachera de la no­
che que llegué a Paramillo... ¿Cómio me
arreglaría yo para que Alvaro me sacara
del atolladero sin enterarse de lo que me
propongo?
En aquel preciso instante entraba él en
la alcoba a informarse de cómo seguía Sara
de su indisposición; y al verla en pie y oír
de sus labios que, si no bien, sentíase nota­
blemente mejorada, ponderó el soberbio es­
pectáculo que en cuanto transcurrieran
pocos minutos podría gozarse desde el bal­
concillo; pues las nubes, sobre las chales se
mecía el autoestelar, íbanse deshaciendo
más y más de prisa a los rayos del Sol, y
muy en breve permitirían contemplar la
Tierra desde aquellos doscientos kilómetros
de altura y disfrutar de un panorama que
abarcaría más de siete millonés de kilóme­
tros cuadrados de superficie terrestre: es
'decir, extensión casi igual a 4/5 de la de
Europa entera, superior a diez Penínsulas
Ibéricas, dos y media Argentinas o nueve
Chiles.
Aun cuando, a no estar Sara sugestionada
por sus tramas y planes, habríale interesado
vivamente la inusitada grandeza de aquel
jamás visto espectáculo, apetecíale más en
la ocasión presente quedarse otra vez sola
para enfrascarse en la divertidísima tarea
de dejar colgada en el palito de su jaula a
María Pepa, que, de no estar metida ya en
(1) Pensaba entonces Sara que tomando una
derivación de la corriente del alumbrado y lanzán­
dola a los alambres delgado o grueso de uno de los
carretes de los dos transmisores que no la servían,
podría rebajar o aumentar el voltaje e intensidad
de dicha corriente; alimentando con ella el otro
transmisor, obtener diferente frecuencia en las onlas emitidas por éste; y si a mayor abundamien­
to modificara la misma corriente con una o varias
de las tres cajas de resistencias de aquellos apa­
rate^ acaso hubiera combinación <e ellos capaz de
producir ondas de la frecuencia que necesitaba.

37

la bola, habría de hallarse a punto de me*
terse en ella.
Pero como la ejecución de la original e
ingeniosa travesura no podía realizarse sin
previo y no breve ensayo de las proyecta­
das manipulaciones eléctricas con sus exci­
tadores, imposible de hacer con la premura
exigida por un inmediato colgamiento—ur­
gencia que podía despertar las sospechas de
Alvaro—hubo de desistir por el momento
de aquella seductora jugarreta. A reserva
de convertirla en realidad después de haber
ya preparado sus bártulos radiotelegráficos
si le ocurría a la Capitana realizar nueva
expedición por el estilo.
Teniendo, de otra parte, curiosidad gran­
dísima de ver si andaba ya por fuera de su
mundo, que no podía satisfacer en casa,
aparentó gran interés por aquella perspec­
tiva de la Tierra, no ya a vista de pájaro,
sino a vista de bólido; y con su marido s$
salió a la calle,Encaminándose ambos a los
balconcillos circulares.
Eran éstos dos: uno pequeño, y giratorio
cuando se deseaba, para los sabios de las
comisiones internacionales, donde éstos en­
contraban abundante surtido de variados
instrumentos científicos, y hasta una docena
de anteojos de grandísimo aumento, mon­
tados a lo largo de la barandilla y a dispo­
sición de todo sabio o sabia que deseara
emplearlos. Otro mucho mayor, sin posi­
bilidad de movimiento circular, estaba des­
tinado a la plebe, y provisto tan sólo de
unos cuantos anteojos de pacotilla, que, a lo
más, aumentaban en cincuenta veces el ta­
maño de los objetos con ellos mirados.
Tanto el primero, adonde fué el matri­
monio Sam-Fairelo, como el segundo, es­
taban de bote en bote, dando ya el público
en ellos congregado, sobre todo el del gran­
de, muy visibles señales de impaciencia;
pues las nubes, que allá en lo hondo se pe­
leaban con el Sol, parecían burlarse de éste
y de la ^ente que a sus pies las miraba.
Tan pronto se aclaraban, dando esperan­
za de disiparse en breve, como se conden­
saban espesando el velo por ellas interpues­
to entre la Tierra y el orbimotor. El Sol,
bastante alto, pues ya habían dado las
ocho en los relojes ajustados a la hora de
Mendoza, logró por un momento abrir hacia
Occidente un jirón en los-nubosos cirros,
que aprovechó un sabio geógrafo para ases­
tar a él su anteojo, diciendo al poco rato:
“El volcán de Osorno y la Isla Chiloe.” Pero
apenas abierto, se cerró el boquete. Poco
después, prodújose nuevo desgarrón, pasa­
jero también, en aquel manto de vapores
de agua, que empujado, con ellos, por el

38

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

viento, hacia el norte, perm itió ver rápida,
sucesiva y fugazmente pequeñas porciones
de la tie rra y el mar.
¡Valparaíso, Coquimbo!—gritaron, palmoteando regocijados de ver su patria, unos
obreros chilenos, en el balconcillo donde se
apiñaba la democracia de Noviópolis.
A ntofagasta y P u n ta Anganos—excla­
mó un m arino al ver estos lugares a través
de aquel raso entre lps nubes, que con ellas
se corría hacia el norte: el norte de la T ie­
r ra , no del novimundo.
i- Y ya no se vió más, porque un enorme
nubarró n tapó el agujero. Y am ontonán­
dose en todas direcciones, y en confuso es­
pesísim o montón, nimbos y nimbos de plo­
mizos tonos, cada vez más obscuros, ocul­
taro n completamente el mundo: con ruido­
sa protesta de la gente del balcón popular,
y sin que la creciente cerrazón perm itiera a
los sabios del otro concebir esperanza de
volver a ver nada en variasfhoras.
Todos aquellos ojos, excepto los de Sara
que varias veces había ya dirigido los suyos
a la a ltu ra en busca de algo, para ella in te­
resante, que sospechaba andaría allá arriba,
llevaban largo y no interrum pido rato de
m ira r hacia abajo; así que, al convencerse
de que nada veían en dicha dirección, se al­
zaron instintivam ente.
Quien prim ero advirtió lo que ya había
visto ella rato ha, sin hablar de su hallazgo,
lo m ostró a sus vecinos, éstos, a quienes a su
lado estaban; y en unos m inutos, tanto los
sabios como los ignorantes, m iraban sor­
prendidos hacia lo alto del novimundo, en lo
exterior del cual resbalaba sobre sus tra n s­
parentes paredes una redonda y gruesa gota
de agua: que por tal tom aron al principio
la esfera de reparaciones.
¿Qué es aquello que b rilla y se muevt
sobre el Autoplanetoide?
—¿E l qué?... ¿Dónde?...
—A rriba, allí: por encima, y a la derecha
del puente de maniobra.
—E s agua.
1—No: parece una bolita de cristal—aijo
uno que la m iraba con un anteojo.
—Y da vueltas; y baja; y algo parece ne­
g rear y removerse dentro de ella.
■—Sí, sí, cae rodando; pero m uy despacio.
—Se desliza entre carriles.
—Ahora se para.
—¿Qué será,?
s—Todo eran com entarios, suposiciones,
conjeturas, m ientras M aría Pepa, m etida en
su novísimo vagón esférico de vidrio, des­
cendía rodando lentam ente hasta llegar a
la carga XII-3 norte, en donde se detuvo,
lo menos diez m inutos, p ara ap retar las

gomas circulares contra el redondo zócalo
de aquélla, ab rir la compuert’illa, desmon­
ta r y re tira r la cápsula, obturar nuevamen­
te el gollete, dar orden telefónica a Valdivia
de que volviera a larg ar cable, y rodar nue­
vam ente para ir a repetir las mismas ope­
raciones en la siguiente carga XII-2 norte.
Aquellas interrupciones de la caída, du­
ran te las cuales perm anecía la esterilla sus­
pendida e inmóvil, sin visible artefacto que
la sostuviera, ten ían algo de sorprendente,
casi milagroso, p ara la gente indocta del
balcón popular :"porque el cable de suspen­
sión, robusto, m as no grueso, era invisible
a la distancia a que estaban los mirones.
Los científicos aristó cratas del otro bal­
concillo com prendieron desde luego que
aquello debía obedecer a necesidades pre­
v istas, aunque las ignoraran ellos, y a
fuerzas procedentes del in terio r del autosidéreo. Se ap untaron anteojos a la esfera,
descubriendo el cable, y cuando deteniéndo­
se aquélla d ejaron de deslum brar a los ob­
servadores la m ultiplicidad de centelleantes
reflejos por el sol encendidos en su brillante
superficie en movimiento, se vió la cria tu ­
ra hum ana que dentro rebullía, suponién­
dose fuera un piloto o un obrero.
Advirtiendo que las detenciones de la
bola se efectuaban a distancias fijas, e igua­
les, según dijeron los anteojos, a las exis­
tentes en tre cargas contiguas, dedujo el
sabio conclave que la bola tenía que ser un
aparato destinado a revisión, cotidiana tal
vez, de los elementos propulsores del motomundo, o un cargador destinado a repo­
ner periódicam ente la p arte de explosivo
consum ida cada día, para m antener la cons­
tan cia de fuerzas en las cargas.
E n avería nadie pensaba sino Sara, que
aprovechando, cual solía, toda ocasión de
acreditarse de inteligente y perspicaz con
Alvaro, le confió sus temores de que aquel
inundo donde se habían metido no fuera
sino un cacharro descompuesto, y las sos­
pechosas m aniobras de la bola reconoci­
miento precipitadam ente hecho, para des­
cubrir desconocidas y acaso peligrosas
irregularidades de funcionamiento, que
acaso com prom etían la vida de doscientas
personas, por culpa de quienes no exigieron
a la aventurera española que antes de zar­
par descubriera todos sus secretos, entre
los cuales podía m uy bien haber equivoca­
ciones garrafales.

—No, no digo nada—contesté a una ob­
servación de Alvaro—, porque no quiero
alarm ar al pasaje sin certeza plena de que
haya urgencia de salvarlo. Por 1c pronto, no
creo que esas m an io b ras' sean habitual y

DEL

OCEANO

diana inspección de cargas, pues tengo la
vehemente sospecha de que el orbimotor,
aun cuando un poco más arriba, está ahora
tan parado como estaba en Paramillo. Pen­
sando en las velocidades que debería des­
arrollar en la subida, teniendo en cuenta
las enormes distancias de sus larguísimos
viajes, paréceme la altura a que vemos el
Sol sobre la redondez de esa esfera de nu­
bes que rodea la Tierra, mucho mayor de
lo debido; pues si te fijas en el tamaño de
la sombra de este barrote de la barandilla,
advertirás que viene a ser el que tendría en
Mendoza a esta misma hora. Además, tam­
poco nos movemos lateralmente, porque el
sentido y la velocidad del lento giro de la
sombra de ese mismo barrote, por efecto del
cambio de posición del Sol, son los mismos
que serían si estuviera clavado allá abajo
en el suelo, y aun si me apuras, digo que

A VENUS

39

podrían servirnos para saber la hora como
un terrestre reloj de sol.
No cabe duda, por lo tanto, de que hemos
dejado de subir, y como tampoco avanza­
mos horizontalmente, esto no puede ser sino
por causa de averías.
—¿Averías?... Sí; tienes razón.
—Más bajo, hombre.
— Sí—continuó a media voz Alvaro— , has
visto perfectamente claro. Anoche, al re­
gresar yo a casa, noté que comenzábamos
a caer. Luego se detuvo la caída... Pero de
ocurrir lo que piensas—y tu razonamiento
sobre la posición y movimiento del Sol en
el cielo, reveladas por esa sombra, es irre­
futable— la cosa es gravísima.
Y una vez más se admiraba Fairelo del
saber y la ciencia de su esposa, con la que
continuó cuchicheando.

Vili
LEBLONDE VENTEA UNA PISTA
Mientras los sabios discutían sobre la es­
fera de reparaciones y su funcionamiento,
Aristides, que gozaba libre acceso al bal­
concillo de los príncipes de la ciencia, no
por sabio, que no era, sino por su alto cargo
de Insector de Sanidad, ya que del nuevo
de Jefe de la Policía nadie tenía aún noticia,
iba y venía, entre los grupos, con orejas y
ojos de par en par abiertos, procurando pes­
car lo que pudiera de las conversaciones,
y dedicando especial atención a quienes,
por serle personalmente antipáticos, atraían
sus sosechas: por ejemplo, el señor Chu-Fo,
a quien tenía entre ceja y ceja desde que
se enteró de sus propósitos de reemplazar
los apetitosos manjares, vinos y mentís con
gases, píldoras y pinchazos de inyecciones.
De un hombre de tan pervertidas ideas—
decía su antipatía gastronómica — todo
puede temerse.
*
Por razones menos prosaicas y egoístas
recelaba también del matrimonio Sam-Fairelo, recordando los rifirrafes provocados
por la frustrada directora respiratoria de
los novimundianos, cuya dirección ya se
veía no hacía la menor falta, pues sin ella
se respiraba en el novimundo mucho mejor
que en el mejor sanatorio suizo del mundo
viejo. Aunque, a decir verdad, no respiraba
él entonces muy a gusto que digamos; mas

no por culpa del aire, leve, fresco, discre­
tamente ozonizado, en el novimundo dis­
frutado, sino por las angustias que lo so­
brecogían al ver rodar, allá en lo alto, a la
Capitana; por la zozobra de que el oculto
autor de la avería de las cápsulas conociera
el mecanismo de la bola, en cuyo caso era
probable que María Pepa no escapara con
bien de la aventura.
—Aquí, tal vez a mi mismo lado— se de­
cía Aristides—, tengo al maldito sabio que
se apresta a cortar ese cable para precipitar
a la pobre y heroica muchacha en un abis­
mo de no sé cuántos centenares de kilóme­
tros de altura.
Al pensarlo cerró los ojos, tan asustado
como si fuera él quien cayera; y haciéndo­
le su inquietud acordarse de la urgencia
de descubrir la pista que le habían encarga­
do venteara, a ventear se puso, apartando
los ojos de la maldita esfera, cuya vista le
perturbaba con horribles temores.
Cuando la gente se dió cuenta de la exis­
tencia de ella, y reparó en sus movimientos,
tenía Leblonde clavada la mirada en ChuFo, y al observar la que éste levantó para
enterarse de la novedad, vió tan claramente
pintadas en su rostro la sorpresa y la cu­
riosidad de quien es de improviso sorpren­
dido por algo para él completamente nuevo,

40

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

que se atenuaron sus sospechas; pues si las alas de un eco, la palabra “avería”: áun
nada sabía el profesor japonés de tal esfe­ cuando el portugués y él se hallaran a
ra, no cabía atribuirle propósito ni medios opuestos lados del balconcillo y separados
de intentar nada contra quien la ocupaba. por distancia que tal vez pasaría de los
Por haber sido el ilustre Director de ochenta metros (1).
Al oírla se encendió en su cerebro un.
la Alimentación con quien primeramente
tropezó a su llegada al balconcillo, perdió destello de vivísima luz. Porque, ¿cómo po­
Arístides tiempo en la averiguación de lo día aquel hombre conocer el accidente a no
que deseaba; pues, si en vez de mirarlo a ser obra suya?
Si Arístides hubiese sabido un poco de
él, hubiera espiado a Sara y Alvaro, habríale llamado la atención el contraste entre el acústica, de ecos y resonancias, de ángulos
curioso interés con que éste miraba la es­ de incidencia y reflexión, habríase estadoterilla, cuya finalidad y cuyo mecanismo quietecito en el lugar que la suerte le de­
desconocía, y la tranquila indiferencia de paraba para no perder frase de la conver­
sación del matrimonio, puesto que quietos
ella ante cosa prevista y conocida. a
De haber visto esto, seguramente habría seguían ellos recostados en la barandilla del
reparado Leblonde que Sara y él eran allí balcón; mas su torpeza, científica se entien­
los únicos cuya curiosidad no se excitaba de, que en lo demás partía un pelo en el
con las evoluciones de la bola; y es muy aire el flamante Jefe de Policía, le llevó a
probable que mozo tan despierto dedujera acercarse a ellos pensando espiarlos mejor.
que dicha coincidencia podría provenir de Y claro está, dejó de oír, porque no pudo
saber ambos lo que los otros ignoraban; de aproximarse tanto cual deseaba por el te­
lo cual a lanzarse sobre segura pista ya no mor de despertar sospechas. Mas desde en­
había sino un paso, no dado entonces por tonces ya no perdió de vista a Alvaro.
Pasó el tiempo y se cansó la gente de ver
no haber visto a la yanqui sino después:
cuando con alturas del sol, longitudes de dar vueltas a la bola, que hacia las once,
sombras y movimientos de ellas, convencía hora de Mendoza, oficial en Noviópolis, lle­
a su marido de la quietud del orbimotor: gaba a la segunda carga sur del XIIo me­
aunque de todo ello no oyó Leblonde pala­ ridiano.
Desvanecido el incentivo de la novedad,
bra, por estar lejo^ de la sapientísima pa­
ya se hacía el espectáculo muy monótono;
reja.
No dejó, sin embargo, de fijarse el fran­ las nubes de allá abajo, más obscuras que
cés en que sin tomar parte en las discusio­ nunca, seguían ocultando por completo la
nes entabladas por los sabios sobre lo que Tierra, y el público, aburrido, comenzaba a
era novedad del momento, se mantenía abandonar los balconcillos, que desiertos
apartado el matrimonio a un lado: singula­ quedaron al dar la última campanada de
ridad que, reforzada con sus añejas descon­ la citada hora y vocear un clamófono el
fianzas, hízole maniobrar, acercándose di­ aviso de estar dispuesto el lunch en el “La­
simuladamente a ellos, para ver de pescar boratorio de la Alimentación”.
Aquel primer lunch fué servido, o más
lo que pudiera de su conversación.
Si el autor fuera un novelista de los bue­ bien administrado, bajo la inspección del
nos, que entretejen los hilos de sus tramas señor Chu-Fo, por los cuatro ayudantes quí­
atendiendo a apariencias de verosimilitud, micos del sabio japonés, a quienes cada con­
diría ahora que Leblonde consiguió, sin ser sumidor entregaba un vale cortado de un
visto, llegar cerca de Alvaro, cosa no muy talonario personal de alimentación, a cam­
difícil en el repleto balconcillo de los sa­ bio de un refrigerio o piscolabis gaseoso,
bios, y que entonces oyó la palabra avería, consistente en dos minutos de pulverizapor aquél pronunciada en voz tan alta que
hizo a Sara advertirle que bajara el tono.
(1) La explicación de este fenómeno es muy
pues estando los dos sobre un mismo diá­
Pero como esto no es una novela, sino sencilla,
metro de la esfera, daba además la casualidad de
concienzuda futu-historia, grabada en el que
las ondas sonoras de la voz de Fairelo iban a
cerebro de la. vidente mademoiselle Thellis reflejarse
en los puntos del círculo máximo de la
de plano perpendicular al diámetro en que
por misterioso proceso cinepsicográfico, ha esfera
y él se hallaban, sin tropezar al ir ni al
de sacrificarse en ella la verosimilitud a la Leblondereflejados,
en edificios ni columnas, ni nin­
verdad; siendo ésta que un fenómeno de es­ volver
gún otro material obstáculo que perturbara su
pejismo acústico, debido a convergencia de propagación ; y así las reflejadas iban a coincidir y
en el lugar por el otro ocupado.
reflejos de la voz de Fairelo en la cóncava concentrarse
el autor que la anterior explicación
esfericidad interna de la pared del Auto- no Reconoce
peca de puntual ni rigorosa, pero como no es­
planetoide, convertía dicha concavidad en tamos en una cátedra de Física Matemática, créese
tornavoz que clara enviaba a Leblonde, en dispensado de entrar en más detalles.

'

DEL

O GEA N D A

ción, o mejor dicho, vaporización en la boca
abierta, con ia cual quedaba listo el parro­
quiano para aguardar sin desfallecimientos
la comida.
—Es sumamente cómodo— decía al sa­
lir una señora gorda, ilustrísima‘gloria del
Instituto de Entomología de Amsterdam— .
Yo venía desfallecida y me siento comple­
tamente confortada. Además, tiene la ven­
taja de no tener sabor alguno.
— Si eso parece a usted una ventaja—le
contestó un peruano que la acompaña­
ba—... yo, es verdad que me encuentro ali­
mentado, pero me acuerdo de las chuletas
y el coñac.
*
Y aun siendo, por breves y nutritivas,
realmente cómodas aquellas refacciones por
absorción gaseosa, obliga la imparcialidad
a consignar que la mayoría de los consumi­
dores (de la opinión del peruano), se con­
tentaban con el burbujeante tente en pie
sólo por no tener a su disposición en el
Autopianetoide cocina más sabrosa y sucu­
lenta que la cocina química del señor
Chu-Fo.
En cuanto a Arístides, ni los pies puso en
el comedor oficial. Pero entonces, ¿de qué
se alimentaba?, preguntará el lector... Mis­
terio: misterio que acaso aclare el tiempo,
mas por ahora impenetrable.
Ni entrar quiso en el templo de la nutri­
ción científica, en pos de Sara y Alvaro, a
quienes desde lejos seguía. Quedóse afuera,
acechando a regular distancia su salida; y
aguardándola estaba cuando vió venir al
Alférez en compañía de un cabo, marchan­
do n*uy gallardos, no, gallardas, porque el
alférez era Soledad, y el cabo una de aque­
llas mozas de la Escolta de la Capitana, o
escoberas, como decía la plebe, que no te­
nían para hacer boca con los chicos de San­
tiago; y que a no ser por las actuales pre­
ocupaciones de Leblonde, habríale parecido
a éste el gran bocado: mas tales eran éstas,
que a despecho de su probada devoción a
las guapas muchachas, antes que en el gar­
bo y gentileza de la apuesta moza, pensó en
la utilidad que podría prestarle sustituyén­
dole en el rastreo de la pista que él venía
siguiendo, con peligro de ahuyentar la caza
si los espiados advertían que lo eran por
persona tan afecta como él a María Pepa.
Resuélto, pues, a utilizar auxiliares, y
observando al acercarse a saludarle Sole­
dad el despierto aire y la inteligente mira­
da de la acompañante, respetuosamente
cuadrada uri poco atrás, dijo en voz baja
a la sevillana:
Parece lista esa chica que te acom­
paña...

VENUS

<1

— Pues todavía es más de lo que parece.
— Préstamela, la necesito con grandísima
urgencia.
— ¡Don Arístides!... ¡Por Dios!... ¡Vaya
unas bromas!...
— ¡Quita, mujer!... No es eso, ni esto es
broma, sino cosa muy seria: no te la pido
en cah-dad de chica guapa, sino de cabo.
— Lo siento, pero no puede ser: estamos
todas de servicio por orden de mi ama.
— Y también yo, y también de orden de
ella.
— Imposible, imposible. Yo tengo mi con­
signa. Usted no sabe lo que es una consigna.
—Verdad: qué quieres, hija, no todo eL
mundo puede ser alférez. Pero ahora se tra­
ta de defender a tu ama de un enemigo des­
conocido que creo haber descubierto, y
cuyos pasos sigo con miedo de que mi vigi­
lancia sea inútil si descubre que soy yo
quien lo acecha. Puedes darme esa buena
moza con la misma confianza que se la da­
rías ál señor Haupft, que anda por los
ochenta, y estar segura de que a estar aquí
tu ama, te ordenaría entregármela.
— No: ésta, no; como va de uniforme lla­
maría la atención. Le daré otra mejor.
Aguarde aquí un instante, que inmediata­
mente se le presentará a usted. Hasta la
vista, señor Leblonde.
Mientras éste se quedaba pensando que
cuando no estuvieran de servicio, procura­
ría hacer amistades con la Cabo, dándosele
muy poco de los permisos y opinión de So­
ledad, cruzó ésta la calle, y acercándose a
otras dos escolteras que vestidas de paisa­
no hablaban junto a una esquina, les pre­
guntó cuál de ellas estaba libre.
— Yo— contestó una, flacucha y poco agra­
ciada— . Ahora mismo me estaba relevan­
do Paca.
— Pues, hija, no hay relevo; hoy estáis
todas de servicio permanente. ¿Conoces al señor Leblonde?
—’Si, mi Alférez: es aquel que está allá
enfrente.
—Bien; pues preséntate a él, y obedécele
en cuanto te mande, por el tiempo que te
necesite— . Y para sí pensaba: “ A ésta no
hay cuidado de que me la entretenga más
de lo necesario.”
1
—A la orden de usted—contestó la feú­
cha, que un minuto después, y mientras So­
ledad y la Cabo continuaban su camino, se
paraba ante Leblonde, y saludando mili­
tarmente repetía:
—A la orden del señor Inspector: soy el
Sargento de la escolta que el Alférez envía
a usted.
—¿Dónde tendrá los ojos Soledad para

42

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

decir que es este escuerzo mejor que aquella
buena moza, ni en qué cabeza cabe el ha­
cerla Sargento y a la otra sólo Cabo?—Esto
fué lo primero que pensó Aristides al ver a
la recién llegada; pero en seguida, acordán­
dose de lo más interesante, preguntó a la
muchacha.
—¿Conoce usted al Capitán Fairelo?
Ha de advertirse que el señor Inspector
solía tutear a todas las chicas guapas de la
escolta, sin jamás permitirse con las feas
la misma libertad.
—Sí, señor: desde que entró en Noviópolis soy una de las que, vestidas de paisano,
vigilamos a su señora por orden del Alfé­
rez: ahora queda Paca en mi puesto.
—También es casualidad. Pues ahora,
mientras la otra la vigila a ella, no ha de
perderlo usted a él de vista, si los dos se
separan. Observe dónde va, qué hace, con
quién habla, qué dice, si pudiera usted oírlo.
Dentro de dos horas vayan, usted o la otra,
a darme parte a mi alojamiento; y si en él
no estuviere, telefonéenme a la Comandan­
cia. Ya sale de tomar el lunch. No lo pierda
de vista; y mucho ojo y mucha precaución.
Dicho esto, corrió Leblonde al balconci­
llo, pues en aquella calle los edificios y los
ascensores le ocultaban la parte del orbimotor sobre la cual rodaba la esterilla de
reparaciones, y estaba en vilo hasta no ver
si seguía rodando sin tropiezo ni accidente.
Rodaba, sí, mas ya entonces subiendo la
cuesta del ecuador al polo, más de prisa que
la había bajado, y sin detenerse en carga al­
guna, lo cual quiere decir que se hallaba en
el viaje de retorno después de terminar sin
novedad el reconocimiento.
Sintió henchírsele el pecho el buen Aris­
tides, iniciando un suspiro de satisfacción
interrumpido apenas comenzado, por pen­
sar que hasta el fin nadie es dichoso, j que
si suspiraba antes de ver la bola quieta en
su agujero, corría peligro de suspirar en va­
no. Por eso fué tremendo el resoplido con
que, después de aquella larga contención,
alivió el pecho, cuando la vió pararse sobre
el polo, descender y encajarse en su álveo.
— ¡Salva, salva! — gritó emprendiendo
otra carrera que acabó en el despacho de
María Pepa, donde, por una puerta, entró
como una tromba, al mismo tiempo que
ella, seguida de Valdivia, entraba por la
frontera; cogiendo y apretando las manos
chiquititas de la Capitana, entre las largas
y huesudas manos de él, y sin que la emo­
ción y la fatiga de su correr desenfrenado le
dejaran articular palabra.

— Sin novedad. Ya n » visto usted que
aquellos miedos que tenía...
—¿Aque... quee... queellos...?. Los que us­
ted vió no va... lían na... nada; los gordos
fueron los otros, los de des... después...:
cuando la vi dar volteretas allá afuera
¿Y
no viene usted mareada?... ¡N o!... Vaya una
cabeza firme.
María Pepa 'Soltó la carcajada, diciendo,
en cuanto pudo contener la primera explo­
sión de la risa:
— ¡Pero hombre de D ios!... ¿Usted ha
creído que yo iba dando volteretas?
—Pues ¿qué había usted de hacer dentro
de esa condenada pelota que no dejaba de
dar vueltas? Sólo de recordarlo se me ahila
el estómago y me vuelven las bascas que sen­
tía al verla rueda que mecha.
— ¡Ja, ja, ja !... ¡Poblé Leblonde!... ¡Pero
si he ido todo el tiempo tan sentada y dere­
cha como en esta butaca!— dijo María Pepa
sentándose y dejando sobre la mesa las sie­
te cápsulas demontadas que traía de su ex­
pedición?
—Pero, ¿cómo puede ser?
—Muy sencillo: si usted quiere algún día
probar ese vehículo y rodar como yo...
—No, no. Mil gracias; lo agradezco.
—Usted se lo pierde, porque iría comodísimo en el sillón que, siempre vertical, cuel­
ga del eje, por muchas vueltas que la bola dé.
—¿Y por qué diablos no me lo dijo usted
antes? Vaya un mal rato inútil que me ha
hecho usted pasar.
—Inútil, no, porque ha ganado usted con
él mi agradecimiento.
—No merece la pena. Guárdelo para cuan­
do su nuevo Jefe de Policía le traiga a usted
el nombre del autor...
— ¡Cómo! ¿Ha averiguado usted algo ya?—
le atajó vivamente María Pepa, con tono en
que se traslucía más temor que curiosidad.
— Sí, pero hasta que acabe de tender mis
redes, y en ellas caiga el pájaro, no digo una
palabra más.
—Ya usted ha visto que ese enemigo no
puede o no quiere matarme— replicó la Ca­
pitana con seriedad teñida de melancolía
que se avenía mal con las anteriores carca­
jadas, y sin hacer el menor intento para
averiguar el nombre que callaba Arístides;
sorprendiendo a éste aquella extraña falta
de curiosidad de una mujer en cosa que tan­
to debiera interesarle.
—¿Y v-iene usted satisfecha del resultado
de su reconocimiento?... ¿Ha averiguado lo
que necesitaba saber?
—No lo sé todavía. Eso nos lo dirán Fognino y Haupft cuando, dentro de dos horas,
hayan analizado estas cápsulas, que al pa-

DEL

OCEANO

recer son iguales a las demás. Aquí está
Haupft— agregó, viendo entrar al abuelito,
■que, avisado telefónicamente en cuanto Ma­
ría Pepa tomó tierra , o más bien novimun-

A

VENUS

43

do, no tenía piernas ni pulmones para llegar
con la velocidad que el provençal. A poco
llegaron, a consecuencia de igual llamada,
Ripoll y Fognino.

IX
(ARRIBA!...'
Pasadas las primeras expansiones de afec­
to ée los tres abuelos, hondamente conmo­
vidos al ver que inmune regresaba la nieta,
díjoles ella que, ya tranquila con la certeza
que el reconocimiento le había dado de que,
no habiendo averías en los excitadores ni
en los imanes, sino sólo en las cápsulas,
todo se remediaría rápidamente con una me­
ra substitución de las estropeadas, íbase a
dormir un rato para recuperar el perdido
sueño de la noche anterior, mientras ellos
efectuaban los ensayos de las cargas reco­
gidas.
—A las cuatro volved a decirme el resul­
tado del análisis. Tú, papá Ripoll, mantón
todas las precauciones militares. Usted, Val­
divia, recuerde lo que allá arriba le he en­
cargado, y que al despertarme quiero recibir
el parte de hallarse el autoplanetoide a 20.000
kilómetros de altura.
— ¿Has pensado?...—preguntó vacilante
Fognino.
— Sí— contestó ella, resuelta, sin dejarle
acabar la pregunta en que ya traslucía una
objeción— , he pensado que a esa altura dis­
taré poco más de cuatro radios terrestres
del centro de la Tierra, distancia cuádruple
de la de dicho centro a los objetos de la su­
perficie de ella: que cada tonelada que en el
suelo pesa 1.000 kilogramos, y solamente
949 a nuestra actual altura, no llegará a pe­
sar 60 en cuanto subamos a 20.000 kilóme­
tros; es decir, que para sostener el novimundo en donde estamos habré menester
fuerzas diez y seis veces mayores (1) que
(1) Como María Pepa no se paraba en menu­
dencias, que tampoco preocupan al autor, no
puntualizó el exacto decrecimiento del peso actual
de personas y cosas en el Autoplanetoide a los 200
kilómetros de altura a que entonces se hallaba,
cuya reducción al llegar a 20.000 sería realmente
no de 16, sino de 16,062; y en reladión al de
ellas en la superficie de la tierra, 16,914.
La razón es sencilla, pues es sabido que la fuer­
za de la gravedad (o su aceleración, hablando en
términos científicos, que en el ecuador imprime
los cuerpos velocidad de caída de 97?8 metros por
segundo, y de 9,80 en el polo) es tanto menor

las necesarias para sostenerlo alia arriDa; y
sé que permanecer aquí sería malgastar ab­
surdamente el cinetorio. He pensado que,
disminuidos en la misma proporción los pe­
sos de obreros, herramientas, ejes, ruedas y
volantes de las máquinas, y no variando la
fuerza muscular de aquéllos, ni la de los re­
sortes, ni el voltaje de éstas, operarios y má­
quinas podrán levantar allí pesos diez y seis
veces mayores en el mismo tiempo o iguales
en tiempos diez y seis veces menores: al
punto que un trabajo que ahora exija cuatro
horas, quedará terminado en quince minu­
tos.
¿Que los obreros tardarán algo en adap­
tarse a tales condiciones?... Convenido; pero
aunque rebajemos a la mitad el aumento de
eficacia del trabajo, todavía rendirán má­
quinas y obreros ocho veces más que ahora
realizando en un día nuestros tres operarios
labor para la cual necesitaríamos emplear
aquí veinticuatro durante el mismo tiempo.
Ya ves, papá Ripoll, cómo los tres obreros,
ayer insuficientes, me bastan hoy, y por qué
confiaba en poder reparar mi orbimotor.
— ¡Evidente, evidente!— dijo Haupft.
—Es verdad— corroboró Fognino— . Pero,
sin embargo...
cuanto mayor la distancia de los cuerpos al centró
de la Tierra, supuesto en coincidencia con el de la
gravedad de ella) y se sabe, asimismo, que la re­
lación entre intensidades de la gravedad a diver­
sas distancias al centro es igual a la inversa de los
cuadrados de dichas distancias. De donde, siendo
6.367 kilómetros la longitud media del radio terres­
tre, los cálculos que permitían a María Pepa decir
lo que con razón afirmaba eran sencillísimos.
Véase: Peso de la tonelada en el suelo, o sea
a 6.367 kilómetros del centro de la Tierra, 1.000
kilogramos.
Peso a 200 kilómetros de altura, o sea a 6.567
de dicho centro, 1.000 kilogramos multiplicados por
6.367* y dividido por 6.5671
2, igual a 949 kilogra­
mos con 513 gramos.
A 20.000 kilómetros de altura, a los que corres­
ponde distancia al centro de la Tierra de 26.367,
resultaría la tonelada igual a 1.000 kilogramos
multiplicados por 6.367*, divididos por 26.367* o
sea 50 kilogramos con 989 gramos.
Y María Pepa dijo 60. La diferencia no merece
la pena de discutir sobre ella.

44

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XNII

venezolano, un chico muy moreno y muy
— Esta neneta vale más que pesa; no allá
simpático, que por cierto tampoco había idoarriba, ni aquí, ni siquiera en el suelo, sino
ai
lunch del Sr. Chu-Fo. Siendo tales sus
que la enormidad de toneladas que pesaría
prisas y sus precauciones, al colarse aden­
en el mismísimo centro de la Tierra (1).
tro, que ni seguirlos ni atisbar nada de la
—Yo no entiendo ni pizca de todo eso y
habitación pudo nuestra amiga Ifigenia, que
me marean las explicaciones de la Capitana;
me
dicta todo esto; deduciendo de tan gran
pero veo clarísimo que tiene mil razones;
cautela, que pudiera ser hija del pudor, muy
porque si hemos salido de la Tierra para ir
a las estrellas, ¿cómo hemos de llegar si no laudable, de Arístides, que acaso se encerra­
se a bañarse asistido del fámulo. Es vero­
subimos?
símil.
—No he acabado todavía—agregó María
Poco más de media hora después llegó en
Pepa, recalcando las palabras y mirando a
su busca el sargento disfrazado que Soledad
Fognino, que era el único objetante , por­
puso a sus órdenes, y le participó que tras
que bastándome veinte o veinticuatro horas
allá arriba para hacer la compostura, en lu­ un paseo por la población, habían vuelto Sara
y Alvaro a su casa; que a poco apareció él
gar de ocho días que necesitaría aquí, es
en la azotea, con su asistente y el de la co­
claro que economizaré en ella 127 gramos de
mandante, su señora; que ejecutando órde­
cinetorio en cada 128 de los que aquí me
nes del capitán habían los fámulos arregla­
costaría, porque diez y seis veces menos fuer­
do los cordeles—la sargento ignoraba que no
za en ocho veces menos tiempo, es en total
eran cordeles, sino alambres— , a lo largo
128 veces menos gasto.
de los cuales corría el toldo. Acabado el
— ¡Arriba, y visca la Coronilla! .
arreglo, y después de permanecer un rato en
— ¡Visca la Capitana!—coreó Leblonde.
el interior, volvió a salir el Sr. Fairelo, di­
— Que por tener mucho sueño suplica la
rigiéndose al Instituto de Experimentación,
dejen ustedes dormir, aun cuando sólo sea
abierto a todas horas a las internacionales
tres horas. ¡Ah! Papá Ripoll, redacta y pu­
comisiones científicas para que entretuvie­
blica inmediatamente un bando previniendo
ran los largos días de la venidera travesía
al pueblo que modere la fuerza y la viveza
con estudios, experimentos e investigaciones,
de sus movimientos, pues la gran disminu­
y en el cual tenían a su disposición sober­
ción de peso que experimentarán personas
bias instalaciones con numerosos y variados
y objetos podría acarrear accidentes si no
departamentos y gabinetes astronómicos,
se cuida de atemperar a ella la habitual
eléctricos, químicos, etc., etc., profusamente
energía de los músculos. Y usted, Valdivia,
dotados de toda suerte de instrumentos y
suba muy despacio, para que poco a poco se
medios
de experimentación.
habitúe la gente a su mayor ligereza. Como
Allí quedaba el portugués con ocupación
desde aquí solamente hemos de elevarnos
para rato, al parecer, según lo absorto y
19.800 kilómetros, basta una pequeñísima
entretenido que, con unos aparatos desco­
velocidad media de 6.600 kilómetros por
hora (1,836 kilómetros al
lle= nocidos para ella, se le veía desde la calle
por una ventana junto a la cual se había
gar a 2Q.000 en tres horas. Hasta las cuatro.
instalado. Se entiende que ella era el sar­
Fuéronse Haupft y Fognino a sus análi­
gento.
sis, Valdivia al puente, Ripoll a dictar el
—En eso estamos iguales, porque tampoco
bando a Soledad, y Leblonde a encerrarse
a piedra y lodo en la más retirada habita­ sé yo mucho de esas cosas—dijo Leblonde,
pensando que María Pepa se había equivo­
ción de su casa en compañía de su criado
cado encargando a hombre de su poquísi­
ma ciencia de descubrir crímenes en que era
(1)
La emoción del ilustre astrónomo barcelo­
cómplice la ciencia; porque si el portugués
nés le había hecho decir un disparate, porque,
estaba preparando alguna cienlífica gatada,
aunque el peso de los cuerpos soterrados va
aumentando según con su profundidad disminuye
por el estilo del estropeamiiento de las car­
la distancia al centro de la Tierra olvidaba que
gas, nadie menos apto para olfatearla que
esto es solamente entre determinados límites, pues
un
Jefe de Policía cuya sapiencia estaba li­
hacia dicho centro tira de ellos toda la materia de
mitada a la de darse buena y alegre vida.
la Tierra que por debajo tienen, mientras que de
aquel centro tiende a separarlos la atracción de
Mientras pensaba en esto y en cómo se las
la parte de Tierra que por encima queda. Llega­
arreglaría para espiar, sin entenderlos, los
do, pues( al mismo centro, lo que en realidad ocu­
experimentos de Alvaro, que un instintivo
rriría es que, en todas direcciones, tiraría de él
la Tierra hacia arriba con fuerzas que en número
olfato policíaco le avisaba debían ser intere­
infinito serían dos a dos iguales y opuestas, y, por
santísimos, escarbábase nerviosamente los
tanto, no se movería. Claro es que esto supone es­
dientes con un palillo, maniobra que, acor­
férica la Tierra, y de uniforme densidad en todas
dándose de la alimentación del restaurant
sus partes.

segundo) para

DEL

OCEANO

-químico— incapaz de dejar resto alguno en
la dentadura—, preocupaba al sargento, lias
ta el extremo de escapársele un
— ¡Qué raro!...
— ¿El qué?...
—Que el Señor Inspector use palillos.
— ¡Palillos!—contestó sobresaltado Leblonde tirándolo en seguida— . ¡Ah, sí!... Es
que... que tengo una mírela picada, y se...
se me han quedado en ella unas burbujas
gaseosas del lunch de esta mañana. Bueno,
bueno, vuélvase usted al acecho sin perder
de vista a ese caballero en cuanto salga del
Instituto.

La primera idea de Arístides al quedarse
sólo fué correr a pedir a María Pepa u»
agente sabio, indispensable en la necesidad
presente; pero juzgando indiscreción inte­
rrumpir la siesta de quien en claro había
pasado la noche, acudió a los dictatoriales
poderes militares de su amigóte el barcelo­
nés, que ni la enhorabuena le dió por su
exaltación a la Superintendencia de Policía.
Gracias a haberle dado algo de mayor valía
no se ofendió Arístides.
He aquí el donativo:
“ Confidencial, urgente y reservado. El Di­
rector del Instituto de Experimentaciones se
pondrá incondicionalmente a las órdenes del
Sr. Leblonde, Jefe Superior de Policía, pres­
tándole, por sí o por medio de sus subordi­
nados, sin discutirlas ni tasarlas, las coope­
raciones que le pida.
Noviópolis, 11 de septiembre de 2186.—
P. O.: El Comandante General Accidental,
Jaime Ripoll.”
Diez minutos después salía Arístides del
despacho del Director del Instituto en comcompañía del encargado del gabinete radiotelegráfico que una hora antes había puesto
a disposición de Alvaro los aparatos que éste
pidió para sus experimentos.
Dicho ayudante quedó en el encargo de
vigilar al portugués y de redactar puntual
informe de cuanto hiciera durante su estan­
cia en el Instituto.
— Yo no lo entenderé, puede usted estar
seguro; pero no importa, es importantísimo
y ya lo leerá quien pueda entenderlo.
—Anticipo a usted que, en vista de los
aparatos que ese señor ha pedido, se trata
desde luego de experimentos radiotelegráflcos. ¿Es preciso interceptar los mensajes
que transmita?
— ¡Ah!... ¿Usted cree que transmitirá
mensajes? Eso es gravísimo. Intercéptelos,
intercéptelos; el primer deber de la Policía
es interceptarlo todo.

A

VENUS

45

— Entonces pondré en actividad el recep­
tor universal...
—Y eso ¿qué es?
—Muy sencillo: un surtido completo de
receptores de telegrafía sin hilos, graduados
entre muy amplios límites, que individual
o automáticamente combinados capturan al
paso cualquier radiograma, sea la que quie­
ra la frecuencia de las ondas empleadas en
su transmisión.
— Sigo sin entender palabra, mas da lo
mismo; y me alegro muchísimo de la exis­
tencia de ese chisme y de haber tenido el
honor de conocer a usted. Cuento con el in­
forme.
— Lo tendrá usted en su poder a la media
hora de salir de aquí el señor Fairelo.
—Mil gracias.
Al despedirse Arístides de su nuevo su­
bordinado, encaminóse a su alojamiento li­
gero y ágil como nunca se había sentido,
satisfechísimo al ver desvanecerse el recelo
que antes le había turbado de que la Capi­
tana se hubiera equivocado al honrarlo con
el nuevo cargo, para el que no era ya óbice
su ignorancia científica; pues veía él clara
su aptitud para altos y empingorotadísimos
puestos en la facilidad con que sabía elegir
aptos subordinados que trabajaran mientras
durmiera el jefe: que efectivamente se iba
a dormir, porque no siendo aún sino las dos,
también podía él echar su siesta hasta que
despertara María Pepa.
De minuto en minuto se sentía más suel­
to y ágil. Tal vez demasiado, pues dióse en
el camino tres o cuatro encontrones, y tre­
mendos por cierto, con otros tantos tran­
seúntes igualmente apresurados.
— ¡Qué atrocidad!...
— ¡Qué manera de echarse sobre la gente!
— Pues usted va despacio que digamos...
Estas o parecidas frases se cruzaban a
cada una de las colisiones, aquella tarde
frecuentísimas, en la vía pública, pues an­
daban las gentes de Noviópolis como andari­
nes en carrera.
Al parar en su casa halló al ayuda de cá­
mara en tal estado de perturbación, que a
quien no le constara que en el Autoplanetoide no había otros licores espirituosos sino
los empleados por Chu-Fo en sus prepara­
ciones nutritivas, habríale parecido borra­
chera; mas indudablemente convencido de
la injusticia de darle tan feo nombre, úni­
camente dijo Arístides:
— Este chico, en mi ausencia, ha tomado
otro lunch; pero en vez de enredársele en
las muelas se le han ido los gases a la ca­
beza. En adelante no dejaré a su alcance los
pulverizadores.

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

46

Dicho esto, puso en hora el despertador
para las cuatro y se tendió en la cama.
*

*

*

Sobresaltado con el repiqueteo del timbre
del despertador, saltó precipitadamente del
lecho a la prevista hora; pero en vez de
quedar en pie, junto a la cama, fué a dar
de bruces contra la pared de enfrente.
— ¡Qué barbaridad!— dijo por el camino— .
De esta hecha me despanzurro las narices.
Pero aunque dió con ellas contra el tabi­
que, no se las aplastó; con gran sorpresa
suya, creciente al advertir que la mano con
que intentó reconocer en qué estado que­
daban, no se detenía en las narices, sino
que continuaba subiendo hasta llegar a
cuanto consintió la longitud del brazo esti­
rado.
—Pero, ¿qué es esto?—se preguntó per­
plejo—. ¡Ah, sí!, ya caigo: es que debemos
estar ya a los 20.000 kilómetros a que or­
denó subir la Capitana; y las manos, y el
cuerpo, y todo pesan... ¿Qué pesará mi cuer­
po ahora?... Dijo María Pepa que diez y seis
veces menos que esta mañana y diez y siete
menos que ayer en Paramillo.
Y con curiosidad grandísima de averiguar
a qué se habrían reducido los 52 kilos de
su larga y flaquísima persona, cogió papel,
enristró lápiz y diciendo: “Este debe de ser
el dividendo, este otro el divisor..., no, no,
lo contrario”, a dividir se puso.
No fué breve faena, pues cuando no se
equivocaba en multiplicaciones, se enreda­
ba en las restas; y como en decimales tam­
poco estaba ducho, puso punto donde de­
biera poner coma, con lo cual, convertidos
los gramos en kilogramos, un monstruoso
cociente le espantó al decirle que el peso
actual del señor Jefe de Policía e Inspector
de Sanidad era de 3.058 kilogramos. ¡Tres
toneladas y un piquillo!... Y como aun para
compartido entre dos altos funcionarios era
aquél mucho peso, pues repartían a tone­
lada y media larga el Inspector de Sanidad
y el Superintendente de Policía, exclamó:
— ¡No puede ser!... ¡Sería horrible!... No
podría moverme. Digo, no podríamos mo­
vernos ni el Inspector ni el Superinten­
dente...
Esto son jugarretas de las malditas ma­
temáticas... ¡Bien decía mi profesor del Ins­
tituto que yo nunca sabría dividir!... Por­
que, diga el cociente lo que quiera, yo estoy
cierto de no pesar apenas nada.

Y para convencerse pegó un brinco que
le hizo dar con la cabeza en el techo, no
obstante los cinco metros de altura que para
proveer ampliamente de aire en sus domi­
cilios a los novimundianos se había dado a
todas las habitaciones al construir los edi­
ficios de Noviópolis.
—Bueno, ahora me descalabro—pensó al
sentir un leve testarazo en la cabeza— . Y
cuando se dió cuenta de lo insignificante
del golpe recibido, gritó con la voluble ra­
pidez con que ideas e imágenes solían atro­
pellarse en su cerebro inquieto:
—¿No?... Pues al bajar me rompo de se­
guro las piernas.
Pero tampoco se las rompió, lo cual com­
prenderá quien sepa colocar en sus debidos
sitios las comas de los decimales, restituyen­
do a aquel desmesurado cociente, su real
valor de 3,058, pues verá entonces que el
verdadero peso de Leblonde cuando saltaba
tan desaforadamente era de tres kilogra­
mos con 58 gramos.
—Bueno, pues aunque a coro me digan
disparates dividendo, divisor y cociente, y o
estoy archiseguro de que no peso casi nada.
Ni esto tampoco— dijo, tirando a lo alto
comq si fuera una naranja, la mesilla de
noche.
—Ni esto—y a pulso, con una sola mano,
levantó la cama con sommier y colchones.
Quedando persuadido con sus experimentos,
aunque no fueran muy científicos, de la in­
utilidad de las ciencias matemáticas, y gri­
tando enajenado:
— ¡Ya estamos allá arriba, no, aquí arri­
ba! ¡Que contenta estará María Pepa! Voy
ahora mismo a darle la enhorabuena.
Y a la calle salió como un cohete, viendo
que, a despecho del bando ya pegado en las
esquinas, andaba todo el mundo como él, a
enormes trancos en vez de andar a pasos. Y
le sorprendieron otros curiosos e imprevis­
tos fenómenos, que por doquier veía; pero
no tan extraordinarios y curiosos como los
que había de ver más adelante.
''
Queda aplazado para entonces hablar da
ellos, sin decir más ahora sino que, pesando
cuerpos y objetos mfucho menos que en la
Tierra y no habiendo variado la potencia de
los músculos de los novimundianos, desarro­
llaban éstos, mientras no se adaptaran a los
nuevos pesos, la misma fuerza que allá aba­
jo, siendo, por tanto, el resultado movimien­
tos muchísimo más rápidos y más amplios
de lo acostumbrado,

DEL

OCEANO

A

VENUS

47

*.

X
EL

SEGUNDO

Los pobladores del novimlundo, que, en
aquella primera jornada de su navegación,
no í'enían todavía distribuid» el tiempo con
arreglo a ocupaciones o hábitos aun no for­
mados, ni amoldada la vida a las condicio­
nes de ella en el orbimotor, habían contado
entretener gran parte del día en la contem­
plación de la Tierra, hundiéndose vertigino­
samente, por instantes, en más y más remo­
ta lejanía. Pero al fallarles el programa an­
daban atontados, sin saber cómo matar el
aburrimiento; pues el nublado cielo nada
dejaba ver del esperado espectáculo. Nur
blado por debajo— entiéndase lo que decir­
se quiere, pues los viajeros veían a sus pies
las nubes—siendo no el cielo sino la Tierra
la nublada y con el sol brillando arriba es­
plendoroso: más, mucho más esplendoroso,
que como desde el mundo pueda verse en cla­
rísimo día; pues su dorado disco destacábase
sobre el fondo de un cielo mucho más obs­
curo que el clásico celeste de nuestros cela­
jes despejados: un cielo que, tirando a azul
prusia, pasaría a turquí, llegando al fin a
convertirse en negro conforme el Autoplanetoide se elevara.
La novedad del obscurecimiento, aun no
más que incipiente, de los cielos y la ofre­
cida por la Luna y unas pocas estrellas vi­
siblemente perceptibles en plena luz solar,
iban entreteniendo, aunque no mucho, por
su monotonía, a la plebe; pero no aminora­
ban el aburrimiento de los sabios que te­
nían previsto todo aquello sabiendo era tan
sólo iniciación de naturales fenómenos, poco
dignos de pararse a observarlos en tanto no
llegaran a pleno desarrollo.
He aquí porqué los sabios eran quienes
más largo hallaban, en Noviópolis, el pri­
mer día del viaje, y he aquí por qué boste­
zaban también los sapientísimos Sara y A l­
varo. Es decir, ella, que andaba revolvien­
do en la cabeza proyectos y maquinaciones
muy suficientes a mantenerla distraída, no
se aburría, pero lo simulaba perfectamente
cuando, al salir del lunch y dar, con su ma­
rido, un paseíto por la población, quejábase
de la cansada tarde que se les presentaba en
perspectiva.
—¿Qué hacer? ¿En qué emplear aquellas
largas horas hasta la comida? Aun no te­

ACCIDENTE
nían desempaquetados sus libros; no habían,
trabado amistades, ni siquiera conocimien­
tos; el salón de recreos no había anunciado
todavía sus primeras representaciones...
— Podríamos irnos al Instituto a divertir­
nos en preparar curiosas combinaciones quí­
micas, o a entretenernos con el espectrosco­
pio, o a armar una batalla de microbios pa­
tógenos con microbios benéficos, y distraer­
nos contemplándola con el microscopio.
—No me apetece nada de eso, Alvaro.
Hoy no me divierte repetir lo de siempre;
necesito algo que me interese más: un pro­
blema nuevo, alguna dificultad que vencer.
— Pues, hija, no se me ocurre cosa más
divertida.
— Ni a mí tampoco. Y lo siento, porque
me aburro como una ostra... ¡Calla!... Tengo
una idea... Sí, sí; sería entretenido; ya lo
creo.
— ¿El qué?...
—'Según vimos esta mañana, cuando se
desgarraron las nubes, estamos sobre Chile,
y debemos andar cerca del observatorio as­
tronómico de Monte Tanquirica.
— ¿Dónde está empleado míster Froth?
— ¿Qué diría si de pronto le enviáramos
desde el cielo un saludo por la telegrafía
sin hilos?... Y hasta podríamos, si me apu­
ras, echar con él una parrafada telefónica.
— No estaría mal, y de seguro la alegría
de ese buen amigo superaría a su sorpresa;
pero la dificultad es que ignoro la frecuencia
de transmisión necesaria para comunicar
con la estación de Tanquirica.
— Yo la conozco: hace tres días, la vi en
el Anuario de telegrafía sin hilos que tienen
en El American de Mendoza. La normal no
la recuerdo a punto fijo, pero estoy cierta
de que anda muy cerca de millón y medio.
Empezando a tantear a esta frecuencia, no
serán largos los ensayos.
— También es casualidad que se te ocu­
rriera...
— No fué casualidad, sino que ya me tro­
taba esta idea en la cabeza antes de embar­
carnos, y por eso compré los dos transmiso­
res que habrás visto en casa.
— No, no he visto nada... ¡De modo que
tenemos!...
— Sí, hombre, allí están. No sé cómo no

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
los has visto... Eres tan distraído... Creía caución no emplear exclusivamente apara­
habértelo dicho, pero sin duda con el aje­ tos de su propiedad, y en su casa instalados,
dijo que para las combinaciones necesarias
treo de los preparativos de embarco...
en los entretenimientos telegráficos a que
pensaban dedicar la tarde, hallaría Alvaro
Los transmisores eran, ya se recordará, mejores elementos en el Instituto de Expe­
no dos, sino tres, pero mistress Sana tenía riencias, pudiendo ella probar suerte, por
poderosas razones para no hablar del otro. su parte, con los que en casa tenían; y así,
En cuanto a la frecuencia que la muy em­ siendo dos a tantear el problema, cada uno
bustera decía ser de la estación radiotele- por su lado, tendrían más probabilidades de
gráfica del observatorio chileno, que desco­ resolverlo.
En vista di esto decidieron que Alvaro,
nocía completamente, era la necesaria para
hacer funcionar la bomba de inyección de en el Instituto, con los aparatos que allí
aire en la cámara de vacío, situada bajo la hallara, y la antena de aquél, y ella en el
pabellón con sus propios transmisores y el
esfera de reparaciones.
Abreviemos: conocida la frecuencia y toldo, procurarían separadamente entablar
disponiendo de transmisores, sólo faltaba conversación con el observatorio de Tanqui­
antena; y aquí del arreglo de los tirantes rica.
He aquí por qué se estuvo Alvaro casi
del toldo, sugerido por Sara y ejecutado por
los asistentes, dirigidos por su cándido es­ toda la tarde tanteando conexiones de alam­
poso. Los transmisores pareciéronle a Alva­ bres y carretes, y realizando otras eléctri­
ro pequeños para comunicar con el obser­ cas habilidades que, por constituir un difí­
vatorio; pero haciéndole observar Sara que cil problema, sabía su mujer le interesarían
sobre estar cercano a él el planetoide, no cual solía interesarle toda ardua empresa.
había entre uno y otro montes ni edificios, Y lo conocía bien, pues en un soplo se le pa­
ni apenas masa de aire donde pudieran en­ saron cuatro horas largas de experimenta­
redarse los etéreos mensajes, resolvió hacer ción, hasta que al cabo de ellas y diciendo
la prueba.
triunfante "Esto es”, comenzó a lanzar lla­
De antemano sabia ella ser imposible que madas telegráficas por la antena del Insti­
tales aparatos dieran la frecuencia de la tuto.
“Estación de Tanquirica... Tanquirica...
bomba, que ella decía ser la de la transmi­
sión de Tanquirica; pero fingió gran extra- Tanquirica”... Y nadie respondía... “Obser­
vatorio andino de Tanquirica”... “Del Autoñeza cuando Alvaro le dijo:
—Se te olvidó mirar estos excitadores al planetoide”... “Frecuencia de transmisión,
comprarlos. Te han engañado: no son de la millón y medio vibraciones”... Y nada.
Mientras tanto ella también telegrafiaba
frecuencia que tú crees.
—Entonces hemos perdido el trabajo em­ el siguiente mensaje desde su casa:
“De Tanquirica al señor Fairelo, en el
pleado en nuestro ingenioso toldo-antena.
¡Qué fastidio! Yo que confiaba ya... Pero Autoplanetoide. El señor Forth saluda a su
oye: tú, que tienes en esto mucha más com­ amigo Fairelo y le desea buen viaje.”
petencia que yo...
¿Era que Sara pretendiera engañar a su
. —No, no, mujer; de ningún modo.
marido para darle un bromazo? De ningún
—No digas tonterías. Si te la reconozco... modo, porque no estando sintonizadas, o ar­
Por eso se me ocurre que acaso tú acerta­ monizadas, las frecuencias del transmisor
rás a acoplar excitadores y cajas de resis­ por ella empleado con los receptores del Ins­
tencias de modo que obtuviéramos la fre­ tituto dé Experiencias, sabía perfectamente
cuencia de transmisión que necesitamos.
que Alvaro no podía recibir su despacho. O
—Tal vez sí, tal vez no; depende de...
más bien sus despachos, pues con intervalos
Entró Alvaro en explicaciones rebosantes de diez minutos, y como quien insiste por
de altos tecnicismos, que, siendo muy ca­ no recibir respuesta, tres fueron los lanza­
paz de entenderlos, no entendió Sara; pues dos al espacio; con maquiavélico propósito
aun aparentando escucharlas muy atenta no de que si en el orbimotor había algún re­
las oía, por tener ocupada la imaginación gistrador—nosotros ya sabemos que sí—,
con la idea de que siendo mayor que la suya destinado a sorprender todo radiograma no
la aptitud de Alvaro en aquella especiali­ cursado por orden de la Capitana, en él que­
dad, sería lo más seguro que no ella, sino daran impresas, no solamente las llamadas
él resolviera, sin saberlo, el problema de de Alvaro, sino las contestaciones de su
cargar de aire la cámara de vacío, creyendo amigo Forth. Con lo cual el accidente que
que intentaba telegrafiar al amigo Forth. acaso ocurriera a la noche en el orbimotor
Meditando además que sería prudente pre­ no podria atribuirse a intento de él de pro48

DEL

OCEANO

¿lucirlo con sus experimentos, sino a casual
•coincidencia entre el ritmo de transmisión
de la estación chilena y el empleado en la
maniobra de la bomba: que, con sus llama­
das al señor Forth, debía estar haciendo
funcionar en aquellos momentos el marido
de la ladina Sara.
Una vez que ésta hubo lanzado por los
alambres de su toldo-antena los fingidos ra­
diogramas, preparó el tercer transmisor, que
había ocultado a Alvaro, para emplearlo a
la noche en desimanar los imanes que re­
tenían la esfera de leparaciones. Seguida­
mente abrió el cajón secreto, informándose,
en la película impresa de su fotofonógrafo,
de que, a consecuencia del análisis de las
cápsulas, ya se había enterado María Pepa
de la jugarreta de la anilina, y leyendo ade­
más en aquélla las disposiciones adoptadas
para ensayar durante la venidera noche las
cápsulas de repuesto, que a la mañana co­
menzarían por turno a montar los obreros,
utilizando la esfera de reparaciones.
Se cambió luego el traje de mañana por
otro más propio para comer en el restauran­
te científico en compañía de Alvaro, des­
pués de recogerlo en el Instituto, adonde
fué a buscarlo, diciéndole al llegar:
—Fracasada completamente. Si Forth no
recibe saludo hasta que lo envíe yo, puede
•esperar sentado. Pero después de todo he
pasado la tarde entretenida, y he aprendi­
do algo: que no sirvo para radiotelegrafista.
¿Y tú?...
¿He conseguido transmitir a la frecuen­
cia deseada, pero no contesta Tanquirica.
—¿Has insistido en la llamada?
—Lo menos diez o doce veces, pero inútil­
mente.
Lo cual quiere decir, pensó para sí la
yanqui, que a estas horas habrá en la cá­
mara de vacío una presión de cuatro o cinco
atmósferas empujando la esfera de repara­
ciones. ¡Buenos electros usa la española
cuando resisten a semejante empuje!... Pero
a la noche nos veremos.
Sentóse junto a su marido, haciéndose ex­
plicar sus experimentos. Le preguntó des­
pués si no había advertido gran ligereza en
todos sus miembros, únicamente atribuíble
a que el orbimotor se hubiera remontado
mucho; y al recibir respuesta afirmativa,
manifestó deseo de conocer su actual altura,
invitando a Alvaro a subir a la azotea, para
leerla en los gravímetros de Haupft, allí
montados.
Estos sencillísimos aparatos eran resor­
tes en espiral de los cuales colgaban masas
metálicas de cinco kilogramos, que mante­
niéndolos estirados con su peso, llevaban
DEL OCÉANO A VENUS

A

VENUS

49

agujas indicadoras üe este en un cuadran­
te. Mientras estuvieron en Paramillo seña­
laban las agujas cinco kilos; pero a medida
que iba disminuyendo la tensión de los re­
sortes, cuando al crecer la altura amengua­
ba la pesantez de la masas metálicas, mar­
caban sucesivos decrecientes pesos, y por
deducción, las alturas a éstos correspon­
dientes.
Al volver Alvaro dijo que acusaba el gra­
vímetro 299 gramos para los cinco kilos, in­
dicando esto hallarse a 20.000 kilómetros
sobre el nivel del mar. Mas lo que en rea­
lidad se había propuesto Sara al alejar a su
marido fué aprovechar el tiempo de su au­
sencia en poner, con el transmisor por él
antes empleado, el siguiente telegrama:
“ Del Autoplanetoide a Tanquirica. — Al
señor Forth: Después de renunciar a comu­
nicar con usted recibo al fin su radiotele­
grama. Mil gracias por su saludo. Ya traeré
a usted un recuerdo de Venus.— Fairelo.”
Claro es que dicho radiograma no estaba
destinado a una imposible recepción en
Tanquirica, sino a que fuera interceptado
por la telegrafía oficial del orbimotor, a fin
de que si los anteriores habían sido sor­
prendidos, disipara este último todo recelo
y toda sospecha, haciendo creer en la reali­
dad de la supuesta comunicación con míster Forth.
Y ahora, pensó Sara satisfechísima, no
hay posibilidad de que nadie sospeche de
Alvaro, pues si han interceptado los otros
telegramas, en el mismo registro hallarán
la prueba de que Forth y él han comunica­
do real y efectivamente, y atribuirán a una
fortuita y fatal semejanza entre los apara­
tos de Tanquirica y los usados en la ma­
niobra de la esfera de reparaciones, cual­
quier accidente que puedan sufrir ésta o la
Capitana.
Y ha de reconocerse en honor de la yan­
qui que si manejaba a su Alvaro como a un
muñeco, y le hacía cómplice inconsciente de
traidores manejos, también sabía y se pre­
ocupaba de cubrirle hábilmente de sospecha
o castigo.
Al salir de su brazo del Instituto de Ex­
periencias iba pensando en María Pepa, y
repitiendo mentalmente: “A la noche nos
veremos.”
Lo de la noche no era sino metáfora o re­
sabio de terrestres maneras de expresarse,
pues cuando Sara—que ya se ha dicho ante­
riormente tenía alcoba separada de su es­
poso— se levantó, daban las cuatro de la ma­
drugada; y aun cuando todo el mundo dor­
mía en el orbimotor, era ya día claro desde
tres horas antes; pues el Sol se había pues4

50

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

to para los novimundianos a las once de la
noche, saliendo nuevamente a la una.
¿No más que dos horas de noche en sep­
tiembre y en semejante latitud?... Sí: no
podía ser más larga la del Autoplanetoide
a los 20.000 kilómetros de altura a que en­
tonces se sostenía, gastando para ello, se­
gún había previsto María Pepa, poquísimo
cinetorio, pues su peso de 20.000.000 tonela­
das habíase reducido a 1.199 con 760 gramos.
La razón de tan breve noche es obvia.
Cuantos viven en lo hondo de los valles ven
las crestas de las montañas que los circun­
dan ilumina las por el sol del ocaso después
que ya no llegan al valle los rayos de él; a
la inversa, antes de amanecer en lo hondo,
se ve la luz solar en las altas cumbres... Y
como la máxima altura del mayor monte de
la Tierra no llega, en el Himalaya, a nueve
kilómetros, y el Autoplanetoide había su­
bido a 20.000, de aquí que viera el sol du­
rante muchísimo más tiempo. No hay sino
echar la cuenta para ajustar las duracio­
nes de su día y de su noche en el lugar
donde se hallaba.
Caigo ahora en que no he dicho nada de
la comida del matrimonio diez Chu-Fo, ni
de la velada en el Casino Internacional,
omisión perdonable, pues tiempo queda de
hablar de otras, iguales, venideras comidas
y veladas, saltando ahora éstas para decir

pronto que en cuanto Sara se echó fuera
de la cama, lanzó a los aires, con suavísimo
giro de la palanquita del conmutador, la.
etérea onda destinada a cortar la corriente
de la dínamo que excitaba los electroimanes,
de retenida, dejándolos desprovistos de la
fuerza magnética que se oponía a la enorme
presión ejercida sobre la esfera de repara­
ciones por el tremendo empuje de las cincoatmósferas acumuladas bajo ella por el po­
bre Alvaro. Con lo cual, de igual modo que
salta el corcho de una botella de champán,
pero, claro es, muchísimo más lejos, saltó­
la bola a los espacios, en donde se perdió-,
llevándose consigo grúa, cable, torno y has­
ta unos cuantos metros de las carrileras.
Por hallarse el autoestelar en el vacío,,
donde no se propaga ruido alguno, no des­
pertó a la dormida humanidad del novimundo el estampido del aire al destaparse
la cámara, ni el agudo silbar de aquél en los
bordes de la boca de ésta. Unicamente a
través de la gruesísima doble cáscara de!
Autoplanetoide, llegó a Sara, por estar des­
pierta y tener buen oído, el confuso rumor
del taponazo, produciéndole el malsano gozode su aleve proeza.
Ha de tenerse en cuenta que cuarenta me­
tros de corcho-vitreo, que en su seno ence­
rraban otra capa de diez de oxígeno, f o r ­
maban un poderoso quitarruidos.

XI
A LA TIERRA, A LA TIERRA, MAS TÍO A TIERRA
¡Que soberbio espectáculo se perdieron los
expedicionarios aquel día, por culpa de mistress Sam!...: La Tierra contemplada a su
sabor desde la inmensa altura de 20.000 ki­
lómetros, con la calma y el sosiego propor­
cionados por la quietud del planetoide du­
rante la reparación de las averiadas cáp­
sulas, que ya no iba a poder realizar la
Capitana como tenía proyectado.
Estaban de malas los viajeros: el primer
día, por los persistentes nubarrones, y el se­
gundo, a causa de la nueva avería, más gra­
ve aún que la anterior, perdían el inicial y
muy atractivo número del programa, y des­
pués se quedaban sin aquella perspectiva,
sin par, de la redondez casi completa de la
Tierra: toda la América del Sur, el Polo de
este nombre, el inmenso Océano...
Pero a qué enumerar lo que pudiera ha­
berse visto, y al fin no pudo verse porque,

a pesar de lo despejadísimo de la mañana,
impidió verlo la rapidez inconcebible de la
vertiginosa carrera emprendida por el au~
tosidéreo hasta caer... No adelantemos los
sucesos; y ya, sin más paréntesis que la
formal promesa de que otro día se verá lo
que no se admiró el 12 de septiembre de
2186, relatemos la aventura extraordinaria
que de él hizo un memorable día histórico,
poniendo a prueba, dura cual ninguna, la
pericia, el valor, la iniciativa y los recursos
inagotables del genio de la incomparable
Capitana.
A las seis menos cuarto se levantó, y a los
diez minutos estaba ya en el puente rodea­
da de sus viejos. Valdivia y Aristides, con
cara muy compungida el último, por ha­
berse pasado la mitad de la noche haciendo
esfuerzos por sacar algo en limpio, y consi­
guiendo sólo marearse, del informe sobre

51
DEL OCEANO A VENUS
los experimentos de Alvaro en la pasada olvidando que era mujer para pensar única­

tarde: documento que le había remitido el mente en su deber de Capitana, gritó:
—Valdivia, usted mismo, en seguida, a la
ayudante del Instituto de Experiencias.
En el bolsillo lo llevaba para pedir a su cabina, a reemplazar al oficial de cuarto.
amigo el catalán le tradujera aquella prosa Suprima la excitación de las cargas sur y
enrevesada; pero preciso era dejarlo para las de todos los meridianos desde el II al
luego, pues lo que por el pronto interesaba XI; y una vez suprimidas, aumente progre­
a todos eran los preparativos de las repara­ sivamente, hasta alcanzar el máximo, la ac­
ciones, para comenzar las cuales recibía tividad de las cargas australes del meridia­
Dick las cápsulas que debía montar; pues no I y de los XII al XX.
el mulato era el designado para el primer
turno de trabajo dentro de la esfera.
Dirigíanse él y María Pepa a la poternilla
La orden se había cumplido; el Autoplanorte, para subir a lo alto, pues a nadie ce­
día la Capitana el importante manejo de la netoide comenzaba a bajar, mas no a plomo;
esfera de reparaciones, ni consentía se le pues contrarrestado parcialmente su peso
hablara de turnos ni relevos en tal faena por el empuje lateral de las cargas del he­
durante las veinticuatro horas que poco más misferio que en su actual posición resultaba
o menos duraría la total reposición de las oriental, caía a la par que avanzaba en di­
cargas; mas cuando ya llegaban al ascensor rección tendida hacia Occidente, bajando
se oyó a Ripoll gritar desde el extremo del como baja una piedra que horizontal despide
puente, donde miraba con un anteojo a lo una honda.
Así, en vez de desplomarse sobre la cor­
alto:
—¿Y la esfera?... ¡Pepeta, Pepeta!... ¿Dón­ dillera andina o la nación chilena, volaba
de Oriente a Occidente siguiendo una pará­
de está la esfera?
Miró hacia arriba la Capitana, palideció bola semejante a la que la bala de un cañón
recorre en la rama descendente de su tra­
intensamente y replicó:
yectoria.
—Sábelo Dios. En los espacios.
¿Adonde iría a caer, y qué se propondría
— ¡Otro accidente!—insinuó Valdivia—. O
María Pepa?
tal vez...
—Ahora lo urgente es esto—dijo tan
—Sí, sí, diga usted lo que piensa: otro
vió iniciarse la bajada—; el rumbo
crimen—agregó María Pepa completando la pronto
lo
enmendaré
más adelante.
idea del primer piloto.
—Pero
¿qué
te propones?—preguntó Ri­
Mas en seguida pasó por su imaginación poll.
el recuerdo de una hermosa pareja de hom­
en caída que me lleve donde me
bre y mujer, se le contrajo el rostro con do­ sea—Caer
posible reparar mi orbimotor.
loroso gesto producido por opresión del co­
—Pero con esas órdenes que has dado—•
razón y prosiguió:
argüyó el geómetra italiano—, no pode­
—No, no; bien puede ser otro accidente. mos llegar a Paramillo.
•—Pero gravísimo, porque ahora, hija mía
—Tiene razón Fognino—agregó Haupft.
—dijo Haupft—, no queda otra salida que
—¿Y quién les d'ce a ustedes que yo quie­
desistir del viaje y bajar a la Tierra.
ro volve# a Paramillo abrumada por un fra­
Transfiguróse María Pepa: se irguió; bri­ caso, que, rayando en ridículo, me impedi­
lláronle los ojos, en donde fulguraba, entre ría volver a remontarme, por no hallar tri­
destellos de poderosa inteligencia, sobrehu­ pulación, ni obreros, ni siquiera sabios que
mano valor, y con voz que vibraba con ener­ en mí confiaran?... ¿No comprenden ustedes
gía inconmovible contestó:
que todo el mundo me diría que me fuera
—A la Tierra, sí, tienes razón; pero no yo sola a las estrellas?
—No, no—gritó Ripoll— ; yo voy contigo
a tierra. En cuanto al viaje, ya hablaremos
hasta la Osa Mayor y hasta la mismísima
después.
Aquellas extrañísimas palabras hicieron Casiopea.
—Pues diga usted “al infierno”, y allá va
creer a los que las oyeron que María Pepa
desvariaba; pero al verla, fría y serena, al Aristides Leblonde.
—Mil gracias; ya lo sé; pero mis máqui­
cabo de un instante, por un prodigio de su
indomable voluntad , comprendieron que nas y el gobierno de mi motosidéreo nece­
ellos eran quienes no penetraban el sentido sitan no amigos, sino obreros.
—tEntonces, ¿dónde vamos? — preguntó
de ellas. Fueron a preguntar, y no tuvieron
tiempo, porque inmediatamente, escondien­ Haupft.
— ¡Al mar! Al Océano Pacífico, en cuya
do dolores misteriosos de su alma femenina,

52

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

inmensidad elegiré, para caer, desierta zona
donde el mundo no sepa de mi caída hasta
verme de nuevo en el espacio; al Pacífico,
cuyas blandas olas no romperán mi r^anetoide cual lo destrozarían los picos de los
Andes. ¿O es que creían ustedes aterrizar
en Paramillo sin deshacerse contra aquellas
montañas?... ¿Se han olvidado del consumo
brutal de cinetorio que nos ha costado sos­
tenernos treinta y seis horas cercanos a la
Tierra, a causa de la avería de las cargas?...
Con el que queda en las australes no hay
suficiente para aminorar la violencia de una
caída vertical. Por ello bajo oblicuamente
al Pacífico: no luchando con la gravedad,
sino aprovechándola, y en parte contrastán­
dola con la velocidad de la marcha lateral.
Cuando allá llegue, repararé fácilmente las
averías, porque en su superficie flotará el
Autoplanetoide.
—Y flotaremos todos—gritó entusiasmado
Arístfdes—, porque como ya no pesamos
casi nada...
A despecho de lo grave, más todavía, trá­
gico, de las circunstancias, no pudieron los
sabios contener la risa al ver la inocencia
con que creía el buen Leblonde que al vol­
ver a la Tierra continuaría pesando los mis­
mos tres kilos y medio que pesaba a la al­
tura de veinte millares de kilómetros.
Conforme hablaba María Pepa, con el
aplomo que dan conocimiento y competen­
cia, decían claramente las miradas de los
viejos que aquella solución, atrevidísima y
genial, era la más científica y prudente.
—Pues al Pacífico, hija mía: tú, como
siempre, eres quien tiene más razón—con­
testó Haupft al alegato de la Capitana. Y
su opinión fué compartida por todos los
presentes.
—¡Gracias a Dios que os convencéis!
Creedme: aunque mi plan no esté exento de
riesgos, no me asustan sus dificultades téc­
nicas, pues confío vencerlas, sino otras de
que tú cuidarás especialmente, papá Ripoll.
Me refiero a posibles complicaciones de or­
den público, cuyo mantenimiento te encar­
go; pues sigues siendo Comandante General
Accidental. Yo tengo bastante con atender
a lo otro. Vosotros dos-—dijo a Haupft y
Fognino—, otra vez al taller a preparar
nuevas cargas, pues cuando lleguemos al
mar apenas quedará cinetorio en las aus­
trales, y habrá que reemplazarlas.
* * *

El Autoplanetoide había iniciado su caí­
da. Las cargas lo impulsaban en dirección
horizontal; la atracción de la Tierra tendía

a hacerlo.caer verticalmente; y la combina­
ción de una y otra íbanlo acercando de un
modo paulatino y suave, aunque rápido, a
las olas del Pacífico, por cima de las cuales
volaba a grandísima altura a poco de dar
sus órdenes la Capitana.
Tan pronto las vió en ejecución bajó al
despacho a consultar una magnífica carta
del gran Océano, buscando en ella una zona
de grandísima profundidad, alejada de con­
tinentes e islas, y desviada de los derroteros
frecuentados por los navegantes.
No fué larga su pesquisa para elegir lu­
gar de aterrizaje.
¿Aterrizaje?... Es impropio...
¿Oceanizaje?... Suena mal y parece es­
trambótico...
Ponga el lector lo que le cuadre, o inven­
te, si le place, nombre al caso y eufónico; y
sepa, mientras lo halla, que hacia la región
del Gran Océano, comprendida entre los 75°
y 77° de longitud Oeste del meridiano del
cabo de Hornos y entre los paralelos 46° y
47°-10 de latitud austral, enderezó el rumbo
María Pepa, para ir a caer en ella a 1.500
ó 2.000 kilómetros de la pequeña isla Chatam (situada a Oriente, y alejada de Nueva
Zelanda), en un paraje donde la profundi­
dad del Pacífico excede de 5.000 metros;
particularidad importantísima para el buen
desenlace de la terrible aventura a que su
Capitana había lanzado el planetoide.
Elegido lugar de descenso, volvióse al
puente María Pepa, a enfilar hacia él el loco
vuelo del motoestelar.
Dícese loco, no porque su velocidad lle­
gara, ni con mucho, a las normales de él
en el vacío, sino pensando en las usuales
desarrolladas por otros medios de locomo­
ción en la Tierra o los mares, sobre los que
volaba el orbimotor, y en la resistencia que
al volver a las capas inferiores y más den­
sas de la atmósfera opondría el aire de ella
a su marcha media de dos y medio kiló­
metros por segundo: es decir, triple o cuá
druple de la inicial en los proyectiles dis­
parados por perfeccionadísimos cañones.
Con ella salvó el planetoide los 20.870 kiló­
metros (1) del recorrido entero en dos ho(1) Arco hipotenusa de un triangulo cuyo»
catetos eran la altura de 20.000 kilómetros y el
arco de 70° del paralelo terrestre situado a los 40®
de latitud austral con longitud aproximada de
5.968 kilómetros.
Claro es que un proyectil con la velocidad Ini­
cial del planetoide, habría caído al mar mucho an­
tes, y míís cerca de la costa chilena, porque dicha
velocidad habría amenguado de segundo en segun­
do en el proyectil, mientras que María Pepa man­
tuvo constante mientras le convino la de su orbi­
motor, regulando, al efecto, las descargas de las
cápsulas.—(Nota de Fognino y Haupft.)

DEL

OCEANO

ras, diez y nueve minutos y siete segundos,
avanzando a razón de 9.000 kilómetros por
hora. No siendo de extrañar que a dicho
paso se perdieran detalles del paisaje que de
otra parte, y a poder contemplarlo, no ha­
bría deleitado mucho a los expedicionarios,
sobrecogidos con temores de prematuro y
desastroso fin del viaje, acarreado por ca­
tástrofe que algunos alarmistas barrunta­
ban cercana.
Estos temores, justificados en los sabios
por las anomalías que su ciencia había ad­
vertido ya, en la marcha y gobierno del
Autoplanetoide durante el día anterior, y
en las primeras horas de la mañana del 12
de septiembre, no inquietaban únicamente al
docto mundo de Noviópolis, que procuraba
disimular el miedo, pues éste había prendi­
do en la plebe, que ya la anterior tarde for­
maba en la vía pública corrillos donde se
pronunciaban en voz baja las palabras “ave­
rías”, “caída” , y las frases "no andamos” ,
"la Capitana no sabe gobernar el novimum
do” , “se ha roto la hélice” y otras revelado­
ras, cual la última, de la ignorancia de quie­
nes suponían movido el autoplanetoide por
tan grosero propulsor. Pero debe advertirse
que ninguno de los alarmistas tenía perso­
nales razones para expresarse de tal modo
ni, a quien le preguntara, podría responder,
sino “ repito lo que he oído” ...
¿Oído?... ¿A quién?... ¿En dónde?... A todo
el mundo, en todas partes, mas sin saber
quién fué el propalador primero de tan
graves rumores.
Ya a última hora de la tarde anterior fué
Ripoll, por Soledad, informado de que sus
subordinados y los muchachos de Santiago
advertían claros síntomas de efervescencia
popular, que cedieron cuando, a las once,
anocheció sin haber ocurrido ningún grave
suceso justificante de aquellos miedos.
No obstante, y por si acaso retoñaban,
ordenó el catalán que desde bien de mañani* ta patrullaran por las calles parejas arma­
das, con la consigna de impedir la formación
de grupos. Parejas que, con objeto de evi­
tar se distrajeran de sus deberes, fueron
uni, no bisexuales: fusileros a un lado y es­
copeteras a otro.
Consecuencia de ello fué que a poco de
instalarse el Comandante General Acciden­
tal en su despacho, acompañado de Leblonde, se presentara, ante él, la Alférez diciendo
que una pareja de sus chicas traía preso a
un alborotador que en un grupo peroraba
difundiendo alarmantes noticias de graves
accidentes en las calderas (¡s i sería igno­
rante!); de una voladura, que recordó a Ri­
poll el resoplido que se llevó la esfera de re-

A

VENUS

53

paraciones; de peligro inminente de una
horrible caída...
—Traedlo, traedlo en seguida: tal vez se*
pamos ahora de dónde salen todos esos ru­
mores sediciosos. Tus amazonas han hecho
un gran servicio, muchacha. Está visto: en
esta expedición vamos a hacer muy mal
papel los hombres: todo lo bueno lo hace el
otro sexo.
Sometido el preso a interrogatorio, decla­
ró ser criado de un profesor nicaragüeño y
haber oído los noticiones que propalaba al
asistente del Capitán Fairelo, que como era
muy sabio...
Al oír el nombre de Fairelo, dió Aristides
un grito, echóse mano al bolsillo y sacando
el informe del Instituto de Experiencias
dijo a Ripoll:
— Lea, lea usted esto. Se me había olvi­
dado. Para mí es un jerolífico, pero estoy
seguro de que es muy interesante.
...Ya lo leeré en cuanto acabe el interro­
gatorio.
—No, no: puede escaparse el pájaro. Esto
es mucho más urgente. ¡Por Dios!... No pier­
da tiempo: lea, don Jaime, lea.
— Bueno, hombre, bueno. Leeré:.. Pero
entre tanto que ensierren a ese hombre has­
ta que yo vuelva a llamarlo.
Apenas leyó Ripoll unas cuantas líneas
del documento, dió un brinco en el sillón,
y echando un formidable taco dijo:
— ¡Ha transmitido ayer a la frecuensia de
la bomba neumática!... Tenía usted mil rasones, Leblonde... Esto es interesantísimo.
Hemos puesto la mano sobre «1 criminal,
que, no contento con su hasaña, quiere amo­
tinarnos el populacho, echándole a Pepeta
la culpa de sus maldades. Soledad, Soledad
—y tomando el teléfono gritó muchísimo
más fuerte de lo necesario para ser oído del
telegrafista de guardia en el registrador uni­
versal—. Registrador, Registrador... Sí, So­
ledad, sí; pero aguarda un momento... Que
sí, hombre, soy yo, el señor Ripoll. Necesito
saber si hay indisio en su aparato de alguna
transmisión radiotelegráfica a la frecuensia
de...
— Sí, señor, una registrada a las cuatro de
la mañana— contestó el empleado.
— ¡Recongelasión!... Ya está visto: des­
pués de llenar ayer de aire la cámara con
las transmisiones de que da cuenta este in­
forme, ese mosito ha descargado de madrugada los imanes, para volar la esfera de rcparasiones...
Bueno, hombre, bueno, ya no nesesito
saber más..„ ¡Soledad, Soledad!... ¡A h!...
estabas ya ahí... Ahora mismo, al frente de
un piquete, te vas a buscar, donde se en-



54

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

cuentre, ai Capitán Fairelo, y me lo traes
codo con codo.
— ¡Codo con codo!— preguntó Soledad
pareciéndole un poco brutal la orden, tra ­
tándose de quien había salvado la vida a
M aría Pepa con aquel inimitable cuarteo
que no olvidaba la sevillana.
-—Si se resiste, sí.
A.1 salir Soledad, dijo Ripoll a Aristides:
—No es poca suerte la previsión y buena
idea que ese empleado tuvo al vigilar al pi­
llo ése.
—Perdóneme, don Jaim e; la previsión, la
inteligencia y el olfato fueron, aunque me
esté mal el decirlo, de este modesto Super­
intendente de policía, que le ordenó redac­
ta ra la charada’ que usted acaba de acertar.
— ¡Usted, usted! Pues amigo Leblonde, se
ha hecho usted acreedor a nuestro reconosimiento y nuestra admirasión. Ha resulta­
do usted todo un Jefe de Polisía.
—No es para tanto—contestó el agracia­
do, radiante de vanidad y con hipócrita mo­
destia'—. Un buen servicio, el mero cum­
plimiento de los deberes de mi nuevo cargo.
— ¡Y no es usted sabio!...
—Verdad: sé poco, pero cazo largo.
E ste fútil palique fué interrumpido por
los estrepitosos clamores de un grupo tu ­
m ultuario que llegaba frente a la Coman­
dancia gritando:
— ¡A la Tierra, a la Tierra!...
—Ya no queremos volar más.
— ¡Abajo, abajo!...
— ¡Muera la Capitana!...
Salieron los soldados de Santiago, con­
siguiendo disolver el grupo, que, a poco, y
arreciando en sus gritos, irrumpió en la
plaza por otra bocacalle* para diseminarse
nuevamente ante la tropa, y lo m ar a jun­
tarse y tornar a avanzar al retirarse ésta,
envalentonándose cada vez más las turbas
al ver que los fusileros no hacían fuego.
En el mismo momento repicó el teléfono,
y A ristides, que cogió el auditivo, transm i­
tió a Ripoll:
—Dicen de la central eléctrica que se ob­
serva inquieutd en los obreros: el ingeniero
teme que abandonen sus puestos en las má­
quinas.
'
—Que mande en tra r la guardia y los fu­
sile—rugió, ya amostazado, el almogávar,
que gracias a la vacilación de Aristides en
ordenar tal crueldad, tuvo por dicha, tiem­
po de rectificarla diciendo:
—No, no... ¡Qué disparate! Los necesita­
mos para las máquinas. Que los contenga
para que no salgan, en tanto le doy yo me­
jores argum entos p ara convenserlos—. Y
saliendo al balcón gritó: —Santiago, no más

contemplasiones; bárrem e esa canalla. ¡Fue­
go, fuego!
,
Sin explosión alg'una se oyeron diez o doce
penetrantes silbidos y en las prim eras filas
del tropel popular cayeron siete am otina­
dos cual abatidos por el rayo. El resto se
dispersó aterrorizado.
En seguida, corriendo al teléfono, chilló
Ripoll a la central eléctrica:
—Ahí van los argum entos: diga usted a
sus obreros que ya h an caído aquí patas
arriba siete revoltosos, y que si se resisten a
trabajar, pueden m irarse en tal espejo. Creo
que con esto se arreg lará la huelga. Y si no...
— ¡Qué horror!... ¡Siete m uertos!— excla­
mó Leblonde, m ientras el viejo volvía al
balcón gritando:
—Santiago: haz recoger esos cadáveres,
mételos en el zaguán de la Comandancia y
am árramelos bien, sin dejarlos salir, para
que los otros no se enteren.
— ¡Desgraciados!... ¡Salir!... Eso quisie­
ran. Es usted atroz, Ripoll. Parece imposi­
ble que tenga ganas de brom ear ante esos
siete muertos.
— ¡Qúó m uertos ni qüé calabazas! Hace
falta que las turbas lo crean porque si no
no podríamos contenerlas; pero sólo están
dormidos; nada más que cloromorfiraquinizados. Es el efecto de los fusiles hum ani­
tarios de Pepeta... ¡Ja, ja, ja!... ¡Vaya una
cara que se le había a usted puesto!
—Confieso que he pasado un mal rato.
E sa gente es irresponsable, no sabe lo que
hace; y una hecatombe me parecía de mal
agüero al comenzar el viaje.
—Pues m ire usted, a pesar de todo, sien­
to no tener a la mano otros fusiles menos
hum anitarios, porque con éstos no sé si po­
dré contener lo que se viene encima.
Más imponente que antes, gritando “ ¡Ven­
ganza, venganza!”, avanzaba, encrespándose
de nuevo, la ola popular.
De pronto uno de los amotinados, que al
dar un tropezó^ m iró hacia abajo, vió, como
a diez kilóm etros escasos, la inm ensidad del
Océano, reconociéndolo en el azul intenso
de las olas y en las espumas de ellas que
brillaban al sol:
— ¡El m ar, el m ar!...
M iraron todos inm ediatam ente abajo, pro­
rrumpiendo en aterrados gritos:
—Caemos...
—Vamos a naufragar.
—No hay salvación.
La m ultitud, delirante de terror, olvidó
la venganza y el asalto de la Comandancia
para pensar tan sólo en la cercana m uerte
que parecía inevitable, a pesar de que en
aquellos últim os y terribles instantes de la

DE L

OCEANO

■caída luchaba M aría Pepa denodadam ente
p ara am ortiguar el golpe contra la m asa de
agua; pues a despecho de la blandura de
ésta y de la forma esférica del autoplanetoide, la inspiraba el tal golpe algún cuida­
do, consumiendo por ello en oponer a la
velocidad adquirida las últim as 'reservas
<le cinetorio de las cargas au strales: apa­
gando (adm ítase este modo de decirlo) las
del hem isferio oriental, encendiendo las del
occidental, que, por opuestas al sentido de
la m archa, usaba para fren ar con fuerza
progresiva, y haciendo repetidas descargas
nutridísim as con todas las cercanas al polo
Sur.
E n un solo y horrísono clam or fundiéron­
se los delirantes alaridos de espanto de los
pasajeros al llegar el supremo momento en
que, a velocidad de 900 kilóm etros por
hora, se hundió el orbim otor entre las olas
del Océano: buceando en sus aguas hasta
alcanzar profundidad cercana a los 4.500
m etros: avanzando, a la p ar que descen­
d ía en la m ism a dirección y sentido de su
an terio r vuelo, pero perdiendo velocidad de
u n modo gradualm ente rápido al pasar de
los aires al seno de las aguas y abrirse paso
a través de ellas.
De no haber encontrado ta n ta profundi­
dad, o de haberse interpuesto en su camino
subm arino un escollo o un bajo, allí habrían
acabado la vida y la ca rrera del novimur.do;
pero por algo había elegido M aría Pepa
para su chapuzón lugar donde la sonda no
tocaba fondo hasta pasados los cinco mil
metros.
H orrenda fué la im presión del pasaje:
prim ero la caída en el Océono; después la

A VENUS

55

obscuridad que invadió el orbimotor, al lle­
gar en su hundim iento a regiones hondísi­
mas del mar, donde la luz no penetra, y
donde las tinieblas lo envolvieron durante
los cinco o seis minutos que estuvo sum ergi­
do; luego el asombro de no m orir en aque­
llos minutos, largos como horas, y en los
cuales no llegaba la m uerte que se creyó se­
gura; más tarde alborear de esperanzas de
vida, al percibir los ojos otros reales y visi­
bles albores de verdadera luz, cuando la
fuerza ascensional de flotación del hueco
autoestelar lo em pujaba y subía hacia la
superficie de las aguas; y, por último, la luz
del sol inundando con resplandores de re­
surrección la em ergencia del orbim otor: que
orgulloso y triunfante, quedó al cabo me­
ciéndose en lo alto de las olas.
E n tal indescriptible instante, hacia
arriba, hacia el sol, que se creyó no ver ya
más, alzáronse los ojos de aquellas doscien­
tas criaturas, cerrándose en seguida cega­
dos por su belleza y majestad. Y al abrirse,
de nuevo, extáticos quedaron ante o tra m a­
jestad y otra belleza: la de la heroica Capi­
tana, cuya esbelta silueta, recortada en el
celeste de los cielos, se erguía escultural
sobre el puente de m aniobra dominando la
m ultitud, dominando las olas, como antes
dom inara los aires.
— ¡Salvados!—les gritó desde lo alto.
¡Viva, viva!...—voceó la muchedumbre,
ya olvidada de miedos y motines—. ¡Viva
la Capitana!...
Salvados—repitió ella levantando el
brazo hacia la altu ra—con la ayuda de
Dios, que por m i mano os devuelve la vida
que creisteis perde*

XII
CELOS. . .
Por creer vano intento el de p in ta r fiel­
m ente la alegría fnterna, el júbilo y el en­
tusiasm o externos de aquellas gentes al verse
salvas, cuando creían m orir, pásanse por
alto; pero como a tan tas alegrías se mezcla­
ban un dram a, un dolor y una injusticia;
como en aquella m ultitud había un desgra­
ciado, o tal vez dos, víctim as de fatal error
nacido de engañosas apariencias; como so­
bre tal víctim a no se posó sino una m irada,
la única que no podía clavarse en M aría
Pepa, esto ya merece la pena de dedicarle
dos palabras.

Y

CELOS

M inutos antes ae ia m*nersion ael Autoplanetoide, Soledad, seguida de sus cuatro
escolteras con fusil al brazo, había arrestado
a Alvaro en el balconcillo de los sabios, no
sin protesta airad a del Aguila Bifronte del
A tlántico, que Sara formuló, amenazando
con represalias d ^ las g arras y el pico del
tem ible rapaz, y con poquísima satisfacción
de Soledad, a quien dolía la consigna de
a rre sta r al buen mozo, ejecutándola tan
sólo por deber.
Camino de la Comandancia iban preso
y escolta, cuando los envolvió la obscuridad

56

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

—No puede ser, no puede ser—pro rru m ­
del hundim iento en el Océano; y en el lu­
pió en alta voz.
g ar donde, alejados todavía del tum ulto y
—¿El qué no puede ser?
la gente, se hallaban entonces, perm ane­
—Que él haya hecho eso. Imposible, im­
cían cuando el orbim otor emergió de las
aguas para bañarse en luz. Como en la de­ posible; siento una voz que dentro de m i
g rita: no, no y no.
sierta avenida por la cual avanzaban no
—Serénate, h ija m ía; no te conozco—re­
había otro grupo que el formado por Alva­
ro y su escolta, con él tropezaron los ojos de plicó Ripoll, m ientras A rístides pensaba
M aría Pepa al bajarse al horm iguero de ca­ hondo y no decía nada.
—Más que esa voz—agregó el anciano—,
bezas que en la plaza bullía, atrayendo su
valen en mi entender las pruebas que tene­
atención aquel hombre que, rodeado de
mos.
guardias, iba evidentem ente preso.
A larm ada M aría Pepa con la advertencia
Conoció a éste; y en la m irada que le di­
de Ripoll, y tem erosa de que sus vehemen­
rigió, indescifrable, no por inexpresiva, sino
cias dejaran ver a los demás lo que a sí mis­
al contrario, por complejidad rapidísim amente cam biante de encontradas im presio­ ma no se confesaba, procuró hacerse fuerte
nes en ella reflejadas, predom inaba la ex­ y dijo:
—Dadme ese informe, quiero ver yo m is­
presión de interrogante extrañeza, que po­
ma...
día resum irse en la pregunto: “¿Por qué han
No concluyo la frase, porque se abrió la
prendido a ese hom bre?”
puerta, y entrando Soledad preguntó que
Antes que al sol vió el preso a María
hacía con el preso, que estaba abajo en el
Pepa: entró la claridad en sus ojos, no con
cuerpo de guardia.
los rayos de él, sino en la luz de la m irada
—Súbelo aquí inm ediatam ente—contestó
que de lo alto caía. Subió la suya para de­ la Capitana, tomando rápidam ente una re­
cir a los inquietos ojos de la C apitana algo
solución; y en cuanto Soledad cerró la puer­
que no llegaron a entender, porque apenas
ta, preguntó al catalán:
comenzaron a hablar los de Alvaro, súbita­
—¿Qué pensabas hacer con el preso?
m ente cambió el lenguaje de ellos; y tras
—Muy sensillo: form arle consejo de gue­
nervioso parpadeo, cual si se arrep in tieran
rra..., y después de convicto y sentensiado...
de haber dejado libre paso a oculto y ver­
— ¡Qué horror!... No. No puede ser: ese
gonzoso sentimiento, endurecióse la m irada
hombre me h a salvado la vida.
de quien creía hum illarse dejando ver en
—Una ve*. Dos, en cambio, ha atentado
ella cuanto no fuera hosca altivez, dura re­ contra ella y contra las de los dossientos tr i­
convención.
pulantes que... Pero si tonto te repugnan las
sentensias de m uerte, aunque bien la m ereA M aría Pepa le produjo aquella m uda y
se, lo enserrarem os m ientras dure el viaje,
fugaz comunicación un trastorno tan hondo,
que, olvidando cuanto la preocupaba un m i­ p ara entregárselo a la vuelta a la justisia de
nuto antes, no sintió sino ansioso anhelo de la T ierra.
enterarse en seguida del por qué del arresto;
—No, no, tampoco— . Y no pudo seguir,
y respondiendo a sus recelos y a su repug­ porque la interrum pió la entrada de Alva­
ro que, sin m irarla, se adelantó frío y re ­
nancia de adivinar la causa, resistiéndose a
creer cómplice a Alvaro de la m ujer en
suelto h acia el astrónom o preguntándole
quien ya ella había adivinado al oculto ene­ en agrio y destemplado tono:
—¿Es usted un señor Ripoll que cofitra
migo autor de tantos daños, se lanzó al as­
censor que la bajó a la Comandancia, donde
mí h a firmado una orden de prisión?
—Sí, señor; pero quien aquí puede pre­
Ripoll y A ristides le explicaron cuanto te ­
m ía saber. No, m ás; pues resultaba Alvaro
g u n tar y g rita r no es usted, sino yo.
—Pues, sin embargo, sigo preguntando:
no cómplice, sino autor de la infam ia. ¡El,
¿Con qué derecho, por qué motivo, comete
que allá en Maipo la salvó de la m uerte con
usted este indigno atropello con quien de
riesgo de su vida!... ¡El, en quien ella había
creído ver alguna vez...! ¡Qué insensata!...
nada puede ser acusado?
—Eso lo veremos ahora.
M ientras pensaba M aría Pepa todo esto,
—Perdona, papá’ Ripoll—dijo la Capita­
Leblonde y A ristides, que esperaban verla
na interrum piendo al indignado viejo, cuya
radiante de alegría producida por el éxito
irascible tem ple iba ya desbordándose con
recién alcanzado, la m iraban, m irándose
entre sí con expresión de asom bro; pues ja ­ lo que juzgaba im pudente descaro de un
m ás habían visto tan alterado y descom­ feroz crim inal—, y déjame contestar a este
caballero que tu orden de prisión se ju sti­
puesto como entonces el sereno rostro de
fica con apariencias graves de culpabilidad
la Capitana.

58

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

en él; pero que anora, deshecha la equivoca­
ción, queda libre.
Al decir esto, parecía María Pepa haber
recobrado la seren id ad .. Mas sin dejarla,
apenas, term inar la frase, y acaso sin oír el
final de ella, protestaron Ripoll y Alvaro:
cada uno a cual más fuerte, y los dos a la
vez.
— ¡Por equivocación me han traído entre
guardias por la calle!
— ¡Equivocasión!... ¡Recongelasión!...
Como aquí mandas tú, puedes poner en li­
bertad a quien te da la gana, y guardarte
mi cargo de Comandante en Jefe, que no he
de ejerser más, porque lo de la equivocasión
no te lo aguanto. ¡Equivocasión las traidoras
hasañas de este moso: lo de las cargas, lo
de la bola!... ¡Porra!... ¡Recongelasión!...
¡Equivocasión el motín que nos ha armado
hasiendo que su asistente alborote con alar­
mas al pueblo!
Aquellas acusaciones imprevistas deja­
ron, d'e momento, estupefacto y atontado a
Alvaro. M aría Pepa iba dándose cuenta de
que por la prim era vez, en análogos tra n ­
ces, no era ella, cual solía, dueña de la si­
tuación, ni dominaba, como siempre, suce­
sos y personas. Leblonde y Soledad la m ira­
ban insistentem ente. Amontonaba a voz en
cuello porras sobre porras Ripoll, api­
sonándolas con recongelaciones; y así hm
hiera seguido, no se sabe hasta cuándo, a no
estallar la reacción de Alvaro, vociferando
todavía más fuerte:
— ¡Traidor yo!... ¿En qué, a quién?... ¡Que
he am otinado al pueblo!... ¿En qué se funda
esa absurda acusación, que rechazo indig­
nado ?..'. Que se me diga. Necesito saberlo.
—Se le dirá a usted todo’.
—Papá Ripoll, no es necesario.
•—Vaya si lo es.
—Basta. Ni usted dirá una palabra más,
ni...
—Yo quiero saberlo; mi dignidad exige...
—...ni usted puede pedir otra satisfacción
que la que yo le he dado ya, al ponerlo en
libertad.
—Es una insensatés soltarlo sin jusgarle.
—No porque usted lo exija, sino porque
yo rechazo libertad no otorgada en virtud
de reparadora y pública sentencia.
—Yo no sentencio al hombre que me sal­
vó la vida.
—Sin que pensara en negocios a préstamo
al exponer la suya, ni porque venga ahora a
cobrársela a rédito.
E ra tan gallarda la actitud, y tan altiva­
m ente nobles las palabras de Alvaro; res­
plandecía en su rostro tal sinceridad, y vi­
braba su voz tan indignada contra supues­

to que le atribuyera propósito de explotar el
agradecimiento de M aría Pepa, que comenzó
a dudar Ripoll, entró en recelo A ristides de
que en torpeza se le convirtiera su prim er
éxito policíaco, y M aría Pepa sintió crecer
su instintiva certeza en la inocencia de aquel
hombre, hasta llegar a persuasión, cuando al
efecto que voz y acento y actitu<? habían ya
producido se agregó la im presión desperla­
da por la m irada leal, franca, retadora que
Alvaro fijó en ella, atrayendo la suya y pro­
vocando la siguiente réplica a la palabra ré­
ditos:

—Ni yo intento pagarlos, ni me creo des­
quitada, ni soy tan ruin deudora que con
ruines sospechas pague deudas... Ha dicho
usted que quiere ser juzgado para que su
inocencia quede acreditada.
—Sí, sí, que se me juzgue: no quiero in ­
dulto; lo que pido es ju sticia—contestó él,
ya en tono menos acre, y hasta con tem blor
leve de la voz, y turbación en la m irada fija
en la Capitana: extraños uno y o tra en hom­
bre de su temple.
—Pues yo, que soy aquí la autoridad más
alta y la jurisdicción m ás elevada, lo he juz­
gado ya a usted—respondió M aría Pepa,
apartando de Alvaro la vista y haciendo bre­
ve pausa para ev itar que entre el comienzo
y el final de la frase salieran enredados un
"¡qué noble es!”, "¡qué herm oso!”, que se
agitaban en su pensam iento; en el instante
mismo de pensar él, pero sin desviar la vis­
ta, “ ¡qué hermosa está!", “ ¡qué noble!”—.
Y la sentencia de libertad es prueba de que
creo a usted inocente.
Pudo ocurrírsele a Alvaro, como Leblonde
y Soledad pensaron, al oír la sentencia, que
el conmovido corazón de la m ujer, no el frío
Juicio del juez, la pronunciaba; pero no
ahondando tanto en los motivos, se dió por
satisfecho. Y aun puede ser que a haber vis­
to tan claro como la sevillana y el francés,
le hubiera satisfecho todavía más que el
fallo demandado a la ju sticia de la Capitana
la absolución irreflexiva del corazón de Ma­
ría Pepa.
Tras el inesperado desenlace sobrevino
penosísimo silencio: difícil situación, casi
ridicula, que sobre todos los presentes pe­
saba como plomo, sin a tin a r ninguno a salir
de ella.
Pensaba Alvaro que debía dar las gracias,
y no acertaba a hacerlo, sin caer de lo alto
de su arrogancia en exageraciones d^ ag ra­
decimiento, poco dignas en quien no recibía
merced alguna. Temía al mismo tiempo pe­
car por esquivez o grosería si no dejaba ver
a M aría Pepa la g ratitu d que sus palabras
y conducta despertaban en él; pues a pesar

DEL

OCEANO

de ser justicia, y nada más, la que con él ha­
cia, era lo cierto que ella fué la única en
hacérsela. Y entre vacilaciones y recelos ha­
bíase convertido aquel hombre resuelto y
exigente, que en el despacho entrara rato
antes, en un Cuitado que no sabía qué hacer
ni qué decir.
Pensaba ella... Tantas cosas pensaba, que
ni me caben en el tomo ni yo sabría decirlas,
ni tengo ahora a la mano ninguna mucha­
cha, que las explicaría perfectamente.
Quédense, pues, inéditas.
La Alférez y el Jefe de Policía seguían en­
castillados en prudente reflexivo mutismo.
Ripoll, de quien se dijo haber sentido vaci­
lar su convicción en la culpabilidad de Fairelo, volvía a crfeer en ésta, viendo en sus
actuales perplejidad y encogimiento corro­
boración de las pruebas materiales de su de­
lincuencia. De aquí que, levantando el brazo
con cuya mano agitaba el informe del Ins­
tituto, soltó la rienda a su irascibilidad vo­
ciferando:
*
—Tú podrás indultarle; pero las pruebas
que aquí tengo de sus crímenes, no son por
eso menos convinsentes.
Cuando a contestar iban cada uno de los
<los aludidos abrióse de par en par la puer­
ta y una voz femenina e iracunda les quitó
la palabra.
Era que la orgullosa Comandante de la
Aviación Yanqui llegaba en son de guerra y
asistida por cuatro o cinco acompañantes,
más o menos ingleses, más o menos yan­
quis, pero todos oriundos de países de sajo­
na raza diversamente adulterada, o de dé­
biles pueblos sometidos a la neoyorquina re­
pública plutócrata. Eran comisionados cien­
tíficos de dichos países, arrastrados por Sara,
para hacer bulto y reforzar la protesta vio­
lentísima que, sin pararse en inútiles sa­
ludos ni en proemios, formuló ella en nom­
bre del Imperio Norte Atlántico— en el mun­
do ordinariamente designado con la orgullo­
sa y consabida autometáfora de la temible
Aguila Bifronte— , contra el escandaloso
atropello cometido en el representante de
una nación, pupila del poderoso imperio.
Y en pos de la protesta, reclamación de
inmediata orden de libertad no discutida. Y
después de la protesta y la reclamación, im­
periosa y arrogante exigencia de una ade­
cuada y plena satisfacción, que no podía ad­
mitirse consistiera en menos que en la pre­
sentación de públicas excusas, ante el pueblo
ofrecidas, al agraviado Capitán Fairelo. Y
aun esto no bastaba, si a todo ello no seguían
los solemnes y obligados saludos a las ban­
deras lusitana y norteatlántica, que en el

A VENUS

59

presente caso consideraba ineludibles la in­
dignada reclamante.
Todo ello de un tirón, apoyada la mano en
la guarnición del sable, con la cabeza alta
y retadores ojos fijos en la Capitana.
No la razón, ni el pensamiento, sino la
sangre al hervir en sus venas, díjole a María
Pepa, al ver entrar a Sara, que ésta, y sólo
ella, era su traidora enemiga; sintió en el
corazón dura punzada al pensar que desde
largo rato tenía en el pensamiento, cuando
menos, al hombre de quien aquella mujer
era legítima dueña; que tal vez habíalo mi­
rado pocos momentos antes como jamás mi­
rara a hombre ninguno; y arrepentida, y
hasta abochornada de todo menos del per­
dón, ruborizóse tan visiblemente, que al ob­
servarlo Sara creyó ganada la partida, y
llegada ocasión de humillar públicamente a
la Capitana con arrogantes exigencias; pre­
tendiendo imponerlas con desmedida des­
templanza.
Mas se engañaba, pues no logró con ello
sino despertar la dignidad de quien no to­
leraba se desobedecieran ni aun que se dis­
cutieran sus omnímodos poderes. Así, pues,
fuerte ya con el auxilio de su orgullo herido,
contestó María Pepa con tranquila frialdad,
que contrastaba con la violencia del pom­
poso discurso de la yanqui:
— Bien ve usted que, aun siendo yo quien
aquí manda, he tenido paciencia para oírla
hasta el fin y a despecho de sus inconvenien­
tes amenazas, de que no me cuido.
— Es que...
— De usted reclamo igual paciencia. Este
caballero—y tuvo buen cuidado de no mirar
al marido de Sara al referirse a él—no es
en el Autoplanetoide representante de nación
ni Gobierno ninguno, sino tan sólo un comi­
sionado científico. Al entrar aquí, y ponerse
a mis órdenes, todos ustedes renunciaron
los fueros de sus nacionalidades, que deja­
ron fuera de éste, que es mi novimundo, en
donde no hay sajones, portugueses ni yan­
quis, sino novimundianos; en donde no to­
lero ondee otra bandera sino la de él: la de
la Federación Hispanoamericana, patria de
su española inventora, la de los pueblos des­
de cuyas montañas se remontó, donde fué
fabricado por gloriosos americanos, hijos de
su preclara madre España.
— Pero...
No hay, pues, saludo; no hay excusas;
no doy satisfacción ni explicación a nadie
de mis actos ni órdenes. Lo único que con­
cedo, o mantengo más bien, por creerlo de
justicia, es la sentencia, antes de entrar us­
ted ya formulada, de libertad del señor Fairelo.

60

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

blonde, cuando vió el sesgo que las cosas to­
_¡Ali!... ¿Estaba en libertad?— exclamó
Sara. Y lanzando, no a la Capitana, sino a la maban— , entregó el sable a Soledad, pero
mujer una mirada de víbora, agregó— : Debo al hacerlo disparó su última flecha, diciendo:
— Me prende usted a mí y suelta a mi ma­
entonces hacer a usted justicia, reconocien­
do la sensibilidad del corazón que ha per­ rido. Es ingenioso.
— Señor Fairelo, queda usted arrestado. No
donado a mi marido.
por lo de antes, sino preventivamente, y por
— ¡Perdonado, no!— gritó Alvaro.
cautela, para evitar que al ver presa a su
_¡S í> sí— rugió Ripoll— , perdonado, in­
esposa le dé a usted tentación de tomar re­
dultado!
__Absuelto, porque fundo la declaración presalias. Así, señora, endulzaré su cautive­
de su inocencia en mi conocimiento del cul­ rio dando a usted a su esposo por compa­
pable-rectificó enérgicamente María Pepa, ñero en él, y por cárcel, a ambos, su propio
sintiendo la mordedura de la víbora y de­ domicilio, en donde nadie estorbará su mu­
volviendo la mirada con otra que decía claro tua comunicación. Pero ni ustedes ni sus
quién era el verdadero reo, cuyo nombre servidores podrán salir ni recibir a persona
aun callaba, del crimen imputado a Alvaro. ninguna. Ya has oído tu consigna, Santiago;
— Pues no basta eso: pues tal sentencia es montarás guardia en la casa, cumplirás es­
confesión del atropello, fundándome en el tas instrucciones, y tú respondes de los pre­
sos.
cual vuelvo a exigir cuanto ya he...
— ¿Y se podrá saber qué se propone usted
— Señora mía, hemos terminado. En el
Autoplanetoide mando yo: nadie más. Y hacer con nosotros después de secuestrarnos
puede usted estar cierta de que he de hacer­ tan arbitraria y abusivamente?
— Nada grave. Devolverles la libertad cuan­
me respetar y obedecer de usted y de todos.
— Mandaría usted en su Autoplanetoide do estemos allá arriba, y ya no pueda usted
si pudiera mantenerlo allá arriba, mas no entorpecer— adviértase que no empleó el plu­
después de habérsele caído. Ahora no esta­ ral— mis planes. Santiago, llévate a los pre­
mos ya en la altura, sino en la Tierra, don­ sos. Y en cuanto a ustedes— dijo volviéndose
de hay naciones y gobiernos; donde el poder a los comparsas de Sara— , pueden retirarse
libremente; mas les prevengo que desde este
de mi glorioso país...
— Está usted equivocada; no estamos en momento quedan sometidos a estrecha vigi­
la tierra, estamos en el mar, muy lejos de lancia. Y vean lo que hacen, porque las rein­
ella, y sigo siendo aquí soberano poder. Sé­ cidencias serían duramente castigadas.
palo usted; y sepa que antes de que el
mundo se entere de que se me ha caído o
Y a todo esto Alvaro... Alvaro sentía va­
me han tirado el Autoplanetoide, lo verá us­
cilar los fundamentos donde hasta entonces
ted subir de nuevo al cielo.
Sara, que daba por seguro su triunfo des­ se apoyaban sus convicciones; y aun sus
de que vió al orbimotor caer en el Pacífico, mismos afectos bamboleábanse al empuje de
se quedó atónita al anuncio de próxima as­ un alud de inesperados hechos, zarandeados
censión; así que ya perdido todo freno, y no por la complejidad perturbadora de opues­
escuchando sino a su odio y su despecho, se tas impresiones que habían caído, de impro­
viso, sobre él, en menos de media hora. Si­
volvió a sus acompañantes gritándoles:
_¿Oyen ustedes?... Está loca... Después de multánea y vertiginosamente asaltaban su
su fracaso quiere otra vez jugar con dos­ corazón contradictorios sentimientos; pug­
cientas vidas, arriesgándolas en nuevas y naban en su mente perpleja antagónicos jui­
temerarias intentonas. Señores, es preciso cios de cosas y personas, motivos, aun bo­
deponerla del mando; es urgente intervenir rrosos, sugestores de acciones contrapues­
la estación radiotelegráfica para avisar a San tas. Así no es mucho que no pudiendo for­
Francisco, a Sidney y a Nueva Zelanda, de mular, en nada, definitivos juicios, nada hi­
donde debemos estar cerca, para que ven­ ciera, ni a nada se arriesgara, pasando en
gan barcos a impedir tal locura; pedir a un momento de actor principalísimo, en los
Buenos Aires que por telégrafo sea depuesta comienzos del presente capítulo, a obscure­
cido personaje.
de su autoridad esta insensata.
No ha de olvidarse que, a despecho de sxt
— Soledad, prende inmediatamente a esa
valor y de su inteligencia, era Fairelo un
señora.
hombre sin carácter, sometido a una mujer
Fué la primera idea de Sara resistirse;
pero al ver que por una puerta aparecían que ante el mundo del siglo x x i i era su le­
las amazonas de la escolta, y abría la otra gítima esposa, por quien había sentido vio­
Santiago, detrás del cual se apiñaban sus lentísima pasión y a quien creía merecedora
de estimación y amor. Y de pronto, una luz
fusilero s— llamados unos y otras por Le-

DEL

OCEANO

indecisa, e insuficiente todavía para alum­
brar a plena luz fealdades morales de la
•compañera de su vida, comenzaba a empa­
ñar, en su opinión con injusta sospecha, el
brillo del prestigio con que años y años la
había tenido él aureolada. Y cerraba los ojos
a aquella luz, porque desconfiaba de ella al
ver que era la misma que iba encendiendo
resplandor de perfecciones entre las negras
sombras de perversidad a través de las cua­
les había mirado hasta entonces a otra mu­
jer, que aun a despecho de su voluntad, ha­
cía ya tiempo le turbaba el corazón, y ahora
le trastornaba ideas, juicios y anteriores
convicciones.
No es, pues, extraño que, no atinando con
adecuada decisión de conducta en tal per­
plejidad, recibiera Alvaro como nuevo favor
de María Pepa el arresto que a última hora
le imponía.
Porque ¿cuál debería ser, a quedar libre,
la conducta del marido de Sara encarcela­
da?... ¿Cuál la actitud de quien como él de­

A

VENUS

61

bía su rehabilitación a un generoso impulso
del corazón de la Capitana?... La prisión le
libraba de contestar estas dificilísimas pre­
guntas. Y aun cuando, a la verdad, no fuera
muy airosa su indecisa actitud, cuando sa­
lía preso al lado de su olímpica esposa, debe
reconocerse que era muy complicada la si­
tuación del pobre mozo.
En cuanto a Sara, brillábanle los ojos, al
salir de la Comandancia, con brillo diferente
y más intenso que a la entrada, porque al
pasarlos de su marido a María Pepa relucían
con celos que no eran ya los antiguos, na­
cidos de vanidad científica, no fríos celos de
sabia, sino rabiosos celos de mujer, que ya
no odiaba premeditada y reflexivamente a
su enemiga, sino la aborrecía con aquel
odio de las mujeres meridionales de que el
día antes se burlaba.
¿Celos de verdadero amor?... ¿Celos de
vanidad herida de mujer hermosa?... El
tiempo lo dirá.

XIII
OCEANICOS
Cuando los presos salieron del despacho
de la Comandancia, quedaron solamente' en
él la Capitana y Ripoll, pues sin necesidad
de previo acuerdo, juzgaron Soledad y Aris­
tides que después de lo ocurrido, y de lo que
ambos para sí pensaban, entendiéndose bien,
aun Sin cruzar palabra, era lo más discreto
escabullirse para evitar que al quedarse sola
de nuevo María Pepa con ellos, se creyera
obligada a comentarios, naturales en aquella
ocasión, sobre los recientes y gravísimos su­
cesos, de los que, de otra parte, era probable
la molestara hablar.
El astrónomo, que no había visto ni calado
tan hondo, creyó naturalísimo quedarse, y
lógico charlar de lo ocurrido. Además, aun
cuando el desenlace teatral del doble arresto
le había reconciliado un poco con Pepeta,
todavía le escocía lo de la equivocación, y
quería calentarle, siquiera suavemente, las
orejas, para dejar a la debida altura su pres­
tigio de Comandante Accidental en Jefe.
Pero no teniendo ella humor de plática,
la cortó en seco, diciendo que, por llevar per­
dido mucho tiempo y serle urgente hablar
oon Fognino y Haupft, se iba a buscarlos al
taller de cargas. Y agregó;

DEPORTES
— Ya hablaremos de eso cuando vaya pa­
sándosete el enfado. Además, tú tampoco
puedes perder tiempo; necesito que inmedia­
tamente vuelvas a tus anteojos, sextantes y
cronómetros y me averigües con toda exac­
titud el sitio en que hemos caído.
Y sin darle tiempo a responder se salió del
despacho.
El se quedó refunfuñando:
— ¡Que se me pasará!... No se me pasa...
Ya verá, en cuanto acabe esas observacio­
nes, cómo no se me pasa. ¡Calla!... Dice que
tiene prisa de irse al taller, y se mete en su
cuarto y se encierra por dentro...
Y moviendo la cabeza se fué a sus apa­
ratos.
Efectivamente, el chasquido del pestillo
de la puerta del tocador de María Pepa, oído
por el viejo, indicaba, según su perspicacia
interpretó, que aquélla se encerraba en sus
habitaciones. Y eso sin oír correr en otra
puerta otro pestillo, que echó la Capitana
para impedir que hasta la misma Soledad
entrara por la comunicante con su alcoba.
—¿Para qué se encerraría?...
— Para llorar—contesta muy resuelta una
lectora de quince años.

62

VIAJES PLANETARIOS EN EL gIGLO XNTI

—¿Qué sabes tú, m'ocosa?
—Para llorar. Tiene razón la niña—me
contesta su abuela, a quien, en alta voz, está
leyéndole la nieta el presente capítulo.
— ¡Llorar aquella valiente muchacha!...
¡Aquella mujer fuerte!... Señora, usted cho­
chea.
—Para llorar—repite una mujer de trein­
ta años, en el apogeo de la vida y la hermo­
sura, con el convencimiento de que no hay
valor ni fortaleza capaces de triunfar de un
amor desgraciado.
Y tenían razón: lloraba María Pepa, por
sentirse enamorada, sin posible esperanza
en mujer como ella, de hombre que ya era
de otra.
Y ésta se lo había conocido, avergonzán­
dola al decírselo con su mirada de odio, y
con aquella vergonzosa reticencia que la
obligó a prender a Alvaro, y a encerrarlo
con Sara para dar réplica adecuada a la in­
fame sospecha. Porque ella estaría enamora­
da, no lo estaría, lo estaba, y con toda su
alma; pero aquel hombre era casado, y Ma­
ría Pepa lo miraba cual muerto para ella.
Por eso, por muerto, lo lloraba; pero sin es­
perar de la forzada ausencia, secuela inevi­
table de la muerte, aquel alivio, lento, es
verdad, mas lenitivo al fin, que las punzadas
de lo irremediable hallan al embotarse poco
a poco en el tiempo. Porque aquel muerto
que lloraba no estaba muerto sino para su
amor; y lo vería, y se lo encontraría, su­
friendo a todas horas el dolor de la cons­
tante , renovada, inacabable muerte del
hombre amado...
Las mujeres como nuestra heroína ba­
ilan, contra el dolor, fuerzas en el deber. Díjole el suyo que de su fortaleza dependían
vida y muerte de cuantos tripulaban el orbimotor; que quien lo había ideado y cons­
truido tenía inexcusable obligación de lle­
varlo a su destino, convirtiendo en realidad
el proyecto, magno en la historia de ia es­
pecie humana, de ensanchar los confines de
la fraternidad entre los hijos de la Tierra,
haciéndola fraternidad interplanetaria, mu­
chísimo más amplia, muchísimo más noble,
de los hijos del Sol.
Visto por María Pepa dónde el deber es­
taba, no había ya miedo de que errara el
camino. Por eso a las dos horas de encerrar­
se volvía a salir de nuevo, triste, sí, pero
entera, en busca de Fognino y de Haupft,
ocupadísimos, desde que comenzó la bajada
del espacio al Pacífico, en la carga y la prue­
ba de nuevas cápsulas.
Para abreviar la compostura, había re­

suelto María Pepa no reponer las 140 de ani­
lina, sino únicamente las sesenta de ellas,
correspondientes al ecuador y a los dos pa­
ralelos 1 norte y 1 sur, inmediatos a él: con
tanto más motivo cuanto que no habiendo
quedado apenas cinetorio en las cercanas al
polo sur, era preciso reponer siquiera vein­
te o treinta de ellas; supliendo el número de
las que hubieren de quedar poco cargadas
con el aumento al triple de la cantidad del
metal radioactivo en las ecuatoriales y al
quíntuplo en las australes.
Aun así habría que colocar cerca de cien
cápsulas en el Autoplanetoide: empresa que,
aunque no pareciera fácil en medio del
Océano, tal la consideraba la Capitana, que,
en el momento de verse privada del auxilio
de la esférica vagoneta de reparaciones, pen­
só que, una vez en el mar, sus aguas sosten­
drían el orbimotor; y que rodeado éste de
aire respirable, podrían los operarios colo­
car las cápsulas con la misma o mayor fa­
cilidad que en Paramillo, utilizando las es­
calas exteriores.
La única dificultad dependía de que, ave­
riada gravemente la parte alta de dichas es­
calas por la voladura de la esterilla, tornos
y cabria que con ella se fueron, había que­
dado interceptada la salida de la poterna
norte, y era preciso contentarse con la sur,
cuya boca se hallaba 190 metros por debajo
de la superficie del mar, que tal era el calado
del flotante orbimotor: con lo cual, y llevan­
do en su fondo diez millones de toneladas
de taliuro, por lastre, se mantenía firme,
siendo tan leve el cabeceo que apenas se no­
taba.
Habiendo trajes de buzo en el mundo, y
sobre todo habiéndolos, cual los había, en
e] novimundo, la dificultad no era para
arredrar a María Pepa, principalmente pre­
ocupada con el personal; pues tres obreros
eran pocos para acabar la faena con ia rapi­
dez exigida por su recelo de que impensada
casualidad trajera a los parajes solitarios
donde flotaba el orbimotor alguna escua­
drilla de balleneros, a cuya vista pudieran
despertarse tentaciones en los novimundianos de abandonar su novísimo mundo, que­
dándose en el viejo.
Cierto que entre el pasaje había ya ga­
nado María Pepa gran prestigio Sacándolo
con bien de la caída de aquella misma ma­
ñana; pero también lo era que ésta había
hecho pública la existencia de averías, y que
las multitudes son muy tornadizas.
Precisamente por esto no utilizaba la Ca­
pitana otro medio, que a su mano tenía, de
hacer salir a sus obreros por las poternas
ecuatoriales, desembocantes en dos miste-

DEL

OCEANO

riosas galerías cerradas, cuyo objeto era,
según creencia general, la regulación del
equilibrio del autosidéreo, y cuya verdade­
ra utilidad conoceremos en sazón oportuna,
pues si la calla María Pepa, ya tendrá su
porqué: y sería indiscreto hacer público
ahora lo que ella guarda oculto.
En todo esto iba pensando a su salida del
taller, y muy principalmente en prevenirse
contra deseos del pasaje de quedarse en el
mundo, cuando oyó vivas a la Capitana lan­
zados por cuatro o cinco transeúntes que de
lejos la vieron. Al ruido de ellos acudió
más gente, y, engrosado el grupo, y refor­
zados los vítores, casi llegó a juntarse la
población entera, que con gran entusiasmo
aclamó a su salvadora, paseándola, sobre
hombros, en triunfo.
No pareciéndole mal augurio la ovación,
quiso aprovecharla para levantar el espíritu
público en tan propicios momentos, pronun­
ciando una vibrante arenga de levantados
tonos, desdeñando la insignificancia de las
averías, condenando los celos de naciones
envidiosas de las glorias de la Federación
Hispanoamericana, y sus propósitos de es­
torbar el que hispanoamericanos fueran los
nuevos Colonos de los desconocidos mundos
planetarios. Maniobra, que por ser hispano­
americanas tripulación y tropas, y de igual
procedencia muchos de los obreros, resul­
taba muy hábil; pues teniendo a su devoción
el patriotismo de esta importante y útil ma­
yoría, poco cuidado le daba a María Pepa
del resto del pasaje.
Además, con prudente malicia, sin in­
sistir en ello, y casi sin decírselo, sugirió a
los más tímidos el convencimiento de que en
aquellas soledades del inmenso Pacífico,
por donde no pasaban jamás barcos, y sin
medios el orbimotor de emprender larga na­
vegación a lejanas costas, no debía contarse
sino con sus ingénitas capacidades que le
marcaban como sólo camino de salvación el
de la altura. Era, no solamente, pues, sa­
grada obligación, sino egoísta interés de
todos ayudar a la faena que se iba a comen­
zar, para la cual hacían falta voluntarios.
No para emplearlos—y esto no es María
Pepa quien lo dice, sino explicación al lec­
tor dada—, no para emplearlos en la ope­
ración de confianza de reponer cargas, a la
que ya tenía resuelto dedicar principal­
mente Sus pilotos, cesantes desde que el
Océano sostenía el orbimotor, y que, an­
tiguos gavieros, eran gente a propósito para
trepar por las escalas; sino con objeto de
utilizar a los voluntarios, que aquel oportu­
no entusiasmo la proporcionara, en menes­
teres completamente inútiles, sin relación

A

VENUS

63

con la necesidad presente, y, en realidad;
innecesarios para la compostura del orbi­
motor: en faenas, en suma, que la electrici­
dad y mecanismos automáticos ejecutaban
a diario, pero haciéndoles creer que eran
importantísimas.
Pero entonces, ¿para qué tales trabaja­
dores espontáneos?... Para que no charlaran;
para evitar ociosos grupos, donde se engen­
dran las alarmas; para diseminar la pobla­
ción en cuadrillas constante, aunque disi­
muladamente, vigiladas por las tropas; y
además para atraérselos, haciéndoles creer
que con la Capitana trabajaban en una co­
mún obra, que habría de interesarles cuan­
do creyeran colaborar en ella sirviendo a su
actual ídolo.
Y como el entusiasmo estaba fresco, y
pedía la ayuda, con frase cálida, brillantes
ojos y atractiva sonrisa, una mujer muy
guapa, no le faltaron a María Pepa volunta­
rios que una hora después, con gran conven­
cimiento de lo transcendental de sus labo­
res, súdaban a cual más, en diversas inútiles
faenas que discurrió con no poco trabajo
nuestra avispada heroína.
Y desde entonces todo marchó como una
seda.
No cansaremos al lector puntualizando
las vulgares maniobras de descolgar a un
buzo, ni los perfeccionamientos de las esca­
fandras del siglo X X II; no explicaremos
cómo los encargados de componer cargas
ecuatoriales?, situadas por encima del mar,
subían fácilmente por los trozos de escala
sumergidos hasta salir del agua, porque
esta misma los aligeraba, mientras en ella
estaban, de la mayor parte de su personal
peso; y una vez fuera procedían de igual
modo que se había procedido en Paramillo.
Fácil es comprender que la colocación de
las cargas inferiores? del Autoplanetoide, su­
mergidas en el mar, ofrecía todavía menor
dificultad, pues los buzos no trabajaban
en las obscuridades submarinas?, sino per­
fectamente alumbrados por la luz interior
que de aquél irradiaba a través de sus pare­
des transparentes.
La material operación de reponer las cáp­
sulas era tan poco técnica que, reduciéndose
a destornillar las viejas y a atornillar las
nuevas, todos servían para realizarla, sien­
do las únicas condiciones necesarias a quie­
nes trabajaban en las partes altas de las
es'calas, a unos cien metros de altura sobre
las olas, cabeza firme y pie seguro. Por esta
razón fueron designados para dicha tarea
Valdivia, sus cinco pilotos, dos de los ope­
rarios del taller de cinetorio, y aquel gua­
písima cabo de la escolta, que Leblondfe

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
aunque parezca raro—, a fuerza de puños,
quiso inútilm ente le prestara Soledad, muy
por la cuerda estirada; que, de repente se
apropósito para dicho trabajo, pues antes
me va una mano y, ¡zás!, arrib a nuevam en­
d e 'se n ta r plaza haba sido camarera en una
línea de aviones transoceánicos que viaja­ te, por no poder co n trarrestar el empuje as­
ban entre M anila y Lima, estando, por lo censional del agua; que vuelta a los esfuer­
zos para hundirme, y que torna a subir.
tanto, acostum brada a ver, libre de mareos,
Todo entre regocijo y palmoteo del pasa­
el m ar desde grandísim a altura, a no ma­
je, que desde los balconcillos veía saltar,
rearla algún buen mozo.
de pronto, por cima de las aguas, ahora una,
Se ha dicho que solamente dos operarios
fueron destinados a reponer cápsulas, sien­ luego otra escafandra rápidam ente zambu­
do la razón de ello que con el trajín forza­ llidas, para esconderse nuevam ente y resur­
do de su preparación y pruebas*, y la necesi­ gir a los pocos momentos, cual m anada de
retozones, brincadores y chapuzantes gol­
dad de habilitarlas con la urgencia con que
fines.
M aría Pepa las pedía, no pudieron Haupft y
Duró esto sólo un rato, h asta que los ver­
Fognino pasarse sin la ayuda de Dick, que
daderos buzos se quejaron a la Capitana de
en el taller quedó, no perdido de vista ni
un instante, por Pedro, que seguía descon­ que por enredarse a cada paso en las cuer­
das de aquellos dominguillos que no sabían
fiando del m ulato; y con tan poco disimulo,
que el vigilado se dió cuenta de la vigilan­ estarse quietos, no les era posible hacer cosa
a derechas, y ella ordenó que los tres depor­
cia.
No es, pues, extraño que, espiado Dick y tistas fueran remolcados adentro. Siendo
presa Sara, m archara todo rápida y feliz­ suerte que no ta rd ara más en d ar la or­
den, porque el duro ajetreo y resollar con­
mente.
P ara acabar: la colocación de las cuaren­ tinuo del incesante trepar, cuerda abajo
ta cargas* que pudiéramos llam ar submari­ contra el agua, con los pies en lo alto, había
nas, por haber de m ontarse en la parte su­ acelerado de tal modo la respiración de Rim ergida del orbimotor, la realizaron, como poll, que en menos de una h o ra se tragó
casi entera, la provisión de oxígeno de su
quien canta y cose, entre un buzo del puerto
de Valparaíso, un buscador de perlas de escafandra, suficiente para un norm al con­
Ceilán, un pescador de esponjas de las Luca- sumo de tres; y teniendo además casi toda
yas y un negro cazador de tiburones de \ u- la sangre en la cabeza, ya andaba el pobre
catán, que en la tripulación o en la compa­ apuradísimo cuando lo pescaron.
Se ha dicho que la reposición de cápsu­
ñía de Santiago venían. Y no parezca ex­
las fué cómoda y fácil, pero no rápida, ni si­
traño que con tal abundancia se encontiaquiera tan breve como la C apitana deseaba
ran buzos en el novimundo, pues la reunión
de ellos no era casual, sino prevista y bus­ la ultimación de los trabajos; pues no sien­
do lo mismo operar con obreros expertos que
cada por M aría Pepa, quien, por razones que
se verán más adelante, tenía previsto de con operarios improvisados, no quiso M aría
antem ano que podían serle útiles en los Pepa lanzarse definitivamente a los espa­
cios sin hacer antes prolijas pruebas: no en
planetas.
el taller, sino con el misino autosidéreo.
Cierto es que A rístides, su amigóte el al­
Estas pruebas previas que no habían po­
m ogávar y hasta la misma Soledad tra ta ­
dido. realizarse en Paramillo, por imposibili­
ron de ayudarles, según decían nuestros
amigos, o de estorbarles si creemos a aque­ dad de aterrizar sobre riscos y peñas' al final
de los vuelos de ensayo, eran sencillísim as
llos cuatro Semipeces. Pues el viejo, el proen
el mar, donde siempre se caía sobre las
venzal y la sevillana se empeñaron en pres­
ta r tal servicio a María Pepa, y ésta no vió blandas aguas. Aprovechando, pues, tan fa­
peligro ni inconveniente alguno en perm itir­ vorables condiciones, fueron distribuidas las
les el deporte subacuático, siempre que se horas del día del siguiente modo: trabajo,
avinieran a la precaución de dejarse am a­ cuatro; descanso, tres; nuevo tu rn o de cua­
r ra r con unas cuerdas, tirando de las cuales tro, y dos o tres invertidas en pruebas de
podría m eterse en la poterna a quien por sí las cargas recompuestas en la jornada: con
lo cual no solamente se tenía ocupado al
no supiera volver a ella: cosa no fácil para
principiantes, pues "el agua tiraba^ de ellos pueblo en las horas de faena, sino que, amén
bacía arriba: y con la sola excepción de So­ de otros nocturnos entretenim ientos y di­
ledad, que a duras penas consiguió m ontar versiones, de que ya se hablará, procurába¡una cápsula!, los otros se pasaron el tiem­ sele distracción cotidiana con el rato de
po, que subo, muy de prisa, a lo alto de las pruebas a la caída de la tarde.
Consistían éstas en vuelecillos de «veinte
olas, empujado por la fuerza del agua; que
bajo, muy despacio, izándome— hacia ahajo, a trein ta kilómetros, sin rem ontarse en ellos

DEL

OCEANO

a más de tres mil o cuatro mil metros, y
realizados en las diversas direcciones en que
las cargas montadas durante el día impulsa­
ban al orbimotor.
Con tal régimen conseguía María Pepa
muchas y muy útiles cosas: remediar las
torpezas nacidas de inexperiencia de sus
noveles operarios; dar al pasaje seguridad,
muy importante después de lo ocurrido, en
el buen funcionamiento del aparato; tenerlo
distraído con aquellos vespertinos deportes
aero-marítimos los cuatro días de su perma­
nencia en el Pacifico, y tomar precauciones
para evitar que se enterara de la cercanía de
barco ninguno en el caso de que alguno se
aproximara a los parajes donde el orbimo­
tor se hallaba; pues en cuanto éste se re­
montaba en pruebas, se agarraban Ripoll,
Haupft, Fognino y Valdivia a los cuatro an­
teojos de mayor alcance entre los disponi­
bles, y mientras aquél volaba en lo alto, re­
gistraban ellos el horizonte para ver, antes
que nadie pudiera columbrarlos, si divisaban
buques en la remota lejanía, y avisarlo a la
Capitana: lo cual sólo ocurrió a la caída de
una tarde con un gran transoceánico, descu­
bierto a grandísima distancia por Valdivia,
que marcó bien su rumbo.
Tan pronto fue informada de esto, re­
solvió María Pepa obsequiar aquella misma
noche a los viajeros con un espectáculo no­
vísimo que hizo anunciar, con los clamófonos, para las nueve de ella.
Tratábase de un rato de navegación, de
verdadera navegación, en que impulsado
por una carga ecuatorial bogó el autosidéreo
sobre las olas cual si fuera un navio. Pero la
novedad del espectáculo no estribaba en
esto, sino en que el público, instalado en las
azoteas de centrales eléctricas, almacenes y
talleres, edificados 150 metros por bajo del
ecuador, quedaba, por tanto, a cuarenta de
bajo de la superficie de las aguas, y podía
explorar a tal profundidad las entrañas de
ellas, donde a millares bullían peces en in­
contable variedad clarísimamente alumbra­
dos por poderosos proyectores eléctricos
que, dejando en sombra el interior del novimundo, por haberse apagado toda otra
iluminación que no fuera la de aquellos apa­
ratos, iluminaban las profundidades mari­
nas con luces del color de ia esmeralda. ^
Tres horas, pasadas en un soplo para los
excursionista«, duró el paseíllo, al terminar
el cual estaba el que ahora puede llamarse
navimundo a 250 kilómetros del derrotero
del barco señalado por el piloto; y nadie sos­
pechaba, al acostarse, haber estado cerca de
DEL OCÉANO A VEN U S

A

VENUS

65

un buque capaz para el transporte del pa­
saje entero a tierra firme.
No cabe duda que la Capitana sabía mu­
cho.
En sucesivos días no se limitaron las ex­
ploraciones oceánicas a cosa tan baladl
como 40 metros de profundidad; pues utili­
zando cargas boreales que hacia abajo em­
pujaban al que ahora llamaremos bucimun“
do, hízolo María Pepa viajar submarina­
mente una noche a 500 metros de profun­
didad, otra a 1.500 y la siguiente a 3.000.
Pero no a la velocidad vertiginosa del día
de la caída; no envuelto entre tinieblas, Sino
con luz radiante y marcha moderada que
permitieron ver y hasta sacar, con profu­
sión, interesantísimas fotografías instantá­
neas de espantables e insospechados mons­
truos marinos de fantásticas formas, jamás
sospechadas por el hombre: dreadnoughts
vivientes de lo hondo, blindados con fortísimas armaduras o caparazones propios para
resistir la tremenda presión del agua, y tem­
plados espolones capaces de perforar tales
corazas en los apocalípticos combates que en
lo hondo libraban entre sí los terribles en­
driagos.
La plebe se divertía muchísimo; algunas
damas se asustaban, y los naturalistas se
henchían de júbilo pensando que las foto­
grafías obtenidas daban materia para cen­
tenares de memorias zoológicas en cuya re­
dacción entretendrían largos ocios del via­
je; y que mientras llegaba, en los planetas,
ocasión de investigaciones, ya la Tierra led
brindaba, antes de salir de ella, descubri­
mientos valiosísimos: siendo lo único por
todos y cada uno deplorado que tales mara­
villas las hubieran visto los demás colegas,
compañeros de viaje.
He aquí cómo los cuatro días, casi jus­
tos, pasados en el Océano, fueron agrada­
bles sobre toda previsión; mas siendo la
finalidad del motoestelar muchísimo más
alta que s'ervir de instrumento de recreos
inocentes y deportes pueriles, tuvieron éstos
término en la última excursión dq ^turis­
mo submarino a tres mil metros, que realizó
de diez a dos de la noche del 15 de septiem­
bre; pues a otro día, bien de mañanita, de­
bía encumbrarse a más altos lugares y desti­
nos, esta vez afrontados por su Capitana con
alentadora confianza: no por aumento de la
que siempre tuvo en s'u aparato y en sí mis­
ma, sino por la certeza de que su prestigio
personal sobre pueblo, tripulación y aun sa­
bios del novimundo había crecido extraordi­
nariamente con las pruebas, retozos y es­
carceos del que tan pronto era en sus mano3

66

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

avi, náuti o bucimundo, y en el que ya to­
dos se entregaban tranquilos a la pericia de
quien lo regía.
Un opulento angloindio que por deporte

se había embarcado en la excursión ínterplanetaria, calificaba aquellos cuatro días
de a delightfull seapicknik (deliciosa jira
marítima).

'i

X iV
EL SOL SE DESCOMPONE Y A LA POSTRE SE PARA
El regénte de la imprenta me envía las
pruebas del anterior capítulo con un ojo
muy grande y colorado: quiero decir un
“ ojo” escrito en letra grande, con lápiz rojo,
y por debajo de él la siguiente nota: “El
autor s'e ha distraído al consignar para fe­
cha del último chapuzón deportivo la noche
del 15 de septiembre, pues tiene dicho en
el capítulo primero de este tomo que en
tal día y hora estaba el novimundo so­
bre Zaragoza, es decir, poco más o menos,
en los antípodas' del marítimo parque de
deportes del Océano Pacífico.”
Prueba este aviso que el tal regente, en
Geografía docto, pues sabe dónde tiene los
antípodas, y a la ironía propenso, es hom­
bre cuidadoso y observador. Mas, con todo,
esta vez se ha equivocado; pueá ni enmien­
do palabra en el último capítulo ni enderezo
ni tuerzo lo dicho en el primero. Y no es por
terquedad, sino porque realmente estuvo el
Autoplanetoide cuando he dicho en Zara­
goza y en las cercanías de la Isla Chatam,
no siendo óbice a ello que entre’ una y otra
queden unos 25.000 kilómetro^: sin pararse
al medirlos en centenas de más o de menos.
—Pero, ¿cómo?... ¿Al mismo tiempo?...
-— ¡Alto! No me tergiversen las palabras,
y pronto verán clara la razón del aparente
absurdo.
El día 16 de septiembre, a las seis y media
de su mañana, dejó las aguas del Pacífico
el orbimotor.
— Pues si el 15 por la noche y el 16 por la
mañana estaba allí, no pudo estar en Zara­
goza al mismo tiempo que...
—¿Me hacen ustedes el favor de tener un
poquito de paciencia?... Un minuto; cuando
mád, dos.
A las seis y media del 16 emprendió el
vuelo; pero en fecha y hora correspondien­
tes al lugar del Pacífico y oriente de la Isla
Chatam, donde se hallaba. Avanzó, al ele­
varse, no marchando hacia oriente — por
donde el Sol se había levantado de las
aguas, cuando treinta y tres minutos antes
de la nueva ascensión amanecía el citado

día 16—, sino en sentido opuesto. Sobre el
mundo corrían, por lo tanto, orbimotor y
Sol (1), occidente adelante, hacia Nueva Ze­
landa, Australia, Asia, Europa, sobre las
cuales no brillaba aún la luz de la mañana
del repetido 16 de septiembre, por no haber­
se todavía mostrado sobre los horizontes de
dichas islas o continentes el sol de dicho
día.
Corrían, pues, orbimotor y Sol en igual
dirección y sentido; pero en esta carrera en
competencia iba delante y corría más de pri­
sa el astro artificial de María que el astro
natural del firmamento. Lógico era, por lo
tanto, que antes que el Sol llegara la Capi­
tana a todas partes.
Así, por ejemplo, fijándonos en Zaragoza,
adonde iba (o irá si ustedes lo prefieren),
observaremos que, amaneciendo en la ca­
pital aragonesa trece horas y tres minutos
después que en aquel lugar del Pacífico,
el resultado de tal retraso es que les relojes
de la citada población marcan la una, las
dos, las tres..., las doce, de día o noche, tre­
ce horas y tres minutos después de llegar a
dichas horas los horarios y los minuteros de
los relojes de la Isla Chatam; dato que se
halla en cualquier anuario astronómico o al­
manaque náutico (2).
(1)
Quede sobreentendido que lo de la carrera
del Sol es modo de hablar, pues la Tierra era la
que daba vueltas en sentido opuesto a dicha apa­
rente carrera solar, y el orbimotor volaba sobro
ella en sentido contrario al terrestre movimiento
rotatorio.
(2)
De esta verdad resulta que si el Autopla­
netoide hubiera volado a igual paso que el Sol,
habría llegado a Zaragoza, al mismo tiempo que
él, en trece horas y tres minutos de viaje, cuando
allá fuera la misma hora, seis y treinta de la ma­
ñana de su salida ; es decir, cuando los relojes
aragoneses señalaran dicha hora del 16 de sep­
tiembre : lo cual no quiere decir que hubiera es­
tado al mismo tiempo, sino a la misma hora de
los dos lugares, en cada uno de ellos, por donde
bien se ve que no es lo uno igual que lo otro.
Tero como Zaragoza corría de una parte hacia
oriente, por efecto del giro de la Tierra, y volaba
de otra el avimundo hacia Occidente, mientras el
Sol se estaba quieto, resulta de la combinación do
ambas carreras que antes de las trece horas y tres

DEL

OCEANO

Toda la taumaturgia de acabar el día 15
un viaje comenzado el 16, estriba en ser ésta
la fecha en el Pacífico, y la otra en Aragón.
Y el milagro no es tal, sino hecho vulgarí­
simo para astrónomos y marinos.
El itinerario detallado del viaje fué el si­
guiente:

A VENUS

C7

oscilante entre 1.3UU y 1.500 m etro^por se­
gundo. Para pájaro, mucho; para astro, casi
nada.

Como los astrónomos de los observatorios
no se asombran de poco, en los radiogra­
H O R A S LOCALES
mas con que al mundo anunciaron los de
en cada una de ellas
Batavia no haberse perdido el motoplaneta,
ESTACIONES
al pasar por las mismas
y a Zaragoza la inmediata visita de él, no se
el Autoplanetoide.
cuidaron de reseñar curiosidades y sobre­
Salida......................................¡6 y 30 mañana, día 16.
saltos a que en el mundo dió lugar su via­
v^iiington
(Nueva Ze-|
je a contrapelo de las agujas del reloj y de
landa).................................. |5 y29 madrugada de íd.
la rotación terrestre, ni la escasa altura del
Sidney (Australia)............ ¡4 y 39

de íd.
líatavia (isla de J ava )...[2 y 57

de íd.
vuelo en los comienzos de él; pues en vez
Colombo (isla de Ceilán).|l y 54

de íd.
de elevarse verticalmente, como en í*araSuez..........................................111 y 5 3 noche del 15.
millo, salió del océano el autoastro en di­
Zaragoza................................ ¡1 0 y 27

del ídem.
rección levemente elevada sobre la horizon­
tal, y disparado cual bala salida de un ca­
O sea que cuanto más se avanzaba en el
ñón, ganando altura poco a poco, a razón
camino, o más tiempo pasaba, más tempra­
de un kilómetro por cada cien próximamen­
no era: más temprano en los puntos de lle­
te de avance. Con la única diferencia de
gada, pues en el de salida tenía que ser más
que en lugar de ir perdiendo, por su propio
tarde.
peso y la resistencia del aire, la velocidad
Sin entrar en complicada combinación
inicial comunicada por la explosión de la
de direcciones y velocidades del novimundo
carga y caer al cabo, como el proyectil, era
y Zaragoza, que por su parte corría, al girar
el aviplaneta constantemente impulsado por
con la Tierra (1), al encuentro de aquél,
sucesivas descargas de cápsulas poco infe­
sólo diré que el viaje se verificó con rapidez
riores a su ecuador: shbiendo así la rama
ascendente de su trayectoria, hasta que es­
minutos que aquella capital aragonesa habría de
tardar en encontrar al Sol, se encontraría con el
tando sobre Arabia, y cercano a la Meca,
Autoplanetoide, o sea antes de las seis y treinta
y
suprimida por la Capitana la excitación
del 16 de septiembre.
de las cargas, comenzó el des'censo que a
Tero si esa fué la hora de salida de éste, ¿cómo
había de llegar antes de partir?
Zaragoza lo llevó al solo impulso de la velo­
¡O j o ! Que no se ha dicho eso...
cidad adquirida.
Llegó a hora más temprana en Zaragoza que la
Este sistema tenía la ventaja de permi­
de su salida en los relojes de ésta ; pero no antes
tirle a María Pepa no consumir cinetorio de
de salir.
Habiendo empleado solamente cinco horas en el
las cargas de los' últimos paralelos austra­
viaje, basta sumarlas a las seis y treinta de la
les sino durante el tiempo que estuvo quieta
mañana para averiguar que llegó a Zaragoza cuan­
sobre
Zaragoza.
do un reloj que María Pepa pudo dejar, aunque
Dada la escasa altura a que volaba el
no le dejara, en el Pacífico, arreglado a la hora
de allá, mareara las once y treinta de la mañana
novimundo, las gentes de los! continentes o
del 16 de septiembre.
islas sobre que pasó durante la noche, y los
Mas ya se ha dicho cuál es el atraso de la hora
pueblos ribereños del Océano Indico, Mar
— y calendario, por lo tanto— , luego para saber
cuál era la de Zaragoza en el momento de llega­
Rojo y Mediterráneo, sucesivamente deja­
ba, no habrá sino restar de aquellas once y treinta
dos atrás por él, se admiraron, y aun se ate­
de la mañana del día 16 de septiembre del P a­
rraron, en su mayoría, al ver amanecer en
cífico dicho atraso de trece horas y tres minutos,
medio de la noche, un sol extraño, doble,
con lo cual se obtienen las diez y veintisiete de la
noche del 15 de septiembre. Porque, efectivamen­
triple o cuádruple, según la altura a que
te, si a las diez y veintisiete de la noche' se agre­
volara, que el cotidiano sol, y tristemente
gan trece y tres, se obtienen aquellas once y trein­
pálido, que con velocidad cinco veces mayor
ta de la mañana del 16 del punto de partida.
¿Está bien machacado? r
que la del verdadero, subía a lo alto del cie­
(1)
Esta población recorre en virtud de tal
lo, y lo cruzaba, y se ponía. No es de extra­
giro unos 345 metros por segundo, 20.700 por mi­
ñar que gentes rudas, cual pescadores, ma­
nuto y 1.242 kilómetros en la hora. Las gentes
rineros y pastores, gritaran espantados:
3el Ecuador van más de prisa, 463 metros al se­
gundo. La diferencia obedece a que en veinticua­
“ ¡Se acaba el mundo! ¡Se ha descompuesto
tro horas dan los zaragozanos una vuelta de
el S ol!... ¡Se hincha!... ¡Ya apagándose!...”
29.808 kilómetros, que es la longitud de su para­
Dentro del novimundo fueron las peripe­
lelo, mientras en aquel tiempo tienen los otros
cias de otra índole. El Sol, que, saliendo
que recorrer los 40.000 de la redondez del Ecua­
dor.
para él en el Pacífico a su hora de las Seis

68

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

menos#tres minutos de la madrugada, de­
biera haberse ocultado a los novimundianos
a las seis y veintiuno de la tarde, se puso
para ellos a las ¡siete y doce de la mañana!
Es decir, que en vez de disfrutar de casi doce
horas y media de luz, no les duró la de Su 16
de septiembre sino unos cinco cuartos de
hora. Con otra inusitada particularidad,
pues en vez de ponerse por el oeste, según
inveterada costumbre suya, subió, cual siem­
pre, por el Este desde el amanecer hasta
las Seis y treinta en que zarpó el orbimotor,
retrocediendo, desde dicha hora, por el mis­
mo lado por donde había subido, hasta hun­
dirse de nuevo en el océano por Oriente,
cual si se arrepintiera de dar luz a aquel día.
e * *

Como la submarina expedición recreativa
de la víspera había finalizado entre gallos
y media noche, la mayoría del pasaje no lle­
vaba sino unas cuatro horas de Sueño cuan­
do el autoestelar abandonó por el aire las
aguas; y no habiendo anunciado la Capitana
la partida sino al personal indispensable pa­
ra la maniobra, sólo éste se hallaba en pie
en Noviópolis cuando se produjeron las ci­
tadas e insólitas perturbaciones solares, que
a los poco versados en ciencias astronómicas
hicieron creer, como a los zelandeses, in­
dios, árabes y egipcios, que el Sol andaba
descompuesto.
E l resto de loS viajeros, acostados muy cer­
ca de las tres, se levantaron quién a las nue­
ve, quién a las diez, quién a las once de la
mañana, por los relojes, y todos asombrados
de hallarse en plena noche. Unos pensaban
haber empalmado de un tirón, en un sueño,
las doce horas del día con las de la madru­
gada; otros creían estar sumidos en las
sombras de un eclipse solar: error desvane­
cido in continenti por los astrónomos, di­
ciendo que no estando anunciado para tal
fecha tal suces'o, aquello no era eclipse, por
ser inadmisible que desobedeciera el Sol a
los observatorios, que son los encargados de
anunciarlos todos, y de dar el permiso para
esos siderales acontecimientos.
Y no había duda: la hora verdadera del
Autoplanetoide era la que marcaban los re­
lojes de los pasajeros, no la conjeturada por
la informal conducta del padre de la luz, de
cuya ausencia no se cuidó el clamófono al
llamar al público al gaseoso lunch del co­
medor químico del señor Chu-Fo, en el mo­
mento mismo de señalar las once los cita­
dos relojes.
' Entre soplos, inhalaciones y pulverizacio­
nes nutritivas era el tal comedor una babel
de opuestos comentarios, de conjeturas, dis­

cusiones y aun peleas, en medio de las cua­
les cayó como una bomba, voceada por el
propio clamófono, la siguiente noticia:
“ Se previene al pasaje que en menos de
un cuarto de hora llegará el Autoplanetoide
sobre Zaragoza antes de abandonar definiti­
vamente las proximidades de la Tierra.”
— ¡Zaragoza!
— ¡¡Z a ra goza !!
— ¡¡¡Z a ra g o za !!!
— ¡En cinco horas del Pacífico al Ebro!
— ¡Desde los mahoríes a los baturros!
— ¡Y venciendo con el aviestelar la fuerza
opuesta de la rotación de la Tierra!...
— ¡Sacándole ocho horas largas de ventaja
al mismísimo Sol!...
— ¡Viva la Capitana!...
-— ¡V iv a !.. ¡Viváaaaa!...
Respondió todo el mundo.
— ¡Fisco Pepeta, visca la Coronilla!...
Y no respondió nadie, pues ninguno, a no
ser los amigos del buen Ripoll y de la Capi­
tana, sabía allí que María Pepa era Pepeta,
ni apenas nadie entre la abigarrada multi­
plicidad de nacionalidades, poco versados en
la historia de la España medioeval, tenía
noticias de aquella Coronilla, gloriosa por
los hechos de aragoneses y catalanes de los
heroicos tiempos dd* la Reconquista, por las
mediterráneas naos que a Sicilia y a Oriente
habían llevado a los Roger, ni sabía palabra
de los Berengueres, ni siquiera de Doña Pe­
tronila, a quien conoce en Cataluña cual­
quier chico de la escuela.
De lo que vieron aquella noche los zara­
gozanos, de su sorpresa y júbilo, con la vi­
sita, inesperada ya, de su paisana, nada se
dice ahora, pues todo fue ya dicho. De lo
ocurrido simultáneamente dentro del Autoplanetoide bastará consignar que, conforme
telegrafiaba la Capitana a los zaragozanos
con rayas y puntos del telegráfico alfabeto
Morse hechas/ con luz y sombras de su cen­
tral eléctrica, voceaba el clamófono el texto
del telegrama transmitido; y al llegar a la
frase “ en este instante partimos para Ve­
nus” , ya no pudo oírse más, porque más recio
que el gritar de la bocina resonaba en No­
viópolis el entusiasmo de sus habitantes al
oír que María Pepa los llevaba a la poética
estrella vespertina y matutina; pues aun­
que los astrónomos de remotas edades cre­
yeron que Lucifer y Vesper (1) eran dos
(1)
Venus fué conocido por los asirios con el
nombre de Is h ta r; y con el de Quetzalcoatl por
los mejicanos anteriores al tiempo de Cortés.
Es la que Homero llamó Phosphorus, la Mazaroth del Libro de .Tob, Vesper. Hesperus y Estre­
lla del Pastor de los griegos. Pitügoras fué quien
primero identificó como una sola estrella la ma­
tutina y la vespertina.

DEL

OCEANO

astros diferentes, nunca visibles a la par,
otros más avisados averiguaron hace siglos
no ser dos, sino uno, al cual llamaron Venus,
La ovación a María Pepa... Véase el ca­
pítulo B e los Andes al Cielo, donde se des­
cribió la que en Trujillo le tributaron, todas
las naciones, cuando estuvo encerrada en el
proyecfocopio, y con ello ahorraremos tinta,
papel, tiempo y repeticiones; pues la de en­
tonces y la de ahora se parecieron mucho.
Y aun siendo más ensordecedor el griterío
en ésta, al resonar en el cerrado orbimotor,
le fué más grata a la aclamada, por expre­
sar afecto y confianza de quienes debían ser
sus auxiliares en la magna odisea que em­
pezaba.
Lo que faltó en ella fué el solemne besa­
manos de las doce Marías Pepas de los te­
lones de Trujillo; pero en cambio no pudo,
la única que iba en el Autoplanetoide, subs­
traer su persona a muchos centenares de
abrazos con que la estrujó el pueblo enloque­
cido, después de estrujarse él, pues todos se
esforzaban para ser los primeros y en cuan­
to a ella llegaban no se satisfacían con un
abrazo solo.
Y no en imagen, como los besos en las fin­
gidas manos de los telones del Instituto Pla­
netario de la ciudad extremeña, sino reales,
positivos y apretados.
— ¡Qué lástima no haber estado a llí!...
• *

*

En cuanto la Capitana pudo zafarse del
montón de abrazantes, que cual marea cre­
ciente subían hasta inundar el puente, y de
él bajaban, relamiédose, al expulsarlos otras
oleadas que detrás venían, echó mano a la
b o c in a del teléfono de mando dando la si­
guiente orden:
“Excitación progresiva durante dos minu­
tos hasta alcanzar la media en las cargas
ecuatoriales V, VI y VII, pero cuidando no
llegar a fuerte excitación.”
,
Ejecutada la orden, salió el aviplaneta en
dirección horizontal, escapando por 1L tangen­
te a la atracción terrestre; pues habiendo la
Capitana de menester muy mucho el cinetorio de las cargas australes, cuando cayera
en Venus no quería emplear éstas, sino cuan­
do la lejanía del mundo de donde se alejaba
hubiera disminuido el peso de su orbimotor
en términos de ser ya más soportable el gas­
to de radi o cinetori-actividad, exigido por
la continuación de la subida. En plata, que
se alejaba el planetoide de nuestro orbe sub­
lunar no como globo que se eleva, Sino cual
proyectil que después de salido del cañón
no perdiera la fuerza de impulsión, y que,

A

VENUS

69

en vez de caer, fuera subiendo, siembre en
ascendente trayectoria—o empleando com­
paración más propia, pues no volaba en línea
recta—como escapa la pelcta que al extremo
de una cuerda volteamos con la mano, cuan­
do aflojando ésta y aumentando de longitud
la cuerda, va describiendo la pelota giros
más amplios cada vez, en forma de espiral,
a distancias progresivamente crecientes de
la mano.
Pero el rumbo que del Pacífico trajera se
había invertido ahora, dirigiéndose a orien­
te: no luchando en su marcha, como antes,
contra la fuerza de rotación terrestre, sino
volando a favor de ella, aun cuando mucho
más de prisa, a razón de 10 kilómetros por
segundo. Y eso porque además de la grave­
dad contrarrestaba y dominaba al avanzar
la resistencia del aire (1).
Claro es que el Autoplanetoide podía ir
más de prisa; muchísimo más, en seguida
va a verse; pero no era prudente por lo
pronto imprimirle más rápida carrera, pues
es sabido que los bólidos, que corriendo a ra­
zón de 75 a 100 kilómetros por segundo lle­
gan a las altas regiones de la atmósfera en
donde aquél bogaba, se incendian con el ca­
lor desarrollado por el tremendo rozamiento,
producido por tal velocidad, entre la masa
de ellos y el aire que atraviesan: aun siendo
éste extraordinariamente tenue a esas altu­
ras. El fuego así encendido en la ignición de
dichos bólidos traza en el cielo las fugaces
ráfagas de luz conocidas con el nombre de
estrellas errantes.
Para evitar, por tanto, que el Autoplane­
toide se incendiara por fricción excesiva, y
pereciera, como dichos meteoros, por exage­
raciones de su marcha, lo mantenía la Ca­
pitana, mientras no franqueara los límites
de la atmósfera (2) en la de 10 kilómetros
al segundo, muy pequeña para un autoestelar.
Mas como caminaba entonces, no huyendo
(1)
SI hubiera desarrollado en el primer mo­
mento la de 11,25 kilómetros, habría salido dis­
parado a los espacios en línea recta, pues esta
velocidad es la que dicen los balísticos sería
precisa dar a una granada en la boca del cañón
para que, venciendo la fuerza de la gravedad, sa­
liera de la Tierra.
(2)
Tales límites, obtenidos por la observación
de la luz crepuscular, que es la que recibimos de
esas últimas partículas de aire, que el Sol ilumi­
na cuando ya no es para nosotros visible ; por la
de las auroras boreales, y sobre todo por la de las
estrellas errantes', parecen estar a distancia de
unos 150 a 200 kilómetros de la superficie de la
Tierra. Sin embargo, recientes observaciones de
diversos sabios comienzan a hacer creer que acas*
llegue a los 500 kilómetros el espesor de nuestra
atmósfera. En lugar adecuado se volverá a ha­
blar de esto.

70

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

al Sol, sino corriendo a él, y mucho más de
prisa que antes se alejara, fué consecuencia
de ello que, saliendo a las once de Zaragoza,
amaneciera para el orbimotor a las once y
diez y siete minutos de dicha población.
Mas recordando que los relojes seguían
arreglados en el avisidéreo a la hora del
Pacífico, nadie extrañará que día y noche
se repartieran en el extravagante novimundiano día 16 de septiembre del siguiente
modo: desde media noche a s'eis y treinta
de la mañana, noche cerrada: de seis y trein­
ta a siete a doce de la mañana, día claro;
desde las siete y doce de la mañana a las
una y veinte de la tarde, noche otra vez, y
a esta última hora, nueva salida del Sol, orto
de un día en que la luz no iba a acabarse
cotidianamente (1) para los expedicionarios
con la llegada de las periódicas noches te­
rrestres; porque aquel astro, que ya era pa­
ra ellos su único mundo, entraba en los es­
pacios estelares, donde jamás muere la luz,
sino cuando la ocultan las obscuras tierras;
porque María Pepa había hecho un mundo,
no de tierra ni opaco, sino de diáfano cris­
tal, donde la luz no se apagaba, para el que
siempre sería día, sin posible ocaso, sino
cuando otros astros, menos límpidos que él,
le ocultaran el Sol.

A la una y veinte de la tarde de aquel 16
de septiembre salió el sol del prim er día del
Autoplanetoide— ahora sí que era auto y
planetoide y motoastro con sidérea vida in­
dependiente, suya, autónoma. Día que iba a
durar hasta el 31 de diciembre, o s'ea dos
mil quinientas veinte horas de luz solar no
interrumpida, en el transcurso de las cuales
no solamente no dejarían los viajeros de ver
el Sol, sino que siempre lo tendrían en me­
dio de su cielo: sin subir, ni bajar, solem­
nemente quieto; pues la inventora no ha­
bía querido, e hizo bien, dotar a su mundículo de movimiento rotatorio. ¿Para qué?
Adviértase que, por razones que ahora ca­
llo, por no entrar prematuramente en más
embrollos, no se ha dicho en lo alto de los
cielos, sobre sus cabezas, ni en lo hondo de
ellos, a s*us pies, sino tan sólo en medio de
los cielos. Ya se verá el por qué.
Verdad que aquellas dos mil quinientas
veinte horas de día fueron también, y al
mismo tiempo, horas de noche: existencia
conjunta de tinieblas y luz que, aun pare­
ciendo paradoja, fué realidad para el orbi­
motor en las inmensidades estelares en tanto
se mantuvo alejado de otros mundos.

XV
LOS P R I S I O N E R O S
TachcTla frase comenzada ya para expli­
car cómo ser pueden simultáneos día y no­
che en las inmensidades siderales, o, mejor
dicho, cómo allí faltan esos jalones con que
aquí marcamos la carrera del tiempo. La ta­
cho porque mademoiselle Thellis, a cuyo lado
escribo, se burla de mi falta de malicia para
contar la interesante historia que me relata
ella, diciéndome que más que explicaciones
de física astronómica, urgen ahora noticias
del matrimonio Sam-Pairelo, preso en su casa
desde hace cuatro días.
Replicóle que la ciencia y el paisaje son
lo primero que interesa en expediciones e
historias científicas; contéstame que desde
Zaragoza a Venus no han de faltarme ratos
para hablar de una y otro, y que, en último
extremo, de faltarme tiempo en esta trave­
sía para hablar de ellos, sobrado lo tendré
para explicar cuanto me venga en gana en
ti)

Cotidianamente en la Tierra.

el camino, muchísimo más largo, de Venus
a Saturno.
— ¡A h !... ¿Vamos luego a ir de Venus a
Saturno?
— Yo no aseguro nada. Eso lo sabe María
Pepa; mas, vayamos o no, cosa para la que
es preciso explorar la opinión de los lecto­
res, digo de los viajeros del Autoplanetoide,
es indudable que lo que ya no admite aplaza­
miento es la visita al pabellón A.
— Pues allá vamos. Ya está tachado lo que
empecé a escribir.
— No, hombre; guárdelo, por si acaso, pan
sazón más oportuna.
* * *

Los cuatro días de común cautiverio, que
en otros tiempos habrían sido oasis, donde el
rocío suave de aquella soledad de dos en
compañía fuera grato frescor a ios ardores de
la mutua pasión de Alvaro y Sara, no trans­
currieron breves para ellos, ni fueron dul­
ces, como dijo María Pepa al arrestarlos.
V

DEL

OCEANO

P ara la prisionera era evidente que la
C apitana am aba a Alvaro. Ciertos presenti­
mientos, nacidos de extrañas distracciones y
silencios de él, anomalías' de su conducta, y
el cohibido aspecto que tomaba cuando veía
a M aría Pepa, o sus exageradas brusqueda­
des en cuanto hablaba de ella, habían ya va­
rias veces alarm ado a S ara; mas' lo im pre­
ciso de tales presentim ientos, su confianza,
cim entada en largos años de vehemente pa­
sión, confundida por ella con sólido y dura­
dero am or de su marido laico, y, sobre todo,
el propio orgullo, la hicieron desechar la
idea de que m ujer alguna pudiera arreb atar­
le el corazón de Alvaro. Convencida de que
era dueña, por talento y carácter, de la hasta
entonces débil voluntad de Alvaro; reina,
por su belleza, de los sentidos de sil esposo,
y en su vehemencia pasional, hoguera donde
ard ía la pasión de un hombre apasionado en
cuya lumbre sintió a veces es'cozor de que­
m adura, no se había dado cuenta de que, no
obstante ser realm ente dueña, reina y ti­
ran a de voluntad y sentidos, no era señora
del corazón, que aunque engañado sobre sus
más hondos sentim ientos, estaba libre aun;
pues Sara no había entrado, no había sabido
en tra r, no podría nunca e n tra r en él, por
faltar en el suyo impuls'os que movieran la
atávica nobleza, según en burla decía ella, ni
despertaran los tranquilos afectos aun dor­
midos en el del inocente que, con la misma
candidez que días antes creía aborrecer a la
m ujer de quien estaba enamorado, llevaba
años de confundir deseos prim ero, orgullo
satisfecho y gratitud, después, de ser por
S ara amado con verdadero amor.
Pero el tiempo pasó; se aplacó el fuego de
una pasión cuyos deseos se aquietaban, y
en tre destellos de la belleza olímpica de
diosa, que años y años le tuvieron deslum­
brado, comenzó a coluihbrar en la m ujer
fealdades del alma, que no quería ver, pues
la fascinación pasada Se esforzaba en ne­
garlas.
Y en esto llegó la otra, la orgullosa espa­
ñola, la enemiga de Sara, la traidora culpa­
ble del crim en de Challao, como la llamaba
ésta. Y a despecho de razón, juicios y he­
chos, torcido^ unos por sugestión, fraguados
o tro s por envidiosa odiosidad de Sara a Ma­
ría Pepa, la traidora, la infam e, la orgullo­
sa, se le m etía dentro, dentro del corazón,
a Alvaro.
Los cuatro días de encierro fueron para
él un largo examen de conciencia, en el que
term inó por confesarse que ya en Trujillo
le turbó M aría Pepa cuando la vió por vez
p rim e ra ; que allá en Maipo sintió al sal­
v arla júbilo muchísimo m ayor del que h u ­

A VENUS

71

biera sentido de salvar a un m inero; que al
a rro stra r le. m uerte por salvarla supo que
por ella la arriesgaba, no obstante haber
mentido a Sara al referirla el lance. Confe­
sóse además que siempre que después la ha­
bía visto, y en las continuas ocasiones que
su recuerdo le turbaba, había tratad o de en­
gañarse, procurando abrum ar su alboreante
sentim iento bajo el peso de infundadas e in ­
justas prevenciones externas, esforzándose
en crear un fingido y artificioso odio que an­
tes de caer sobre el amor naciente era aven­
tado por atracción incontrastable.
Y, sin embargo, debía resistirla, pues si el
am or a Sara se iba desvaneciendo, aún se­
guía en pie, aunque atenuado y tam balean­
te, el prestigio de él; porque si indicios y
sospechas habían ya comenzado a socavar,
en el ánimo de Alvaro, la antigua estim a­
ción y la fe ciega de pasados tiempos, juz­
gábalos injustos, por no apoyarse en hecho
alguno, creyéndolos nacidos de su amor a
la otra. Por eso mismo desconfiaba de ellos,
m irándolos cual nueva y más odiosa ofens'a
que el egoísmo de un nuevo am or infería a
su mujer, queriendo disculpar propias tra i­
ciones.
Ella, que, alum brada por su odio, había
penetrado en lo profundo del corazón de
M aría Pepa con perspicaz clarividencia, no
tenía el Suficiente am or para alum brar el
corazón de Alvaro con luz que disipara opa­
cidades que la impedían registrarlo como el
de su enemiga; sabiendo únicam ente que ya
no hallaba en él las transparencias de otras
veces. Y aquella opacidad no le dejaba ver
cuán cercapo estaba Alvaro de escapar al
hechizo y rom per la cadena con que ella lo
tenía esclavizado.
—Me lo quiere q u itar—decía, atribuyendo
a M aría Pepa propósito que en ésta no era
sino renunciación de tal deseo, bien refre­
nado por su voluntad—. Me lo quiere quit ar—repetía convencida, sin dudas ni vaci­
laciones—. Pero él... ¿E l?... El no es el mis­
m o... ¿Será que ya r o me am e?... ¿Será que
la ame a ella?... No, protestaba su confianza
en el dominio años y años ejercido sobre su
esposo; no, protestaba su satánico orgullo...
Y, sin embargo, aquél ya no era el Alvaro de
siemlpre; se la escapaba; no era su Alvaro...
-—¿Será—sugería la conciencia, recordán­
dole su tortuosa y m alvada conducta—que
recele algo de cuanto yo h e l é c h o o le he
hecho hacer a él?... ¿Lo sospechará ella?...
¿Se lo habrá insinuado?... ¿Será verdad, y
completo, el relato que Alvaro acaba de h a ­
cerme de lo ocurrido en la Comandancia
antes de mi llegada?... ¿Me habrá acusado

72

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

la idea de ser abandonada, la sublevaba ser
esa mujer?... ¿Y cómo y con qué pruebas
pospuesta a otra; y al pensar que esa otra
podría hacerlo?...
fuera María Pepa, henchíasele el pecho con
Y por encima de estos recelos y preocupa­
iracundo frenesí, cual si a estallarle fuera
ciones, turbábala, no, la exasperaba, con
con explosión de rabioso odio.
tremenda violencia, la posibilidad de que
En tal estado estaban cuando* al cum­
llegara a 'hecho la idea que únicamente a
solas formularon sus labios con la frase plirse los cinco días de su arresto, les comu­
nicó Santiago que, habiendo recibido orden
“ ¡Ella quitarme mi Alvaro!”.
de retirar la guardia, iba inmediatamente
Y sus labios temblaban; y en lugar de
anublarle los ojos el dolor de la pérdida de a obedecerla, dejándolos, por tanto, en li
bertad.
él, abrillantábalos el odio a ella; y al pro­
— Esa señora ha cumplido su palabra- nunciar la anterior frase dolía el ella como
dijo Sara volviéndose a Alvaro, sin pode':
no dolía el Alvaro.
reprimirse, y con voz estremecida por el
— No, no; todo antes que esto: todo, to­
aborrecimiento. Y como ya hacía tiempo que
do... Tal vez tenía razón el bruto de Fouciño, cuando pensaba en puñaladas, y acaso se daba cuenta, en lo insignificante del peso
fuera todavía fácil encontrar en el Dick de de su cuerpo, de la subida del Autoplanetoide a muy considerable altura, agregó:— Nos
hoy al Fouciño de ayer.
Respecto a María Pepa no tenía duda al­ levanta el arresto preventivo que a su arbi­
guna, mas tan pronto convertía el pensa­ trariedad debemos cuando no nos sirve para
miento de ella a Alvaro bajaban a sospe­ nada la libertad, porque ya estamos en sus
chas las certezas de Sara, a inquieto titu­ dominios, y a.merced de vejaciones y atro­
beo la firmeza de su convencimiento, y a va­ pellos. ¡Qué generosidad!
Y Alvaro, no atreviéndose a contestar, co­
cilante indecisión los resueltos propósitos.
Y ciertos Sara y Alvaro de su mutua des­ mo hubiera deseado, no supo responder
sino:
confianza, sin querer demostrarla, procu­
— Lo que yo no me explico es la causa
rando ocultar cuanto .sentían y pensaban; y
del arresto.
ansiosos uno y otro de adivinarse ideas y
— Pues estamos iguales.
sentimientos, de vigilar sin ser espiados,
Y ambos callaron multitud de preguntas
esforzábanse ambos en aparentar ingenuas
actitudes, sin lograr engañarse del todo: y y de comentarios que les hormigueaban en
todavía menos convencerse de no estar en­ la punta de la lengua, cual les habían es­
tado hormigueando durante cinco días, sin
gañados.
Tales estados de ánimo en personas antes conseguir salir afuera; pues lo caracterís­
tico de sus conversaciones mi< ntras duró el
ligadas por absoluta confianza, substituida
ahora con mentida espontaneidad que sólo arresto fué que ni uno ni otro se atrevieron
era careta de receloso disimulo, determina­ a hablar de lo más interesante, de lo que ha­
ban situación entre los cónyuges que aun bría sido natural hablaran; ni a preguntar
mantenida por corto tiempo habría sido pe­ ninguno cuanto ambos ansiaban saber, cuan,
nosísima. No es de extrañar que, prolonga­ to querían averiguar de indirecta manera,
da días y días, cada uno que pasaba parecie­ y no lo preguntaban por temor de no saber
ocultar el secreto propio al querer descu­
ra más largo a los prisioneros.
Y no acertando ni él ni ella a velar por brir el ajeno.
completo el sentir propio, ni a penetrar del
Entre las cosas de que ambos deseaban
todo en el sentir del otro, sólo alcanzaran
enterarse, y que el mutuo miedo que se te­
el convencimiento de que sin posibilidad de nían no les dejó aclarar, merece especial
aquilatar las causas de ello, la hipócrita mención el deseo de -Sara de indagar si A l­
apariencia de cortesía y frío afecto con que varo le había ocultado algo de lo ocurrido
se disfrazaban todavía, no bastaba a ocul­ en la Comandancia antes de llegar ella, para
tarles la realidad de que entre ellos surgía lo cual bastábale cotejar su .relato con la fo­
algo que los separaba: y tanto más cuanto tografía fonográmica de él impresa en la
más tiempo transcurriera en la constante película del cajonito de debajo del espejo.
intimidad del común encierro.
Pero en aquellos días de encierro y de re­
Mas con la diferencia de que la idea de celos, había pensado que mientras Alvaro
estuviera a su lado toda precaución sería
un voluntario alejamiento de Sara le dolía
poca para no darle indicio ni levantar sos­
a Alvaro, como remordimiento de la infamia
que creía cometer cediendo a su deseo de pecha de las hazañas que, ella a concien-cia
apartarse de ella, mientras que a Sara, no y a ciegas él, habían realizado; y por ello no
se atrevió a arrostrar el riesgo de ser sor­
atormentándola la imagen de la separación
determinada por su voluntad, la indignaba prendida consultando el aparato, sobre cuiya

DEL

OCEANO

instilación y finalidad le habría sido difícil
dar satisfactoria explicacón.
A varo, por su parte, tenía vivo interés de
aveiiguar qu§~papel había desempeñado su
asis.ente en el motín popular, única acusa­
ción positiva, aunque para él gratuita, que
haba entendido en la indignada perorata
de Ripoll; pues los ponderados crímenes de
las largas y la bola le sonaron a griego, co­
mo ignorante de ellos. De aqúi su deseo de
hab ar con el criado, lo cual no pudo hacer
por haber estado su asistente preso también
aquellos cinco días en la Comandancia, y a
quien al ver volver en libertad no se atrevió
a interrogar en presencia de Sara, pues re­
celaba ya que ella estuviera mezclada en la
divulgación de los rumores alarmantes que
movieron el motín.
Y como Sara y Alvaro querían, cada uno
por su lado, realizar algo para lo que el otro
le estorbaba, a los dos les fué fácil hacer lo
que querían, pues su común preocupación
era perderse de vista cuanto antes.
Así, pues, Alvaro salió en seguida a la
calle, diciendo que iba a dar una vuelta
para ver lo que pudiera verse ya del univer­
so desde el orbimotor; pero antes llamó al
recién llegado asistente, encargándole, en
presencia de Sara, que fuera inmediatamen­
te al refectorio del señor Onu-Fo para avisar
que no era preciso continuaran trayendo a
domicilio las inyecciones hipodérmicas;
pues desde la comida de la tarde irían los
señores Sam-Fairelo a comer al restaurant.
Y se salió en seguida.
Tan pronto pasó un‘ rato, corrió ella al es­
condrijo telegráfico, y encerrándose en su
dormitorio, se dispuso a darse un buen atra­
cón de películas; pues allí la aguardaban
cuantas durante cinco días habían sido im­
presionadas con todo lo dicho en el despa­
cho de la Comandancia, y, además de esto,
abundantes -noticias por Dick comunicadas.
Mas por entonces no las leyó todas, pues el
consultar la que más le interesaba y llegar
al trozo donde se hallaba registrado el apos­
trofe de Ripoll acusando a Fairelo de haber
utilizado a su asistente para amotinar al
pueblo, exclamó:

A VENUS

73

— ¡Ah!... Has querido engañarme. Adonde
vas ahora no es a mirar al cielo, sino a son­
sacar a ese hombre a su salida del restau­
rant. Para hablar con él fuera de casa, donde
yo no me entere, lo has enviado allá. Descon­
fías de mí y crees estar a punto de descu­
brirme, pero eres demasiado cándido para
engañarme.
Salió en seguida de su alcoba, llamó a Ketty y la previno que si alguien, fuera quien
fuere, le preguntara por quién sabía las no­
ticias de las averías en el Autoplanetoide, de
las que hizo conversación la tarde del mo­
tín con los asistentes, contestara que las ha­
bía oído en el balconcillo popular donde todo
el mundo hablaba de roturas de máquinas,
de accidentes en la hélice y en el timón, y
que ya estaba la gente amotinada cuando
habló de ello con los asistentes.
La realidad era muy otra, porque el ori­
gen del rumor fué Ketty, r>or orden de su
ama, y los primeros en propalarlo los ser­
vidores del matrimonio.
Cual sospechaba Sara, se hizo Alvaro el
encontradizo con el fámulo al salir éste de
la oficina alimenticia de Chu-Fo, y hablan­
do del arresto, le sacó ser verdad que él ha­
bía alborotado nada más que un poquito al
pueblo, pues le había asustado mucho la
rotura que Ketty dijo tenía el orbimotor. y
creyó que si no bajaban pronto se estrella­
rían todos.
— ¿Y Ketty, por dónde lo sabía?
-—No sé, señor.
Repugnándole a Alvaro descender a in­
terrogar personalmente a la doncella de su
esposa, contestó:
— Pues es preciso que me averigües quién
se lo dijo a ella. Pero con disimulo y sin que
se trasluzca que yo te he hablado de esto.
Sara volvía en aquel instante a sus pelícu­
las, que le iban a contar interesantes cosas.
En tanto Alvaro se dirigía al balconcillo,
desde el cual vió de los cielos mucho menos
que los demás sabios que allí se hallaban,
por ser para él de superior actualidad, y ma­
yor interés que las exploraciones astronómi­
cas las personales y ajenas exploraciones
humanas que lo tenían entonces preocupado.

74

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXÜ
X

XVI
LOS CAMINOS DE VENUS
"Ni es cielo ni es azul”, dijo un célebre
poeta hablando del celeste dosel de campos
y de mares. Y tenía razón, y bien lo vieron
los que viajaban en el orbimotor al salir éste
de la atmósfera, que, a modo de cristal co­
loreado, tiñe de azul el firmamento, que
vemos siempre a través de ella.
Mas quien, saliendo de la atmósfera, qui­
ta el cristal que se interpone entre el cielo y
sus ojos, ya no verá en el cielo sino sombra
y luz: no sombra o luz como nosotros, sino
sombra y luz al mismo tiempo. Pero no luz
difusa, o ambiente, cual la que aquí en el
mundo alumbra los objetos situados en lu­
gares donde no llegan rayos directos de sol,
estrella o lámpara; no claridad cual la flo­
tante en los espacios donde no hay nada, o
mejor dicho, donde sin ver nosotros nada
hay aire o gases, alumbrados por ella, y
cuyas partículas sólo percibimos por ser en­
tonces luz, aire o gases: es decir, cuerpos
tan reales, tan materiales como las flores,
las piedras, los espejos, como el cristal, que
en cierto modo nos parece invisible también:
sin otra diferencia respecto a éstos que te­
ner mucho más alejadas unas de otras las
moléculas de que están formados, y sacu­
didas con movimientos muchísimo más rá­
pidos que los que los que animan a las de
líquidos y sólidos.
Cuando en la calle paso de la acera del
sol a la de la sombra, dejan de alumbrarme
los rayos directos de aquel astro, que son
detenidos por los edificios entre él y yo in­
terpuestos, y no me quedo a obscuras por
alumbrarme la luz reflejada en infinitas di­
recciones por las casas de la acera frontera;
y si ésta falta, por jas nubes y el aire cir­
cundante. Veo los objetos que la pared deja
en la sombra porque los ilumina esa misma
claridad, que llamamos luz difusa.
Pero tan pronto como el Autoplanetoide
dejó de estar envuelto por el aire, y los que
en él viajaban dirigieron las miradas al cie­
lo—que ya no estaba arriba, sino arriba, y
al frente, y a la espalda, a la derecha, y a
la izquierda, y por debajo de los pies—, ya
no vieron el cielo azul, sino negro, porque en­

tre el cielo y ellos no había aire, no /mina
nada (1).
Veíanse, pues, todos los astros desde el
autoestelar; y con mayor brillantez, preci­
sión y claridad que nos'otros los vemos, por­
que la luz de ellos no había de atravesar
hasta llegar a los ojos de los viajeros deJ
espacio los centenares de kilómetros del aire
de una atmósfera que, aun siendo transpa­
rente, absorbe, de igual modo que el más
límpido cristal, parte no escasa de la luz
que la atraviesa.
Así, lucían soles y orbe3 para el novimundo con brillo que jamás contemplamos los
humanos, y eran además vistas simultánea­
mente desde el orbimotor las estrellas del
hemisferio norte, no visibles aquí para el
Sur de la Tierra, y las del hemisferio aus­
tral celeste, que no se muestran nunca a
quienes viven en el boreal de ella; con lo
cual Sol, Estrellas, Tierra y Luna brillaban
a la vez en el día sin ocaso del universo
donde volaba el Autoplanetoide.
Día siempre, por no haber montes tras los
que se ocultara para el orbimotor, ni mares
donde se hundiera el Sol: día en cuyos res­
plandores brillaban, sin centelleos, las es(1) No la Nada Absoluta de un vacío mentiro­
so, ficción por la ignorancia creada, sino el Eter,
que es la nada relativa de una esencia que, por in­
concebiblemente inmensa, no puede ser percibida
por la diminuta humanidad.
En los lugares donde estaban el Sol y las es­
trilas, manantiales de luz, veían los ojos astrossoles ; donde había un planeta o un satélite, sin
luz propia, pero tocado por los rayes de sol o
estrellas, hacíanse visibles los astros-mundos en
forma, resplandor y aparente tamaño, gracias a
que al orbimotor llegaban aquellos mismos rayos
de los astros-luz después de reflejados en los or­
bes opacos.
Veíanse, pues, todas las cosas que la vista al­
canzaba en el Universo. Mas como en él no hay
mfls que astros-soles y astros-mundos, con propia
luz los unos, con luz prestada otros, los orbimotorianos no podían ver la claridad sino en los cuer­
pos donde nace y en los cuerpos que toca ; porque
la que a raudales fluye de los soles no es visible
en sus caminos de unos a otros, como no lo es
la de una hímpara en tanto no tropieza, en su
carrera con algo que alumbrar y en que encen­
derse : sea este algo mundo, objeto, partículas de
aire u ojo humano; porque mientras la luz no
choca contra nada es solamente movimiento vibra­
torio, eslabón que se mueve sin dar chispas en tan­
to no tropieza con la piedra.

D EL

OCEANO

trellas; pues si en el mundo no las vemos
cuando campea en el cielo el Sol, no e& per­
qué las oculten rayos de él, sino porque en­
tre la luz de éstos en todas direcciones re­
flejada por objetos terrestres y átomos' de
aire que ilum inan, se ahoga la luz, mucho
menos potente, de estrellas y planetas: sien­
do la de la Luna la única que en días no
muy claros, o en la proxim idad de los cre­
púsculos resplandece, por venir de más cer­
ca, ser más fuerte y b rillar en cuerpo apa­
rentem ente mayor que las estrellas. Y lo
propio acontece en raras ocasiones con el
planeta Venus, principal personaje de esta
historia: principal, claro es, después de Ma­
ría Pepa.
De no haber aire en torno de la T ierra,
noche y día veríamos las estrellas. Pero no
habiéndolo, no sería el cielo azul, sino ne­
gro, completamente negro, como lo vieron
desde el Autoplanetoide tan pronto salió
éste de la atmósfera, quedando rodeado por
la inm ensa oquedad de inm ensa esfera ne­
gra, agujereada por un disco dorado, el Sol;
otro de deslum brante plata, grande, muy
grande, colosal, la T ierra, igual a ¡cinco so­
les en anchura, o veinticinco en extensión!,
que era la luna número uno del novimundo;
pues tenía otra—la del mundo viejo—, que
en sus giros en torno de la T ierra presentaba
fases y cuartos al aviestelar, pero de dife­
rente duración que los aquí observados, y
cam biantes tam años: desde dos tercios has­
ta vez y media los que por acá vemos en el
te rrestre satélite.
No es fácil para hum anas mentes concebir
la magnificencia soberana del cielo visto por
los novimundianos, al volar circundados por
un firmamento que no acababa en parte al­
guna, estando arriba, abajo, en medio; que a
la vez ofrecia a su contemplación la E strella
Polar y la Cruz del Sur, Capella, Rigel, Sirio
y A ntares y A rcturo.
*

* *

El prim itivo plan de M aría Pepa—ante­
rio r a los repetidos accidentes causados por
la ciencia y el odio de la aviadora yanqui—,
habríala llevado a Venus en veintitrés días
iñarchando a razón de 39 kilóm etros por se­
gundo, y en sentido opuesto a los de los mo­
vimientos traslatorios de la T ierra y del
planeta de destino alrededor del centro pla­
netario.
Con lo cual, yendo el orbim otor al encuen­
tro de Venus, habríase ahorrado muy cerca

A VENUS

75

de la m itad del camino. Véase plano general
del viaje (1) más adelante inserto.
Pero habría s'ido consecuencia de tal iti­
nerario que el Autoplanetoide lo recorriera
com pletamente expuesto a la atracción so­
lar, desde que a la p artida enfilara el rumbo
al sitio donde debía llegar Venus el 8 de
octubre hasta la llegada a este planeta en
tal fecha y lugar: es decir, volando en con­
diciones que para reducir dicha atracción
en térm inos de que el novimundo no fuera
arastrado por ella al Sol, habría exigido
co n trarrestarla con grandes gastos de cinetorio, que, aun no escaseando, no sobraba
después de los dispendios de las pasadas e
im previstas aventuras.
P or esto se varió el plan, optando por via­
je más lento y camino más largo, pero más
barato: aprovechando ruta, en el cielo se­
guida, donde para em pujar las veinte tone­
ladas del Autoplanetoide no fuera precisa
fuerza m ayor que la que un niño puede ha­
cer con un dedo.
Efectivam ente, desde el punto que salió
el motoestelar de la T ierra, ésta y el Sol ti­
raban de él en sentidos opuestos con las
atracciones de gravedades antagónicas (2).
Así decreciendo con la mayor altu ra la
gravedad terrestre, y creciendo Simultánea­
m ente la solar, pues al Sol se acercaba el
autosidéreo conforme iba subiendo, forzosa­
m ente habría de llegarse a posición en don­
de los opuestos tirones se igualaran, deján­
dolo desprovisto de peso, y a los que en él
viajaban sin otro que el de la pesantez 1aliúrica procedente de la atracción sobre sus
cuerpos ejercida por el lastre del novimun­
do: una m enudencia de la que no hav por
qué ocuparse.
Esto ocurrió cuando a distancia ae kilom etros 262.590 de la T ierra y 149.737.410
(1) La distancia que para llegar el 8 de octubre> prefijada fecha del arribo, tenia que recorrer,
era de 75 millones de kilómetros, mientras que la
que el 15 de septiembre, día de la partida, me­
diaba entre planeta y planenetoide era de 135.
(2) Al elevarse a 100.000 kilómetros sobre el
mundo, y bajar su terrestre peso de 20 millones
de toneladas a unas 81.000, la fuerza que en de­
finitiva tiraba de él hacia abajo no era la de este
peso, sino la de él disminuida en la de 5.880 to­
neladas de la atracción solar que hacia arriba
tendía a arrastrarlo; es decir, poco más de 75.000.
A los 200.000 kilómetros de altura su peso
mundial era sólo de 20.234 toneladas, el solar
5.885 y la fuerza definitiva que hacia abajo tira­
ba de él, la diferencia solamente entre ambos: al­
rededor de unas 14.500.
Parece innecesario advertir que estos números
son promedios solamente pues es sabido que la
distancia entre el Sol y la Tierra varia constan­
temente.

76

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

del Sol (1) se alcanzó el punto de gravitatorio equilibrio.
A medida que el mundo corría a lo largo
de su órbita, corría con él este punto de anu­
lación de pesos, siem pre situado en la recta
de unión de T ierra y Sol, siendo, por tanto,
lo esencial de la m aniobra de M aría Pepa
a ju sta r rapidez y dirección del Autoplanetoide a las del trashum ante punto, para m an­
tener aquél, si no exactam ente coincidente
con éste, ta n cercano a él que la diferencia
no influyera prácticam ente en el peso del
aparato. P ara conseguir esto no podía apar­
tarse de la T ierra más de los 270.000 kiló­
m etros que se fijó por lím ite, con objeto de
bordear, libre de la atracción de aquélla, la
zona donde predom inaba la solar, equivalen­
te allí a unos cuantos gramos': peso que sería
cordón finísimo, menos aún, tenue hilo de
araña, que al Sol sujetaría el orbim otor en
su vuelta alrededor del centro planetario.
Haciendo deliberada y tran sito ria renun­
cia de su autonomía, iba a viajar el orbimo­
to r como un planeta cualquiera, esclavo,
mas sólo al parecer, como todos, h asta el
crítico instante en que pudiera abandonar
su voluntaria órbita para caer en Venus,
ta n pronto éste, que detrás venía ganándo­
les camino al mundo grande y al mundo pequeñito, llegara lo más cerca que estar po­
día de ambos en aquella vuelta al Sol. Esto
acaecería el día de Nochebuena.
He aquí por qué s"e alargó el viaje; he aquí
por qué todo él fué día para los novipolitanos; he aquí por qué un obrero que, encara­
mado en lo alto de la ecuatorial del señor
Ripoll, lim piaba el objetivo de ella, no se
hizo daño alguno al caerse a la azotea del
almacén de productos químicos.
Con estupefacción y espanto de cuantos
lo vieron, y te rro r propio muchísimo mayor,
cayó el pobre hombre de aquella enorme al­
tu ra de 343 m etros sin su frir heridas, ni
fracturas, ni esguinces, ni chichones siquie­
ra, porque su pes'o había bajado a no só cuán­
tos, pero muy pocos gramos.
Y, sin embargo, aunque ileso salió de la
aventura, tuvieron que llevarlo a la enfer­
m ería, donde estuvo una sem ana; pues el
stistazo trem ebundo de ir pensando durante
casi cuatro minutos, tal fué la duración de
la caída, en su inm inente despanzurram iento, le produjo tan terrible perturbación n er­
viosa, que lo puso a las puertas de la m uerte
(1) En el scpuesto de distancia media entre
una y otro de 150 millones. Y como no es exacta
ni constante, aquí de la pericia de la Capitana, de
las observaciones astronómicas de Ripoll, los cálcu­
los de Fognino y las comprobaciones gravimétricas de ITaupft,

y la demencia. Se comprende la impresión.
No fué éste el único, sino uno de los' más
notables entre los innum erables accidentes
debidos a aquella evaporación de toneladas
y kilogramos, siendo otro, tan feliz como él,
al menos' para Dick Shaft, que en una pen­
dencia entre éste y Pedro, m uda naturalm en­
te de parte del primero, tem pestuosam ente
ruidosa del lado del segundo, y en la que éste
descargó en la cabeza del m ulato, con las
peores intenciones, una b arra de hierro de
un m etro de largo y tres centím etros de
grueso, no consiguiera hacerle sangre ni
contusión: logrando únicam ente que se ras­
cara un poco, con no poco asombro del iras­
cible fogonero.
Cuando la gente se enteró de que caídas de
centenares* de metros no eran p ara asustar
a nadie, y que subir a la ca rre ra quinientos
peldaños de una escala o trep a r a pulso dos­
cientos m etros de cuerda vertical no produ­
cía la menor fatiga, surgieron, en variada
colección, aéreos deportes gravitatorios. Unos
deportistas subían a grandísim as altu ras y
de allí se arrojaban adoptando actitudes es­
cultóricas' durante la caída. P rim ero se tira ­
ban uno a uno, después en grupos artística­
mente combinados, formando cuadros vivos,
y de aquí el nombre dado a tal divertim ien­
to de escultura flotante; siendo lo raro que
los que caían tardaban muchísimo más tiem­
po en llegar al suelo que el empleado en su­
bir a lo alto.
E ntre los cuadros más notables así repre­
sentados fueron aplaudidísim os “La m uerte
de César”, “El robo de las Sabinas", “Salo­
món recibiendo a la reina de Saba”. E n este
íiltim o caían a la vez sesenta y seis perso­
najes; el efecto era admirable.
Otros se dedicaban al* salto en longitud,
brincando sin esfuerzo los 200 metros que
separaban la azotea del casino de los bal­
concillos.
Una señora javanesa, m uy respetable por
su ciencia, años, y más aún por sus respeta­
bilísimas carnes, de las que en la T ierra ti­
raba a duras penas, sudando y resoplando,
estaba loca de alegría, jugaba al tennis, co­
rría el aro, saltaba a la comba, y en ince­
sante actividad usaba y abusaba del movi­
m iento como si hubiera vuelto a los ágiles
años de la infancia: con regocijo y algazara
del numeroso público, que en tales casos h a­
cía corro y coreaba los botes de aquella enor­
me m asa de carne temblorosa como una ge­
latina.
Como no acabaríamos de re la ta r anoma­
lías y extravagancias de la gravedad, es tiem­
po ya, aun cuando la m ateria sea curiosa,
de pasar a otra sin detenernos sino en una

DEL

OCEANO

advertencia cuya omisión no perdonarían los
astrónom os ni los m atem áticos versados en
Mecánica Celeste. No asustarse: va a que­
dar despachada en escasos renglones.
Si la T ierra no tuviera satélite, la m ani­
obra de m antener al novimundo en la zona
neu tra de las gravedades solares y terres­
tres h ab ría Sido facilísim a; pero ocurría, en
el viaje, que al g irar la Luna alrededor del
mundo se acercaba unas veces a la citada
zona y se alejaba otras de ella, variando la
atracción entre la Reina de la Noche y el
Autoplanetoide, o sea el selènico peso de
éste, que, al entrom eterse entre sus pesos so­
la r y terrestre, perturbaba en cuantía y di­
rección el definitivo de él, porque ya no eran
dos, sino tres, las cuerdas que tiraban del
mundo de la Capitana.
E sto daba lugar a complicaciones de m ar­
cha cuando acercándose la Luna al aviestelar quedaba éste entre ella y la Tierra, cosa
que ocurrió tres veces en el viaje, teniendo
en todas ellas M aría Pepa que acercarse al
satélite y alejarse del mundo para que la
atracción de ambos sobre el novimundo que­
dara equilibrada (1).

A

VENUS

77

En tales ocasiones gozaban los novimundianos de una Luna, no llena, pero noventa
y seis veces m ayor en superficie que la nor­
mal de las terrestres noches. La T ierra, en
cambio, no la veían sino con extensión igual
a la de diez y seis lunas habituales.
Pero Sol, Luna y T ierra lucían a la par
El espectáculo puede, a lo sumo, im aginarlo
la fantasía; no cabe que la pluma lo describa.
*

*

*

Ya se supone que la narración üe cuanto
ocurrió a ios doscientos expedicionarios del
autosidéreo en un viaje de casi cuatro me­
ses, con descripción de cuanto vieron en el
universo, requeriría para esta h isto ria pocos
menos, como no fueran más, volúmenes que
tomos tiene la de Mariana, los cuales, se su­
pone también, no leería nadie, y, por tanto,
más vale no llenarlos. Reduciéndolos, pues,
a mucho menor número de capítulos, habla­
remos tan sólo de .lo que sea m ás interesan­
te, extraordinario o curiosam ente episódico
en el viaje.

XVII
Y

LAS

LAS PESQUISAS DE ALVARO
MELANCOLIAS DE LA CAPITANA

Al descubrir que había sido K etty quien
a los asistentes dió la prim era noticia de las
averías, cayó Alvaro en la cuenta de haber
ocurrido aquello en ocasión que, recordando
fechas, horas y actitud confiada de ignoran­
tes y sabios, dem ostraba que ninguno de los
viajeros del Autoplanetoide tenía todavía
sospecha de ellas, a no ser Sara, que en el
balconcillo y en voz baja se las había com u­
nicado a él mismo, que en esto vió indi­
cio muy suficiente para hacerle sospechar
pudiera ser su esposa la verdadera m otora
del motín, la causante de la divulgación de
loa rumores donde aquél tomó cuerpo y la
responsable del delito que a él le habían im ­
putado.
¿Delito?... ¿Im prudencia?... ¿Ligereza?...
(1) E sto o cu rría cuando el orbim otor se b a ­
ilaba a 39.000 kilóm etros de la L una y 345.000
de la T ie rra ; situ ació n en que los opuestos pesos
de él eran am bos de 6.800 toneladas. Siem pre que­
de entendido, en el supuesto de d istan c ia m edia
de 384.000 kilóm etros e n tre la T ie rra y la L una.

En la contestación a estas preguntas era
donde la certeza del hecho se convertía ya
en dudas al sacar consecuencias. Un mes,
unas semanas antes, seguram ente habría
Fairelo calificado lo acaecido de irreflexiva
ligereza, explicable porque el tem or de su
mujer., a una catástrofe la tu rb ara al extre­
mo de no m edir las consecuencias de confiar
cosa tan grave a su doncella. Pero como en
los últimos meses' y semanas habíanle sor­
prendido en ella novedades antes no sospe­
chadas; como veía, cada vez más claro, que
no ya emulación, ni m era antipatía, sino
avers'ión profunda a María Pepa era el im­
pulso que movía a Sara, si aún vacilaba Al­
varo en form ular la afirmación de que a de­
liberado intento de su esposa se debiera la
sublevación de la plebe, era porque no es
fácil desnudar en un instante de perfeccio­
nes ar la misma m ujer a quien años y años
se ha tenido por dechado de ellas, ni menos
cubrirla de improviso de vicios y de lacras.
Pero si aquello no había sido plan artera

78

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

y fríam ente meditado, sino movimiento irre­
flexivo, ¿por qué cuándo vió que a él lo acu­
caban no había hecho nada para sincerarlo?
¿Por qué ni a él siquiera se había corgüado
en cinco largos días de encierro?
Sin arrib ar a convincente conclusión en
tal problema, que no era el único que pre­
ocupaba a Alvaro, distrájose de él con el re­
cuerdo de que no solam ente había sido acu­
sado de sedicioso, sino que además le acha­
caban otros hechos que no pudo entender en­
tre las discusiones de la Capitana y de Ripoil, a quien impuso ella silencio, cuando
explícitam ente iba a form ular imputaciones,
y no una sola vez; cual s‘i evitar quisiera a
todo trance que se hablara de ellas.
Recordaba, asimismo, que al ser absuelto
por M aría Pepa, la absolución arrancó al ca­
talán protestas, haciéndole g rita r que cien
absoluciones no bastarían a borrar las prue­
bas fehacientes que “allí estaban” de los crí­
menes, por Alvaro ignorados, de que le ha­
cía reo. Meditaba en por qué lo habría pues­
to M aría Pepa en libertad, sin querer hablar
de tales pruebas: con precipitación, y en for­
ma que, aun Sabiendo él era justicia y nada
más, prestábase a ser interpretada cual cle­
mencia.
Protestando de recibir por gracia lo que
en justicia le debían, cien veces se había di­
cho, en los días de Su arresto, que no podían
quedar las cosas en tal punto, ni resignarse
él al papel de indultado por fantásticas cul­
pas; que era preciso que la Capitana habla­
ra claro; que cara a cara, sin nebulosidades
ni misterios, se form ularan las acusaciones;
que ante los' ojos le pusieran, para deshacer­
las, las pretendidas pruebas que el viejo loco
llam aba fehacientes.
Habiendo sido esta su idea constante en el
arresto, es natural que nuevamente le asal­
ta ra en medio de sus cavilaciones sobre las
reales causas de la algarada popular, y que
aplazando la investigación de aquéllas se di­
rigiera sin demora a la Comandancia para
aclarar lo otro, haciendo que pasaran recado
a la Capitana de que el señor Fairelo solici­
taba audiencia para un asunto inaplazable.
Dióie tal vuelco el corazón a M aría Pepa
cuando de labios de Soledad oyó la petición,
que su prim er impulso fue contestarla con
una negativa: tal miedo le tenía la Capitana
al Capitán. Pero entre el miedo hormigueaba
m á í suave sentim iento. De otra parte, lo
imprevisto del caso no dejó tiempo a la conriencia de que a la voluntad exigiera el cum­
plim iento-de sus firmes propósitos de rehuir
entrevistas con Alvaro: así que después de
escapársele un “que pase”, antes de que el
jul ció tra je ra el arrepentim iento, era ya ta r­

de para enm endar lo hecho, pues Soledad ya
había salido a buscar al visitante. Y el arre­
pentim iento sólo sirvió para aum entar la
turbación que la pobre muchacha había sen­
tido al oír nom brar a Alvaro.
En los pocos minutos transcurridos hasta
la entrada de éste, el corazón hacía esfuer­
zos para engañar a la conciencia, diciendo
que la p risa con que el recién llegado pedía
ser recibido acaso fuera indicio de que algo
interesante le trajera a visitar, no a María
Pepa, sino a la Capitana: que por su posi­
ción no podía rehusar audiencia a nadie sin
fundado motivo.
Y, sin embargo, tan asustada estaba
cuando Fairelo entró, que, p ara no m irarlo,
aparentó estar consultando unos papeles.
—Señora—dijo él con voz tampoco muy
segura—, celebraría que esta v isita pudiera
ser para dar a usted gracias por su clemen­
cia, qiie yo agradecería, si ella no fuera cau­
sa de que mi nombre siga empañado con in­
justas sospechas.
—No creo... No sé por qué—contestó María
Pepa, dsseando muchísimo levantar los ojos.
Pero no sólo no los levantó, sino que enro­
jeció de tal manera, y balbuceó con emoción
tan expresiva que, olvidando Alvaro la causa
principal de sti visita, y no viendo ya más
que la m ujer que era imán de su alma, pro­
siguió:
—Y si aun esa clemencia fu era prueba de
sentim ientos en usted, que un hombre como
yo no supone jam ás por mero indicio, sin
m ás base que el anhelo de los propios de­
seos...
—¿De qué habla usted?... ¿De la orden
de levantamiento del arresto que ha sufrido
en compañía de su esposa?... La cesación
de él era cosa prevista para plazo fijo. Ya lo
dije al imponérselo.
M aría Pepa había visto por dónde amena­
zaba despeñarse Alvaro; percibiendo tan cer­
cano el peligro que volvió a arrepentirse de
haberlo recibido; más la violencia misma
del temor que su propia flaqueza la inspira­
ba, de no ataja r en s‘eco la confesión que a
Alvaro se le estaba escapando, la sugirió la
idea de darle el serretazo que, aludiendo a
su esposa, lo dejó parado. Felizmente, en la
m ism a alusión a ésta encontró ella el valor
que antes le había faltado p ara alzar la ca
beza y m irarlo de frente.
El sintió la lección, tuvo vergüenza de
haberla recibido, se quedó confuso, y antes
de que atin ara con respuesta adecuada con­
tinuó M aría Pepa:
-—Si no es tino eso lo que deseaba usted
decirme...
—No, no; es algo más: no me refería a

DEL

OCEANO

eso. Es que el indulto que por lástima me
concedió usted, cuando aquí fui acusado de
crímenes que ignoro, me mancha.
—No fué indulto ni lástima, s'ino sentencia
absolutoria. Ya lo dije.
—Mientras no sean deshechas las pruebas
que aquí dijeron existen contra mí, esa sen­
tencia más parece perdón despreciativo.
—No, señor, ya le he dicho...
—Nada que convenza. Vengo a preguntar,
a exigir se me diga qué crímenes son los que
se me imputan. No los conozco, y me es pre­
ciso conocerlos; necesito ver esas pruebas
embusteras que se me echaron en cara Sin
decirme qué son ni en qué consisten; recla­
mo ser juzgado por austeros jueces, no por
mujeres compasivas. Al indulto de usted, de
compasión nacido, prefiero un sentencia in­
justa, aun cuando sea de fusilamiento...
Para lo que la vida vale...
María Pepa comprendió que este amargo
exabrupto era consecuencia de la altiva es­
quivez de ella; y tan vioilento fué su impulso
de reemplazarla por actitud muy diferente,
que le produjo vértigo Semejante al sentido
por quien de pronto ve a sus pies la sima en
que va a hundirse. La emoción le arrancó
un “ Nunca, lo juro, he creído a usted culpa­
ble, ni jamás le he ofendido con sospechas” ,
que dando un paso hacia adelante dijo con
voz que estremeció a Alvaro; pero inmedia­
tamente retrocedió aterrada de sí misma; y
comprendiendo que únicamente la Capitana
podía ya salvar a la mujer, endureció el
acento, recobró la perdida altivez, y disfra­
zando, con doloroso esfuerzo, de indiferen­
cia el interés, prosiguió en tono frío en su
voz y helado en los oídos de Fairelo:
— El publicar la acusación equivocada­
mente formulada contra usted, el divulgar
esos indicios que la vehemencia del señor
Ripoll calificó de pruebas, sería descubrir
Secretos de mi invento, a lo cual no me es
dado acceder.
—Entonces yo arrancaré al señor Ripoll
las explicaciones que se resiste usted a dar­
me, porque sin duda s'on verdad esas sospe­
chas que su cortesía niega.
— No, no.
Alvaro sintió en su corazón vibrar aque­
llos nos, que parecían gritos desesperados; le
fascinó el fulgor de la mirada que negaba
todavía con más fuerza que la voz. Volvió a
soñar, volvió a entrever absurdas ilusiones.
Absurdas, sí, porque queriendo María Pepa
cortar de raíz y para siempre pretexto para
nuevas entrevistas, que se sentía incapaz de
soportar sin vender no aquel secreto de su
invento, sino el más hondo de su alma, re­
plicó altanera:

A

VENUS

79

— Al señor Ripoll le será ordenado negar
a usted explicaciones.
Y viendo que su única defensa contra ve­
nideros peligros era ofender a Alvaro, para
hacérsele odiosa, llevó la mano al timbre
y acabó la frase agregando: *
—Y habiendo dado a usted las que en mi
mano estaban, y reclamando ahora mi aten­
ción otros asuntos, ha de excusarme si le
indico que ha acabado esta audiencia.
Soledad aparecía en la puerta cuando Al­
varo exclamaba:
— ¡Me echa usted!...
—No, caballero. Le participo que ha aca­
bado la audiencia: eS lo que hago con todos
cuando no tiene objeto el prolongarlas.
— Con todos los que son tratados cual la­
cayos—y al decir esto se dirigió a la puerta.
Soledad, que leía en el rostro de su ama,
s'e asustó al mirarla, e hizo ademán de acer­
carse a ella, pero poco propensa María Pepa
a confidencias, y no agradándole tener
testigos de sus debilidades, dijo imperiosa­
mente:
—Acompaña a ese caballero.
Juntos salieron Soledad y Alvaro, y en el
momento de cerrarse la puerta se oyó detrás
y a través de ella un golpet.azo sordo, en el
que Soledad reconoció inmediatamente el
retumbar de la caída de su ama en el suelo.
Volvióse atrás, abrió la mampara y dando
un grito abalanzóse adentro, cayendo de ro­
dillas junto al inanimado cuerpo de la pobre
María Pepa.
El doble ruido del golpe y de la exclama­
ción de Soledad hizo volverse a Alvaro, que
por la puerta, de par en par abierta, vió lo
que ocurría; y ya sin acordarse de aquello
del lacayo, precipitóse en pos de la doncella,
que en cuanto se dió cuenta de tenerlo al
lado, se levantó como pantera que guarda
suS cachorros,, y agarrándolo de un brazo, y
forcejeando para arrojarlo afuera, le gritó:
— Pero quiuté matármela... ¿I.e paese poco
lo que ha hecho?... Vayasuté... Vayasuté...;
que no lo vea al abrir los ojos... ¡Maldita
zea la hora que entruté aquí!... ¡Maldita la
hora que l’ocurrió ir a Paramillo!... ¡Más
le valiera que la hubiauté dejao que se ma­
tara!... ¡Condenao!... ¡Mardesío’ ... ¡Arrastrao!... ¡Indino!...
Aunque no s'e cayó, tambaleábase Alvaro
al alejarse murmurando:
—¿Qué misterio es el de esa mujer? ¿Qué
pasa aquí, qué pasa?... ¿Me odia?... ¿Me des­
precia?... ¿Me adora?... Aquellas alternativas
de su voz y s*u mirada... La indignación de
esa muchacha...

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

El desmayo de M aría Pepa no fué largo,
y al volver de él no dijo más a Soledad sino
que en adelante jam ás estaría visible para
el Capitán Fairelo.
La doncella no contestó palabra ni la miró
a la cara.
*

*

*

_

Alvaro y S ara vivían de modo completa­
m ente diferente del de pasados; tiempo^! Se
acabó la confianza, se acabó el afecto; sólo
quedaba la cadena que los oprim ía: no la de
flores, antaño lazo am ante que sujetaba
a Alvaro, sino el dogal pesado de la vida
en común entre dos que no se aman. Y has­
ta pensaba él algunas veces que la del ma­
trim onio laico no era cadena para asustar
a nadie, porque con leve sacudida se que­
braba., Pero no se atrevía.
Y nunca discutían ni peleaban: el des­
acuerdo e ra más hondo. A tentam ente se
tratab an , pero recelosos: envolviendo la hos­
tilidad en urbanidades; huyéndose, hablándo­
se menos de día en día, y cada día más fríos.
Cuando él estaba en el Institu to de Expe­
riencias, hallábase ella en el Casino In te r­
nacional; cuando S ara paseaba por los bal­
concillos, íbase Alvaro al casino. Se veían
en el resta u ran t Chu-Fo, y algún rato en
casa, empleado, al retira rse a ella, en penoso
y breve diáTogo sobre temas sin interés, que
seguían m anteniendo por hipocresía, antes
de recogerse cada uno a sus habitaciones.

R.>

Así pasaron los tres meses y medio del
viaje a \ enus, en los cuales no siem pre an­
daba Alvaro por donde s‘e ha dicho; pues a
veces daba paseos, al parecer sin, más pro­
pósito que hacer ejercicio, y, en realidad,
acechando ocasiones de h allar a M aría Pepa,
que le huía; pues aunque reducida su co­
municación en tales casos a cam biar dos sa­
ludos ceremoniosos, sin que obtuvieran la
m enor respuesta las tristes m iradas de Al­
varo, producía cada encuentro agravación
de las melancolías de la Capitana, ya llega­
das a punto de alarm ar seriam ente a sus
abuelos y al amigo Leblonde.
Lo recién referido es 10 más interesante
de cuanto ocurrió en el A utoplanetoide des­
de que salió al cielo hasta que M aría Pepa,
a punto de caer en el Sol, escribió el parte
que-nos es conocido desde las prim eras pá­
ginas de esta que no es novela de dos v i­
das, sino historia de mundos. P or ello trábanse en ella, cual en éstos, los? sucesos tra s ­
cendentales con los fútiles, y a lo cómico
sucede lo pasional, y llega en pos de lo trá ­
gico lo bufo. Y como todo es vida y a todo
hay que atender, cúmplenos ahora convertir
la vista a otras peripecias y a otros persona­
jes de más bajo coturno novelesco, pero que,
como vivos y reales, deben s‘er atendidos en
esta crónica del Autoplanetoide y de los autoplanetianos: que no sólo con hechos de mo­
narcas y héroes se form an las histo rias de
pueblos y naciones y planetas.

XV1I1
LAS DESVENTURADAS NARICES DEL DOCTOR CHU-FO
Un mes iba pasado desde que, sacudién­
dose la gravedad terrestre, se había librado
el A utoplanetoide de este pesado yugo, vo­
lando horro de m undial tutela.
E n este tiempo fueron muy de notar fre­
cuentes idas y venidas, no francas como de
quien pasea por esparcim iento, o va a cla­
ros negocios, sino m isteriosam ente recata­
das, del ilustre Chu-Fo, japonés1jefe del figón
químico, como decía Leblonde, o Director
Alimenticio, como se llamaba él.
E n aquellas cautelosas exploraciones, pues
eso eran, llevaba ojo avizor, y sobre todo
avizoras narices, como sabueso que olfatea
una pista.
E ra muy n atural, hablo del ofato, pues
ap a rte sospechas, ya añejas en él, nacidas

de prevenciones y antipatías contra ciertas
personas a quienes no perdió de v ista desde
su entrada en el orbimotor, sus escasas n a­
rices, tan romas por fuera como agudas y
finas por dentro, fueron las que prestaron
verosím il consistencia a los recelos, trocán­
dolos en íntim a aun cuando no probada
convicción de que en el novimundo pasaba
algo que era preciso poner muy pronto en
claro; algo que, de s‘er realidad, no podía
dignam ente tolerar el em inente sabio.
Un día que paseaba descuidado por el bou­
levard F dióle el prim er alerta a su órgano
olfatorio cierto tufillo leve, sutil, casi im per­
ceptible, pero que para perro viejo, como él,
y de sus buenos vientos era m uy escamante.
Por allí parecía oler a aoeite frito. Pero ta n

DEL OCÉANO A VENUS

— —

— ----------

-



-

¿82

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

poco era, que para cerciorarse con certeza
de §llo fué y vino, calle arriba, calle abajo,
apuntando la nariz inquieta en todas direc­
ciones; oliendo con ahinco, aquí y allá, con
la esperanza de capturar algún efluvio su­
ficientemente intenso a descubrirle dónde
se hallaba el foco o m anantial de lo que,, a
ser más fuerte, habría él llamado insoporta­
ble hedor. Pero fué inútil por entonces su
pesquisa, pues transcurrido un rato, ya no
advertía olor ninguno.
»
¿H abría sido m era cavilación nasal?
Otra tarde le alarm ó una indudable peste
a ajo, que, al saludar en la calle al señor Su­
perintendente de Policía, irritó su sensible
m em brana p itu itaria cuando precisam ente
se disponía a inform ar a dicha autoridad de
sus sospechas de que en el orbimotor eran
infringidas las Ordenanzas Alimenticias.
Pero apenas comenzada la denuncia, o más
bien confidencia, relativa al sospechoso olor
a aceite frito del boulevard P, sintió una
tufarada de ajo que le echó el provenzal,
perturbándolo al punto de cortarle el hilo
del discurso y haciéndole exclamar indigna­
dísimo:
— ¡Huele usted a ajo, señor Leblonde!...
No puede usted negarlo. Apesta usted que
vuelca. ¿Por qué, por qué huele usted a
ajo?... Dígamelo.
—Huelo a lo que me da la gana, y es una
grosería llam ar peste a la fragancia de un
exquisito ali-oli, receta de Marsella, que por
mis propias manos he confeccionado y con
el que me relamo todavía—. E sta fué la res­
puesta que le brincó en la punta de la len­
gua al interpelado, pero cayó a tiempo en
la cuenta de que él no era solamente A rístides Leblonde, don vivant y crourmct y aun
r/ourmand, sino dos altas autoridades en
Noviópolis: Inspector de Sanidad y Super­
intendente de Policía: dos empingorotados
personajes, por sus funciones' obligados a
ser, si no impecables, hipócritas siquiera.
Haciendo, pues, de la necesidad virtud, en
lugar de enviar a paseo al curioso im perti­
nente, contestó muy melifluo:
—Con mil amores, querido Director: no
es ajo, es amoníaco, que un químico tan dis­
tinguido como usted no ignorará es sil prin ­
cipio activo: un álcali precioso en terapéu­
tica, un valiosísimo agente, un...
Arístides daba vueltas y más vueltas en
su caletre a su inventiva, para encontrar
explicación que no tenía amañada, y que
no fuera excesivamente inverosímil. Antes
de que él la hallara, le contestó Chu-Fo:
—Sí, pero hay diferencia entre el olor del
ajo y el del amoníaco.
—¿Usted cree?... Puede ser. O acaso el

olfato de usted esté educado tan esm erada­
mente...
—No hace falta tenerlo muy perfeccio­
nado para ver que usted huele...
—Ver no, señor Chu-Fo: oler, oler.
—Pues, claro está; pero yo estoy seguro
de que no huele usted a amoníaco.
—D istingamos: no pudiendo usted ne­
garme que los ajos1 contienen amoníaco, es
indudable que si huelo a ajo, habré de oler,,
siquiera virtualm ente, o en principio, o
ipso fa d o , y aunque usted no lo huela, a
ese volátil álcali.
— ¡Señor Leblonde!... ¿Pretende usted
burlarse?
— ¡Yo!... ¿De nuestro ilustre D irector Ali­
menticio?... ¿De quien con sus m aravillosas
preparaciones nos n u tre próvida y cientí­
ficamente?...
—Sin embargo, no estoy yo m uy seguro
de que usted se alim ente con m is p rep ara­
dos. Apenas si en un mes le he visto a usted
tres veces por mi comedor químico.
—Las ocupaciones de mi profesión no me
perm iten casi nunca, comer a horas fijas', ni
acudir a las señaladas en su refectorio. Us­
ted no sabe, amigo mío, cuánto dan que
hacer dos cargos oficiales' como los que m e
abruman. Pero usted tampoco ignorará que
todos los días va mi... mi...—iba a decir “mi
cocinero”, pero lo enmendó a tiempo—mí
criado a recoger nuestras gaseosas’, líquida»
e hipodérmicas comidas, al comedor, perdo­
ne, quise decir nutridero químico que usted'
regenta.
—Sí, sí; ir, va; pero lo que haga usted
después con lo que él se lleva no lo veo ya tan
claro.
—Pues, ¿qué he de hacer, señor Chu-Fo?"
Ingerirlas con deleite, absorberlas con fru i­
ción; porque es particular, pero las pulveri­
zaciones, que al principio me parecían insí­
pidas, son ahora para mí un sibarítico rego­
deo. No es nada extraño; lo mismo pasa con
la cerveza, el cam embcrt y el aguacate, que
a nadie gustan de prim era intención. Y
felicito a usted efusivamente por las c u ­
táneas cenas endosmósicas de la semana
pasada: son un éxito químico-culinario; lo»
poros se dilatan con deleite al absorberías.
Y es comodísimo: un emplasto en el vientre,
y ya está usted cenado. Yo las prefiero a los
pinchazos de las inyecciones.
—Gracias, gracias. Pero a todo esto, n o
me ha explicado usted eso del ajo.
— ¡Canario con el tío!...Es una roca para
la adulación, y he perdido el incienso—m ur­
m uró A rístides para su coleto. Y en seguida
contestó en alta voz: —Yo creía que ya ha­
bía usted entendido mi explicación.

DEL

OCEANO

— Ni una palabra de ella.
—Pues, pues... Que tengo una mueia ca­
riada..., y siendo el amoníaco muy bueno
para las caries...
— No lo he oído en mi vida.
— ¿Cómo?... ¡Una gloria de la Medicina
como usted, ignorar un descubrimiento que
ha llegado a este pobre medicucho!... Falsa
modestia. No he de ofender a .usted dándole
detalles que conoce mejor que yo. El caso
es que al salir de casa, y no teniendo amo­
níaco preparado, me rellené la muela de
ali-oli, digo, de ajo machacado.
— ¡Ha comido usted!... ¡Usted, el Jefe de
Policía de un mundo donde no debe comer­
se!... ¡Y ha comido usted ajo!...
— No, no, señor, de ningún modo: está
aquí, en el agujero de la muela: no es ali­
mento, es medicina. No me lo saco para en­
señárselo, porque sería una porquería, y
porque si me entra aire en la muela voy a
ver las estrellas; pero juro que no lo he tra­
gado. ¡Dios me libre!... Ni lo masqué siquie­
ra, pues la masticación, vuelvo a jurarlo, ya
lo creo, la hice en el mortero. Además no es
ajo nutritivo, sino esterilizado, desnutrizado, sin el menor valor alimenticio, en el
que no quedan otras propiedades que las
terapéuticas, antisépticas y anestésicas...
¡Uf!...— resopló al acabar la retahila, y con­
tinuó— : Pásese usted por casa cualquier dia
y le enseñaré la memoria del ajo terapéuti­
co. Y aunque la compañía de usted es gra­
tísima, como ando sumamente atareado en
la pista de una sublevación naciente...
-— ¡Una sublevación!...
— Sí; de obreros y soldados en protesta
contra, la alimentación química. Se han con­
fabulado para exigir chuletas y otras in­
mundicias; reclaman la jornada de las seis
chuletas.
— Pero eso es repugnante e insensato,
porque ¿de dónde vamos a sacar aquí chu­
letas?
— Pues eso es lo más grave; en primer
término, se han fijado en la sabia javanesa,
que tiene bastante que cortar, y luego en
usted y sus ayudantes, que aun no siendo,
según dicen esos brutos, tan jugosos ni gra­
sicntos como ella, siempre resultarán más
comestibles1que extractos e inyecciones. Pero
no pase usted cuidado, señor Chu-Fo, que
aquí estoy yo para frustrar esos infames
planes. Aun cuando por ahora no convendrá
s'alga usted mucho de casa si no quiere ex­
ponerse a cualquier impensado desmán... (Y
para, que no metas las narices donde no te
importa— murmuraba Leblonde al separarse,
reventando de risa, del señor Director de la
Nutrición.)

A VENUS

83

Este quedaba un tanto preocupado, pre­
guntándose si correría real peligro la inte­
gridad de sus personales chuletas; pues no
obstante Sil inteligencia y su sabiduría, era,
como todos los sabios, un poco inocentón.
Pero, a despecho de su candidez, ya no te­
nía dudas de que Aristides no comía aus­
tera y decorosamente por nutrirse, sino que
en busca de groseros deleites, devoraba de
todo y cuanto le apetecía, y estaba además
ciento de que él era el autor del condenado
aceite frito, Dios sabe en qué nauseabundos
guisos empleado.
No tenía dudas; pero tampoco pruebas.
Y las necesitaba, y las* tendría.
El otro se iba riendo del asustado azoramiento de los ojillos de Chu-Fo al enterarse
de la canibalesca sublevación, que no era
sino embuste de Aristides, flecha de parto al
huir disparada por el fugitivo Superinten­
dente: que, pasado el acceso de hilaridad, se
confesó que lo del parto y la flecha era símil
muy adecuado al caso; pues, aunque otra
cosa pareciera, el fugitivo era él, y el triun­
fador Chu-Fo, que no se habia tragado s*u
terapéutica y disparatada explicación sobre
el ajo antiséptico/
Lo ocurrido era grave, pues bien veía Le­
blonde que el reciente rifirrafe presagiaba
una guerra de acechos y emboscadas en la
que el japonés Sería temible, pues sus cha­
tas narices tenían, por lo visto, una potencia
formidable.
— Si yo pudiera sacar una chimenea de mi
casa al exterior del novimundo, todos esos
perfumes culinarios que tanto molestan,
¡qué mal gusto!, a ese feo, se irían al Eter.
Y que fuera a buscar las olfatorias huellas
del ali-oli en los inmensos espacios.
Pero ¿cómo Se lo digo a la Capitana?...
Inventaré un laboratorio para extraer,
por nuevos métodos, en grandes proporcio­
nes amoníaco de los ajos: una gran factoría
amoniacal... ¡Ja, ja. ja!... Le diré que los hu­
mos Son tóxicos... Y ella contestará que más
tóxico será que por la chimenea se vaya
con los humos al Eter nuestra modesta y
limitada atmósfera... No hay que pensar en
esto... Pero sí en substraerme a la vigilancia
que Chufito va a ejercer sobre mí.
No es miedo, no: es dignidad profesional:
cuestión de gubernativa competencia, pues
aquí nadie puede vigilar sino yo; y aunque
no fuera ilegal, un vigilado Jefe de Vigilan­
cia sería el colmo del ridículo. No faltaba
otra cosa. Pero ¿cómo lo evito?... Si yo pu­
diera taponarle a ese Argos del olfato las na­
rices, o perturbárselas siquiera, mixtificando
los olores. Pero, ¿cómo?...
Comenzó Sorda, pero incesante guerra:

«4

VIAJES PLANETARIOS EN El» SIGLO XXI

Chu-Fo espiaba a Aristides y a su criado
Juan, por sí o empleando a sus ayudantes
químicos. Uua docena de agentes de policía
seguían los pasos de éstos y de Ghu-Fo, per
orden de Leblonde, que además tomaba
precauciones en s'u casa y cocina. Porque ya
es hora de rasgar el secreto: el provenzal te­
nía cocina y cocinero, Juan; tenía despensa
surtida de cuanto Dios crió y perfeccionó el
hombre para deleite de cultos paladares.
¡Y comía!... Comía— allí donde nadie comía
sino él y Juan— lo mismo que había comido
toda su vida. No, mucho mejor. Y bebía, no
tanto, pero casi tanto como el mismo Juan,
que era un tonel sin fondo.
Solamente contrariaba a su carácter ex­
pansivo el comer en secreto. “Soy— se de­
cía— un comilón solitario”, cosa que le amar­
gaba a ratos el placer de la mesa, pero no al
punto de hacerle apechugar con los man­
jares, si así pueden llamarse, de Chu-Fo.
Su casa, la de Aristides, estaba casi siem­
pre vigilada por el enemigo, pero apenas él,
desde ella, o los agentes, desde afuera, ob­
servaban que Fo o sus esbirros comenzaban,
cual perro que olfatea, a alargar el pescuezo
y a mover las narices, echaba mano de una
especial artillería muy al caso.
Y una noche recibía Chu-Fo el siguiente
parte de uno de sus ayudantes:
— He estado allá; y huele, estoy seguro,
mas no sé si a morcilla, a ácido fénico o a
esencia de violeta.
— No está usted en sus cabales: esos olo­
res son wiconfundibles.
— Eso, eso digo yo: y, Sin embargo, que
me aspen si es que puedo decir a cuál olía.
Otra tarde llegaba el segundo ayudante
perplejo entre sardinas fritas, alcanfor y
magnolias.
Hasta el mismo Chu-Fo se volvió loco, o
mejor dicho, se le volvieron locas las nari­
ces una noche en que queriendo aclarar, por
sí, las vaguedades de los informes de sus
subordinados se fué, en persona, a hacer la
ronda, a la hora que sospechaba debía ce­
nar Leblonde; sin que, a despecho de esfuer­
zos de análisis olfativo, pudiera dilucidar si
la impresión que le cosquilleaba en las fosas
nasales la producía el pesado vaho de una
cazuela de callos a la provenzal, penetrante
naftalina o el agresivo patchulí, muy fami­
liar a los novimundianos por el gran abuso
que de él hacía Soledad.
Y en tal estado de perturbación tenía sus
narices desdichadas el desdichado profesor,
que no advertía siquiera que a los citados
se mezclaban otros varios olores. Pero más
grave fué que al regresar, ya, al parecer con
el olfato serenado, al laboratorio nutritivo,

donde tenía su casa habitación, le dió al
abrir la puerta tal tufarada a aceite, a aquel
odioso aceite frito, causa primera de todas
sus sospechas, que gritó indignadísimo:
— ¿Quién es el puerco que se atreve a gui­
sar inmundamente en el santuario de la ali­
mentación científica?
— Nadie, maestro, nadie.
— ¡Cómo habíamos nosotros de atrever­
nos!...
— Pues apesta a guisote...
— Sí, ya lo olemos hace un rato; mas no
podemos explicárnoslo.
Se hicieron pesquisas en todas partes, sin
omitir rincón; y no hubo medio de averiguar
más de lo sabidy. Olía, sí, pero ¿por qué?
Salieron a la calle, y nada: el foco estaba
dentro.
A la mañana, cuando se despertaron, ya
no olía a aceite frito, pero apestaba a man­
teca rancia.
A las once, no sólo Chu-Fo y sus ayudan­
tes, sino todo el público convocado ante los
pulverizadores del gaseoso lunch comenta­
ron uua fragancia penetrante a jamón con
tomate que se mas'caba, no el jamón, el
olor, en el químico refectorio.
Comentarios que alarmaban al sabio pro­
fesor, pues el picaro vaporcillo que afilaba
los dientes de los parroquianos podía, dar
lugar a que la gente lo creyera un farsante,
que alimentaba a los demás con sutiles in­
sípidas esencias, mientras él se atracaba de
suculento y “repugnante” cerdo. El último
adjetivo se inserta bajo la exclusiva respon­
sabilidad de Chu-Fo, que es quien lo emplea.
No sin razón se preocupaba; pues Sole­
dad— que algo debía saber del misterio in­
explicable— le dijo en alta voz, cuando más
lleno estaba el comedor de consumidores:
— Por lo visto, en el lunch de hoy nos pre­
para usted una grata sorpresa. Me alegro, y
agradezco a usted esta benévola variante en
el menú habitual. Ya tenía yo muchas ganas
de comer jamón.
• — No entiendo a usted, señor Alférez.
¿Por qué supone usted?...— dijo Chu-Fo,
temblándole las carnes y disimulando la
turbación a duras penas.
— Porque como aquí huele a jamón con
tomate y es la hora del almuerzo, pienso
que lo habrán frito ustedes para que lo co­
mamos.
— De ningún modo. ¡No faltaba más!
— Pues entonces será usted quien se lo
coma, pues para algo lo habrá frito.
— Aquí no se fríe nada.
Y se enzarzó una discusión, en la que to­
mando parte, no solamente la ciencia y la
milicia representadas por el profesor y So-

DEL

OCEANO

ledad, sino gentes de todas clases, que a fortiori aguantaban el régimen de alimenta­
ción científica, pasaba ya a altercado des­
agradabilísimo para la dignidad del pobre
sabio, que no tuvo otro medio de cortarlo
sino hilvanar un embuste, diciendo que el
olor procedía de unos ensayos' de laborato­
rio, cuyo objeto era preparar con diversos
cuerpos simples e insípidos un compuesto
s'ápido que no era propiamente jamón, pero
sí el extracto esencial de dicho comestible,
destinado a administrarlo a sus parroquia­
nos en emplastos cutáneos.
— Lo prefiero mascado— dijo uno.
— Y yo.
— Y yo.
— Pues, señores, me es imposible servírse­
lo en tal forma: los reglamentos nutritivos
lo prohíben. Y, además, no lo tengo.
Mas comprendiendo que aquella gente no
otorgaba gran crédito a la negativa, y que
le era preciso dar un golpe de efecto para no
ser víctima de la odiosa calumnia, abrió la
puerta de paso al interior del laboratorio y
extendió hacia ella el brazo diciendo con
acento y actitud de sinceridad heroica:
— Aquí no hay secretos. Entre quien quie­
ra, entren todos al laboratorio, a mi casa,
hasta lo más recóndito de mi hogar, y se
convencerán ustedes de que aquí no hay ni
raspa de jamón, aun cuando huela a él por
todas partes...
Algunos desaprensivos iban a aprove­
char aquel permiso, por si acaso, pero les
cortó el paso Soledad, diciéndoles que no
era decoroso dudar ya más de la palabra del
dignísimo sabio. Acabando con estas pala­
bras :
Resignémonos a tomar el jamón en em­
plastos o inyecciones.
Y por entonces no pasó ya más; pero fué
este incidente iniciación de otros muchísimoá, cada uno de los cuales reverdecía el
susto del galeno japonés, y cuya sucesión ha­
cía incesantes sus suplicios; pues en su casa
y en su laboratorio, siempre olía a algo:
cuando no apestaba. Pero con una particu­
laridad alarmantísima: en las horas inter­
medias de comida a comida eran olores quí­
micos, a drogas, botica o perfumería: éter,
amoníaco, lilas del Líbano, ácido sulfhídrico,
aliento de hadas, polvos de gas, menta, rosa;
pero tan pronto se acercaban las horas del

A VENUS

85

lunch, comida o cena, variaba el repertorio;
y ora decían los concurrentes al restaurant
“hoy huele aquí a salchicha”, como “huele a
chou-croute” o exclamaban: "El Director se
regodea hoy con mariscos.”
Porque el rumor de que el señor Chu-Fo
y sus auxiliares se daban buena vida y te­
nían mesa bien provista de apetitosos man­
jares, mientras llenaban a los otros de in­
substanciales alimentos, iba cundiendo. Y
lo veía él; y ya el run-run le iba sonando a
trueno de revolución, no movida por hambre,
mas sí por gula de los novimundianos, con­
tra él dirigida.
¡La revolución y hasta el atentado perso­
nal no parecían ahora guasas de Leblonde,
sino amenazas serias!
Agregúese a esto que la incesante activi­
dad a que implacablemente estaban senten­
ciadas, sin tregua ni respiro, las narices de
Chu y sus preparadores (no saliendo de un
olor nauseabundo sino para sumirse en otros
irritantes), sobrepujaba a cuanto puedan so­
portar las más robustas facultades nasales.
Imagínese una pobre nariz en el plácido
goce de la fragancia suave cfel cinamomo,
sorprendida de pronto por el hedor a hue­
vos podridos de una preparación sulfhídri­
ca; véasela aspirando con suave insuflación
el aroma delicado del azahar cándido y vir­
gíneo, y de repente, truéquese Ih deliciosa
y blanda aspiración en resoplar frenético
que rechazar no logra el asfixiante vaho de
la creosota concentrada.
Pongamos las narices, es decir, póngan­
las los lectores del siglo XXII en el lugar de
las del japonés y de sus dependientes, y se
comprenderá que el efecto de dichas brus­
cas transiciones, equiparable al que ocasio­
na en los oídos el estampido de un cañón
junto a ellos disparado, llegaba a ser into­
lerable; y nadie extrañará que a aquellos
desgraciados se les congestionaran las mem­
branas’ nasales con hinchazones de terribles
corizas; que tan pronto estuvieran sordos
del olfato como armaran pendencia sobre
el olor reinante, que uno decía ser a flores,
otro porfiaba que transcendía a botica,
mientras al otro nadie le apeaba de que he­
día a bazofia culinaria.

Se les habían vuelto locas las narices; pa­
decían una novísima enfermedad: invalidez
nasal o demencia olfatoria.

86

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

XIX
LA ARTILLERIA Y EL EQUIPAJE DE ARÍSTIDES LEBLONDE
No era envidiable la situación del pobre
D irector Alimenticio, perdido náufrago en
un m ar de pestilencias; pero su susto llego
al colmo cuando, en el comedor, y a la hora
de la cena, le dijo Soledad una noche que
deseaba hablarle a solas. Y más cuando, ya
los dos en el despacho, la oyó expresarse en
estos térm inos:
—Señor Director, si la otra m añana me
di por satisfecha con su explicación del ja ­
món con tomate, fué solamente para evitar
conflictos* de orden público; pero no creí pa­
labra de lo del jam ón artificial.
—Señora Alférez, juro a usted...
—¿Que fabrica gorrinos con carbono, ázoe
e hidrógeno?
.—No; no, señora: eso no, pero...
—Y el torróte, ¿tam bién es artificial?...
—No tengo jamón, no tengo tomate. Lo
juro por el Sagrado Ombligo de.Buda.
—¿Y ju ra rá usted también que en este
mismo instante no están sacando, no puedo
decir dónde, pero en esta casa es, una hor­
nada de pasteles del horno?...
— ¡Pasteles!... ¿Qué es'tá usted diciendo?
—Que los aromas del hojaldre y la crema
se mascan...
—Pero señora, si a lo que huele ahora,
que no hay quien lo resista, es a asafétida...
—Señor Chu-Fo, no sabe usted lo que se
huele.
—Sí, sí: en eso tiene usted razón: se me
va la cabeza, se me desvanecen las narices.
—Bien, bien; pero vamos a lo que inte­
resa. Me envía el señor Superintendente...
—¿El señor Leblonde?
—No; el señor Leblonde, no: la autoridad
superior de policía, que está indignada de
que usted, que debiera dar ejemplo, coma...
— ¡Yo!...
—Calle y oiga...: Coma subrepticiam ente.
Y lo que es peor, poco subrepticiam ente,
pues ya lo sabe todo el mundo, y el Señor
Superintendente se ve negro para contener
la indignación de un pueblo a quien todos
los días em briaga usted en Su comedor con
toda suerte de olores seductoram ente aperi­
tivos para no darle luego por toda alim en­
tación sino soplidos y pinchazos.
—Pero, doña Soledad, yo no soy respon­
sable...
—A otro perro con ese hueso... La pa­

ciencia popular tiene sus lím ites; el conflic­
to es inm inente, y si estalla, la Policía no
está segura de librar a usted del fu ro r de las
turbas*, de otra parte justísimo. Vengo por
tanto comisionada hoy para notificar a us­
ted que si sigue oliendo aquí a cocina, se
adoptarán severas providencias.
—Pero ¿qué he de hacer yo?...
—No comer.
—Pero si no como.
—No guis'ar.
—Pero si no guiso..
—No oler.
—Si ya no huelo nada, o m ejor dicho
todo me huele a todo a todas horas.
—No tengo más que hablar: está usted
apercibido. Aténgase a las consecuencias.
Así, saliéndose a la calle, al pronunciar la
últim a amenaza, puso fin Soledad a la con­
ferencia.
Al irse al lecho, una voz desconocida lla­
mó al teléfono al pobre Director, hablando
de este modo:
—Soy un amigo enterado de tu s cuitas y
condolido de los riesgos que te amenazan,
querido Chu: un amigo dispuesto a darte un
buen remedio para tus desventras.
—¿Remedio?... ¿Cuál?... ¿Cuál?...
—Que ni tú, ni ninguno de tus ayuda*tes,
volváis a pasar por el boulevard F, ni a pre­
tender oler...
—No, no,.. ¡Por D ios!... No más oler...
—No te atorm entarán olores en tu casa,
ni olerá nada el público en tu comedor quí­
mico m ientras no m etas tu s narices en aje­
nos domicilios.
—¿Pero qué tiene que ver eso con el bou­
levard F?
—Eso no te importa, Chufito. Pero en
prueba de la seriedad de lo que se te prome­
te, cesan desde ahora los perfumes, las pes­
tes, y las fragancias en el comedor y en el
laboratorio; pero en cuanto tú, o tus ,ndláteres, volváis a las andadas, trascenderá tu
restaurant a guisos.
—Pero...
—Ni necesitas saber más, ni yo puedo de­
círtelo: soy un duende o un genio que te
salva dándote un buen consejo.

DEL OCEANO
Ni aquella noche ni en dos días olió en el
comedor a nada. Comenzaban a ceder las
corizas de ¡oS químicos de la nutrición. Pero
al tercer dia, queriendo ver Chu-Fo si obe­
decía aquello a casualidad, se dió, el muy
imprudente, una vueltecita por el terreno
prohibido. Y dos horas después apestaba su
comedor a coles cocidas, de lo cual se en­
teró por oírlo a la gente, pues él habíase
quedado incapacitado de juzgar de olores,
porque, análogamente a ciertos anormales de
la vista que padecen parcial ceguera para
algunos colores, los pasados abusos olfa­
torios habían convertido al japonés en daltónico nasal: todo le olía a aceite frito.
Al poco rato le gritaba el teléfono:
— ¿ L o has visto?... N o hiciste caso de mis
advertencias y vuelven los olores, y el mo­
tín te amenaza.
— Perdón, perdón. No volveré. L o juro.
— L o veremos.
;Qué había de volver!
Así acabó la lucha encarnizada que co­
menzó en aquella discusión del ali-oli quí­
mico.
— Pero, ¡cómo, Ifigenia!...— pregunta el
• autor— , ¿Era Leblonde quien...?
— No eres muy lince si necesitas que te lo
diga yo...
— Pero entonces...
— Escucha:
La artillería que entraba en juego contra
Chu-Fo y sus ayudantes tan pronto Se acer­
caban a casa de Leblonde, no disparaba
grandes, sino diminutos proyectiles, casi
impalpables, pero no imperceptibles, por­
que bien percibían sus efectos las víctimas
de ellos. Era, en suma, artillería gaseosa, por
el estilo de las artillerías asfixiante, lacri­
mógena, etc., inventada tres siglos antes en
la guerra mundial de 1914 a 1919, pero ate­
nuada.
Nada de destructoras bombas ni grana­
das mortíferas; nada de resonantes choques,
no: era una artillería misteriosa, que en lu­
gar de cañones empleaba cerbatanas o jerin­
guillas, reemplazando los ordinarios proyec­
tiles por vesículas rellenas de toda suerte
de fragancias y hedores: capsulillas frágiles
cual pompas de jabón, cuyas paredes se rom­
pían, sin ruido ni perceptible choque, al tro­
pezar contra cualquier obstáculo, difundien­
do en el aire perfumadas o pestíferas cargas.
Los balines eran pequeñitos, pero como las
esencias estaban concentradísimas, y además
eran las cerbatanas de repetición, tres o cua­
tro segundos bastaban para producir grandí­
simos efectos.
Con tales armas, que podían esconderse en
el puño cerrado o en los bolsillos, había per­

A VENUS

87

trechado Leblonde a los doce agentes que
espiaban al Director Alimenticio y a sus au­
xiliares; y en cuanto un vigilante atisbaba al
enemigo, echaba a andar delante de él para
aromatizarle el camino que seguía, en tanto
otros esbirros lo asaltaban traidoramente
por espalda o flancos con andanadas.vesicu­
lares, que al deshacerse, sin ruido ni golpe,
contra sus ropas1 las impregnaban del olor
disparado. Otros hacían reventar a sus pies
las consabidas invisibles cápsulas, al cruzar­
se con el adversario.
Para un Inspector de Sanidad nada más
fácil que hallar en su almacén drogas y je ­
ringuillas, Sin contar las jeringazas <|ue, por
agujerillos practicados en las ventanas de la
casa del boulevard F, soplaban, sin necesidad
de cápsulas, los maldecidos gases sobre los
pobres japoneses, cuando se ponían a tiro, al
acercarse a olisquear en casa de Leblonde.
Derrochados con promiscua abundancia
simultáneos y variados olores, no es extraño
que jamás acertara el enemigo a lo que olía
la casa.
Esta era la campaña defensiva. En cuanto
a la ofensiva invasión del territorio y del
hogar del adversario, a la cual fue debida la
victoria, se verificó, no con artillería, sino
apelando a los terribles y desmoralizadores
estragos de la guerra de minas.
He aquí cómo. Los grandes almacenes de
las muchísimas cosas de indispensable uso
para los doscientos habitantes, fábricas y
talleres del Autoplanetoide, muy bien pro­
vistos para largos viajes, estaban doscientos
metros por debajo del piso de Noviópolis—•
ciudad por su importancia, aldea por su ex­
tensión— ; mas con objeto de economizar
constantes bajadas a dichos almacenes para
sacar lo que menester fuera en la ciudad,
existían arriba varios pequeños depósitos o
repuestos, abastecidos para las necesidades
de dos o tres semanas:
Arriba, con repecto a los grandes almace­
nes, pero debajo de la población, por hallarse
instalados en el Subsuelo de ella, con puer­
tas a las avenidas subterráneas, que no se
llaman alcantarillas por no tener la sucia
aplicación de éstas, innecsaria con los pro­
cedimientos químico-nutritivos de Chu-Fo,
sino tan solo la consiguiente al tráfico y
transporte de cargas, que en tan pulcra po­
blación no entorpecían el tránsito de sus
moradores.
Como en todas las ciudades, la policía vi­
gilaba especialmente las vías del subsuelo,
donde era amo y señor el Superintendente,
que, prevalido de esto, abusó de su autori­
dad, empleándola en egoístas reprochables
fines: además de gastarse en traidora batalla

88

, A VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

el fenol, la creosota y la valeriana del boti­
quín que para más humanitarias aplicacio­
nes 1» había confiado María Pepa.
Con ser lo anteriormente mucho, no fue
todo, pues aun ha de agregársele la seduc­
ción de Soledad por Leblonde perpetrada.
Pero expliquémonos para evitar tergiversa­
ciones: la seducción de que se trata no filé
de la doncella de la Capitana, sino del Alfé­
rez de su Escolta, haciéndole que también
abusara de su cargo entregando al Super­
intendente la llave del almacén del vestuario
de las escolteras— situado precisamente de­
bajo del laboratorio de la nutrición— y per­
mitiéndole que con finísimo berbiquí pusiera
>
el techo como una espumadera.
Siendo aquel techo piso del comedor y de
la casa de Chu-Fo, ya está explicado
todo: por allí les llegaban a los pobres coci­
neros químicos aquellos olorosos huracanes
que Juan, Arístides y hasta la misiva sevi­
llana, desencadenaban debajo de sus pies.
Más aún, la propia Alférez, cuya complicidad
en los sahumerios se vislumbraba ya en el
relato externo de la lucha de que se ha dado
cuenta, llegó a oficiar de granadero en ella,
disparando personalmente una bomba de ma­
no a los pies de Chu-Fo, cuando ambos dis­
cutían si olía a pasteles o hedía a asafétida.
Y tenía razón él, aun cuando no pudiera el
pobre sospechar que I3, traidora despachu­
rraba entonces contra el suelo, con su me­
nudo piecerjito, una capsulilla del mal olien­
te líquido que acababa de dejar caer disimu­
ladamente.
Y también queda claro porqué en una re­
vista que María Pepa pasó a sus escolteras,
emperejiladas con el equipo de gala, recién
traído del almacén del vestuario, se sorpren­
dió la Capitana de que olieran tan mal acue­
llas chicas, haciendo sobre el caso comenta­
rios que encendieron los colores de Soledad,
aun no siendo ésta demasiado propensa a los
rubores.
Ni a contrición; pues igualmente dura
de conciencia que su amigóte Leblonde, en
lugar de sentir remordimientos por la artera
campaña contra el japonés, una y otro la
tomaron a risa y a chacota; y hasta la fes­
tejaron con ¡un banquete!: precio inmoral
con que pagó el Superintendente la complí
cidad del Jefe de la Escolta: seducción por
soborno.
Un banquete sigiloso, claro es, con el que
se regodearon, encerrándose a piedra y lodo
para ello en casa del anfitrión: una opípara
baltasaresca cena, en la que nada se rehusa­
ron, pues la despensa de Leblonde era inago­
table y escogida.
¿Se acuerda el lector del enorme equipaje

7—

que Arístides subió de Mendoza al orbimrtor, según se dijo en la primera parte de esta
historia: aquellas docenas y docenas de ce­
jas, latas, toneles y vagones, que asustaron
a María Pepa, y que el muy embustero afir­
mó contenían desinfectantes, ozonizantes, es­
terilizantes, etc., etc.?... Pues todo aquello no
eran sino provisiones de boca, en cantidades
pantagruélicas'; vituallas esmeradamente
conservadas, principalmente en cámaras fri­
goríficas, procedimiento habitual y perfeccio­
nado en el siglo x x i i de conservar meses
y meses, años' y años, toda clase de vegeta­
les y animales en perfecto estado de frescura.
En aquello, con lo que Lóculo y sus co­
mensales habrían tenido para incontables
festines, se había gastado Leblonde, adejnás
del dinero de su particular peculio que al
tiempo de embarcar le quedaba, las seis men­
sualidades de su sueldo de Inspector de Sa­
nidad que adelantadas había pedido a María
Pepa pocos días antes de la partida. Una
barbaridad de dinero, que subía a qué sé yo
cuántos coadores; pues si en el Autoplanetoide eran grandísimas las remuneraciones
de los simples obreros, ya puede suponerse
lo que serían los honorarios de un señor Ins­
pector de Sanidad.
Encerrados en casa de Arístides, cenaban
éste y Soledad, brindando por la mejoría de
las narices de Chu-Fo.
¡Una cena a solas!...
No hay de qué alarmarse: Soledad -era un
Alférez. Aun cuando no, las mangas que usa­
ba todo el mundo en el siglo XXII habían ido,
desde el XX, ensanchando tanto, tanto, que
nadie criticaba a mujeres ni a hombres ta­
les encerramientos: ni aun siendo dos, nomás, los encerrados de diferentes sexos, y
sospechosos sus propósitos. Aun sin esto no
hay que alarmarse, digo, porque la sevillana
y el francés eran bonísimos amigos, pero ja­
más pensaron en ser más. Y, por último, So­
ledad y Leblonde no eran dos, sino tres: ab­
surdo que dejará de parecerlo en cuanto se­
pan los murmuradores que a la cena asistía
Santiago; pues estando de buenas aquel día
los casi siemp-e peleados novios, y sabiendo
ella que, por tener el galleguito ideas muy
rancias, no habría medio de persuadirle de
que el Alférez y no su novia era quien a solas
cenaba con Arístides, exigió ella, para acep­
tar la invitación, que hubiera también plato
para el pobre Santiago, que ya llevaba mes
y medio de nutrición sin comestibles. 5
— ¡Pobrecillo!... Créame usted, señor Le­
blonde, pensando en que Santiago r.o los dis­
frutaba, me sabrían a inyecciones de Chu-Fo
los manjares que usted me ha prometido...
— Yo creía que andabais peleados.

H

DEL

OCEANO

--E so era ayer, y mañana de fijo; pero hoy
esXamos a partir un piñón.
—Mira, chica, que secreto entre muchos...
—Yo respondo de él.
—Y cuando os peleéis, ¿también respon­
derás?...
—Mucho más: entonces le tengo más se­
guro que nunca.
En suma, que Santiago fué invitado, mas
no consintió Aristides que probara bocado
hasta despuéés de formal juramento “por
la salud de la Capitana” de no decir palabra
a nadie.
—Y peor si no callas, porque entonces no
vuelves a comer.

¡Vaya un hartazgo!... La larga privación
de masticables comestibles hacía que los dos
novios devoraran: el hábito de comidas co­
tidianas, cada una má9 copiosa que la prece­
dente, había ensanchado el estómago de Aris­
tides de un modo inverosímil; y así causas
opuestas producían idénticos efectos en an­
fitrión y comensales.
Comían y bebían, y ya no faltaba sino el
último plato de la cena, jamón de York fiam­
bre con gelatina helada de grosella, cuando
entró Juan gritando:
— Señor, señor. Bn el arcén de los jamones
pas'an cosas muy extraordinarias. Venga,
venga corriendo. Aquello no es jamón, sino
un animal vivo.
-—Será tal vez un cerdo entero.
—No, no, señor, es mucho más delgado.
Ha de advertirse que aquel enorme arcén
había dado muchísimo que hacer, por su
gran peso, para subirlo del sótano a la coci­
na, donde entonces se hallaba al calorcillo
del fogón, y que después de allí instalado, y
comenzado a abrir, aquella tarde, había se­
guido dando no poco trabajo; pues dentro
de la caja de madera había otra de aluminio,
para la que no siendo Suficientes los ordina­
rios abrelatas, hubo que cortar con cizallas
de hojalatero, encontrando debajo una capa
de algodón y una segunda lata, que destapa-

A VENUS

89

da dejó ver nueva capa de algodón mezéTa lo
con serrín de corcho.
A esto se había llegado cuando entraron
Santiago y Soledad, a quienes Leblonde dijo:
— Es' jamón de York, es decir, muchos ja­
mones que, cada uno en su caja, están ahí
dentro. Deben de ser exquisitos, y estar divi­
namente conservados, según las' precauciones
que han tomado para conservarlos. Así mecuestan... Bueno, Juan, sírvenos ahora, y
saca luego un jamón, dejando bien tapados
los demás.
Una hora después, cercano ya el momenta
de servir el jamón, metió la mano el cocinero,
entre el serrín, y en vez de hallar diversas
cajas tropezó con un Solo bulto, largo, blan­
do y estrecho, que llegaba de extremo a ex­
tremo del cajón, lata, estuche o lo que fuere.
Un bulto, y he aquí lo extraordinario, que se
removía, aun cuando levemente. Entonces
fué cuando corrió a dar a su amo la noticia.
— ¿Qué disparates dices?— le preguntó Le­
blonde—. Se conoce que hoy la has tomada
más temprano. Y ya te tengo dicho que no
aguanto borracheras hasta después que aca­
bes de servir las comidas.
— No, señor; no, señor: que no es eso. Esun animal grande; así como un salmón muy
largo, pero flaco, flaco... ¡Está vivo!... ¡Está
vivo!...
— Puede que tenga ratón. Tal vez lo hayan
conservado congelado— insinuó Soledad, quequeriendo alardear de erudita, agregó— : Di­
cen que los romanos en s*us mesas...
¿No, hija, no: no los llevaban congelados,
sin-o que coleando en unas tinas los enseñaba
el anfitrión a sus‘ invitados al comenzar la
comida, y durante ella...
— ¿Pero los servían crudos?—pregunta
asombradísimo Santiago.
No le contestó nadie, pues Juan, insistien­
do en su tema, repetía:
— ¡Está vivo, señor, y va a escaparse!...
Ca: como sea salmón, ni se me escapa
ni va a estar vivo mucho tiempo—. Y levan­
tándose echó a correr el Superintendente, de­
cidido a poner pronto en claro aquello. Los
otros le siguieron.

<0

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
*

í

XX
UN NUEVO Y FIAMBRE PERSONAJE
Con el tiempo perd*do en conjeturas de
<ïné podría ser lo que se m oviera en la lata
<ie los jamones, lo había tenido su incógnito
ocupante de echarse fuera de ella. Tratábase
■de un cas'o de resurrección determ inada por
-el calor de la cocina.
No era un salmón; eso lo vieron todos en
seguida, pues si es que los salmones pueden
m antenerse verticales, será en el agua, pero
no fuera de ella. Y aquello estaba en seco y
"vertical.
¿Un avestruz?... Porque tenía pies, zancas
y alas, que ora dejaban caer menudas plu­
m as en sus aleteos', ora se replegaban sobre
ol cuerpo para arran car de él copos blanquí­
sim os de esponjoso plumón.
A un avestruz era, efectivamente, a lo que,
■de momento, más s'e parecía; pero a medida
que avanzaba en la faena de arrancarse plu­
m as, fue variando de aspecto, hasta que to­
dos vieron claro que era ¡un caballero!
Un señor delgado, como A ristides, casi
flaco, aun cuando un poco menos largo: un
caballero de chaquet, prenda estrambótica
en 2187, y con sombrero Frégoli, lleno por
todas partes de vedijas de algodón mezcla­
das con serrín: que algodón era lo que al
principio tomaron por plumón los asombra­
dos amigos'.
Tenían delante un ejem plar humano de
pasadas edades, exactamente igual, salvo los
adhérentes del empaquetado, a los monos de
las ilustraciones y de los figurines de las
sa strerías del siglo xx. H asta llevaba gafas,
no usadas ya por nadie en el x x n , porque la
m iopía y la presbicia Se curaban encastrando
las lentes en los propios ojos de miopes y
•do présbitas: haciendo cristalinos, artificia­
les, soldados a la córnea.
Al convencerse de que aquello era humana
•criatura, gritó Juan:
—Es un señor, es un señor. Se va a ente­
ra r de todo, y contará por todas partes que
comemos—exclamación que, unida al ademán
de coger un cuchillo de cocina, traslucía ma­
levolencia tan hostil, que Soledad, temiendo
algún grave desmán de aquel caníbal contra
•el pobre algodonado, dijo:
¡No, hombre, no!... Ezte s e ñ ó 'n o dirá
nada.
— ¡Parbleu !... JJn m onsieur du vingtièm e
siècle—exclamó Leblonde.

— ¡Dios me valja!... E un home—gritó
Santiago haciéndose cruces.
Aun cuando un tanto mareado, iba el re­
cién nacido—pues aquello era un nacimiento
en el novimundo—recuperando sus facultades
después de un sueño de doscientos sesenta
y siete años. No obstante, siendo sum am ente
culto, muy versado en idiomas y dialectos,
como persona apasionada por los viajes, en
los que había recorrido innum erables países,
reconoció en Seguida el idioma de A ristides
y los acentos andaluz y gallego de los novios.
Y sacando por el hilo el ovillo, replicó qui­
tándose el frégoli:
—Creo ten er el gusto de saludar a doña
Soledad, al señor Leblonde y a Santiago el
maquinista.
— ¡Calla!...
— ¡Nos conoce!
—Sí, señor; somos quienes supone, pero,
¿cómo sabe?...
—Y sospecho que el A utoplanetoide estará
a punto de partir.
—En eso ya es'tá usted equivocado, porque
hace tiempo que partió.
— ¡Cómo!... ¿Entonces llego tarde?... ¿He
perdido esa preciosa expedición?
—¿De dónde zale uté—dijo Soledad—que
no zabe que el Autoplanetoide lleva do mezes
largos de volar por ezos mundos, digo, fuera
de aquellos mundos?
—Pero entonces, ¿ustedes no están ya a
las órdenes de la Señorita de Bureba, de la
insigne Capitana?...
— ¡Anda!... También conoce a la señorita...
—Conocerla, no; no tengo ese honor, señor
Santiago; pero con la aspiración de presen­
tarm e a ella llevo doscientos sesenta y siete
años.
— ¡Zambomba!...
—No hagas cazo, Santiago, ez un guazón.
—... Porque si el Autoplanetoide zarpó ha
poco, y no me engaña mi memoria, todavía
un poco embarullada, deben ustedes andar
ahora por el año 2186.
—No, no le engaña, caballero. Por ahí an­
damos, efectivamente.
—Muchas gracias, señor Leblonde; su afir­
mación me tranquiliza, y el haber conocido
a ustedes en seguida por sus idiomas y acen­
tos natales, me indica que no deliro, que es­
toy en mis cabales.

DEL

OCEANO

—Pero ¿de qué y desde cuándo nos co­
noce?...
—-A usted, y al señor Santiago desde que
■con Pedro...
— ¡Arrea!... También conoce a Pedro. Este
tío conoce a todo el mundo.
—... y el equipaje personal y científico de
doña María Pepa y sus dignos abuelos, to­
maron ustedes en Dakar el submarino para
Buenos Aires; al señor Leblonde desde que
en Mendoza se presentó a la ilustre inven­
tora, como descendiente y heredero de mademoiselle Leblonde, premiada por sus in­
ventos de óptica astronómica.
No hablemos de la pifia de mi anteceso­
ra: es un secreto entre la Capitana y yo.
ñ yo, según ve usted. Mas no pase cui­
dado: se me ha olvidado ya...
—Pero unsted ¿quién es? ¿De dónde sa e?
¿Por dónde ha venido?...
—Supongo que por el Atlántico -y el ferro­
carril transandino; porque vengo de... ¿De
dónde vengo yo?... Esta memoria... Vengo,
vengo... Sí: de Madrid, eso es.
—¿Y cómo ha entrado usted aquí?
Me figuro que en es'a caja... Pero si fueían ustedes tan amables que me ayudaran
a quitarme estas pelusas de algodón... Mien­
tras me vea así, no coordinaré ideas, ni re­
cordaré nada. No puedo con la Suciedad, y
estoy impresentable.
Los cuatro se pusieron a desenvedijar al
extraño personaje, cosa no fácil, pues los
filamentos del algodón en rama se agarraban,
cual lapas a la roca, al chaquet de lanilla,
que excitaba la curiosidad de Santiago al
extremo de que, dando un tirón de los faldo­
nes, Preguntó al forastero:
—¿Y esto para qué sirve?
= P u es no lo sé... Digo, sí, para nada... Es
nn adorno.
¡Un adorno aquí atrás!..-. Pues vaya un
sitio raro para adornos.
Al fin, entre los afilados dedos de Soledad,
las pinzas de un estuche de cirugía, que por
primera vez en su vida profesional usaba el
doctor Leblonde; un rallador de la cocina,
que Juan pasaba suavemente por e] traje del
forastero, sacándolo lleno de pelusas, y las
manos que después de escupírselas paseaba
Santiago por muslos y perneras del panta­
lón, fué quedando algo más presentable aquél,
que sucesivamente habían tomado por jamo­
nes, salmón y avestruz, cuando en realidad
era un novelista reputado, que floreció en
España en los siglos xix y xx, y en más am­
plio escenario reflorecía el x x i i .
¡E a!—dijo Leblonde— . Ya está casi lim­
pio. ¿Cómo ha entrado usted aquí?...
— Ya creo haberlo dicho: en esa caja.

A VENUS

91

—Pero esa era, o por lo menos debía ser,
una lata de jamones de York. Y bien caros
por cierto.
—Comprendo el desengaño, pues de jamón^V.o tengo na'la, y hasta de bacalao sólo
las raspas. Pero me ofrezco a indemnizar a
usted. Es' justísimo.
— No se hable de eso. El gusto de conocer
a una persona tan distinguida como usted
me indemniza ampliamente.
Tras un poquito de fina cortesía, dijo el
desconocido que no podía explicarse el true­
que; pues él estaba segurísimo de que antes
de meterse, es decir, de ser metido en el es­
tuche, lo había examinado y hasta había es­
crito y pegado en la tapa un gran tarjetón,
imposible de confundir con la etiqueta de
una lata de jamones, donde se consignaban
su nombre y apellidos: D on..., Don. .
— ¡Ea!... Que no me acuerdo de mi nom­
bre, mas sí de* haberlo escrito... ¡Qué me­
moria, Dios mío!... Porque aseguro a uste­
des que yo me acuerdo perfectamente de
quién soy, o quién era. Es más, les garantizo
que siempre fui persona decente; más aún,
respetable. Ya se convencerán ustedes cuan­
do me acuerde de mi nombre.
Efectivamente, haciendo aquí un parénte­
sis, anticipa el autor que, andando el tiempo,
todos quedaron convencidos de la decencia
del recién llegado, pero no por influjo de su
ilustre nombre, del que jamás volvió a acor­
darse.
El tarjetón decía, según él: “ Don... Lo
Que Sea, congelihipnotizado. Guárdese hasta
2186 en la más fresca de las cuevas de la
Academia de Medicina que lo congelihipnotiza. Dicha Academia cumplirá la que, por
ahora, es última voluntad del infrascrito
don..., y en virtud de ella lo facturará para
Mendoza, la Argentina, remitiendo el talón a
doña María Josefa Bureba, y con él la receta
para descongelihipnotizarlo.”
— De modo que entró ahí porque le dió
la gana.
—-Sí, señor Santiago. Por visitar ignotos
mundos arriesgo yo hasta un viaje al otro
mundo.
— Pues no sería pequeña la etiqueta donde
escribió usted todo eso.
— Por el estilo de ésta en donde leo en
grandes caracteres: “Número 107.— Jamones
de York.” Pero como tengo la letra menudita... Una cuartilla mía llenaba página y
media impresa cuando yo era literato y alto
funcionario en... en el ministerio de... ¡Dios
m ío!... ¿En qué ministerio era yo alto fun­
cionario por los años de 1917 a 1918?
— ¡Ave María Purízima!— exclamó Sole­
dad— . No pué zé...

92

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

ra en concepto de cronista gratuito. Porque
yo me perezco por los viajes.
— ¿Pero cómo sabía usted en el año 1918tiocho años.
que en el 2186 íbamos a...?
— Por ahí, ahí...
.
^
— Por el Coronel Ignotus.
— Pué estaté divinamente concervao.

¿Qué Coroné?
—M il gracias. Aunque un poquillo flaco,
— El autor de la primera parte del viaje,
no me quejo del peso de los años. Efectos de
que ya tenía casi terminada cuando hice
la congel...
que me congelaran en la Academia, tan
— ¿Pero querría usted explicarnos?...
pronto conseguí que me diera la carta...
— Con mil amores.
— ¿Qué carta?
— Sí, mas no en la cocina. Vamos al come­
— La de recomendación para la señora.
dor. Seguiremos cenando. A este caballero
Capitana.
le servirás desde el primer plato.
— Este es un infundioso— dijo Santiago— Mil gracias. Tengo el estómago ocupa­
por lo bajo a Soledad— , un fresco que se ha
do. Acabo de almorzar.
puesto esos rabos por detrás para que crea­
— ¿Hace doscientos' no sé cuántos años?...
mos que es un señor antiguo.
— Verdad es, lo olvidaba... Pero como me
— No ez ezo, no: ez que er probetico eztá
congelaron poco después de acabar de al­
—y se llevó con disimulo el dedo índice a la
morzar, y dicha operación paraliza todas las
frente.
funciones, estoy como si acabara de levan­
Pero no con tanto que el aludido no lo
tarme de la mesa: no podría probar bocado.
viera y contestase con la calma que jamás
Además’, yo como poquísimo: sólo por pre­
perdía:
cisión, mas no por gusto.
— No, no señora, no estoy demente. Y en
— Lo contrario que yo.
prueba de ello, aquí ha de estar la carta...
En esto habían llegado al comedor. Mien­
Léala, léala— dijo alargando un papel a So­
tras los otros tomaban los postres y el café,
ledad, que leyó en alta voz:
relató el huésped cómo en el año 1919 fue
“ Madrid, 6 de abril de 1918.
congelado por los Académicos de Medicina
Señora doña María Josefa Bureba: Dis­
mediante instantánea inmersión en un baño
tinguidísima señora y bella dama, de glo­
de aire líquido— cos'a de doscientos y pico
ria inmarcesible, que no sólo perdura por lo&
de grados bajo cero— , que helando la sangre
siglos, sino que los remonta cuesta arriba; y
en las venas, y los jugos en músculos y vis­
predura y presurge, deslumbrándonos a
ceras, paralizó las funciones vitales y el des­
quienes previvimos a usted, y preadmiragaste que produce la vida, suspendiendo ésta,
mjos, antes de que usted nazca, los altosmas conservándola, cual se conservan todas
hechos que ha de realizar.
las cosas con el frío, en el estado mismo de
Si el ser autor de un libro donde prenarrosu congelación. Por eso despertaba a los dos­
puntualmente
cuanto usted hará en el mun­
cientos sesenta y siete años con la misma
do y fuera de él, antes de que lo haga; si la
edad que tenía al congelarse, y el estómago
devota admiración de este indigno escritor,,
ocupado aún por el almuerzo.
de quien usted es numen, es en algo tenida
Para evitar brusca solidificación de la san­
por la heroína de mi historia, permítame
gre de venas y de arterias que produjera,
impetrar de su benevolencia mire con bue­
por demasiado violenta, definitiva paraliza­
nos ojos, que para ello basta sean los su­
ción del corazón— y este era el riesgo úni­
yos, la pretensión de un turista infatigable
co del procedimiento frigorífico— habíanle
que de viajar jamás se sacia; y tanto, que
previamente sumido en sueño hipnótico,
cuando no puede realizar verdaderos viajes
que poco a poco le produjo profunda catatoma los más largos caminos, los más in­
lepsia, en la cual es sabido que vive el co­
verosímiles, para ir a su diarios quehaceres.
razón, pero no late. Conseguido esto, era ya
Ferviente admirador de usted, anhela
cosa facilísima el helarlo.
acompañarla en la tourné interplanetaria;
— Ezte hombre ez nvu zimpático—pensa­
ba Soledad— , y los embuztes que noz cuen­ y tanto que para ello renuncia a su mundo y
su siglo, a amigos, posición, afecciones, con
ta zon entretenidízimos.
— Es muy culto: se expresa arcaicamen­ tal de conocer el genial novimundo que a
usted deberá vida.
te, sí, pero con elegancia— decíase Leblonde.
De que mi fraternal amigo, gran caballe­
Pero Santiago le interpeló directamente:
ro, notable literato, ha de agradar a usted,
— Bueno, señor, peto ¿para qué quería
estoy seguro, como lo estoy de que en él ha­
usted que le disecaran?
llará la insigne Capitana cronista escrupulo­
— Para v iv ir hasta que doña María Pepa
so y entusiasta de su magna odisea. Y hasta*
realizara su viaje; para pedirle me admitie­
— Ya ve, nací en 1860,
— Entonces tiene usted trescientos vein­

DEL

OCEANO

si a usted le place, se la escribirá en verso.
No tome a mal mi libertad. Atrévome a
escribir esta carta, poique aunque usted no
me conoce— a menos que haya leído, y no
lo espero, algún ejemplar de D e los A ndes
a l C ielo — , yo que conozco a usted, en cam­
bio, cual si fuera su padre, estoy certísimo
que acogerá a mi amigo con afabilidad g ra ­
ciosa.

Y quedo su devotísimo prebiógrafo,
E l Coronel Ignotus."
— ¡Bueno! Y no dice mi nombre. Si ese
tenía que hacer alguna de las suyas... ¡Va­
liente modo de hacer presentaciones, y de
recomendarme!... Ahora que estoy tan apu­
rado para averiguar cómo me llamo, se lo
calla, y me deja al cuidado de que lo diga
yo... Como si fuera tan sencillo recordar
cosas de dos siglos y medio... ¡Ah!:.. A llí tie­
ne que estar: debajo de los jamones, quiero
•decir, del rótulo. Vengan, vengan ustedes.
E l presunto cronista había comprendido
que mientras él estaba esperando en la es­
tación de Mendoza a que María Pepa envía*ra con el talón a recogerlo, el mozo de equi­
pajes que puso las etiquetas en el cajón de
Leblonde se había equivocado de bulto, pe­
gándole a él encima, la de los jamones, y
privándole del único documento de que ya
disponía para poner en claro su extraviada
identidad.
— Vengan, vengan, señores; les suplico
que me ayuden a despegarla con cuidado.
De cierto está debajo la otra.
Efectivamente, allí estaba; y humedecién­
dola se consiguió irla despegando, y hasta
leer casi toda la historia del fisiofísico pro­
ceso de la conservación y envío a Mendoza.
Pero una torpeza de Juan, que en lugar de
meter, por su lado, suavemente, un cuchillo
bajo la etiqueta, rascaba fuertemente el
papel de ella cual si rallara queso para unos
macarrones a la parmesana, hízola añicos
en la parte precisa donde constaban los ex­
traviados nombre y apellidos.
¡Y no tenía más que aquellos el recién lle­
gado!...
— ¿Cómo justifico yo ahora que soy...?
¿Quién soy?... ¡Dios mío!...
— Gracias a que apenado el femenino,
aunque castrense, corazón de Soledad del
justísimo apuro del forastero, sugirió a la
sevillana el siguiente consuelo:
— Ño pazuté cuidao, que aquí noz tiene
a todos para justificar que ez uzted..., que
ez..., que ez... er c’a zalío de la caja.
— Hombre, con eso no adelanto mucho.
— No lo crea uté, porque ziendo er c’a
zalío, tiene que zer er mimo que metieron en

A

VENUS

93

Madrid, er zorbetizao, er que uté ha dicho.
— Sí, sí. Es usted muy lista: eso ya es
algo, tengo que ser el mismo: soy induda­
blemente el que en Madrid metieron.
— Pue claro, criatura, a’zté no l’an cainbiao ma que la etiqueta. Ezo no vale na.
Ademá, ¿no tié uté ahí la carta pa la zeñorita?
— Sí, sí, es verdad... A falta de la cédula
y de la memoria, eso prueba algo.
— Lo prueba to, y lo otro pa na va'zté a
necezitarlo aquí.
— Sí, sí; necesitarlo, si.
•■—Bueno, pué ya vendrá. Er mejó día
z’acuerdasté de pronto y noz da er notisión.
— Sí, sí; seguramente. Cuando menos lo
piense me acordaré... Yo espero, señor Le­
blonde, y me dirijo a usted por estar en su
casa y haber entrado en ella de un modo
inconveniente y subrepticio, que usted com­
partirá la manera de pensar de esta se­
ñorita...
— ¡Ea, amigo mío!, con llamarle a usted
así, digo bastante: tan suya es esta casa
como m ía; y si yo, siendo el Jefe de Vigilan­
cia, no desconfío de usted, ¿quién va a des­
confiar?
— Gracias,' gracias. Son ustedes, todos,
muy amables. Y mi satisfacción sería com­
pleta si no me la amargara la pena de haber
llegado tarde a ese viaje interesantísimo;
porque no pudiendo conocer ni acompañar
a la insigne María Pepa, hemos perdido el
tiempo la Academia y yo con mi congellhipnotización. ¡Yo que pensaba despertar
en el novimundo!... ¡Estar acariciando una
ilusión doscientos sesenta y siete años, pues
aun dormido estoy seguro que la acariciaba,
y resultar que en otros tantos viajes que por
lo menos tengo en mi hoja de servicios de
turismo es esta la primera vez que llego
tarde a la salida!... ¡Haber soñado que des­
pertaría convertido en habitante de un mun­
do extraordinario, y seguir siendo un vulgar
ciudadano de éste!... No me resigno, no.
— Pues éste no es tan malo— dijo son­
riendo Leblonde.
— No, yo no lo denigro; yo no hablo nun­
ca mal de nadie, pero preferiría aquél.
— Yo no acabo de entender— dijo Santia­
go— . ¿De qué mundo habla usted?... ¿No
está usted en éste?
— Pues por eso me quejo, yo quería estar
¿n el que se ha ido.
— Dirá usted se ha quedado,
— N of hombre, si yo quería irme en aquel.
— ¡E a!, z’acabó: bazta de guaza. No ven
ustés que er pobretico lo ziente mucho... No
z’apure, que ezte no ez ezte, zino aquél: no,
no, ar revé.

i

«

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

í)4

—¿Cuál?
—E r güeno, er mejorizimo, er c"a inventao mi ama, er novimundo, er archimundo.
— ¡A h!... ¡Oh!... Entonces he llegado. Iré
en el viaje.
— ¡Qué ha de ir, va y a!... Vengazté, hom­
bre, y mire, y quédeze o tra vez zorbetizao.
Al decir esto, abría las ventanas. Y al ver
e n tra r la luz, exclamó asombrado el foras­
tero:
Pero si son las veintidós. ¿Cómo no ha
anochecido?
—Ezo era allá: acá no anochesemos. Ha
zuprimío ezo mi ama.
— ¡Qué atrocidad de L una!... ¿Cómo ha
podido crecer así?
—Hombre de Dió, si eza ez la Tierra, y
la Luna aquella chiquetica que va a zu
vera.
— ¡Entonces!... ¿Es que...?
—Y er Zó y laz E ztrella: tam bién cozas
de mi ama. Y allá, m irelaté, aquella ez Ve­
nus, ande vamos.
—Entonces, entonces estoy en el Autoplanetoide, en el cielo, en el cielo: no he per­
dido mi sueño, no he perdido mi congel...
—No lo diga otra ve hazta que no m ’enzeñe a pronunsiarlo de corrío. Si no lo dise
le regalo a ’sté un nombre, m ientras encuen­
tra el que ze l’a perdió.
—Un nombre. Sí: ahora conozco, como
nunca, que un nombre es cosa útil, nece­
saria.
—Pue ahí va, don Zimpático Tranquilo.
Y ahora, zin perder ya más tiempo, a llevar
eza carta y a prezentarle a ’sté a mi ama.
*

*

*

La presentación fué grata a M aría Pepa,
que hasta encontró adecuado el nombre de
adopción con el que Soledad había obsequia­
do al forastero, ordenando a Leblonde lo
asentara en el padrón de vecinos de Noviópolis.
Cuando leyó la carta tuvo la discreta
cortesía de ocultar que ignoraba quién fue­
ra, o mejor dicho, hubiera sido el Coronel
Ignotus, llegando a dedicar a su m emoria
alguna amable frase. Por último, y esto es
lo más interesante, firmo una credencial de

cronista de cámara, a favor de don Simpá­
tico Tranquilo.
Así entró en sus funciones im portantes
este personaje que, aun siendo quien p ri­
mero había pedido billete para el viaje, en­
tra de un modo inesperado en esta historia.
Días antes había recibido M aría Pepa un
anónimo, con malévolas insinuaciones res­
pecto al desmesurado y sospechoso equipa­
je de Leblonde, al cual se lo enseñó entonces,
amenazándole, en broma, con una revista
de inspección.
Acordándose de aquello, díjola él cuando
se retiraba en compañía de don Simpático,
a quien había decidido hacer su huésped:
—Ya ve la señora Capitana cómo se ju s­
tifica el gran volumen de las cajas de mi
equipaje.
—De la caja querrá decir usted, porque
este caballero no ocupaba más que una.
—¿Y usted qué sabe cuántos caballeros
irán saliendo todavía de las otras?
Ocurrencia que a todos hizo soltar la car­
cajada.
Otro detalle digno de mención relativo ai
desengaño que A ristides tuvo con su hués- '
ped:
—Gracias a Dios—decía al reto rn ar a
casa—, ya no tendré que comer solo: come­
remos a dúo, charlarem os; y espero que mi
deseado compañero de mesa h ará cumplido
honor a ella. Ya verá usted, no es del todo
mala.
—A la conversación respondo de hacer
honor completo, pero para comidas no soy
buen compañero: ¡como tan poco!...
Y lo más grave fué que todavía comió
menos, pues con indignación de Aristides,
renunció don Simpático a los guisos de Juan
por preferir las químicas comidas de ChuFo. Pero, eso sí, m ientras uno mascaba y
engullía cosas solidísimas y absorbía el otro
gases y más gases, charlaban ambos de lo
lindo.
— ¡Ingrato!—le decía Leblonde entre {Va­
go y tajada.
—Así toca usted a más. Y por lo menos
ya no puede quejarse de no ten er palique.
Véase por dónde los sutiles m anjares que
Juan seguía recogiendo en casa de Chu-Fo,
sirvieron ya para algo más que para cubrir
las apariencias.

DEL

OCEANO

A

VENUS

9->

i

XXI
LAS BORRASCAS DEL ETER SIDERAL
Volviendo, por expresivo, al sím il de la
pelota volteante al extremo de una cuerda
su je ta por la mano en torno de la cual df
vueltas aquélla, se advierte que desde el 16
de septiembre, en que el Autoplanetoide re­
basó la línea n e u tra de las gravedades,
donde, por opuestas e iguales, se equilibra­
ban las atracciones sobre él de la T ierra y
el Sol, éste y no aquélla hacía el papel de
mano. La cuerda, representada h asta en­
tonces por la gravedad terrestre, quedó re ­
em plazada por la atracción solar, que h a­
bría hecho caer al orbim otor en nuestro cen­
tro planetario, a no estar impulsado por
una fuerza que, como a la pelota de la com­
paración, le hacía g ira r en torno de él. Dicha
fuerza le era com unicada por una de sus
cargas ecuatoriales, haciéndole recorrer en
los cielos una órbita interior, casi p a ra ­
lela a la que la T ie rra describe anualm ente
en su movim iento de traslación , pero un
poquito, tan sólo un poquitín—270.000 ki­
lóm etros—más cercana al Sol que ella, por
la cual avanzaba con velocidad media de
31.950 m etros al segundo (1): sin pararnos
en m enudencias de 20 ó 30 m etros más o
menos.
Con tal m archa llevaba recorridos el or­
bim otor el día 23 de diciembre 263 millones
de kilóm etros.
A la salida de la T ierra veíase Venus,
como estrella de la tarde, a distancia de 140
millones de kilóm etros; desde la entrada en
las regiones del espacio, donde siempre es
día, era visible, a todas horas, a la izquierda
del Sol, y acercándose progresivam ente a
éste el A utoplanetoide conforme avanzaba
en el viaje que, como la T ierra y Venus, rea­
lizaba en torno de él y en el mismo sentido
que éstos: semejando los tres mundos otras
ta n tas caballerías, y perdónese la com para­
ción, que, enganchadas a distancias cre­
cientes del m alacate de una noria—el Sol—,
dieran vueltas a ella.
Las de afuera, orbim otor y T ierra, sobre
ir muy cercanas, cam inaban a pasos poco
diferentes; Venus, que daba vuelta mucho
m ás pequeña que el mundo de Adán y que
(1) La de la Tierra alrededor del Sol viene a
ser de 32 kilómetros.

el de M aría Pepa, iba acercándoseles, ga­
nando paulatinam ente la ventaja que a la.
salida la llevaban, y al cabo se interpuso
entre el Sol y ellos el día terrestre 12 de di­
ciembre, dejando de ser vista como estrellar
p ara presentarse como puntito negro en el
borde del disco solar, en el cual se ad en tra­
ba de día en día, h asta llegar, el 24, al cen­
tro mismo de él.
Sol, Venus, Novimundo y T ierra esta­
ban por este orden en línea recta, quedando»
reducida la distancia entre Venus y T ierra
a la m ínim a posible en aquel año, de 42 mi­
llones de kilóm etros (1). El aviestelar es­
taba 270.000 kilóm etros más cerca que el
mundo del térm ino del viaje, cuya últim a
y más breve etapa iba a comenzar, llevandoai prim ero a su destino, según cálculos y
plan de M aría Pepa, en unos cuatro días,
horas más, horas menos, con velocidad de
135 a 140 kilóm etros por segundo.
P a ra iniciar la caída en Venus, puso en
actividad la C apitana varias cargas borea­
les fuertem ente excitadas; y al cabo de una
docena de m inutos de realizada esta ma­
niobra, volaba el autosidéreo hacia el puntoadonde llegaría el planeta el 28 de diciem­
bre, día señalado p ara el arribo. La carrera
que había de" cubrirse en dichos cuatro días,,
teniendo en cuenta lo que durante ellos an ­
d aría Venus, era de 47 millones de kilóme­
tros.
Por efecto de la rápida m archa variaron
extraordinariam ente en tales días las apa­
riencias, ya para los viajeros habituales, de
la T ierra, de la cual se alejaban, y de Ve­
nus, hacia donde volaban, ofreciendo espec­
táculo y contraste sobre toda ponderación
im presionantes p ara hum anos ojos. 1
N uestro terráqueo mundo—visto el 24 de
diciembre, desde el m otoestelar, como una
enorme bola, de anchura quíntuple que el
Sol y superficie .veinticinco veces mayor,
en la que apreciaban perfectam ente las for­
m as de América, del antiguo continente,
Europa, Asia, A frica y de los principales
m ares—redújose en seis horas a la m itad de
(1) Repítese que aquí, y en cuantos casos se­
dan distancias astronómicas, se entiende son pro­
medios aproximados de valores constantemente
variables.

93

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

aquel descomunal tamaño, infundiendo pa­
vor a los viajeros aquel vertiginoso encogi­
miento de la Tierra, que amenazaba con­
vertirse en total consunción. A las treinta
horas habíase reducido al quinto, es decir, al
tamaño aparente con que era visto él Sol.
Después siguió menguando, menguando,
para convertirse el tercer día en un sober­
bio y enorme lucero, con el que ni remota­
mente podían compararse los más hermosos
y fulgentes luminares del firmamento.
—Aun así vista, ¡qué hermosa es— decían
los viajeros—nuestra Madre Tierra!...
Todavía más tarde fué la estrella enco­
giéndose progresivamente hasta que cuando
ya el orbimotor llegaba a las cercanías de
Venus, su tamaño era casi doble del de este
planeta visto desde la Tierra; pues, fundida
ésta en un solo astro con la Luna, aparecía
agrandada; y porque cuando Venus se halla
más cercana a nosotros, tiene cuartos como
puestro satélite, mientras que lleno se pre­
sentaba siempre a los novimundianos el
mundo donde habían nacido.
A la par que menguaba la Tierra crecía
el Sol, al acercarse el Autoplanetoide a Ve­
nus. Visto este planeta por el hemisferio
que, por opuesto a aquél no estaba alum­
brado por la luz solar, era un puntito negro
sobre aquella dorada superficie, que ensan­
chando, ensanchando, tenía al comenzar el
tercer día dimensiones sensiblemente igua­
les a las del lucero incomparable formado
por el mundo; sólo que en vez de brillar
como plata en el cielo, semejaba un agujero
negro, abierto en la esplendente faz solar.
Creció la anchura del obscuro boquete a la
de una, dos, tres lunas, cuando muerde al
Sol en los eclipses parciales de éste, pero un
eclipse que duraba horas y horas y horas
hasta que hacia las once de la noche, o me­
jo r dicho, a las 23—pues en el orbimotor era
de día— , del 28 de diciembre, quedó libre
de macas la superficie del Sol, pudiendo los
novimundianos contemplar al lado de su do­
rada redondez completa, una argentada y
estrechísima o sutil media luna de angosta
hoja y afiladas puntas, separadas por dis­
tancia triple de la que media entre los cuer­
nos de creciente luna. Pero fulgurante, con
brillantez incomparablemente más deslum­
bradora que la del astro que ilumina las
terrestres noches.
Hallábase entonces el Autoplanetoide no
más que a 750.000 kilómetros de Venus, a la
cual se acercaba con velocidad inconcebible
que hacía crecer despacio el tamaño del dis­
co solar, y rapidísimamente, no ya por mi­
nutos, sino por segundos, la separación en­
tre él y al plateado mundo venusiano, que
al huir del Sol crecía y se hinchaba. Con­

virtióse el filillo plateado en lo que llaman
los chiquillos rajita del melón de la Luna,
y luego en semicírculo como el de ésta al
llegar al primer cuarto. En este aspecto,
pues, de Venus creciente, se presentaba el
planeta al planetoide hacia las 23 y media;
pero habiendo crecido en media hora a las
descomunales dimensiones de ocho lunas y
media en anchura y altura, y en superficie,
como 72 de ellas.
Comparándola con el Sol, tenía diámetro
de cinco y media veces el de éste, a su vez
aumentado a'vez y media como aquí lo ve­
mos.
Marchaba todo a pedir de boca, y llegado
el orbimotor a 150.000 kilómetros del tér­
mino del viaje, faltaban solamente unos
minutos para que a su arribada a aquel
mundo preñado de misterios gritaran los
autoplanetianos: “ ¡T ierra!...”, es decir,
“ ¡Venus!”
Mas, por desdicha, a, última hora, Venus
esquiva retiraba los brazos antes abiertos
para recibirlos, y el Autoplanetoide corría
sin freno a la catástrofe de que el lector tie­
ne noticias por el documento que María
Pepa disparó a los venusianos, y reexpidie­
ron éstos a la Tierra en el interior de un
proyectil de afrodinio, del cual se habló en
la primera parte de esta historia.
Que el Autoplanetoide caía en el Sol en
vez de caer en Venus ya lo sabemos desde
entonces. Pero ¿por qué caía?...

Pocos minutos después de surgir sobre el
negro fondo del cielo, y junto al Sol, la es­
trechísima media luna venusiana, observa­
ba Ripoll con sus anteojos las estrellas, y
dictaba a Fognino los resultados de sus ob­
servaciones, que utilizaba el geómetra ita­
liano en calcular la posición del Autoplane­
toide en el universo. Era esta operación (1)
repetida a diario de hora en hora, turnando
en ella los sabios citados, Haupft y algunos
astrónomos y matemáticos del pasaje. De
ella deducíase el rumbo del Autoplanetoide,
por la comparación de sus posiciones, al
comienzo y al fin de cada hora, para modi­
ficarlo, si preciso fuera, contrarrestando me­
diante excitación de cargas oportunamente
elegidas los efectos de los incesantes cam­
bios en el conjunto de atracciones estelares,
variables de uno a otro punto del espacio, y
capaces, aun siendo sumamente débiles, da
(1)
El sistema era muy sencillo : las direcciones
a tres estrellas muy lejanas daban en su punto
de concurrencia la posición del orbimotcir, y una
cuarta visual a otra estrella comprobaba las an­
teriores observaciones. Era la aplica* ion del vul­
gar problema topográüco de Photenot.

DEL

OCEANO

producir desviaciones en la ruta del orbimotor, de no ser dominadas con adecuadas
descargas.
Recto a la hermosa estrella Rigel se di­
rigía el rumbo que entre las 24 del 28 de
diciembre y la una de la madrugada del 29
debía llevar al Autoplanetoide al mismo
sitio, donde a la misma hora llegaría Venus.
Más de una hora llevaba María Pepa de
frenar marcha con las cargas australes,
preparándose para el aterrizaje, cuando con
la cercanía del planeta creciera la atracción
venusiana en términos de sobreponerse a la
solar. E l momento en que ocurriera esto in­
dicaría el comienzo de la caída en Venus,
cuyo desmesurado crecimiento contempla­
ban suspensos los osados hijos de la Tierra
que a su conquista se lanzaban.
De pronto Ripoll, perfectamente Impues­
to de que en aquella última etapa del ca­
mino debía ver constantemente a Rigel
bastante separada del Sol, echó un taco que
no fué ninguna de' sus habituales reconge­
laciones ni porras, sino otro que es discreto
■omitir, diciendo:
— i...! No vamos hasia Rigel, sino dere­
chos a la estrella Delta de Orion.
— ¡Cómo!... No puede ser. Dicta, dicta...
— No hasen falta cálculos, Fognino: la
■desviasión de rumbo es tan enorme, que se
apresia sin asomarse a los anteojos. Mira las
posisiones respectivas del borde del Sol, R i­
gel, Delta, y acuérdate de cómo se veían liase
media hora.
— Verdad, verdad— contestó Fognino, sin
dejar al catalán terminar la frase— : a sim­
ple vista se advierte el cambio... Pero en­
tonces...
— Es que algo grave ocurre. Vamos co­
rriendo a desírselo a Pepeta.
Pepeta andaba ya escamada por dos razo­
nes: primera, porque mirando la esfera d.e
maniobra advertía progresiva pereza de las
cargas, a despecho de los aumentos ordena­
dos por ella en el voltaje de la corriente ex­
citadora; segunda, por alarmarla la extra­
ordinaria rapidez con que la rajita, o rajaza
más bien, del celeste melón venusiano en­
gordaba de modo que su paso de nueva ai
prim er cuarto, en la terrestre luna realizado
en siete fechas, no tardaría, según cuentas
de la Capitana, más de media hora en efec­
tuarse, mostrando a los viajeros media V e­
nus completa correspondiente a su cuarto
creciente.
Y se alarmaba María Pepa por saber que
de ir el planetoide recto, cual debiera, al pla­
neta, lo abordaría por su hemisferio opuesto
al Sol, en el cual era noche: es decir, por la
parte obscura situada entre los cuernos del
creciente, que en vez de ir engrosando tenia,
DEL OCÉANO A VENUS

A

VENUS

97

lógicamente, que desaparecer por completo
para los viajeros, al caer en Venus comple­
tamente nueva: que ya se entiende quiere
decir, no remozada, sino en sombra.
De aquí que antes de darle sus viejos la
noticia, ya había advertido María Pepa que
en lugar de ir a Venus se separaban de ella
y corrían hacia el Sol; aunque no sospecha­
ba todavía queda desviación de rumbo fuera
tan grande cual le participaron ellos, i
— ¿Otra criminal tentativa?... N o: en la
actual situación del motoestelar no cabía
admitirlo sin suponer propósito suicida en
el autor de ella... Además, la paulatina debi­
lidad de las cargas impulsoras sugerían la
idea de alguna causa natural, aunque igno­
rada, que la produjera.
A l cabo se extinguieron totalmente los
tenues resplandores de la esferilla de ma­
niobra. Se intentó excitar otras cargas, y
las dínamos de la central no consiguieron
producir la menor actividad en las cápsulas,
aun cuando la marcha de los inducidos de
aquéllas se elevó a no sé cuántas revolucio­
nes por segupdo.
— ¿Qué pasa aquí?... ¿Que pasa?— decía
Fognino.
— Vamos al Sol derechos. Mira, mira, Pepeta...
— Eso es lo que pasa: que si no lo evita­
mos, caeremos en el Sol: no, estamos ya ca­
yendo; y Nque el hermoso astro, luz y vida
de todos los planetas, es para el nuestro
amenazante hoguera; que si Dios no reme­
dia lo que yo dudo mucho me sea posible re­
mediar por desconocimiento de sus causas,
dentro de pocos días moriremos abrasados
mucho antes de llegar a su seno. Abuelito—
agregó dirigiéndose a Haupft que ignorante
de todo llegaba entonces— se me cae al Sol
mi pobre mundo, y yo no acierto a detener­
lo; pues la corriente máxima no produce
descargas en los tubos excitadores.
Era la primera vez que sus abuelos veían
a María Pepa, no abatida, pues no cabía en
ella cobarde abatimiento; pero sí desconfian­
te de sus propios recursos. Por ello les pro­
dujo mayor impresión, al extremo de esca­
pársele al catalán la siguiente pregunta:
— ¿Es que desesperas, Pepeta, que renunsias a luchar?
— ¿Con qué armas, papá Ripoll?— replicó
ella, con extraño tono, tal vez nacido de in ­
diferencia ante la muerte, y ocasionado por
las melancolías de que ya hemos hablado.
— No sé; pero otras veses, en otros tran­
ses, te hemos visto más resuelta, más...
— ¿Es que vas a entregarte sin lucha?—
preguntó asombrado Haupft— . ¿Sin defen­
der la existencia de tu orbimotor, ni las
vidas de quienes lo pueblan?...
I

7

98

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

—¿Es que la femenil debiliduu— «¿regó
Fognino—que en ti no conocíamos puede
más ahora que el valor y el deber de la Ca­
pitana, cuando les son más necesarios?
—No—gritó María Pepa, en quien la idea
del deber, hábilmente despertada por el na­
politano, se sobrepuso a ios dolores del co­
razón adolorido por un amor sin esperanza.
—No—gritó al mismo tiempo el impulsi­
vo catalán indignado de que nadie pudiera
pensar tal de su Pepeta— . No... ¡Recongelasión!... Fognino, esas son tonterías.
—No, no: no he olvidado mi responsabili­
dad ni mis deberes, ni deserto del cumpli­
miento de ellos. Estoy tranquila. Pero mien­
tras no sepa..., en tanto no reflexione..., y
sobre todo, hasta que no conozca el porqué
de esto... Mas lucharé, podéis estar seguros.
Pero es preciso que como siempre, me ayu­
déis a hacer cuanto podamos, si podemos
algo, por la común salvación. Tú—agregó
dirigiéndose al italiano perspicaz que, ha­
biendo Aristo claro que a la pobre muchacha
no la sonr#ía vida sin posibilidad de amor,
supo vigorizarla invocando é l deber— , vete
inmediatamente a la central y examina las
dínamos y los carretes, para ver si allí en­
cuentras la causa de esta inexplicable ave­
ría. Tú, abuelito, sabiendo que hace media
hora estábamos a 108.577.200 kilómetros del
Sol, que marchábamos a 139 kilómetros por
segundo, y que ahora vamos a merced de
su atracción, sin fuerzas propias que opo­
nerle, calcúlame cómo irán creciendo, de

cinco en cinco horas, las velocidades de nues­
tra caída por efecto de dicha atracción du~
*rante los venideros días, y lo que en cada
uno de esos intervalos disminuirá nuestra
distancia a él. Y tú, papá Ripoll, a tus ante­
ojos, en seguida y luego a tus anuarios y
compases: pues dentro de dos horas nece­
sito un plano exacto de nuestra marcha ai
Sol y del camino que Mercurio recorrerá en
el universo desde ahora hasta dentro de
cuatro o cinco días.
— ¡Mercurio!—gritaron a la vez Ripoll y
Haupft queriendo adivinar la idea que ama­
necía todavía borrosa en el cerebro de Ma­
ría Pepa.
—Mercurio— dijo Ripoll—nos viene a los
alcanses ya muy serca: casi casi nos pisa los
talones.
Ha de advertirse que para el astrónomo,
habituado a medir las distancias por años y
por parsec de luz (1), aquel muy cerca sig.nificaba 60 millones de kilómetros.
— ¡A h !—dijo Haupft.
—No os hagáis muchas" ilusiones, pues
aunque consiguiéramos caer en Mercurio,
en vez de caer al Sol, es lo probable no ga­
náramos sino hacernos trizas en vez de pe­
recer abrasados; pues con la velocidad acu­
mulada que nos darían los 50 millones de
kilómetros de caída que llevaríamos al lle­
gar a ese planeta, nuestro cinetorio no ten­
dría fuerza para oponerse a ella. En fin, allá
veremos

XXII
BREVISIMO,

PERO

SENSACIONAL

Al quedarse sola María Pepa tornó la vis­
ta a Venus, que seguía engrosando y acor­
tándose; y cada vez más vertiginosamente.
Pero a despecho de la mortal amenaza que
ella leía en aquel cambio de dimensiones y
aspecto, era tan admirable el espectáculo del
soberbio y descomunal astro, que la hizo o!
vidarse, siquiera fuera breve tiempo, de
todo menos de la inefable maravilla que sus
ojos contemplaban. Y queriendo recrearse
en ella a su sabor, cogió un anteojo y lo
asestó a la deslumbradora superficie del pla­
neta, que brillaba con su peculiar brillo,
pero centuplicado y único en los cielos, de
nieve herida por el Sol.
En las puntas de la melia luna venusiana, envueltas en espesa bruma luminosa­
mente opalina, nada podía verse del suelo

CAPITULO

del planeta velado por aquélla; pero hacia
el centro de él, y a través de fugaz jirón en:
las densas y argentadas nubes, se percibían,
aun cuando brevemente para quedar muy
pronto ocultos otra vez por los espesos nu­
barrones, * islas, continentes y mares, cuyo:
trazado y mapa dejaremos para ser descri­
tos cuando no nos asuste, como ahora, la es­
pantosa catástrofe hacia la que el motoestelar se precipita.
Pero ofrecía una particularidad extraña,
el astro, y era que en su parte obscura, don­
de nada debiera percibirse por no alum­
brarla el Sol, se veía una zona tenue más
(1) A ñ o de luz igual 9.619.739.800.000 kilóme
tros. Parsec de luz, 310.745.148.340.000 kilómetros»
Siglo de luz, 961.973.9 8 0 .000.000 kilómetros.

DEL

OCEANO

perceptiblemente iluminada por resplando­
res de luz verdosa estriada con filamentos
rojos y violáceos. Y, sin embargo, la Capi­
tana, por lo común muy observadora, no
prestó atención a ello, por preocuparle prin­
cipalmente la sospecha de la existencia de
habitantes en Venus; y con curiosidad fe­
bril e interés apasionado salióse del despa­
cho a la azotea, para mirar por un anteojo
de aumento muchísimo mayor que el recién
empleado, entreviendo con él monumenta­
les edificios de color verde y violeta, gran­
des lagos, de formas geométricas, vastas
urbes, fabriles factorías, moscas en las que
por instinto adivinaba el corazón, más que
la mente, aeróstatos o aeroplanos, si no
iguales en formas a los de nuestro mundo,
análogos a ellos por Ja finalidad. Pero todo
ello duró poco, pues se cerró en seguida el
desgarrón de nubes.
La sacó de su arrobo el vocerío del pue­
blo, entusiasmado con la contemplación de
aquel hermoso mímelo, y las aclamaciones
con que era por la plebe festejado, desde los
balconcilles, el que ya creían, cercano des­
embarco.
— ¡Desgraciados!— no pudo menos de ex­
clamar en alta voz.
— Van a morir... ¿Verdad?— preguntó a
su lado otra que Ja sobresaltó: no solamente
porque se creía sola, sino porque reconoció
inmediatamente la de Pairelo, que en pie se
hallaba a dos pasos de ella, turbándola al
extremo de no serle posible contestar en el
primer momento.
— Lo he observado en la hinchazón anó­
mala y en el acortamiento de ese mundo
incomparable a que nos traía usted. Lo he
visto claro cuando a medida que se encen­
día en él la aurora que ahora alumbra su
polo boreal (1) iban extinguiéndose los res­
plandores de las cargas del avisidéreo...
(1) Las auroras polares, cuya' contemplación
es relativamente frecuente en las largas noches de
las altas latitudes, constituyen meteoros que ya
en 1714 presentía el astrónomo Halley ser debidos
a fenómenos magnéticos ocasionados por descargas
eléctricas a través de las altas regiones de la at­
mósfera.
Tales auroras constituyen un hermoso espec­
táculo de impresionante belleza.
En las cercanías del horizonte se obscurece el cie­
lo en una zona de forma de segmento circular, que
en su parte más elevada toma a veces tonalidades
de violeta obscuro en la inmediación de la franja
luminosa, que cual un arco iris— salva la diferen­
cia de coloración— envuelve la región obscura, e in­
ferior a él, del firmamento. Este arco es la base de
la aurora polar.
)
Su anchura varía entre la de una a tres lunas;
el color, blanco brillante en la parte inferior, se
deslíe, subiendo, en un celeste suave, y al esfu­
marse en la zona superior suele ostentar verdes
reflejos.

A VENUS

Vamos a morir... ¿Verdad?... A morir los
dos...— prosiguió Alvaro.
María Pepa, que a haber sido otro quien
la hablara, habría atendido solamente a la
correlación establecida entre la aurora bo­
real de Venus f la extinción de las cargas,
no hizo alto al pronto en ella, porque en el
pecho se le hinchó el corazón al oír aquel
morir los dos de Alvaro, pronunciado sin
miedo, con vigorosa entonación, en la que
casi se advertía voluptuoso deleite de que
algo, aun cuando fuera la terrible muerte,
lo uniera a María Pepa.
Por eso, hondamente conmovida, no se
acordó de orbimotor, de mundos, ni univer­
sos, ni pensó sino en aquellos dos en que al
morir doscientos sólo pensaba él. Y no pudiendo contestar a su pregunta con engaños
ni evasivas, respondió con leal franqueza y
voz solemnemente tranquila:
— Es casi seguro.
— Pues por eso he venido: para que sepa
usted que entre tantos desdichados que con
terror verán llegar la muerte, hay uno a
quien la muerte librará de la desdicha. Por
que no sé qué pienso, ni qué debo pensar, de
usted, de mí, de... de nadie; pero sé lo que
siento, y habría callado a no ser nuestra
muerte tan cercana: sé que no me resigno a
Pero en las auroras más brillantes lucen sensi­
blemente paralelos al arco mencionado otros más
elevados y distantes de él, formando una sucesión
de coronas de poética luz que alumbran durante
varias horas, y en las cuales el arco o arcos no es­
tán quietos ni un solo instante: ensanchándose,
estrechándose, ondulando.
Pero cuando el espectáculo raya en sublime mag­
nificencia es cuando el arco luminoso^ se convierte
en núcleo) de donde hacia la altura irradian infi­
nidad de refulgentes dardos, que con la rapidez de
la centella suben hasta la mitad de la bóveda ce­
leste, dividiéndose arriba en otros rayos secunda­
rios y tomando el aspecto de haces luminosos, que
por lo común ascienden verticalmente, no conser­
vando jamás la misma forma cinco minutos se­
guidos, sino que ondulan como leve cendal por el
viento agitado; palidecen en seguida, poco a poco,
y desaparecen por último dejando el campo libre a
otros rayos, que si son muy brillantes, ofrecen con
frecuencia colores verdes o rojo obscuro. Los rayos
lanzados por el arco y sus luces titilantes se ele­
van hasta el cénit, forman una corona aue cons­
tituye la parte más hermosa y notable del fenó­
meno, convirtiendo el firmamento en una cúpula
de fuego sostenida por columnas de luz diversa­
mente coloradas. Al disminuir la fuerza de los ra­
yos desaparece la corona, substituida por un res­
plandor pálido que aumenta por momentos y lue­
go se extingue. Con su último fulgor acaba la auro­
ra polar.
Halley Von Humboldt, Argenlander, Wrangel,
Siljestrohem, Wilsen, Wijkander, Zollner, Sir Wi­
lliams Itamsay, Birkeland, Arrbenius, Poulsen,
Yillard, Andrée, son unos cuantos nombres de los
principales físicos y astrónomos que, desde co­
mienzos del siglo x v iii hasta nuestros días, han
estudiado la apariencia y las probables causas de
las auroras polares.

10 0

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

m orir, ni menos todavía a que usted muera,
sin haberle dicho, sin que usted me haya
oído que, merézcalo o no, la quiero al punto
de serm e grato perder vida que, no vivida
con usted, es dura carga.
Y dando media vuelta, antes que M aría
Pepa pudiera reponerse de su inm ensa emo­
ción, volvió la espalda y desapareció por la
escalera que bajaba al zaguán de la Co­
m andancia.
E lla no intentó detenerlo, no lo llamó, no
tuvo fuerzas sino para sen tir la mayor feli­
cidad en su vida gozada, no obstante ser
aquel momento el de la ru in a y el fracaso de
sus más caras ilusiones: felicidad que alum ­
braba su alm a con fulgor tan intenso, que no
dejaba ver tinieblas de catástrofe y muerte.
Y ante la inesperada perspectiva de una
vida m ejor que aquella que unos minutos
antes no le dolía perder, el corazón se le
subió a los labios, gritando en ellos:
—No, no: m orir ahora no... Vivir para
él.. Yo salvaré el Autoplanetoide, yo le sal­
varé a él... ¡Imposible, imposible!—excla­
mó desesperada llevándose ambas manos a
la» frente—. Es de otra, es de esa... Yo no
puedo, yo no debo pensar en- ese hombre—.
Y al decirlo corrió al pretil de la azotea, para
verlo alejarse por la plaza y echarle la pos­
tre ra m irada, que era su despedida a la en­
trev ista felicidad imposible.
No estaba ya. M aría Pepa no vió sino la
m ultitud regocijada con el que ya creía in ­
m inente aterrizaje en Venus.
—E n esos, en todos esos debe pensar no
m ás la Capitana del orbim otor—díjose la
valiente m uchacha—. P or la salvación de
ellos tiene el deber ineludible de luchar. Si
el corazón entero es de él, mi pensamiento
será de ellos.
Y en el punto mismo de pensar esto, cual
si h asta entonces no llegaran a su cerebro
las palabras que hacía ya rato dejó caer
F airelo en sus oídos, exclamó, apreciando
de pronto su significado:
— ¡Salvarlos!... Sí, sí, es posible; tal vez
probable... E sa aurora boreal... Las cargas...
Tiene razón... E sa es la causa... Ahora que
la conozco intentaré luchar con ella... Y si
logro salvarlos, no a mí, a él le deberán la
salvación; y yo la m ía por segunda vez. No
llegará a realidad ese sueño, de que él ha­
blaba ha poco, de unirnos en la m uerte;
pero nos unirem os en las vidas de esas dos­
cientas criaturas, aunque nuestras dos vidas
sigan separadas. L
¿Satisfacía esta unión los anhelos del al­
ma am ante de la pobre M aría Pepa? No es
m uy probable, pues al pensar en ella suspi­
raba; mas como hacía esfuerzos para subs­
trae rse al recuerdo de Alvaro, serenar el

juicio y convertir el perturbado espíritu de
la débil m ujer en esforzado ánimo de la Ca­
pitana, como al cabo pareció conseguirlo, no
hemos de ahondar nosotros donde se re­
sistía ella a continuar ahondando./'
Tenía razón Alvaro. El suave resplandor
que ilum inaba parte del hem isferio por el
Sol dejado en sombra en Venus era, en efec­
to, una aurora boreal luciente en el polo
de este nombre del planeta, y ella la causa
de la perturbación ocasionada en la m archa
del autosidéreo.
Pero ¿cómo?, ¿por qué?... Porque las au­
roras polares, cuya lum inosidad es debida
a fenómenos electromagnéticos, según pa­
recía ya saberse en este siglo XX (1), y eran
(1) Ya se ha dicho que en 1714 el famoso as­
trónomo Ilalley había sospechado algo sobre la
causa eléctrica de las auroras polares. Más ade­
lante, en tiempos ya cercanos—no hablamos en
2186, sino 1919—el ilustre físico noruego Birkeland explicó según su teoría, qué corpúsculos de
electricidad negativa, o sea electrones, son los que
dan origen a las auroras polares, indefectiblemen­
te acompañadas de perturbaciones magnéticas;
pues es sabido que entre electricidad y magnetis­
mo existe siempre grande simpatía o irresistible
repulsión, pero jamás indiferencia.
El profesor sueco Arrhenius opina que estos elec­
trones no llegan a la Tierra en virtud de fuerzas
eléctricas, sino rechazados por la luz radiante del
Sol que ante sí los empuja. Pues que la luz es tt¿m
fuerza y que ejerce presiones ha sido demostrado
por Hull y por Nichols, y a las claras lo dicen
los cometas que al alejarse del Sol llevan colas, no
detrás de ellos, sino precediéndolos, porque las ga­
seosas partículas que constituyen estos cometa­
rios apéndices son impelidas, como el núcleo prin­
cipal, por los rayos de la luz solar, pero, pesando
menos que él, se le adelantan.
Otro sabio notable, el Sr. Villard, ha hecho es­
tudios interesantísimos sobre estos mismos fenó­
menos. Y, por último, actualmente se producen ar­
tificialmente auroras polares en los laboratorios.
Muy pequeñas, es verdad, como encerradas dentro
de tubos X—de Crookes o catódicos más bien— ,
por los cuales pasan [descargas eléctricas, que
cuando son sometidas a la acción magnética (in­
terponiendo el tubo entre los polos norte y sur
de un poderoso electroimán) toman la misma apa­
riencia de dichas auroras.
Los electrones que dentro del tubo engendran la
descarga hacen en este curioso experimento el pa­
pel de los electrones solares que llegan a la Tie­
rra, y los polos de los electrodos desempeñan el
que en las auroras terrestres corresponde a los po­
los magnéticos boreal y austral de nuestro globo.
Por último, muchos astrónomos o físicos curio­
sos han medido la altura a que en la atmósfera
estallan las descargas entre las partículas electri­
zadas del aire de ella y las que del Sol vienen,
a las cuales se debe la luz de las auroras. Así,
Boskovich, Boller, Bergman, Dalton, Loomis, etcé­
tera, han obtenido alturas comprendidas entre 190
y 2.080 kilómetros, de donde han deducido que a
estas elevaciones, o por lo menos a otras no mu­
cho menores, existe aire tenue, tenuísimo, pero
aire al cabo es decir, aire ya no, pero sí gases
atmosféricos, lo cual da a nuestra atmósfera lí­
mites incomparablemente más remotos de los que
por mucho tiempo se le habían señalado.

D E L O CEANO
— debía decir serán—fenómenos perfecta­
mente estudiados en todos sus detalles en
el XXII, deben su origen & efluvios podero­
sos de electrones, es decir, microcorpúsculos
de electricidad negativa, lanzados a los mun­
dos, por el Sol, en cantidades que, siendo
siempre grandes, se hacen enormes en las
épocas de mayor actividad de las manchas
su disco y de las ígneas protuberancias,
de la corona solar, que constituyen verdade­
ros surtidores de gaseoso fuego, de donde
salen silenciosos huracanes eléctricos, mas
no por silenciosos menos potentes. Invisibles
estos electrones mientras cruzan el éter de
los espacios producen, al llegar a las altas
zonas de las atmósferas planetarias, eléctri­
cas descargas, choques por el estilo de los
que con ultramicroscópicas partículas de ma­
teria impalpable, tan leve que se llamó ra­
diante, se enciende luz en los tubos lumí­
nicos de Geisler y en los rayos catódicos;
mas con la diferencia de brillar a veces en
lo alto de las zonas polares encendiendo la
luz de las auroras de este nombre.
En cuanto al Autopianetoide, que no te­
nía atmósfera exterior, no podía disfrutar
de aurorast propias, aun hallándose envuel­
to, como lo estaba entonces, por las radia­
ciones que el Sol enviaba a Venus, mas no
por eso se substraía a la influencia eléctrica,
o más bien electro-magnética de ellas. Por­
que no ha de olvidarse que estaba su exter­
na superficie tachonada de cápsulas de cinetorio puestas en actividad mediante excita­
ción de ondas eléctricas engendradas por las
descargas de igual nombre producidas en el
interior de los tubos excitadores. Recorda­
do esto, fácil es comprender que el vendaval
de electricidad negativa, a terrible voltaje,
que a su paso del Sol a Venus envolvía al
orbimotor no permitía llegaran a cargarse
los excitadores, pues toda la corriente que
las dínamos engendraban no saltaba en los
tubos, en cadena de chispas, por derramarse
antes en el éter, arrebatada en el torrente
inmenso de la electricidad solar en movi­
miento (1).
(1)
Dicho más brevemente en términos técni­
cos, siendo la diferencia de potencial entre los

A VENUS

101

He aquí por qué quedó privado el Autoplanetoide de fuerza propulsora.
Todo esto lo vió de pronto María Pepa en
cuanto pudo darse cuenta de la alusión de
Alvaro al meteórico fenómeno que obser­
vara en Venus. Por si algo faltara para ro­
bustecer1 su convicción, al volver al despa­
cho, la brújula, que en él tenía montada, se
lo gritó con sus amplias, rápidas y descon­
certadas oscilaciones; pues es sabido que las
auroras polares determinan tremendas tem­
pestades magnéticas que enloquecen las
brújulas, perturbando su funcionamiento y
trastornando e interrumpiendo, a veces, el
funcionamiento de las líneas telegráficas, et­
cétera, etc. Y la borrasca de -tal clase que
arrastraba el minúsculo mundo de la Capi­
tana era muchísimo más violenta que cuan­
tas puedan registrar los observatorios de
cualquier mundo, por la misma razón que,
dada la cercanía del Sol a Venus, son en
este planeta las auroras incomparablemente
más intensas y luminosas que las de la
Tierra.
Sabido lo anterior, fácilmente compren­
derá hasta el más indocto porqué caía el
Autoplanetoide al Sol: hallábase a 150.000
de kilómetros de Venus y a 108 millones lar­
gos de aquél; era por Venus atraído con
fuerza igual al peso de 22.600 toneladas que
en el lugar en donde estaba era el suyo con
respecto al cercano planeta. Tiraba de él el
Sol con fuerza, mucho mayor, de 78.500.
Mientras- sus cargas le proporcionaron me­
dio de contrarrestar esta última atracción
pudo orientar su marcha hacia el mundo
que estuvo a punto de alcanzar; pero en
cuanto cesaron las descargas, las 22.600 to­
neladas de la gravedad venusiana fueron
vencidas por las 78.500 de la gravedad so­
lar: y al Sol comenzó a caer e\ Autoplanetoide, obedeciendo a la fuerza de ella.

electrodos positivos y negativos de los excitadores
incomparablemente menor que la existente entre lo:
primeros y el éter, electrizado negativamente por
el torrente de electrones, entre ellos y éstos se ve­
rificaban las descargas, y no entre los electrodos
de los tubos excitadores, que quedaban inertes.

102

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

XXIII
EL

CORREO

INTERPLANETARIO

Apenas M aría Pepa hubo formado reso­ y para rechazarlo, y para defenderse de él,
lución de luchar con la callada más te rri­
volvió la m irada al vasto semidisco de Ve­
ble tem pestad que co rría su mundo, se acor­ nus, y en él al continente rodeado de isletas,
dó de los trabajos que por un vago más
entrevistas en un claro de los densos nuba­
certero instinto había ordenado realizar a
rrones del planeta, que por extraño evento se
sus abuelos, sorprendiéndole cuán acordes
entreabrieron. Aquellas form as recordaban
con las necesidades de la realidad resulta­
vagam ente el trazado de la clásica penínsu­
ban las observaciones y cálculos a que sus
la griega, cosa no extraña en el p lan eta de
viejecitos se dedicaban en aquellos mo­ la helénica diosa del Amor y la H erm osura,
mentos.
y aquella semejanza le recordó la T ierra;
Mercurio, el planeta anegado en la luz
que mirando hacia atrás, vió allá lejos, muy
solar, casi sumido en los vapores de la ho­
lejos, chiquita, chiquitína cual m enuda ca­
guera de donde tom an vida los mundos pla­ beza de alfiler, pero brillando con intensa
netarios, pues de ella solamiente lo separa la
luz.
insignificante distancia de 58 millones de
—Allí está—díjose—, ignorante de esta
kilóm etros; Mercurio, en el que, casi irre ­ tragedia que am enaza a los tem erarios hijos
flexivamente, pensara M aría Pepa al creer
suyos que pretendíam os llevar su nombre
inm inente la catástrofe, podía efectivam en­ a todos los planetas...
te ser tabla de salvación del novimundo.
Y esa ignorancia de nuestro fin no se di­
¿Pero cómo, antes de saber la causa de la
sipará... ¿Quién sabe?...
caída, se acordó de Mercurio?...
Lo que de Venus he entrevisto, gracias a
Porque del mismo modo que el náufrago,
una casualidad rarísim a, revela un alto g ra­
perdido en medio de la só la s, cuando el bar­
do de civilización (1). A estas horas nos
co se rompe contra los arrecifes, no ve sino
acechan tal vez en sus observatorios con
el madero que más cercano tiene entre los
aparatos cuya potencia sobrepuja a cuanto
restos del desastre por el m ar zarandea
yo pueda sospechar; tal vez nos observaban
dos, ella no veía en las inm ensidades del
sus astrónomos de varios días atrá s; tal vez
Universo, donde estaba perdida, otra tabla
presumen ya el frustrado objeto de este
a que asirse que el cercano Mercurio. Cer­ viaje, y acaso nuestro rumbo les d irá ma­
cano, como dem ostrarán próximos sucesos,
ñana que caemos en el Sol, y su ciencia la
no obstante hallarse entonces a 49 millones
causa de n u estra caída.
de kilóm etros del Autoplanetoide, porque,
¿Quién sabe adonde llega la inteligencia
¿qué es tal distancia com parada con las que
de los hijos de Venus?
en el etéreo abismo separan a los soles y
¿Quién puede asegurar que no triu n farán
a las estrellas? Lo que un m ilím etro en re­ ellos en una em presa análoga a ésta en que
lación con la redondez entera de la Tie­
yo estoy a punto de fracasar, y que a la
rra. No: todavía mucho menos (1).
T ierra no lleven algún día, hombres de Ve­
Pero dejemos esto y vengamos a la Ca­ nus, la noticia del desastroso fin de esta h ija
pitana, que, sola en su despacho, y pensan­
de Adán que pretendió m edir sus flacas
do que todavía ta rd a rían los abuelos hora
fuerzas con las incontrastables fuerzas si­
y media en traerle el resultado de sus tr a ­ derales?...
bajos, sin conocer los cuales ni empezar po­
¿Quién sabe si antes establecerán etéreas
día a coordinar sus planes, se halló comple­ comunicaciones teleplanetarias?
tam ente a solas con el recuerdo de Alvaro;
Al llegar a este punto de su soliloquio
ocurrióle la idea a M aría Pepa de en v iar a
Venus, para reexpedición a Tierra, el m en ­
(1) No sin razón se califica de muy insignifi­
saje que conocemos desde las prim eras pá­
cante esta distancia, y de igual modo calificamos
poco ha la de Mercurio al S o l; pues otros orbes
ginas de esta historia, y empezó a redactar-

muchísimo más importantes que el pequeño pla­
neta, tales como Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno, giran en torno de aquél a distancias de 776,
1.421, 2.858 y ¡4.478! millones de kilómetros. Y
no hablemos de estrellas para cuyas distancias re­
sultan las anteriores puntos en la inmensidad.

(1) La casualidad a que aquí se refiere María
Pepa es la de haberse désgarrado las densísimas
nubes del planeta que cubr/n casi constantemente
la superficie de él con sus niveos vtpores.

DEL

OCEANO

A VENUS

103
— ¡Ah!... Vamos.
3o, interrum piéndola en esta ocupación la
entrada de A rístides que llegaba a infor­
—Y em peñará usted a todos mi formal
m arla de que sus policías le comunicaban
prom esa de que tan pronto hayan oído mis
la existencia de gran excitación entre los explicaciones, quedarán en plena libertad.
sabios de todas las naciones, reunidos desde Vaya, vaya en seguida.
una hora antes, en m isterioso conclave, en
E n cuanto salió Arístides, term inó M aría
el In stitu to de Experiencias, adoptando el
Pepa la carta, o más bien parte, que iba a
acuerdo, a propuesta de m istress Sam Bull,
enviar a Venus, insertando la final alusión
de pedir explicaciones a la C apitana sobre la al odioso papel que estaba cierta, aun fal­
extraña dirección que observaban en el orbi- tándole pruebas, había desempeñado Sara
onotor, y si preciso fuere residenciarla y exi­ en todo el viaje; pero teniendo la m agnani­
girle que resignara el mando en un comité de m idad de no nom brarla.
sabios presididos por la aviadora yanqui.
Una vez term inada la redacción del docu­
P or cierto que Leblonde esmaltó aquel
mento se levantó, y, sintiendo im periosa n e­
p a rte con tres o cuatro com entarios sobre
cesidad de averiguar algo que a despecho de
S a ra que no habrían sido nada gratos a los
su afán de saberlo no se había atrevido a
oídos de ésta, de llegar a ellos, y muy poco preguntar cara a cara a A iístides, corrió al
adecuados a oficiales informes.
teléfono para llam ar al In stitu to de Expe­
—¿Qué hago?... ¿Los detengo por embus­ riencias y ordenar que tan pronto llegara
teros?... ¡Mire usted que poner defectos al
allá el Sr. Leblonde se pusiera al aparato.
Dos minutos después, al avisarla el tim ­
rumbo, ahora, precisam ente, cuando ya es­
tam os a dos dedos de desembarcar en ese
bre de que A rístides aguardaba sus órde­
nes, tomó la bocina y esforzándose para
precioso mundo, digno de la diosa de su
nom bre!... ¿Pero no lo están viendo?...
disim ular el tem blor de la voz, dijo:
— No, amigo A rístides, no lo ven. Y aho­
—'Soy yo, Leblonde..., la Capitana... Ne­
ra tienen razón, porque tampoco veo yo tan
cesito saber los nombres de los sabios y sa­
inm ediato ni tan grato como usted el fin de
bias que componen la reunión de que me ha
n uestro viaje.
dado usted parte.
— ¡Cómo!... ¿Qué dice usted?... Pero si
Contestó Leblonde citando una larga re­
e s tá allí, al lado; si los dos cuernos de esa
tah ila de nombres y agregando al term i­
disform e luna me parecen ebúrneos brazos
narla:
q u e la diosa abre para recibirme.
—Además, en este in stante en tra en el
salón, por los otros llamado, el Capitán Fai— Déjese ahora de bromas, Leblonde: te­
nem os desagradables novedades. ¡
relo.
— Pues si tienen razón, aun son más peli­
— ¡Ah!...—exclamó M aría Pepa soltando
grosos, y aprem ia más prenderlos.
el aparato y dando u n suspiro de satisfr*'E n otra ocasión no habría dejado la Ca­ ción—. Ya sabía yo que él no podía estar
p ita n a de reírse de aquella lógica policiaca entre ellos... Ese hombre, ese hombre... ¿Por
qué se agarra así a mi pensamiento?... ¿Por
del Superintendente1*efe Vigilancia; pero no
estando entonces para ello, se lim itó a de­ qué no he de poder ap artarlo de él?...
c irle :
Pues tengo de poder..., y podré.
— No, Leblonde, no. Se presentará usted
Se pasó la mano por la frente, y aferrán ­
a esos señores, y les dirá que dentro de una
dose a unas preocupaciones p ara h u ir de
horia recibiré aquí, y daré explicaciones, a la
otras, llamó, telefónicam ente también, a
conuisión que han elegido.
Valdivia, cuyo servicio en el puente era
— ¡Explicaciones!... Me han cambiado a com pletamente inútil m ientras las cargas no
m i Capitana. Mire usted lo que hace.
funcionaran. Llamábalo porque además de
— No debo negárselas a criaturas expues­ prim er piloto era Jefe de A rtillería en el
tas a perder la vida, que para defenderla me
aviestelar, y en concepto de tal iba a em­
las piden. Pero agregará usted que m ien­ plearlo.
tras; tanto les prohíbo sa lir del Instituto,
Componían la citada artillería hasta una
y d ec ir nada a nadie de sus temores, previdocena de cañones de 18 centím etros, dis­
niémdoles que para evitarlo quedan, no p re­ tribuidos, por baterías de tres, en ¡as casa­
sos, pero sí vigilados, por tropa que llevará
m atas ecuatoriales, a u na de las cuales se
u ste d consigo, cuantos no den palabra de
dirigió M aría Pepa seguida del oficial.
som eterse a tales condiciones... Con excep­
Una vez en ella sacaron del inmediato
ción! de m istress Sam, que...
almacén de municiones un proyectil cuya
— ¡Cómo!... ¿E stá usted en su juicio?...
parte superior destornillaron, y en vez de
De rmodo que a esa...
introducir en su cavidad in terio r la carga
— A esa la vigilará usted, pero disimula- ■explosiva, o rompedora, m etieron en ella el
damiente, aunxuando dé palabra.
m ensaje arrollado.

104

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

Cerrada nuevamente la granada e in­
troducida en el cañón, acabaron de car­
gar éste con el cartucho cilindrico de tri­
ples paredes de cristal siderúrgico, con los
vanos entre ellas rellenados de algodón com­
primido. Este cartucho venía, pues, a ser
un frasco análogo, aun cuando perfeccionadísimo, a los de Dewar empleados en la
conservación del aire líquido.
Dicho cartucho contenía unas cuantas li­
bras de aire solidificado en granulos, envol­
viendo tres onzas de macronitrina que hacía
de fulminante.
Apuntado el cañón, no en dirección a Ve­
nus, sino según otra intermedia entre la del
planeta y la diametralmente opuesta a la
que la atracción solar ejercería sobre el pro­
yectil — determinada cuidadosamente por
cálculos que rápidamente hizo María Pepa—
se hizo pasar a través de la imacronitrina la
descarga eléctrica, que incendiando aquélla
y volatilizando el aire sólido, con el calor de
la explosión, desarrolló la colosal fuerza pro­
pulsora del proyectil, comunicando a éste
velocidad inicial de ¡seis kilómetros por se­
gundo! ...
Felizmente la chispa eléctrica saltaba en
el interior del Autoplanetoide, porque la
boca del cañón obturaba herméticamente
la plancha blindada, por él atravesada, de
la pared externa de la casamata. De no ha­
ber sido así, el estado eléctrico producido en
el exterior por la aurora boreal de Venus,
habría substraído las chispas antes de que
llegaran al fulminante.
Como la bala salía huyendo del Sol y
acercándose a Venus, que solamente dis­
taba 150.000 kilómetros de la boca de la
pieza, a cada instante de su marcha dis­
minuía la acción sobre él de la atracción so­
lar, y aumentaba la del planeta, bastándole
tan sólo para dar en el blanco llegar á sitio
donde la gravedad de Venus tirara preponderantemente de él. Y siendo suficiente para
ello recorrer no <nás que 34.000 kilóme­
tros (1) bajo la tortísima impulsión de la
carga aérea, era sumamente probable que
al fin cayera aquel mensaje en manos de
los habitantes de Venus.
¿Y luego?... ¿Sabrán reexpedirlo a la
Tierra?...
La contestación a esta pregunta es una
(1) A 116.000 kilómetros de Venus se equilibra­
ban aquel día las acciones de la gravedad del pla­
neta y la del Sol ; y como el Autoplanetoide dis­
taba 150.000 de aquél en el momento del disparo,
la diferencia da el número de 34.000 en el texto
indicado. Una insignificancia para la fuerza ex­
pansiva del aire sólido, sobre todo no habiendo de
vencer el proyectil resistencia de aire

Ripoll.

.— Nota de

incógnita para María Pepa; pero no lo es.
para el lector.

Poco después del retorno de la Capita­
na a la Comandancia, llegaron, uno trasotro y con escaso intervalo, los tres ancia­
nos, rindiendo sus respectivos informes.
Fognino declaró que en la central eléc­
trica no había avería aparente, sintiéndose
inclinado a atribuir la falta de excitación de
las cargas a externas causas: probablemente
a perturbaciones del éter sideral que envol­
vía al orbimotor.
Haupft traía el resultado de sus cálcuos
capaces de espantar al más sereno. ¡Qué es­
peluznantes velocidades adquiriría el po­
bre mundo de la Capitana, a tirones del Sol,
cada uno mayor que el precedente, por la
disminución de las distancias desde las cua­
les iría dando cada uno de los sucesivos, y
con acumulación de los efectos de todos, se­
gún la fórmula, en aquel caso horrenda del
movimiento, no uniforme, sino progresiva­
mente acelerado! ¡Qué inverosímiles des­
atentadas carreras en aquellos sucesivos pe­
ríodos de cinco horas, para los cuales las
había calculado el sabio alemán, con tal es­
mero que hasta traía puntualizadas al se­
gundo la fecha y la hora en que el desven­
turado ir ^planeta y sus desventuradísimos
pobladores se verían envueltos en las llamas
solares!...
¡Y lo decía tan fresco, como si aquello no
fuera con él: dando la solución como la de
cualquier problema teórico, sin concederle
externamente otra importancia que la de su
interés científico!...

Desgraciadamente, no entiende jota madcmoiselle Thellis de las ecuaciones e inte­
grales que embellecían los diez y siete gran­
des pliegos de papel donde campeaban las
ecuaciones matemáticas del sabio profesor.
Por eso no se dan detalles de ellas.
Cierto es que podría el autor, y hasta
acaso debiera, hacer los cálculos e insertar­
los aquí. Pero no tiene gana, y tal vez no la
tengan de conocerlos los lectores, que se sa­
tisfarán por ahora con saber que la caída,
de 108 millones de kilómetros, del Autopla­
netoide al Sol, habría de durar más de tres
días y menos de cinco. Y si tal vaguedad es
criticada, se empeña aquí formal promesa,
a quienes la censuren, de que si este libro
alcanza su décima edición, cosa que Dios y
el público le otorguen, se insertarán en ella,
terminados los cálculos para que los lecto­
res exigentes puedan saborearlos.
En un plano grandísimo, no obstante ser
su escala muy pequeña, traía don Jaume el
Sol, Venus, Mercurio, unos arcos de elipse

ITINERARIO

S I D E R E O -G K À F I t O

i

DEL
OCEANO

O

A
VENUS

^

105

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII
106
Indicadores de los caminos de los dos plane­
•—Una comisión, nombrada por los sabios
ta s durante cuatro días, y en dichos arcos
de todas las naciones, que viene a residen­
varios redondelitos, rojos para Mercurio y
ciarm e y a quitarm e el mando.
verdes para Venus, con una fecha y una
— ¡Recongelasión!—. Y el alm ogávar no
llora junto a cada uno. E ran los lugares
pudo por lo pronto decir más, porque le aho­
adonde, en los instantes por los letreros de­ gaba la ira.
clarados, llegarían uno y otro. Por último,
—No puede ser—gritó H aupft— Yo creo
casi en contacto con la diosa mitológica,
que deberías...
digo con el orbe planetario, un punto negro
Aquí no hay más sabios que nosotros—le
señalaba la posición del Autoplanetoide, en
el momento en que el astrónomo había co­ atajó Fognino, que, como el catalán, comen­
zaba a perder los estribos y a sentirse tam ­
menzado sus interesantísim as observaciones.
bién un poquito almogávar.
Por cierto que al asom ar la punta del
— ¡F u tro !... ¡R efutro!...—bram ó al cabo
enorm e rollo del sidereográñco plano por
•1a puerta del despacho se oyó una voz, toda­ Ripoll—. ¡Residensiar a mi P ep eta!... Que
entren, que entren, y veremos quién es el
v ía lejanaj que al otro extremo de él gritaba:
—Ya sé lo que es, Pepeta: la picara m an­ guapo que me lo dise a mí en mi cara. ¡De­
ponerte!... ¡Deponerte!... A hora verán, aho­
ch a del Sol que venía cresiendo liase dos
ra verán. Aquí no en tra ninguno.
días y que ha ensendido la gran aurora en
Venus: una torm enta magnética. Pero de
Y con los puños en alto se dirigió a la
puerta.
las gordas.
Contestó M aría Pepa que lo sabía ya,
—Quieto, papá Ripoll. E n estas solemnes
explicándose entonces H aupft y Fognino
circunstancias no tenemos derecho para ne­
las perturbaciones que anulaban la excita­ garnos a oírlos. Acaso traig an alguna idea
ción eléctrica de las cargas. Preguntóse a
más ú til que las m ías p ara la común sal­
Ripoll si columbraba indicios de cercano sevación.
renam iento de la m ancha; si era ésta muy
— ¡Mejor que las tu y as!... Como no tra i­
grande; si se movía de prisa, a lo cual no
gan...
pudo contestar sino que grande no era, pero
—Aquí no pueden tolerarse más ideas que
que en lo demás no había tenido tiempo de
las nuestras.
fijarse, atareado como estaba con su car­
—Es preciso...
tográfica faena.
—No.
—Pues es preciso que la observes en cuan­
—Sí. ¿Soy o no soy quien aquí manda?
to aquí acabemos—le contestó la Capitana—.
—Que no, que no entran. ¡Cómo no te de­
Y sometió a los viejos su proyecto para sa­ pongan!...
lir del trance, si tenía la suerte de que algún
—No necesitan ya tom arse ese trabajo.
claro en la borrasca le diera tregua para in­
—¿Por qué?...
tentarlo, antes de ser ya tarde para todo re­
•—Porque al n eg rrte a obedecerme ya me
medio. Pero cuando comenzó a hablar, llegó
has depuesto tú.
Eeblonde diciendo:
— ¡Yo!... ¡Yo!...
—Ahí están esos... Y esa.
—¿Obedeces?...
Si no, les diré, cuando en­
—Pues que suban, que suban en seguida.
tren, que hablen contigo y con Fognáno, que
Luego os diré cuál es mi plan, si es que no
sois quienes m andáis aquí ahora...
tengo antes que explicarlo delante de ellos.
-—No, no, Pepeta: hago lo que tú quieras:
—¿Pero quiénes son esos?—preguntó el
to obedesco.
im paciente catalán.

XXIV
ALEGRIAS Y DOLORES COMBATEN A LA POBRE MARIA PEPA
áeis sabios, de sexos indistintos, form a­
ban, incluyendo a Sara, que los presidía, la
comisión encargada de pedir explicaciones a
M aría Pepa sobre el extraño y alarmante
rumbo—subrayamos las palabras como las
recalcaba aquélla—del avimundo, y de llegar

a todos los extremos que preciso fuere p ara
que entraran en vereda él y su Capitana.
Fairelo era uno de los comisionados, y en­
tró el últim o; Sara, la prim era; él llevaba
actitud indiferente; ella, aun teniendo bien
acreditado su valor tem erario, no se avenía

DEL

OCEANO

a la probable m uerte; y su protesta se en­
crespaba pensando que esta vez no era suya,
como otras, la culpa de aquel riesgo, aca­
rreado por reales torpezas del mando, que
ansiaba echar en cara a su odiada enemiga,
humillándola, abrum ándola con su desprecio
de sabia, satisfaciendo, al paso, su aborreci­
miento de m ujer celosa.
Y tal la aborrecía, que hasta llegaba a con­
solarla de la próxim a m uerte el pensar que
ésta sería prueba del fracaso de la Capitana,
y que muriendo evitaría el bochorno de verla arreb atarle a Alvaro, cosa que cada día
iba temiendo más la hermosa yanqui: que en
su feroz odio p refería perder la vida en la
catástrofe a presenciar un nuevo triunfo de
la pericia de M aría'Pepa. Venía resuelta Sara
a que el comité que presidía, robustecido cori’
la autoridad de portavoz de los acuerdos de
los científicos representantes de casi todas
las naciones, depusiera solemnemente a la
Capitana y asum iera el mando. P ara ella lo
prim ero era esto; la salvación, lo secunda­
rio. Si el comité sabía conjurar el peligro,
m ejor; pero, aunque así no fuera, prefería
tostarse viva en el fuego solar a ser salvada
por la española.
Los otros comisionados, uno de los cuales
era comisionada, no ofrecían particularidad
interesante.
Recordando anteriores encuentros con su
enemiga, llegaba la indignada Comandante
de Bifrontes Aviadores, dispuesta y prepa­
rada a vencer resistencias y altiveces, resuel­
ta a chillar alto, y a recurrir, a poco que
preciso fuera, a la v io len cia pues cuanto
m ás g rita ra la otra, que tenía sobre sí la
responsabilidad de un probable naufragio—
¡y qué naufragio!—más em peoraría su si­
tuación.
E n el camino del Instituto a la Coman­
dancia había hilvanado, para en tra r en m a­
teria, una breve pero aplastante y depresiva
catilin aria que a quem arropa pensaba dispa­
ra r a M aría Pepa, sin darle tiempo para pre­
venirse; así que, apenas traspasó el um bral
de la p u erta del despacho, dijo con alto tono
y agrio acento:

—Por acuerdo de cuarenta y dos de los
cincuenta científicos comisionados interna­
cionales, que en el planetoide representan
toda la terráquea ciencia, venimos a exigir
a su Capitana explicaciones sobre la absurda
y peligrosa dirección de m archa...
—Que gustosa me presto a dar a ustedes—
interrum pió M aría Pepa cortándole el exor­
dio a la oradora, en el momento mismo en
que iba a rem ontarse a las altu ras de ful­
m inante apostrofe.
No esperando S ara tal suavidad, que la
impedía seguir por el camino proyectado, tl-

A VENUS

107

tubeó un instante; pero, creyendo tener h u ­
m illada a sus pies desde el prim er momento
a su enemiga, el deseo de hacer patente a to­
dos, y especialmente a Alvaro, la hum illa­
ción, hízole contestar:
—Naturalm ente... Pues no faltaba más
sino que habiendo fracasado nos la negara
usted... Con gusto veo que no se acoge a su
habitual orgullo, que ahora sería extempo­
ráneo, lo cual implica concesión...
—Abreviaremos, si les parece a ustedes—
contestó M aría Pepa, reprim iendo, a duras
perias, sí, pero enfrenándola, la cólera que
encendió én ella la últim a frase de Sara—.
La ocasión no es para discursos.
*—Es que debo decir a qué venimos: y lo
diré.
—Lo sé hace más de una hora. Y contes­
tando desde luego, ahorro tiempo, que no es
para perdido. Es efectivam ente absurdo el
rumbo y alarm ante la situación; porque he­
mos comenzado a caer en el Sol.
—Ya lo sabía. ¿Lo ven ustedes?... No que­
da otro camino que...
—¿Deponerme del m ando?... También lo
sé, y me allano a entregarlo a quien tenga
más probabilidades que yo de salvar el orbim otor y su pasaje.
—Ya lo oyen ustedes. E sta m ujer, que
confiesa habernos traído a peligro de m uer­
te, no tiene medios de evitarlo—interrum pió
Sara queriendo producir un pánico en los
comisionados, para sacar la discusión de los
serenos cauces por donde la llevaba la mo­
deración de M aría Pepa—. No hace falta más
para destituirla; p ara exigirle responsabili­
dades, para...
— ¡Recongelasión!...

—Silencio, señor Ripoll. Señora Sam Bull,
lo más urgente, lo que no adm ite espera, es
saber quién va a reem plazarm e: No invoco
mi calidad de jefe indiscutible, pues la gra­
vedad de las circunstancias me hacen consi­
derar deber moral ceder el mando del apa­
rato que he creado y h asta aquí he condu­
cido, no a quienes juzgue yo m ás aptos para
ejercerlo, sino a quienes, en opinión de cuan­
tos aquí .estamos reunidos, tengan plan y
medios que inspiren m ayor confianza para
regir el Autoplanetoide. Si todos perecemos,
poco im portarán luego m is responsabilida­
des; si nos salvamos, ya habrá quien tenga
entonces autoridad y prestigio, que h asta
ahora falta a ustedes p ara exigírm elas. De­
jemos esto, pues, y vamos, sin perder más
tiempo, a lo que aprem ia e interesa: quién,
va a m andar aquí.
—Sí, sí—dijeron dos o tres de los comi­
sionados, haciendo com prender a S ara la im­
posibilidad de continuar por el derrotero que
llevaba-

108

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

-—Aquí no manda ni mandará nadie más
que tú.
— Aquí, señor Ripoll, mandará quien ofrez­
ca superiores garantías de acierto y compe­
tencia para sacarnos del peligro presente—
replicó con firmeza María Pepa, que por mo­
mentos se captaba la aprobación de los co­
misionados presididos por Sara, a los cuales
se dirigió, agregando— : Eso no lo discutire­
mos (pues todavía mando, y no consiento se
pierda ni un momento en discusiones), pero
lo votaremos ahora mismo en cuanto quienes
tengan planes los expongan breve y sumaria­
mente. Y no podrá tachárseme de amañar
mayorías, porque ustedes son seis y mis ami­
gos y yo cuatro...
¿Cuál es, señora, el plan de la comisión
que usted preside para sacarnos del qftual
peligro?...
¿Qué fuerzas van a oponer ustedes a las
que nos arrastran?... ¿Cuáles son éstas?...
¿Cómo piensan ustedes emplear aquéllas?...
Tan perplejas dejaron a Sara estas inespe­
radas preguntas, que no obstante su despier­
ta inteligencia y su resuelto espíritu, no
atinó a dar contestación con l a que no que­
dara en evidencia, balbuceando mientras la
buscaba:
— Nosotros... Esta comisión... Ya hemos
dicho...
— E l plan, el plan, señora... Y si usted
desconoce el que seguramente traerá la co­
misión, invito a estos señores a que lo ex­
ponga aquel que lo conozca.
— N o se trata de eso— rugió Sara— . Usted
quiere eludir...
— Ya he dicho que ahora no se trata de
m í... ¿Es que no traen ustedes plan nin­
guno?...
No puede ser... No lo puedo creer...
Contéstenme, señores... ¿Cómo y por qué
medios piensan ustedes salvar la situación?
— Necesito explicar— contestó Sara— ... En
nombre de cuarenta y dos sabios...
-—En nombre de doscientas vidas amena­
zadas ni a los sabios consiento malgastar ni
un minuto siquiera en cosa que no sea dar
medios de salvarlas.
Aun quiso Sara protestar, revolviendo el
cotarro, pero entonces fueron sus compañe­
ros quienes, impresionados por -las juiciosas
palabras de la Capitana, la impidieron ha­
blar.
— ¡De modo que no tienen ustedes plan
ninguno!...
— ¡Ah, Maquiavelo!— decíase Fognino, son­
riendo maliciosamente, y paseando sus mi­
radas socarronas desde su nieta a los comi­
sionados, que, sintiendo lo desairado de su
situación, no levantaban los ojos del suelo.

— Pero, a lo menos, sabrán la causa de la
dificultad presente.
— Pues claro está—contestó Sara, agarrán­
dose a la única contestación que podía dar
para salir de aquel mutismo desairado y ri­
dículo— . Que caemos en el Sol.
— Eso ya lo he dicho yo antes; pero la cau­
sa de la caída es lo que importa conocer, la
fuerza que provoca tal caída: que mal podrán
ustedes detener si no saben nada de su ori­
gen.
— La causa está bien clara: la torpeza de
usted; la fuerza, la de su ignorancia.
Eran tan parcial y descompuestamente
agresivos el tono y las palabras de esta res*
puesta, y tan vacía se hallaba de noticias o
conocimientos útiles para salir del trance
que a todos preocupaba, que los comisiona­
dos se miraron los unos a los otros, mostran­
do, en la expresión de sus semblantes, muda,
pero evidente condenación de aquel intempe­
rante exabrupto, muy cercana a trocarse en
explícita repulsa de tan apasionada e inútil
forma de plantear el problema de la común
salvación. Es decir, todos no, pues A lvaro no
miraba a los otros, sino que fijamente cla­
vaba en Sara una dura mirada, con expresión que, por ella advertida, la descompuso
y la sacó de sí aun más que estaba, siendo
soplo violento en la hoguera de su odio.
Ripoll bramaba, pero interiormente, por
no exponerse a la tercera pública admonición
de María Pepa. Fognino no se indignaba con
la aviadora yanqui por preocuparle mucho el
enterarse de las miradas no muy cariñosas
que se cruzaban entre ella y A lvaro; pero
Haupft, que no tenía tales motivos de dis­
tracción, perdió su pacífica ecuanimidad y
protestó increpando a Sara:
— Señora mia, no es tolerable que gratui­
tamente hable usted de torpezas del mando...
— Doctor Haupft— le interrumpió la Capi­
tana— , suplico a usted no haga alto en me­
nudencias... Nuevamente pregunto a los se­
ñores comisionados, y esto es lo interesante,
si saben por qué caemos en el Sol, si conocen
la causa que determina la caída... ¿Cómo?...
¡Tampoco saben eso!... Me parece imposible
que ninguno de ustedes lo sepa— al decir esto
miró a Alvaro— . Los invito, los conjuro a que
si alguno tiene medios de afrontar la situa­
ción, los exponga. Y si se consideran mejo­
res que los que yo pienso aplicar, le haré en­
trega del mando.
Pero ¿es que ninguno de ustedes sabe por
qué caemos?...
La voz de la Capitana temblaba al hacer
la pregunta.
Pasaron breves instantes, que a todos par
recieron larguísimos, al cabo de los cuales
brilló en los ojos de María Pepa, no la ale-

DEL

OCEANO

gría del triunfo de la Capitana, sino el gozo
sentido al ver que Alvaro había callado a
Sara lo que le dijo a ella: que a ella y no a
otra le daba medios de triunfar, si era posi­
ble el triunfo. Y ya arrogante, prosiguió mi­
rando frente a frente a su rival.
— ¡De modo que sin plan, sin conocer si­
quiera la índole de la dificultad, ni de la
fuerza que es preciso vencer, ignorantes de
cuanto hay que saber para mandar, vienen
ustedes a hacerme perder tiempo que nece­
sito para intentar salvar a todos!...
Pero ¿es posible?... ¿Es que creen ustedes
que con quitarme el mando basta para que
el Autoplanetoide tuerza su rumbo al Sol
para volver a Venus?...
— Tiene razón, tiene razón— dijeron los
compañeros de Sara.
— No la tiene mientras no explique qué va
a hacer. Tenemos competencia científica para
aprobarlo o rechazarlo, y esto es lo menos
que podemos exigir a quien es evidente que
no tiene pericia para regir el Autoplanetoide,
a quien lo lleva a la catástrofe.
— Señora, frente a otro plan presentado
por personas de ciencia, a la ciencia diría
que resolviera entre él y el mío; pero a vul­
gares amotinados no da la capitana ex­
plicaciones. Vuelvo a asumir autoridad y
responsabilidad. Yo sé la causa del acciden­
te; yo tengo medios, no sé si de vencer, pero
sí de luchar, y los aplicaré. Ustedes obedez­
can. Hemos terminado.
— Eso es hablar— dijo Ripoll fuera de sí.
Sara había perdido la partida, quedando
en evidencia ante los mismos comisionados,
y, lo que era peor, ante Alvaro, que había
ya visto claro quién y cómo era su consorte
laica, con la cual tuvo un breve rifirrafe por
no avenirse a intervenir en la contienda, se­
gún pretendía ella: hasta que, convencida
de que, por la primera vez, rehusaba Alvaro,
categóricamente, plegarse a su voluntad,
dijo nerviosa:
— Pero nosotros no somos sino comisiona­
dos de cuarenta y dos sabios: ellos decidirán.
— Perdone usted, quien decide soy yo, que
no tolero conclaves, complots, ni menos re­
sistencias. Mas, no olvidando mi palabra, de
aquí saldrán ustedes libres: es1más, les con­
cedo veinte minutos para que, volviendo al
Instituto, digan a es'os señores que de tener
alguno de ellos plan y actitud para pilotar
el Autoplanetoide, todavía me avengo a co­
nocerlo y a compararlo con el mío. Espera­
ré ese tiempo, sin perderlo por mi parte;
pero, si pasa sin recibir respuesta, quedan
desde ahora prohibidas reuniones de más
de tres personas, por muy sabias que sean.
Y quien infrinja este mandato, aténgase a

A VENUS

109

las consecuencias... Es inútil, señora, que
pretenda hablar más. En este instante co­
mienzan a contarse esos veinte minutos.
Son las tres y diez.
Los comisionados se llevaron, quieras
que no, a Sara, que iba lívida. Los viejos
abrazaron enternecidos y gozosos a María
Pepa.
*

*

*

Quince minutos después se abrió la
puerta del despacho, donde la Capitana
trabajaba, a solas, y la escoltera de centi­
nela en ella entró diciendo:
— Ahí fuera espera un enviado de los
señores reunidos en el Instituto de Expe­
riencias.
— Que pase.
No hacía falta el permiso, pues ya Fairelo se lo había tomado y estaba en el des­
pacho, notando desde luego María Pepa
en su actitud y gesto que una resolución
muy firme lo traía.
Cuando tras él cerró la puerta la mu­
chacha que lo había anunciado, preguntó
María Pepa con voz no muy segura:
— ¿H ay alguien que)..? ¿Es usted
quien...? Porque usted sí lo sabe...
— Ni se trata de eso, ni a mí n e manda
nadie. Allá todos ignoran la causa de la
caída; yo he mentido al decir que me en­
vían ellos, y he mentido premeditadamen­
te para tener certeza de entrar aquí, donde;
a no haber hecho esto, es probable me nega­
ran la entrada...
Lo lógico, lo clásico, lo que los cánones
de la novela exigirían ahora sería que
María Pepa dijera altivamente: “ ¡Caba­
lle r o !...” Pero a despecho de tan fuertes
razones no lo dijo, sintióse todavía más
turbada, y balbuceó, sin altivez ninguna:
-— ¿Pero entonces?..
— Me dijo usted hace poco que era pro­
bable pereciéramos, y parece que ahora
tiene usted esperanza de evitarlo.
-—Esperanza, sí; gracias a usted; cer­
teza, no: esa es de Dios.
— Pues bien; quiero que sepa usted que
si muriendo me bastaba para morir con­
tento el morir a su lado, no me resigno
ahora con la vida si no me da la suya a
cambio de la mía.
¿Que sintió lá enamorada María Pepa
ante aquella explosión de amor del hom­
bre a quien ella adoraba? No hace falta
decirlo, mas sí saber que su alegría fué tan
grande y le salió a la cara de tal modo,
que no le dejó a Alvaro duda ninguna de
los sentimientos que la producían.

110

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

Y, sin embargo, cuando pensaba que su
convencimiento sería corroborado, cuando
esperaba oír de labios de 'la Capitana que
le era otorgada aquella vida con que que­
ría fundir la suya, cuando quiso acercarse
a compartir su evidente júbilo, asombróse
al oír estas secas palabras que imponía la
conciencia al corazón de María Pepa, cla­
vándole a él en el lugar donde se hallaba:
— La vida de usted es de otra: ni usted
puede ofrecerla, ni yo aceptarla.
— Mi vida es mía desde el momento que
no quiero sea de ella.
— Hay entre ustedes lazos...
— Que se rompen por voluntad de cual­
quiera de los dos: el matrimonio lo deshace
el divorcio.
— Y o no admito el divorcio. Ni yo com­
prendo que las almas se partan para irse

dando en trozos a través de la vida, ni con­
cibo pueda darse ésta sino una sola vez.
Así soy: me repugnan amores desprendidos
de otros brazos y me repugnan las mujeres
que ruedan de esposos en esposos.
— Esas son antiguallas: cosas de beatas.
— Puede ser: yo soy de esas a quienes
llama usted beatas. Pero aunque no lo fue­
ra... Contésteme: cariño, amor que fué ayer
de una y hoy es de otra, ¿de quién será ma­
ñana?... ¿Quién en él fundará la fe de que
amor vive?... No: vida y amor que tienen
dueña no he de aceptarlos yo: no soy mu­
jer que robe amor a otras mujeres...
Y sin dar tiempo a la respuesta, se salió
del despacho.
— ¡Y llora, llora!... ¡Va llorando!— decíase
Alvaro enloquecido y consternad

XXV
DE VENUS A MERCURIO Y VUELTA A VENUS
Según con cierta exageración terrestre,
pero con astronómica exactitud, decía el
buen Ripoll, Mercurio le venia pisando los
talones a Venus, en lo cual estribaba el plan
que María Pepa pondría en ejecución si a
ello le daba tiempo la mancha solar: bien
disminuyendo su actividad perturbadora, o
bien porque el torrente de sus magnéticos
efluvios se desviara, por efecto del constan­
te giro del Sol, de la dirección que en su
caída, recto al centro planetario, llevaba el
motoestelar.
.
La cuestión se planteaba en los siguientes
angustiosos términos: los presuntos náu­
fragos en el inmenso océano flameante irían
cayendo hacia él, cada vez más de prisa, por
ser no solamente atraídos por el crecimiento
de su peso solar, incesantemente aumenta­
do con la disminución de la distancia al Sol,
sino empujados además por la acumulación
de las velocidades adquiridas.
El hermoso Sol iría creciendo vertigino­
samente, ante sus ojos, hasta hacerse des­
comunal, .horrendo: hinchándose, hinchán­
dose, cubriendo más y más cielo, de hora en
hora, hasta llenarlo todo.
Imagine el lector el espectáculo del ce­
leste suave de nuestro firmamento substitui­
do, de Oriente y Norte hasta el cénit, y des­
de aquí a Occidente y Sur, por la lumbre
solar, y tendrá idea del cielo todo sol , que
sería realidad, mil veces más terrible que

la más espantosa pesadilla, para los desven­
turados que en su fuego caerían, de no ha­
llar antes fuerza, interna o externa, suficien­
te a disminuir la rapidez, o modificar el sen­
tido, de la marcha, que en dos o tres días
llevaría al orbimotor a cortar la órbita de
Mercurio en un punto hacia el cual corrían,
planetoide y planeta, en direcciones conver­
gentes; pero que sería alcanzado por el pri­
mero cuatro o cinco fechas antes que por el
segundo. Desde allí al Sol, crecería el ígneo
monstruo en progresión aterradora; luz
abrasante cegaría los ojos, calcinando las
retinas; y los cuerpos serían carbonizados
mucho antes de tocarlos las llamas.
El solar peso del Autoplanetoide, que al
pasar junto a Venus era de 78.500 tonela­
das, subiría a 272.395 (1) al cruzar el ca­
mino que recorre Mercurio. La velocidad, el
impulso adquirido, alcanzarían números in­
expresivos por su abrumante enormidad.
La única esperanza, tenue e imprecisa,
cuya conversión en realidad salvadora de­
pendía de fortuitas contingencias, fundaba­
is. r>00 x ios 2
(1)

Tgual 'a ------- ----------------, siendo IOS r 58 ml58»
llones de kilómetros las distancias de Venus y da
Mercurio a' Sol por ser sabido que la atracción
gravitatoria varía en relación inversa de los cua­
drados de las distancias aUe separan los cuerpo»
entre los que se ejerce

DEL

OCEANO

se en la rapidez con que Mercurio se acer­
caba al motoestelar. En seguida va a verse
por qué.
A la una de la madrugada del 29 de di­
ciembre comenzó Venus a pasar de su cuar­
to creciente, mostrando más de la mitad de
su disco; pero, cosa extraña, a la par que en­
sanchaba reducíase su altura, como una lu­
na que al cambiar desde creciente a llena
se hiciera más pequeña al redondearse; y
esto era buena prueba de que el Autoplanetoide se apartaba de Venus muy de prisa,
según decía la rapidez de la disminución.
Veintisiete horas después, es decir, a las
cuatro de la madrugada (1) del 30, había
recorrido, en derechura al Sol, veinte mi­
llones de kilómetros con velocidad media
de 25.000 metros por segundo. Aquel presen­
taba a la estupefacción de los viajeros su­
perficie mayor que ¡tres soles terrestres!
Con la sola excepción de María Pepa, sus
adláteres y unos cuantos sabios de ánimo
esforzado, el abatimiento era absoluto en to­
dos, rayando en aborrecimiento al padre de
la luz, de quien huía aterrorizada la pobla­
ción entera, encerrándose en sus casas,
atrancando las ventanas y tendiéndose en
los lechos con las caras apretadas contra
las almohadas, para no ver la claridad, que
de intensa aterraba, filtrándose a través de
los párdados cerrados como si fueran éstos
translúcidos cristales.
En motines no pensaba nadie, porque, ¿a
qué, si era imposible retornar a la Tierra?
En aquellas terribles veintisiete horas al­
ternaba Ripoll con una astrónoma mejica­
na en la observación de la condenada, cual
la llamaba él, mancha solar, responsable de
todo. Junto a ellos Alvaro y el Director del
Instituto de Análisis Fotolieliogénico de
Quito hacían, con espectróscopos, fotóme­
tros y polarizadores ensayos incesantes de
la luz de la mancha. Entre unos y otros com­
probaban leve decrecimiento en la actividad
de ella, y que el huracán electromagnético
que rodeaba al orbimotor, tendía a desviar­
se del camino de éste; pero tan despacio,
que era muy de temer no llegara a apartar­
se por completo sino ya tarde para luchar
con la espantosa velocidad acumulada en la
larguísima caída.
. Haupft y Valdivia no daban descanso a
sus espirales logarítmicas ni a la máquina
de ecuaciones, ni a los integradores auto­
máticos, calculando posiciones y más posi­
ciones del Autoplanetoide y de Mercurio, y
(1) Repetimos que se trata de fechas y horas
terrestres, pues ya se recordará que siempre bri­
llaba luz de medio día en el novimundo.

A VENUS

111

señalándolas de hora en ñora en et plano
sideral, por Ripoll dibujado, que tenían ex­
tendido en el suelo del gran- salón de la Co­
mandancia.
María Pepa iba de tanto en tanto a con­
sultar el plano, recibía los partes de los
astrónomo» y se volvía al despacho.
De diez en diez minutos gritaba el teléfo­
no “ ¡ahí v a !” ; y al oírlo ella miraba al espe­
jo de maniobra, para observar si daba indi­
cios de excitación en las cargas; pues el
“ahí va” significaba que, en la central eléc­
trica, y en aquel momento, lanzaba Fognino
la corriente a los excitadores.
Pero de 324 “ahí vas” que María Pepa oyó
en veintisiete horas/ ni uno solo produjo
efecto en la cristalina esfera del espejo, ni,,
por tanto, en las cargas del Autoplanetoide,
cuya fuerza propulsora continuaba anula­
da por la tormenta magnética. Pero poco
antes de llegar el 325°, entró Ripoll en el
despacho gritando:
— ¡Pepeta, Pepeta!... Prepárate: eso está
ya para acabarse.
—Con tal que aun haya tiempo— dijo
Haupft, con gran calma, dando al manubriode las ecuaciones.
María Pepa, serena, animosa y resuelta,
porque iba a defender las vidas de los otros,
pero no alegre, por no hallar en la propia
el supremo aliciente que hace la vida grata,
contestó:
— Pronto vamos a verlo. Y mucho ha de
tirar el Sol para que pueda más que las dos­
cientas descargas de cinetorio que le voy a
oponer en cuanto pueda.
—Allí va—chilló el teléfono.
—Venga—gritó Ripoll alborozado.
Todos rodearon el espejo de maniobras,
que acusó indicios de electrización en los
excitadores.
— ¡Ya, ya!...
— ¡Viva, viva!...
— ¡Gracias a Dios!— dijo María Pepa—•,
Valdivia, al puente. Por lo pronto, a luchar
con el Sol, de poder a poder, excitando al
máximo todas las cargas del hemisferio del
Autoplanetoide fronteras a él; pero no de
repente—pues el empuje sobre el orbimotor
de esas fuerzas opuestas a la brutal de nues­
tra caída lo haría pedazos y nos abrasaría el
calor en que se trocaría nuestra fuerza vi­
va (1)— , sino aumentando paulatinamente, y
(1) Al convertirse en calor con la cesación del
movimiento dicha fuerza viva— producto de la
masa del orbimotor por el cuadrado de su desen­
frenada velocidad— superior a 226.000 trillones
de caballos de vapor, engendraría unos 4 0.000 tri­
llones de calorías, con mucho sobradísimas, no ya
para fundir el autoplanetoide sino para volatili­
zarlo.

112

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

no en menos de cinco minutos, las descargas
liasia llegar al máximo. Dentro de un rato
estaré arriba para ordenar qué ha de hacer­
se después. Papá Ripoll, a tu observatorio; y
dentro de diez minutos avísame al puente si
adviertes cambio en la dirección de marcha.
Abuelito, ¿cuál es la posición que ocupará
Mercurio dentro de dos días?
—Esta—contestó Haupft señalando un
punto en el plano.
—¿A qué distancia estamos de ella?
—A treinta y dos millones de kilómetros.
¿Qué vas a hacer?
—En cuanto hayamos excitado al máximo
las cargas opuestas a la caída, reforzarlas
con cuarenta o cincuenta que nos empujen
en sentido perpendicular al de la atracción
solar, para ir al encuentro de Mercurio, aho­
rrándole camino.
—¿Vas a excitar de una vez más de 180
cápsulas?... ¿Has pensado?...
— Sí, que puedo reventar el orbimotor con
los terribles empujes convergentes de las
tres cuartas partes de sus cargas; pero algo
hay que arriesgar, y más valdría eso qué
abrasarse. Además, si no seguridad, tengo
esperanza de que su solidez lo sacará con
bien de esta tremenda prueba, pues confío
en la gran elasticidad del corcho que entra
en la composición de sus vitreas paredes.
Cinco minutos después estaba María Pepa
en el puente, y realizaba con intensa emo­
ción la peligrosa maniobra, que aun defor­
mándose un poco—pues su esférica forma se
hizo ligeramente ovoidal, achatándose en el
sentido de la marcha y distendiéndose en el
perpendicular a ella—resistió bien el autosidéreo. Razón tenía la Capitana: la fragili­
dad natural del vidrio era contrarrestada
por la elasticidad de las substancias corcheas
que en su composición entraban.
Al poco rato llegaba el aviso telefónico de
Ripoll.
—El rumbo cambia. En vez de caer recta­
mente al Sol, oblicuamos en dirección que
prolongada pasa entre él y Mercurio. ¡Vic­
toria!... Pepeta, ¡Victoria: el Autoplanetoide
está salvado!...
—Todavía no— dijo la Capitana— , mas lo
alcanzado es mucho.
Inmediatamente dió orden de que el clamófono tranquilizase a los medrosos gritan­
do estentóreamente: “ Hemos dejado de caer
hacia el Sol. El autoplanetoide marcha con
regularidad y se dirige, provisionalmente, al
planeta Mercurio.”
Puede juzgarse del regocijo de los pasaje­
ros, que al oír la noticia se echaron todos
a las calles, aunque tomando la precaución
de pertrecharse, antes de exponerse a la luz,
de gafas de triples cristales ahumados que

María Pepa había distribuido la antevíspera,
y que desde entonces venían usando ella y
sus auxiliares y los pilotos: todos, en suma,
cuantos no se habían encerrado en sus alo­
jamientos.
Abreviemos. Bajo las acciones combinadas
de la gravedad solar y del fortísimo empuje
de 180 cargas, el Autoplanetoide se desvió de
la dirección que hasta la madrugada del 30
de diciembre había seguido, tomando en lu­
gar de ella la que en página cercana a ésta
puede ver quien consulte el plano de sus idas
y venidas en las horas terribles, como des­
pués fueron llamadas aquellas veintisiete.
Entre las veinticuatro del 31 de diciembre
y la una del primero de enero, frenando ya
con grandísima energía, se llegó a unos
130.000 kilómetros de Mercurio, es decir,
poco menos que a su lado, viéndolo como
enorme mancha negra que casi por completo
ocultaba el Sol.
Veían, pues, los novipolitanos un eclipse
anular artificialmente producido por la Ca­
pitana; pero el eclipse más prodigioso, im­
ponente y fructífero que pudiera soñar la
fantasía del más entusiasta astrónomo. Los
que viajaban en el orbimotor estaban enaje­
nados; Ripoll, loco perdido, exteriorizaba su
alegría a tal extremo que amenazaría termi­
nar en estallido cerebral y en descoyunta­
miento pleno de todas las articulaciones de
su recia osamenta.
— ¡Qué observaciones!... ¡Qué descubri­
mientos!... ¡Qué ópticas alegrías!... ¡Qué
delicias fotográficas!... ¡Qué embelesos espectroscópicos!... El Helio, el Neón, el Kriptón, el Geoeoronium y otros parientes de es­
tos selectos y aristocráticos gases, revelaban
con rayas de sus luces cernidas por el pris­
ma todos, todos los que todavía eran, en los
laboratorios de la Tierra, secretos de la quí­
mica estelar.
El Ripollium, un nuevo cuerpo simple,
descubierto en la corona solar por nuestro
amigo el Director del Observatorio de Bar­
celona, entraba triunfalmente a ocupar el
número 377 en la lista de los cuerpos ele­
mentales que hasta 2.186 había identificado
la Química. Haupft y Fognino abrazaron
efusivamente por tan hermoso triunfo al
sabio catalán, mientras él exclamaba estru­
jando alternativamente a sus dos colegas:
— ¡Ripollium!... ¡Ripollium !... ¡Qué bien
suena!... ¿Verdad, Fognino?... ¡Qué solemne
y qué eufónico! ¿No te párese, Haupft?... Yo
le puse al prinsipio Peponium, pero Pepeta
ha rehusado terminantemente este honor.

Lástima no tener tiempo de describir el
magnífico eclipse, ni de puntualizar los pro-

DEL

OCEANO

gresos incontables que de su observación na­
cieron en diversas ciencias. Mas como en
viajes de la índole de los de María Pepa no
es probable le falten ocasiones de provocar
cuantos eclipses quiera, y todavía mejores;
coíno corre prisa llegar al desenlace de lo
que milagrosa y felizmente no acabó en achicharramiento, y aprietan los deseos de apro­
ximarse a Venus, personaje planetaria y mi­
tológicamente mucho más interesante y bello
que Mercurio, dejemos el eclipse para ver a
la Capitana llevar el Autoplanetoide a su
destino.
Con lo hecho había realizado la primera
parte de su plan. Mercurio, interpuesto en­
tre el Sol y el orbimotor, servía a éste de
Utilísima pantalla que, no solamente inter­
ceptaba la fuerza de la atracción sobre él
del astro rey de los orbes planetarios, liber­
tándolo de terribles peligros, sino que, en el
supuesto de que otra mancha o protuberan­
cia solar cual la pasada levantara nueva
tempestad, detendría sus cascadas de elec­
trones antes de que llegaran al motoestelar.
La única fuerza apreciable' que tenía que
vencer la Capitana para enderezar nueva­
mente el rumbo a Venus -era la gravedad
mercúrica? una insignificancia que las car­
gas cinetorias dominarían jugando (1). Pero
a condición de que en la travesía de Mer­
curio a Venus no perdiera nunca el Autoplanetoide la protección de aquél, viajan
do siempre a su sombra. Para ello había
que pilotar el aviplaneta combinando velo­
cidad y dirección de modo que hasta llegar
cercano a Venus se mantuviera siempre en
línea recta con M ercurio y el Sol, resguar­
dándose de éste con aquél.
Con esta condición sería casi nulo el peso
del novimrundo, y con pequeño gasto de
fuerza propulsora podría en ocho jorna­
das recorrer los sesenta, millones de kiló­
metros que le separaban del término del
viaje.
Pero planeta por planeta, y teniendo uno
tan a mano, ¿por qué no aterrizar en él cual
proponían algunos viajeros, nostálgicos de
pisar mundo más firme y sólido que el Automundo?
Por diversas razones, entre las cuales eran
secundarias el miedo a la temperatura de
Mercurio y la fealdad de él, comparado con
Venus, y principal y decisiva que habién­
dose despedido para Venus la zaragozana

(1)
Los 20 millones de toneladas de peso del
Autoplanetoide en la Tierra reducíanse |a los
150.000 kilómetros de Mercurio, a unas 15.700, ha­
bida cuenta de ijue la fuerza de la gravedad es
0,439 de la terrestre.
DEL OCÉANO A V E N U S

A

VENUS

113

cuando partió de Zaragoza ¡qué dirían los
baturros al saber que había ido a otra
parte!...
¿Que a Mercurio lo veían como a un mun­
do y a Venus como estrellica pequeñina?
¿Que estaban lejas y había dificultades? Pues
motivo de más para demostrar a aragoneses
y novipolitanos que la baturrica tenía peri­
cia y le sobraba tesón para salirse con la
suya.
Aristides la jaleaba indignándose de que
nadie pudiera preferir la sordidez y la vul­
garidad del antipático Mercurio, dios de
mercaderes y de cacos, a las deslumbrado­
ras opulencias de la hermosura de Afrodita.
Y otra vez rumbo a Venus, en esta última
etapa de la accidentada travesía, viendo de
nuevo cómo crecía a luna la estrellita que
brillaba a la izquierda de la Tierra, y se iba
separando de ésta; a ver aumentar en tama­
ño, el mundo adonde iban, a la par que
Mercurio, mancha negra en el Sol, iba ha­
ciéndose cada vez más pequeño, hasta aca­
bar en punto chiquitín en medio de su disco.
El bienhechor planeta continuaba sirvien­
do de sombrilla al Autoplanetoide; y libre
éste de' la atracción solar,*la acción sobre
él de la de Venus, combinada con el empuje
de sus cargas, hacíale recorrer, con mar­
cha majestuosa y serena, su camino, admi­
rando a todo sabio la matemática exactitud
con que lo mantenía la Capitana en el de­
bido y complicado rumbo.
Por cierto que en aquellas ocho jornadas
finales del viaje no podían los ignorantes
comprender que los doctos ponderara]? la
fijeza en la derrota cuando ellos veían claro
que cada día era diferente; pues al iniciar
la arrancada para separarse de Mercurio, no
era posible mirar a Venus sin alzar la cabe­
za hasta descoyuntarse casi las vértebras
cervicales, pues estaba allá arriba, alto, alto,
muy próximo al cénit; y según avanzaron
fué bajando cada vez más de prisa, llegando
a vérsele en dirección horizontal primero y
más bajo después, hasta que el 5 de enero
lucía a los pies de los susodichos ignorantes
y de los que no lo eran.
Explicación sencillísima de esto: que sin
cambiar de rumbo, cambiaba el Autoplane­
toide por completo de posición, dando, sobre
sí mismo, una suavísima voltereta: ni más
ni menos que una bola de billar picada con
efecto bajo avanza hacia adelante a la vez
que, hacia atrás, gira sobre su centro.
La razón es clara: Venus tiraba de todas
y cada una de las partes del orbimotor; pero
tiraba con más fuerza de las de mayor peso,
o, en términos más ajustados a lenguaje me8

114

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

cánico, de las de m ayor m asa (1); y como
éstas eran las de la zona austral, lastradas
con taliuro, el polo su r del novim undo co­
rría más de prisa que el norte en la carrera
de amibos hacia Venus: cosa que por ser in­
variable la distancia entre ambos polos, a
causa de la rigidez de la estru ctu ra del no­
vimundo, no podía realizarse sino mediante
la voltereta de él sobre sí mismo. He aquí
porqué a los tres días de viaje se les subiéron los pies a la cabeza a todos los viajeros
del m otoestelar: quiere decir, que en vez de
continuar, como empezaron, cayendo de ca­
beza, caían ahora de pie. Y así proseguirían
hasta el momento de venusizar en el pla­
neta: pues si se dice que aterriza un avia­
dor al tom ar tierra, claro es que al tornar
Venus venusizarían los expedicionarios del
autogravitante.
E n tre venusizar de cabeza o venusizar de
pie, la elección no es dudósa. Y no conse­
guía poco María Pepa haciendo andar de­

rechos a los viajeros ai acercarse a Venus,
pues sin salir del mundo hay muchos que
por Venus andan de coronilla.
¿
Ya hemos dicho, cuando de refilón la vi­
mos, que Venus es hermosísima. Bueno: esto
no tendría novedad, y ya habrán entendido
los lectores que se quiere decir Venus her­
mosísimo; pues el autor no es responsable
de que al planeta masculino le haya sido
dado femenino nombre; como tampoco es
culpa suya que el Sr. Leblonde se empeña­
ra en no ver un bizarro soldado, sino una
guapa moza en el cabo de la escolta. No hay,
por tanto, que mostrarse exigente en gram a­
ticales concordancias relativas a géneros en
el presente libro.
Repito que el planeta se ostentaba opu­
lenta y esplendorosamente bello en los mo­
mentos de la llegada cuando sobre él volaba
el planetoide no más que a 40.000 kilóme­
tros de altu ra entre las veinticuatro del 8
y la una del 9 de enero de 2187.

XXVI
VENUS, TRAIDORA
E ntró el orbimotor en la. atm ósfera del
mundo a que arribaba, no a plomo, sino al
sesgo, o sea tangente a las altas capas de
ella.
E ra dicha atm ósfera de un aire no azul
como el terrestre, sino blanco, blanquísimo,
visto en grandes masas, sin perder por ello
transparencia, cual no la pierde el nuestro
por ser de aquel color. Al de gu atm ósfera
debe Venus su brillo excepcional entre los
astros.
Una vez franqueado el espeso m anto de
nubes que a gran altu ra circundaban el pla­
neta, hallóse el planetoide en tre un dosel
formado sobre él por el niveo celaje de lo
alto y los m ares y tierras que a sus pies
contemplaban los expedicionarios. El suelo,
de intenso verde obscuro, tachonado con
manchas de vegetación carmín, opalina do­
lí) Es posible que algún físico artero, ponga
reparos a esta explicación, diciendo que en el va­
cio caen todos los cuerpos con igual rapidez ¡ pero
dejando a un lado otra contestación por demás
complicada, replioaremos que como hemos quedado
en que no existe en parte alguna el vacío absoluto,
en que el vacio es un mito, no hacemos caso de re­
paros. ¿Qué saben estos sabios que hoy usamos de
las cosas que pasaran en el siglo x x i i ? esos sabios
que pretenden deducir lo que allá arriba hay, de
lo que no hay en la pobre campana de la máquina
neumática.

rada; los mares, interponiendo entre los
continentes amplios océanos, cuyas aguas
se teñían con los tonos de la abrileña lila.
De pueblos, edificios, monumentos y po­
bladores ya hablaremos.
P ara ah o rrar cinetorio y aten u ar la caída
entraba el motomundo en el planeta, cual
salió de la Tierra, describiendo espirales en
derredor de su esférico contorno, sólo que
progresivam ente más cerradas, más cer­
canas, en sucesivas vueltas. Tres y media de
éstas dió el Novimundo al Venusmundo, y
en ellas le anocheció y amaneció tres veces
en siete horas.
Como hábil piloto, que reconoce ignota
costa, aprovechaba María Pepa aquellas re­
petidas circunvoluciones en estudiar la dis­
posición de tierras y mares en aquel orbe:
queriendo colegir de los relieves y pendien­
tes de sus montañas, y de las extensiones
de sus océanos en cuál de éstos tendría ma­
yor probabilidad de encontrar grandes pro­
fundidades, pues era cosa resuelta in m ente
por la Capitana, desde antes de su expe­
riencia en el Pacífico, no aterrizar en mon­
tañas ni llanuras venusianas, sino dejarse
caer sobre las blandas olas de los m ares de
donde verosím ilmente habría surgido la dio­
sa cuando nació, ^egún es fama, de m a­
rinas espumas. Porque en los m ares de la

DE L OC E A N O A V E N U S
115
Tierra no surgió. De eso estoy bien seguro. nar todo esto a altura no mayor de 15 a 20
—¿De modo—preguntó Haupft—que va­ kilómetros, en la siguiente vuelta que demos'
mos a repetir aquí lo del Pacífico?... Haces al planeta.
bien. Pero aun así...
—¿Aun así?... Ya entiendo tus temores.
Mensas que de estos mares no tengo, cual
de aquéllos, conocimiento de sondeos, y que
Cuando después de dar otra vuelta com
de no hallar fondo suficiente todavía puede pleta en derredor de Venus, tornó el orbi­
el orbimotor romperse contra él. ¿Verdad? motor a volar nuevamente sobre el límpi
do océano, no tan grande, pero tampoco
—Precisamente.
—Por eso prolongo estos vuelos, cada vez mucho más pequeño que nuestro Pacífico,
más cercanos a ese desconocido mundo, pudo María Pepa observarlo más detenida­
procurando deducir de su aparente cons­ mente, por la doble razón de no volar sobre
titución, de sus formas externas y de los él, sino a 18 kilómetros de altura, y con mar­
escasos indicios geológicos susceptibles de cha ya reducidísima, de cuatro mil escasos
ser apreciados en un rápido reconocimiento, por hora. Jamás pudo aplicarse a mar nin­
dónde convendrá más caer... ¿Acertaré?... guno con mayor razón el adjetivo límpido,
Allá veremos. Pero ni tú ni yo ignorábamos y gracias a esto fué posible apreciar desde
al lanzarnos a estas aventuras en desconoci­ la altura formas del fondo, a gran profun­
dos mundos que en no pocos problemas, de didad, en las partes cercanas a suaves cos­
los que no es el único, ni el último, éste de tas, y presumir que lejos de ellas ofrecería
ahora, dependerá la solución de hechos y el océano en que se había fijado María Pepa
causas que ni siquiera sospechábamos. Pre­ hondísimos sondajes.
—Ya está resuelto—dijo señalando hacia
viendo lo que a mi alcance esté habré cum­
plido: de lo demás ya cuidará la Providen­ abajo—. Aquí caeremos a la siguiente vuel­
cia. Cuanto yo puedo hacer es frenar fuerte­ ta con velocidad que en el momento de tocar
mente, caer en el mar no vertical, sino casi las olas no pasará de los cien metros por se­
horizontalmente y lanzar al llegar a las olas, gundo. Además, la manera como va descen­
una intensísima descarga austral que dis­ diendo en altura nuestro vuelo, a la par
minuya peso a mi murdo y velocidad a su que avanzamos, es menos rápida de como
caída para que el chapuzón no sea muy con la actual marcha descenderíamos en la
hondo.
Tierra, y la rapidez de ella es también infe­
—¿Y has elegido ya fondeadero?—pre­ rior a la que allí darían las cargas que em­
guntó Fognino.
pleamos.
-—Me inclino a este gran océano, sobre el
—Claro, porque aquí, en Venus, cada ki­
que ahora volamos. Sus clarísimas aguas logramo no pesa sino 807 gramos, lo cual
vistas desde aquí arriba parecen profun­ no sólo es causa de que bajemos más des­
das; la enorme altura de la cadena de mon­ pacio, por su directo influjo sobre el orbi­
tañas que sobre aquella costa de la izquier­ motor en cada instante, sino que en razóu
da se alza, poco menos que a pico, hasta al­ del decrecimiento de la fuerza viva acumu
canzar altura que triplica tal vez la de nues­ lada
tro Himalaya (1), y aquel cono volcánico vuelo...por la velocidad adquirida en nuestro
tan elevado como cuatro Teides, parecen
—Ya he tenido en cuenta eso, y, sin em­
indicar que las tierras submarinas bajan, bargo,
velocidad y caída son todavía más
con pendientes muy agrias, a un hondísimo lentas
de
lo que a tal disminución dé peso
fondo debajo de las olas, análogamente a lo corresponde:
lo cual es prueba de que el aire
que en nuestro mundo ocurre en la costa
occidental de la América del Sur, al caer al de Venus pesa bastante más que el aire de
foso andino. Mas todavía aguardo a exami- la Tierra.
— ¡Vaya una novedad!... Eso lo sabe el
último aprendiz de Astronomía.
(1) La Ingente altura a que se refería María
—Papá Ripoll, perdona, eso lo suponíais;
Pepa, dándole por nombre el de Monte Shroeter, pero saberse no se lia sabido hasta ahora.
resultó tener cuando más tarde fué cuidadosamen­
te medido, 36.753 metros, o sea más de cuatro ve­ Descubrimiento que me complace mucho,
ces la elevación del más alto pico de nuestra 111- porque me facilita la maniobra y aminora
malaya. Se había, pues, quedado corta la Capita­ los imprevistos riesgos de ella.
na en su apreciación a ojo y Shroeter largo en la
que, a principios del siglo xix, dió como elevaPoco más de tres horas se emplearon en
cón de tal montaña cuya existencia observó, fijan­ dar aquella última circumaerostación de
do su situación junto al cuerno sur de Venus cre­ Venus que tiene de cintura 39.960.000 meciente.

116

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

tros (1). E n ella veían los expedicionarios
con toda claridad inefables paisajes, m ares
bellísimos, ríos, lagos, ciudades resplande­
cientes y m ultitud de extrañas novedades
que embelesados adm iraban, y cuya descrip­
ción será oportuna cuando con toda calma
paseemos por los campos y visitemos urbes
y m onumentos del planeta, si, como es de
esperar, acaba bien el viaje, en el que ahora
lo más interesante es la llegada.
E n toda aquella últim a vuelta no aban­
donó la Capitana ni un instante la direc­
ción personalísim a de la maniobra, que a
nadie fiaba en el definitivo albur de cuyo
resultado dependían el triunfo o el fracaso
de la m agna em presa que había sido sola
preocupación y único sueño de su vida,
h asta que vino a trasto rn a rla un hombre, al
que por la prim era vez en muchos días con­
seguía M aría Pepa olvidar siquiera fuese
breve tiempo, pasado el cual volvería a ator­
m entarla. Pero entonces, cercana al desenla­
ce, con la m irada fija en el liliáceo m ar igno­
to de un mundo aun más ignoto; espiando el
momento de caer sobre las olas que veía ale­
jarse debajo de sus pies; con la mano en los
conm utadores de órdenes, emoción in te n ­
sísim a le henchía cerebro, corazón y alma,
sin percibir en todo el universo sino la exis­
tencia de tres seres: Venus, el Autoplanetoide y Ella: ni veía a los tres viejecitos, que
se extasiaoan en su radiante alegría, ni se
enteraba de las chanzas de Aristides, que
con una m aleta én una mano, un atacapas
en la otra, y en la cabeza un salakoff inglés
con gasa verde para los mosquitos, increpa­
ba a Ripoll por su ignorancia.
¿Porque qué ciencia astronóm ica era la
suya, y para qué servía el observatorio de
Barcelona si a la llegada al prim er planeta
en que hacían escala no podía el director
de él dar el menor inform e a los viajeros
sobre los hoteles venusianos, ni sobre la ta ­
rifa de los autos, ni siquiera ofrecerles una
m ala guía?...
Pero si no sabe usted esas necesarias y
elementales cosas, ¿para qué tan ta ciencia?...
P ara charlar, para pavonearse con los am i­
gos en la T ierra, pero com pletamente inúti­
les para quienes andamos por los cielos.
¡Vaya una astronom ía!...
¿Qué ha hecho usted años y años asom a­
do a los anteojos, y curioseando en Venus,
si ahora salimos con que no sabe nada de
cuanto puede interesarnos en ese amable
mundo? H a perdido usted el tiempo, amigo
(1) La de |'a Tierra es poquísimo mayor,
40.000.000 de metros, según saben los chicos de
la escuela, aunque a veces lo olviden a' llegar a
grandes.

mío, y, además, el dinero pagado p o r sus
telescopios.
M ientras esto ocurría allá en el puente,
abajo se apiñaba en los balconcillos el pasaje
entusiasmado, sin que de todos los expedi­
cionarios faltaran sino dos personas. E ra
una Fairelo, que recostado, como en la no­
che de la p artid a de la T ierra, en la esquina
del Casino Internacional, m iraba a M aría
Pepa alta, muy alta, más alta que nunca;
mas sin hallarla odiosa ni acordarse siquiera
de Felipe II, sino adm irando, ya sin reser­
vas, ni dudas, ni vacilaciones, sino con ojos,
corazón e inteligencia, a la más grande he­
roína del sistem a planetario. A la Colón de
los planetas.
La otra ausente era Sara, que iba a en­
tr a r en el mundo de llegada con jaqueca,
como salió del de partida, y que se había
encerrado para no ver a Venus, por parecerle ¡fea!...
¡Feo Venus!... ¡Qué herejía!... ¡Venus, el
planeta más bello, la refulgente * estre lla
vespertina, el más poético de los astros!...
¡Venus, la rnás herm osa de las diosas,
fea!...
Ya era difícil, S ara; mas también es, v er­
dad que ella ten ía derecho a m ostrarse e x i­
gente en femenil estética, porque de V enus
consta que una vez sola vió oficialmente
prem iada su herm osura con la célebre m an ­
zana, por culpa de la cual pelearon A quiles
y Héctor, y ardió Troya, m ientras m istre s
Sam-Bull podía ufanarse con seis prem ios
de belleza. Y además la m anzana se ganó
en el Olimpo, quiere decir en un villorrio,
y en lucha con dos competidoras, m ie n tras
que S ara había ganado sus trofeos en concu­
rrencia con millones de bellas en la inmensia
Yanquilandia. No es, pues, extraño que d e s ­
deñara a Venus.
Como todo llega en este mundo, y em
aquel también, al fin llegó el solemne in s ­
tan te de recibir el m otoplaneta la prim eria
caricia de labios de la diosa; dos o'.as que :a
la p ar se alzaron de la superficie de la;S
aguas, con impaciencia de besarlo, antes d<e
que en el m ar se hundiera. Parecía aqued
beso bienvenida del planeta.
E l pasaje, que tiempo atrás, al caer em
el Pacífico, prorrum pió en alaridos ce te rro r,
y que de entonces ten ía la experiencia de l;a
soltura con que la Capitana hacía bucear a.1'
avimundo, saludó la inm ersión coa regoci­
jado clamoreo.
No se había sentido el m enor chocue: antee
el Autoplanetoide se entreabrían, con s o r ­
prendente suavidad las aguas, y dulce :y
am orosam ente era acogido en el seno d<e
Venus.
M aría Pepa sintió júbilo sobrehumano).

DEL

OCEANO

H alía llegado, había triunfado. Dio un sus­
pire do satisfacción, bajó los ojos, para re­
crearse en la aleg ría del que podía llam ar
su fueblo, y al ver antes que a nadie a Al­
var^ contem plándola, su alegría se disolvió
en dos lágrim as. H abía llegado a un mundo
m,uj hermoso, m uy hermoso, donde no po­
día am ar: al m undo de la Diosa del Amor,
y el am or la estaba a ella vedado.
—i El, siem pre él!... ¡El, endulzando todos
mis dolores!... ¡El, am argando todas mis
alegrías!...
R-Poll, H aupft y Fognino Ja observaban:
—¿Lloras, h ija m ía?—preguntó el p ri­
m en.
—Es de alegría, noy—dijo Ripoll.
—¡Povera fancciulinal — pensó Fognino
viendo adonde m iraba M aría Pepa.
—¡V enus!... ¡V enus!... ¡V enus!...—g rita ­
ban alborozadas doscientas criatu ras mien­
tras el A utoplanetoide se hundía y se hundía
entre las transparencias de las aguas teñi­
das de suavísim o violeta.
El sitio de caida estaba bien elegido, pues
se hundió el novimundo sin el m enor tropiez) h asta 7.000 m etros bien corridos de
profundidad, con velocidad grande todavía
al tocar las aguas, pero rápidam ente decre­
ciente h a s ta hacerse pequeñísima, casi im­
perceptible, a m edida que el rozam iento con
aquéllas iba contrarrestando la velocidad
adquirida en la caída, ya muy am ’e nguñda
por la descarga cinetórica que lanzó M aría
Pepa en el momento de la inmersión.
Recordando lo que había ocurrido en el
descenso del orbim otor al Pacífico, aguar­
daban los expedicionarios que de un mo­
mento a otro se detendría para ascender en
seguida en virtu d de su fuerza de flotación.
Así, al se n tir un choque, muy leve, es cierto,
pero perfectam ente perceptible, fué en un
principio interpretado como iniciación de
la subida, y saludado con aclam aciones de
entusiasmo, que sólo resonaron breve tiem ­
po; pues m uy pronto se dió cuenta el pasaje
de que la sacudida no había sido ocasiona­
da por el comienzo del esperado m ovim iento
ascensional, ya que el novimundo perm ane­
cía quieto, com pletam ente quieto, varado,
en suma, en el viscoso y blando légamo del
fondo del océano venusiano.
Gracias a aquel colchón formado por los
restos de las descomposiciones orgánicas de
plantas y peces m uertos, c¡ue tal vez tenía
cien o más m etros de espesor, y en el cual
quedó hundido seis o siete la parte inferior
del novimundo, gracias a esto y a la esca­
sísim a velocidad que ya llevaba éste, no se
hizo añicos contra el fondo, reduciéndose
todo a una leve sacudida.
Felizm ente el fondo del m ar del planeta

A VENUS

117

de llegada estaba a aquellas profundidades
constituido, como era lógico, por cieno an á­
logo al que la sonda ha revelado, en los
hondos sondeos de no pocos océanos de la
T ierra: cieno geológico, que poco a poco se
iría haciendo piedra.
Huelgan ponderaciones sobre la decep­
ción, el desánimo y el abatim iento de los
viajeros al darse cuenta de que al cabo de
ta n ta pericia y tanto susto, cuando todo
riesgo parecía pasado y todo tem or desva­
necido, no eran en Venus sino náufragos en
sus m ares hundidos.
Porque no cabía duda, el Autoplanetoide
había zozobrado: esto era un hecho que
nadie discutía una hora después de la in ­
mersión, al convencerse de que perm anecía
quieto, en el fondo del m ar, a 7.230 me­
tros por debajo de su superficie, según di­
jeron los gravím etros de H aupft (1).
Aun convencida de la inutilidad de pro­
b aturas poco meditadas, accedió M aría Pepa
a hacer tres o cuatro descargas de cápsu­
las australes, no tan sólo por condescender
a unánim es deseos del pasaje, sino para per­
suadir a éste de que en lo ocurrido no te­
n ía culpa alguna la Capitana ni su plane­
toide, que seguía obedeciendo perfectam ente
a la im pulsión de sus cargas. Mas, según ella
presentía, en cada una de estas intentonas
sólo consiguió aquél desprenderse tra n si­
toriam ente, y, por unos segundos,-del lodo
en donde descansaba, elevándose trein ta (■
cuarenta m etros a lo sumo, para caer otra
vez y quedar nuevamente encallado.
E ra aquel un naufragio tranquilo, muy
tranquilo; sin horrores, sin trágicos aspec­
tos de catástrofe; pues nada había v aria­
do, ni nada se había roto ni descompuesto
en el in te rio r del Autoplanetoide. Ni una
sola .vida se había perdido, ni am enaza si­
quiera se percibía p ara nadie de inm ediata
m uerte; pero se colum braba ésta en Ion*
tananza; y se la veía acercarse, aun cuando
lentam ente, clara,’fatal, inevitable, si antes
de que llegara no se daba con medio, lo
cual no era muy fácil, de poner a flote el
orbimotor.
La situación era, efectivam ente, graví­
sim a; pues aun siendo abundante la pro­
visión de ázoe, carbono, albúm ina, fósforo,
glucosas, etc., etc., con, que el señor Chu¿Fo
confeccionaba la alim entación química, lle­
garía a agotarse; porque aunque amplios
también los repuestos de aire, oxígeno, agua
y los de sustitutivos e ingredientes de la
fabricación de esos vitales elementos, al
(1) Corrigiendo, claro es, sus Indicaciones pa­
ra ponerlas en armonía cofa la Intensidad de la
gravedad en .Venus, que, según es sabido, no pasa,
en números redondos, del 8t) por 100 de la Tierra.

118

VIAJES PLANETARIOS EN EL SIGLO XXII

cabo h abrían de consumirse. La duda sólo
podía afectar a si faltaría antes alimento,
agua o aire, al género de m uerte, por ham ­
bre, sed o asfixia, a cuándo y cómo llega­
ría, pero no a la evidencia de que ya se
aproxim aba.
Pero ¿cuál era la causa de la catástrofe?
P ara los sabios, y no sólo para ellos, sino
para todas las personas de m ediana cultura
que en el orbim otor viajaban, parecía evi­
dente que la única explicación del naufra­
gio había de ser la escasa densidad de las
aguas de los m ares de Venus, menos pesa­
das que las de nuestros m ares de la Tierra,
por lo cual éste, flotante en el Pacífico, se
hundía en los océanos del planeta. Cues­
tión de densidad, ni más ni menos. Cosa
imposible de prever en un mundo cuyo aire
pesaba más que el de la T ierra.
¡Aire más pesado y agua menos densa!...
¡Qué rareza!... Veleidades, o traición acaso,
de la inconstante o pérfida Venus. Por eso
había sido tan suavísimo el choque contra
el m ar. Fíese usted de bienvenidas, fíese
usted de besos de olas ni de caricias feme­
niles.
Si M aría Pepa com partía o no la opinión
de los sabios sobre la causa del em barrancamiento, no se puede saber, pues no dijo
palabra h asta que consideró preciso h a­
blar al pueblo para levantar los decaídos
ánimos, diciendo que en tanto hay vida
alienta en ella la esperanza; que tenían ví­
veres, aire y agua para unos veinte meses;
que en menos tiempo era seguro que ha­
llaría ella modo de aligerar su orbimotor, o
cuando no, idearía artefacto adecuado para
sacar salvo el pasaje y transportarlo a al­
guno de los continentes venusianos, en don­
de sus venusinos moradores no habrían de
negarles hospitalidad.
Y poniéndose en lo peor, ¿qué podría pa­
sarles? Quedarse donde estaban... Claro
veían que debajo del agua nadie se m uere
si no se ahoga. Y no ahogándose, sobraban
en el novimundo sabios de todas clases muy
capaces de sacar de las salinas aguas—en el
supuesto de que salinas fueran las de»Ve­
nus—, de su fauna y su flora cuantos p rin ­
cipios químicos se necesitaran para repo­
ner los elementos nutritivos y respirato­
rios indispensables a sus pobladores, antes
que se agotaran los actuales abastecim ien­
tos.
Se habrían perdido los científicos e in­
terplanetarios frutos que la T ierra esperaba
de la expedición, y era dolorosísimo; mas
no por eso perecería el novimunlo ni los
novimundianos. Pues la vida los seguiría
animando y se prolongaría a edades veni­
deras: ya eme entre sus doscientos habL

tantes había hombres y m ujeres, es deir,
savia y troncos de donde b ro taría noviimndiana raza.
No era muy halagüeña la perspectva,
mas, comparado con la m uerte todo es lueno: por eso se resignó el pueblo.
—Además—decían unos—, la C apitana ha
dicho que eso no o currirá sino en últim o ex­
tremo, que va a in te n ta r salvarnos. Y la
Capitana sabe mucho—. Otros pensaban iue
aunque al principio tal vez se les hiciera
cuesta arrib a aquella extraña existencia infram arina e intraplanetaria, todo sería a»ostum brarse; y pensando en que la nmva
humanidad debía ser la principal preocupa­
ción de ellos cual presuntos Adanes y Evaa
de donde había de salir, se dió por descon­
tado que, nacida en aquel mundo, lo pascrla
tan ricam ente en él por no conocer otros
¿Aquel mundo?... ¿Cómo calificarlo? Jor­
que ya no sería avi, ni moto, ni autom uido.
—Pecimundo—dijo uno.
—No; suena m al; es feo...
—Pues digamos lo mismo—repuso un
zoólogo—en form a menos vulgar y n á s
sonora: llamémosle Ictiomundo.
—Bueno, pero provisionalmente, porpie
lo que hace falta es que no llegue el ciso.
—No llegará, no llegará. L a Capitana ha
dicho que va a buscar m anera de sacamos
de aquí. Y ya sabemos que cuando busca
siempre encuentra...
Al deshacerse el grupo, que ya se ha co­
nocido era de gentes anim osas capaces de
conservar el buen hum or en los más litro s
trances, Arístides, que era quien había di­
cho 1» últim a frase de la an terio r conversa­
ción, se encaminó a la Comandancia, donde
al llegar se encontró a Soledad a la puerta
del cuerpo de guardia; y cuando con ella
comentaba las recientes peripecias, sorpren­
diéronle unos gritos inusitados, extrañísi­
mos e inexplicables en el novimundo, donde
no había habitante que tu v iera menos de
diez y oeho años.
— ¡Calla!... Ju ra ría que llora un niño...
Y parece un niño recién nacido.
—Sí—contestó Soledad—. E s que acaba
de dar a luz el sargento de guardia.
— ¡Ave M aría P urísim a!...
—No hay que escandalizarse. Está casada.
— ¡Ah, y a!... ¡Es una de tu s chicas!...
—No, que será un soldado de Santiago.
—Pues ya tenemos un ictiomundianito.
Más pronto y más a tiempo, ni encargado.
No sabía Leblonde cu án ta verdad decía, ni
podía sospechar qué papel providencialmen­
te benéfico le estaba deparado a aquel recién
nacido en este drama.
* * •

DEL

OCEANO

¿Estaba tan segura María Pepa como Aris­
tides de que el orbimotor saldría de su com­
prometida situación? ¿Tenía siquiera verda­
dera confianza en que los sabios aludidos
por ella al hablar al pasaje, encontraran en
los miares do Venus los elementos necesarios
a la vida sumergida, ni en que, de hallarlos,
supieran capturarlos ni tuvieran medios de
extraerlos de ellos?
,
No: había hablado cual lo hizo para toni­
ficar los decaídos ánimos de los náufragos;
pero, en realidad, se hallaba preocupadísima,
y aun llegaba a juzgar leves los trances ya
pasados al compararlos con el último.
¿Desesperaba?... No; pero recelaba del
éxito. Iba a luchar, porque era su debe-r;
pero antes tenía que estudiar, hacer ensayos,

A VENUS

119

meditar largo y hondo, consultar a sus que­
ridos y habituales consejeros.
¿Lograrían al cabo los expedicionarios de
la Tierra salir a flote y contemplar el mundo
venusiano, sus habitantes, su civilización?...
¿Vegetarían allí los veinte meses a que po­
dían alcanzar los almacenes vitales, cuyo
agotamiento transformaría el novimundo en
tumba?... ¿O se realizaría la inverosímil
fantasía de la raza ictiohumana do-que sin
convicción ni fe había hablado María Pepa?
¿Cuál de estas cosas habrá de revelarnos
la historia de la tercera etapa de este viaje?
Hasta ahora no lo sabe el autor; pero para
saberlo y relatarlo cuenta con la videncia de
mademoiselle Thellis. Tenga el lector tam­
bién confianza en ella.

F I N "DEL OCÉANO A V E N U S”

Colecciones